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Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia

versão impressa ISSN 1516-8484

Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.32  supl.1 São Paulo maio 2010  Epub 30-Abr-2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-84842010005000029 

Diretrizes para o diagnóstico, classificação, profilaxia e tratamento da doença enxerto contra hospedeiro crônica

 

Guidelines for the diagnosis, classification, prophylaxis and treatment of chronic graft-versus-host disease

 

 

Luiz Fernando S. BouzasI; Marcia M. SilvaII; Rita de Cássia B. S. TavaresIII; Maria Cláudia R. MoreiraIII; Maria Elvira P. CorreaIV; Vaneusa A. M. FunkeV; João ValdetaroVI; Mair P. SouzaVII; Vergilio A. R. ColturatoVIII; Afonso C. VigoritoIX; Marcos A. MauadVII; Lenira M. Q. MauadX

IMédico. Diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional de Câncer – Rio de Janeiro-RJ
IIMédica dermatologista do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional de Câncer – Rio de Janeiro-RJ
IIIMédica do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional de Câncer – Rio de Janeiro-RJ
IVCirurgiã dentista da Unidade de Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas do HC/Hemocentro da Universidade Estadual de Campinas-Unicamp – Campinas-SP
VMédica responsável pelo Programa de Doença do Enxerto contra Hospedeiro e seguimento de longo prazo do Serviço de Transplante de Medula Óssea do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná – Curitiba-PR
VIMédico oftalmologista do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional de Câncer – Rio de Janeiro-RJ
VIIMédico do Serviço de Transplante de Medula Óssea do Hemonúcleo Regional de Jaú/Fundação Amaral Carvalho – Jaú-SP
VIIIMédico. Coordenador do Serviço de Transplante de Medula Óssea do Hemonúcleo Regional de Jaú/Fundação Amaral Carvalho
IXMédico. Supervisor da Unidade de Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas do HC/Hemocentro da Universidade Estadual de Campinas-Unicamp – Campinas-SP
XMédica ginecologista do Serviço de Transplante de Medula Óssea do Hemonúcleo Regional de Jaú/ Fundação Amaral Carvalho – Jaú-SP

Correspondência

 

 


RESUMO

A falta de critérios diagnósticos padronizados, amplamente utilizados, pode comprometer tanto a avaliação real da incidência da doença contra hospedeiro crônica bem como a correlação de sua gravidade com a taxa de mortalidade pós-transplante. Na I Reunião de Diretrizes da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea, realizada em junho de 2009, o Grupo de Estudos de DECH Brasil - Seattle (GEDECH), baseado na realidade dos Centros brasileiros, apresentou as recomendações para diagnóstico, classificação, profilaxia e tratamento da doença enxerto contra hospedeiro crônica propostas pelo National Institutes of Health. Estas propostas incluíram padronização das características utilizadas no diagnóstico e ferramentas para a pontuação dos órgãos envolvidos e avaliação global da gravidade a serem utilizados em estudos clínicos da doença enxerto contra hospedeiro crônica. Estes critérios são úteis para uma melhor análise da incidência desta doença, além de poder avaliar a gravidade do comprometimento de um órgão ou sítio envolvido e a influência na mortalidade tardia do transplante. A profilaxia e os tratamentos propostos para esta importante complicação dos transplantes de células-tronco hematopoéticas foram discutidos e graduados de acordo com níveis de evidência estabelecidos pelo National Institutes of Health.

Palavras-chave: Transplante de medula óssea; diagnóstico; classificação.


ABSTRACT

The lack of widely-used standardized diagnostic criteria may impair both the true evaluation of chronic graft-versus-host disease and the correlation of its severity with transplant-related mortality. At the I Consensus of the Brazilian Society of Bone Marrow Transplantation - SBTMO that took place in June 2009, the Group of GVHD Studies Brazil-Seattle (GEDECH), presented the guidelines for diagnosis, classification, prophylaxis and treatment of chronic GVHD as proposed by the National Institutes of Health and based on the reality in Brazilian Centers. These proposals, including standardization of features used in diagnosis and tools to score involved organs and to assess the overall severity, should be used in clinical studies of chronic graft-versus-host disease. These criteria are useful to better analyze the incidence of this disease, in addition to evaluate the extension of the involvement of organs or the site affected and its influence on late transplantation mortality. Prophylaxis and treatment proposed for this important complication of hematopoietic stem cell transplantations were discussed and graded according to the levels of evidence established by the National Institutes of Health.

Key words: Bone marrow transplantation; diagnosis; classification.


 

 

Critérios para o diagnóstico e classificação da Doença Enxerto-contra-Hospedeiro Crônica

A classificação atualmente em uso da doença enxerto-contra-hospedeiro crônica (DECH-c) foi proposta em 1980, baseada em dados de vinte pacientes. A doença foi classificada como limitada (comprometimento localizado de pele e/ou fígado) ou extensa (comprometimento generalizado de pele ou doença limitada associada ao comprometimento de outros órgãos). Este sistema foi desenvolvido primariamente para distinguir os pacientes que necessitariam ou não de imunossupressão sistêmica. Entretanto, ela não reproduzia ou previa a mortalidade tardia relacionada ao transplante.1

Estudos prévios identificaram os fatores de risco associados a um aumento da mortalidade associada ao transplante entre os pacientes com DECH-c. As variáveis identificadas incluíram o envolvimento de múltiplos órgãos ou locais, uma piora da performance status, plaquetopenia no momento do diagnóstico (contagem de plaquetas menor do que 100. 000/mL), aparecimento progressivo da DECH-c, bilirrubinas elevadas e envolvimento extenso de pele (maior do que 50% da superfície corpórea).2,3,4-7 Porém, os modelos prognósticos de sobrevida não auxiliam na avaliação da gravidade e extensão da DECH-c em um determinado período de tempo, não existe um consenso de definições ou medidas validadas de resposta do tratamento da DECH-c e, além do mais, o critério diagnóstico atual1 é baseado em avaliações subjetivas, dificultando as comparações dos resultados entre os diferentes estudos clínicos.

Portanto, a falta de critérios diagnósticos padronizados, amplamente utilizados, pode comprometer tanto a avaliação real da incidência da DECH-c bem como a correlação da gravidade da DECH-c com a mortalidade.

Desta maneira, um grupo de trabalho do National Institutes of Health (NIH) desenvolveu um projeto para consenso dos critérios que deverão ser utilizados em estudos clínicos da DECH-c,8-13 padronizou as características utilizadas no diagnóstico e propôs meios para a pontuação dos órgãos envolvidos e avaliação global da gravidade.8 Estes critérios são úteis para uma melhor análise da incidência da DECH-c, além de poder avaliar a gravidade do comprometimento de um órgão, ou local, isolado, ou combinado, e a influência na mortalidade tardia do transplante.8

 

Critérios para o diagnóstico da DECH-c8

No passado, muitas manifestações da DECH que se apresentavam em torno de 100 dias após o transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) eram arbitrariamente definidas como DECH-c, mesmo se estas manifestações clínicas fossem indistinguíveis da DECH aguda (DECH-a). Nas últimas duas décadas, os avanços na prática do TCTH alteraram profundamente a apresentação e a história natural, tanto da DECH-a, como da DECH-c, trazendo questionamentos quanto às definições. Pelo atual consenso8 do NHI, são as manifestações clínicas, e não o tempo de início dos sintomas após o TCTH, que determinam se clinicamente a DECH é aguda ou crônica. Pelo consenso do NIH, sinais e sintomas diagnósticos se referem àquelas manifestações que estabelecem a presença de DECH-c sem a necessidade de testes ou evidências de outros órgãos acometidos. Sinais e sintomas distintos se referem àquelas manifestações que não são comumente encontradas na DECH-a, mas não são consideradas suficientes para estabelecer um diagnóstico preciso de DECH-c sem outros testes ou envolvimento de outros órgãos. Outras características definem manifestações raras, controversas e não específicas de DECH-c que não podem ser utilizadas para firmar o diagnóstico de DECH-c. Sinais e sintomas comuns são observados tanto na DECH-a como na crônica.

As manifestações orgânicas específicas da DECH-c são apresentadas na Tabela 1.8

 

 

O grupo de trabalho do NIH recomenda os seguintes critérios para o diagnóstico da DECH-c8:

• Distinção da DECH-a.

• Presença de pelo menos um sinal clínico diagnóstico da DECH-c, ou a presença de pelo menos uma manifestação distinta (não vista na DECH-a, mas não suficiente para ser considerada diagnóstica da DECH-c), confirmada por biópsia pertinente de acordo com critérios histopatológicos definidos (Tabela 2), testes laboratoriais, ou imagens radiológicas, no mesmo ou outro órgão.

• Exclusão de outros diagnósticos possíveis.

Um sistema de pontuação clínico (0-3) deve ser utilizado para a avaliação do envolvimento de órgãos ou locais, individualmente.

Uma avaliação global da gravidade (leve, moderada ou grave) deve ser realizada, utilizando a combinação das pontuações obtidas na avaliação individual, dos órgãos ou locais acometidos.8

Pontuação clínica para avaliação dos órgãos8

Os órgãos considerados para a pontuação serão a pele, boca, olhos, trato gastrointestinal (TGI), fígado, pulmões, articulações e fáscias e o trato genital feminino. Cada órgão ou local receberá uma pontuação de 0-3, com zero representando nenhum envolvimento, e três comprometimento grave. (Tabela 3)

 

 

Diagnóstico diferencial entre DECH-a e DECH-c8

Duas formas clínicas principais de DECH estão estabelecidas, cada qual com duas subcategorias. A DECH-a clássica (lesões máculo-papulosas, náusea, vômitos, anorexia, diarreia, íleo paralítico ou hepatite colestática) ocorre antes dos 100 dias após o TCTH ou DLI (sem sinais diagnósticos ou distintos de DECH-c) e a DECH-a tardia, persistente ou recorrente (alterações da DECH-a clássica, sem sinais diagnósticos ou distintos de DECH-c) ocorre em torno dos 100 dias após o TCTH ou DLI (frequente após retirada da imunossupressão). A DECH-c clássica não apresenta características da DECH-a, e, na síndrome de sobreposição, as manifestações de DECH-a e crônica aparecem juntas.

O diagnóstico da DECH-c também incluirá duas subcategorias: (1) DECH-c clássica, sem características da DECH-a e sem limite de tempo; (2) síndrome de sobreposição nas quais as características da DECH-a e crônica aparecem concomitantemente, sem limite de tempo. Na ausência de confirmação histológica, ou de sinais ou sintomas clínicos da DECH-c, a persistência, recorrência, ou novo aparecimento de alterações na pele, TGI ou fígado serão classificados como DECH-a, independentemente do tempo após o transplante.

O diagnóstico diferencial entre DECH-a e DECH-c está representado na Tabela 4.

 

 

Pontuação global da DECH-c8

A avaliação global da gravidade é baseada no número de órgãos ou locais envolvidos e no grau de envolvimento de cada órgão afetado. Os pacientes são considerados com diagnóstico de DECH-c leve quando apenas um ou dois órgãos ou locais (exceto os pulmões) forem afetados, sem dano funcional clinicamente significante (pontuação máxima de 1 em todos os órgãos ou locais). O diagnóstico de DECH-c moderada é considerado quando (1) pelo menos um órgão ou local apresentar comprometimento clínico significante, porém sem dano maior (pontuação máxima de 2 em qualquer órgão ou local afetado), ou (2) três ou mais órgãos ou locais sem prejuízo funcional clinicamente significante (pontuação máxima de 1 em todos os órgãos ou locais afetados). Pontuação de 1 nos pulmões também é considerada moderada. DECH-c grave indica dano maior (pontuação de 3 em qualquer órgão ou local). Pontuação maior ou igual a 2 nos pulmões será considerada grave. A pontuação global da DECH-c está representada na Tabela 5.

 

 

Indicação de tratamento sistêmico 8

A DECH-c leve pode ser tratada somente com medicamentos tópicos. Entretanto, os pacientes com DECH-c que envolve três ou mais órgãos, ou com pontuação de 2 ou mais em qualquer órgão, deverão ser considerados para o tratamento sistêmico. A presença de fatores de risco, e se a doença é maligna ou não maligna, poderá influenciar na decisão de iniciar, ou não, o tratamento sistêmico. O tratamento precoce sistêmico pode prevenir a progressão para uma DECH-c grave, enquanto as infecções poderão modificar as decisões em relação ao tempo e à intensidade do tratamento. (Tabela 6)

 

 

Critérios de monitorização de resposta ao tratamento10

A falta de critérios de resposta bem estabelecidos é o maior obstáculo para medir a eficácia ao tratamento. O consenso do NIH estabeleceu critérios de resposta para DECH-c e autoavaliação fornecida pelo paciente sobre o status da sua doença.

 

 

Medidas de avaliação realizadas pelo médico

A. Sinais e sintomas em órgãos específicos

• pele: cálculo da superfície corporal acometida, medida do tamanho de úlceras e intensidade dos sintomas;

• olhos: teste de Schirmer sem anestesia e avaliação da intensidade dos sintomas;

• mucosa oral: utilização da escala-escore de Schubert para mucosite oral com graduação de 0-15 e intensidade dos sintomas;

• parâmetros hematopoéticos: contagem de plaquetas e eosinófilos;

• gastrointestinal: avaliado por exame clínico com escala de gravidade de doença de 0-3;

• função hepática através de exames laboratoriais;

• alterações respiratórias através do volume expiratório forçado no primeiro segundo e capacidade de difusão respiratória para monóxido de carbono ajustada para hemoglobina;

• para mulheres: sintomas vulvo-vaginais;

• sistema músculo-esquelético: avaliação da mobilidade das articulações por profissional treinado

B. Medidas objetivas da performance física

• força de preensão (através de dinamômetro hidráulico) e caminhada de dois minutos

C. Escala de Karnofsky e Lansky (Tabela 7)

 

 

Autoavaliação pelo paciente

Através de formulários que fornecem informações sobre o status físico e a qualidade de vida, na visão do paciente.

 

Prevenção da DECH-c

Em consequência da fisiopatogenia da DECH-c não ser ainda bem compreendida, a utilização de regimes profiláticos é bastante limitada. A ocorrência da DECH-a constitui-se num fator de risco reconhecido para a DECH-c e esforços têm sido direcionados para profilaxia da forma aguda. Ainda que regimes de condicionamento de intensidade reduzida tenham sido associados a uma menor incidência de DECH-a, o mesmo não ocorreu com a doença crônica.14

Blume e cols14 utilizaram no início da década de 80 um esquema de uso de corticosteroide estendido além da fase aguda pós-transplante. Foi observada menor incidência de DECH-c, porém sem confirmação em outros estudos (EIa).

O uso estendido de ciclosporina (CSA) para prevenção (6 meses x 24 meses) em estudo clínico prospectivo randomizado por Kansu e cols15 não se correlacionou com menor incidência de doença crônica no grupo com mais tempo de uso; além disso, as taxas de mortalidade relacionada ao transplante, sobrevida livre de doença e sobrevida global foram semelhantes (EIa).

Quando a talidomida foi adicionada ao esquema profilático de CSA/metotrexato (MTX), observou-se uma maior incidência da doença crônica com impacto negativo na sobrevida global, atribuída a um efeito negativo da talidomida no estabelecimento de tolerância imunológica16 (EIa) .

Cutler e cols publicaram recentemente um regime de imunoprofilaxia utilizando a associação de sirolimus e tacrolimus, sem metotrexato, e obtiveram uma pega rápida, uma baixa incidência de doença do enxerto contra hospedeiro, mínima toxicidade relacionada ao procedimento e excelente sobrevida em pacientes que receberam transplantes aparentados e não aparentados.17

Recentemente observou-se um interesse renovado na depleção de linfócitos T in vivo, usando anticorpos policlonais, especialmente a globulina antitimocítica de coelho (ATG). Diversos estudos incorporaram ATG no esquema de condicionamento ou quando administrada logo após o transplante, reportando taxas de incidência de DECH-c menores no grupo tratado, com significância estatística.18-19 Bacigalupo e cols 20 demonstraram um efeito adicional protetor pulmonar no grupo tratado, evidenciado por exames funcionais pulmonares melhores no seguimento desses pacientes.

A estratégia de depleção T com utilização de anticorpos monoclonais in vitro, como o anti-CD52, já tem sido utilizada primariamente para profilaxia de DECHa, com menor impacto na incidência da forma crônica.21 A administração in vivo em um estudo prospectivo22 reportou um caso de DECH-c numa série de 43 pacientes submetidos a um esquema de condicionamento com fludarabina e melfalan, com infusão de Campath no D-8 ao D-4 (CIIa).

Existem evidências na literatura que postulam um papel do linfócito B na etiopatogenia da DECH-c, sustentando a utilização do anti CD20 (rituximabe) no tratamento da doença crônica extensa, mas seu uso preventivo ainda está em pesquisa, no momento, num estudo clínico conduzido pelo National Cancer Institute.

Tratamento da DECH-c

A DECH-c, embora esteja associada a menor taxa de recidiva, permanece como principal causa de morbimortalidade tardia em receptores de TCTH.4 O frequente acometimento de vários órgãos e o quadro clínico pleomórfico desta condição determinam um manejo multidisciplinar, que inclui, além das especialidades médicas, acompanhamento nutricional, fisioterápico, psicológico, odontológico e social.11 (AIII).

 

Tratamento da DECH-c leve

A forma leve sintomática geralmente deve ser tratada apenas com agentes tópicos. Entretanto, a boa prática médica dita flexibilidade nesta recomendação, de vez que imunossupressão sistêmica precoce pode prevenir progressão para DECH-c grave. Nesta decisão devem ser incorporados dados como a doença de base (maligna ou não maligna) e seu status ao transplante, presença de fatores de alto risco para progressão de DECH (trombocitopenia, instalação progressiva da doença).8

O tratamento tópico da DECH-c leve de pele, boca, olhos e trato genital, bem como a tabela traduzida do sistema de codificação dos níveis de evidência para tratamento de DECH-c reportada pelo NIH, estão contidos no tópico de terapia adjuvante deste Consenso.

 

Tratamento da DECH-c moderada e grave

Tratamento sistêmico inicial

Os critérios definidos no consenso do NIH para tratamento sistêmico englobam: pontuação > 2 em um órgão, acometimento de três ou mais órgãos e DECH-c leve com características de alto risco (plaquetometria < 100.000/ mm3 e uso de imunossupressor ao diagnóstico de DECH-c).8

O tratamento padrão, há mais de vinte anos, tem sido a combinação de CSA (10mg/kg/dia dividida em duas doses) e prednisona (1mg/kg/dia) (BIa).23 Entretanto, estudo randomizado24 comparou este esquema com uso isolado de prednisona 1mg/kg/dia, reportando resposta equivalente entre os grupos, com melhor sobrevida livre de recidiva no grupo da prednisona isolada em pacientes com plaquetometria > 100.000/mm3 (AIa). O uso combinado de inibidores de calcineurina e corticoide deve ser reservado a pacientes trombocitopênicos ou com uso prévio prolongado de corticoide, já que a taxa de necrose avascular foi menor com esta associação (AIa). O desmame deve ser iniciado, se resposta ou manifestações estáveis, após duas semanas de tratamento, reduzindo a dose da prednisona em 25% a cada semana até atingir, em seis a oito semanas, a dose alvo de 1mg/kg em dias alternados, que deve ser mantida por dois a três meses nos casos de resposta não completa, formas severas ou presença de fatores de risco. Em seguida, reduzir 10% a 20% por mês até a suspensão total em nove meses. Após sucesso neste desmame, outros imunossupressores devem ser reduzidos a cada duas ou quatro semanas, sequencialmente, até a retirada. Em caso de retorno de sinais da DECH durante o desmame, o retorno à dose anterior, especialmente do corticoide, pode controlar a reativação (AIIa).25

Este método de desmame do Fred Hutchinson Cancer Research Center (FHCRC) permite a manutenção da resposta inicial em 1/3 dos pacientes que não necessitaram de tratamento secundário em revisão publicada por Martin e cols.26 Estudos da Universidade de Minnesota 6,27 mostram taxas de resposta entre 51%-72% em um ano, com DECH mais responsiva entre os transplantados com sangue de cordão quando comparados aos enxertos de doadores não aparentados adultos. A sobrevida global foi de 50%-74% em quatro anos, sendo a maioria das mortes por infecção, talvez devido ao uso prolongado de corticosteroides reportado nestas séries (IIa).

O uso de micofenolato mofetil (MMF) associado ao tratamento inicial foi avaliado em estudo duplo-cego randomizado,28 fechado em 2008, após análise de resposta (resolução de DECH-c) em 151 pacientes (23% – grupo MMF vs 18% – controles, NS). A comparação da taxa de retirada de imunossupressão em dois anos também não mostrou evidência de benefício em associar o MMF ao esquema inicial para DECH-c (DIa). Ensaio randomizado europeu ainda analisa esta questão.25

Wang e cols29 reportaram 83% de resposta global na análise de 86 pacientes que receberam MTX em baixa dose associado a CSA e/ou outros imunossupressores como tratamento inicial de DECH-c. A maior taxa de respostas completas foi na pele (80%), seguida pela do fígado (52%). Toxicidade grau 3 ocorreu em três pacientes. Necessário estudo randomizado para confirmar os resultados (CIIa).

Talidomida foi testada em dois ensaios randomizados30,31 que não mostraram benefício na sua associação à prednisona e inibidor de calcineurina. Seu uso esteve associado a significativo aumento de efeitos adversos (EIa).

Terapia inicial combinada com hidroxicloroquina está sendo testada por Gilman e cols (Universidade da Carolina do Norte, EUA) em ensaio randomizado, duplo-cego, multicêntrico.23

Estudos recentes32,33 mostraram papel de corticosteroide inalatório associado a broncodilatador (budesonida formoterol) como terapia adjuvante no tratamento da DECH-c pulmonar (bronquiolite obliterante).

 

Tratamento de resgate

Vários agentes têm sido testados em pacientes com DECH-c refratária ao corticoide em séries de casos com amostra heterogênea ou estudos pequenos de fase II, dificultando o estabelecimento de um esquema padrão de segunda linha. Os principais estão selecionados abaixo. (Tabela 8)

 

 

• Micofenolato mofetil (MMF) – pró-droga ácido micofenólico, interfere na síntese de purinas e produz efeito citostático nos linfócitos T e B. Vários estudos34-37 com taxas de resposta entre 46%-75% com a associação com prednisona e inibidores de calcineurina em adultos e crianças, alguns com taxas altas de infecções oportunistas35 (AIIa).

• Fotoferese extracorpórea (FEC) – baseada no efeito do 8-metoxipsoraleno e da radiação ultravioleta A nos linfócitos coletados por aférese e reinfundidos ao paciente, o que induz a apoptose de linfócitos, alterações na função das células dendríticas, ativação de células T regulatórias, aumento da produção de IL-10 e outras citocinas imunossupressoras, favorecendo a anergia de células T. Flowers e cols,38 em estudo randomizado, multicêntrico (N= 99), reportaram melhora significativa do escore cutâneo (25%) no grupo com FEC e aumento significativo da taxa de pacientes com redução ³ 50% na dose de prednisona quando comparado ao grupo só com imunossupressão oral. Vários estudos39-41 mostram taxas de resposta global entre 56% e 70% e maior frequência de resposta na pele e mucosa oral (AIa) seguida pelo fígado (BIa), intestino e pulmão (CIIa).

• Tacrolimo – inibe a ativação de linfócito T pela ligação com FKBP-12 e previne a síntese de IL-2 e linfocinas essenciais na função do linfócito T. O grupo de Seattle42 publicou uma taxa de 21% de resposta, N = 39, com duração média do uso de tacrolimus de nove meses e 64% de sobrevida em três anos. Outros estudos, como o de Tzakis e cols,43 mostraram melhor taxa de resposta (35%), porém com seguimento máximo de oito meses (BIIa).

• Sirolimo – antibiótico macrocíclico com propriedades imunossupressora, antitumoral e antifúngica. Inibe a ativação de células T e B através de citocinas, que, por sua vez, inibem progressão do ciclo celular e proliferação celular. Couriel e cols,44 em ensaio fase II, testaram em 35 pacientes a combinação de sirolimus com tacrolimus e metilprednisona, com resposta global de 63% (maiores respostas na oral, gastrointestinal e cutânea). Outros estudos,45,46 com tamanho de amostra que variou de 16 a 47, reportaram respostas de 94% e 81%, respectivamente. Principal toxicidade descrita em todos estes estudos foi microangiopatia trombótica, provavelmente secundária a nível sérico alto de sirolimus, que potencializa a toxicidade vascular dos inibidores de calcineurina. Monitoração cuidadosa dos níveis de ambos os agentes pode prevenir a complicação. A indisponibilidade da droga em vários centros brasileiros é fator limitante (BIIa).

• Rituximabe – o anticorpo monoclonal anti-CD20 quimérico tem sido testado com intuito de depletar células B autorreativas e, no contexto alogênico, parece atuar seletivamente sobre a produção recorrente de anticorpos contra antígenos de histocompatibilidade menores ligados a DECH-c, por exemplo, codificados com cromossomo Y. Cutler e cols47 testaram em ensaio fase I/II o anticorpo em 21 pacientes, com ciclos de 375mg/m2/semana por quatro semanas, com intervalos de oito semanas. Taxa de resposta global de 70% nos vinte avaliáveis, limitada aos pacientes com DECH cutânea e músculo-esquelética. Já o grupo italiano48 reportou, em estudo multicêntrico retrospectivo, com resposta global de 65%, e observação de respostas dose acumulativa dependentes em órgãos como boca (48%), olhos (43%), pulmão (38%) e fígado (25%). Este tratamento pode determinar impacto na qualidade de vida dos pacientes com forma esclerodermoide da doença (BIIa).

• Pentostatina – análogo nucleosídeo, que inibe a adenosina deaminase (ADA), que mostrou eficácia em estudo fase II, com 58 pacientes refratários e bastante tratados, publicado por Jacobsohn.49 A dose foi de 4 mg/m2 IV quinzenal com total de 12 doses. Resposta objetiva em 55%, especialmente observada em lesões escleróticas, fasciíte e boca (CIIa).

• Talidomida – agente com propriedades imunomodulatórias classicamente utilizada como terapia pós-transplante, porém aparentemente sem papel no período imediato.50 Browne e cols51 estudaram seu uso em 37 pacientes e observaram 38% de resposta global (78% nas articulações e 46% na pele) e sobrevida de 41% em dois anos. Estudo prévio52 com amostra maior (n = 80) reportou 20% de resposta com alta taxa (36%) de efeitos adversos e suspensão da droga (CIa).

• Beclometasona oral – fórmulas de liberação imediata e entérica de dipropionato de beclometasona, avaliada em pacientes com DECH-c gastrointestinal na dose de 8 mg/dia em cursos de 28 dias, associada a 1 mg/kg/dia de prednisona com desmame após dez dias. Um ensaio randomizado placebo-controlado53 com 129 pacientes com doença aguda clássica ou tardia mostrou redução no risco de mortalidade de 66% no D 200 e de 46% após um ano de randomização. Iyer e cols54 reportaram resposta de 60% em 13 pacientes avaliáveis com DECH-c gastrointestinal, necessitando em média três ciclos para resposta (AIa).

• Metotrexato – antimetabólito que, em baixas doses, tem propriedades imunomodulatória e anti-inflamatória. Giaccone e cols55 reportaram 71% (10/14) de controle de DECH-c refratária, com redução de prednisona para dose < 1 mg/kg/dias alternados, com esquema de 7,5mg/m2/semana de MTX em pacientes com DECH-c refratária, de longa duração e com cinco sítios acometidos em média. Sobrevida de 92,8%, mediana de seguimento 25 semanas, nenhuma toxicidade graus III/IV. Uma série mais recente56 de 27 crianças com DECH refratária (17 com forma crônica), tratadas com doses de MTX de 3-10 mg/m2/semana, mostrou 58,8% de resposta global para DECH-c com suspensão da prednisona em 7/17 e redução (dose < 0,4mg/kg) em 9/17 pacientes (CIIa).

• Altas doses de metilprednisolona – pulsos com doses de 10 mg/kg/dia por quatro dias tem papel linfolítico. Akpek e cols57 avaliaram 56 pacientes com doença grave refratária, tratados com este esquema e desmame com prednisona subsequente. A taxa de resposta maior foi de 48%, sem efeitos adversos importantes (CIIa).

• Hidroxicloroquina (HCQ) – droga antimalárica 4-amino-quinolina, usada em tratamento de doenças autoimunes, que interfere na apresentação de antígenos e reduz a produção de citocinas pró-inflamatórias como IL-1, IL-6 e TNF-a. Gilman e cols,58 em ensaio fase II com HCQ oral 800 mg/ dia, reportaram 53% de resposta global em 32 pacientes com DECH-c resistente ou córtico-dependente. Todos os respondedores toleraram redução > 50% na dose de prednisona, sendo que os sítios com maior taxa de resposta foram fígado, pele e mucosa oral (CIIa).

Outras opções estão sendo testadas em estudos fase II e I/II incluindo daclizumab,59 etarnecpt,60 imatinibe,61 alefacept,62 alemtuzumab,63 pulso de ciclofosfamida,64 clofazimina,65 etretinato,66 pravastatina,67 budesonida oral 68 e infusão de células-tronco mesenquimais.69

Pacientes com DECH-c, especialmente aqueles em uso de imunossupressores sistêmicos, devem receber antibiótico profilático contra bactérias encapsuladas (BIIa); vacinas anti-hemófilos influenza tipo b (Hib conjugada), anti-pneumocóccica (BIIb) e influenza injetável (BIII); SMX/TMP para prevenir Pneumocystis (AIIa); IGIV quando nível sérico de IgG < 400 mg/dl e infecções sinopulmonares de repetição (CIII); profilaxia antifungo filamentoso em pacientes com infecção fúngica prévia e/ou alto grau de imunossupressão (AIa). Os pacientes com reativação prévia de citomegalovírus (CMV), linfopenia e/ou DECH-c em atividade têm maior risco de reativação tardia. Alguns centros monitoram o CMV após o D 100 por antigenemia pp65 ou PCR cada uma a quatro semanas, instituindo tratamento preemptivo quando necessário (CIIa).11

Em face da multiplicidade de manifestações, do grau de acometimento, da combinação de sítios envolvidos e da disponibilidade de agentes terapêuticos em cada centro, o tratamento de resgate de DECH-c dependente ou refratária a corticosteroide costuma ser individualizado, o que dificulta a realização de estudos prospectivos controlados, com tamanho amostral suficiente para definições de resposta,70 e o estabelecimento de diretrizes. Sugerimos que estes casos sejam protocolados em estudos multicêntricos e recebam abordagem multidisciplinar. A terapia de resgate ideal ainda não está definida.71 Nos centros com disponibilidade, o uso de FEC deve ser considerado o mais precoce possível na terapia secundária de DECH-c cutânea ou cutâneo-mucosa.72 As alterações músculo-esqueléticas parecem responder bem ao uso de rituximab, e o papel do metotrexato nestes casos, como alternativa de menor custo, precisa ser mais bem definido. Na DECH-c com envolvimento visceral, o tratamento deve ser dirigido ao órgão mais afetado, por exemplo, MMF e/ou tacrolimus para fígado, anti-TNF-a ou sirolimus para intestino e altas doses de metilprednisolona e rituximab para pulmão.

 

Terapia adjuvante dermatológica

A terapia de suporte dermatológico inclui agentes tópicos com ação anti-inflamatória e imunossupressora, e medidas diretas, como educacionais, psicossociais e preventivas, que controlem os sintomas ou complicações consequentes da DECH e terapias utilizadas para tratá-la. Estas recomendações foram organizadas de acordo com um sistema baseado em evidências que refletem a força de recomendação e a qualidade de evidências que as suportam baseado nos critérios do NIH11(Tabela 9). O foco da terapia de suporte está na prevenção, manuseio de alterações dermatológicas e sintomas como prurido, lesões máculo-papulosas, dor, despigmentação, redução da mobilidade das articulações e tratamento tópico de erosões, ulcerações e superinfecção. Na ausência de fatores de mau prognóstico, como trombocitopenia (< 100 000/µL), tratamento com corticoide no momento do diagnóstico, DECH-c cutânea com envolvimento de > 50% de superfície corporal total e pontuação global moderada ou grave, os agentes tópicos podem ser utilizados como tratamento primário para DECH-c cutânea (Tabela 10).11

 

 

 

 

Medidas de prevenção para o desenvolvimento e exacerbação da DECH

A radiação ultravioleta (UV) pode causar exacerbação da DECH cutânea. 73 Fotoproteção inclui roupas protetoras, evitar a exposição solar, uso de fotoprotetores químicos e físicos que protegem tanto para radiação UVA e UVB ( dióxido de titâneo, Mexoryl SX ou avobenzona).

Terapias e cuidados locais para manter intacta a barreira cutânea

Na pele intacta, a lubrificação com emolientes à base de cremes e pomadas diminui o prurido. Pomadas e cremes são emolientes melhores do que loções que promovem sensação de ardência na pele eritematosa.

Lesões cutâneas não escleróticas sem erosões ou ulcerações (liquen plano like ou lesões eritemato-papulosas) podem responder bem a esteroides tópicos e emolientes. O uso prolongado de corticoides tópicos pode levar a atrofia cutânea localizada e desenvolvimento de estrias.

Esteroides tópicos de alta potência, como propionato de clobetasol e fluocinolona, para áreas pequenas e por curto tempo, assim como os de baixa e média potência para áreas mais extensas, como triancinolona, desonida e hidrocortisona, podem ser utilizados como terapia adjuvante. Anti-histamínicos orais sem metabolização hepática, como a fexofenadina e a epinastina, são utilizados para reduzir o prurido. Para DECH-c refratária a corticoterapia sistêmica, a fototerapia com UVB de banda estreita (narrow band)/PUVA tem sido empregada com bons resultados.74-77

Recentemente, o emprego de inibidores da calcineurina11,78,79 (pimecrolimo e tacrolimo) tem sido relatado com frequência maior, com o objetivo de melhorar o eritema e prurido, com redução do uso prolongado de esteroides tópicos.

Medicações tópicas clareadoras à base de hidroquinona, sozinha ou em associação com tretinoína tópica e esteroides, podem ser utilizadas para tratar hiperpigmentação pós-inflamatória residual.

Terapia tópica e cuidados para pele não intacta

Para lesões cutâneas ulceradas/erosões, culturas microbiológicas podem ser realizadas para pesquisa de infecções bacterianas, virais, fúngicas e micobacterianas. O diagnóstico diferencial das lesões cutâneas não infecciosas inclui vasculite, malignidade recorrente, DECH, hiper-sensibilidade, reações a drogas, eczemas e câncer cutâneo primário. Na área desnuda, antimicrobianos tópicos (mupirocina), produtos contendo prata (sulfadiazina de prata a 1%), curativos à base de filmes protetores para estimular cicatrização, desbridamento das feridas, podem ser úteis.

Feridas recalcitrantes devem ser abordadas em conjunto com o cirurgião plástico e/ou dermatologista, e aquelas com cicatrização lenta podem ser tratadas com produtos à base de ácido hialurônico, colágeno, fibroblastos e queratinócitos. Terapia com oxigênio hiperbárico tem sido utilizada em feridas com pouca oxigenação. 80

Terapia compressiva pode ser indicada para facilitar a drenagem em feridas com edema ao redor.

Terapia adjuvante para DECH-c com envolvimento oral

O envolvimento da cavidade oral na DECH-c é frequente, podendo estar presente em cerca de 70% a 83% naqueles pacientes submetidos ao TCTH alogênico.81

As manifestações clínicas orais incluem inflamação oral (eritema) e atrofia do epitélio da mucosa, lesões liquenoides (liquen-like) com alterações hiperceratóticas, pseudomembranosas ou atróficas, podendo atingir toda a mucosa oral, sem preferência no local de acometimento. A DECH-c também pode afetar glândulas salivares maiores e menores, em proporções não necessariamente iguais à mucosa. Quando acomete glândulas salivares, clinicamente ocorre o espessamento da saliva, levando à hiposalivação (xerostomia como sintoma objetivo relatado pelo paciente) e formação de mucoceles (cisto de retenção de muco, por alterações ductais). Histologicamente pode ser observada a destruição de lóbulos salivares por infiltração linfocitária, perdas ductais levando à total destruição das unidades secretórias, muitas vezes de forma permanente, levando à xerostomia. Essas alterações levam a modificações da microflora oral, com consequente aumento do índice de doenças infecciosas orais, como a cárie dentária e doença periodontal.

O tratamento da DECH-c oral pode incluir agentes imunossupressores sistêmicos ou não. Em casos de acometimento leve a moderado, o tratamento tópico pode constituir-se na terapia de escolha, ou mesmo ser utilizado como coadjuvante, em casos mais graves, associado ao tratamento sistêmico.

A literatura oferece diversas opções para o tratamento tópico,11,81-94 que estão listadas nas Tabelas 9 e 11.

 

 

Terapia adjuvante oftalmológica

O espectro clínico da DECH-c ocular inclui inflamação conjuntival aguda, conjunvite cicatricial e pseudomembranosa e síndrome de ceratoconjuntivite Sicca (SCS). A SCS frequentemente acompanha a atividade em outros órgãos da DECH-c, porém pode ser sua única manifestação.95 O diagnóstico de SCS é feito pela presença de sintomas próprios, produção de lágrima em média de 5 mm (teste de Schirmer) e sinais clínicos de ceratite. Apesar da clínica sugestiva, o exame pela lâmpada de fenda pelo oftalmologista é importante para o diagnóstico de SCS. Sintomas incluem queimação, irritação, dor, sensação de corpo estranho, visão borrada, fotofobia e, paradoxalmente, excesso de lágrimas.96 Outras causas de olho seco incluem medicações com efeitos adversos anticolinérgicos (anti-hipertensivos, antidepressivos, psicotrópicos, anti-histamínicos, descongestionantes) e tratamentos prévios (ex. irradiação corporal total, quimioterapia, história de TCTH autólogo. Embora as terapias imunossupressoras sistêmicas para DECH-c não levem à melhora dos escores de Schirmer (especialmente se a disfunção da glândula lacrimal é de longo prazo), elas podem melhorar os sintomas gerais da DECH ocular.

A terapia de suporte oftalmológico inclui aumento da hidratação ocular (lubrificação e diminuição da evaporação e drenagem da lágrima da superfície ocular) e diminuir a inflamação da superfície ocular (Tabela 9 e Tabela 12).81

 

 

Lubrificação

Recomenda-se o uso de lágrimas artificiais livres de preservativos, minimizando a ceratopatia pontuada superficial (pontos secos na córnea), diminuindo os sintomas oculares e melhorando a qualidade da visão. Para pacientes que necessitam de aplicação de lágrimas artificiais mais do que de hora em hora, recomenda-se dissolver vagarosamente cinco gotas de hidroxipropilmetilcelulose.97 Medicações orais podem ser utilizadas para aumentar a lubrificação por estímulo da lágrima aquosa através de agonistas muscarínicos seletivos como pilocarpina e cevimeline.98

Controle da evaporação

Para diminuir a evaporação, os pacientes devem ser orientados a utilizar compressas mornas, evitar baixa umidade e uso de protetores oculares. Para casos refratários, cirurgia para reduzir as áreas expostas (tarsorafia) pode ser necessária.99

Controle da drenagem

A redução da drenagem da superfície dos olhos, oclusão temporária ou permanente do ducto lacrimal pode fornecer benefícios adicionais para pacientes com síndrome Sicca ocular grave (< 5 mm lágrima).100 A oclusão pontuada permanente (por cauterização térmica) poderá ser necessária, pois os plugs de silicone usados para oclusão temporária falham com frequência. Cauterização térmica repetida pode ser necessária se houver reabertura dos pontos.

Diminuição da inflamação da superfície ocular

O uso de corticoide tópico deve ser reservado para controlar a exacerbação da DECH-c ocular quando a imunossupressão sistêmica está sendo reduzida.101 Pulsos de corticoterapia tópica devem ser cuidadosamente supervisionados por um oftalmologista, porque as complicações incluem aumento da pressão intraocular, formação de cataratas, ceratite infecciosa silenciosa. Ciclosporina tópica pode ser prescrita para controlar respostas imunes na superfície ocular.102,103 Seu benefício na DECH-c ocular ainda não está bem esclarecido, mas parece aumentar os escores de Schirmer e diminuir a apoptose em pacientes com outras condições que levam a olho seco.

Em alguns relatos, a doxiciclina foi utilizada em pacientes com olho seco e demonstrou eficácia na diminuição da atividade gelatinosa do epitélio ocular, com melhora da regularidade da superfície córnea e melhora da função de barreira córnea.104

Em nível celular, a doxiciclina preserva a área celular epitelial apical, resultando em uma redução do número de descamação das células epiteliais da superfície da córnea. A inflamação da superfície ocular pode ser reduzida com uma solução de 20% de soro autólogo e salina estéril aplicada 10 vezes ao dia.105-107 Soro autológo tem sido utilizado porque contém vitaminas, diversos fatores de crescimento e fibronectina, que são importantes para a integridade da córnea e conjuntiva.108,109

Soro autólogo é indicado para o tratamento da xeroftalmia grave associada à DECH-c ocular para renovar os componentes do filme lacrimal e da superfície ocular. 110,111

 

Terapia adjuvante ginecológica

O diagnóstico da DECH-c vulvovaginal é estabelecido por achados físicos e sintomas, que se apresentam como anormalidades da mucosa ou alterações escleróticas.112,113 Sintomas podem incluir disúria, secura, sensibilidade ao toque e dispareunia. A DECH-c vulvovaginal leve pode ser assintomática e detectada somente ao exame ginecológico. Achados físicos incluem manchas vermelhas (mucosite), leucoceratose retiforme (lesões tipo liquen plano-like), sensibilidade vestibular, e, menos frequentemente, escoriações e úlceras.

A esclerose da vulvovaginal pode levar a mudanças arquiteturais tal como fimose do clitoris, estreitamento do introito e encurtamento do canal vaginal. A confirmação histológica é recomendada na ausência de manifestações diagnósticas de DECH-c em outros órgãos. Deficiência de estrogênio e infecções (papiloma vírus humano, herpes vírus simples, candidíase, bactérias ou outros patógenos ginecológicos reconhecidos) devem ser afastados no momento do diagnóstico inicial e periodicamente durante o tratamento da DECH-c vulvovaginal. (Tabela 13).

 

 

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Correspondência:
Luis Fernando da Silva Bouzas
Pça da Cruz Vermelha, 23, 7º andar – Centro
20230-130 – Rio de Janeiro-RJ – Brasil
Tel.: (55 21) 2506-6215
E-mail: lbouzas@inca.gov.br

Recebido: 20/08/2009
Aceito: 05/10/2009

 

 

Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional de Câncer – Rio de Janeiro-RJ.
Unidade de Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas do HC/Hemocentro da Unicamp – Campinas-SP
Serviço de Transplante de Medula Óssea do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná – Curitiba-PR
Serviço de Transplante de Medula Óssea do Hemonúcleo Regional de Jaú/ Fundação Amaral Carvalho – Jaú-SP.

Este artigo foi avaliado pelos coordenadores das Diretrizes do Transplante de Medula Óssea da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea, Luis Fernando Bouzas, Prof. Julio Cesar Voltarelli e Nelson Hamerschlak, e publicado após avaliação e revisão do editor, Milton Artur Ruiz
Conflito de interesse: sem conflito de interesse

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