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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692

Rev Bras Med Esporte vol.3 no.2 Niterói Apr./June 1997

http://dx.doi.org/10.1590/S1517-86921997000200005 

MENSAGEM

 

Balanço da gestão 95/97

 

 

João Ricardo Turra Magni

 

 

Quando se olha o mapa do Rio Grande do Sul, constata-se que o norte do Estado é constituído de um número muito grande de pequenos municípios e o sul, de um pequeno número de grandes municípios em termos de área territorial.

O interessante é que os pequenos municípios do norte do Estado apresentam uma qualidade de vida sensivelmente superior aos da região sul. A renda per capita é maior, assim como a expectativa de vida, e os níveis de desenvolvimento comercial e industrial são muito superiores.

As explicações iniciais para esta situação foram a colonização portuguesa no sul e ítalo-germânica no norte, o minifúndio do norte e o latifúndio do sul. Explicações todas derrubadas porque temos várias situações de pobreza em municípios com a divisão agrária minifundiária e com colonização ítalo-germânica.

O que mais contribuiu para esta situação, segundo a análise da Fundação de Estatística, foi o surgimento de lideranças dinâmicas na região norte do Estado.

A medicina do esporte brasileira apresenta a mesma situação.

Há cerca de quatro anos fui eleito para, dois anos depois, coordenar a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte.

Era de conhecimento geral as necessidades de estruturação de nossa entidade.

Mas notei que seria necessário, mais do que estruturá-la, direcionar-lhe os próximos anos e criar opções de futuros dirigentes aptos a continuar a profissionalização de nossa especialidade.

Temos lideranças extremamente ativas em Estados grandes e pequenos e, no outro extremo, lideranças quase inertes em Estados também grandes e pequenos.

A implantação da Medicina do Esporte (ME) não está ligada à capacidade econômica do Estado. Esta situação parece estar diretamente ligada ao grau de comprometimento das lideranças destes Estados, com o número de horas semanais ligadas à prática da medicina do esporte.

Isto não quer dizer que em todo Brasil possamos ter profissionais dedicando-se em tempo integral à nossa especialidade. No entanto, se pelo menos semanalmente tiverem um comprometimento com o exercício da mesma ou, se dentro de outra especialidade que pratiquem, fizerem uso daquilo que preceitua a Medicina do Esporte, estarão fazendo Medicina do Esporte.

Este vínculo é fundamental.

Como independe do poderio econômico de cada Estado, é viável a efetivação da prática da ME, e não podemos nos iludir quanto à aplicação da mesma em relação às pequenas cidades. Nestas, muitas vezes é necessário que atuemos com outra especialidade de apoio.

Logo, o tipo de medicina desportiva exercido deve ser adequado à região em que se aplica a mesma. Isto é, pequenas cidades não têm como suportar grandes tecnologias; no entanto, grandes centros devem servir de referência para o desenvolvimento tecnológico dos primeiros. Outro ponto importante é a atualização do conhecimento. O reconhecimento de um profissional está na razão direta do serviço e da qualidade do serviço que o mesmo presta à sociedade à qual pertence. E se fizermos um exame de consciência, veremos que paralelamente a grandes profissionais em nossa área, também temos grande número de especializados com formação insuficiente. E tão ruim quanto isto é o pequeno número de colegas que se mantêm cientificamente atualizados.

Para isso os exames para recebimento do título de especialista deverão ser implantados imediatamente.

Uma proposta importante é a criação das grandes regionais agrupando Estados semelhantes. Esta proposta já é uma realidade na região sul. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul realizam atividades comuns no ano de intervalo aos anos de congressos brasileiros. No próximo ano realizaremos no Paraná o segundo congresso sul-brasileiro.

Acho que a região nordeste está apta para esta parceria.

 

A BUSCA DE NOSSO ESPAÇO

Por muitos anos disputamos espaço com as áreas paramédicas, educação física, nutrição e fisioterapia. Se analisarmos a formação médica e a paramédica, veremos que somos formados para a análise da atividade física. E a formação paramédica o é, para aplicação daquilo que é voltado para a atividade física.

Na realidade isto é uma questão legal, ligada à definição do ato médico.

Mas o mais importante que está acontecendo, é que realmente decidimos assumir nosso espaço dentro das especialidades médicas.

Senhores, a melhoria do manancial de conhecimentos dos nossos profissionais é fundamental. E a Internet é essencial a este salto de qualidade, assim como o aprimoramento de nossa revista. A coragem de investir na viabilidade de nossa especialidade e a certeza de que somos úteis à sociedade com que convivemos tem que ser uma constante no nosso dia a dia.

Fora disso não há futuro para nós.