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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692

Rev Bras Med Esporte vol.5 no.3 Niterói May/June 1999

http://dx.doi.org/10.1590/S1517-86921999000300002 

MENSAGEM DO EX-PRESIDENTE DA SBME

 

Pensando a Medicina do Esporte brasileira para o século XXI

 

 

Marcelo Salazar

 

 

Encerra-se mais uma gestão da diretoria da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, no momento em que a humanidade está prestes a entrar no III Milênio, período místico e que enseja profundas reflexões a respeito da caminhada desta mesma humanidade e o futuro que a aguarda. Teremos também, a partir de 2001, a virada do século XX para o XXI e isto nos faz analisar o que ocorreu no presente século e prever o que nos espera nos primeiros anos do próximo. Já se escreveu que o século XX foi marcado pelo contraste: de um lado, as conquistas que a sociedade obteve com a extraordinária revolução tecnológica acontecida, principalmente nos últimos 30 anos, que propiciou avanços inimagináveis na área das comunicações, dos meios de transporte e na tecnologia da assistência à saúde; por outro lado, a convivência com os horrores de duas grandes guerras mundiais e dos conflitos regionalizados de caráter religioso, étnico ou socioeconômico, que resultaram e estão a provocar mortes e mutilações em populações absolutamente indefesas e ceifando as vidas de milhares de crianças e jovens.

Especificamente no que tange à saúde das pessoas, apesar dos avanços tecnológicos já referidos, é preocupante a situação da maioria da população nos países pobres e subdesenvolvidos. Uma parcela minoritária das pessoas nestes países tem acesso aos benefícios de uma tecnologia de ponta, seja na área de diagnóstico, seja na esfera terapêutica. Contudo, a grande maioria dessas populações continua a padecer dores e sofrimentos pela ausência de uma política efetiva de atenção primária à saúde, pelo sucateamento e desaparelhamento de uma parcela considerável dos hospitais públicos, pela absoluta ineficiência do atendimento ambulatorial nos hospitais e postos de saúde e pela desorganização gerencial e administrativa dos serviços de emergência. Como médico e profissional da área de saúde, formado há 26 anos, dói-me na consciência ser participante ativo dessa via-crúcis cotidiana da maioria da população nas capitais e cidades do interior desse imenso "continente" brasileiro.

Entretanto, nós, aqui presentes em mais um Congresso Brasileiro de Medicina do Esporte, nesta cidade de Brasília, a capital federal e sede dos poderes constituídos do país, temos um trunfo importante que precisa ser reconhecido como parte integrante de qualquer política pública na área de saúde. Trata-se da atividade física regular, cujos benefícios fisiológicos, psicológicos e sociais já estão plenamente comprovados nas várias publicações disponíveis e já foram objeto de consensos estabelecidos pela nossa SBME, pelo American College of Sports Medicine e pela FIMS, entre outras instituições. A literatura científica internacional e nacional está repleta de artigos e estudos que comprovam os benefícios do exercício físico regular na prevenção, tratamento e reabilitação das chamadas doenças crônico-degenerativas, tais como, diabetes, hipertensão, obesidade e doenças coronarianas.

Sermos ouvidos e respeitados pelos formuladores de políticas públicas sociais, pelos gestores dos Estados e das cidades, constitui o grande desafio para todos nós engajados nas chamadas ciências do esporte e, particularmente, será alvo das ações da próxima diretoria da SBME, capitaneada pelo dinâmico colega Marcos Brazão, que me sucederá a partir do próximo sábado.

Neste momento gostaria de prestar contas aos colegas sócios da SBME das principais realizações e ações da nossa diretoria na gestão 97/99. Antes de mais nada, expressar minha sincera gratidão e meu valoroso reconhecimento aos colegas da diretoria: Ricardo Nahas - Vice-Presidente, Félix Drummond - Secretário, Sérgio Toledo - Tesoureiro, Tales de Carvalho - Diretor Científico e José Kawazoe - Editor da Revista, pela dedicação e competência demonstradas no cargo que ocuparam. Foram realizados três eventos regionais ano passado, apoiados pela SBME, que demonstraram a coragem, a competência e o poder de realização das nossas regionais: III Congresso Paulista de Medicina do Esporte, juntamente com a Jornada Internacional e o Simpósio de Cardiologia do Esporte; o II Congresso Sul-Brasileiro, em Curitiba; e o I Congresso Norte-Nordeste, em Recife. Todos estes eventos contaram com a colaboração e participação dos melhores colegas que fazem a especialidade no país, além dos convidados internacionais de renome. A Secretaria expediu diversos títulos de especialista para colegas nos diversos cantos do país, acabando praticamente com a lista de espera daqueles que almejavam a posse do documento. Também está com uma listagem atualizada dos sócios por Estado, evidentemente naqueles que têm regional organizada e atuante. Tivemos a grata satisfação da criação da regional do Ceará (a SOCEME), que foi oficializada à SBME quando do congresso em Recife (novembro/98). A Tesouraria da SBME conseguiu fazer a cobrança da anuidade de 98, que foi feita através das regionais, e quase todas enviaram a parte devida da SBME. A Diretoria Científica, com muito esforço, conseguiu organizar a 1ª Prova para obtenção do título de especialista, atendendo assim as exigências da nossa entidade maior - AMB -, que será realizada no próximo sábado. Também colaborou efetivamente na elaboração da programação científica deste atual congresso, juntamente com a Presidente da Sociedade Brasiliense de Medicina do Esporte, Dra. Mariza Carla Queiroz. O Vice-Presidente, Ricardo Nahas, além do brilhante trabalho na organização do Congresso Paulista, teve atuação decisiva, representando a Presidência nas diversas reuniões e fóruns promovidos pela AMB ao longo desses dois anos. A Revista Brasileira de Medicina do Esporte, sob o comando jovem e arrojado do seu editor José Kawazoe e contando com a ajuda do competente Corpo Editorial, consolidou-se definitivamente como a nossa melhor revista da especialidade e assinatura obrigatória para todos os profissionais das ciências do esporte. Um marco fundamental desta gestão foi a reformulação dos estatutos da SBME, após estudos feitos por comissão composta por Sérgio Toledo, Félix Drummond e Marcos Brazão e que foi aprovada em Assembléia Geral Extraordinária realizada em Recife. Creio que o atual estatuto torna a nossa Sociedade mais moderna e, sobretudo, mais democrática. Gostaria de fazer um registro especial de agradecimento ao Dr. Antônio Cláudio Lucas, do Rio de Janeiro, pela ajuda e apoio a esta diretoria, neste momento difícil que passa em sua vida, vítima da violência sem limites que atinge todas as capitais do nosso país. Por conta desta situação vivida, ele não está aqui presente conosco e solicito da platéia uma salva de palmas em homenagem ao colega Antônio Cláudio.

Finalmente, tenho a agradecer a confiança depositada em meu nome para dirigir esta entidade, quando da eleição realizada em Vitória - ES, em 1995. Creio que a pernambucanidade e, por extensão, a nordestinidade, que norteiam minha vida e meus atos, me ajudaram a conduzir este barco juntamente com todos que fazem a especialidade nesse nosso Brasil. Desejo, de todo o meu coração, todo sucesso e uma gestão de plenas realizações ao colega Marcos Brazão.

Muito Obrigado!