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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692

Rev Bras Med Esporte vol.5 no.6 Niterói Nov./Dec. 1999

http://dx.doi.org/10.1590/S1517-86921999000600005 

ARTIGO ORIGINAL

 

A importância do limiar anaeróbio e do consumo máximo de oxigênio (VO2 máx.) em jogadores de futebol

 

The importance of the anaerobic threshold and maximum oxygen uptake (VO2 PEAK) for soccer players

 

 

Paulo Roberto Santos SilvaI; Angela RomanoI; Alberto Azevedo Alves TeixeiraII; Ana Maria ViscontiII; Carla Dal Maso Nunes RoxoIII; Gilberto Silva MachadoIII; José Roberto Rivelino VidalIV; Luís Antonio InarraIV

Centro de Medicina Integrada, Seção de Fisiologia da Associação Portuguesa de Desportos, SP, Brasil
IFisiologista
IIMédico do Esporte
IIIFisioterapeuta
IVFisicultor

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O objetivo deste estudo foi fazer uma abordagem sobre a importância do limiar anaeróbio (LA) e o consumo máximo de oxigênio (VO2máx.) em jogadores de futebol e comparar os resultados encontrados em nossos futebolistas com os da literatura especializada. Foram avaliados 18 jogadores de futebol profissional, com média de idade de 24 ± 4 anos, peso de 72,5 ± 5,9kg; estatura de 176,5 ± 7,0cm e superfície corpórea de 1,91 ± 0,15m2. Todos os atletas foram avaliados após um período de dois meses de treinamentos. Os futebolistas foram submetidos a teste máximo em esteira ergométrica, utilizando-se protocolo escalonado e contínuo. A resposta de freqüência cardíaca (FC) foi registrada por meio de um eletrocardiógrafo (HeartWare) de 12 derivações simultâneas e, a pressão arterial (PA), por meio de método auscultatório. A ventilação pulmonar (VE), o consumo de oxigênio (VO2), a produção de dióxido de carbono (VCO2) e a razão de troca respiratória (RER) foram avaliados por método espirométrico computadorizado respiração-a-respiração (MedGraphics Corporation [MGC]). Os seguintes resultados foram verificados: no (LA): [FC = 173,6 ± 8,6bpm; VO2 = 55,78 ± 5,93ml.kg.-1.min-1; velocidade = 14,6 ± 1,0km.h-1]; no exercício máximo [FC = 189,5 ± 11,4bpm; VE = 134,1 ± 15,9L.min-1; VO2máx. = 63,75 ± 4,93ml.kg.-1.min-1; velocidade = 17,8 ± 1,0km.h-1; Borg = 18,3 ± 1,3 pontos]. Concluindo: Os resultados, comparados com os da literatura especializada na modalidade futebol, demonstraram que os índices de LA e VO2máx. foram semelhantes e, até mesmo, superiores a vários de estudos publicados sobre essas duas variáveis em jogadores de futebol profissional. Entretanto, considerando as posições dos jogadores, não há um consenso definido sobre os índices mais adequados de LA e VO2máx. em futebolistas, mas, sim, sugestões.

Palavras-chave: Jogador de futebol. Limiar anaeróbio. Consumo máximo de oxigênio. Ergoespirometria. Medicina Esportiva.


ABSTRACT

The aim of this study was to make an approach on the importance of the anaerobic threshold (AT) and the peak oxygen uptake in soccer players, and compare the results found in players to those existing in the specialized literature. An evaluation was made in 18 professional soccer players aged 24 ± 4; weight 72.5 ± 5.9 kg; height 176.5 ± 7.0 cm, and body surface 1.91 ± 0.15 m2. Every athlete was evaluated after a 2 month training period. The soccer players were submitted to a maximum exercise test on treadmill, using incremental continuous protocol. The heart rate (HR) was recorded by means of an electrocardiograph (HeartWare) with 12 simultaneous leads and the arterial blood pressure (BP) by auscultation method. The pulmonary ventilation (VE), the oxygen uptake (VO2), the carbon dioxide production (VCO2) and the respiratory exchange rate (RER) were evaluated by means of the breath-by-breath spirometric computerized method (MedGraphics Corporation-MGC). The following results were verified in the AT: HR = 173.6 ± 8.6 bpm; VO2 = 55.78 ± 5.93 mlO2.kg-1.min-1; running velocity = 14.6 ± 1.0 km.h-1; maximum exercise: HR = 189.5 ± 11.4 bpm; VE = 134.1 ± 15.9 L.min-1; VO2 peak = 63.75 ± 4.93 mlO2.kg-1.min-1; maximum velocity = 17.8 ± 1.0 km.h-1; Borg scale = 18.3 ± 1.3 points. In conclusion, the results, when compared to those of specialized literature, proved the rate of AT and VO2 peak to be similar and even superior to several results published about such two variables in professional soccer players. Considering, however, the players' position, there is no definite consensus on the most adequate AT rates and VO2 peak in soccer players, but only suggestions.

Key words: Soccer players. Anaerobic thresholds. Maximum oxygen uptake. Spiroergometry. Sports Medicine.


 

 

INTRODUÇÃO

Em nosso país há escassez significativa de estudos que retratam o futebolista brasileiro em vários aspectos, principalmente, o fisiológico. Jogadores considerados de elite e que militam em grandes clubes do Brasil jogam mais de 60 partidas por ano. Sobre eles recaem solicitações físicas, muitas vezes inesperadas, intensas e das mais variadas formas durante a partida, exigindo elevado nível de aptidão física. Assim, esse novo conceito está mudando significativamente os padrões de solicitação energética do futebolista da atualidade.

Portanto, ficam cada vez mais evidentes a valorização e a preocupação plena com uma preparação física bem desenvolvida e apoiada em conceitos científicos bem fundamentados.

Alguns parâmetros fisiológicos são de grande importância para qualificar o nível de capacidade funcional em futebolistas. Dentre estes, o limiar anaeróbio e o consumo máximo de oxigênio têm recebido a atenção de vários pesquisadores em diversas modalidades desportivas, pois, quando bem desenvolvidos, são de fundamental importância para um adequado rendimento físico desses atletas durante as competições1-7.

 

OBJETIVO

O propósito principal deste trabalho foi verificar e comparar, por meio da literatura especializada em futebol, em nossos jogadores profissionais, o limiar anaeróbio e o consumo máximo de oxigênio, dois índices de aptidão física considerados importantes para o rendimento físico desses atletas durante as partidas.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Foram avaliados 18 jogadores de futebol profissional, todos do sexo masculino, com média de idade de 24 ± 4 anos (18-31), peso de 72,5 ± 5,9kg (62-83), estatura de 176,5 ± 7,0cm (164-188), superfície corpórea de 1,91 ± 0,15m2 (1,70-2,18) e suas características cardiovasculares em repouso (tabela 1). As condições ambientais durante as realizações dos testes foram as seguintes: temperatura ambiente de 21,8 ± 1,2°C (20-24), pressão barométrica de 702,7 ± 1,4mmHg (700-705) e umidade relativa percentual do ar atmosférico de 52,1 ± 14,9% (28-71). Todos os atletas eram pertencentes ao Departamento de Futebol Profissional da Associação Portuguesa de Desportos, SP, Brasil.

 

 

Previamente à avaliação em esforço, todos os atletas foram submetidos a eletrocardiograma (ECG) em repouso e, durante o teste de esforço, por meio da monitoração de 12 derivações segundo Mason e Likar, com modificação da derivação (D1 para MC5), registradas por impressora a jato de tinta (Hp Deskjet, modelo 680c) utilizando-se eletrocardiógrafo computadorizado (HeartWare, modelo 6.4). A pressão arterial (PA) foi medida por método auscultatório indireto, utilizando-se esfigmomanômetro aneróide (Tycos).

A ventilação pulmonar (VEBTPS), o consumo de oxigênio (O2STPD), a produção de dióxido de carbono (CO2STPD) e a razão de troca respiratória (RER) foram calculados a partir de valores medidos por um sistema computadorizado de análise de troca gasosa (respiração-a-respiração) (MedGraphics Corporation, modelo CPX Express). O volume ventilatório foi medido por um pneumotacógrafo bidirecional de pressão diferencial (MedGraphics, modelo Prevent). A calibração foi feita antes e imediatamente após a realização de cada teste com uma seringa de três litros, para ser empregado fator de correção que determinará o volume respiratório. As frações expiradas de oxigênio (FEO2) foram medidas por uma célula de zircônio de resposta rápida (< 90ms) e elevada precisão (±0,1%) e, as frações de dióxido de carbono (FECO2), pelo princípio infravermelho, não dispersante de resposta rápida (< 130ms) e precisão absoluta (± 0,1%). A calibração do equipamento foi feita antes e imediatamente após cada teste com mistura conhecida de O2, CO2 e balanceada com nitrogênio (N2). As variáveis ventilatórias, registradas instantaneamente, foram posteriormente calculadas para o tempo médio de 60 segundos8-14.

A determinação da capacidade física máxima foi verificada realizando-se um teste de esforço em esteira rolante (Inbramed, modelo ATL-10100) de velocidade (km.h-1) e inclinação (%) variáveis, utilizando-se protocolo escalonado contínuo e inclinação fixa de 3%. Nesse protocolo, o atleta ficou dois minutos em repouso, foi aquecido por quatro minutos nas velocidades de 4, 5, 6 e 7km.h-1 durante um minuto em cada uma. Posteriormente à fase de aquecimento, iniciou-se o teste com 8km.h-1 e incrementos de 1km.h-1 a cada dois minutos até a exaustão do atleta. A fase de recuperação durou quatro minutos e foi realizada com velocidades controladas a 60, 50, 40 e 30% da velocidade máxima atingida pelo atleta no teste. A percepção subjetiva ao esforço foi verificada em cada estágio do teste pela escala linear gradual de 15 pontos [6 a 20] de Borg15-19.

O limiar anaeróbio ventilatório dois (LV2) foi detectado, utilizando-se os seguintes critérios de determinação: 1) menor valor do equivalente ventilatório de dióxido de carbono (VE.CO2-1) e 2) maior FECO2 ou PETCO2, em exercício de intensidade progressiva20.

A análise estatística dos dados foi realizada, calculando-se a média, o desvio-padrão e as variações mínima e máxima das variáveis analisadas21.

 

RESULTADOS E COMENTÁRIOS

O limiar anaeróbio (LA) é uma zona metabólica a partir do qual ocorre o desequilíbrio entre a produção e eliminação do ácido lático. Sua determinação tem implicações práticas importantes na prescrição e avaliação dos efeitos do treinamento físico (TF), para atletas, em diversas modalidades esportivas.

Um LA elevado, ou seja, uma fração elevada do O2máx. sem que haja acúmulo progressivo de ácido lático no sangue, tem grandes implicações funcionais. Basicamente, o atleta está melhor preparado para realizar atividades energéticas de maior intensidade por períodos de tempo mais prolongados. Conseqüentemente, é, sem dúvida, uma vantagem o atleta que consegue utilizar uma percentagem alta do seu O2máx. sem entrar em acidose metabólica precoce.

Sabe-se que atletas em eventos de endurance são capazes de trabalhar por longos períodos de tempo a intensidades de exercício que resultam em níveis de ácido lático sanguíneo no limite de seu LA3.

Acredita-se que a margem de aumento do LA, pelo TF, na capacidade para realizar exercício submáximo prolongado é mais ampla que o O2máx.22,23. Portanto, de acordo com estudos controlados, tem sido demonstrado que, tanto limiares ventilatórios como de lactato podem aumentar mais que o O2máx., após períodos de treinamentos24-26. Entretanto, outros estudos sobre treinamento demonstraram que os limiares ventilatório e de lactato aumentaram na mesma proporção do O2máx.27,28, ou não aumentaram28.

O LA, em jogadores de futebol, tem sido verificado rotineiramente pelos métodos ventilatório (análise de gases expirados) ou metabólico (análise de concentrações fixas de ácido lático). Entretanto, torna-se difícil fazer comparações entre eles, pois cada estudo utiliza procedimentos metodológicos e critérios de determinação diferentes, gerando dificuldades para estabelecer a relação entre trabalho e concentrações de ácido lático ou mesmo variáveis ventilatórias29-33. Essas dificuldades foram encontradas por Shimizu et al.34, que verificaram que a variação do O2 no LA era devida ao tipo de protocolo de teste em 82% dos casos estudados; aos vários critérios e métodos de determinação em 14%; finalmente, a variabilidade em 4% devia-se à experiência dos especialistas.

Bangsbo35 avaliou 60 jogadores dinamarqueses, considerados de elite, e utilizou uma concentração fixa de ácido lático de 3,0mmol.L-1, como a intensidade ótima de transição entre os metabolismos aeróbio e anaeróbio. Verificou que o LA médio do grupo encontrava-se a 80,7% do O2máx., com variação entre 66,4 e 92,4%. Isso foi correspondente a uma velocidade média de corrida na esteira de 14,5km.h-1 e 11,7km.h-1, respectivamente (na posição horizontal e com inclinação de 5%). Ele também analisou o impacto da posição adotada pelos jogadores em campo sobre o LA e constatou que os laterais ou alas e os meio-campistas apresentaram valores semelhantes de LA (15,9 e 15,0km.h-1), porém diferente e significativamente mais elevados do que os goleiros (13,8km. h-1), os defesas-central (13,4km.h-1) e os atacantes (13,6km. h-1).

Em outro estudo realizado por Green36, em jogadores de dois times australianos, não foi verificada diferença significativa no O2 do LA (45,5 vs. 43,8ml.kg-1.min-1), o que representou 78% do O2máx. atingido. Entretanto, os jogadores mais qualificados atingiram o LA numa velocidade de corrida mais alta (14,5 vs. 13,1km.h-1).

Bunc et al.5 verificaram, em futebolistas de seu país, percentagem de 80,5% do O2máx. no LA, resultado considerado por eles um pouco abaixo daqueles registrados em corredores de média e longa distância, altamente treinados. Entretanto, o mesmo valor foi verificado por Rhodes et al.37, em jogadores do time olímpico do Canadá.

Nossos resultados demonstraram que os jogadores estavam bem condicionados aerobiamente, a capacidade de endurance submáxima (fração percentual do O2máx.) utilizada no LA estava bem desenvolvida. O valor médio da percentagem do O2máx. no LA foi de 86,7%, correspondente a um O2 de 55,78ml.kg-1.min-1 (tabela 2), resultados superiores aos verificados por Bunc et al.5, Green36 e Bangsbo35, mas semelhantes aos de atletas bem condicionados em provas de endurance38.

É importante ressaltar que alta potência aeróbia e uma percentagem elevada de O2 no LA (maior fração percentual de utilização de O2) em futebolistas são alguns dos fatores considerados preditores de boa capacidade do organismo para tolerar a longa duração do jogo, com maior eficiência de movimento, sem se cansar rapidamente, pois seus músculos estarão melhor capacitados para extrair e utilizar um maior volume de oxigênio e, conseqüentemente, maior produção de energia durante a partida.

O consumo máximo de oxigênio (O2máx.) é definido como o volume máximo de O2 que pode ser captado, transportado e utilizado ao nível do mar39,40. Seu desdobramento no pulmão ocorre da seguinte forma: 1) por difusão, o O2 passa para o sangue arterial; 2) no sangue, os eritrócitos (células vermelhas) transportam-no até a membrana celular do músculo; 3) por meio desta, o O2 é transportado até as mitocôndrias; e 4) nestas, o O2 exerce sua função através das reações químicas associadas ao metabolismo aeróbio40. Ele tem sido tradicionalmente aceito como um dos melhores indicadores da capacidade para o exercício prolongado. Entretanto, alguns estudos41-44 demonstraram que, em indivíduos saudáveis, as diferenças genéticas contribuem, significativamente, para sua variabilidade. Portanto, a modificação dessa variável metabólica, pelo treinamento, tem um limite biológico. Pode ser expresso em termos absolutos (LO2.min-1) ou relativos à superfície corpórea (mlO2.kg-1.min-1). Em futebolistas, pela necessidade de transportar o peso corpóreo, é mais adequado utilizar medidas relativas.

Vários pesquisadores têm demonstrado resultados de (O2máx.) e sua importância para o futebolista devido à longa duração do jogo. Nowacki, citado por Losada45, encontrou nos jogadores da seleção alemã, finalista e ganhadora da Copa do Mundo de 1974, valores entre 66,0 e 68,0 e até mesmo 70,0ml.kg-1.min-1. Outros estudos não diferem muito desses apontados, apesar de apresentarem valores mais baixos. Recentemente, Rico-Sanz et al.46 encontraram, em jogadores da seleção de Porto Rico, valor médio de 69,2 ± 0,7ml.kg-1.min-1; Hollman et al., citados por Dufour47, verificaram consumos entre 65,0 e 67,0; Saltin e Astrand48, 63,0; Ekblom49, entre 60,0 e 65,0; Lacour e Flandrois, citados por Dufour47, 63,0; Bunc et al.5, em jogadores de alto nível da Tchecoslováquia, 61,9ml.kg-1.min-1. Enquanto isso, outros verificaram valores médios abaixo de 60,0ml.kg-1.min-1. Caru et al., citado por Ekblom49, encontraram 56,0; Williams et al.51, 57,8; Agnevik, citado por Dufour47, 58,6; Raven et al., citado por Ekblom49, 58,9; e Rhodes et al.37, 58,7ml.kg-1.min-1).

Vários estudos têm demonstrado também o O2máx. em jogadores amadores de várias idades. Berg et al.52 e Bell53 verificaram, em futebolistas com 12 anos de idade, valores entre 50,0 e 56,0ml.kg-1.min-1. Enquanto isso, valores entre 50,0 e 52,0ml.kg-1.min-1 foram observados por Caru et al.54 em futebolistas entre 14 e 18 anos de idade. Entretanto, nessas mesmas idades, Jones e Helmes55 encontraram valores mais elevados, entre 55,1 e 61,1ml.kg.-1.min-1. Contudo, os valores mais expressivos e extremamente altos foram verificados por Apor56, com média de 73,9ml.kg.-1.min-1, em oito jogadores de 17 anos, pertencentes a clubes húngaros.

A variabilidade do O2máx. em futebolistas, independente da causa, é grande. Entretanto, alguns desses estudos foram realizados em bicicleta ergométrica, demonstrando, portanto, resultados mais baixos de O2máx.. É sabido que valores de O2máx. obtidos em bicicleta são, em média, de 5 a 20% inferiores àqueles verificados em esteira57-60. Jogadores de futebol não estão adaptados àquele tipo de ergômetro, sendo mais adequada a utilização da esteira.

Nossos jogadores treinaram por dois meses, em preparação para o Campeonato Brasileiro de Futebol, temporada 1996, e o O2máx. médio do grupo de 18 atletas foi de 63,75 ± 4,93ml.kg.-1.min-1 (variação de 55,95-73,21), muito próximo dos melhores resultados encontrados na literatura especializada em futebol (tabela 2). Isso demonstra que o volume de treinamento aeróbio realizado pelos atletas foi grande e eficiente para a maioria dos jogadores, influenciando favoravelmente o sistema transportador de oxigênio. Entretanto, discute-se se a variação desses valores em futebolistas, no transcorrer do ano competitivo, está relacionada com fatores como: nível de qualidade técnica das equipes56, motivação, carga genética41-44, esquema tático, efeito do treinamento e/ou as funções ocupadas pelos jogadores (os defesas laterais e os meio-campistas apresentaram valores idênticos entre si, o que também verificamos em nossos jogadores, porém, superiores aos das outras posições) ou mesmo se todos esses fatores juntos podem interferir nos resultados61,62.

Na literatura especializada não encontramos um padrão de referência absoluto para o O2máx. em futebolistas. Notamos que as diferenças observadas nessa variável fisiológica são grandes; entretanto, as modificações nas ações táticas e técnicas somadas às inovações criadas pelas federações (reposição de bola mais rápida durante as partidas, tempo útil de bola em movimento mais longo e acréscimo de tempo por parte dos árbitros ao final dos jogos) configuram esse esporte, na atualidade, com um maior grau de intensidade e volume de esforço realizado pelos jogadores, o que, seguramente, tem modificado o padrão de solicitação física dos atletas.

O conceito de futebol moderno, total ou compacto, parece caminhar para a exigência de um padrão mínimo de O2máx. que atenda às necessidades energéticas imposta pelo tempo útil mais longo das partidas e ao maior grau de intensidade de movimentação dos futebolistas. Isso é de grande importância, pois o futebol é um esporte com característica intermitente e de longa duração, e o atleta precisa resistir de maneira adequada às solicitações energéticas aeróbias. Além do que, o desenvolvimento dessa variável metabólica no futebolista permitirá recuperação mais rápida, durante as atividades de baixa intensidade, dos sistemas energéticos anaeróbios alático (explosão muscular) e lático (resistência à acidose), quando seus músculos forem freqüentemente estimulados pelos exercícios intermitentes, de alta intensidade, durante o transcorrer da partida.

Estudos realizados por Johansen e Quistorff63 com a técnica de ressonância magnética nuclear, em diversos grupos de atletas, demonstraram que a taxa de ressíntese da creatino-fosfato (CP) era maior nos atletas com boa capacidade de endurance (aeróbia); ao contrário, era menor em atletas velocistas e indivíduos não treinados. Portanto, os resultados encontrados sugerem que a habilidade para recuperar rapidamente essa via metabólica produtora de energia é dependente de boa capacidade aeróbia. Assim, o treinamento aeróbio exerce efeito primário na melhoria da capacidade para suportar exercícios de longa duração e, secundariamente, aumenta a velocidade de recuperação dos fosfatos (ATP-CP), responsáveis pelo fornecimento de energia durante períodos de alta intensidade. Aumenta, ainda, a eficiência na remoção do ácido lático sanguíneo nos momentos de repouso ativo e/ou diminuição na intensidade do exercício durante o jogo64-67.

Essa evidência foi comprovada por vários autores68-71, que verificaram maior potencial oxidativo e número de capilares dentro do músculo, após treinamento aeróbio.

O futebol moderno exige um jogador rápido e forte, capaz de vencer resistências e suportar cargas intensas e, ao mesmo tempo, durante o jogo, manter elevado nível de rendimento na presença de fadiga. Portanto, o jogador atual deve ter força, velocidade, resistência e flexibilidade, de forma harmônica e conjugada. Entretanto, é importante lembrar que essas características não implicam, necessariamente, seja o futebolista um especialista em velocidade, que tenha a força de um halterofilista, a resistência de um maratonista e a flexibilidade de um bailarino. O futebol tem suas características próprias e suas relações são interdependentes. Um estudo feito por Weineck e citado por Bauer e Ueberle72 verificou que seus atletas internacionais, corredores de maratona, não suportavam mais que 15 minutos de um jogo de futebol, não porque lhes faltava capacidade cardiorrespiratória, mas, sim, especificidade.

Bunc et al.50, levando em consideração seus resultados e os observados na literatura especializada, sugerem que alguns índices são fundamentais para o sucesso no futebol internacional: O2máx. maior que 62,0ml.kg.-1.min-1, velocidade máxima de corrida no teste ergométrico superior a 17,5km.h-1, velocidade de corrida no limiar anaeróbio, acima de 14km.h-1 e o O2 no limiar anaeróbio maior que 81% do O2máx.. Coincidentemente, as observações feitas por Bunc et al.50 foram verificadas em nosso grupo de atletas (tabela 2). Entretanto, Bunc et al.50 alertam que esse possível sucesso atlético só acontecerá se houver o equilíbrio entre esses parâmetros.

Pelos resultados verificados até o presente e levando em consideração a dinâmica mais participativa dos atletas durante as partidas, pretensamente nos arriscamos a dizer que o valor mínimo de 60,0ml.kg.-1.min-1 parece ser razoável em futebolistas profissionais. Contudo, Rost e Hollmann73 e Ekblom49 acreditam que valores de O2máx. entre 65,0 e 67,0ml.kg.-1.min-1 parecem ser ideais para o futebolista correr eficientemente durante os 90 minutos de jogo. Entretanto, na opinião de Nowacki74, valores acima de 70,0ml.kg.-1.min-1 ou, em níveis extremos, 85,0ml.kg.-1.min-1, tornam-se perigosos, pois podem comprometer a velocidade e a técnica dos jogadores. A observação de Nowacki74 parece fazer sentido, pois, de acordo com observações feitas por Holloszy75, há evidente diminuição do fluxo metabólico alático e lático das fibras musculares quando o treinamento aeróbio é realizado de forma volumosa, diminuindo as concentrações sanguíneas de amônia e lactato. Portanto, a conseqüência é que os atletas diminuem a capacidade de suportar altas concentrações musculares desses metabólitos, ou seja, têm dificuldade em ativar a via glicolítica anaeróbia muscular de maneira eficiente durante o jogo; conseqüentemente, desenvolvem lentidão excessiva, ou seja, ficam muito resistentes aos esforços de longa duração, porém, pouco velozes76-78.

Essa resposta tem respaldo em estudos enzimáticos feitos por Boot e Thomason79 e Duan e Winder80, ao verificarem que um grande aumento no conteúdo mitocondrial pelo treinamento aeróbio de longa duração diminui a concentração e a atividade máxima de várias enzimas musculares (creatina-quinase, adenilato-quinase, adenosina-monofosfato-desaminase, adenilsuccinato-sintase e liase) envolvidas em exercícios de alta intensidade81,82. Portanto, quando se emprega excessiva atividade aeróbia, há diminuição da concentração intracelular dos principais fatores alostéricos ativadores (adenosina-difosfato [ADP]; pirofosfato [pi]; adenosina-monofosfato [AMP]; ionosina-monofosfato (IMP) e amônia [NH3+]) das enzimas glicogênio fosforilase, fosfofrutoquinase-1 e piruvato-quinase (principais enzimas reguladoras da via glicolítica anaeróbia), resultando em queda da atividade dessas enzimas e da própria via glicolítica80,83-85. Conseqüentemente, os futebolistas têm dificuldade em ativar essa via metabólica, quando solicitada durante o jogo, pois à medida que o treinamento de longa duração (aeróbio) é mais enfatizado, maior é o efeito inibitório sobre a via glicolítica anaeróbia86,87.

Concluindo, é importante salientar que ainda não há um consenso definido sobre quais são, efetivamente, os índices mais adequados para o LA e o O2máx. em futebolistas. Considerando-se alguns fatores, como: as características e posições dos jogadores, função tática, nível de treinamento e carga genética, os resultados podem variar significativamente. Entretanto, fundamentadas em resultados verificados na literatura, duas posições merecem destaque pela solicitação física do futebol moderno: os laterais ou alas e os meio-campistas. Essas duas posições exigem elevado desenvolvimento dessas duas variáveis fisiológicas, pois esses jogadores têm solicitação energética alta e contínua durante toda a partida, sendo necessária elevada velocidade de corrida e alta percentagem da fração do O2máx. no LA. Assim, considerando-se o futebol como uma atividade de característica intermitente, o desenvolvimento harmônico entre esses dois metabolismos (aeróbio e anaeróbio) é um dos fatores mais importantes a serem atingidos em jogadores de futebol.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos ao Prof. Humberto Blancato pela correção gramatical do abstract deste estudo.

 

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Paulo Roberto Santos Silva
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