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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692

Rev Bras Med Esporte vol.6 no.4 Niterói July/Aug. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S1517-86922000000400006 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Reabilitação cardiovascular – custo-benefício

 

 

Eva Cantalejo Munhoz Stadler de Souza; Neiva Leite; Rosana Bento Radominski; Ciro Romélio Rodriguez-Añez; Márcio Rodrigo H. Correia; Samir Omeiri

Endereço para correspondência

 

 

 

 


RESUMO

Nestes últimos 50 anos deste milênio foi conseguido um volume de pesquisa e recursos para o diagnóstico, a prevenção e o tratamento das doenças cardiovasculares, focalizando em especial a aterosclerose como uma doença multifatorial e sistêmica. Um grande avanço tecnológico ocorreu, como nunca antes visto em nenhuma área da medicina, mas infelizmente a maioria deste avanço tecnológico foi destinado ao tratamento das complicações da aterosclerose. Nas últimas duas décadas tivemos a oportunidade de assistir, presenciar e empregar resultados de pesquisas que focalizam aquilo que seria o tratamento efetivo da aterosclerose: a prevenção primária e secundária, e em termos de prevenção secundária a palavra de ordem é frear a evolução da doença ou conseguir a regressão da doença aterosclerótica. Estudos clínicos têm demonstrado que estes resultados são possíveis, agora, não apenas um sonho dos médicos e cientistas. Mas há ainda uma distância muito grande entre o conhecimento e seu emprego diário, tanto pelos médicos, como pela comunidade. Entidades dedicadas à prevenção de doenças cardiovasculares propõem pesquisas na prevenção, nos cuidados e tratamento das doenças cardiovasculares1 e muitos expertos participam de consensos médicos para a normatização e aplicação das medidas discutidas ou em debate mundial.
O exercício físico tem seu papel claramente definido na prevenção primária e secundária, não só das doenças cardiovasculares, como também de todas as doenças, ou seja, é mais amplo, é a realização plena da "promoção da saúde", e hoje o exercício físico é abordado como "terapêutica cardiovascula", ou seja, a prescrição de exercícios físicos é uma terapêutica, o médico que não prescreve atividade física está deixando o seu paciente sem uma alternativa terapêutica muito importante.
Stephard e Balady2 em excelente artigo recentemente publicado, abordando "Exercício como terapêutica cardiovascular", concluíram que um estilo de vida fisicamente ativo pode ser melhor "comprado" pela saúde pública. Existe uma necessidade urgente de traduzir estes achados na implementação da prática clínica, que aumentará o hábito de atividade física em nossos pacientes – aqueles sedentários, mas que ostentam ser saudáveis e aqueles que já desenvolveram manifestações de doenças cardíacas.
Existem recomendações bem estabelecidas para os grupos que se dedicam a prestar serviços na área de reabilitação cardiovascular, em várias publicações3,4 e, recentemente, Balady e Chaitman5, enfatizaram em pelo menos 11 itens as recomendações e normas para estas atividades, bem como os seus benefícios e riscos.
Para os grupos com atividade desportiva, amadora ou competitiva, melhor reportado por Maron e Mitchell nas recomendações da 26ª Conferência de Bethesda para determinar eligibilidade para competição em atletas com anormalidades cardiovasculares6, com ênfase especial dada às arritmias7 e posteriormente como recomendações "Triagem cardiovascular pré-participação de atletas competitivos", pela Associação Americana de Cardiologia (AHA – American Heart Association)8, originando um adendo9, por conflitos desencadeados por estas diretrizes com National Collegiate Athletic Association (NCAA). Os autores sugerem fortemente que os membros componentes das equipes de promoção de saúde e que empregam o treinamento físico tenham conhecimento destas normas e as pratiquem, para em primeiro lugar estar em dia com os conhecimentos disponíveis na literatura mundial e ainda para evitar problemas legais, especialmente em atletas, como descrito por Maron10.
Existem à disposição estudos e questionários que podem predizer a capacidade física e que podem ser empregados com segurança e de muito fácil aplicabilidade a baixo custo11-13.
Ainda, a inatividade física deve ser considerada como um risco maior para a saúde e estudos em populações habituais de clubes sociais, agremiações, têm demonstrado um risco muito baixo da atividade física recreativa. Apresentado na 72ª Sessão científica da American Heart Association em Atlanta, novembro de 199914, por Barry A. Franklin, de Royal Oak, Michigan – William BeaumontHospital, uma autoridade neste assunto, hoje presidente da American College of Sports Medicine, como "Eventos cardiovasculares fatais durante atividade física recreacional", o que nos permitiria acrescentar que se a inatividade física é um fator altamente prevalente e facilmente modificável, devemos encorajar os indivíduos de nossa comunidade, incluindo familiares, parentes, amigos, pessoas do ambiente de trabalho, indiscutivelmente os nossos pacientes (a estes se não indicarmos atividade física deve ser considerada "má prática médica"), a desenvolverem atividade física com a certeza de que esta é uma recomendação de muito baixo risco e, se seguirmos as normas de triagem, avaliação e elegibilidade, dentro de um contexto científico, podemos certamente beneficiar um grande número de pessoas, com muito baixo risco e muito baixo custo e divulgar, no sentido de popularizar uma "cultura nova: a cultura do movimento para o ser humano", e o novo século possivelmente será caracterizado não pela inatividade, uma aberração (Eston Shostak), mas pelo movimento.

Palavras-chave: Reabilitação cardiovascular.


 

 

Texto completo disponível apenas em PDF.

 

 

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Eva Cantalejo Munhoz Stadler de Souza
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