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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692

Rev Bras Med Esporte vol.7 no.3 Niterói May/June 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S1517-86922001000300001 

EDITORIAL

 

Momento de Transição III: a RBME em um novo patamar

 

 

José Kawazoe Lazzoli
Editor-Chefe, Revista Brasileira de Medicina do Esporte

 

 

Com este Editorial fechamos uma triologia que teve início há quatro anos com o Editorial "Momento de Transição", que entre outros aspectos sinalizou as modificações pelas quais passaria a Revista Brasileira de Medicina do Esporte (RBME) na fase inicial do seu processo de consolidação. Há dois anos, escrevemos o Editorial "Momento de Transição II", logo após termos sido convidados a permanecer à frente da RBME por mais dois anos; e finalmente este Editorial marca a nossa despedida como Editor-Chefe da RBME.

Esses quatro anos nos deram oportunidade de colocar em prática um projeto a longo prazo que tinha como objetivo fazer evoluir e consolidar gradualmente um periódico na área de Medicina do Esporte. É importante enfatizar: não um projeto pessoal ou de um grupo, mas um projeto institucional.

Numa primeira fase, o objetivo principal era o de aumentar a credibilidade do periódico, que apresentava inicialmente um perfil um pouco diferente do atual. Assim, nessa fase conseguimos assegurar a regularidade de publicação da RBME; visando evitar uma eventual entressafra de material científico, encomendamos artigos de opinião para algumas das maiores autoridades brasileiras e internacionais da nossa especialidade, muitas das quais colaboraram conosco. Ainda nessa fase inicial, sempre com a meta de nunca mais deixar que uma edição saísse com atraso por falta de artigos, obtivemos permissão para traduzir e publicar documentos institucionais da Federação Internacional de Medicina do Esporte, do Colégio Americano de Medicina do Esporte e da Confederação Pan-americana de Medicina do Esporte; além disso, firmamos uma parceria com o competente periódico espanhol Archivos de Medicina del Deporte. Desta forma, pudemos converter a RBME de um periódico trimestral para uma publicação bimestral, sem atrasos e com um crescimento numérico de 105 páginas de texto científico em 1996 para 254 páginas em 1998.

Obviamente, essa fase se constituiu numa "arrumação da casa": uma revista com evolução estética, publicando material interessante e com regularidade, mas ainda não um periódico com perfil científico sólido. Ao sermos convidados para um segundo biênio à frente da RBME, colocamos em prática a consolidação desse perfil científico. Para esta tarefa, tivemos a satisfação de contar com a qualidade do Diretor Científico da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME), Prof. Dr. Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, que assumiu como Editor Associado e foi responsável por muitas das modificações e evoluções da segunda fase.

O processo de revisão pelos pares (peer-review) passou a ser executado de modo sistemático. Este processo é característica essencial dos periódicos que gozam de prestígio junto à comunidade científica e serve muito mais como um estímulo ao aperfeiçoamento do que propriamente um controle de qualidade. Contamos com a colaboração de revisores de alto nível, entre membros do Conselho Editorial e revisores ad hoc, entre os mais respeitados profissionais das áreas de Medicina do Exercício e Ciências do Esporte no Brasil. Um processo fundamental e aparentemente simples depois de estar funcionando de forma sistemática, mas que demandou um importante esforço para a implantação da rotina dos procedimentos.

Nos primeiros dias deste ano recebemos a comunicação da Bireme de que a RBME havia sido indexada na Base de Dados LILACS, colocando-a na elite entre os periódicos da área de saúde na América Latina. O trabalho da Bireme de seleção de periódicos para indexação tem caráter exclusivamente técnico e é do mais alto nível; as críticas são sempre construtivas e com o objetivo de aprimorar o periódico. Desta forma, a indexação da RBME só atesta a evolução qualitativa deste órgão oficial da SBME.

Como causa e conseqüência tivemos um aumento quantitativo de material científico de alto nível, particularmente artigos originais. Causa porque é importante manter uma determinada proporção de artigos originais para obter e manter a indexação; conseqüência porque havendo a opção de um periódico de qualidade na nossa área, no nosso país e em língua portuguesa, mais autores se sentem estimulados a submeter os produtos de seus esforços de pesquisa sob a forma de artigos originais para a RBME. A grande maioria dos mais expressivos grupos de pesquisa nas áreas de Medicina do Exercício e Ciências do Esporte já publicou e continua submetendo artigos para a RBME.

Já falamos e tornamos a falar sobre a importância do sério e minucioso trabalho jornalístico que dá apoio ao nosso periódico científico. A Redprint Editora é a grande responsável pela qualidade editorial, que inclui desde o tipo de papel utilizado até a qualidade do material utilizado na impressão. O aspecto estético, aparentemente supérfluo ou secundário, é um dos critérios utilizados pela Bireme na seleção dos periódicos para indexação. Hoje a RBME possui uma qualidade editorial superior à de outros periódicos do mesmo porte e similar à de periódicos de maior porte, inclusive em nível internacional. Colegas de outros países que recebem a RBME sempre reservam palavras elogiosas para descrevê-la.

Foi prazeroso participar ativamente desse processo de crescimento da RBME. Particularmente nesta última gestão da SBME, que teve como Presidente o Dr. Marcos Brazão, houve uma interessante afinidade e integração entre os membros da diretoria e alguns colaboradores especiais, de tal modo que cada um não se limitou apenas ao seu papel institucional, mas também procurou trabalhar em prol da SBME sempre que havia oportunidade. Assim, vários colegas, além dos editores e dos revisores, deram a sua contribuição para que atingíssemos o estágio no qual a RBME se situa hoje.

Expressamo-nos sempre na primeira pessoa do plural por considerarmos que mesmo os esforços pessoais (que não foram poucos) sempre tiveram um sentido institucional. Seria muito limitado nos contentarmos com o que já conseguimos. Certamente daqui a mais dois anos o próximo Editor-Chefe da RBME escreverá um outro Editorial, no qual, a exemplo deste, olhará para trás e verá o quanto evoluiu a RBME; afinal de contas, temos a plena convicção de que a RBME passará a ser conduzida por uma das melhores cabeças pensantes da nossa especialidade no Brasil.

Saudações desportivas.