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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692

Rev Bras Med Esporte vol.11 no.3 Niterói May/June 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S1517-86922005000300009 

ARTIGO ORIGINAL

 

O limiar de esforço percebido (LEP) corresponde à potência crítica e a um indicador de máximo estado estável de consumo de oxigênio

 

The perceived exertion threshold (PET) corresponds to the critical power and to an indicator of maximal oxygen uptake steady state

 

El umbral de esfuerzo percibido (UEP) corresponde a la potencia crítica y a un indicador de máximo estado estable de consumo de oxigeno

 

 

Fábio Yuzo NakamuraI, II, III, IV; Antônio Fernando BrunettoIII; Daniel Müller HiraiIII; Bruno Tesini RoseguiniIII; Eduardo KokubunII

IGrupo de Estudo e Pesquisa em Metabolismo, Nutrição e Exercício, Centro de Educação Física e Desportos. Universidade Estadual de Londrina Londrina/PR
IIInstituto de Biociências, Departamento de Educação Física, Universidade Estadual Paulista Rio Claro/SP
IIILaboratório de Fisioterapia Pulmonar Universidade Estadual de Londrina/PR
IVGrupo de Estudo das Adaptações Fisiológicas ao Treinamento (GEAFIT), Centro de Educação Física e Desportos, Universidade Estadual de Londrina

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O esforço percebido tem sido alvo de diversas investigações, geralmente associando-o a indicadores fisiológicos objetivos no exercício. Recentemente, foi proposta a identificação do limiar de esforço percebido (LEP) em corrida aquática, o qual não diferiu da velocidade crítica. Em tese, ambos os parâmetros seriam indicadores de máximo estado estável de variáveis como o VO2 e lactato sanguíneo. Este trabalho teve como objetivo verificar a coincidência entre LEP, potência crítica (PCrit) e um indicador de máximo estado estável de VO2 (PCrit') em cicloergômetro. Oito participantes do sexo masculino foram submetidos a teste de esforço progressivo, para determinação do VO2pico (46,7 ± 8,5ml/kg/min), e a quatro testes retangulares exaustivos para estimativa dos parâmetros do modelo de potência crítica, LEP e PCrit'. A relação hiperbólica entre potência mecânica e tempo até que o VO2pico fosse alcançado em cada teste foi utilizada para a estimativa da PCrit', tida como a assíntota no eixo da potência, e a porção da capacidade de trabalho anaeróbio (CTAnaer) depletada até o estabelecimento do VO2pico (CTAnaer'). Para identificar o LEP, os coeficientes angulares das retas do aumento do esforço percebido no tempo (ordenada) e as potências utilizadas (abscissa) foram ajustados a uma função linear que fornecia um ponto no eixo da potência em que o esforço percebido seria mantido estável indefinidamente. Os parâmetros PCrit e CTAnaer foram estimados por meio da equação não linear potência-tempo. Para comparação das estimativas de LEP, PCrit e PCrit' foi empregada ANOVA para medidas repetidas e as associações foram estabelecidas por correlação de Pearson. CTAnaer e CTAnaer' foram comparadas por teste t. O LEP (180W ± 61W), PCrit (174W ± 43W) e PCrit' (176W ± 48W) não diferiram significantemente e as correlações foram de 0,92-0,98. CTAnaer' (14.080 ± 5.219J) foi menor que CTAnaer (22.093 ± 9.042J). Conclui-se que o LEP prediz de forma acurada a intensidade de PCrit e PCrit'.

Palavras-chave: Esforço percebido. Potência crítica. Máximo estado estável de VO2.


ABSTRACT

The perceived exertion has been a target of several investigations, many times with association with objective physiological indicators in exercise. Recently, the identification of the perceived exertion threshold (PET) was proposed in the water running, which presented no difference in relation to the critical velocity. Theoretically, both parameters would be indicators of the maximum steady state of variables such as VO2 and blood lactate. The objective of this work was to verify the coincidence between PET, critical power (PCrit) and an indicator of maximum VO2 steady state (PCrit') in cycle ergometer. Eight male participants were submitted to progressive effort test in order to determine VO2peak (46.7 ± 8.5 ml/kg/min) and to four rectangular tests until exhaustion for the estimation of the critical power model parameters, PET and PCrit'. The hyperbolic relation between mechanical power and time spent for the VO2peak to be reached in each test was used for the PCrit' estimation, considered as the asymptote in the power axis, and the portion of the anaerobic work capacity (CTAnaer) depleted up to the establishment of the VO2peak (CTAnaer'). In order to identify PET, the straight lines angular coefficients of the perceived exertion in time (ordinate) and the powers used (abscissa) were adjusted to a linear function that provided a point in the power axis in which the perceived exertion would be kept indefinitely stable. The parameters PCrit and CTAnaer were estimated by means of the power-time non-linear equation. In order to compare the estimations of PET, PCrit and PCrit', the analysis of variance ANOVA for repeated measurements was employed, and the associations were established through the Pearson correlation. CTAnaer and CTAnaer' were compared through the t test. PET (180 W ± 61 W), PCrit (174 W ± 43 W) and PCrit' (176 W ± 48 W) were not significantly different and the correlations were of 0.92-0.98. CTAnaer' (14,080 ± 5,219 J) was lower than CTAnaer (22,093 ± 9,042 J). One concludes that the PET predicts the intensity of PCrit and PCrit' with accuracy.

Key words: Perceived exertion. Critical power. Maximum VO2 steady state.


RESUMEN

El esfuerzo percibido viene sido blanco de diversas investigaciones, generalmente asociándolo a indicadores fisiológicos objetivos en el ejercicio. Recientemente, fué propuesta a la identifica ción del humbral de esfuerzo percibido (UEP) en carrera acuática, e la cual no difirió de la velocidad crítica. En teoría, ambos parámetros serían indicadores de máximo estado estable de variables como el VO2 y el lactato sangüíneo. Este trabajo ha tenido como objetivo verificar la coincidencia entre UEP, potencia crítica (PCrit) y un indicador de máximo estado estable de VO2 (PCrit') en cicloergómetro. Ocho participantes de sexo masculino fueron sometidos a test de esfuerzo progresivo para determinación del VO2pico (46,7 ± 8,5 ml/kg/min), y a cuatro tests rectangulares exhaustivos para estimar los parámetros del modelo de potencia crítica, UEP y PCrit'. La relación hiperbólica entre potencia mecánica y tiempo hasta que el VO2pico fuera alcanzado en cada test fué utilizada para la estimativa de la PCrit', tenida como la asíntota en el eje de la potencia y la porción de la capacidad de trabajo anaerobico (CTAnaer) depletada hasta el establecimiento del VO2pico (CTAnaer'). Para identificar el UEP, los coeficientes angulares de las rectas de aumento de esfuerzo percibido en el tiempo (ordenada) y de las potencias utilizadas (abscisas) fueron ajustados a una función lineal que sería mantenido estable indefinidamente. Los parámetros PCrit y CTAnaer fueron estimados por medio de la ecuación no lineal de potencia en función de tiempo. Para comparación de las estimativas de UEP, PCrit y PCrit' fué empleado ANOVA para las medidas repetidas, y las asociaciones fueron establecidas por correlación de Pearson. CTAnaer y CTAnaer' fueron comparadas por el test t. El UEP (180 ± 61), PCrit (174 ± 43) y PCrit' (176 ± 48) no difirieron significativamente, y las correlaciones de 0,92-0,98. CTAnaer' (14.080 ± 5.219 J) fué menor que CTAnaer (22.093 ± 9.042 J). Se concluye que el UEP predice de forma ajustada la intensidad de PCrit y PCrit'.

Palabras-clave: Esfuerzo percibido. Potencia crítica. Máximo estado estable de VO2.


 

 

INTRODUÇÃO

Recentemente, foi proposto que a percepção subjetiva de esforço poderia ser utilizada na determinação da velocidade crítica em corrida aquática(1). Foi observado que o esforço percebido (Escala de Borg(2) de 15 pontos) aumentava de forma linear durante testes retangulares, a uma taxa proporcional à intensidade de corrida. Por meio de extrapolação linear da relação entre a velocidade e a taxa de aumento do esforço percebido foi possível a estimativa de uma intensidade em que, em tese, essa variável psicofísica seria mantida estável indefinidamente. Essa intensidade, denominada limiar de esforço percebido (LEP), não diferiu da velocidade crítica, sendo que ambas apresentaram alta correlação. A velocidade crítica de corrida terrestre, derivada do modelo de potência crítica de Monod e Scherrer(3), corresponde à intensidade de máximo estado estável de O2(4) e de lactato(5). Ela é considerada, portanto, uma medida de capacidade aeróbia. Poucas são as investigações que procuraram conjugar o modelo de potência crítica com o esforço percebido(6,7).

O esforço percebido parece resultar da integração de uma série de informações aferentes oriundas de estruturas sensoriais localizadas nos músculos esqueléticos ativos e no sistema cardiorrespiratório(2). Essas estruturas seriam estimuladas primariamente pela acidose metabólica associada à queda do pH muscular e sanguíneo(8), sobretudo porque as intensidades severas(9) empregadas na determinação do LEP induziriam um estado de não estabilidade da concentração de lactato nos diferentes compartimentos corporais. Com isso, a atividade neuromotora eferente teria que ser aumentada para compensar a fadiga periférica promovida pela falência contrátil e para aumentar a ventilação pulmonar, modulando também o esforço percebido(10). Esse fenômeno compensatório pode ser comprovado pelo comportamento crescente da atividade eletromiográfica de músculos extensores do joelho durante cargas de trabalho severas constantes em cicloergômetro(11,12). Levantou-se a hipótese(1) de que o aumento do esforço percebido seria proporcional ao esgotamento da capacidade de trabalho anaeróbio (CTAnaer), variável que também é prevista pelo modelo de potência crítica(3,13), sendo definida como o estoque de energia proveniente das reservas de fosfagênios e da mobilização da glicólise anaeróbia, que redunda na lactacidemia. Dessa forma, o esforço percebido teria relação estreita com os pressupostos do modelo de potência crítica.

Hill e Smith(14) propuseram uma técnica para estimar a intensidade associada ao máximo estado estável de O2, também adotando alguns pressupostos do modelo. Segundo Gaesser e Poole(9), essa intensidade demarca a transição entre os domínios intenso e severo de esforço. Hill e Smith(14) submeteram sujeitos a três testes retangulares em cicloergômetro que induziam a exaustão entre 1-10 minutos. Em cada teste, mediram o tempo necessário para que o O2pico fosse atingido. A relação potência x tempo até O2pico () foi ajustada a uma função hiperbólica, equivalente à proposta por Monod e Scherrer(3). A assíntota da hipérbole gerada equivaleria à potência em que o tempo para que o valor de O2pico fosse atingido seria infinito. O grau de curvatura da hipérbole, em joules, seria a quantidade de energia anaeróbia média necessária para que o O2pico fosse atingido em cada uma das cargas. Esse valor de trabalho mecânico é inferior à CTAnaer. Já a assíntota da relação potência x , em média, não foi diferente da potência crítica (PCrit) do grupo, definida a partir da assíntota da relação entre potência x tempo até a exaustão. A validade da igualdade entre a PCrit e o máximo estado estável de O2, medido diretamente, foi demonstrada por Poole et al.(15,16). Em ambos os estudos, em exercício prolongado na PCrit houve estabilização do O2 em cerca de 80% de seu valor máximo, sendo que com incremento de apenas 5% de carga essa variável aumentou até atingir o O2pico, precipitando a exaustão em poucos minutos. Portanto, a técnica de Hill e Smith(14) parece ter sustentação fisiológica.

A hipótese deste estudo era a de que o LEP constituiria uma medida indireta e alternativa da transição entre os domínios intenso e severo de esforço(9), uma vez que nessa porção limítrofe entre domínios não só variáveis fisiológicas apresentariam estabilidade ao longo do tempo, mas também a própria percepção de esforço que, pelos modelos atuais(17), constitui uma representação central complexa e integrada das diversas funções corporais modificadas agudamente pelo exercício.

O objetivo deste estudo foi ampliar a descrição fisiológica do LEP, estendendo sua aplicação para uma forma de exercício (cicloergômetro) diferente da proposta originalmente (corrida aquática). Além disso, procurou-se verificar a equivalência do LEP estimado em cicloergômetro, em relação à PCrit e ao indicador de máximo estado estável de O2, proposto por Hill e Smith(14).

 

MÉTODOS

Sujeitos

Participaram do estudo oito indivíduos jovens do sexo masculino, com 21,4 ± 4,2 anos de idade, 180,0 ± 5,4cm de estatura e 74,5 ± 4,9kg de massa corporal. Todos assinaram termo de consentimento livre e esclarecido para participar do estudo. Os procedimentos adotados nesta investigação foram aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Unesp Rio Claro.

Teste para determinação do O2pico em teste de esforço progressivo

O teste de esforço progressivo foi conduzido em cicloergômetro com resistência mecânica Monark®. As variáveis ventilatórias foram determinadas com a utilização de um aparelho VO2000 (Aerosport Inc.). O equipamento para análise de trocas gasosas foi calibrado antes de cada teste de esforço. A calibração foi feita a partir de amostra de gás ambiente (20,9% de O2 e 0,04% de CO2) e a partir de amostra proveniente de um cilindro com concentração conhecida de O2 (17%) e de CO2 (5%). Além disso, o fluxo de gases para o aparelho foi calibrado a partir de uma seringa de três litros, conforme padronização do fabricante. O aparelho foi ajustado de forma a realizar as análises dos gases expirados a cada três incursões ventilatórias. A freqüência cardíaca (FC) foi monitorada durante todo o teste no modo batimento-a-batimento por um cardiofreqüencímetro Polar® modelo S810i.

Antes do início do teste, o participante permanecia sentado por três minutos sobre o ergômetro, para mensuração das variáveis ventilatórias e FC de repouso. Depois disso, pedalava por mais três minutos sem resistência externa. Sem pausa, o teste de esforço progressivo era conduzido com carga inicial de 20W, com incrementos de carga de 20W por minuto, até a exaustão voluntária. Havia incentivo verbal por parte dos investigadores. A média dos valores de O2 alcançados nas últimas seis medidas prévias à exaustão foi considerada como sendo o O2pico. Para etapas posteriores deste estudo, calculou-se também o intervalo de confiança (IC95%) dos valores finais de O2.

O critério para que o valor de O2pico fosse aceito era que a FC no último estágio do teste atingisse a faixa de ± 10bpm em relação à máxima predita pela idade de cada sujeito, que a razão de trocas respiratórias (RER) superasse 1,1 e que o esforço subjetivo reportado a partir da escala de 15 pontos de Borg fosse superior a 19 nos instantes finais do teste. Não foi incluído o critério de platô do O2 porque os indivíduos não apresentaram evidências visuais de estabilização dessa variável no protocolo adotado.

Testes para estimativa da PCrit e da CTAnaer

Cada indivíduo realizou quatro cargas retangulares no cicloergômetro Monark® com o objetivo de estimar os parâmetros do modelo de potência crítica. Todos os participantes haviam sido familiarizados ao ergômetro e ao tipo de esforço em duas sessões retangulares exaustivas, em dias prévios ao início das coletas de dados definitivos. Antes de cada teste havia um breve aquecimento de cinco minutos de duração com 30-40W de resistência. Após período de mesma duração para recuperação e preparação do sujeito, o teste era iniciado. Os testes eram separados por no mínimo 24h de intervalo, para que o cansaço residual não afetasse a carga seguinte. Solicitava-se que os participantes não realizassem esforços pesados entre os testes e que, de preferência, não ingerissem alimentos nas duas horas prévias à realização dos mesmos. As intensidades eram escolhidas individualmente de tal forma que os esforços tivessem duração entre 1-10 minutos(18). Eventualmente, alguns sujeitos realizaram cargas cuja duração ultrapassou os 10 minutos. No entanto, nenhum dos testes durou mais que 15 minutos. Nenhum deles teve duração inferior a um minuto. Não era dada informação aos participantes quanto à intensidade das cargas e duração esperada dos testes. Devido à relativa heterogeneidade do grupo, as cargas retangulares empregadas tiveram entre 160 e 350W de potência média.

Os dados individuais de potência e tempo até a ocorrência da exaustão foram ajustados à equação não linear abaixo, para estimativa da PCrit e da CTAnaer. Em trabalhos anteriores(1,19), apresentamos equações lineares aritmeticamente equivalentes para o cálculo dos parâmetros(20). No entanto, optamos por utilizar apenas a equação 1 porque ela respeita o pressuposto matemático de alocação da potência como variável independente, e do tempo como variável dependente(21), e essa configuração é compatível com a condição experimental adotada neste estudo.

Estimativa da PCrit' e da CTAnaer'

Durante os testes para estimativa da PCrit e da CTAnaer, os indivíduos tiveram suas trocas gasosas pulmonares monitoradas pelo VO2000. Os procedimentos de calibração da concentração de gases e de seu fluxo para o aparelho foram os mesmos adotados quando da realização do teste de esforço progressivo. Novamente, o equipamento foi ajustado para realizar as análises a cada três incursões ventilatórias. Durante cada um dos testes exaustivos, foi registrado o tempo necessário para que o indivíduo atingisse seu O2pico (), o qual foi determinado no teste de esforço progressivo. Devido às oscilações inerentes à medida de O2 feita em intervalos de tempo reduzidos, foi adotado como o tempo até o O2pico o período decorrido até o primeiro momento em que essa medida alcançasse o IC95% do O2pico. O critério adotado foi que, de cinco leituras consecutivas, ao menos três estivessem contidas no IC95%, estabelecido a partir das últimas seis medidas de O2 do teste de esforço progressivo. O tempo até a primeira leitura de O2 nessas condições foi registrado como o . Essa tolerância foi permitida porque o O2 costuma alcançar valores assintóticos - platô - em testes no domínio severo justamente no momento em que atinge seu valor máximo. Dessa forma, é comum que algumas medidas nessa região da curva cinética de O2 oscilem para baixo, saindo temporariamente do IC95%. Além disso, próximo ao fim do teste, os participantes tendem a reduzir a velocidade de rotação do pedal por causa da fadiga, reduzindo momentaneamente a potência, o que pode causar leituras abaixo do intervalo de tolerância para que se considere o O2 como sendo de pico.

Os dados individuais de potência e foram ajustados à equação 2 abaixo, equivalente à equação 1, para estimativa da PCrit' e da CTAnaer'.

onde PCrit' corresponde ao indicador de máximo estado estável de O2 e CTAnaer' corresponde ao trabalho mecânico proveniente dos estoques anaeróbios despendido até que o O2pico seja alcançado(14).

Estimativa do LEP

Durante os quatro testes exaustivos, os indivíduos foram instruídos a reportar o esforço percebido de acordo com a escala de 15 pontos de Borg, a cada 30s de exercício. O coeficiente angular da reta de regressão entre o tempo como variável independente e os valores individuais de esforço percebido atribuídos durante cada um dos testes foi determinado através da regressão linear. Os coeficientes angulares das quatro retas (taxa de aumento do esforço percebido) obtidos com este procedimento foram utilizados para estimar os parâmetros da reta de regressão linear em função da potência gerada nos quatro testes. O LEP foi definido como a intensidade que corresponde ao ponto de intersecção da reta de regressão no eixo da potência (x), ou seja, equivaleria à intensidade em que a taxa de aumento do esforço percebido seria zero. As figuras 2 e 3 exemplificam estes procedimentos em um indivíduo representativo.

 

 

 

 

 

 

Tratamento estatístico

Os parâmetros PCrit, PCrit', CTAnaer e CTAnaer' foram estimados pelas equações 1 e 2 por meio de procedimento de regressão não linear. A comparação entre as estimativas de PCrit, PCrit' e LEP foi feita por análise de variância (ANOVA) para medidas repetidas. Os valores de CTAnaer e CTAnaer' foram comparados por teste t para amostras pareadas. O coeficiente de correlação de Pearson foi utilizado para verificar as associações entre as estimativas de PCrit, PCrit' e LEP. O nível de significância preestabelecido em todas as análises foi de P < 0,05.

RESULTADOS

O O2pico alcançado no teste de esforço progressivo pela amostra estudada foi de 46,7 ± 8,5ml/kg/min. Em média, os testes retangulares para a predição dos parâmetros do modelo de potência crítica, da PCrit' e CTAnaer', e do LEP, tiveram valores de potência equivalentes a 216 ± 35W, 239 ± 40W, 262 ± 40W e 288 ± 41W, quando ordenadas de forma crescente. As respectivas durações foram de 547 ± 121s, 364 ± 52s, 263 ± 49s e 182 ± 35s.

A figura 1 (curva superior) ilustra a relação hiperbólica entre a potência e o tempo até a exaustão de um sujeito representativo da amostra. Na mesma figura (curva inferior), está representada a relação entre a potência e o tempo para que o O2pico fosse alcançado em cada teste. Nesse indivíduo, houve coincidência entre as assíntotas. No grupo como um todo, o comportamento foi semelhante, já que PCrit e PCrit' não diferiram de forma significante (P > 0,05) (tabela 1). A correlação entre esses dois parâmetros foi de 0,96. A CTAnaer' e a CTAnaer foram equivalentes a 14.080 ± 5.219 e 22.093 ± 9.042J, respectivamente.

 

 

A figura 2 mostra a comportamento do esforço percebido ao longo do tempo durante os quatro testes retangulares de um sujeito da amostra. Pode-se observar um bom ajuste linear dessa variável em função da duração de cada teste (r2 entre 0,89 a 1,00). Em alguns casos, a inspeção visual mostrava que o primeiro valor de esforço percebido reportado não se adequava à reta de regressão formada pelo restante dos pontos experimentais. Nesse caso, ele era excluído da análise, o que geralmente aumentava o valor de r2. Havia também ocasiões em que os últimos pontos se repetiam no número 20, que é o valor máximo da escala. Isso geralmente ocorria no teste mais longo. Esses pontos também enfraqueciam a tendência à linearidade do restante da curva. Assim, eles também eram eliminados a fim de que a porção linear da curva fosse descrita com melhor ajuste pela equação de regressão.

O LEP calculado, conforme exemplo de um caso mostrado pela figura 3, não diferiu de forma significante (P > 0,05) da PCrit e da PCrit' (tabela 1). Houve alta correlação do LEP com a PCrit (r = 0,98) e com a PCrit' (r = 0,92).

 

DISCUSSÃO

Segundo Gaesser e Poole(9), três domínios de esforço podem ser discriminados a partir do comportamento cinético de algumas variáveis fisiológicas no exercício. O primeiro domínio, denominado moderado, engloba as intensidades de esforço que podem ser sustentadas sem a indução de acidose lática; abaixo, portanto, do limiar de lactato. Nesse domínio, o O2 apresenta um aumento monoexponencial nos primeiros 180 segundos de carga retangular, atingindo estado estável após esse período. O domínio de exercício intenso tem como limite inferior a carga de trabalho na qual o balanço entre produção e remoção de lactato pende transitoriamente para o primeiro e tem, como limite superior, a carga referente ao máximo estado estável de lactato, que coincide com a PCrit. Nesse domínio, após os 80-110s iniciais do exercício, um componente lento da cinética de O2sobrepõe-se ao componente mais rápido, fazendo com que haja um atraso em sua estabilização. Esse volume adicional de oxigênio consumido em função do tempo provoca a perda da linearidade da relação entre O2de estado estável e carga, observada no domínio moderado. No terceiro domínio, denominado severo, não há estabilização nem do O2tampouco do lactato. Ambos os parâmetros aumentam de maneira inexorável até a ocorrência da exaustão, sendo que o O2 atinge invariavelmente seu valor máximo.

No modelo teórico apresentado por Gaesser e Poole(9), não está prevista a ocorrência de máximo estado estável do esforço percebido na intensidade correspondente à PCrit. Entretanto, devido ao fato do esforço percebido ser entendido atualmente como uma representação central complexa e integrada das diversas funções corporais modificadas agudamente pelo exercício(17), pode-se inferir que seu comportamento ao longo do tempo assemelhe-se ao do lactato e O2, na intensidade de transição entre os domínios intenso e severo. Assim, o objetivo principal deste trabalho foi testar essa hipótese de forma indireta, por meio da comparação entre o LEP, PCrit e um indicador de máximo estado estável de O2. Para nosso conhecimento, essa aplicação do esforço percebido por meio da escala da Borg de 15 pontos é original. Porém, outros autores têm proposto técnicas para estimar indicadores de capacidade aeróbia com a utilização de escalas subjetivas de esforço, inclusive com a adoção dos pressupostos do modelo de potência crítica.

Capodaglio e Saibene(6) utilizaram a escala de esforço percebido de 10 pontos de Borg - CR10(2), para estimar a potência mecânica sustentável em atividades da vida diária de idosos, tanto em cicloergômetro para membros superiores quanto para membros inferiores. Essa intensidade é inferior à PCrit tradicionalmente estimada a partir de testes exaustivos em idosos(22,23). Os testes propostos por Capodaglio e Saibene(6) não eram conduzidos até a exaustão voluntária, mas sim até o momento em que a percepção de esforço atingia o nível "forte", com valor 5 na escala CR10 de Borg. Os valores de trabalho mecânico e tempo até esse ponto em 5-6 testes eram ajustados à equação linear trabalho-tempo(20). A inclinação da reta de regressão era considerada como a intensidade sustentável para as atividades diárias. Ela correspondia a cerca de 55% da potência máxima, alcançada pelos membros inferiores, sendo facilmente mantida por 30 minutos, com freqüência cardíaca de aproximadamente 114bpm, com elevação reduzida de lactato no sangue (2,2mM), com concentração próxima à associada com a ocorrência do limiar de lactato.

Em outro trabalho, Garcin et al.(7) mostraram que o esforço percebido reportado na musculatura ativa, no quinto minuto das cargas preditivas dos parâmetros do modelo de potência crítica em cicloergômetro e em exercício de extensão de joelhos, correlacionou-se negativamente (r = -0,78 e -0,80) com o logaritmo do tempo até a exaustão. Além disso, correlacionou-se positivamente (r = 0,76 e 0,85) com o percentual da PCrit utilizado no teste e com a atividade eletromiográfica no mesmo instante de coleta (r = 0,70 e 0,58). Dessa forma, os autores concluíram que o esforço percebido em um ponto fixo (a cinco minutos) de testes exaustivos poderia ser considerado um indicador de capacidade aeróbia, pois prediz a tolerância ao esforço, a magnitude de utilização da CTAnaer e o grau de ativação neuromuscular, relacionado à fadiga.

Por fim, Okura e Tanaka(24) também procuraram estimar um indicador submáximo de capacidade aeróbia, o limiar ventilatório, por meio da utilização de uma escala de 15 pontos de Borg. Sujeitos de um grupo de validação realizaram teste incremental (90kgm/min) em cicloergômetro mecânico até se alcançar o valor 15 de esforço percebido localizado nas pernas, pela referida escala. Juntamente com a idade, a carga de ocorrência do valor 15, expressa em mlO2/min, foi ajustada a uma equação pelo procedimento de regressão múltipla para a predição do limiar ventilatório. A equação se mostrou satisfatória, pois o erro padrão de estimativa do limiar ventilatório estimado em relação ao observado, em termos percentuais, foi de apenas 13,3%. Além disso, o grupo de validação cruzada obteve bons índices de predição do limiar ventilatório a partir da utilização da equação proposta. No entanto, ressalta-se que esse tipo de procedimento para proposição de equações preditivas de indicadores de capacidade aeróbia a partir do esforço percebido é protocolo-dependente, ou seja, a utilização de um protocolo de teste diferente do originalmente proposto deve gerar estimativas distanciadas das reais.

Nenhum dos estudos citados acima teve como objetivo estimar a intensidade de exercício correspondente ao máximo estado estável de O2 a partir do esforço percebido, que denota a transição de domínios de esforço. Além disso, em nenhum deles adotou-se um protocolo de coleta dos dados que contemplasse o acompanhamento de todo o comportamento da curva de esforço percebido x tempo, já que se utilizaram ou de esforço percebido submáximo fixo para finalização do teste, ou de tempo fixo, sem exaustão. Os autores dos trabalhos mencionados não atribuíram ao esforço percebido um significado fisiológico ou psicofísico bem definido, que permitisse o estabelecimento de uma relação causal com outras variáveis relevantes no exercício.

No entanto, de acordo com hipóteses anteriormente levantadas em nosso estudo(1), a estimativa do LEP baseia-se no pressuposto de que o aumento do esforço percebido ocorreria a uma taxa dependente do acúmulo de H+, resultante da utilização da CTAnaer. Essa perturbação periférica geraria uma necessidade de aumento dos estímulos eferentes para os músculos ativos, confirmada pelo aumento da atividade eletromiográfica reportado em protocolos de exercício similares ao nosso(11,12). Ambas as fontes de informação (aferente e eferente) seriam potenciais alimentadores da geração da resposta perceptiva(10). Portanto, a taxa de aumento do esforço percebido igual a zero estaria associada a um estado de exercício em que não haveria utilização das reservas anaeróbias, o qual coincidiria com a PCrit e com o máximo estado estável de O2.

De fato, os resultados deste estudo parecem confirmar essas hipóteses. Os valores de PCrit e PCrit' e LEP foram respectivamente iguais a 174 ± 43, 176 ± 48 e 180 ± 61W, não diferindo de forma significativa (P > 0,05). Além disso, as correlações entre eles foram altas (r = 0,92 - 0,98). A CTAnaer' e CTAnaer foram estimadas em 14.080 ± 5.219 e 22.093 ± 9.042J, respectivamente. O fato da CTAnaer' ter sido significantemente menor que a CTAnaer indica que uma porção relativamente fixa da reserva anaeróbia muscular deve ser utilizada para que o O2pico seja alcançado e que uma outra porção dessa reserva é utilizada após o O2pico já ter sido atingido, causando a exaustão. Não está claro o significado fisiológico desse achado.

De acordo com Hughson et al.(25), o "sinal de erro" para o sistema cardiorrespiratório aumentar o O2 é estabelecido pela diferença entre o valor atual e o requerido para a manutenção da taxa metabólica fixada pelo exercício. No exercício severo, esses valores nunca se igualam. Um rápido ajuste do O2 é desejável, na medida em que se minimiza a velocidade de acúmulo do déficit de O2, gerando menores níveis de ácido lático. No entanto, esses ajustes são limitados pela capacidade do sistema cardiovascular em redistribuir rapidamente o fluxo sanguíneo e manter a pressão arterial em níveis adequados, fazendo com que a cinética de aumento do O2, dada pela constante de tempo (t), seja mais lenta nos exercícios severos do que nas intensidades moderadas(25), sobretudo quando se aproxima o platô do O2 nos testes retangulares severos(26). Com isso, parece que o aumento do O2 do repouso até seu valor máximo em exercício retangular no domínio severo é gerado por um "sinal de erro", associado a um custo anaeróbio fixo (~64% da CTAnaer). A persistência do "sinal de erro" leva ao esgotamento da CTAnaer e aumento linear do lactato no sangue. Abaixo da PCrit, esse custo anaeróbio é minimizado, pois em algum momento do exercício o sinal de erro fisiológico parece ser igualado a zero, permitindo a estabilização das variáveis fisiológicas e psicofísicas indicadoras de trabalho interno do organismo.

Os testes retangulares, conduzidos neste estudo para estimativa do LEP, PCrit, e PCrit' e das variáveis anaeróbias, geraram os valores de O2pico individuais, em todos os casos apresentados. Vale ressaltar, no entanto, que um indivíduo foi eliminado da amostra porque não foi capaz de atingir valores próximos do IC95% estabelecido no teste de esforço progressivo, em nenhuma das cargas exaustivas. Dessa forma, pode-se inferir que nem todos os indivíduos respondem ao exercício de forma a permitir a identificação da PCrit' e da CTAnaer'. Com isso, consideramos o LEP uma estimativa alternativa da máxima intensidade de estabilização do O2, em cicloergômetro, já que os resultados encontrados sustentam essa equivalência.

Diferenças metodológicas entre nosso estudo e o conduzido por Hill e Smith(14) podem ser destacadas. Naquele estudo, as coletas de O2 eram feitas a cada 15s, e o O2pico era considerado o maior valor médio de 30s (duas amostras) durante cada carga. O era tido como o tempo decorrido do início da carga retangular até o meio do intervalo de 15s em que o O2pico era alcançado. Já no presente estudo, optamos por adotar um valor fixo de O2pico, medido em teste de esforço progressivo, com tolerância dada pelo IC95%. Em adição, as amostras de gases expirados para cálculo do O2 foram feitas a cada três incursões ventilatórias, fazendo com que os intervalos entre os registros da variável fisiológica não fossem regulares. Ainda assim, resultados semelhantes foram obtidos nas duas investigações com relação à igualdade da PCrit e PCrit'.

Uma limitação deste estudo foi a ausência de sessões de exercício retangular prolongado na intensidade correspondente a PCrit, PCrit' e LEP, visando a comprovar a estabilização do O2 a níveis abaixo do O2max e do esforço percebido em valores inferiores a 20, que é o maior valor possível na escala de Borg de 15 pontos. É possível que, na intensidade associada a esses indicadores fisiológicos de capacidade aeróbia, o esforço percebido não apresentaria estado estável, o que necessariamente não inviabilizaria as conclusões deste estudo. Pode-se especular que o aumento do esforço percebido ao longo do exercício fora do domínio severo (intenso e moderado) dar-se-ia por outros fatores, como depleção de glicogênio e aumento da temperatura corporal, e não pela utilização da CTAnaer. Além disso, a medida do sinal eletromiográfico durante as cargas preditivas severas e durante as sessões retangulares na transição entre os domínios intenso e severo poderia fornecer algumas pistas sobre a relação causal entre a ativação neuromuscular e o esforço percebido. Em estudos futuros, pretendemos testar essas condições experimentais.

Do ponto de vista prático, o LEP parece ser uma alternativa interessante na predição da PCrit e do máximo estado estável de O2. Todos esses indicadores são associados à capacidade aeróbia dos indivíduos, podendo ser empregados em sua avaliação, no monitoramento de alterações induzidas pelo treinamento e também como parâmetro para a prescrição de treinamento aeróbio. A vantagem da utilização do LEP em relação à técnica proposta por Hill e Smith(14) para a estimativa da PCrit' é a sua simplicidade, dispensando o uso de quaisquer equipamentos, e por permitir o acompanhamento do esforço subjetivo empreendido pelos sujeitos em diferentes cargas, o qual constitui uma resposta integrada das condições internas de estresse impostas pelo exercício. Em termos teóricos, parece que a validade do LEP implica em adição de novos elementos ao modelo de potência crítica, tradicionalmente investigado como um modelo puramente energético, tendo também impacto na noção de transição de domínios de esforço(9). O sinal de erro de Hughson et al.(25) na indução de aumento do O2, reduzido concomitantemente à utilização de parte da CTAnaer também merece atenção em estudos futuros dentro da área.

 

CONCLUSÕES

Os resultados do presente estudo corroboram os achados originais de Nakamura et al.(1) em corrida aquática, de que o LEP pode ser uma medida alternativa da PCrit, estimada neste estudo por meio de testes em cicloergômetro. Além disso, essas variáveis foram equivalentes também ao indicador de máximo estado estável de O2, ou PCrit'. Dessa forma, conclui-se que o LEP constitui uma técnica indireta para a determinação da transição entre os domínios intenso e severo de esforço(9), em que teoricamente as variáveis fisiológicas, que incluem o O2, e as variáveis psicofísicas (esforço percebido) teriam comportamento estável, permitindo a realização de exercício prolongado.

 

AGRADECIMENTO

À Capes, pela concessão de bolsa de estudos em nível de doutorado para o primeiro autor do trabalho.

 

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Endereço para correspondência
Fábio Yuzo Nakamura
Grupo de Estudo e Pesquisa em Metabolismo, Nutrição e Exercício
Centro de Educação Física e Desportos
Universidade Estadual de Londrina
Rod. Celso Garcia Cid, km 380, Campus Universitário
86051-990 - Londrina, PR - Brasil
E-mail: fabioy_nakamura@yahoo.com.br

Recebido em 19/2/05. 2ª versão recebida em 2/5/05. Aceito em 4/5/05.

 

 

Todos os autores declararam não haver qualquer potencial conflito de interesses referente a este artigo.