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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692

Rev Bras Med Esporte vol.11 no.5 Niterói Sept./Oct. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S1517-86922005000500005 

ARTIGO ORIGINAL

 

Análise da associação entre a dinamometria isocinética da articulação do joelho e o salto horizontal unipodal, hop test, em atletas de voleibol

 

Análisis de la asociación entre la dinamometria isocinética de la articulación de la rodilla y el salto horizontal unipodal, hop test, en los atletas de voleibol

 

 

Rogério Leão D'AlessandroI; Eduardo Augusto Paolinelli SilveiraI; Marco Túlio Saldanha dos AnjosII; Anderson Aurélio da SilvaIII; Sérgio Teixeira da Fonseca, ScDIV

IFisioterapeuta do Laboratório de Prevenção e Reabilitação de Lesões Esportivas (LAPREV), Centro de Excelência Esportiva (CENESP), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Graduado pela UFMG, Especialista em Fisioterapia em Ortopedia e Esportes/UFMG, Belo Horizonte – MG
IIFisioterapeuta do LAPREV/CENESP/UFMG, Graduado pela UFMG, Especialista em Fisioterapia em Ortopedia e Esportes pela UFMG, Mestrando em Ciências da Reabilitação/UFMG e Professor do Centro Universitário Newton Paiva, Belo Horizonte – MG
IIIFisioterapeuta, Coordenador do LAPREV/CENESP/UFMG, Professor do Departamento de Fisioterapia da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (EEFFTO)/UFMG, Membro da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva (SONAFE), Belo Horizonte – MG
IVFisioterapeuta, Coordenador do LAPREV/CENESP/UFMG e do Laboratório de Performance Humana do Departamento de Fisioterapia da EEFFTO/UFMG, Professor deste mesmo Departamento e Doutorado em Applied Kinesiology pela Boston University, Belo Horizonte – MG

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

INTRODUÇÃO: O dinamômetro isocinético tem sido largamente utilizado na avaliação da performance muscular. Devido a seu alto custo, a sua utilização torna-se inviável na prática clínica. O hop test é um teste para avaliação da força e da confiança nos membros inferiores (MMII) que pode ser utilizado na clínica com pequeno gasto de tempo e mínima demanda financeira. O objetivo deste estudo foi verificar se existe associação entre o hop test e dados da função muscular fornecidos pela avaliação do joelho no dinamômetro isocinético em atletas profissionais.
MATERIAIS E MÉTODOS: Trinta atletas de voleibol (oito mulheres e 22 homens) foram avaliados no dinamômetro isocinético nas velocidades de 60º/s e 300º/s e no hop test a distância.
RESULTADOS:
Foi observada somente uma correlação baixa entre déficit de pico de torque (r = 0,441) e de trabalho (r = 0,610) a 60º/s com o déficit da distância saltada entre MMII. Foi observada baixa associação entre a performance muscular e a distância saltada no hop test exceto no membro inferior direito de mulheres.
CONCLUSÃO:
Este estudo mostrou que o hop test não pode ser usado para substituir a dinamometria isocinética na avaliação da função muscular.

Palavras-chave: Hop test. Isocinético. Esportes.


RESUMEN

INTRODUCCIÓN: El dinamómetro isocinético ha sido largamente utilizado en la evaluación de la performance muscular. Debido a su alto costo, su utilización es inviable en la práctica clínica. El hop test es un test para la evaluación de la fuerza y de la confianza de los miembros inferiores (MMII) que puede ser utilizado en la clínica con pequeño gasto de tiempo y mínima demanda financeira. El objetivo de este estudio fué verificar se existe asociación entre el hop test y los datos de la función muscular obtenidos por la evaluación de la rodilla en dinamómetro isocinético en atletas profesionales.
MATERIALES Y MÉTODOS: Treinta atletas de voleibol (8 mujeres y 22 hombres) fueron evaluados en dinamómetro isocinético en las velocidades de 60º/s y 300º/s y en el hop test a distancia.
RESULTADOS:
Fué observada solamente una correlación baja entre el déficit de pico de cambio (r = 0,441) y de trabajo (r = 0,610) a 60º/s con el déficit de la distancia saltada entre MMII. Fué observada una baja associação entre la performance muscular y la distancia saltada en el hop test excepto en el miembro inferior directo de mujeres.
CONCLUSIÓN: Este estudio mostró que el hop test no puede ser usado para substituir la dinamometría isocinética en la evaluación de la función muscular.

Palabras-clave: Hop test. Isocinético. Deportes.


 

 

INTRODUÇÃO

O dinamômetro isocinético tem sido freqüentemente usado para o estudo da função muscular dinâmica no ambiente de pesquisa(1,2), principalmente na avaliação pós-lesão dos músculos em torno da articulação do joelho(3). Além de possuir boa validade e confiabilidade, o dinamômetro isocinético permite a avaliação do torque máximo produzido pelos músculos durante toda a amplitude de movimento (ADM)(3). A principal aplicação do dinamômetro isocinético tem sido na realização de testes monoarticulares para as diversas articulações do corpo humano(3,4). Estes testes fornecem informações sobre a função muscular, tais como torque, trabalho, potência, dentre outras(5). A avaliação destas variáveis tem possibilitado comparações entre músculos agonistas e antagonistas, e entre membros contralaterais(5), com o objetivo de determinar possíveis fatores de risco para lesões. Assimetrias entre membros e desequilíbrios entre agonistas e antagonistas, além de valores de função muscular abaixo de valores de referência para determinadas populações, estão entre as variáveis fornecidas pelo dinamômetro(6) e têm sido consideradas como fatores de risco para lesões esportivas pela literatura especializada(7,8). Entretanto, devido ao alto custo do equipamento, o dinamômetro isocinético ainda é subutilizado na prática clínica.

Para compensar o difícil acesso a este equipamento, outros testes ou métodos de avaliação mais simples têm sido comumente empregados por fisioterapeutas, médicos, preparadores físicos dentre outros profissionais do esporte, na prática clínica(9-11). Entretanto, existe a necessidade de estudos científicos para fundamentar a utilização destes testes, pois muitos deles não possuem validade comprovada. A validação de testes mais simples para a avaliação da função muscular poderia fornecer métodos capazes de selecionar os indivíduos que necessitam de uma avaliação mais detalhada em equipamentos sofisticados, como o dinamômetro isocinético. Esses métodos de triagem devem incluir instrumentos de fácil utilização, que não demandem longo tempo de aplicação e que forneçam informações válidas sobre a função muscular. A utilização de métodos de triagem para a identificação de déficits musculares permitiria selecionar indivíduos com potencial de lesão muscular(7,8) e facilitaria uma abordagem terapêutica preventiva.

Um teste simples que é comumente empregado na prática fisioterapêutica para a avaliação da performance do membro inferior (MI) lesado em relação ao MI não lesado é o salto horizontal unipodal a distância (hop test). O hop test foi proposto por Daniel et al. (1982)(12) para a avaliação da força muscular e da confiança nos membros inferiores (MMII) envolvidos com uma lesão. O hop test possui propriedades psicométricas estabelecidas para a identificação de lesões dos MMII(10,11). O hop test e suas variações têm sido amplamente utilizadas para avaliar o retorno ao nível funcional do joelho lesado, principalmente pós-reconstrução de ligamento cruzado anterior (LCA)(9-11). Embora o hop test não permita uma análise detalhada da função do MI, como é obtida com aparelhos mais sofisticados, ele nos permite uma triagem geral durante a avaliação do MI lesado na prática clínica(10). Outras vantagens do hop test sobre os demais métodos de avaliação são o pequeno gasto de tempo, mínima demanda financeira e utilização do membro contralateral como controle(10). Entretanto, devido a sua utilização principalmente em situações de retorno à atividade após lesões, não existem estudos sobre a possibilidade de aplicação desse teste para avaliar possíveis déficits de força entre MMII em indivíduos saudáveis.

As dimensões medidas pelo hop test não estão bem estabelecidas na literatura, ou seja, não está claro se este teste está mais relacionado à força dos MMII ou à confiança ou habilidade no membro inferior testado, mas alguns autores já avaliaram associações entre esse teste ou testes similares e variáveis relacionadas à performance muscular. Dauty et al. (2002)(13) encontraram associação moderada entre o salto vertical e o dinamômetro isocinético na velocidade de 180º/s para extensão de joelhos em atletas de futebol não lesados. Petschnig et al.(11) observaram a associação entre pico de torque a 15º/s de extensão de joelhos com distância saltada no hop test no MI com lesão e o sem lesão, e na simetria entre MMII não lesados. Entretanto, em joelhos sem história de lesão, não foi encontrada na literatura pesquisada uma associação direta entre a distância saltada no hop test e o torque máximo e trabalho no movimento de extensão de joelhos em dinamômetro isocinético(11). Portanto, se for encontrada uma associação forte entre o dinamômetro isocinético e o hop test, esta poderia ser de grande utilidade para os profissionais do esporte, pois fundamentaria a utilização do hop test como um método de triagem para as variáveis estudadas, em indivíduos não lesados. Dessa forma, o objetivo deste estudo foi verificar a existência de associação entre o hop test e dados da função muscular fornecidos pela avaliação da articulação do joelho no dinamômetro isocinético, em atletas profissionais de voleibol de alto nível, não lesados.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Amostra

Participaram do estudo 30 atletas de voleibol (oito mulheres e 22 homens) com idade média de 18,25 ± 1,25 anos, altura média de 194 ± 8,37cm, peso médio de 85,22 ± 10,19kg, integrantes de seleções nacionais, sendo duas delas campeãs mundiais e outra vice-campeã mundial nas categorias juvenil e infanto-juvenil masculina e juvenil feminina no ano de 2003, mesmo ano em que foi realizada a coleta de dados. Para serem incluídos no estudo os atletas não poderiam apresentar lesões nos joelhos, quadris ou tornozelos. Todos os atletas assinaram voluntariamente o termo de consentimento de participação nos testes, cujos dados integram um programa de avaliações promovido pelo Centro de Excelência Esportiva (Cenesp-UFMG), em convênio com federações e seleções através do Ministério dos Esportes. A avaliação foi aprovada pela coordenação técnico-científica do Cenesp.

Instrumentação

O dinamômetro isocinético Biodex 3 System Pro (Biodex Medical Systems, Inc, Nova Iorque, EUA) foi utilizado para realização das medidas de função muscular (torque máximo e trabalho máximo nas velocidades de 60º/s e 300º/s). Para a medida da distância saltada no hop test foi utilizada uma fita métrica milimétrica.

Procedimentos

Os atletas foram avaliados no dinamômetro isocinético e no hop test. Todos os atletas estavam com calção, camisetas e tênis apropriados para a realização dos testes. A seqüência dos testes foi realizada de forma a respeitar critérios de conveniência e operacionalização do laboratório. Foi dado aos voluntários tempo hábil para a recuperação entre um teste e outro.

Hop test

Os atletas foram testados em uma área previamente demarcada em metros. A extremidade anterior do pé direito dos atletas foi posicionada sobre a primeira marcação para iniciar o teste. Os atletas foram informados sobre o procedimento do salto e solicitados a saltar a maior distância possível com cada membro inferior. Os atletas podiam utilizar os membros superiores (MMSS) para auxiliar na impulsão, aproximando do padrão de movimento dos MMSS no esporte(14,15). Na execução do salto foi realizada uma fase excêntrica antes do seu início. Saltos que permitem esta fase excêntrica, junto com a movimentação de MMSS, também respeitam aspectos funcionais relacionados à modalidade(15) e permitem uma maior geração de força devido a aspectos fisiológicos e biomecânicos(16). Os atletas foram orientados a permanecer com o pé no local da queda após a aterrissagem. A distância do ponto mais posterior do calcanhar até a primeira marcação foi medida com a fita milimétrica e considerada como a distância obtida no salto. Os saltos foram executados por três vezes com cada MI. O procedimento foi então reproduzido para o MI esquerdo. O melhor salto com cada membro foi utilizado para fins estatísticos.

Dinamômetro isocinético

A dinamometria isocinética foi realizada por um dinamômetro isocinético Biodex System 3-Pro (Nova Iorque, EUA). Antes do teste os atletas realizavam um aquecimento em bicicleta ergométrica por 10 minutos, seguido de quatro séries de 20 segundos de exercícios de alongamento para os músculos isquiotibiais e quadríceps femoral. Após os alongamentos, os atletas realizavam uma série de três repetições em cada velocidade no dinamômetro para familiarização com o teste. Os testes foram realizados em duas velocidades 60º/s e 300º/s para flexo/extensão concêntrica do joelho para se obter as variáveis pico de torque e trabalho. A velocidade de 60º/s foi escolhida uma vez que, em velocidades baixas(17), consegue-se maior geração de torque, aproximando-se mais do desempenho muscular máximo dos atletas(18). A velocidade de 300º/s foi escolhida por representar mais funcionalmente as velocidades altas de contração realizadas na prática do esporte(17). Os atletas foram posicionados assentados na cadeira do dinamômetro. A angulação do encosto da cadeira foi de 80º e o eixo da articulação do joelho foi alinhado com o eixo do dinamômetro. A fossa poplítea do joelho testado ficou a cinco centímetros de distância do assento e o braço do isocinético foi preso a cinco centímetros acima do maléolo lateral do tornozelo. A amplitude de teste foi limitada em 100º, com início em 110º de flexão e término em 10º de flexão de joelho. A amplitude de extensão completa foi limitada para evitar o efeito de insuficiência passiva dos isquiotibiais. Os testes foram realizados no modo concêntrico sendo cinco repetições para 60º/s e cinco repetições para 300º/s. Entre cada velocidade era dado um intervalo de 30 segundos de repouso. Todos os testes foram realizados com estímulo verbal, a fim de motivar esforço máximo dos atletas durante a realização dos testes. Os testes foram realizados com os MMII em ordem variada, de acordo com critérios de conveniência do laboratório.

Redução dos dados

Para a análise das assimetrias musculares entre os MMII foram calculados os déficits entre MMII nas variáveis testadas. O menor valor foi subtraído do maior e a diferença encontrada foi dividida pelo maior valor. Esse quociente foi multiplicado por 100 para que se chegasse ao resultado em porcentagem de déficit. Tais cálculos foram feitos para o hop index e para pico de torque e trabalho do dinamômetro isocinético. Os cálculos do hop index foram realizados manualmente, ao passo que os cálculos das variáveis relacionadas à performance isocinética são fornecidas após cálculo realizado pelo próprio programa de análise do dinamômetro.

Análise estatística

O teste de correlação de Pearson foi utilizado para a análise da associação entre déficit no isocinético e déficit no hop test, e para a análise da relação entre torque máximo e trabalho e distância máxima saltada, separados por sexo e por lados direito e esquerdo, com nível de significância (a) igual a 0,05. O programa estatístico Minitab Release 13.20 (Minitab, Inc, Pensilvânia, EUA) foi utilizado para esta análise.

 

RESULTADOS

Os valores médios para as variáveis testadas e seus desvios-padrões estão apresentados na tabela 1.

 

 

As associações entre o déficit da distância saltada entre MMII e o déficit em pico de torque e em trabalho na velocidade de 300º/s não foram significativas. Foi observada uma associação significativa entre déficit de pico de torque e de trabalho a 60º/s com o déficit da distância saltada entre MMII. A associação entre déficit de trabalho e o déficit da distância saltada apresentou melhor resultado (r = 0,610; p = 0,0001). Os outros dados estão apresentados na tabela 2.

 

 

Quando foram comparados os resultados do dinamômetro isocinético separados por sexo e por MI, foi encontrada uma diminuição do valor da associação e também uma diferença na associação entre MI esquerdo e direito. Notou-se que entre sexos, nas associações significativas, as mulheres apresentaram maiores valores para r. Os sujeitos do sexo masculino apresentaram maior número de associações significativas (tabela 3).

 

DISCUSSÃO

Apesar da crescente proliferação do número de dinamômetros isocinéticos no Brasil, este teste ainda é financeiramente inviável como parte da rotina de avaliação médica, fisioterapêutica ou da preparação física na maioria das clínicas, clubes esportivos e universidades. A interpretação dos resultados da avaliação no dinamômetro isocinético requer experiência do avaliador e demanda tempo para execução do teste e análise dos dados. Por outro lado, a utilização do hop test na prática clínica não demanda suporte financeiro, é de fácil aplicação e interpretação dos resultados. A existência de associação entre hop test e o dinamômetro isocinético seria de grande aplicabilidade na prática clínica.

Os resultados mostraram não existir associação significativa entre os déficits das variáveis pico de torque e trabalho avaliados a 300º/s e o déficit entre MMII da distância máxima saltada no hop test entre MMII. Essa ausência de associação significativa surpreende pelo fato de que a velocidade de 300º/s é mais próxima da velocidade angular do joelho no movimento do salto(15). Na velocidade de 60º/s foi observada uma associação baixa, mas significativa, tanto para torque máximo com distância saltada (r = 0,441), quanto para trabalho com distância saltada (r = 0,610). Essa baixa associação pode ser explicada pela influência de outros fatores no salto, tais como coordenação neuromuscular e confiança(11,12). A execução do hop test realizada neste estudo pode, em parte, explicar esses resultados, pois permitiu uma ação muscular excêntrica que antecede o salto; essa atividade excêntrica pré-salto poderia potencializar a distância saltada(16), e o mesmo não ocorreu no teste isocinético, realizado apenas no modo concêntrico. Pelo fato de o salto ocorrer em cadeia cinética fechada, os atletas podem utilizar de estratégias compensatórias, como, por exemplo, a utilização de isquiotibiais, gerando momentos em outras articulações(19). O teste isocinético realizado neste estudo foi feito em cadeia cinética aberta; dessa maneira, tais compensações não podem ocorrer. Sendo assim, déficit em um teste não implica diretamente em déficit no outro teste, não permitindo inferir do hop test informações a respeito de desequilíbrios de torque e trabalho muscular. Similarmente, Petschnig et al. (1998)(11) e Noyes et al. (1991)(10) encontraram baixa associação entre pico de torque e hop test em estudos envolvendo indivíduos no pós-cirúrgico de reconstrução de LCA. Dessa forma a utilização de um teste que inclui componentes de contração excêntrica e concêntrica comparado a outro que realiza somente o modo concêntrico pode ser considerado como uma limitação desse estudo.

Na análise dos dados separando indivíduos do sexo masculino e feminino, foi testada a associação entre os valores da avaliação isocinética e a distância saltada com cada MI isoladamente. A relação entre as variáveis é dependente do MI testado e do sexo do indivíduo. Entre os indivíduos do sexo feminino a associação foi maior, tanto na análise do pico de torque com distância saltada, quanto para o trabalho com a distância saltada. Nesses indivíduos foi encontrada menor quantidade de variáveis com associação significativa. Esse fato pode ser explicado pela pequena amostra de indivíduos do sexo feminino. Com um número maior de indivíduos mais correlações observadas poderiam ser significativas. Entretanto, provavelmente, na ausência dessa limitação no número de participantes do sexo feminino, as analises estatísticas poderiam demonstrar melhor associação entre as variáveis.

Ao compararmos membro inferior esquerdo (MIE) com membro inferior direito (MID), notamos que todas as associações apresentaram resultado melhor para o MID. Acreditamos que isso possa estar relacionado à habilidade menor para o salto com o MIE, nesses atletas. Por ser a população deste estudo composta por atletas de voleibol, com experiência com saltos, e não lesados, julgamos ser pequena a influência do fator confiança neste estudo, ficando o fator coordenação neuromuscular, juntamente com torque, como principal responsável por explicar o resultado do salto. Entre os indivíduos do sexo feminino encontramos uma diferença de correlações entre MID e MIE. Este achado sugere que as atletas do sexo feminino podem apresentar maior discrepância de habilidade entre os MMII para desempenhar atividades funcionais. Ugrinowitsch (2000)(4) relata não utilizar o MID para análise estatística, pois, em pesquisas anteriores, ele encontrou uma tendência de o MIE explicar uma maior parte da variância total do salto vertical. No caso do presente estudo, a não inclusão do MID na análise seria inviável devido ao fato deste visar, entre outras variáveis, a associação entre as assimetrias entre os membros detectadas pelo hop test e pelo dinamômetro isocinético.

O presente estudo procurou avaliar associações entre variáveis de performance obtidas com o hop test e aquelas obtidas através de dinamômetro isocinético. Outros tipos de saltos, incluindo-se aí os saltos verticais e outras variações do hop test e outros protocolos de avaliação isocinética (como no modo excêntrico e cadeia cinética fechada), deveriam ser alvos de estudos futuros. Outras populações de atletas e não atletas poderiam também ser testadas.

No treino funcional, principalmente na prática clínica, os profissionais fisioterapeutas partem do pressuposto clássico de que aspectos relacionados à estrutura e à função do corpo (como a força muscular) estão diretamente associados com o desempenho do indivíduo na sua atividade (como os saltos). A relação entre esses fatores é descrita na Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF)(20,21). Exemplo disso é o treino da função muscular dos MMII em atletas de voleibol, com o objetivo de melhorar a performance do salto. Neste estudo observamos a associação entre estrutura e função do corpo (performance muscular) e atividade e participação (hop test). Os resultados mostram existir associação baixa entre estas variáveis na maioria das situações avaliadas. Isso sugere que não se pode inferir que apenas um aspecto da estrutura e função do corpo influenciará na performance funcional do indivíduo.

 

CONCLUSÃO

Existe associação baixa entre o hop test e os dados da função muscular fornecidos pela avaliação da articulação do joelho no dinamômetro isocinético, em atletas profissionais de voleibol de alto nível. Esta baixa associação não permite que o hop test seja utilizado como método de triagem de função muscular. Outros estudos são necessários para determinar a influência de cada fator (força, confiança e habilidade) no hop test para testar a sua utilização como método de triagem.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos à Mônica O. Pereira, pela revisão da língua portuguesa e ao professor Emerson Silami Garcia pelo incentivo e revisão do conteúdo.

 

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Endereço para correspondência:
Rogério Leão D’Alessandro
LAPREV – CENESP – EEFFTO
Av. Carlos Luz, 4.664, Campus UFMG, Pampulha
31310-250 – BH, MG
Tel.: (31) 3499-2330
E-mail: laprev@cenesp.eef.ufmg.br

Recebido em 16/12/04. 2ª versão recebida em 24/2/05. Aceito em 12/6/05.

 

 

Todos os autores declararam não haver qualquer potencial conflito de interesses referente a este artigo.