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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692On-line version ISSN 1806-9940

Rev Bras Med Esporte vol.13 no.1 Niterói Jan./Feb. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1517-86922007000100004 

ARTIGO ORIGINAL

 

Reprodutibilidade e validade do Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) em homens idosos

 

Reproducibilidad y validez del Cuestionario Internacional de Actividad Física (IPAQ) en hombres ancianos

 

 

Tânia R. Bertoldo BenedettiI; Priscilla de Cesaro AntunesI, III; Ciro Romélio Rodriguez-AñezII; Giovana Zarpellon MazoIV; Édio Luiz PetroskiI

ICentro de Desportos, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil
IIPontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, PR
IIIBolsista do CNPq
IVCentro de Educação Física, Fisioterapia e Desportos, Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

É necessário encontrar meios para quantificar de maneira eficiente e econômica o nível de atividade física da população. Os questionários são formas viáveis e econômicas, embora seja discutível a fidedignidade dessas medidas. Este estudo objetivou determinar a reprodutibilidade e a validade do Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) em homens idosos. A amostra foi composta por 29 homens idosos acima de 60 anos, com média de idade de 66,6 anos (DP = 4,3), participantes do programa de extensão da Universidade Federal de Santa Catarina. Os instrumentos utilizados foram: a) IPAQ, forma longa; b) pedômetro; e c) Diário de Atividade Física de Bouchard (DAF). Para a reprodutibilidade foram realizadas duas aplicações do IPAQ, com intervalo de 21 dias (rs = 0,95). A análise estatística adotada foi a correlação de Spearman (rs), o percentual de concordância (%C), o índice kappa (k) e a plotagem de Bland e Altman. A amostra foi dividida, utilizando-se como critério a mediana. A reprodutibilidade apresentou correlação de rs = 0,95. A associação entre o IPAQ e o DAF foi de: rs = 0,38; %C = 69 e k = 0,04 e a associação entre o IPAQ e o pedômetro de: rs = 0,24; %C = 62 e k = 0,19. Concluiu-se que a validade variou de moderada a baixa, enquanto a reprodutibilidade foi adequada.

Palavras-chave: Medida. Prática geral. Vigilância. IPAQ.


RESUMEN

Es necesario encontrar medios para cuantificar de manera eficiente y económica el nivel de actividad física de la población. Los cuestionarios son formas viables y económicas, aunque se discuta la fidedignidad de estas medidas. Este estudio ha tenido como objetivo determinar la reproducibilidad y la validez del Cuestionario Internacional de Actividade Física (IPAQ) en hombres ancianos. La muestra se compuso de 29 hombres ancianos con más de 60 años, con edad media de 66,6 años (DP = 4,3), participantes del programa de extensión de la Universidad Federal de Santa Catarina. Los instrumentos utilizados fueron: a) IPAQ, forma larga; b) pedómetro y c) Diario de Actividad Física de Bouchard (DAF). Para la reproducibilidad fueron realizadas dos aplicaciones de IPAQ, con intervalo de 21 días (rs = 0,95). El análisis estadístico adoptada fue el de correlación de Spearman (rs), el porcentaje de concordancia (%C), el índice kappa (k) y el "plotaje" de Bland y Altman. La muestra fue dividida, utilizando como criterio la mediana. La reproducibilidad presentó una correlación de rs = 0,95. La asociación entre el IPAQ y el DAF fue de: rs = 0,38; %C = 69 y k = 0,04 y la asociación entre el IPAQ y el pedómetro de: rs = 0,24; %C = 62 y k = 0,19. Se concluye que la validez varió de moderado a bajo, mientras que la reproducibilidad fue adecuada.

Palabras-clave: Medida. Práctica general. Vigilancia. IPAQ.


 

 

INTRODUÇÃO

A atividade física regular reduz o risco de mortalidade e morbidade, independente de outras modificações no estilo de vida(1-4).

De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, doenças do aparelho circulatório são as principais causas de óbito (32%)(5). A inatividade física é um dos fatores de risco importantes para o aparecimento de doenças crônico-degenerativas. No Brasil, 83% da população não praticam nenhuma atividade física; além disso, acima de 54 anos, 38,7% das mulheres têm circunferência abdominal acima de 88cm e 15,6% dos homens, acima de 102cm, médias estas consideradas como fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares(6). A síndrome do desuso (inatividade física) pela falta de movimento e de exercícios corporais aumenta, expressivamente, a procura por atendimento médico; além disso, parece estar criando, precocemente, nos idosos, dependência de terceiros(7).

Observa-se a necessidade de serem elaboradas estratégias e ações em prol da promoção de saúde coletiva que incluam atividade física e formas de quantificá-la. A atividade física é importante componente de estilo de vida saudável, principalmente pela evidência de diversos benefícios à saúde. A prática de atividades físicas está associada à diminuição da incidência de doenças cardiovasculares, diabetes, entre outras(3). Paffenbarger et al.(3) observaram relação dose-resposta, em que o risco dessas doenças diminui progressivamente quando o gasto energético total em atividade física semanal aumenta, sendo considerado ótimo entre 1.500 e 3.500kcal, embora seus benefícios possam ser percebidos a partir de 500kcal/sem. Entretanto, é desafiador mensurar o gasto energético total das atividades físicas, o que dificulta a implementação de programas adequados.

Diante disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) e o Instituto Karolinska, na Suécia, reuniram pesquisadores com a finalidade de desenvolver e testar um instrumento que permitisse obter medidas de atividades físicas que fossem internacionalmente comparáveis. Com tal objetivo, foi proposto o Questionário Internacional de Atividade Física (International Physical Activity Questionnaire IPAQ), validado em 12 países e 14 centros de pesquisa. O IPAQ é um questionário que permite estimar o tempo semanal gasto em atividades físicas de intensidade moderada e vigorosa, em diferentes contextos do cotidiano, como: trabalho, transporte, tarefas domésticas e lazer, e ainda o tempo despendido em atividades passivas, realizadas na posição sentada. O questionário foi publicado na versão curta e na versão longa. A versão curta do IPAQ é composta por sete questões abertas e suas informações permitem estimar o tempo despendido, por semana, em diferentes dimensões de atividade física (caminhadas e esforços físicos de intensidades moderada e vigorosa) e de inatividade física (posição sentada). A versão longa do IPAQ apresenta 27 questões relacionadas com as atividades físicas, realizadas numa semana normal, com intensidade vigorosa, moderada e leve, com a duração mínima de 10 minutos contínuos, distribuídas em quatro dimensões de atividade física (trabalho, transporte, atividades domésticas e lazer) e do tempo despendido por semana na posição sentada. Quando comparadas as versões curta e longa do IPAQ, os resultados são diferentes(8). Na versão curta, o tempo semanal despendido em atividades físicas moderadas e vigorosas tem sido menor quando comparado com a versão longa. Esse fato pode ser devido à diferença no número de domínios em cada versão e o número de questões, pois na longa cada domínio é mais explorado.

No Brasil, o IPAQ tem sido testado por diversos pesquisadores(9-13) quanto à reprodutibilidade (teste/reteste) e validade concorrente. Em geral, os resultados provenientes desses estudos indicaram que o IPAQ (semana usual, auto-administrado em forma de entrevista individual) é instrumento com boa estabilidade de medidas e precisão aceitável para uso em estudos epidemiológicos com adultos jovens, de meia-idade e com mulheres idosas.

Entretanto, pouco se conhece sobre a validade de utilização desse instrumento com crianças e homens idosos. Mazo et al.(14) destacam a dificuldade de obter medidas da atividade física de pessoas idosas, principalmente em estudos que envolvem grande número de pessoas, situação em que os questionários parecem ser a opção de maior viabilidade. Um dos instrumentos testados pelos autores foi o Questionário de Baecke, modificado para idosos, que apresentou boa estabilidade entre medidas de reprodutibilidade, mas o nível de validade concorrente foi apenas modesto (quando correlacionado com o diário de atividades físicas (DAF) e com o pedômetro). Dados semelhantes foram encontrados na aplicação do questionário IPAQ em mulheres idosas(12).

A literatura apresenta uma lacuna referente a instrumentos válidos para a mensuração da atividade física em homens idosos. Portanto, o presente estudo teve como objetivo verificar a reprodutibilidade (teste/reteste) e a validade concorrente do Questionário de Atividade Física (IPAQ versão 8, forma longa para semana usual/normal) na avaliação do nível de atividades físicas de homens idosos.

 

MÉTODOS

Este estudo faz parte do projeto "Perfil do Idoso do Município de Florianópolis" e foi aprovado pelo Comitê de Ética para Seres Humanos da UFSC, em 30/7/2001 (projeto 051/2001); todos os idosos assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.

A amostra foi constituída por 29 homens idosos, integrantes do projeto de extensão "Atividades Físicas para a Terceira Idade" da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Para este estudo, foi utilizado o questionário IPAQ, forma longa, semana usual/normal, adaptado por Benedetti et al.(12) para facilitar o entendimento dos idosos e o registro do cálculo do número de horas, conforme o anexo 1. Assim, foram incluídos nas questões do IPAQ exemplos de atividades que são comuns às pessoas idosas brasileiras, especificamente do município de Florianópolis; no campo de preenchimento das respostas, em vez de indicar apenas a freqüência semanal e o tempo de realização das respectivas atividades físicas, foi incluído um quadro no qual o entrevistador deveria registrar o tempo referente a cada dia da semana e em seus diferentes turnos (matutino, vespertino e noturno) em cada questão. Após a entrevista, os tempos são somados para obter o gasto total semanal.

Para testar a validade do IPAQ, seu resultado foi comparado com os obtidos por meio do diário de atividades físicas (DAF)(15) e do pedômetro.

O DAF permite estimar o nível de atividade física e o dispêndio energético referentes a determinado período de observação, com base na descrição detalhada, realizada pelos sujeitos ao longo do dia, dividido em 96 períodos, de 15 minutos, categorizados em nove níveis de intensidade(15).

O pedômetro é um contador mecânico que registra movimentos realizados em resposta à aceleração vertical do corpo. É preso na cintura, próximo ao umbigo, no cinto ou na roupa, conta os passos e calcula o gasto calórico segundo o peso corporal do indivíduo, armazenando os dados a serem anotados pelos sujeitos. Neste estudo, utilizou-se pedômetro Citizen, modelo TW-30.

O IPAQ foi aplicado duas vezes (teste e reteste), com intervalo de 21 dias, na forma de entrevista individual, para obter informações quanto à estabilidade de suas medidas. Já o DAF e o pedômetro foram aplicados simultaneamente durante três dias: dois durante a semana e um no domingo.

Para estimar o dispêndio energético em atividades físicas, com as informações coletadas através do IPAQ, foram adotados os procedimentos descritos por Craig et al.(13); para o DAF, utilizou-se demanda energética média dos três dias de registro; e, para o pedômetro, foi verificado o gasto calórico conforme o peso corporal registrado no equipamento, nos três dias de levantamento. A comparação dos dados obtidos por meio do IPAQ (kcal/dia), com os dados provenientes do DAF (kcal/dia) e do pedômetro (kcal/dia) foi determinada por indicadores de validade concorrente.

Para a análise da reprodutibilidade teste/reteste do IPAQ, foi efetuada a correlação de Spearman (rs), considerando os escores finais das aplicações do IPAQ, obtidos a partir da soma de cada uma das dimensões específicas que compõem o instrumento (trabalho, transporte, tarefas domésticas e lazer).

Para a análise da validade concorrente, foram utilizados o percentual de concordância (%C), o índice kappa (k), a correlação de Spearman (rs), entre as estimativas de dispêndio energético obtidas pela aplicação do IPAQ e das medidas de atividades físicas provenientes dos dados do pedômetro e do DAF.

Tanto para a análise da reprodutibilidade quanto para a da validade concorrente, foi utilizada a plotagem em diagrama de dispersão de Bland e Altman(16). Esse procedimento permite visualizar as diferenças médias e os limites extremos de concordância, no caso de dois desvios-padrões da diferença.

A análise dos dados foi realizada através do pacote estatístico SPSS, versão 10.0 para Windows, sendo considerado o nível de significância de p < 0,05.

 

RESULTADOS

Participaram do estudo 29 homens, com 60 anos de idade ou mais, tendo em média 66,6 (± 4,3) anos, em sua maioria, aposentados, com média de massa corporal de 73,3 (± 10,48) kg.

Reprodutibilidade

O valor obtido na correlação de Spearman foi de rs = 0,95, que indica boa estabilidade entre as medidas (teste/reteste), com resultado estatisticamente significativo (p < 0,01).

Concordância de medidas de atividades físicas entre o teste e o reteste do IPAQ, segundo o procedimento de Bland e Altman(16), em homens idosos, pode ser visualizada na figura 1.

 

 

Nas abscissas, estão relatados os valores médios entre as variáveis e, nas ordenadas, apresentadas as diferenças individuais entre os resultados dos instrumentos. Esse procedimento de análise foi proposto por Bland e Altman(16) e permite visualizar as diferenças entre as médias e os limites extremos de concordância (± 2DP da diferença), apresentados pelos diferentes instrumentos aplicados e analisados. A disposição gráfica apresenta média variação entre os desvios-padrões. As diferenças entre as médias da aplicação do teste e reteste aproximam-se das médias entre as aplicações do questionário. No entanto, observa-se variação moderada no gasto calórico entre as aplicações.

O intervalo de confiança (± 2DP) entre a aplicação do IPAQ teste e reteste foi de 7,29 a –14,0 (kcal/min). Esses resultados demonstram variabilidade individual quanto às concordâncias de aplicação do questionário.

Validade

A tabela 1 mostra o percentual de concordância, o índice kappa e a correlação de Spearman na avaliação da validade concorrente do IPAQ e as medidas de atividades físicas obtidas com os dados do pedômetro e DAF.

 

 

O percentual de concordância entre o IPAQ x pedômetro (62%) e o IPAQ x DAF (69%) foi bom.

A correlação de Spearman e o índice kappa entre o IPAQ x pedômetro, (rs = 0,24; k = 0,03) e o IPAQ x DAF (rs = 0,38; k = 0,35) foram baixos. Entretanto, entre o IPAQ x DAF houve diferença estatisticamente significante (p < 0,05).

Os diagramas de dispersão com a plotagem dos valores médios dos gastos calóricos do pedômetro e IPAQ e do DAF e IPAQ podem ser observados nas figuras 2 e 3.

 

 

 

 

A disposição gráfica nas figuras 2 e 3 apresenta grande variação entre os desvios-padrões, observando-se grande variação no gasto calórico, utilizando um ou outro instrumento. As diferenças médias entre os instrumentos deveriam aproximar-se das médias entre os instrumentos o máximo possível. Embora isso tenha acontecido, a maioria dos idosos se manteve dentro dos dois desvios-padrões estipulados.

 

DISCUSSÃO

Reprodutibilidade – Conforme os dados apresentados no relatório parcial do Comitê Executivo para avaliação do IPAQ(13), diversos estudos realizados com amostras provenientes de 12 países apresentam resultados inferiores aos encontrados neste estudo, cuja correlação de Spearman foi de rs = 0,95, que indica boa estabilidade entre as medidas de teste e reteste. Em relação à estimativa do nível de atividade física total, Craig et al.(13) verificaram que os índices de correlação de Spearman variaram – rs = 0,46 na África do Sul e rs = 0,92 na Itália – enquanto no Brasil esse índice chegou a rs = 0,69(13). A reprodutibilidade por meio da correlação de Spearman, do questionário IPAQ, versão curta, auto-administrado, aplicado em adolescentes de ambos os sexos, oscilou entre 0,49 e 0,83(17).

No presente estudo, o intervalo de confiança (± 2DP) entre o teste e reteste do IPAQ oscilou entre 7,29 e –14,0 (kcal/min). Esses resultados demonstram a variabilidade individual moderada. Quanto maior a amplitude observada entre os limites de intervalos de confiança, menor a reprodutibilidade do instrumento.

Validade – Os dados encontrados na tabela 1 indicam que o coeficiente de concordância (%) entre o IPAQ e os resultados do pedômetro e do DAF é bom.

Os resultados do índice kappa (k) e da correlação de Spearman são baixos, tanto para mensurações do IPAQ x pedômetro, quanto para o IPAQ x DAF. Desse modo, pôde-se constatar que tais resultados corroboram as evidências já apresentadas em outros estudos(8-10,17) e coincidem com os indicadores apresentados no relatório parcial do Comitê Executivo de avaliação do IPAQ(13).

Quando comparados os resultados do IPAQ aplicado em homens idosos com os resultados em mulheres idosas, o coeficiente de concordância com o pedômetro e DAF foi de mesma magnitude (IC = 63%-68%, respectivamente). O índice kappa (k) também foi semelhante em mulheres com o pedômetro (k = 0,27) e com o DAF (mulheres – k = 0,37), não tendo muita variabilidade nos dados(12).

É oportuno destacar que a avaliação do nível de atividade física obtida com a utilização do IPAQ considera as atividades usuais do idoso, enquanto as informações obtidas por meio do pedômetro apresentam limitações em seu uso, uma vez que este registra apenas certos tipos de atividades, o que poderia não refletir o comportamento habitual desses idosos. A mesma limitação também pode ser encontrada ao comparar os dados do IPAQ e do DAF, pois a coleta dos dados deste último depende do registro do comportamento, em determinado período de observação, o que poderia, também, mascarar o comportamento típico. Apesar disso, devido à inexistência de alternativas acessíveis a esses procedimentos, esses instrumentos têm sido amplamente empregados(18-21).

A correlação de Spearman dos indicadores de validade concorrente, entre as medidas obtidas através do IPAQ e do pedômetro, foi de rs = 0,24 (p = 0,20). Já, comparando as medidas do IPAQ com as medidas obtidas por meio do DAF, o índice foi superior, rs = 0,38 (p = 0,04), ainda que baixo, porém estatisticamente significante. Mesmo não sendo o valor desejado, esses resultados coincidem com os relatados pelo Comitê Executivo para avaliação do IPAQ(13) e com os encontrados em mulheres idosas(12). Outros estudos que utilizaram sensores de movimento mais precisos (Computer Science & Aplications CSA) para obter medidas de referência para avaliação da validade concorrente, apresentaram, também, indicadores de validade modestos(14). Também foi verificada baixa correlação entre o IPAQ (curto, auto-administrado) e o DAF em adolescentes; a correlação foi de rs = 0,39 e o coeficiente kappa apresentou resultados análogos(17).

Observa-se baixa correlação entre o IPAQ e o pedômetro. O percentual de concordância foi de 62%, mas o índice kappa foi baixo e não significante.

As diferenças médias entre os instrumentos deveriam aproximar-se o máximo possível. No entanto, verifica-se grande variação na estimativa do gasto calórico, utilizando um ou outro instrumento.

Observa-se nas figuras 2 e 3 um agrupamento entre os pontos. Em ambas as figuras os intervalos de confiança (± 2DP) entre o IPAQ e o pedômetro (514 a –767,1) e entre o IPAQ e o DAF (154 a –854), demonstram variabilidade individual alta, quanto às concordâncias de aplicação do questionário e os instrumentos padrões utilizados. Quanto maior a amplitude observada entre os limites dos intervalos de confiança, menor é a validade do instrumento avaliado. Assim, os resultados do presente estudo sugerem que o IPAQ pode ser um instrumento confiável, principalmente para discriminar dois grupos de atividades (mediana: mais e menos ativos).

Portanto, o IPAQ é um instrumento de medida aceitável para mensurar o nível de atividade física, em diferentes lugares e línguas, de fácil aplicação, baixo custo, para grandes populações e já testado em mais de 12 países, podendo ser utilizado para mensurar o nível de atividade física em idosos brasileiros.

 

CONCLUSÃO

Os resultados obtidos neste estudo indicam que o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ), forma longa, semana usual/normal, apresenta excelente nível de reprodutibilidade teste/reteste, quando avaliado por meio da correlação de Spearman e boa reprodutibilidade quando avaliado por meio da técnica de Bland e Altman. A fidedignidade foi superior à encontrada em estudos de validação e de reprodutibilidade, realizados no Brasil, com adultos jovens, adolescentes, indivíduos de meia-idade e mulheres idosas.

Com relação à validade concorrente, pode-se inferir que as concordâncias entre os instrumentos IPAQ e pedômetro e IPAQ e DAF são moderadas. Pode-se sugerir capacidade discriminatória satisfatória em dois grupos (mais ativos e menos ativos).

 

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Endereço para correspondência:
Tânia R. Bertoldo Benedetti
Rua Mediterrâneo, 204, apto. 202, Córrego Grande
88037-610 – Florianópolis, SC
Tels.: residência (48) 234-5100; UFSC (48) 331-9462
E-mail: trbbcds@yatech.net

Recebido em 12/9/05. Versão final recebida em 27/7/06. Aceito em 2/8/06.

 

 

Todos os autores declararam não haver qualquer potencial conflito de interesses referente a este artigo.

 

 

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