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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692

Rev Bras Med Esporte vol.13 no.2 Niterói Mar./Apr. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1517-86922007000200001 

ARTIGO ORIGINAL

 

Diagnóstico da aptidão física em escolares de alto nível socioeconômico: avaliação referenciada por critérios de saúde

 

 

Enio Ricardo Vaz RonqueI, II, IV; Edilson Serpeloni CyrinoI, II; Valfredo DóreaII, III; Helio Serassuelo JúniorI, II, V; Enori Helena Gemente GaldiIV; Miguel de ArrudaI, II, IV

IGrupo de Estudo e Pesquisa em Atividade Física e Exercício. Centro de Educação Física e Esporte. Universidade Estadual de Londrina
IIGrupo de Estudo e Pesquisa em Metabolismo, Nutrição e Exercício. Centro de Educação Física e Esporte. Universidade Estadual de Londrina
IIIDepartamento de Educação. Universidade Estadual da Bahia/Teixeira de Freitas
IVFaculdade de Educação Física. Universidade Estadual de Campinas
VEscola de Educação Física e Esporte. Universidade de São Paulo

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

A prática regular de atividades físicas sistematizadas na infância e na adolescência pode favorecer sobremaneira o desenvolvimento ou a manutenção de níveis adequados de aptidão física, reduzindo o risco de incidência de inúmeras disfunções crônico-degenerativas em idades precoces. Assim, o propósito deste estudo foi analisar a adiposidade corporal e o desempenho motor em crianças de alto nível socioeconômico, de acordo com uma avaliação referenciada por critérios de saúde. Para tanto, 511 escolares (274 meninos e 237 meninas) de sete a 10 anos, foram submetidos a medidas antropométricas de massa corporal, estatura e espessuras de dobras cutâneas (tricipital e subescapular) e aos seguintes testes motores: sentar e alcançar (SA), abdominal modificado (ABD) e corrida/caminhada de nove minutos (9MIN). As informações foram analisadas de acordo com os pontos de corte sugeridos pelo Physical Best (1988). Com relação à adiposidade corporal, verificou-se maior contingente de escolares acima (33% dos meninos e 15% das meninas, P < 0,01) do que abaixo (7% dos meninos e 15% das meninas, P < 0,01) dos critérios preestabelecidos. O comportamento observado nos diferentes testes motores empregados foi bastante semelhante em ambos os sexos, com exceção do SA, no qual uma proporção maior de meninas atendeu ao critério adotado (76% vs. 58%, P < 0,01). Por outro lado, o desempenho motor mais fraco foi identificado no teste 9MIN, no qual somente 27% dos meninos e 32% das meninas (P > 0,05) alcançaram os pontos de corte adotados. Quando analisados conjuntamente, constatou-se que somente 15% dos meninos e 21% das meninas (P > 0,05) apresentaram resultados satisfatórios nos três testes motores utilizados. A alta prevalência de crianças que se situaram acima do critério de saúde para quantidade de gordura corporal, associada à baixa proporção de sujeitos que atenderam aos critérios estabelecidos no conjunto dos testes motores utilizados, indica que o nível de aptidão física encontrado nos escolares investigados está bastante aquém do desejável. Os resultados sugerem a necessidade do desenvolvimento de programas de educação para a saúde que estimulem a participação mais efetiva de jovens em programas de exercícios físicos e esportes de diferentes naturezas, sobretudo no segmento escolar, no qual grande parte dos hábitos de vida são estabelecidos.

Palavras-chave: Estilo de vida. Adiposidade corporal. Desempenho motor. Testes motores. Crianças.


 

 

INTRODUÇÃO

A prática regular de atividades físicas sistematizadas pode contribuir para a melhoria de diversos componentes da aptidão física relacionada à saúde, como força, resistência muscular, resistência cardiorrespiratória, flexibilidade e composição corporal. Essas modificações podem favorecer, sobretudo, o controle da adiposidade corporal, bem como a manutenção ou melhoria da capacidade funcional e neuromotora, facilitando o desempenho em diversas tarefas do cotidiano e, conseqüentemente, proporcionando melhores condições de saúde e qualidade de vida mais adequada aos praticantes(1-2).

Em contrapartida, a redução dos níveis de atividade física habitual parece favorecer o desenvolvimento gradativo de inúmeras disfunções crônico-degenerativas, tais como obesidade, dislipidemias, diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão, dentre tantas outras, em idades cada vez mais precoces(3-7).

Assim, inúmeras investigações têm sido conduzidas, principalmente, em crianças e adolescentes, na tentativa de analisar o comportamento de indicadores da aptidão física relacionada à saúde, por meio de indicadores de adiposidade corporal e desempenho motor(8-14). Acredita-se que estudos dessa natureza possam fornecer valiosas informações para análise do estilo de vida adotado em diferentes sociedades, tanto no passado quanto no presente, além de possibilitar previsões para o futuro, principalmente no que tange aos aspectos relacionados à promoção da saúde e ao controle de doenças.

Entretanto, a maioria dos estudos envolvendo os diferentes componentes da aptidão física tem adotado, tradicionalmente, procedimentos de análise baseados em dados normativos(14-16), o que limita sobremaneira uma análise mais criteriosa das informações produzidas. Por outro lado, verifica-se na literatura que os poucos estudos que têm adotado abordagem de análise referenciada em critérios relacionados à saúde passaram a ser desenvolvidos, em sua grande maioria, somente a partir da última década(8,10-11). Esse fato parece plenamente justificável pela mudança brusca de paradigma que vem sendo observada mundialmente, sobretudo, na população jovem, devido ao interesse crescente por jogos, diversões e brincadeiras passivas que as fazem permanecer por diversas horas do dia diante de aparelhos de televisão e/ou microcomputadores(17-20).

Nesse sentido, as classes sociais que aparentemente vêm sendo mais atingidas por esse fenômeno, ou seja, as populações mais favorecidas economicamente, são aquelas que têm recebido menor atenção da comunidade científica brasileira especificamente, uma vez que grande parte dos estudos com crianças e adolescentes no Brasil tem investigado populações menos favorecidas economicamente(11-12), o que, indubitavelmente, apresenta grande relevância, partindo-se do pressuposto de que a maioria da população neste país, ainda, se enquadra nessa situação. Todavia, pesquisas sobre o comportamento de jovens, não somente de populações menos favorecidas economicamente, são fundamentais na perspectiva da promoção da saúde, uma vez que tais informações podem subsidiar ações de intervenção, em diferentes classes socioeconômicas, visando à melhoria da qualidade de vida das futuras gerações.

Com base nessas informações, o objetivo deste estudo foi analisar a adiposidade corporal e o desempenho motor em crianças de alto nível socioeconômico, de acordo com uma avaliação referenciada por critérios de saúde.

 

METODOLOGIA

Sujeitos

As informações apresentadas neste estudo fazem parte da coleta de dados inicial de um projeto de pesquisa mais amplo, de caráter longitudinal, intitulado "Análise do crescimento e da aptidão física relacionada à saúde em escolares de alto nível socioeconômico", que vem sendo realizado no município de Londrina (PR), Brasil.

Para a seleção da amostra foi realizado, inicialmente, um levantamento para identificação do número de escolares matriculados na rede particular de ensino desse município, ao longo do ano letivo de 2002. De acordo com o setor de estatística do Núcleo Regional de Ensino da Secretaria de Educação do Estado do Paraná, estavam matriculados, somente na região urbana, 15.778 estudantes, sendo 1.551 no ensino pré-escolar (9,8%); 3.874 no primeiro e segundo ciclos do ensino fundamental I (24,0%); 4.134 no terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental II (26,2%); 3.976 no ensino médio (25,2%); 46 no ensino normal (0,3%); 1.857 no ensino técnico (11,8%) e 430 no ensino supletivo (2,7%).

Com base nessas informações, uma escola da região central foi selecionada de forma intencional, uma vez que atendia aos critérios estabelecidos para o desenvolvimento do presente estudo quanto ao nível socioeconômico, possuía um número expressivo de escolares matriculados na rede particular de ensino do município (~15%) e apresentava infra-estrutura adequada para a coleta de dados.

Assim, a amostra foi composta por 511 escolares (274 meninos e 237 meninas), na faixa etária dos sete aos 10 anos. Portanto, considerando os dados apresentados anteriormente, 13,2% do total de estudantes matriculados na rede de ensino particular do município de Londrina nessa faixa etária foram investigados.

Os grupos etários foram estabelecidos em idades decimais conforme os procedimentos descritos por Ross e Marfell-Jones(21). Para o agrupamento por idade foram utilizados os intervalos de 0,50 a 0,49 convencionados com o sinal ±, de acordo com Eveleth e Tanner(22). A distribuição da amostra, de acordo com sexo e idade, é apresentada na tabela 1.

 

 

Todos os responsáveis pelos escolares, após serem informados sobre o propósito da investigação e os procedimentos a serem adotados, assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido. Este estudo foi desenvolvido em conformidade com as instruções contidas na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde para estudos com seres humanos, do Ministério da Saúde, sendo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Londrina.

Apesar das informações preliminares fornecidas pelo próprio estabelecimento de ensino de que a maioria dos estudantes pertencia às classes média alta e alta, para a classificação do nível socioeconômico foi aplicado um questionário desenvolvido pela ABA/ABIPEME e adaptado por Almeida e Wickerhauser(23), com escalas de classificação subdivididas em cinco categorias (A, B, C, D, E), de acordo com o grau de instrução dos pais e os bens de consumo familiar. Com base nesse instrumento, os participantes deste estudo foram classificados como pertencentes ao nível socioeconômico elevado (categorias A e B).

Antropometria

A massa corporal dos sujeitos foi obtida em uma balança digital, da marca Filizola, com precisão de 0,05kg, e a estatura foi determinada em um estadiômetro de madeira, com precisão de 0,1cm, de acordo com os procedimentos descritos por Gordon et al.(24). A partir dessas informações, o índice de massa corporal (IMC) foi determinado.

Como indicador de adiposidade corporal foi utilizado o somatório das medidas de espessuras das dobras cutâneas tricipital (TR) e subescapular (SE). Tais medidas foram realizadas por um único avaliador com um adipômetro científico da marca Lange (Cambridge Scientific Industries, Inc., Cambridge, Maryland), conforme os procedimentos descritos por Harrison et al.(25). O coeficiente teste-reteste excedeu 0,95 para cada um dos pontos anatômicos com erro de medida de no máximo 5%. Todas as medidas foram tomadas de forma rotacional e replicadas três vezes, sendo registrado o valor mediano.

Testes motores

Os escolares investigados foram submetidos a uma bateria de testes motores obedecendo à seguinte seqüência: sentar e alcançar (SA), como indicador da flexibilidade; abdominal modificado de um minuto (ABD), como indicador da força/resistência muscular; e corrida/caminhada de nove minutos (9MIN), como indicador da aptidão cardiorrespiratória, seguindo as padronizações descritas pela AAPHERD(26). Os testes foram aplicados por uma equipe de avaliadores experientes e treinados previamente; um único avaliador foi responsável pelo registro das informações em cada teste, na tentativa de evitar erros aleatórios. Para a análise quanto ao atendimento dos aspectos relacionados à saúde, foram utilizados os critérios sugeridos pelo Physical Best(26).

Análise estatística

Inicialmente, os dados foram tratados a partir de procedimentos descritivos, com as informações sendo processadas no pacote computacional STATISTICA, versão 5.1. Análise de variância (ANOVA-two way) foi utilizada para as comparações entre os sexos, nas diferentes idades. O teste post hoc de Scheffé foi empregado para a identificação das diferenças específicas nas variáveis em que os valores de F encontrados foram superiores ao critério de significância estatística estabelecido (P < 0,05). Tabelas de freqüências percentuais foram estabelecidas para verificar a proporção de escolares que atenderam aos critérios de saúde. Para as comparações entre duas proporções foi aplicado o teste de significância para diferenças entre proporções.

 

RESULTADOS

A tabela 2 apresenta as características antropométricas dos escolares investigados, de acordo com sexo e idade cronológica. Uma interação entre idade e sexo foi encontrada somente para a estatura (P < 0,05). Por outro lado, um efeito isolado do sexo (P < 0,01) foi identificado na massa corporal e no IMC, com os meninos apresentando valores mais elevados do que as meninas. Em contrapartida, o efeito da idade (P < 0,05) foi observado em todas as variáveis, sendo os valores médios crescentes com o avançar da idade. As diferenças observadas entre sete e 10 anos foram na ordem de 46,5% e 34,6%, na massa corporal; 13,5% e 11,6%, na estatura; e de 7,8% e 8,4%, no IMC; em meninos e meninas, respectivamente.

 

 

A figura 1 apresenta a proporção (%) de escolares que se situaram abaixo (A) e acima (B) dos critérios estabelecidos pelo referencial adotado, para medidas de espessuras de dobras cutâneas, de acordo com o sexo e idade. Tanto para os meninos quanto para as meninas, verificou-se maior proporção de escolares acima do que abaixo dos critérios adotados para saúde, com exceção dos valores encontrados nas meninas aos sete e oito anos. Embora os resultados indiquem que por volta de 60% dos meninos e 70% das meninas atenderam aos critérios estabelecidos, uma redução no contingente de meninas situadas abaixo, concomitantemente com o aumento daquelas que se situaram acima do critério estabelecido, foi observada a partir dos nove anos. Vale ressaltar que cerca de 45% dos meninos e 24% das meninas apresentaram quantidades de gordura corporal excessiva aos 10 anos.

 

 

Na figura 2 é apresentada a proporção de escolares que atingiram os critérios estabelecidos para cada teste motor investigado, bem como para o conjunto dos testes motores realizados.

 


 

Os resultados encontrados no teste SA indicaram que um número maior de meninas do que de meninos (P < 0,001) atingiu os critérios estabelecidos (76% vs. 58%, respectivamente), apesar de que entre as faixas etárias somente foram verificadas diferenças aos nove anos (P < 0,01). Em relação à idade, tanto no caso das meninas quanto para os meninos, houve estabilidade no número de escolares que alcançaram os pontos de corte preestabelecidos, com exceção dos meninos aos 10 anos (67%) e das meninas aos nove anos (82%), que apresentaram valores superiores (figura 2A).

Da mesma forma, no teste ABD (figura 2B) também houve estabilidade na proporção dos escolares que atenderam aos critérios propostos, de acordo com as faixas etárias, em ambos os sexos, com exceção dos meninos aos sete anos, quando uma maior proporção de sujeitos (81%) atendeu aos critérios. Por volta de 67% dos meninos e 64% das meninas alcançaram o número de repetições mínimas proposto pelo referencial adotado.

Em contrapartida, no teste 9MIN constatou-se acentuada diminuição na prevalência de escolares, de ambos os sexos, nas diferentes faixas etárias que atenderam aos critérios propostos(22) (27% e 32%, do total de meninos e meninas, respectivamente). Contudo, nenhuma diferença estatisticamente significativa foi verificada entre os sexos (P > 0,05). Vale ressaltar que esse foi o teste em que se verificou comportamento mais variável entre os meninos (figura 2C).

A figura 2D apresenta a prevalência de escolares que atenderam, simultaneamente, aos critérios de saúde estabelecidos pela proposta adotada(22) nos três testes investigados. Verificou-se que somente 15% dos meninos e 21% das meninas conseguiram atingir o patamar desejado, além do que nenhuma diferença estatisticamente significativa (P > 0,05) foi identificada entre os sexos, de acordo com a faixa etária.

 

DISCUSSÃO

Inúmeros pesquisadores têm investigado o impacto da prática regular de atividades físicas sistematizadas na perspectiva da promoção da saúde, bem como do controle de inúmeras disfunções metabólicas. Muitos desses advogam que a adoção de um estilo de vida fisicamente ativo pode produzir importantes modificações em diversos componentes da aptidão física relacionada à saúde (força e resistência muscular, flexibilidade, resistência cardiorrespiratória, composição corporal), o que, por sua vez, pode proporcionar redução na incidência de muitas doenças que tendem a comprometer sobremaneira a qualidade de vida do ser humano(8,27-28). Portanto, de forma semelhante a outros comportamentos de risco, tais como tabagismo, alcoolismo e hábitos alimentares inadequados, o estilo de vida tipicamente sedentário tem sido considerado um importante fator de risco à saúde em adultos, bem como em crianças e adolescentes, de ambos os sexos, em diferentes faixas etárias(29).

Partindo desse pressuposto, jovens que cultivam hábitos de vida pouco saudáveis durante a infância e a adolescência, que incluem desde baixos níveis de atividade física habitual até alimentação de baixo valor nutritivo e alto valor energético, parecem possuir maior predisposição para o aparecimento de diversas disfunções metabólicas em idades precoces(30), além do que existem fortes indícios de que os hábitos construídos nessa fase da vida, via de regra, permanecem ao longo de toda vida, o que pode desencadear uma geração futura de adultos inativos fisicamente, sobrepesados e obesos(31-32).

Dessa forma, investigar o comportamento de componentes da aptidão física em jovens pode propiciar importantes informações para a adoção de políticas públicas que possam favorecer a melhoria da qualidade de vida e do estado geral de saúde da população, tanto no presente quanto no futuro.

Todavia, uma das grandes dificuldades para a interpretação das informações produzidas em estudos que envolvem diferentes componentes da aptidão física, na perspectiva relacionada à saúde, tem sido definir pontos de corte que reflitam verdadeiramente condições satisfatórias ou não.

Ao consultar a literatura, observam-se algumas iniciativas na tentativa de estabelecer critérios que indiquem padrões satisfatórios de aptidão física, com relação ao desempenho motor e a quantidade de gordura corporal, sobretudo em jovens, a partir de 1980. Dentre essas iniciativas, uma das que têm recebido grande aceitação pela comunidade científica internacional, ainda hoje, é a proposta pela AAHPERD(26) denominada Physical Best(8-11,33), uma vez que apresenta critérios de referência padronizados que possibilitam a avaliação da aptidão física relacionada à saúde, de acordo com idade e sexo.

Vale destacar que no presente estudo, embora os testes aplicados tenham seguido as recomendações da AAHPERD(26), a bateria de testes e medidas utilizadas, por questões operacionais, contemplou apenas parte da bateria completa sugerida para avaliação de crianças.

Em estudo recente, Ronque et al.(34), com dados obtidos neste mesmo projeto de pesquisa, verificaram prevalência de 19% de sobrepeso e 14% de obesidade entre escolares de alto nível socioeconômico, com os dados sendo obtidos a partir da análise dos valores de IMC, baseados nas curvas de referência do NCHS. Todavia, a Organização Mundial da Saúde(35) tem sugerido o uso da espessura das dobras cutâneas tricipital e subescapular, de forma associada ao IMC, para o diagnóstico do excesso de gordura corporal, uma vez que o IMC de maneira isolada apresenta baixa sensibilidade para a avaliação de crianças e adolescentes. Dessa forma, a utilização do somatório da espessura dessas duas dobras cutâneas como indicador de adiposidade sugerida pela AAHPERD(26) apóia-se, sobretudo, nessa recomendação.

Com base nesse referencial, os resultados do presente estudo indicaram que ~7% dos meninos e ~15% das meninas possuíam quantidade de gordura corporal abaixo dos critérios de saúde adotados, ao passo que ~33% e ~15% dos meninos e das meninas, respectivamente, demonstraram valores acima desses critérios. Considerando que o excesso de gordura corporal está relacionado ao aumento na incidência de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, dislipidemias e, principalmente, obesidade(36-37), acredita-se que pelo menos 25% dos jovens investigados possam estar expostos a maior risco para o desenvolvimento dessas disfunções metabólicas. Por outro lado, as baixas quantidades de gordura corporal, também observadas em parte da amostra, podem favorecer o desenvolvimento de importantes distúrbios metabólicos, como a desnutrição protéico-energética, comprometendo o processo evolutivo dessas crianças(38-39).

A maior proporção de crianças de alto nível socioeconômico localizadas acima do que abaixo dos critérios de saúde adotados por este estudo, com relação à adiposidade corporal, sugere que, provavelmente, a principal causa desse fenômeno seja a adoção de hábitos de vida inadequados que podem, sobretudo, incluir baixos níveis de atividade física diária e/ou consumo inadequado de alimentos (quantidade e/ou qualidade). Infelizmente, a falta de controle dessas variáveis na presente investigação não possibilitou a confirmação ou não dessas hipóteses.

Vale ressaltar que ambas as condições (sobrepeso/obesidade e desnutrição) encontradas nas crianças estudadas têm sido frequentemente observadas em famílias brasileiras, uma vez que em 11% das famílias residentes no país coexistem condições de baixo peso e sobrepeso; 45% das famílias com pelo menos um membro com baixo peso também possuem um membro com sobrepeso(40).

Quanto ao desempenho motor nos três testes motores utilizados (SA, ABD e 9MIN), foi observado comportamento bastante distinto entre os indicadores de aptidão neuromuscular, tanto de meninos quanto de meninas.

Nos testes SA e ABD, verificou-se que, em média, mais do que 60% das crianças investigadas conseguiram atender aos critérios estabelecidos. Dessa forma, considerando que esses testes podem proporcionar valiosas informações relacionadas aos níveis de flexibilidade (SA) e de força/resistência muscular de tronco (ABD), acredita-se que o comportamento observado nessa parcela dos sujeitos analisados possa oferecer algum tipo de proteção, principalmente contra lombalgias e desvios posturais, além de estar associado à melhoria do desempenho em muitas tarefas diárias(41). Entretanto, esses resultados devem ser analisados com cautela, uma vez que os pontos de corte recomendados pelo Physical Best(26) para esses testes refletem, única e exclusivamente, as experiências e os julgamentos de alguns especialistas(8), o que tem sido motivo de calorosas discussões acadêmicas.

Nesse sentido, Cardon et al.(42), após investigarem possíveis associações entre indicadores de aptidão física e presença de dores na coluna e pescoço em 749 escolares (367 meninos e 382 meninas), com idade média de 10 anos, não encontraram nenhuma diferença que pudesse ser atribuída aos níveis de aptidão física. Por outro lado, Payne et al.(43), em uma amostra composta por 233 homens e 287 mulheres, de diferentes faixas etárias (15 a 69 anos de idade), verificaram que os melhores resultados no movimento de flexão do tronco foram obtidos pelos indivíduos que não relataram histórico de dores na coluna, em comparação com aqueles que reportaram possuir essa sintomatologia (P < 0,05).

Ao confrontar os resultados observados no presente estudo com outros realizados no Brasil, pudemos verificar que a proporção de sujeitos que atenderam aos critérios estabelecidos para o teste SA foi similar à de outros estudos desenvolvidos no Brasil(8,11). Por outro lado, em relação ao teste ABD, a proporção de indivíduos que alcançaram os critérios foi semelhante(8) ou superior(11) aos valores relatados por esses estudos.

Em contrapartida, com relação ao teste de 9MIN foi observada baixa proporção de escolares que conseguiram atender aos critérios adotados na presente investigação. É importante salientar que muitos estudos epidemiológicos têm demonstrado a importância da manutenção de níveis adequados de resistência cardiorrespiratória como fator de proteção a inúmeros fatores de riscos a saúde relacionados ao aparecimento e desenvolvimento de disfunções crônico-degenerativas(44-45).

Embora os níveis de atividade física habitual não tenham sido controlados no presente estudo, os resultados encontrados no teste de 9MIN indicam que, provavelmente, o nível de atividade física habitual da maior parte das crianças investigadas seja, realmente, relativamente baixo, uma vez que existem evidências de que a aptidão cardiorrespiratória apresenta estreita relação com os níveis de atividade física em crianças(46).

Considerando que os sujeitos avaliados poderiam ou não atingir os critérios estabelecidos em cada um dos testes utilizados, buscou-se neste estudo avaliar, também, a proporção de crianças que atenderam simultaneamente aos critérios estabelecidos para o conjunto dos três testes motores estudados. Com base nesse referencial, os resultados indicaram redução acentuada na proporção de escolares, de ambos os sexos, que apresentaram índices satisfatórios de aptidão física relacionada à saúde (15% dos meninos e 21% das meninas).

Apesar de o presente estudo apresentar algumas limitações importantes, como a falta de controle dos níveis de atividade física habitual, bem como a falta de informações sobre os hábitos nutricionais dos sujeitos investigados, os resultados encontrados são bastante preocupantes, visto que sugerem que grande parte das crianças analisadas parece estar adotando, em idades precoces, comportamentos tipicamente sedentários. Além disso, existem fortes indícios de que tal comportamento, quando incorporado na infância e na adolescência, tende a ser preservado na idade adulta, comprometendo sobremaneira os níveis de saúde e qualidade de vida em um futuro próximo(1,16).

 

CONCLUSÕES

Os resultados do presente estudo indicaram maior prevalência de crianças de alto nível socioeconômico acima (~25%) do que abaixo (~11%) dos critérios de saúde estabelecidos para a variável adiposidade corporal. Portanto, os resultados sugerem maior predisposição desses jovens para o desenvolvimento do sobrepeso e da obesidade do que para a desnutrição e, conseqüentemente, maiores riscos para a saúde associados a esse comportamento.

Por outro lado, as informações produzidas por este estudo, com base no desempenho motor verificado nos três testes analisados (SA, ABD e 9MIN), indicaram que apenas um baixo contingente das crianças investigadas (~17%) conseguiu atingir os pontos de corte preestabelecidos para um nível satisfatório de aptidão física relacionada à saúde.

Para finalizar, os resultados encontrados indicam que, apesar da condição socioeconômica favorável, as crianças estudadas parecem estar incorporando comportamentos de risco à saúde em idades precoces, o que sugere a necessidade da implantação de políticas públicas voltadas a educação para a saúde já nas fases iniciais da escolarização (educação básica), uma vez que grande parte dos hábitos de vida começa a ser construída nessa fase.

De acordo com os achados e as limitações do presente estudo, sugerimos que futuras investigações incorporem informações referentes aos hábitos nutricionais e ao nível de atividade física habitual, bem como proporcionem acompanhamento desses indicadores ao longo do tempo, desde a infância até a idade adulta.

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem as bolsas concedidas pelo CNPq.

 

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Endereço para correspondência:
Enio Ricardo Vaz Ronque
Grupo de Estudo e Pesquisa em Atividade Física e Exercício
Centro de Educação Física e Esporte
Universidade Estadual de Londrina
Rod. Celso Garcia Cid, km 380, Campus Universitário
86051-990 Londrina, PR — Brasil
E-mail: enioronque@uel.br

Recebido em 4/7/05.
Versão final recebida em 13/11/06.
Aceito em 9/12/06.

 

 

Todos os autores declararam não haver qualquer potencial conflito de interesses referente a este artigo.