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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692

Rev Bras Med Esporte vol.14 no.1 Niterói Jan./Feb. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S1517-86922008000100012 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Efeitos do exercício físico sobre o trato gastrintestinal

 

Effects of physical exercise on the gastrointestinal tract

 

 

Claudio Andre Barbosa de LiraI; Rodrigo Luiz VanciniI; Antonio Carlos da SilvaI; Viviane Louise Andree NouailhetasII

ICentro de Estudos de Fisiologia do Exercício (CEFE) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
IIDepartamento de Biofísica da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O impacto do exercício sobre o trato gastrintestinal (TGI), apesar de pouco investigado, é uma área de grande interesse. O exercício aeróbio intenso e de longa duração pode provocar sintomas gastrintestinais. Estes podem ser divididos em sintomas superiores (vômitos, náuseas e pirose retroesternal - azia) e inferiores (diarréia, cólica abdominal, perda de apetite, sangramento, aceleração dos movimentos intestinais e vontade de defecar). A etiologia desses sintomas durante o exercício é multifatorial e inclui a redução do fluxo sanguíneo intestinal, a liberação de hormônios gastrintestinais, o estresse mecânico sobre o TGI, a desidratação, os fatores psicológicos, a idade, o sexo, a dieta e o nível de treinamento do indivíduo. Por outro lado, o exercício de baixa intensidade tem efeito protetor sobre o TGI, principalmente com relação à predisposição a certas doenças como o câncer de cólon, a diverticulite, a colelitíase e a constipação. Diversos mecanismos são postulados para explicar os efeitos do exercício sobre o TGI, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas no tratamento de indivíduos com sintomas e doenças gastrintestinais.

Palavras-chave: exercício, trato gastrintestinal, sintomas gastrintestinais e doenças gastrintestinais.


ABSTRACT

The impact of exercise on the gastrointestinal tract (GI tract), although being little investigated, is a field of high interest. Intense endurance aerobic exercise can lead to gastrointestinal symptoms. These symptoms can be classified into upper symptoms (vomiting, nausea and retrosternal pyrosis - heartburn) and lower symptoms (diarrhea, abdominal cramps, loss of appetite, bleeding, accelerated bowel transit time, urge to defecate). These symptoms’ etiology during exercise is multifactorial and includes: reduction of intestinal blood flow, release of gastrointestinal hormones, mechanical stress on the GI tract, dehydration, psychological factors, age, gender, diet, and training status. On the other hand, low intensity exercise has a protective effect on the GI tract; mainly, with certain diseases, such as, colon cancer, diverticular disease, cholelithiases, and constipation. A variety of mechanisms have been postulated to explain the effects of exercise on the GI tract, contributing to the development of therapeutic strategies in the treatment of patients with gastrointestinal symptoms and diseases.

Keywords: exercise, gastrointestinal tract, gastrointestinal symptoms, and gastrointestinal diseases.


 

 

INTRODUÇÃO

Tradicionalmente, as pesquisas envolvendo a fisiologia do exercício se concentram nas respostas e adaptações dos sistemas respiratório, cardiovascular e muscular, já que muitos dos benefícios relacionados à saúde e qualidade de vida com a prática regular de exercício são decorrentes de respostas e adaptações nestes três sistemas orgânicos. Por outro lado, o exercício também exerce influência sobre outros sistemas que não estão diretamente relacionados com sua execução, tais como, o sistema imune(1,2) e o trato gastrintestinal (TGI)(3).

Neste contexto, o impacto do exercício sobre o TGI, apesar de pouco explorado, é uma área de grande interesse. A partir do início da década de 80, vários pesquisadores passaram a investigar os efeitos do exercício sobre o TGI por meio de estudos clínicos e epidemiológicos, principalmente com relação aos sintomas maléficos(3,4). Recentemente, entretanto, tal interesse tem sido focado sobre os potenciais benefícios do exercício sobre o TGI, tais como a diminuição da prevalência de câncer de cólon e da constipação(4-6). Outro aspecto interessante e, pouco explorado, é o efeito do exercício sobre a reatividade intestinal. Recentemente, demonstramos, por meio de uma abordagem celular e funcional, que tanto o exercício agudo como o crônico alteram a reatividade do íleo(7-10). Sendo assim, o presente estudo teve como objetivo revisar os principais efeitos maléficos e benéficos do exercício no TGI e seus potenciais impactos sobre a saúde.

Efeitos maléficos do exercício sobre o TGI

O exercício predominantemente aeróbio e de longa duração, como aquele executado por maratonistas, triatletas e ciclistas, pode provocar sintomas gastrintestinais. A maioria dos trabalhos afirma que de 20 a 50% da população praticante de esportes de longa duração apresenta pelo menos um sintoma(11). Estes são divididos em sintomas superiores (vômitos, náuseas e pirose retroesternal - azia) e inferiores (diarréia, cólica abdominal, perda de apetite, sangramento, aceleração dos movimentos intestinais e vontade de defecar)(6,12-17).

A etiologia dos sintomas gastrintestinais durante o exercício é multifatorial e inclui a redução do fluxo sanguíneo intestinal, a liberação de hormônios gastrintestinais(11,18-24), o estresse mecânico sobre o TGI(25,26), a desidratação(27-29), os fatores psicológicos(30), a idade(31, 32), o sexo(13,22,31,32), a dieta(22,23,33,34) e o nível de treinamento do indivíduo(23).

Comentaremos a seguir as principais causas para o desenvolvimento de sintomas gastrintestinais em praticantes de exercícios de longa duração.

Redução do fluxo sanguíneo intestinal

A redução do fluxo sanguíneo intestinal durante o exercício é decorrente da vasoconstrição do leito vascular esplâncnico pela ação das catecolaminas sobre os receptores a-adrenérgicos(35) e/ou da ativação do sistema renina-angiotensina pela hipovolemia induzida pelo exercício decorrente da desidratação(36-42). Tal redução pode atingir níveis críticos, e ser agravada durante condições de hipertermia, desidratação, hipoglicemia, hipóxia, alterações da viscosidade sanguínea, deformabilidade e agregabilidade dos eritrócitos ou pela combinação destes fatores(5,23,43-45). Em particular, Rehrer et al(27,28) verificaram que a perda de 3,5 a 4,0% do peso corporal provocada pela desidratação durante o exercício está associada ao aumento da incidência de sintomas gastrintestinais.

No repouso, 90% do fluxo sanguíneo para o intestino é dirigido para a mucosa(46). Portanto, esta região é a mais susceptível para apresentar alterações em conseqüência da redução do fluxo sanguíneo intestinal durante o exercício(24,35). É sabido que a mucosa do TGI age como uma barreira entre os meios externo e interno, evitando a penetração de compostos antigênicos, carcinogênicos e tóxicos da luz intestinal para o fluido intersticial(24,47-49). Por outro lado, o comprometimento da mucosa pela redução do fluxo sanguíneo provocada pelo exercício aumenta a permeabilidade intestinal através das junções comunicantes (estruturas protéicas que permitem a passagem de íons e moléculas entre células justapostas). A passagem de compostos agressivos através das junções comunicantes estimula a migração de neutrófilos(48-52), que quando ativados disparam uma resposta imune local com geração de radicais livres e liberação de enzimas lisossomais, danificando ainda mais o epitélio intestinal(49,53). Essa seqüência de eventos contribui para potencializar o aumento da permeabilidade intestinal e da resposta inflamatória, ocasionando o desenvolvimento de sintomas gastrintestinais e, em alguns casos, até endotoxemia(49,52,54-56).

Também já foi demonstrado que atletas praticantes de atividades de longa duração, especialmente os ultramaratonistas, podem sofrer sangramento intestinal durante e após o exercício(12,57-60). Esta situação é decorrente da diminuição da oferta de oxigênio e nutrientes em conseqüência da redução do fluxo sanguíneo intestinal o que pode produzir desarranjo morfológico e funcional da mucosa e necrose de células gástricas(61), hepatócitos(62) e células intestinais(61,63-36). Embora tal perda de sangue pelo TGI seja transitória, pode causar perda clinicamente importante de ferro e anemia(4,66-68).

Hormônios gastrintestinais

Muitos hormônios associados com a função do TGI no repouso, responsáveis pela secreção, absorção e motilidade, têm suas concentrações plasmáticas alteradas durante o exercício e podem colaborar para o desenvolvimento de sintomas gastrintestinais. Entre eles podemos citar a colecistocinina, o peptídeo intestinal vasoativo (VIP), a secretina, o polipeptídeo pancreático, a somatostatina, o peptídeo histidina-metionina (PHM), o peptídeo YY, o peptídeo inibitório gástrico, a gastrina, o glucagon, a motilina, as catecolaminas, as endorfinas e as prostaglandinas(23,69-71).

O VIP, o PHM, a gastrina e a motilina são liberados em altas quantidades pelo intestino isquêmico(19,24). Estes peptídeos diminuem a absorção de íons sódio e aumentam o conteúdo intestinal, promovendo diarréia. Além disso, a secretina, o glucagon, o peptídeo inibitório gástrico e as prostaglandinas também são liberados na circulação sanguínea em decorrência do exercício exaustivo e são conhecidos por aumentar a secreção intestinal e, desse modo, causar diarréia(23,24).

A diarréia também pode resultar do relaxamento do cólon ocasionado pela queda da concentração plasmática de insulina e pelo aumento dos níveis de polipeptídeo pancreático. Concomitantemente, ocorre diminuição da pressão exercida pelo músculo do esfíncter interno, resultante do aumento do PHM e VIP(24). Além do mais, o tônus parassimpático durante o exercício moderado pode aumentar o trânsito intestinal por estimular a contração da musculatura lisa intestinal(12). Contrariando essa teoria, existe o fato destes sintomas gastrintestinais serem prevalentes em exercícios aeróbios e intensos, onde o tônus simpático é dominante, causando o relaxamento da musculatura lisa(12,24).

Fatores mecânicos

A estimulação mecânica sobre o TGI produzida pelo impacto proporcionado pelo exercício pode contribuir para o desenvolvimento de sintomas gastrintestinais, já que quando a mucosa intestinal é distendida e/ou friccionada libera VIP e prostaglandinas causando aumento da secreção intestinal e diarréia. Isto é corroborado pelo fato da freqüência desses sintomas ser aproximadamente duas vezes superior durante a corrida em comparação com o ciclismo e a natação, onde o impacto e a vibração mecânicos são menores(25,26,72). Além disso, já foi demonstrado que a hipertrofia do músculo psoas pode causar pressão contra o cólon e estimular o aumento da motilidade e da defecação(22).

Fatores psicológicos

A interação entre o cérebro e o intestino tem recebido muita atenção nas últimas décadas(73), pois a incidência de sintomas gastrintestinais relacionados ao estresse emocional têm sido descrita desde o início do século passado(74). Já foi demonstrado que o estresse emocional diminui o tempo de trânsito orocecal(75) e aumenta a atividade colônica(76). A presença de sintomas gastrintestinais em muitas situações tem sido atribuída a causas psicogênicas, tal como, a ansiedade e o estresse emocional(77). Segundo Sullivan, Wong(13), 32% dos atletas que se queixam de sintomas gastrintestinais, apresentam quadros de estresse emocional.

Outras causas

Outras causas para o aparecimento de sintomas gastrintestinais incluem a dieta, o gênero, a idade e o estado de treinamento do indivíduo.

Quanto à dieta, a ingestão de altas quantidades de suco de laranja, comidas gordurosas, proteína, vitamina C, bebidas hipertônicas de carboidratos, alimentos ricos em fibras e grandes refeições antes de competição predispõem à manifestação de sintomas gastrintestinais(22,23,33). Muito embora existam relatos que o consumo de cafeína antes do exercício possa aumentar a queixa de sintomas gastrintestinais, Van Nieuwenhoven et al(34) recentemente mostraram que as queixas dos sintomas gastrintestinais foram maiores em atletas que consumiram solução de carboidratos durante o exercício em comparação com a ingestão de água. Entretanto, quando se adicionou cafeína na solução de carboidrato, a queixa de sintomas gastrintestinais não foi diferente daquela comparada à solução de carboidrato.

Com relação ao gênero, a maioria dos trabalhos mostrou que os sintomas gastrintestinais são mais prevalentes em mulheres(13,22,31,32), especialmente no período menstrual. A idade também é um fator que influencia a incidência dos sintomas gastrintestinais, já que os atletas mais jovens e menos experientes são os mais acometidos, dado a menor vivência de treinamento(31,32).

Finalmente, quanto ao estado de treinamento, os indivíduos destreinados ou atletas que retornam ao treinamento após um período de inatividade apresentam maior incidência de sintomas gastrintestinais, principalmente com treinamento de alta intensidade(23).

Tratamento e prevenção

Algumas medidas podem otimizar a digestão e a absorção dos alimentos durante o exercício e reduzir a ocorrência dos sintomas gastrintestinais(23):

1. Aumentar apropriadamente o volume e a intensidade do treinamento;

2. Planejar o regime de hidratação durante as sessões de treinamento e a competição;

3. Evitar o consumo de soluções hipertônicas de carboidratos;

4. Evitar o consumo de dieta rica em fibras antes da competição;

5. Ingerir gorduras e proteínas com moderação antes da competição;

6. Evitar altas doses de vitamina C e bicarbonato;

7. Defecar e urinar antes do exercício;

8. Evitar o uso de drogas que atuem sobre o sistema gastrintestinal, tais como os antiinflamatórios não esteroidais;

9. Realizar exame gastroenterológico, caso haja queixa freqüente de sintomas gastrintestinais em repouso e durante o exercício.

Efeitos benéficos do exercício sobre o TGI

O exercício, principalmente o de baixa intensidade, tem efeito protetor sobre o TGI. Evidências recentes obtidas em nosso laboratório mostraram que a prática habitual de atividade física moderada protege o íleo de camundongos contra os efeitos do envelhecimento(8). O envelhecimento em camundongos produz espessamento da camada muscular do íleo, associado à desorganização parcial das mitocôndrias, entretanto nos animais exercitados, o envelhecimento não foi capaz de produzir tais efeitos histológicos(8).

Alguns estudos indicam uma relação inversa entre a atividade física e as doenças do TGI tais como, o câncer de cólon(78-81), a diverticulite(82), a colelitíase (cálculo na vesícula biliar)(83,84) e a constipação(85).

Em relação ao câncer de cólon, existem evidências consistentes de que homens e mulheres fisicamente ativos apresentam uma redução de cerca de 50% do risco de desenvolverem câncer de cólon(4,78,80,86,87). Esta redução acontece independente de outros fatores de risco, tais como a dieta e a composição corporal. A maioria dos autores sugere que existe uma relação dose-resposta já que foi demonstrado que o treinamento intenso confere maior proteção que o moderado(4,80,88). Por exemplo, no trabalho de Demarzo(89), foi demonstrado que o cólon de ratos submetidos ao exercício crônico apresentou redução estatisticamente significante na resposta hiperproliferativa a um agente carcinogênico em comparação ao cólon de animais do grupo controle. Em contrapartida, o exercício exaustivo aumentou significativamente tal resposta(90).

Um dos mecanismos postulado para a queda da prevalência de câncer de cólon pela atividade física é a redução do tempo de trânsito intestinal o que diminuiria o tempo de contato entre a mucosa do cólon e os possíveis compostos carcinogênicos presentes no conteúdo intestinal(80,87). Além do mais, a atividade física modula positivamente alguns fatores relacionados com o desenvolvimento do câncer de cólon, tais como, a disfunção do sistema imune, a dieta, a obesidade, a ação da insulina, os níveis de prostaglandinas e os triglicérides, os estoques de ferro e os mecanismos de defesa antioxidante(4,80,88).

Poucos estudos foram realizados em relação ao desenvolvimento de câncer em outros órgãos do TGI. Os estudos que envolveram o binômio exercício e câncer de estômago não chegaram a uma conclusão comum(91), como também não foi demonstrada uma relação entre exercício e prevenção de câncer de pâncreas ou reto(81-92). Até onde sabemos, não existem estudos para avaliar o impacto do exercício sobre o desenvolvimento do câncer de esôfago, ducto e vesícula biliar.

Assim como para o câncer de cólon, o exercício exerce um efeito protetor contra o desenvolvimento de colelitíase (cálculo biliar)(83,84), existindo uma clara relação dose-resposta entre atividade física e prevenção da colelitíase. Os mecanismos pelos quais o exercício pode modificar a patogênese da colelitíase são poucos conhecidos, porém a diminuição da secreção de colesterol biliar e o aumento da motilidade da vesícula biliar e do cólon são fatores postulados para a prevenção da colelitíase(93). Além disso, fatores como a tolerância à glicose, a concentração de insulina, os triglicérides e os hormônios reguladores da vesícula biliar, tais como a colecistocinina e os níveis baixos de lipoproteína de baixa densidade (LDL), são alterados pelo exercício e podem modificar favoravelmente a patogênese dessa doença(93,94).

Manousos et al(95) sugeriram que a atividade física poderia reduzir o risco de diverticulite, por mostrarem que esta patologia é mais prevalente entre pessoas sedentárias do que em pessoas fisicamente ativas. Mais recentemente, Aldoori et al(82) mostraram uma relação inversa entre a atividade física e o surgimento de diverticulite em um estudo de coorte em 47.678 pessoas durante quatro anos. O mecanismo postulado para a influência da atividade física na patogênese dessa doença é a diminuição do tempo de trânsito intestinal promovido pela atividade física(82,96-100).

Por fim, alguns estudos mostraram uma relação inversa entre constipação e atividade física(77,85,101). Karam, Nies(102) mostraram melhora do quadro de constipação e redução do uso de laxantes após a combinação de um programa de atividade física associada com dieta, porém o efeito do exercício isoladamente não foi avaliado. No entanto, o resultado desse estudo não foi confirmado por Meshkinpour et al(103) que não encontraram diferença entre o estado de constipação antes e após o treinamento aeróbio de baixa intensidade em 8 pacientes constipados. Assim, os resultados dos estudos são divergentes de tal modo que o exercício parece exercer um efeito sobre a constipação, porém as evidências ainda não são conclusivas.

Os prováveis mecanismos para os benefícios do exercício sobre o TGI incluem a alteração da motilidade do cólon, a diminuição do fluxo sanguíneo intestinal, o estresse mecânico produzido pela corrida sobre o intestino, a compressão do cólon pela musculatura abdominal e o aumento da ingestão de fibras como resultado do aumento do gasto energético(104,105). É importante ressaltar que grande parte dos fatores responsáveis pelos benefícios do exercício sobre o TGI são também os responsáveis pelos malefícios, portanto, existe uma relação dose-resposta e um limiar de intensidade que separa os dois efeitos sobre o TGI.

 

CONCLUSÃO

O efeito do exercício sobre a fisiologia humana tem recebido muita atenção nas últimas décadas, mas o TGI tem sido negligenciado. O exercício produz uma variedade de efeitos sobre o TGI que podem ter impacto negativo e/ou positivo. Neste contexto, diversos mecanismos são postulados para explicar os efeitos maléficos e benéficos do exercício sobre o TGI, tais como, a diminuição do fluxo sanguíneo intestinal, o estresse mecânico, a desidratação, a mudança no tempo de trânsito intestinal e a modulação do eixo neuro-imuno-endócrino. A combinação desses mecanismos, portanto, pode explicar os potenciais efeitos do exercício sobre o TGI e, desse modo, contribuir para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas para minimizar possíveis efeitos deletérios e/ou atuar como adjuvante no tratamento de indivíduos com doenças gastrintestinais.

 

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Endereço para correspondência:
Antonio Carlos da Silva
Departamento de Fisiologia
Universidade Federal de São Paulo
Rua Botucatu, 862, 5º andar
04023-062 São Paulo, SP, Brazil
Tel: +55-11-55764513, Fax: +55-11-55710171
E-mail: carlos.antonio@unifesp.br

Submetido em 21/09/2006
Versão final recebida em 31/10/2006
Aceito em 15/12/2006

 

 

Todos os autores declararam não haver qualquer potencial conflito de interesses referente a este artigo.