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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

versão impressa ISSN 1517-8692

Rev Bras Med Esporte vol.15 no.6 Niterói nov./dez. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1517-86922009000700013 

ARTIGO DE REVISÃO
CIÊNCIAS DO EXERCÍCIO E DO ESPORTE

 

Benefícios do treinamento aeróbio e/ou resistido em indivíduos HIV+: uma revisão sistemática

 

Benefits of aerobic and/or resistance training in HIV-positive patients: a systematic review

 

 

Hugo Fábio SouzaI; Débora Cristina MarquesII

IEducador Físico (graduado no Centro Universitário de Belo Horizonte, UNI-BH, Brasil). Especialista em atividade física para estados Especiais (Pós-graduação Latu Sensu, Faculdade UNI-BH, Brasil). Coordenador da Academia Corpo Posithivo, para portadores de HIV (Belo Horizonte/MG)
II Educadora Física (graduada no Centro Universitário de Belo Horizonte, UNI-BH). Especialista em atividade física para estados Especiais (Pós-graduação Latu Sensu, Faculdade UNI-BH)

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

A aids é uma doença crônica, caracterizada pela depleção dos linfócitos T, sendo o vírus HIV o seu agente causador. A sua infecção e tratamento farmacológico estão ligados às alterações físicas e fisiológicas, que podem diminuir a qualidade de vida. Sendo assim, o objetivo do estudo foi elaborar uma revisão sistemática sobre os estudos publicados no PubMed e Capes entre 1998 e 2008, com humanos soropositivos e que investigaram os impactos do treinamento aeróbio e/ou resistido nos aspectos fisiológicos, metabólicos, psicológicos, imunológicos e físicos. Foram discutidos protocolos que utilizaram apenas treinamento de força ou aeróbio e os que utilizaram ambos e a grande maioria encontrou resultados favoráveis às variáveis pesquisadas. Quanto ao modelo de prescrição para essa população, este deve ser composto por exercícios de força, de oito a 15 repetições máximas (trabalho de hipertrofia) e por exercícios aeróbios (contínuo ou intervalado), com duração de 20 a 60 minutos e intensidade variando de 50 a 85% da frequência cardíaca máxima ou 45-85% do consumo máximo de oxigênio, ambos três a cinco vezes por semana. Dessa forma, ao elaborar um programa de atividade física, é importante conhecer a atual condição física e fisiológica do indivíduo HIV+, para que a sua condição de esforço não seja superestimada ou subestimada.

Palavras-chave: HIV/aids, treinamento de resistência, exercício aeróbio, treinamento resistido, treinamento de força.


ABSTRACT

AIDS is considered a chronic disease, characterized for depletion of the lymphocyte T CD4+, caused by the HIV virus. The HIV infection and its pharmacological treatment are linked to physiological and physical disorders, which can induce to lower quality of life. Therefore, the purpose of this work was to elaborate a systematic review about studies published in Pubmed and Capes between 1998 and 2008, which investigated physiological, metabolic, psychological and immunological changes mediated by aerobic and strength training in seropositive individuals. Protocols which only used either aerobic or strength training and both of them were discussed. Most of the research found favorable results about those variables studied. Concerning the prescription model for this population, it should be composed of strength exercises, from 8 to 15 maximum repetitions (hypertrophy) and of aerobic exercises (continuous or interval) with duration of 20 to 60 minutes, the intensity must be between 50-85% of maximum heart rate or 45-80% of maximum oxygen consumption, both three to five times a week. Therefore, in order to develop a program of physical activity it is very important to know the present physical and physiological condition of the HIV+ subject, so that his exertion condition is not under or overestimated.

Keywords: HIV/AIDS, endurance training, aerobic exercise, resistance training, strength training.


 

 

INTRODUÇÃO

Aids (acquired immune deficiency syndrome) é uma doença crônica, caracterizada por profunda imunossupressão, gerando quadros clínicos como: hipotrofia muscular, degeneração do sistema nervoso central, processos malignos e infecções oportunistas(1-3). O agente etiológico é o HIV (vírus da imunodeficiência humana), que possui as glicoproteínas envoltoras, gp120 e gp41, promovendo a ligação por afinidade com as moléculas CD4+, instaurando, assim, a infecção(2,3). Em seguida, surgem os sintomas iniciais da infecção, os quais são extremamente comuns às demais doenças, tais como: febre persistente, calafrios, dor de cabeça, dor de garganta, dores musculares, manchas na pele e gânglios embaixo do braço, pescoço ou virilha(1,3).

Com o avanço da indústria farmacêutica, novas drogas têm sido desenvolvidas, a fim de reduzir a mortalidade e contribuir para melhor qualidade de vida para os HIV+. O tratamento farmacológico é comumente denominado: terapia antirretroviral (TARV), terapia antirretroviral potente (TARP) ou Highly active antiretroviral therapy (HAART) e o esquema terapêutico mais adotado é composto por três classes de medicamentos antirretrovirais: ITRN (ITRNt) ou inibidores da transcriptase reversa análogos de nucleosídeos; ITRNN ou inibidores da transcriptase reversa não análogos de nucleosídeos e/ou inibidor da protease ou IP(1,3-5).

Diante do quadro clínico criado pela própria infecção e/ou pelos efeitos adversos impostos pelos medicamentos antirretrovirais, tais como: imunossupressão, incapacidade funcional de trabalho, dislipidemias, hipotrofia muscular, lipodistrofia ou síndrome lipodistrófica, doenças arterocoronarianas, diabetes mellitus tipo 2, acidose láctica, depressão, o exercício físico como terapia coadjuvante ganhou muita atenção científica ao longo desses 10 anos(1,4,5-14).

Com base em diversos estudos científicos(13-26), um programa de atividade física bem orientado traz benefícios aos soropositivos, como: aumento de linfócitos T CD4+, aumento e manutenção do consumo máximo de oxigênio (VO2máx), aumento da resistência anaeróbia, aumento da massa e força muscular, redução do percentual de gordura, melhora no perfil lipídico, normalização do índice glicêmico, redução dos fatores de risco coronarianos, melhora da autoestima e qualidade de vida. Porém, as respostas desses indivíduos, tanto para os testes de esforço quanto para os treinamentos físicos, são diferenciadas em cada estágio da doença (assintomáticos, sintomáticos e aids)(13).

 

 

Sabendo da importância do exercício físico no combate dos sintomas causados pelo vírus HIV e os efeitos colaterais da TARV, este estudo irá discorrer sobre os impactos dos protocolos de treinamento aeróbio e/ou resistido, em indivíduos soropositivos, sobre os aspectos fisiológicos, metabólicos, físicos, psicológicos e sistema imune. O objetivo é oferecer informações indispensáveis para prescrição de atividades físicas adequadas ao estado clínico dos indivíduos HIV+.

 

MÉTODOS

Sistema de busca

Foram selecionados os estudos que estão indexados eletronicamente no PubMed e ao acesso livre da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

Foram utilizados os seguintes termos: exercise training and HIV disease, nos campos Title and Abstract.

Critérios de inclusão

Estudos publicados no período de 1998 até o primeiro semestre de 2008.

Humanos de ambos os sexos, HIV+, idade entre 18 e 65 anos, não portadores de diabetes, hipertensão e doenças coronarianas.

Que investigaram, pelo menos, uma das seguintes variáveis: CD4+, carga viral, VO2máx, lactato sanguíneo, composição corporal, perfil lipídico, força muscular e aspectos psicológicos.

E não utilizaram substâncias esteroides anabólicas ou similares.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados dos estudos que investigaram os benefícios do exercício físico em indivíduos soropositivos estão descritos abaixo e sintetizados nos quadros 2 e 3.

Efeitos do exercício no sistema imunológico

O estresse causado pelo exercício físico gera respostas agudas e crônicas, seja em indivíduos infectados ou não pelo HIV(27,28). As células do sistema imune, leucócitos, neutrófilos, monócitos e linfócitos aumentam durante e imediatamente após o exercício, sendo em maiores concentrações no esforço de alta intensidade e longa duração(27). Essas respostas corroboram o estudo realizado por Roubenoff et al.(29), que evidenciaram aumento nos neutrófilos circulantes duas horas após uma sessão de exercício em indivíduos infectados pelo HIV.

Perna et al.(23) realizaram um estudo durante 12 semanas e encontraram aumento significativo na contagem das células CD4+ no grupo de exercício. E ainda foi evidenciada redução significativa na contagem das células CD4+ no grupo controle e no grupo que não completou o protocolo de exercício. Em contrapartida, diversos estudos não encontraram diferenças significativas nas células CD4+(15,16,18,21,26). Alguns dos resultados desfavoráveis ao aumento das células CD4 podem ser devidos à diferença na triagem das amostras e no protocolo de treinamento. Em alguns estudos, 37% do grupo de exercício utilizavam drogas ilícitas e 58% faziam uso de bebidas alcoólicas(15), parte da amostra apresentou infecções durante o período da pesquisa(16) e outros não controlaram e nem quantificaram a intensidade do programa de treinamento(21).

A viremia, quantidade de vírus circulante no sangue, está associada à progressão da doença e deterioração do sistema imune no indivíduo infectado(26). Vários estudos não encontraram mudanças nessa variável em resposta ao exercício(18,21,35,37). No entanto, Roubenoff et al.(29) acharam redução estatisticamente significativa, porém não biológica, na carga viral duas horas após exercício.

Efeitos do exercício na capacidade funcional

Em indivíduos HIV+ sintomáticos e com aids ocorre redução na capacidade de esforço, no consumo máximo de oxigênio (VO2máx) e na frequência cardíaca de reserva, o que faz necessária assiduidade maior em programa de atividade física, a fim de amenizar tais sintomas(32).

Os autores(18,23,30) constataram melhora significativa no VO2máx apenas no grupo exercício. Em contrapartida, Baigis et al.(15) não encontraram mudanças significativas nessa variável. No entanto, os próprios autores questionam o protocolo utilizado, composto inicialmente por três sessões semanais com duração de 20 minutos, mas que, devido à baixa assiduidade, foram reduzidas para duas, portanto, abaixo do recomendado(31).

Stringer et al.(26) apresentaram resultados significativos com relação ao limiar anaeróbio após seis semanas de treinamento, tanto no grupo moderado quanto no grupo intenso, e aumento no VO2máx apenas no grupo exercício intenso.

Com relação ao lactato sanguíneo em repouso, houve redução significativa após 16 semanas de exercício aeróbio leve, relatado no estudo de Thöni et al.(32).

Efeitos do exercício na composição corporal e perfil lipídico

O tratamento farmacológico do vírus HIV tem sido associado a diversas alterações metabólicas, entre elas a lipodistrofia, que é caracterizada pelo acúmulo de gordura visceral e/ou dorsocervical somada à perda de gordura periférica, propiciando aumento dos riscos coronarianos(7,9,10,30,32,33). Além desse distúrbio metabólico, diversos indivíduos HIV+ sofrem com a síndrome de perda (wasting syndrome), que é caracterizada pela redução de mais de 10% da massa corporal acrescida de febre prolongada, fraqueza e diarreia crônica, levando a aumento dos riscos de mortalidade e infecções secundárias(19).

Em indivíduos aparentemente saudáveis, a atividade física pode levar à redução da gordura corpora total e central, dos níveis séricos de triglicérides, assim como maiores níveis de HDL (high density lipoprotein)(31). A melhora do perfil lipídico decorrente do exercício não difere em indivíduos infectados pelo vírus, sendo este dado evidenciado em diversos estudos(30,32,34).

Em um estudo concretizado por Robinson et al.(33) durante 16 semanas foi encontrada redução significativa da gordura corporal total e central. Outros estudos(32,35) também encontram redução significativa da gordura central, além de forte correlação entre a gordura central e total (r = 0,63, p = 0,0055)(35). Em contrapartida, Dolan et al.(18) não evidenciaram mudanças significativas na gordura central e total; contudo, os autores não foram claros com relação ao controle da dieta da amostra.

Em relação às circunferências corporais, alguns autores(18,21,35) evidenciaram no grupo de exercício redução significativa na circunferência da cintura e também redução significativa nas pregas cutâneas do bíceps, abdômen e coxa(35).

No que diz respeito à massa magra e de gordura, Roubenoff e Wilson(25) acharam, no grupo sem síndrome de perda + exercício, redução significativa na massa de gordura e aumento na massa magra, ao passo que no grupo com síndrome de perda + exercício houve aumento na massa gorda e magra. Em contrapartida(24,34), encontraram apenas redução significativa no percentual de gordura, não evidenciando mudanças significativas na massa magra, o que pode ser explicado pelo controle inadequado do treinamento, uma vez que os próprios indivíduos controlaram 32 das 48 sessões do protocolo(24). Já Yarasheski et al.(36) evidenciaram apenas aumento significativo na massa magra.

Em algumas pesquisas foram constatadas mudanças no perfil lipídico, colesterol total, HDL, LDL (low density lipoprotein) e triglicérides, em indivíduos soropositivos em resposta ao exercício. Os autores(32,34) encontraram redução significativa nos triglicérides, ao contrário de Birk et al.(16), que constataram aumento significativo nessa variável. Esse resultado desfavorável pode ter sido devido à intensidade inadequada do treinamento.

Quanto ao colesterol total, HDL e LDL, Thöni et al.(32) e Jones et al.(34) encontraram redução significativa no colesterol total, sendo que os primeiros autores também constataram aumento significativo no HDL. Outros estudos(18,21,36,37) não encontraram diferenças significativas no perfil lipídico.

Alterações no perfil lipídico são muito comuns em indivíduos que fazem uso da TARV; sendo assim, é necessário, em conjunto com um programa adequado de atividade física, seguir uma dieta específica para normalização dos níveis lipídicos.

Efeitos do exercício na força muscular

Em indivíduos infectados pelo HIV é comum ocorrer redução na força muscular e incapacidade funcional, levando a um quadro de fragilidade e dependência, que pode ser associado à baixa qualidade de vida, aumentando os riscos de mortalidade(38). O treinamento que mais contribui para o aumento dessa capacidade física é o resistido, devido às adaptações musculares à carga de trabalho(19).

Yarasheski et al.(36) constataram aumento na força muscular durante 16 semanas, corroborando outros estudos(18,25,34).

Driscoll et al.(37) evidenciaram um aumento significativo na área muscular do quadríceps no grupo metformina + exercício comparado com o grupo metformina, o que corrobora os achados de Yarasheski et al.(36).

Efeitos do exercício nos fatores psicológicos

De acordo com Dudgeon et al.(19), indivíduos infectados pelo HIV são mais propícios a ter alterações mentais, sendo a ansiedade e depressão as mais evidenciadas. Tanto a hipotrofia muscular quanto a fadiga e a fraqueza são fatores que podem levar a um quadro de depressão e redução na qualidade de vida nessa população(7). Além disso, elevados índices de estresse têm sido fortemente relacionados com a progressão acelerada da doença(19).

O exercício físico contribui de maneira eficaz na redução da ansiedade, depressão e na melhora do bem-estar e qualidade de vida em indivíduos saudáveis(4). Sendo assim, diversos estudos têm evidenciado tais benefícios em indivíduos infectados pelo vírus HIV(20,22,39).

Neidig et al.(22) realizaram um estudo durante 12 semanas e evidenciaram melhora significativa nos índices de sintomas associados à depressão avaliados através do CES-D (Centers for Epidemiological Studies – Escala de Depressão) e na subescala depressão/rejeição avaliada através do POMS (Profile of Mood States).

Galantino et al.(39) evidenciaram diferença significativa na subescala saúde, avaliada através do Medical Outcomes Short Form (MOS-HIV), tanto no grupo exercício moderado quanto no de tai chi. Outros autores(20) também encontraram melhora significativa no status saúde total e função cognitiva, avaliadas através do Medical Outcomes Study HIV Health Survey, durante 24 semanas.

Prescrição de exercício para indivíduos HIV+

Antes de começar a se exercitar, é necessário que o indivíduo soropositivo seja assistido e liberado por um médico. Após a liberação, os testes de esforço deverão ser realizados na presença do mesmo e o programa de treinamento deverá ser supervisionado por um profissional especializado(13,31).

Quanto à elaboração de um programa de atividade física para essa população, diversos fatores devem ser considerados, tais como: medicamentos, sintomas, capacidade funcional e estágio da doença(7). Segundo Perry et al.(13), para HIV+, devem-se prescrever exercícios que englobem tanto componente aeróbio quanto de força, visando melhora da capacidade funcional, aumento da massa magra e força muscular. Além disso, a intensidade de trabalho deve ser moderada, pois o exercício intenso e/ou por períodos prolongados (> 90 minutos) induz supressão aguda no sistema imune, tornando-o mais suscetível ao surgimento de infecções oportunistas(7,13).

Para que ocorram respostas significativas ao treinamento aeróbio e resistido, são sugeridos, pela literatura, alguns modelos de prescrição (quadros 4 e 5, respectivamente). Para Bopp et al.(7), antes de iniciar o treinamento de força, os indivíduos deverão completar de quatro a seis semanas de treinamento aeróbio, a fim de aprimorar o condicionamento e prevenir o overtraining, reduzindo a probabilidade de complicações imunes precoces.

 

 

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Vários estudos, apesar de conseguir evidenciar efeitos positivos para a população soropositiva, apresentaram metodologias muito divergentes, devido à falta de consenso da intensidade e duração do treinamento, estágio da doença em que está a amostra, variação no uso dos medicamentos da TARV e elaboração e controle do protocolo de treinamento por profissionais que não possuem formação técnico/acadêmica para esse fim.

Os estudos que evidenciaram melhorias nas variáveis pesquisadas ou sugeriram modelos de prescrição utilizaram metodologia de intervenção de seis a 24 semanas, três a cinco sessões semanais. Os programas de treinamento aeróbio (contínuo ou intervalado) possuíam duração de 20 a 60 minutos e intensidade variando de 50 a 85% da frequência cardíaca máxima ou 45-85% do consumo máximo de oxigênio. Já no programa de treinamento resistido, o número de repetições máximas era de oito a 15 (trabalho de hipertrofia).

Esses programas de treinamento contribuíram para a melhora do sistema imune e da autoestima, aumento do VO2máx, da massa e força muscular, controle do perfil lipídico, redução da gordura corporal e da lipodistrofia, diminuindo os riscos de doenças como diabetes mellitus tipo 2, hipertensão, aterosclerose, cardiopatias. Os estudos com resultados não favoráveis à composição corporal e perfil lipídico podem ser justificados pelas limitações metodológicas, ou seja, incompatibilidade do protocolo de treinamento, triagem da amostra e/ou não supervisão da dieta.

Para que um programa de atividade física alcance maiores efeitos benéficos à saúde dos indivíduos HIV+, é necessária prescrição adequada que englobe componentes de força e aeróbio, devido à especificidade de cada treinamento. Quanto à intensidade do exercício, não existe consenso com relação à carga máxima de esforço para HIV+, pois estudos com protocolos de treinamento de alta intensidade encontraram resultados favoráveis e seguros, contradizendo a ideia de que exercícios intensos colocam em risco a saúde dos soropositivos.

Sendo assim, com base na literatura consultada e na experiência prática dos autores, destaca-se a importância do conhecimento da real condição clínica do aluno, para que, ao se prescrever um programa de atividade física, o seu limite de esforço não seja superestimado e nem subestimado.

Todos os autores declararam não haver qualquer potencial conflito de interesses referente a este artigo.

 

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Submetido em: 24/09/2008
Versão final recebida em: 14/05/2009
Aceito em: 30/05/2009