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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692

Rev Bras Med Esporte vol.16 no.2 Niterói Mar./Apr. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1517-86922010000200002 

ARTIGOS ORIGINAIS
CLÍNICA MÉDICA NO EXERCÍCIO E NO ESPORTE

 

Aplicabilidade do índice de massa corporal na avaliação da gordura corporal

 

The body mass index applicability in the body fat assessment

 

 

Fabiane Aparecida Canaan RezendeI; Lina Enriqueta Frandsen Paez Lima RosadoII; Sylvia do Carmo Castro FranceschinniII; Gilberto Paixão RosadoII; Rita de Cássia Lanes RibeiroII

IDepartamento de Alimentos e Nutrição, Faculdade de Nutrição, Universidade Federal de Mato Grosso. Cuiabá, Mato Grosso, Brasil
IIDepartamento de Nutrição e Saúde, Universidade Federal de Viçosa. Viçosa, Minas Gerais, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

INTRODUÇÃO: O índice de massa corporal (IMC) é amplamente utilizado por profissionais de saúde na avaliação do estado nutricional e do risco de mortalidade. No entanto, esse índice não fornece informações sobre a distribuição e a proporção da gordura corporal.
OBJETIVO: Verificar a eficiência do IMC em identificar indivíduos com excesso de gordura corporal e com obesidade abdominal.
MÉTODOS: A amostra constituiu-se de 98 homens com idade entre 20 e 58 anos. A avaliação antropométrica incluiu peso, altura, circunferência da cintura (CC) e do quadril. A composição corporal foi avaliada por bioimpedância elétrica tetrapolar.
RESULTADOS: A amostra foi predominantemente jovem, 50% dos indivíduos com idade entre 20 e 29 anos. O sobrepeso (IMC > 25kg/m2) e a obesidade abdominal (CC > 94cm) foram constatados em 36,7% e 18,4% dos homens avaliados, respectivamente. A circunferência da cintura foi a medida antropométrica que mais se correlacionou com o IMC (r = 0,884; p < 0,01) e com o percentual de gordura corporal (r = 0,779; p < 0,01). A sensibilidade do IMC, para diagnosticar indivíduos com circunferência da cintura, relação cintura-quadril (RCQ) e percentual de gordura corporal elevados, foi de 94,4%, 100% e 86,6%, respectivamente; isso demonstra a sua adequação para estudos populacionais com o objetivo de identificar indivíduos com obesidade abdominal e/ou excesso de gordura corporal. Entretanto, na avaliação individual, o IMC não foi adequado para esse mesmo diagnóstico devido aos baixos valores preditivos positivos encontrados: 47,2% para CC, 11,1% para RCQ e 36,1% para percentual de gordura corporal. A idade > 30 anos foi fator de risco para sobrepeso, obesidade abdominal e excesso de gordura corporal.
CONCLUSÕES: Ressalta-se a importância da combinação do IMC e circunferência da cintura na avaliação do estado nutricional de homens adultos, já que a obesidade abdominal foi constatada também naqueles indivíduos que não foram diagnosticados como obesos pelo IMC.

Palavras-chave: antropometria, composição corporal, valor preditivo, homens.


ABSTRACT

IINTRODUCTION: The body mass index (BMI) is widely used by health professionals in the nutritional status and risk of mortality assessment. However, this index does not provide information about the distribution and proportion of body fat.
OBJECTIVE: To assess BMI efficiency in identifying individuals with surplus body fat and abdominal obesity.
METHODS: The sample consisted of 98 males between 20 and 58 years of age. The anthropometrical evaluation included weight, height, waist (WC) and hip circumferences. Body composition was evaluated by tetrapolar electric bioimpedance.
RESULTS: The sample was predominantly young, having 50% of its individuals aged between 20 and 29 years. Overweight (BMI > 25kg/m2) and abdominal obesity (CC > 94 cm) were found in 36.7% and 18.4% of the evaluated males, respectively. Waist circumference showed the strongest correlation with BMI (r=0.884; p<0.01) and with body fat percentage (r=0.779; p<0.01). BMI sensitivity to diagnose individuals with high waist circumferences, waist-to-hip ratio (WHR) and body fat percentage was 94.4 %, 100% and 86.6, respectively, showing its suitability for population studies in order to identify individuals with abdominal obesity and/or surplus body fat. However, BMI was not suitable for this same diagnosis individually, due to the low positive predictive values found: 47.2% for WC, 11.1% for WHR and 36.1% for body fat percentage. Age > 30 years was considered a risk factor for overweight, abdominal obesity and surplus body fat.
CONCLUSIONS: The importance of combining BMI and WC for verifying adult male nutritional status is emphasized, since abdominal obesity was also found in individuals who were not diagnosed with obesity by BMI.

Keywords: anthropometry, body composition, predictive value, males.


 

 

INTRODUÇÃO

O índice de massa corporal (IMC) e a medida de circunferência da cintura (CC) têm sido amplamente utilizados na avaliação do excesso de peso e da obesidade abdominal; são medidas recomendadas pela World Health Organization(1) e pelo National Heart, Lung, and Blood Institute of the National Institute of Health(2).

Segundo os pontos de corte recomendados por esses órgãos internacionais, o risco de morbidade em homens adultos eleva-se à medida que o indivíduo migra da categoria de IMC normal (IMC: 18,5 a 24,9kg/m²) para a categoria de sobrepeso (IMC: 25,0 a 29,9kg/m²) ou obesidade (IMC > 30kg/m²), e quando apresentam a medida de circunferência de cintura maior ou igual a 94cm e/ou quando a relação cintura-quadril é maior ou igual a 1,0(1).

É importante ressaltar que as categorias de IMC de adultos não são diferenciadas segundo o sexo, além de abranger uma ampla faixa etária (20 a 59 anos). Um fator que limita a aplicação do IMC é que ele não é capaz de fornecer informações relacionadas com a composição corporal. Pessoas com elevada quantidade de massa muscular podem apresentar elevado IMC, mesmo que a gordura corporal não seja excessiva(3).

Apesar de o IMC não fornecer informações relacionadas com a quantidade e distribuição da gordura corporal, muitos estudos demonstram a sua importância na avaliação do risco de mortalidade. Em adultos, observa-se que valores extremos de IMC aumentam o risco de mortalidade, resultando em uma curva em forma de "U"(4,5,6).

Para a circunferência da cintura, os pontos de corte de 94cm e 102cm para o sexo masculino foram determinados com base na correspondência desses valores com o valor de IMC > 25kg/m² e > 30kg/m², respectivamente(7). Entretanto, estudos têm demonstrado que indivíduos com IMC normal podem apresentar medida de circunferência de cintura elevada(8,9).

A validade desses pontos de corte também é questionável pelo fato de terem sido desenvolvidos a partir de populações caucasianas, o que pode limitar a acurácia em outras populações. Na população asiática, por exemplo, pontos de corte de IMC em torno de 27kg/m² têm sido mais adequados para a identificação de alterações metabólicas(10,11).

Considerando a importância do diagnóstico correto do estado nutricional para o direcionamento adequado das condutas adotadas individualmente e na população, este estudo teve como objetivo verificar a eficiência do IMC em identificar indivíduos com excesso de gordura corporal e obesidade abdominal, bem como identificar a influência da idade sobre o estado nutricional de homens adultos.

 

MÉTODOS

Trata-se de um estudo epidemiológico, analítico, de caráter transversal, realizado na Divisão de Saúde da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Viçosa (MG), durante o período de fevereiro a outubro de 2005.

A amostra foi obtida por livre demanda e constituída de 98 homens selecionados segundo os critérios de inclusão (sexo masculino, idade entre 20 e 60 anos e IMC < 30kg/m²) e de exclusão (presença de doenças crônicas como hipertensão e diabetes; situações como anasarca e edema periférico; indivíduos em diálise; uso de medicamentos que pudessem afetar a composição corporal, tais como diuréticos, corticosteroides, β-bloqueadores; amputação ou paralisia de membros; alcoolismo; tabagismo; utilização de marca-passo; raça negra ou oriental).

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFV (Protocolo n°: 40503352932) e todos os indivíduos foram esclarecidos sobre os procedimentos da coleta antes de assinar o termo de consentimento.

Todas as avaliações foram realizadas pela manhã e recomendou-se aos voluntários como preparo para a avaliação: manter-se em jejum alimentar por 10 horas e jejum de álcool por 48 horas, não praticar exercício físico nas 12 horas anteriores ao teste. A avaliação antropométrica incluiu peso, altura, circunferências da cintura e do quadril. O peso foi auferido em balança digital com capacidade máxima de 150kg e divisão de 100g, segundo as normas preconizadas por Jelliffe(12), com os indivíduos descalços e usando apenas um short. A estatura foi auferida com estadiômetro fixo a uma parede sem rodapé, com extensão de dois metros, dividido em centímetros e subdividido em milímetros, com visor de plástico e esquadro acoplado a uma das extremidades, segundo as normas de Jelliffe(12). O índice de massa corporal (IMC) foi calculado a partir das medidas de peso e de altura utilizando-se a fórmula: IMC = Peso (kg) / (Estatura)2 (m).

As circunferências foram obtidas com uma fita flexível e inelástica, segundo as técnicas propostas por Callway et al.(13). Para medir a circunferência da cintura colocou-se a fita ao redor da cintura normal ou na menor curvatura localizada entre as costelas e a crista ilíaca, mantendo-a justa, sem comprimir os tecidos. A leitura foi feita entre uma expiração e uma inspiração e a circunferência do quadril foi obtida colocando-se a fita ao redor da região do quadril, na área de maior protuberância, sem comprimir a pele.

A composição corporal foi avaliada pelo método de bioimpedância elétrica tetrapolar, com o aparelho Biodynamics modelo 310. Apesar de o fabricante recomendar quatro horas de jejum, solicitou-se ao voluntário jejum de 10 horas, segundo recomendações de Slinde e Rossander-Hulthén(14). Os indivíduos foram orientados a urinar 30 minutos antes do teste.

A análise de bioimpedância elétrica tetrapolar (BIA) foi realizada com o indivíduo deitado sobre uma superfície não condutora, na posição supina, com braços e pernas abduzidos a 45 graus a partir do corpo. Imediatamente antes da colocação dos eletrodos, as áreas de contato foram limpas com álcool. Um eletrodo emissor foi colocado próximo à articulação metacarpo-falange da superfície dorsal da mão direita e o outro, distal do arco transverso da superfície superior do pé direito. Um eletrodo detector foi colocado entre as proeminências distais do rádio e da ulna do punho direito e o outro, entre os maléolos medial e lateral do tornozelo direito, de acordo com as instruções do manual do fabricante.

A classificação dos indivíduos segundo o IMC, circunferência da cintura, relação cintura-quadril e percentual de gordura corporal foi baseada nos pontos de corte apresentados no quadro 1.

 

 

Os dados obtidos foram analisados no SPSS versão 10.0. Todas as variáveis foram testadas quanto a sua normalidade pelo teste de Kolmogorov-Smirnov. Para verificar o grau de correlação entre variáveis contínuas, utilizou-se o coeficiente de correlação de Pearson, quando as variáveis apresentaram distribuição normal, e o de Spearman para aquelas anormais. Calculou-se a odds ratio para verificar a força de associação entre as variáveis. Adotou-se como nível de significância estatística o valor de p menor que 0,05. A sensibilidade, a especificidade, o valor preditivo positivo e o valor preditivo negativo do IMC para a identificação de indivíduos com excesso de gordura corporal e circunferência da cintura e relação cintura-quadril elevadas também foram avaliados a partir dos pontos de corte estabelecidos no quadro 1.

 

RESULTADOS

A amostra do estudo constituiu-se de 98 homens adultos, predominantemente jovens: 50% dos indivíduos apresentaram idade entre 20 e 29 anos (tabela 1). Com relação ao estado nutricional, verificou-se que 36,7% apresentavam sobrepeso e 18,4%, obesidade abdominal (CC > 94cm).

 

 

Foram realizadas correlações entre as medidas antropométricas e o IMC (figuras 1A, 1C e 1D) e verificou-se correlação forte entre IMC e circunferência da cintura. Todas as correlações entre as variáveis antropométricas (IMC, CC, RCQ) e o percentual de gordura corporal foram significativas (p < 0,001) (figuras 1B, 1E, 1F).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Observou-se que o IMC apresentou alta sensibilidade para diagnosticar indivíduos com circunferência da cintura, relação cintura-quadril e percentual de gordura corporal elevados. Entretanto, o valor preditivo positivo do IMC para os três indicadores do estado nutricional foi baixo (tabelas 2 e 3).

 

 

 

 

Na categoria superior de IMC (> 25kg/m²), os valores de percentis de circunferência da cintura, de relação cintura-quadril e de percentual de gordura corporal foram maiores. Na categoria sobrepeso, em torno de 50% da amostra (P50) apresentaram circunferência da cintura maior ou igual a 94cm, enquanto aproximadamente 25% da amostra (P75) apresentaram RCQ maior que 1,0.

Observou-se ainda que, na categoria de IMC menor que 25kg/m², todos os valores de percentis se mantiveram dentro das faixas normais para circunferência da cintura, relação cintura-quadril e percentual de gordura corporal, considerando os pontos de corte apresentados no quadro 1. Apesar disso, é importante ressaltar a variação dos valores de percentis observada em cada faixa de IMC. Na categoria sobrepeso, os percentis de circunferência da cintura e da relação cintura-quadril variaram bastante, incluindo tanto valores adequados para essas medidas quanto valores que indicavam risco de morbidade.

Nas categorias superiores de IMC (> 25kg/m²), de circunferência da cintura (> 94cm), de relação cintura-quadril (> 1,0) e de percentual de gordura corporal (> 25%), os indivíduos apresentaram idade maior, comparados com as categorias inferiores. Pelo cálculo da odds ratio (OR), a idade maior ou igual a 30 anos (mediana) foi fator de risco para IMC > 25kg/m² [OR = 4,13; IC(95%): 1,71 - 9,95], circunferência da cintura > 94cm [OR = 3,51; IC(95%): 1,14 - 10,89] e percentual de gordura corporal > 25% [OR = 5,48; IC(95%): 1,43 - 20,9]. A idade não se associou à elevada relação cintura-quadril.

 

DISCUSSÃO

Corroborando os resultados apresentados neste estudo, Sampaio e Figueiredo(16) também encontraram forte associação entre IMC e circunferência da cintura (r = 0,93; r² = 0,86; p < 0,001) e menor correlação entre IMC e RCQ (r = 0,63; r² = 0,39; p < 0,05), em homens adultos.

No que diz respeito ao uso do IMC para avaliar o excesso de gordura corporal, assim como neste estudo, resultados da literatura confirmam a necessidade de utilizar outras medidas antropométricas ou computar a composição corporal juntamente com o IMC na avaliação do estado nutricional. Piers et al.(17) também encontraram, na categoria sobrepeso, homens com baixos percentuais de gordura corporal, ressaltando que o método de análise da composição corporal utilizado pelos autores foi a diluição isotópica. No estudo de Roubenoff et al.(18), o IMC explicou apenas 33% da variabilidade da gordura corporal em homens com IMC médio (28,9 ± 4,0kg/m²) e idade média (56,4 ± 12,2 anos), valores maiores que os encontrados neste estudo.

Considerando o equilíbrio entre os valores de sensibilidade e especificidade, neste estudo o IMC foi mais adequado na identificação da obesidade abdominal pela CC, fato também demonstrado por Gómez et al.(19). Esses autores estudaram homens cubanos com idade entre 20 e 59 anos e avaliaram a capacidade do IMC em diagnosticar aqueles com circunferência da cintura > 94cm. Os valores de sensibilidade e especificidade foram bem próximos aos encontrados neste estudo, 98,7% e 76,6%, respectivamente.

O alto valor de sensibilidade encontrado para o IMC, na avaliação dos três indicadores do estado nutricional, demonstra a adequação do ponto de corte para estudos populacionais com o objetivo de identificar indivíduos com obesidade abdominal e/ou excesso de gordura corporal. No entanto, o baixo valor preditivo positivo demonstra que o IMC individualmente não é capaz de diagnosticar grande parte dos indivíduos com obesidade abdominal e/ou excesso de gordura corporal, indicando a necessidade de avaliar também a distribuição e a quantidade de gordura corporal.

Com relação à gordura corporal, no estudo de Piers et al.(17) constataram-se baixa sensibilidade (47,7%) e alta especificidade (86,3%) do IMC em identificar indivíduos com excesso de gordura corporal (> 25% para homens e > 30% para mulheres), mensurado por diluição isotópica (deutério) em uma amostra de 117 indivíduos com idade entre 19 e 77 anos. É importante ressaltar que a utilização de diferentes métodos de avaliação da composição corporal dificulta a comparação dos resultados obtidos com aqueles encontrados na literatura, visto que as estimativas de gordura corporal podem diferir em um mesmo indivíduo, podendo ser essas diferenças ainda maiores entre grupos diferentes de indivíduos.

Apesar de os pontos de corte atuais do IMC para indivíduos adultos abrangerem uma faixa etária muito ampla, a idade é outro fator que interfere na relação entre IMC e composição corporal. Diversos estudos confirmam que o sobrepeso e/ou obesidade e obesidade abdominal tendem a aumentar com a idade(18,19,20,21).

O aumento de gordura corporal, principalmente na região abdominal, observado com o aumento da idade pode tornar a utilização do IMC cada vez mais limitada na avaliação do estado nutricional, já que indivíduos com sobrepeso ou até mesmo eutróficos podem apresentar risco de alterações metabólicas devido a valores elevados de circunferência da cintura, como encontrado neste estudo.

Os resultados desta pesquisa demonstraram que os indicadores antropométricos foram altamente correlacionados e que o IMC maior ou igual a 25kg/m² apresentou alta sensibilidade, sendo adequado para estudos populacionais com objetivo de identificar obesidade abdominal e elevado percentual de gordura abdominal. No entanto, os valores preditivos são baixos, o que contraindica seu uso de maneira isolada na prática clínica. Observou-se, também, que o risco de sobrepeso e obesidade abdominal foi maior nos indivíduos com idade igual ou maior que 30 anos.

Considerando que se detectou obesidade abdominal mesmo naqueles indivíduos que não foram diagnosticados como obesos pelo IMC, é importante reforçar a importância da combinação de medidas antropométricas na avaliação do estado nutricional. Estudos com amostras representativas da população brasileira são necessários para verificar a adequação dos pontos de corte preconizados atualmente para a identificação de indivíduos sob risco de alterações metabólicas, bem como para avaliar a necessidade de pontos de corte diferenciados segundo a idade de indivíduos adultos.

Todos os autores declararam não haver qualquer potencial conflito de interesses referente a este artigo.

 

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Endereço para correspondência:
Fabiane Aparecida Canaan Rezende
Departamento de Alimentos e Nutrição
Faculdade de Nutrição
Universidade Federal de Mato Grosso
Campus Universitário, CCBS III, FANUT
Av. Fernando Correa da Costa, s/n
78060-900 - Cuiabá, MT, Brasil
E-mail: facrezende@yahoo.com.br