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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692

Rev Bras Med Esporte vol.16 no.3 Niterói May/June 2010

https://doi.org/10.1590/S1517-86922010000300001 

EDITORIAL

 

Mais do que saudades, gratidão! Mario Carvalho Pini (1918-2010)

 

 

No dia 27 de abril último, morreu em São Paulo, após longa enfermidade, aos 91 anos de idade, um dos precursores da Medicina do Esporte no Brasil: Mario Carvalho Pini.

Pini, como era chamado por seus amigos, nasceu em São Paulo em 14 de julho de 1918. Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, fez o Curso de Medicina Aplicada à Educação Física na Escola de Educação Física do Estado de São Paulo (hoje Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo) em 1949, tendo, a partir de então, militado na área de Medicina do Esporte.

Fez carreira universitária na Universidade de São Paulo, tendo sido Chefe do Departamento de Fisiologia e Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas e Professor Titular da Disciplina de Fisiologia Aplicada dos cursos de Educação Física e de Medicina do Esporte, tendo sido Professor de grande número de Professores de Educação Física e de Médicos especializados em Medicina do Esporte. Aposentou-se em 25 de março de 1981 como Professor Titular da Universidade de São Paulo.

Alguns de seus trabalhos e teses obtiveram notas máximas em concursos:

- "Estudo Crítico de Dopagem" - Tese do concurso de Livre-Docência de Fisiologia Aplicada, apresentada à Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo em 1964.

- "Contribuição para a Mecânica do Corpo" - Tese do concurso para provimento efetivo da Primeira Cadeira de Anatomia e Fisiologia Aplicada, na Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo, em 1967.

Participou de várias bancas examinadoras de concursos de mestrado, doutorado, livre-docência e professor titular em várias escolas de nível superior.

Foi autor e co-autor de diversos trabalhos científicos, artigos para jornais e revistas, tendo participado de inúmeros congressos estaduais, nacionais e internacionais, proferindo palestras e cursos ou participando de mesas-redondas e reuniões do Comitê Olímpico Internacional, da Federação Internacional de Medicina Esportiva e de outras entidades esportivas e de Medicina do Esporte ao redor do mundo.

Entre seus trabalhos, destacaram-se:

- "Planejamento Médico - Preparo de Atiradores para Competição" - publicado na Revista da Confederação Brasileira de Tiro ao Alvo (CBTA) em 1977, sobre o condicionamento do atirador de equipe, envolvendo a preparação física, psicológica e médica.

- "Requisitos essenciais para um médico acompanhante de uma delegação esportiva" - tese apresentada no Simpósio Médico-Esportivo da XVII Olimpíada, Roma (Itália), em setembro de 1960, no qual colocou as qualidades necessárias ao médico acompanhante de delegação esportiva, chamando a atenção para os aspectos físicos e psíquicos dos atletas.

- "Aulas de Educação Física / 1º grau" - em co-autoria com Hudson Ventura Teixeira, que serviu de guia para muitos professores de educação física, ajudando a desenvolver os trabalhos durante as aulas de educação física dos cursos primário e ginasial em nosso país, sendo lançadas várias edições.

- "Guia para aulas de Educação Física" - em co-autoria com Waldir José Barbanti, lançado em 1977.

- "Fisiologia Esportiva" - editado em 1978, reunia autores de primeira linha nos cenários nacional e internacional e serviu, durante muitos anos, de guia para os médicos do esporte. Sem dúvida alguma, sua grande contribuição para a Medicina do Esporte. Segundo João Gilberto Carazzato, ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, "a primeira publicação em Medicina Esportiva no país foi o livro Fisiologia Esportiva, em 1978, do Professor Mario Carvalho Pini, pai da Medicina Esportiva brasileira, responsável direto pelo controle da saúde dos atletas em jogos pan-americanos e olimpíadas por mais de três décadas".

No campo esportivo, praticou atletismo, tendo se sagrado Campeão Sul-Americano de Revezamento 4x400 metros, disputado em Montevidéu (Uruguai) em 1945, com o tempo de 3'16"5, batendo o recorde sul-americano à época, junto com José Bento de Assis Junior, Rosalvo da Costa Ramos e Agenor da Silva, ajudando o Brasil a se sagrar Campeão Sul-Americano de Atletismo.

Foi também campeão da primeira edição do Troféu Brasil de Atletismo, em 1949, competindo pelo São Paulo Futebol Clube, junto com Eduardo Di Pietro, Benedito Ribeiro e José Bento de Assis Junior.

Caetano Carlos Paioli, jornalista editor de atletismo do Jornal A Gazeta Esportiva, em publicação datada de 13 de agosto de 1944, escreveu como comentário à foto anexa: "Se Eduardo Di Pietro e Mario Carvalho Pini quisessem dar uma demonstração perfeita da passagem de bastão, talvez não fossem tão felizes como o foram no flagrante acima, fixado ontem, pela nossa objetiva na pista do Clube de Regatas Tietê, durante a realização da prova Taça Álvaro de Oliveira Ribeiro. Não se pode exigir maior precisão de movimentos na passagem do bastão em uma prova de 4x400 metros, da qual aqueles atletas são várias vezes campeões e recordistas sul-americanos".

 

 

Pini pertenceu ao Serviço Médico de Anestesia (SMA) de São Paulo na década de 50. Foi Vice-Presidente da Confederação Panamericana de Medicina Esportiva, Membro da Comissão Médica da Organização Desportiva Pan-Americana (ODEPA), do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Medicina Esportiva (FIMS).

Foi Diretor Médico do Comitê Olímpico Brasileiro durante mais de 20 anos, acompanhando e chefiando o Departamento Médico das delegações brasileiras aos Jogos Sul-Americanos, Pan-Americanos, Mundiais e Olimpíadas. Ao lado de Sylvio de Magalhães Padilha, ex-Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, seu colega na prática de atletismo, tendo conquistado o quinto lugar na prova de 400 metros com barreiras na Olimpíada de Berlim em 1936, batendo os recordes brasileiro e sul-americano, estruturou os trabalhos de atendimento médico a competições esportivas deixando como legado uma rotina de atendimento que se estende até os dias de hoje. André Gustavo Richer, Vice-Presidente no exercício da Presidência do Comitê Olímpico Brasileiro, declarou que "perdemos um amigo e um grande colaborador do esporte brasileiro".

Pini participou da fundação da Federação Brasileira de Medicina Desportiva (Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e, posteriormente, da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte) em São Paulo, no dia 18 de novembro de 1962, juntamente com Reynaldo Kuntz Busch e Waldemar Areno. A Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte é filiada à Federação Internacional de Medicina Esportiva (FIMS) e integrante do Departamento Científico da Associação Médica Brasileira e congrega as Sociedades Regionais de Medicina do Esporte brasileiras. Em São Paulo, foi sócio da Sociedade de Medicina Aplicada à Educação Física de São Paulo (hoje Sociedade Paulista de Medicina Desportiva), fundada em 7 de setembro de 1942.

A Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, através de seu Presidente, José Kawazoe Lazzoli, em nome da Diretoria e de seus associados, enlutada pelo falecimento do amigo, companheiro e mestre Mario Carvalho Pini, une-se aos membros de sua família, na pessoa de sua esposa, companheira de muitos anos, Dª Therezinha, lamentando a perda de tão grande personalidade, que propiciou o embasamento da Medicina do Esporte como especialidade médica.

Obrigado Pini!

 

A Diretoria
SBME

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