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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692

Rev Bras Med Esporte vol.18 no.2 São Paulo Mar./Apr. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1517-86922012000200003 

ARTIGO ORIGINAL
CLÍNICA MÉDICA DO EXERCÍCIO E DO ESPORTE

 

Efeitos agudos do treinamento concorrente sobre os níveis séricos de leptina e cortisol em adultos jovens sobrepesados

 

 

Iara S. CruzI,II; Guilherme RosaI,II; Valeria ValleI; Danielli B. de MelloI,III; Marcos FortesI,III; Estélio H.M. DantasI

ILaboratório de Biociências da Motricidade Humana (LABIMH) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) – Rio de Janeiro, Brasil
II
Universidade Católica Nuestra Señora de Assunção – Assunção, Paraguai
III
EsEFEx – Escola de Educação Física do Exército – Rio de Janeiro, Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Este estudo teve como objetivo analisar os efeitos imediatos do treinamento concorrente sobre a leptina e os níveis de cortisol em adultos jovens com sobrepeso.
MÉTODOS: Este estudo utilizou uma metodologia quase-experimental. Foram 20 indivíduos voluntários de ambos os sexos, divididos em um grupo sobrepesado treinamento (GST n = 10) e um grupo sobrepesado controle (n = 10). A coleta de sangue foi realizada com os indivíduos em repouso após jejum de 12 horas. Os níveis de leptina e cortisol foram analisados por radioimunoensaio e ensaio por quimioluminescência chimiluminescence antes e imediatamente após o treinamento. ANOVA two way foi utilizada para análise estatística com nível de significância de p < 0,05.
RESULTADOS: Na análise da leptina sérica, observou-se diferença significativa intergrupos (GST x GSC) nos momentos pré-intervenção (p = 0,02) e pós-intervenção (p = 0,01). Na análise intragrupos, não foram observadas alterações significativas. E na análise do cortisol sérico intergrupos (GST x GSC), foi observada uma diferença significativa nos momentos pré-intervenção (p = 0,01) e pós-intervenção (p = 0,01), porém, na análise intragrupos, não houve alterações significativas.
CONCLUSÃO: Uma única sessão de treinamento concorrente não é suficiente para promover alterações agudas nos níveis de leptina e cortisol dos jovens adultos sobrepesados voluntários deste estudo.

Palavras-chave: obesidade, ciclismo, treinamento de resistência.


 

 

INTRODUÇÃO

Ao longo da década de 1990, o percentual de pessoas com sobrepeso e obesidade aumentou significativamente1, e, hoje em dia, é considerada uma epidemia global2. Embora não haja conhecimento da comunidade científica de que o sobrepeso e a obesidade são fenômenos multifatoriais, ela reconhece a necessidade de explorar várias formas de aumentar o gasto energético diário, a fim de controlar ou reduzir a prevalência desta doença2.

Os recentes avanços no campo da endocrinologia e metabolismo mostram que, ao contrário do que se acreditava há alguns anos, o adipócito não é apenas uma célula de armazenamento de energia, mas também sintetiza e libera diversas substâncias, incluindo leptina3, derivada do leptis grego, que significa magro4, e que foi descoberta em 1994. A leptina é um hormônio peptídeo composto por 167 aminoácidos e é produzida principalmente no tecido adiposo branco, sendo maior na gordura subcutânea quando comparada ao tecido adiposo visceral5, mas difere entre os adipócitos. O lançamento ocorre durante o pico da noite e as primeiras horas da manhã, e sua meia-vida plasmática é de 30 minutos6.

A concentração de leptina está parcialmente relacionada ao tamanho da massa de tecido adiposo no corpo7, 8. É conhecida como o "hormônio da saciedade", por ter influência no processo de redução do apetite3. Sua secreção pode ser influenciada por vários mecanismos fisiológicos, como o jejum, os glicocorticoides, a atividade simpática, o exercício físico e as alterações no peso corporal e no balanço energético, o que pode alterar drasticamente a quantidade de leptina intrinsecamente associada com a massa de gordura9 a uma falha na sua produção, e/ou sua ação sobre os receptores do hipotálamo poderia distorcer o balanço energético positivo, criando o quadro de obesidade10.

Vários estudos mostram que os níveis plasmáticos de leptina não são alterados de acordo com o exercício aeróbio agudo em atletas ou não atletas. Ribeiro et al.11 dizem que tem sido comum para a comunicação de que o exercício, agudo ou crônico, causa diminuição da concentração de leptina. Kraemer et al.12, em um estudo de revisão, sugerem que há muitos estudos sobre os efeitos do exercício agudo sobre a leptina, e que a maioria não mostrou nenhuma mudança ou reduções nas concentrações de leptina; no entanto, os estudos são bastante contraditórios em função da atividade física aeróbia de leptina plasmática aguda e crônica.

O estudo de Weltman et al.13 relatou que 30 minutos de exercício, acima e abaixo do limiar de lactato, são capazes de levar a uma aceleração da taxa do metabolismo, mas a intensidade do exercício pode não ter sido suficiente para alterar as concentrações de leptina em homens jovens durante períodos de exercício ou de recuperação (3,5 horas pós-anos), em comparação com valores de controle. Neste estudo, a intensidade do exercício não foi um fator que afetou as respostas de leptina em homens jovens. Tuominen et al.14 encontraram 34% de redução nas concentrações de leptina no plasma 44 horas após duas horas de exercício a 75% do O2máx. Já no estudo de Olive e Miller15, as concentrações de leptina plasmática foram analisadas nos períodos de 24 e 48 horas após uma hora de exercício moderado (~ 900kcal gasto) e após o exercício intenso de curta duração (~ 200kcal gasto), em que havia uma diminuição de 18% e 40%, respectivamente, após a atividade de longa duração e intensidade moderada. Nenhuma mudança ocorreu após a concentração da atividade de leptina de curta duração e alta intensidade.

O cortisol é o principal glicocorticoide produzido pelas adrenais e sua secreção está relacionada a vários fatores, como: o ritmo do ciclo circadiano16,17, o estresse, a hipoglicemia e alguns aminoácidos18. A concentração circulante de cortisol está em valores máximos nas primeiras horas da manhã, imediatamente antes do despertar, e diminui completamente de forma progressiva no decorrer do dia, apresentando níveis bastante baixos à noite19,20. O exercício e o processo de treinamento são classificados como um estresse para o corpo humano21 e potentes estimuladores de secreção rápida22.

Durante o exercício agudo, em um teste de consumo máximo de oxigênio (O2máx), o nível de cortisol sanguíneo aumenta em proporção à intensidade do exercício, uma vez que a carga de trabalho está acima do limiar crítico (50-60% O2máx)21,22. Portanto, em uma mesma intensidade absoluta de exercício, o cortisol pode apresentar resposta baixa a partir da prática de um programa de treinamento de exercício. No exercício submáximo, a resposta do cortisol é mais variável e influenciada pelos mais variados fatores externos19.

Se a intensidade for abaixo do limiar crítico, então os níveis de cortisol podem não aumentar acima dos níveis de repouso, ou podem se tornar, na verdade, reduzidos23. Mas, se está acima da intensidade do limiar crítico, então os níveis de cortisol vão inicialmente aumentar e subsequentemente entrar em platô (exercício steady-state)24, pois, enquanto o cortisol aumenta durante o exercício, ao final, muitas modificações e possíveis efeitos deste hormônio ocorrem durante a recuperação precoce25.

A relação entre o cortisol e o processo de emagrecimento é explicada pelos efeitos no metabolismo intermediário26, em que entre as principais funções estão: a manutenção da glicemia e consequente estimulação da lipólise.

Considerando-se então que um dos fatores estimuladores da secreção de leptina é o nível de cortisol aumentado, o objetivo deste estudo foi analisar o efeito agudo do treinamento concorrente sobre os níveis séricos de leptina e cortisol em adultos jovens com sobrepeso.

 

METODOLOGIA

Desenho do estudo

Este estudo se encaixa no tipo quase-experimental, por tentar estabelecer relações de causa e efeito27.

Amostra

A amostra não probabilística foi limitada a 20 indivíduos divididos em dois grupos: treinamento concorrente – GTC (10), e grupo controle – GC (10), com idade entre 20 e 35 anos, de ambos os sexos, e que se exercitam na academia Westfit, situada no bairro de Realengo, localizado na cidade do Rio de Janeiro. Os sujeitos foram selecionados de forma aleatória e constituídos de voluntários, obedecendo aos seguintes critérios de inclusão: sujeitos não atletas, praticantes de ciclismo indoor e musculação, com, no mínimo, seis meses de atividade e uma frequência semanal mínima de três vezes, e que estivessem com o índice de massa corpórea (IMC) entre 25,0 e 29,9, caracterizando o estado de sobrepeso.

Os sujeitos selecionados foram informados acerca do roteiro alimentar e do protocolo de treinamento, e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e a aplicação do questionário PAR-Q – Physical Activity Readiness Questionnaire (questionário prontidão para atividade física).

Esta pesquisa está em conformidade com as Diretrizes Éticas para Pesquisas Biomédicas Envolvendo Seres Humanos conforme os princípios estabelecidos na Declaração de Helsink (1996). O projeto de pesquisa foi aprovado no Rio de Janeiro, Brasil, pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Castelo Branco sob o protocolo número 0157/2008.

 

COLETA DE DADOS

Protocolo de medidas

Durante as semanas que antecederam o dia do teste, foram realizadas as medidas de antropometria, uma repetição máxima (1RM) e consumo de oxigênio submáximo (O2submáximo) nos sujeitos dos grupos amostrais.

A coleta de medidas antropométricas de massa corporal total, massa gorda, massa magra, estatura e IMC foi realizada de acordo com o protocolo da International Society for the Advancement of Kinanthropometry (ISAK)28, em uma sala específica para avaliação funcional nas dependências da academia Westfit através dos instrumentos: uma balança digital com antopômetro Filizola® previamente calibrada, uma trena metálica Sanny® e uma calculadora.

O teste de 1RM29 foi realizado somente no GTC, para medir a intensidade de cada exercício que fazia parte do protocolo de treinamento de força. Os exercícios foram realizados em aparelhos Biotech® e a quilagem utilizada (barra longa, barra curta e anilhas) foi previamente aferida em balança digital Filizola®.

Duas semanas após o teste de 1RM, a medida do O2submáximo para cicloergômetro expressos em kg.min (ml)–1 foi feita somente no grupo GTC, para determinar a intensidade individual a ser utilizada na aula de ciclismo indoor. O teste seguiu o protocolo de Balke/ACSM (1980), que permite a adaptação fisiológica adequada, tal como garante, assim, a segurança cardíaca dos indivíduos. O teste foi realizado em um cicloergômetro Inbrasport® previamente calibrado.

Uma semana após o teste de O2submáximo, os sujeitos do GTC e GC foram conduzidos para a coleta de sangue. Ambos os grupos receberam um roteiro alimentar de 1.200kcal que foi prescrito pela nutricionista Fernanda Albuquerque de Andrade CRN 2003100304, para ser seguido no dia anterior ao teste a fim de evitar um possível aumento na ingesta de gordura.

Protocolo para o treinamento concorrente

A sequência de exercício do GTC consistiu de duas modalidades de exercício, sendo uma aeróbica (ciclismo indoor) e uma de força (musculação). O treinamento concorrente aconteceu na seguinte ordem: a prática do ciclismo indoor posteriormente seguida da prática de musculação, sem intervalo entre elas, em uma única sessão com duração de aproximadamente de duas horas.

Protocolo para ciclismo indoor

As aulas de ciclismo foram realizadas em sala separada, específica para a prática, com a temperatura para 17ºC em bicicletas de marca Tomawank modelo XL. A duração da aula de ciclismo indoor foi de 50 minutos de forma ininterrupta, com a cadência fixada em 80rpm, de acordo com o bpm da música correspondente ao rpm necessário, pois, segundo Mello30, o rpm tem correlação direta com o bpm da música. O protocolo de aula atendeu as especificações do tipo de treinamento desportivo chamado contínuo31 com intensidade de 65% do O2submáximo para todos os sujeitos do GTC. A escala de OMNI RES (escala de percepção subjetiva para exercício resistido) para ciclismo foi utilizada para a manutenção da intensidade por todo o tempo de exercício32.

Protocolo de treinamento de força

A sessão de treinamento de força foi realizada imediatamente após a sessão de ciclismo indoor em aparelhos de musculação da marca Biotech®. O programa consistiu de três séries, 65% da carga de 1RM para cada um dos exercícios propostos, com 20 repetições e intervalo de um a dois minutos entre os conjuntos para a recuperação do grupo muscular trabalhado31, pois, segundo Kawakami et al.33, as ações musculares isométricas repetidas em alta intensidade podem produzir uma diminuição da força com o tempo. O protocolo do treinamento de força (TF) era composto de sete exercícios para membros superiores e inferiores, na seguinte ordem: remada apoiada, leg press 45º, supino reto (barra longa), extensão de joelhos (cadeira extensora), rosca direta (barra curta), flexão de joelhos (cadeira flexora) e extensão do tríceps (polia alta). A sessão teve duração de aproximadamente uma hora e 10 minutos.

Protocolo para coleta de sangue

Foi solicitado aos voluntários que chegassem ao local de coleta no dia determinado às oito horas da manhã, estando em jejum absoluto por um período de 12 horas para melhor avaliar os níveis séricos basais de leptina e cortisol dos sujeitos dos grupos GTC e GC em situação de jejum absoluto. As 20 amostras sanguíneas de leptina e cortisol de ambos os grupos foram coletadas pelo laboratório Sérgio Franco Medicina Diagnóstica, Rio de Janeiro, em um laboratório itinerante na academia Westfit. Imediatamente após o final da sessão de treinamento, foi realizada a coleta de mais 20 amostras sanguíneas de leptina e cortisol de ambos os grupos nas mesmas condições e local acima descritos. O método utilizado pelo laboratório para a análise das amostras de leptina foi o radioimunoensaio, em que os valores de referência são: até 18,5ng/mL em mulheres e até 9,2ng/mL em homens. E o método utilizado pelo laboratório para a análise das amostras do cortisol foi o ensaio imunoenzimático por quimioluminescência, que tem os valores de referência de 5,0 a 25,0mcg/dL, no período das sete às nove horas da manhã.

 

ANÁLISE ESTATÍSTICA

Todos os procedimentos estatísticos foram processados no programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS 14.0, Chicago, EUA). A caracterização da amostra da população foi investigada por empregar as técnicas descritas. Para obter uma descrição dos dados coletados, foi utilizada a medida de média, que é uma medida de tendência central, e desvio padrão para as medidas de dispersão. Para a análise inferencial do estudo, foi utilizada a ANOVA two way a fim de determinar as diferenças entre os grupos em diferentes momentos. A homogeneidade da amostra e os resultados foram analisados pelo teste de Shapiro Wilk, e para normalidade da amostra foi utilizado o post hoc de Tukey. O valor de significância adotado foi de p < 0,05.

 

RESULTADOS

Na Tabela 1 estão os resultados descritivos das variáveis antropométricas dos grupos sobrepeso treinamento (GST) e sobrepeso controle (GSC), bem como a análise da normalidade da amostra através do teste de Shapiro-Wilk (SW). Cada grupo foi composto de 10 sujeitos.

 

 

Pode-se analisar que todos os grupos apresentaram uma distribuição normal para todas as variáveis analisadas. A curtose também foi realizada para assegurar a homogeneidade da amostra. Observou-se um IMC entre 26,84 e 27,5, que permite classificá-los como sobrepeso.

Na Tabela 2 estão os resultados descritivos do nível sérico de leptina dos grupos sobrepesado treinamento (GST) e sobrepesado controle (GSC) nos momentos pré e pós-intervenção. Foi realizada também a verificação da normalidade da amostra através do teste SW.

 

 

Ao se comparar os valores médios da primeira e da segunda coleta da leptina, foi observado que o grupo GST apresentou valores de 14,53ng/mL ± 6,79 e 13,09ng/mL ± 8,46, e se manteve dentro dos limites médios desejáveis de referência da leptina plasmática (até 13,85ng/mL ± 6,57 para mulheres e homens), enquanto no grupo GSC, que obteve valores de 27,09ng/mL ± 10,70 e 21, 49ng/mL ± 9,44, observou-se que estes se apresentaram bastante superiores ao limite médio de referência.

A Tabela 3 a seguir apresenta os resultados descritivos do nível sérico do cortisol em dois momentos (pré e pós-intervenção).

 

 

A análise descritiva das amostras de cortisol plasmático dos grupos GST e GSC demonstrou que os valores obtidos na primeira e na segunda coleta de ambos os grupos apresentaram-se dentro dos valores médios de 15,0 ± 14,14mcg/dL para o horário das sete às nove horas.

Na Tabela 4 estão apresentados os valores estatísticos de leptina para os grupos GST e GSC. Os dados apresentaram diferença significativa quando os grupos foram comparados aos momentos pré e pós-intervenção.

 

 

Observou-se diferença significativa intergrupos (GST x GSC) nos momentos pré-intervenção (p = 0,02) e pós-intervenção (p = 0,01). Na análise intragrupos não foram observadas alterações significativas.

Na Tabela 5 estão apresentados os valores estatísticos de cortisol para os grupos GST e GSC.

 

 

Na análise intergrupos (GST x GSC), observou-se diferença significativa nos momentos pré-intervenção (p = 0,01) e pós-intervenção (p = 0,01). Na análise intragrupos não foram observadas alterações significativas.

 

DISCUSSÃO

De acordo com o estudo de revisão de Kraemer et al.12, muitos estudos que têm investigado os efeitos do exercício agudo sobre a leptina mostraram ter reduções ou nenhuma modificação nas concentrações. Steinberg et al.34 e Jen et al.35 afirmaram que os trabalhos publicados têm demonstrado que os níveis plasmáticos de leptina são reduzidos após o treinamento físico em animais.

No estudo de Estadella et al.36, os resultados encontrados verificaram que o treinamento de endurance em ratos evitava o aumento dos níveis plasmáticos de leptina induzido por dieta hiperlipídica, e que a diminuição nos níveis de leptina era acompanhada também por menores ganhos de peso corporal e massa adiposa e níveis mais baixos de triglicérides séricos e insulina.

Kraemer et al.12 afirmam que vários estudos apontam que os níveis plasmáticos de leptina não são alterados devido ao exercício aeróbio agudo em atletas ou não atletas. Mas as reduções desses níveis podem estar ligadas ao tempo de coleta da leptina após a sessão de exercício, enquanto que a leptina é diretamente ou indiretamente relacionada ao controle do balanço de energia no longo prazo. Bem, além de ser um lipostato importante (mensurador de depósitos lipídicos do organismo), a leptina aumenta a lipólise e a oxidação lipídica37.

A pesquisa de Rosa et al.38 investigou os efeitos do treinamento concorrente sobre as concentrações da leptina em adultos jovens em estado de sobrepeso. Seus resultados apontaram que houve uma redução dos níveis da variável. Tais reduções nas concentrações da leptina não parecem depender da ordem de execução do treinamento concorrente, visto que nos estudos de Rosa et al.39,40, os protocolos utilizados causaram redução nas concentrações deste hormônio independentemente de sua ordem de execução.

No presente estudo, a leptina apresentou diferença significativa (p = 0,02) quando os momentos pré dos grupos GC e GTC foram comparados, sendo que, em valores médios, o grupo GC se mostrou maior (27,09 ± 10,70). Os resultados da ANOVA two way apontaram a existência de diferença estatisticamente significativa (p = 0,01) na comparação do momento pré do grupo GC com o momento pós do grupo GTC no momento pós.

No estudo de Bouassida et al.41, o comportamento da leptina foi analisado em indivíduos treinados e não treinados após exercício em cicloergômetro. O protocolo consistia de dois períodos de exercício: 45 min e 85 min. As amostras de leptina foram recolhidas antes de cada protocolo, durante, no final e após duas e 24 horas de recuperação. E verificou-se que a leptina não se alterou significativamente durante ambos os protocolos para ambos os grupos, mas foi menor (p < 0,05) em todas as amostragens no grupo treinado, quando comparado ao grupo não treinado.

Na atual pesquisa, os valores médios de leptina demonstraram um ligeiro decréscimo em ambos os grupos (GTC: 14,53 ± 6,79 para 13,09 ± 8,46; GC: 27,09 ± 10,70 para 21, 49 ± 9,44) após o protocolo de treinamento utilizado. Tais achados corroboram com Essig et al.42, que afirmam que os efeitos do exercício com período igual ou superior a 60 minutos geralmente não revelam nenhum ou um pequeno declínio nos níveis de leptina pós-exercício, e com Ribeiro et al.11, citando que tem sido comum o relato de que o exercício físico, agudo ou crônico, provoca uma diminuição nas concentrações de leptina. 

Entretanto, segundo Fisher et al.43, os estudos sugerem que o exercício praticado de forma aguda (< 60 min) não tem efeito agudo sobre a produção de leptina, independentemente da intensidade do exercício em homens e mulheres saudáveis, e que as reduções encontradas podem ser atribuídas ao ritmo circadiano ou à hemoconcentração. Hulver e Houward44 também questionaram se o exercício, por si só, causa essa redução ou se a diminuição da gordura corporal, a resposta típica crônica ao treinamento físico ou o desequilíbrio energético criado não seria responsável por esta diminuição.

Essig et al.42, em seu estudo, também encontraram uma baixa concentração de leptina em homens treinados após 48 horas de exercício, mas não imediatamente após o exercício e 24 horas depois. Foram dois anos separados de corrida em esteira – 800kcal e 1.500kcal. Os autores especulam que as mudanças no estímulo de leptina, bem como as alterações nos inibidores, podem ter afetado as concentrações de leptina.

Maiores durações de exercício também têm sido amplamente discutidas12. O estudo realizado por Keller et al.45 procurou observar o comportamento de leptina após três horas de exercício no cicloergômetro. Foi observado que a concentração de leptina diminuiu após este período. No estudo de Landt et al.46,foi observada uma redução de 8% na concentração de leptina de jejum seguido por duas horas de exercício em cicloergômetro a 75% O2máx e culminou com cinco blocos de sprints de um minuto. Os mesmos autores, em outro estudo, observaram que a concentração de leptina antes e após o exercício de um grupo de corredores de ultramaratona, apresentou um declínio de 32%  após uma média de 35 horas de exercício contínuo, o que segundo os autores, sugere que a maior redução ocorreu devido ao desequilíbrio da energia e que a leptina pode servir como um sinal importante deste desequilíbrio, mas apenas em situações extremas.

Apesar dos resultados encontrados, alguns estudos não observaram nenhuma alteração na concentração de leptina, como o estudo de Racette et al.47, que mediu a diferença de concentração de leptina arteriovenosa após 60 minutos de exercício na bicicleta ergométrica e estudo de Nindl et al.48, no qual o exercício com pesos foi empregado em indivíduos fisicamente ativos e a diminuição dos níveis de leptina ocorreu depois de apenas nove horas do pós-exercício. No presente estudo não houve diferença significativa na comparação da concentração de leptina no pré e pós nos dois grupos (GTC – p = 0,98; GC – p = 0,51). De acordo com os resultados obtidos, pode-se observar que não houve diferença significativa na variável analisada após o protocolo de intervenção.

O estudo de Cruz et al.49 não demonstrou alterações significativas nas concentrações de leptina após um protocolo de treinamento concorrente com características de modalidades, intensidade e duração similares aos utilizados no presente estudo, no qual também não foi observada diferença significativa nos níveis de leptina dos participantes.

O cortisol, por ter como natureza a resposta rápida  a vários tipos de estresse, o que acontece em geral dentro de alguns minutos, aponta os exercícios de força como promotores potentes para atingir um aumento rápido das concentrações de cortisol na circulação sanguínea20 por ter como característica a promoção de microtraumas adaptativos. A influência de fatores externos também pode modificar a resposta do cortisol perante o exercício submáximo, que pode ser extremamente acentuada19.

Porém, se o exercício estiver abaixo da intensidade do limiar crítico, os níveis de cortisol podem não aumentar acima dos níveis de repouso, ou eles podem realmente tornar-se reduzidos23, corroborando com Viru apud Hackney19, que também afirma que em uma mesma intensidade absoluta de exercício o cortisol pode apresentar resposta baixa a partir da prática de um programa de treinamento de exercício. Porém, se o exercício submáximo está acima da intensidade do limiar crítico, então os níveis de cortisol vão inicialmente aumentar e subsequentemente entrar em platô (exercício em steady-state)24.

Diversos trabalhos17,23,25,50-53 que se propuseram a analisar o efeito do exercício sobre os níveis de cortisol plasmático apontaram aumentos significativos durante e após o exercício. Segundo Viru e Viru54, o aumento do cortisol visto durante o exercício é fundamental para o controle e a regulação do metabolismo energético, e, portanto, para a performance do exercício.

Alguns trabalhos55-57 documentaram a redução dos níveis do cortisol plasmático, mas esses resultados parecem estar associados ao efeito crônico do treinamento58, tendo em vista que a rotina de treinamento de força aplicada nestes estudos tinha a duração compreendida entre 12 e 24 semanas. A investigação de Rosa et al.59 teve como objetivo analisar o comportamento do cortisol sérico após uma sessão aguda do protocolo de treinamento concorrente (ciclismo indoor e musculação, 5-7 na escala de OMNI RES e 85% 1RM, respectivamente). E o resultado obtido foi uma redução significativa do cortisol sérico, no grupo experimental e no grupo controle. Mas os autores descrevem que esta redução pode ter sido devida à influencia do ciclo circadiano do cortisol.

No entanto, no presente estudo, a resposta aguda do treinamento concorrente resultou em uma queda significativa dos valores médios descritivos do cortisol (Tabela 2) quando os momentos pré e pós-treinamento dos grupos GST e GSC foram comparados. A média dos grupos ficou próxima ao valor médio de referência para adultos (15,0 ± 14,14mcg/dL), no período das sete às nove horas da manhã. E a análise inferencial (Tabela 3) mostrou que houve somente diferença significativa na comparação intergrupos dos momentos pré e pós no grupo GST (p = 0,01) e nos momentos pré e pós do grupo GSC (p = 0,01). Baseado na citação de Hill et al.23, que supõem que o declínio dos valores do cortisol do atual estudo pode estar associado à intensidade utilizada no exercício, no atual estudo a intensidade aplicada aos voluntários foi de 65% O2submáximo, o que parece não ter sido suficiente para que ocorressem os esperados aumentos. Tais achados corroboram com Rudolph e McAuley60, que afirmam que os níveis de cortisol são linearmente relacionados à intensidade e duração do exercício. Na comparação entre grupos, não houve diferença estatisticamente significativa em nenhum momento.

O intervalo entre as séries, segundo Hackney61, parece também ter importante influência nos aumentos significativos de cortisol plasmático após uma sessão aguda de treinamento de força. O estudo de Kraemer et al.62 procurou analisar a resposta aguda do cortisol após oito séries de 10RM no leg press com tempos de intervalo de um minuto e três minutos entre as séries, e registrou que, com um minuto de intervalo, houve aumento significativo em comparação aos três minutos para o mesmo protocolo de exercício. No presente estudo, o protocolo de musculação seguiu um tempo de intervalo de um a dois minutos máximos para três séries de 20 repetições, de acordo com as recomendações do ACSM33, diferentemente do estudo de Kraemer et al.62, o qual pode ter sido outro fator que levou a um aumento do cortisol além do número de séries e repetições realizadas.

Foschini e Prestes53 citaram estudos que utilizaram número de séries e repetições semelhantes aos utilizados por Kraemer et al.62 e que apresentaram aumento na concentração de cortisol plasmático.

Entretanto, alguns estudos35-65-67 não encontraram diferenças nos níveis de cortisol plasmático após o exercício. Grandys et al.56, por exemplo, analisaram o cortisol plasmático entre outros hormônios antes e após cinco semanas de treinamento de endurance em cicloergômetro – nos métodos contínuo (2x/semana a 90% O2) e intermitente (2x/semana a 50% O2) – às segundas e às quintas-feiras, e ao final não foram encontradas alterações no cortisol plasmático.

Os resultados apresentados na atual pesquisa apontam que uma única sessão do protocolo de treinamento concorrente utilizado no presente estudo não foi capaz de gerar o estresse necessário para aumentar a secreção de cortisol plasmático em quantidade suficiente para promover o aumento dos níveis de leptina sérica em adultos jovens com sobrepeso.

 

CONCLUSÕES

Os resultados apresentados na atual pesquisa apontam que uma única sessão do protocolo de treinamento concorrente utilizado no presente estudo não foi capaz de gerar o estresse necessário para aumentar a secreção de cortisol plasmático em quantidade suficiente para promover o aumento dos níveis de leptina sérica nos indivíduos avaliados.

 

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Correspondência:
Rua Antônio Nogueira, 34, Bangu – 21830-280 – Rio de Janeiro, RJ, Brasil

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Todos os autores declararam não haver qualquer potencial conflito de interesses referente a este artigo.