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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692

Rev Bras Med Esporte vol.18 no.4 São Paulo July/Aug. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1517-86922012000400011 

ARTIGO ORIGINAL
CIÊNCIAS DO EXERCÍCIO E DO ESPORTE

 

Efeitos do treinamento aeróbio sobre o perfil lipídico de ratos com hipertireoidismo

 

 

Renata Valle Pedroso; Alexandre Konig Garcia Prado; Luiza Hermínia Gallo; Marcelo Costa Junior; Natália Oliveira Betolini; Rodrigo Augusto Dalia; Maria Alice Rostom de Mello; Eliete Luciano

UNESP - Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências, DEF, Laboratório de Atividade Física e Envelhecimento (LAFE) Rio Claro, SP - Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

Há poucos estudos analisando a importante relação entre o exercício físico, agudo e crônico, e alterações metabólicas decorrentes do hipertireoidismo. O objetivo do presente estudo foi analisar o efeito de quatro semanas de treinamento aeróbio sobre o perfil lipídico de ratos com hipertireoidismo experimental. Foram utilizados 45 ratos da linhagem Wistar, divididos aleatoriamente em quatro grupos: Controle Sedentário (CS) - administrados com salina durante o período experimental, não praticaram exercício físico (n = 12); Controle Treinado (CT) - administrados com salina, participaram do treinamento (n = 11); Hipertireoidismo Sedentário (HS) - induzidos ao hipertireoidismo, não praticaram exercício físico (n = 12); e Hipertireoidismo Treinado (HT) - induzidos ao hipertireoidismo, participaram do treinamento (n = 10). O treinamento aeróbio teve duração de quatro semanas, cinco vezes na semana, com duração de uma hora por sessão. Após o término do período experimental todos os ratos foram anestesiados em câmara de CO2 até sua sedação. Coletaram-se amostras de sangue para dosagem de colesterol total, triglicerídeos, HDL-colesterol e LDL-colesterol e hormônio T3; e amostras do coração, fígado, músculo gastrocnêmio e tecido adiposo das regiões mesentérica, retroperitonial e subcutânea para pesagem e dosagem de triglicerídeos. Para análise estatística utilizou-se ANOVA two-way, seguida do post hoc LSD de Fischer. Observaram-se menores valores de AGL no grupo HS quando comparado ao CS. O grupo HS teve nível de triglicerídeos significativamente superior nas regiões mesentérica, do gastrocnêmio e retroperitonial quando comparado com os grupos CS e CT, e apenas o tecido adiposo da região retroperitonial apresentou diferenças significativas na qual o grupo HT apresentou menor peso quando comparado com o grupo CS. Pode-se concluir que os ratos hipertireoidicos apresentaram perfil lipídico diferente dos ratos controle, e o treinamento aeróbio em ratos Wistar pode ter alterado o perfil lipídico dos animais com hipertireoidismo experimental quando comparados com o grupo sedentário e grupos controle.

Palavras-chave: atividade física, efeito crônico, hormônio da tireoide, metabolismo, substratos metabólicos.


 

 

INTRODUÇÃO

O hipertireoidismo é caracterizado por um aumento na concentração do hormônio da tireoide, seja este causado por uma maior produção pelas glândulas ou pelo consumo excessivo do hormônio através de medicamentos1.

O excesso deste hormônio afeta profundamente o metabolismo, causando inúmeras alterações como gasto energético aumentado, excessiva mobilização e utilização de substratos metabólicos2,3. Além disso, o hipertireoidismo parece alterar de forma significativa o perfil lipídico do indivíduo doente, causando alterações nas concentrações de glicerol e ácidos graxos livres circulantes (AGL)2, além de modular a distribuição do colesterol de alta densidade (HDL)4 que, associada a alterações nos níveis de colesterol de baixa densidade (LDL), resultam numa razão HDL/LDL favorável5.

Estudos mostram que em função do hipertireoidismo ocorrem alterações morfológicas como a atrofia muscular6, redução de massa muscular e tecido adiposo6 que comprometem a realização de tarefas cotidianas e consequentemente a qualidade de vida do indivíduo6,7.

No sentido de atenuar e/ou reverter esses efeitos, tem-se recomendado a prática de atividade física regular, uma vez que esta apresenta como um dos seus principais benefícios a melhora do perfil lipídico a longo prazo8. Alguns estudos têm demonstrado que a realização de exercício físico agudo tem apresentado efeitos positivos sobre alguns parâmetros fisiológicos, como concentrações de lipídios sanguíneos, lipoproteínas, colesterol, pressão arterial, metabolismo da glicose, sistema imunológico e muitas outras variáveis8,9,10.

Observando os substratos energéticos utilizados durante o exercício, sugere-se que o tipo de exercício que mais atua no metabolismo lipídico é o aeróbio11,12.

Contudo, ainda existem poucos estudos sobre a relação do exercício físico com o perfil lipídico em hipertireoidicos, enfatizando assim a importância de trabalhos que verifiquem os efeitos agudos e crônicos do exercício físico nas principais alterações metabólicas decorrentes do hipertireoidismo.

Modelos animais utilizando condições controladas podem contribuir do ponto de vista da investigação científica, permitindo uma análise mais ampla sob diversos aspectos, uma vez que estudos envolvendo variáveis endócrinas e bioquímicas em seres humanos apresentam limitações devido aos fatores interferentes e ao caráter invasivo de diversas análises. Desta forma, o objetivo deste estudo foi analisar o efeito de quatro semanas de treinamento aeróbio sobre o perfil lipídico de ratos com hipertireoidismo experimental.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Amostra

Foram utilizados 45 ratos jovens da linhagem Wistar, provenientes do Biotério Central da UNESP - Campus de Botucatu, e mantidos no Biotério do Laboratório de Biodinâmica do Departamento de Educação Física, Instituto de Biociências da UNESP - Campus de Rio Claro. Os animais foram alojados em gaiolas de polietileno (quatro ratos por gaiola), mantidos à temperatura ambiente controlada de 23ºC ± 1, foto período de 12 horas de claro/12 horas de escuro e alimentados com ração balanceada padrão Purinaâ para roedores e água ad libitum . O experimento foi realizado de acordo com a legislação brasileira corrente e as normas do Colégio Brasileiro de Experimentação Animal-COBEA.

Delineamento experimental

Os animais foram distribuídos aleatoriamente em quatro grupos: Controle Sedentário (CS) - ratos que foram administrados com salina durante o período experimental e não realizaram exercício físico (n = 12); Controle Treinado (CT) - ratos que foram administrados com salina e realizaram treinamento físico aeróbio (n = 11); Hipertireoidismo Sedentário (HS) - ratos induzidos ao hipertireoidismo que não realizaram exercício físico (n = 12); e Hipertireoidismo Treinado (HT) - ratos induzidos ao hipertireoidismo que realizaram o treinamento físico aeróbio (n = 10).

Para indução ao hipertireoidismo experimental foram administradas doses diárias de levotiroxina sódica (T4) via intraperitoneal, em meio salino (25µg/100g de peso corporal), durante o período de 10 dias antecedentes ao teste de lactato mínimo e durante todo o período experimental13.

Protocolo de treinamento

Inicialmente foi realizada uma adaptação ao meio líquido. Nos dois primeiros dias de adaptação, os animais permaneceram em água rasa durante 10 minutos no primeiro dia e 20 minutos no segundo dia. No terceiro dia, os animais foram mantidos durante 10 minutos em água profunda e no quarto dia durante 10 minutos em água profunda portando uma mochila com velcro acoplada ao tórax. Por fim, no quinto dia, os animais foram mantidos em água profunda por 10 minutos com mochila contendo pesos de chumbo equivalentes a 5% do seu peso corporal.

Após um dia de descanso, todos os animais passaram pelo teste de lactato mínimo para a determinação da carga de treinamento, a qual constituía na indução de hiperlactacidemia através de dois esforços com carga de 13% do peso corporal, separados por 30 segundos de repouso passivo. O primeiro esforço teve duração de 30 segundos, enquanto que o segundo foi realizado até a exaustão (TLim). Após o protocolo de indução, foi determinada a concentração pico de lactato com coletas de amostras sanguíneas nos minutos sete e nove durante o repouso passivo. Imediatamente após essas coletas da fase de indução, foi iniciado o teste incremental com um total de oito estágios com duração de cinco minutos cada (3%, 3,5%, 4%, 4,5%, 5%, 5,5%, 6% e 7% do peso corporal). Os estágios foram separados por 30 segundos para coletas de amostras sanguíneas (25ml) e determinação da lactacidemia. Os valores de lactacidemia obtidos no teste incremental foram plotados e através de ajuste de curva polinomial de segunda ordem foram obtidos os valores de carga e lactacidemia14.

Os animais pertencentes ao grupo treinado iniciaram o treinamento físico 48 horas após o teste de lactato mínimo, na qual sua carga de treinamento correspondia a 80% da carga obtida no teste de lactato mínimo, sendo cada carga ajustada de forma individualizada. As sessões de treinamento eram realizadas em recipiente de 100cm de comprimento, 70cm de largura e 60cm de altura com a temperatura da água mantida em 31 ± 1ºC durante a realização do exercício, durante uma hora por dia, cinco dias por semana por um período total de quatro semanas.

Avaliações prévias e pós-sacrifício dos animais

Durante todo período experimental, o peso corporal foi registrado semanalmente e posteriormente analisado através do método de trapezoidal de área sob a curva15.

Ao final do período experimental todos os ratos foram anestesiados em câmara de CO2 até sua sedação, sendo o sangue coletado através de punção cardíaca através de agulhas e seringas descartáveis. O sangue foi centrifugado a 3.000rpm por 15 minutos e através das amostras de soro sobrenadante foram realizadas as análises de colesterol total, triglicerídeos, HDL-colesterol e LDL-colesterol pelo método enzimático colorimétrico através de kits comerciais (Laborlab®), e o hormônio T3 através de método ELISA (Bioclin®).

O tecido adiposo das regiões mesentérica, retroperitonial e subcutânea posterior foi removido para pesagem. A excisão dos diferentes depósitos de gordura foi realizada de acordo com a descrição de Cinti16.

Amostras do coração, do fígado e do músculo gastrocnêmio e do tecido adiposo das regiões mesentérica, retroperitonial e subcutânea foram retiradas para a determinação das concentrações de triglicerídeos. As amostras foram colocadas em tubos contendo 0,5ml de TritonX-100 a 0,1%. Em seguida, foram homogeneizadas em Polytron® por 20 segundos em velocidade máxima e, após este procedimento, as amostras foram centrifugadas a 4.000rpm por um período de 10 minutos. O sobrenadante foi extraído para a determinação dos triglicerídeos pelo método da espectrofotometria através de kit comercial17.

Análise de dados

Primeiramente, foi realizada análise descritiva dos dados, apresentados na forma de média e desvio padrão. Não tendo o teste de Shapiro-Wilk rejeitado a hipótese de normalidade da distribuição dos dados, foi aplicada a estatística de análise de variância (ANOVA two-way), seguida de teste post hoc LSD de Fischer. Foi adotado um nível de significância preestabelecido de 5%.

 

RESULTADOS

As figuras 1 e 2 apresentam os dados da área sob a curva do peso corporal e do comprimento nasoanal, respectivamente. A análise estatística não apontou diferenças entre os grupos, tanto para o peso quanto para o comprimento, demonstrando homogeneidade entre estes.

 

 

 

 

Da mesma forma, não houve diferença na média da ingestão alimentar (controle: ±; hipertireoidismo: g/100g de peso corporal) e hídrica (controle: ±; hipertireoidismo: ± g/100g de peso corporal) durante o experimento. Para os níveis de tri-iodotironina (T3) foi encontrada diferença estatística significativa com valores superiores para os grupos HS (p = 0,015) e HT (p = 0,008) quando comparados ao CS (figura 3).

 

 

A tabela 1 apresenta os valores referentes ao perfil lipídico, como colesterol total, HDL, LDL, AGL e triglicerídeos. Foi encontrada diferença estatística significativa com menores valores de AGL no grupo HS quando comparado ao CS.

 

 

Para os níveis de triglicerídeos das regiões apresentadas na tabela 2, foi observada diferença significativa da variável TG coração na qual o grupo HT apresentou maiores níveis quando comparados ao CS (p = 0,013), CT (p = 0,016) e HS (p = 0,032). Também foi encontrada diferença estatística na região do gastrocnêmio com maiores valores para o grupo HS quando comparado com os grupos CS (p = 0,009) e CT (p = 0,002). Os níveis de triglicerídeos do mesentério foram significativamente maiores para o grupo HS, quando comparado com os grupos CS (p = 0,035) e CT (p = 0,016). Foi encontrada também diferença estatística na comparação em que o HS apresentou maiores níveis de triglicerídeos na região retroperitonial do que o CS (p = 0,024) e o CT (p = 0,046), e maiores valores para o grupo HT comparado ao CS (p = 0,017) e ao CT (p = 0,035) na mesma região.

 

 

Quanto ao peso do tecido adiposo coletado neste estudo, os resultados são apresentados na tabela 3. Apenas o tecido retirado da região retroperitonial apresentou diferenças significativas, na qual o grupo com hipertireoidismo que praticou atividade física apresentou menor peso do tecido adiposo quando comparado ao grupo CS (p = 0,045) e HS (p = 0,024).

 

 

DISCUSSÃO

O hipertireoidismo é causado por aumento na concentração do hormônio tireoidiano causado pela maior produção ou administração exógena do hormônio.

Os resultados do presente estudo confirmaram a efetiva indução dos ratos ao quadro de hipertireoidismo uma vez que se encontrou diferença estatisticamente significativa do hormônio T3 nos grupos tratados quando comparados aos controles.

Por outro lado, não foram observadas diferenças significativas em nenhuma comparação com CT, apesar do valor médio do hormônio ter sido superior para este grupo comparado ao CS. São raros ou inexistentes os estudos que procuraram avaliar o efeito crônico do exercício físico sobre os níveis de T3 de indivíduos com hipertireoidismo; porém, é consenso na literatura que ocorrem alterações nos níveis de tri-iodotironina durante e após o exercício aeróbio em indivíduos saudáveis18,19. No entanto, os resultados parecem controversos no que diz respeito à direção dessas alterações, e estas podem estar relacionadas às variáveis do exercício implementado18,19. Contudo, não podemos afirmar que o treinamento aeróbio empregado no presente estudo foi capaz de alterar de maneira significativa os níveis de T3 circulantes para os grupos controle e hipertireoidismo. O tratamento ou o treinamento físico, no entanto, não mostram interferência sobre peso corporal e comprimento de ratos durante o período experimental.

Com relação aos pesos dos tecidos adiposos retirados das regiões mesentérica, retroperitonial e subcutânea, os resultados do presente estudo demonstraram que a maior parte dos valores médios foram semelhantes entre os grupos, exceto para os hipertireoideos treinados que apresentam diferença significativa na comparação com os hipertireoideos e controles sedentários para a região retroperitonial. Dessa forma, o exercício aeróbio, empregado em ratos com hipertireoidismo, levou a uma redução significativa do tecido adiposo da região retroperitonial. Os estudos encontrados na literatura não procuraram avaliar alterações do tecido adiposo em indivíduos treinados e com hipertireoidismo, mas o efeito de um ou de outro separadamente. Para o exercício físico, estudos observaram diminuição da lipogênese na região retroperitonial, sugerindo que este pode prevenir o acúmulo de gordura visceral em indivíduos saudáveis20,21. Para indivíduos com hipertireoidismo, sem avaliação da prática de exercício físico, Neves et al. 5, em revisão da literatura, e Haluzik et al. 22 encontraram aumento da lipólise também no tecido adiposo subcutâneo. Além disso, o hipertireoidismo também parece estar relacionado a uma diminuição do tecido adiposo mensurado através das dobras cutâneas6. Dessa forma, exercício físico e hipertireoidismo, separadamente, parecem causar alterações fisiológicas capazes de reduzir a gordura visceral e subcutânea, que só foram observadas em nosso estudo quando associadas estas duas variáveis.

Os hormônios da tireoide estimulam a síntese de colesterol23, aumentando consequentemente seus níveis em indivíduos com hipertireoidismo. Em nosso estudo, não encontramos diferenças significativas com relação ao colesterol. Porém, quanto ao treinamento físico, esperava-se que, de forma crônica, promovesse uma diminuição nos níveis de colesterol total24. Uma vez que tanto a intensidade quanto a duração do treinamento constituem fatores importantes para o melhoramento do perfil lipídico, possivelmente o treinamento realizado neste estudo não tenha sido suficiente para promover a diminuição dos níveis médios do colesterol total25.

Para o colesterol LDL, esperava-se que o treinamento físico proporcionasse uma diminuição na sua concentração24; porém, nosso estudo não encontrou mudanças significativas para os ratos saudáveis e com hipertireoidismo. Nossos resultados corroboram uma meta-análise realizada por Leon e Sanches26, na qual os autores concluíram que a redução nas concentrações do colesterol LDL, colesterol total e triglicerídeos é menos frequente em comparação ao aumento das concentrações de HDL, em estudos com período igual ou superior a 12 semanas de intervenção. Possivelmente, em treinamentos com menor duração, essa diferença apareça com menor frequência.

Por outro lado, para o colesterol HDL, estudos têm relatado que o treinamento físico regular promove um aumento em sua concentração plasmática10,24,27. Em nosso estudo, ao observar os valores de ratos controles, pode-se verificar uma tendência ao aumento do HDL plasmático para todas as formas de intervenção. Contudo, nenhuma diferença significativa foi encontrada.

Apesar de não significativo, vale observar que, ao aplicar um treinamento aeróbio em ratos hipertireoidicos, nota-se que seus valores chegam muito próximos aos de ratos sedentários não tireoideos.

Quando comparamos os níveis de triglicerídeos retirados de áreas corporais específicas, apenas encontramos diferenças significativas nas regiões do coração e tecido adiposo retroperitonial.

O grupo hipertireoideo que praticou atividade física obteve níveis de triglicerídeos superiores na região do coração quando comparados com os outros grupos. Este achado vai de encontro com a literatura, visto que indivíduos com hipertireoidismo sedentários possuem metabolismo acelerado com maior demanda cardiovascular e, consequentemente, menores concentrações de gordura nesta região2,28.

O grupo com hipertireoidismo sedentário obteve nível de triglicerídeos significativamente superior nas regiões mesentérica, do gastrocnêmio e retroperitonial quando comparado com os grupos controle sedentário e treinado. O grupo com hipertireoidismo treinado mostrou valores superiores também quando comparados com os grupos controle, porém não foi significativo. Possivelmente, a atividade física reduziu os valores de triglicerídeos neste grupo, mas não de forma eficiente para gerar tantas modificações metabólicas.

A partir do exposto, pode-se concluir que os ratos hipertireoidicos apresentaram perfil lipídico diferente dos ratos controle, e o treinamento aeróbio em ratos Wistar pode ter alterado o perfil lipídico dos animais com hipertireoidismo experimental quando comparados com o grupo sedentário e grupos controle.

 

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Correspondência:
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