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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692On-line version ISSN 1806-9940

Rev Bras Med Esporte vol.22 no.3 São Paulo May./June 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1517-869220162203139863 

Artigos Originais

NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA EM ADOLESCENTES SAUDÁVEIS

PHYSICAL ACTIVITY IN HEALTHY ADOLESCENTS

NIVEL DE ACTIVIDAD FÍSICA EN ADOLESCENTES SANOS

Alexandre de Paiva Luciano1  2 

Ciro João Bertoli3 

Fernando Adami1 

Luiz Carlos de Abreu1 

1Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), Departamento de Saúde da Coletividade, Santo André, SP, Brasil.

2Faculdade de Medicina de Taubaté, Departamento de Ortopedia, Grupo de Medicina Esportiva, Taubaté, SP, Brasil.

3Faculdade de Medicina de Taubaté, Departamento de Pediatria e Adolescência, Taubaté, SP, Brasil.


RESUMO

Introdução:

A recomendação atual para prática de atividades físicas na infância e adolescência é de que todo jovem deveria envolver-se diariamente por 60 minutos ou mais em atividades físicas moderadas em cinco ou mais dias da semana, somando-se pelo menos 300 minutos de atividades físicas por semana. Poucos estudos sobre o nível de atividade física foram encontrados com amostras de crianças e adolescentes brasileiros.

Objetivo:

Esta pesquisa tem como objetivo a aplicação de um questionário para avaliar o nível de atividade física realizada e suas correlações com estágios da puberdade e índice de massa corporal (IMC) em adolescentes saudáveis matriculados na rede municipal de ensino da cidade de Taubaté, SP, Brasil.

Métodos:

Foi realizado um estudo transversal por meio de aplicação de um questionário (IPAQ) para avaliar o nível de atividade física e sua correlação com peso, altura e IMC de 202 adolescentes saudáveis.

Resultados:

O grupo de 15 a 17 anos, considerado pós-púbere nesta pesquisa, apresentou tempos significantemente maiores do que os demais grupos, quanto à resposta da questão 4b (p = 0,002), que indaga sobre o tempo total gasto sentado durante um dia de final de semana.

Conclusão:

O grupo de 9 a 11 anos, considerado pré-púbere nesta pesquisa, apresentou números significantemente maiores do que os demais grupos quanto às atividades lúdicas moderadas.

Descritores: atividade física; exercício; adolescente

ABSTRACT

Introduction:

The current recommendation for physical activity in childhood and adolescence is that every young person should engage daily for 60 minutes or more in moderate physical activity on five or more days a week, totalizing at least 300 minutes of physical activity per week. Few studies on the level of physical activity were found in samples of Brazilian children and adolescents.

Objective:

This research aims to apply a questionnaire to assess the level of physical activity and its correlation with stages of puberty and body mass index (BMI) in healthy adolescents enrolled in municipal schools in the city of Taubaté, SP, Brazil.

Methods:

This is a cross-sectional study conducted through the application of a questionnaire (IPAQ) to assess the level of physical activity and its correlation with weight, height and BMI of 202 healthy adolescents.

Results:

The group of 15 to 17 years, considered post-pubertal in this study, showed significantly longer times than the other groups regarding the answer to the question 4b (p=0.002), which inquires about the total time spent sitting during a day of the weekend.

Conclusion:

The group 9-11 years, considered pre-pubertal in this study, showed significantly longer times than the other groups with regard to moderate ludic activity.

Keywords: physical activity; exercise; adolescent

RESUMEN

Introducción:

La recomendación actual para la actividad física en la infancia y la adolescencia es que todos los jóvenes deben participar todos los días durante 60 minutos o más de actividad física moderada, cinco o más días de la semana, sumando por lo menos 300 minutos de actividad física semanal. Se encontraron pocos estudios sobre el nivel de actividad física en muestras de niños y adolescentes brasileños.

Objetivo:

Esta investigación tiene como objetivo aplicar un cuestionario para evaluar el nivel de actividad física realizada y su correlación con las etapas de la pubertad y el índice de masa corporal (IMC) en adolescentes sanos inscritos en las escuelas municipales en la ciudad de Taubaté, SP, Brasil. Métodos: Se realizó un estudio transversal mediante la aplicación de un cuestionario (IPAQ) para evaluar el nivel de actividad física y su correlación con el peso, la altura y el IMC de 202 adolescentes sanos.

Resultados:

El grupo de 15 a 17 años, considerado pospuberal en este estudio, tuvo tiempos significativamente más largos que los otros grupos, según la respuesta a la pregunta 4b (p = 0,002), que indaga sobre el total de tiempo dedicado a estar sentado durante un día del fin de semana.

Conclusión:

El grupo de 9 a 11 años, considerado prepuberal en este estudio, tuvo tiempos significativamente más largos que otros grupos con respecto a las actividades lúdicas moderadas.

Descriptores: actividad física; ejercicio; adolescente

INTRODUÇÃO

No Brasil o estado nutricional das crianças, adolescentes e adultos têm se modificado nas últimas décadas passando da predominância de doenças infectocontagiosas, com repercussões nutricionais, para uma maior prevalência de doenças crônicas não transmissíveis1,2. A redução no gasto energético (inatividade física) em crianças e adultos é o determinante mais importante do sobrepeso, e não é difícil verificar que as três principais alterações desta variável no estilo de vida têm ocorrido entre os jovens, ao longo de décadas recentes3.

Atividade física regular apresenta relação inversa com peso corporal4 e com doenças crônicas não transmissíveis5,6, além de promover benefícios na aptidão física7,8, na maximização do pico de massa mineral óssea na adolescência e início da idade adulta9. A prática regular de atividade física auxilia na promoção da saúde e melhora da qualidade de vida de crianças e adolescentes, além de ser primordial para manutenção deste hábito na idade adulta.

A recomendação atual para prática de atividades físicas na infância e adolescência é de que todo jovem deveria envolver-se diariamente por 60 minutos ou mais de atividades físicas moderadas em cinco ou mais dias da semana10,11, somando-se pelo menos 300 minutos de atividades físicas por semana. Entretanto, estudos de intervenção realizados em grandes centros urbanos demonstram que mais de 50% das crianças e adolescentes não atingem as recomendações atuais de atividade física12-14.

Poucos estudos sobre o nível de atividade física foram encontrados com amostras de crianças e adolescentes brasileiros15-17.

Portanto, esta pesquisa tem como objetivo a aplicação de um questionário (IPAQ)18 para avaliar o nível de atividade física realizada e suas correlações com estágios da puberdade e índice de massa corpórea (IMC) em adolescentes saudáveis matriculados na rede municipal de ensino da cidade de Taubaté, SP, Brasil.

CASUÍSTICA E MÉTODOS

Foi realizado um estudo transversal através da aplicação de um questionário (IPAQ)18 (anexo 1) para avaliar o nível de atividade física e sua correlação com peso, altura e IMC de 202 adolescentes saudáveis praticantes de atividade física matriculados na rede municipal de ensino da cidade de Taubaté, SP, Brasil. Foi proposto um grupo, optou-se por realizar o estudo na maior e mais populosa das escolas da rede municipal da cidade de Taubaté, SP, Brasil. Optou-se pela divisão por grupo etário de 9 - 11 anos (pré púberes); 12 - 14 (púberes) e 15 - 17 anos (pós - púberes). O termo de consentimento livre esclarecido (TCLE) foi distribuído e assinado pelos responsáveis. Esta pesquisa foi avaliada e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Taubaté CEP/Unitau no 102/11 sob o número 273/11.

Para verificação do Índice de Massa Corporal (IMC = peso (kg) / altura2 (m), foi realizada medida de peso e estatura. Os adolescentes foram pesados sem sapatos, e com o mínimo de roupa possível, em balança eletrônica. Para a medida de estatura, os adolescentes encostaram-se na parede, posicionando a cabeça de acordo com o plano de Frankfurt. Foi utilizado um estadiômetro fixado à parede. As medidas foram realizadas pelo mesmo avaliador.

Os Critérios de inclusão foram adolescentes saudáveis do sexo masculino entre 12 e 17 anos que praticam atividade física regularmente.

Os Critérios de exclusão foram adolescentes do sexo feminino, devido a desordens hormonais e ciclos menstruais que nestas faixas etárias estudadas, podem alterar a fidedignidade dos achados. Adolescentes entre 12 e 17 anos, com doenças crônicas degenerativas, má formações congênitas, patologias neurológicas, com doenças cardiorrespiratórias e/ou ortopédicas.

As variáveis foram resumidas por grupo de estudo pelas estatísticas descritivas pertinentes: média, desvio padrão (dp), mediana, valores mínimo e máximo para as variáveis numéricas e frequências absoluta e relativa (%) para as variáveis categóricas.

Foi aplicado o teste não paramétrico de Kruskal-Wallis para amostras independentes na comparação entre os grupos quanto às respostas do questionário.

Em testes com resultado estatisticamente significante, foi aplicado o teste de comparações múltiplas de Dunn, para localizar os grupos diferentes.

Todas as análises estatísticas foram executadas pelo software estatístico SPSS for Windows versão 18.0.

Foi adotado o nível de significância de 0,05 (α = 5%) e níveis descritivos (p-valores) inferiores a esse valor foram considerados significantes.

RESULTADOS

A Tabela 1 mostra a descrição das medidas antropométricas segundo o grupo etário dos adolescentes apontando o grupo etário de 9 - 11 anos com 30,2% de sobrepeso e 28,6% de obesos.

Tabela 1 Medidas descritivas (média (dp), mediana, mínimo / máximo) das medidas antropométricas segundo o grupo etário dos adolescentes. 

Dados Grupo etário
9 a 11 anos 12 a 14 anos 15 a 17 anos
n = 63 n = 75 n = 64
Peso (kg) 44,0 (12,0) 55,6 (13,3) 66,6 (13,5)
42,9 53,6 67,0
28,0 / 72,2 35,0 / 110,0 40,0 / 91,0
Altura (m) 1,43 (0,11) 1,63 (0,08) 1,68 (0,06)
1,40 1,65 1,69
1,28 / 1,64 1,40 / 1,80 1,50 / 1,79
IMC (kg/m²) 21,1 (4,0) 20,8 (3,9) 23,5 (4,2)
20,0 19,8 23,5
14,9 / 29,7 14,6 / 34,0 14,0 / 31,5
Classificação do IMC
Baixo peso 5 (7,9%) 28 (37,3%) 13 (20,3%)
Normal 21 (33,3%) 22 (29,3%) 26 (40,6%)
Sobrepeso 19 (30,2%) 20 (26,7%) 17 (26,6%)
Obeso 18 (28,6%) 5 (6,7%) 8 (12,5%)

Na comparação entre os grupos etários quanto às médias dos números de dias e dos tempos respondidos no questionário foram encontrados os seguintes resultados (Tabela 2).

Tabela 2 Medidas descritivas (média (dp), mediana, mínimo / máximo) das respostas do questionário segundo o grupo etário dos adolescentes. 

Questão Grupo etário p-valor
9 a 11 anos 12 a 14 anos 15 a 17 anos
n = 63 n = 75 n = 64
1a 2,25 (2,09) 3,84 (2,19) 3,97 (2,45) < 0,001*
2,00 5,00 5,00
0 / 7 0 / 7 0 / 7
1b 0:35 (041) 0:54 (0:45) 0:47 (1:01) 0,014 *
0:30 0:50 0:30
0:00 / 4:00 0:00 / 3:00 0:00 / 6:00
2a 2,76 (1,56) 2,99 (1,90) 3,25 (2,42) 0,636
2,00 3,00 3,00
0 / 6 0 / 7 0 / 7
2b 1:30 (1:04) 1:04 (0:47) 0:59 (1:07) 0,005*
1:00 1:00 1:00
0:00 / 4:00 0:00 / 4:00 0:00 / 6:00
3a 1,35 (1,61) 2,37 (1,93) 2,23 (2,15) 0,002 *
1,00 2,00 2,00
0 / 5 0 / 7 0 / 7
3b 0:52 (1:04) 1:06 (1:06) 0:59 (1:01) 0,187
0:40 1:00 1:00
0:00 / 4:00 0:00 / 6:30 0:00 / 5:30
4a 6:41 (3:00) 6:52 (2:34) 7:38 (3:29) 0,329
6:00 7:00 8:00
1:30 / 15:00 0:35 / 12:00 3:00 / 20:00
4b 6:15 (3:44) 7:38 (3:53) 9:52 (5:37) 0,002*
6:00 8:00 8:00
1:00 / 15:00 2:00 / 20:00 2:00 / 20:00

Foi encontrada diferença estatisticamente significante entre os grupos etários quanto ao número de dias respondido na questão 1ª (p < 0,001), em que o grupo de 9 a 11 anos apresentou números de dias significantemente menores do que os demais grupos. Os grupos de 12 a 14 anos e 15 a 17 anos não se diferenciaram de forma significante.

Encontramos diferença estatisticamente significante entre os grupos etários quanto ao tempo respondido na questão 1b (p = 0,014), em que o grupo de 9 a 11 anos apresentou tempos significantemente menores do que os do grupo de 12 a 14 anos. O grupo de 15 a 17 anos não se diferenciou dos demais grupos de forma significante.

Observamos diferença estatisticamente significante entre os grupos etários quanto ao tempo respondido na questão 2b (p = 0,005), em que o grupo de 9 a 11 anos apresentou tempos significantemente maiores do que os demais grupos. Os grupos de 12 a 14 anos e 15 a 17 anos não se diferenciaram de forma significante.

Foi encontrada diferença estatisticamente significante entre os grupos etários quanto ao número de dias respondido na questão 3ª (p = 0,002), em que o grupo de 9 a 11 anos apresentou números de dias significantemente menores do que os demais grupos. Os grupos de 12 a 14 anos e 15 a 17 anos não se diferenciaram de forma significante.

Encontramos ainda diferença estatisticamente significante entre os grupos etários quanto ao tempo respondido na questão 4b (p = 0,002), em que o grupo de 15 a 17 anos apresentou tempo significantemente maior que os demais grupos. Os grupos de 9 a 11 anos e 12 a 14 anos não se diferenciaram de forma significante.

Não foi encontrada associação estatisticamente significante entre a classificação do nível de atividade física IPAQ (Tabela 3) e a classificação do IMC (Tabela 4) dos adolescentes avaliados (p = 0,0667).

Tabela 3 Distribuição da Classificação do Nível de Atividade Física IPAQ segundo o grupo etário dos adolescentes. 

Dados Grupo etário
9 a 11 anos 12 a 14 anos 15 a 17 anos
n = 63 n = 75 n = 64
Classificação IPAQ
Muito ativo 10 (15,9%) 21 (28,0%) 22 (34,4%)
Ativo 25 (39,7%) 46 (61,3%) 28 (43,8%)
Irregularmente ativo A 17 (27,0%) 5 (6,7%) 5 (7,8%)
Irregularmente ativo B 9 (14,3%) 2 (2,7%) 7 (10,9%)
Sedentário 2 (3,2%) 1 (1,3%) 2 (3,1%)

Tabela 4 Associação entre a Classificação do Nível de Atividade Física IPAQ e a Classificação do IMC dos adolescentes. 

Classificação IPAQ Total
Muito ativo Ativo Irregular/e ativo A Irregular/e ativo B Sedentário
n = 53 n = 99 n = 27 n = 18 n = 5 n = 202
Classificação IMC
Baixo peso 15 (28,3%) 26 (26,3%) 1 (3,7%) 3 (16,7%) 1 (20,0%) 46 (22,8%)
Normal 20 (37,7%) 33 (33,3%) 10 (37,0%) 4 (22,2%) 2 (40,0%) 69 (34,2%)
Obeso 4 (7,5%) 13 (13,1%) 9 (33,3%) 5 (27,8%) 0 (0%) 31 (15,3%)
Sobrepeso 14 (26,4%) 27 (27,3%) 7 (25,9%) 6 (33,3%) 2 (40,0%) 56 (27,7%)
p-valor 0,0667

DISCUSSÃO

Autores19,20citam as evidências fisiológicas dos benefícios à saúde pela atividade física, especialmente quanto a doenças cardiovasculares, têm sua origem durante a infância e adolescência. Percebe-se, diante disso, a importância da relação entre a atividade física e estado de saúde dos adolescentes para o futuro.

Segundo Heath et al.21, a participação de indivíduos em atividade física é reconhecida como um componente do estilo de vida saudável. Entre adolescentes, a participação em programas de atividade física se apresenta como um agente de prevenção de distúrbios físicos e orgânicos.

A atividade física torna-se, portanto, um importante determinante nas características físicas do adolescente.

Nesta pesquisa, optou-se por aplicação de um questionário para avaliar o nível de atividade física realizada e suas correlações, sabemos que a medida precisa da atividade física é considerada um desafio para os pesquisadores22. Diversos métodos são citados na literatura, entre os mais comuns estão, água duplamente marcada, calorimetria, frequência cardíaca, pedômetros, acelerômetros e questionários.

A utilização dos questionários, têm se mostrado até o momento, como o único método prático de se avaliar a atividade física capaz de alcançar um grande número de crianças e adolescentes, com aceitável acurácia23. A utilização de questionários, além de avaliar a situação atual da atividade física, possibilita estimular o aumento da atividade, a intervenção e orientação nas modificações dos hábitos de vida dos jovens, que podem ser avaliados periodicamente por estes práticos métodos24. Algumas limitações ao uso dos questionários estão relacionadas à idade da criança. Porém, estas questões podem ser solucionadas com a ajuda dos pais e participação dos professores para responder algumas questões.

E esta pesquisa nos chamou à atenção para a diferença estatisticamente significante entre os grupos etários quanto as questão 1ª (p < 0,001), 1b (p = 0,014), em que o grupo de 9 a 11 anos, considerados pré-púberes nesta pesquisa, apresentou números de dias significantemente menores do que os demais grupos e a diferença estatisticamente significante entre os grupos etários quanto ao tempo respondido na questão 2b (p = 0,005), em que, o grupo de 9 a 11 anos, apresentou tempos significantemente maiores do que os demais grupos. Estes resultados mostram a diferença do ritmo de crescimento em adolescentes em desenvolvimento na mesma idade e a época em que esse aspecto se torna mais nítido na puberdade. Para melhor avaliação do desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários, podemos utilizar os critérios divulgados por Tanner JM (1962) 25.

Encontramos diferença estatisticamente significante entre os grupos etários quanto ao tempo respondido na questão 4b (p = 0,002), que indaga sobre o tempo no total gasto sentado durante em um dia de final de semana. Em que o grupo de 15 a 17 anos, apresentou tempos significantemente maiores do que os demais grupos. Estes dados corroboram com a pesquisa de Dietz26 mostrando que a obesidade em adolescentes resulta do desequilíbrio entre atividade reduzida e excesso de consumo de alimentos densamente calóricos, tendo mostrado que o número de horas que um adolescente passa assistindo TV é um importante fator associado à obesidade. Autores também mostraram que grande número de horas sentado ou assistindo televisão está relacionado com os baixos níveis de atividade física, e pode ser associado ao acúmulo de gordura corporal em adolescentes27,28. A disponibilidade de tecnologia, o aumento da insegurança e a progressiva redução dos espaços livres nos centros urbanos (onde vive a maior parte das crianças brasileiras) reduzem as oportunidades de lazer e de uma vida fisicamente ativa, favorecendo atividades sedentárias, tais como: assistir televisão, jogar video-games e utilizar computadores, contribuindo para estes achados científicos.

A Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte29 publicou o Posicionamento Oficial, mostrando que em crianças e adolescentes, um maior nível de atividade física contribui para melhorar o perfil lipídico e metabólico e reduzir a prevalência de obesidade. Ainda, é mais provável que uma criança fisicamente ativa se torne um adulto também ativo. Em consequência, do ponto de vista de saúde pública e medicina preventiva, promover a atividade física na infância e na adolescência, significa estabelecer uma base sólida para a redução da prevalência do sedentarismo na idade adulta, contribuindo desta forma para uma melhor qualidade de vida na idade adulta.

CONCLUSÃO

Concluímos que grupo de 15 a 17 anos, considerados pós-púberes nesta pesquisa, apresentou tempos significantemente maiores do que os demais grupos, quanto ao tempo respondido na questão 4b (p = 0,002), que indaga sobre o tempo no total gasto sentado durante em um dia de final de semana.

Já o grupo de 9 a 11 anos, considerados pré-púberes nesta pesquisa, apresentou números significantemente maiores do que os demais grupos quanto as atividades moderadas de forma lúdica.

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Anexo I. Questionário internacional de atividade física - versão curta.

Recebido: 28 de Agosto de 2015; Aceito: 12 de Fevereiro de 2016

Correspondência: Instituto de Ortopedia Taubaté - IOT. Av. Nove de Julho 453. Centro Taubaté, SP, Brasil. 12020-900. paivaortopedia@gmail.com

Todos os autores declararam não haver qualquer potencial conflito de interesses referente a este artigo.

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