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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692On-line version ISSN 1806-9940

Rev Bras Med Esporte vol.22 no.3 São Paulo May./June 2016

https://doi.org/10.1590/1517-869220162203136164 

Artigos Originais

A INFLUÊNCIA DA TERMOTERAPIA NO GANHO DE FLEXIBILIDADE DOS MÚSCULOS ISQUIOTIBIAIS

THE INFLUENCE OF THERMOTHERAPY IN THE FLEXIBILITY GAIN OF THE HAMSTRING MUSCLES

LA INFLUENCIA DE LA TERMOTERAPIA EN LA FLEXIBILIDAD DE LOS MÚSCULOS ISQUIOTIBIALES

José Herivelton Cardoso de Andrade Filho1 

Thales Costa e Silva do Espírito Santo1 

Samara Géssica Germano Facó1 

Alessandra Tanuri Magalhães1 

Baldomero Antonio Kato da Silva1 

Barbara Visiglia Minghini1 

Cristiano Sales da Silva1 

Vinícius Saura Cardoso1 

1Universidade Federal do Piauí (UFPI), Parnaíba, Piauí, Brasil.


RESUMO

Introdução:

A flexibilidade muscular é descrita como a capacidade do músculo realizar a extensão de suas fibras, influenciando a mobilidade articular. A diatermia aplicada à musculatura prepara o corpo para atividades físicas, por acelerar o metabolismo das fibras musculares e diminuir a resistência intramuscular, aumentando assim a variedade de movimento e a eficiência mecânica. A crioterapia tem diversas funções fisiológicas quando aplicada ao corpo humano, as quais, em conjunto, propiciam o relaxamento muscular.

Objetivo:

Avaliar o comportamento da flexibilidade dos músculos isquiotibiais frente à aplicação de alongamento passivo associado a termoterapias quente e fria.

Métodos:

Este estudo foi composto de 24 voluntários, de ambos os sexos, distribuídos aleatoriamente em três grupos, sendo eles: grupo alongamento passivo (G1), grupo crioterapia precedendo alongamento passivo (G2) e grupo diatermia precedendo alongamento passivo (G3). Os voluntários foram submetidos a avaliações de amplitude de movimento através da goniometria da flexão de quadril com o joelho estendido, sendo uma avaliação inicial realizada antes de iniciar o protocolo e reavaliações ao final de cada uma das quatro semanas de intervenção.

Resultados:

Verificou-se aumento significativo da flexão de quadril no G2 e G3 com relação ao G1. Não houve diferença estatística entre G2 e G3.

Conclusão:

O uso da diatermia, assim como da crioterapia, associado ao alongamento passivo é favorável para o ganho de flexibilidade muscular e, consequentemente, de amplitude de movimento em jovens saudáveis.

Descritores: exercícios de alongamento muscular; crioterapia; diatermia; amplitude de movimento articular

ABSTRACT

Introduction:

Muscle flexibility is described as the ability of the muscle to extend its fibers, influencing joint mobility. Diathermy applied to the muscles prepares the body for physical activity, by accelerating the metabolism of the muscle fibers and decreasing the intramuscular resistance, thereby increasing the range of motion and the mechanical efficiency. Cryotherapy has various physiological functions when applied to the human body, which, together, provide muscle relaxation.

Objective:

To evaluate the flexibility of hamstring muscles by applying passive stretching associated with hot and cold thermotherapy.

Methods:

This study consisted of 24 volunteers of both sexes randomly divided into three groups: passive stretching group (G1), cryotherapy preceding passive stretching group (G2) and diathermy preceding passive stretching group (G3). The volunteers were evaluated for range of motion by goniometry of hip flexion with the knee extended, with an initial assessment carried out before starting the protocol and revaluations at the end of each of the four weeks of intervention.

Results:

There was significant increase in hip flexion in G2 and G3 compared to G1. There was no statistical difference between G2 and G3.

Conclusion:

The use of diathermy and cryotherapy associated with passive stretching is favorable for increasing muscular flexibility and hence the amplitude of motion in healthy young adults.

Keywords: muscle stretching exercise; cryotherapy; diathermy, range of motion, articular

RESUMEN

Introducción:

La flexibilidad muscular se describe como la capacidad del músculo para lograr la extensión de sus fibras, que afecta a la movilidad articular. La diatermia aplicada a los músculos prepara el cuerpo para la actividad física, mediante la aceleración del metabolismo de las fibras musculares y disminución de la resistencia intramuscular, lo que aumenta el rango de movimiento y la eficiencia mecánica. La crioterapia tiene diversas funciones fisiológicas cuando es aplicada al cuerpo humano, que, en conjunto, proporcionan la relajación muscular.

Objetivo:

Evaluar la flexibilidad de los músculos isquiotibiales frente a la aplicación de alongamiento pasivo asociado a termoterapia caliente y fría.

Métodos:

Este estudio se compone de 24 voluntarios de ambos sexos divididos aleatoriamente en tres grupos, a saber: grupo de estiramiento pasivo (G1), grupo de crioterapia antes del estiramiento pasivo (G2) y grupo de diatermia antes del estiramiento pasivo (G3). Los voluntarios fueron sometidos a evaluaciones de amplitud de movimiento a través de la goniometría de la flexión de cadera con la rodilla extendida, siendo una evaluación inicial realizada antes de iniciar el protocolo y reevaluaciones al final de cada una de las cuatro semanas de intervención.

Resultados:

No hubo aumento significativo de la flexión de la cadera en G2 y G3 en comparación con G1. No hubo diferencia estadística entre G2 y G3.

Conclusión:

El uso de diatermia y crioterapia asociado con el estiramiento pasivo es favorable para aumentar la flexibilidad muscular y por lo tanto el rango de movimiento en adultos jóvenes sanos.

Descriptortes: ejercicios de estiramiento muscular; crioterapia; diatermia; rango del movimiento articular

INTRODUÇÃO

O tecido muscular esquelético tem como característica ser flexível, influenciando a mobilidade articular. Desta forma, a diminuição ou aumento da flexibilidade afetará de forma direta a amplitude de movimento (AM)1,2, podendo modificar atividades de vida diária (AVD), atividades laborais, bem estar psicológico e o desempenho esportivo3-5. Desta forma, profissionais de saúde defendem o ganho de flexibilidade para a melhora do desempenho em AVD e atividades esportivas de alto rendimento4.

O treinamento para ganho de flexibilidade proporciona ao grupo muscular aumento das capacidades físicas de rendimento e suporte ao esforço, economia do trabalho muscular, manutenção da postura correta, facilitação da aprendizagem motora, maior potencial de recuperação após atividade física e conservação da autonomia nas atividades habituais6. Entre os atletas, a flexibilidade propicia ainda condições para desenvolver agilidade, velocidade e força, além de minimizar o risco de lesões7,8.

Fisioterapeutas frequentemente avaliam a flexibilidade dos tecidos de seus pacientes, por meio da mensuração da AM, e utilizam técnicas de alongamento para restaurar a mobilidade normal, quando necessário9-11. Estas técnicas promovem a flexibilidade por aumentar a extensibilidade musculotendínea e do tecido conjuntivo periarticular, favorecendo maior AM. Além disso, as propriedades viscosas dos tecidos fazem com que este ganho não seja imediatamente reversível, fato que implica em maior funcionalidade aos indivíduos submetidos a estes exercícios11-13.

Entretanto, ainda não há consenso sobre como realizar o alongamento de forma que haja a máxima eficácia no ganho de flexibilidade. Assim, faz-se necessário o aprimoramento dos protocolos usados durante o alongamento, sendo este, atualmente, um dos grandes objetivos de profissionais como fisioterapeutas, médicos desportivos e educadores físicos14,15. Os estudos de Brasileiro et al.16 e Silva et al.17 tiveram por objetivo a avaliação dos efeitos da associação de termoterapia quente e fria ao alongamento, sugerindo novos estudos sobre o tema devido à escassez de publicações correlatas.

A termoterapia com aplicação de calor aumenta o suprimento sanguíneo, acelera o metabolismo das fibras musculares e reduz a resistência intramuscular10,18. A diatermia por ondas curtas (OC) é um recurso terapêutico de relevante eficácia no aquecimento de tecidos profundos, por meio de radiação eletromagnética19, aumentando a temperatura entre 4° e 5º numa profundidade de 3cm20,21, sendo necessária a manutenção desta temperatura por um período de cerca de 5 minutos para um aumento significante na extensibilidade dos tecidos20.

Já a crioterapia é definida como a aplicação terapêutica de qualquer substância ao corpo que resulte em remoção de calor corporal, reduzindo, assim a temperatura dos tecidos22. Esta tem diversas funções fisiológicas quando aplicada no corpo humano, dentre elas, diminuição na velocidade de condução nervosa, liberação de endorfinas, redução da atividade do fuso muscular e da força tênsil, propiciando o relaxamento muscular23. Geralmente, é necessário aplicação deste recurso durante cinco a 15 minutos para que sejam obtidos os efeitos produzidos pelo resfriamento24.

Tanto o uso da crioterapia quanto da terapia com calor como subsídio ao alongamento pode favorecer ao ganho de flexibilidade, entretanto, agindo de diferentes formas16,17. O objetivo deste estudo foi avaliar o comportamento da flexibilidade dos músculos isquiotibiais frente à aplicação de alongamento passivo, associado à termoterapia quente e fria, durante quatro semanas.

MATERIAIS E MÉTODOS

Participaram do estudo 24 voluntários saudáveis com idade média de 20,18±1,18 anos, de ambos os sexos (12 homens e 12 mulheres) e cujo membro inferior dominante referido foi o direito. Os voluntários não possuíam histórico de doenças ortopédicas e neurológicas e foram distribuídos aleatoriamente em três grupos de mesmo tamanho, sendo estes: grupo alongamento passivo (G1), grupo crioterapia mais alongamento passivo (G2) e grupo diatermia mais alongamento passivo (G3). Os voluntários foram informados sobre a pesquisa e aceitaram participar assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, de acordo com a Resolução 466/12.

O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Piauí (parecer 727.689).

Procedimento

A avaliação da AM da flexão do quadril com o joelho estendido foi realizada utilizando um goniômetro universal (FisioStore(r)) e o voluntário foi posicionado em decúbito dorsal, com corpo estabilizado através de faixas para evitar compensação durante o movimento. Uma faixa estabilizadora foi fixada na coxa do membro inferior que não estava sendo avaliado e a outra faixa colocada ao nível das cristas ilíacas para estabilização do quadril. A AM de flexão do quadril relaciona-se diretamente com o posicionamento do joelho, isso se deve a presença de músculos biarticulares localizados posteriormente à articulação do quadril (isquiotibiais). Diante disto, durante a avaliação, o joelho do voluntário foi estabilizado pelo avaliador25. Foram realizadas cinco avaliações da AM do quadril, as quatro primeiras no início de cada semana do protocolo, antes das sessões de alongamento, e a quinta avaliação dois dias após a última sessão.

Os grupos foram submetidos a sessões de alongamento passivo, compostas por três séries de trinta segundos de alongamento dos músculos isquiotibiais com dez segundos de repouso entre as séries. O voluntário foi posicionado em decúbito dorsal, com o quadril estabilizado e o terapeuta realizou a flexão de quadril com o joelho estendido ao máximo, até o ponto em que o mesmo referiu desconforto, obtendo-se o alongamento muscular nesta posição. Este protocolo foi proposto por Bandy et al.1.

No G1 foi realizado o protocolo de alongamento passivo acima descrito com frequência de três sessões semanais durante quatro semanas. No G2 foi aplicada crioterapia, por meio de bolsa térmica, no terço médio da região posterior da coxa para resfriamento, durante 15 minutos, logo após foi realizado o protocolo de alongamento passivo. No G3 foi realizada aplicação de OC (calor profundo), modelo Thermopulse Compact (Ibramed(r)), para aquecimento durante 15 minutos, com as placas dispostas em posição coplanar no terço médio da região posterior da coxa e intensidade de 80W16. Logo após foi realizado o protocolo de alongamento passivo. Desta forma, todos os grupos tiveram a frequência de três intervenções terapêuticas durante quatro semanas. O protocolo foi efetuado em ambos os membros inferiores, entretanto, somente foi adotada a avaliação do membro inferior direito (MID) na análise no estudo.

Análise Estatística

As comparações intragrupos tiveram periodicidade semanal, e foram realizadas utilizando-se o teste t de Student para amostras relacionadas.

Para comparação intergrupos foram consideradas as medias das diferenças entre a última e a primeira avaliação para cada grupo, sendo utilizada Análise de Variância (ANOVA) com post hoc test de Tukey. O nível de significância considerado foi de 95% (p<0,05).

RESULTADOS

Todos os voluntários concluíram o estudo. Ao avaliar a AM nos três grupos, pode-se verificar aumento, representado pelo ganho em graus, significativo da flexão de quadril no G2 e G3 em relação ao G1. Quando comparado o G2 com o G3 não houve diferença significativa (Figura 1).

Figura 1 Comparação da AM (final-inicial) da flexão do quadril (em graus), nos grupos 01 (alongamento), 02 (crioterapia + alongamento) e 03 (ondas curtas + alongamento). (P<0,05). 

Analisando cada grupo separadamente pode-se observar que o ganho de AM nos grupos estudados foi significativo a partir da 3ª semana (4ª avaliação) tendo como referência a avaliação inicial. Para o G1 pode-se observar um incremento de 24,30% da AM ao final do estudo (Figura 2). O G2 obteve o ganho de 36,53% (Figura 3) e para o G3 houve aumento da AM em 40,16% (Figura 4).

Figura 2 Medida, em graus, da AM da flexão de quadril do G1 durante o estudo apresentando diferença estatística a partir da quarta semana tendo como referencia a primeira semana. (P<0,05). 

Figura 3 Medida, em graus, da AM da flexão de quadril do G2 durante o estudo apresentando diferença estatística a partir da quarta semana tendo como referencia a primeira semana. (P<0,05). 

Figura 4 Medida, em graus, da AM da flexão de quadril do G3 durante o estudo apresentando diferença estatística a partir da quarta semana tendo como referencia a primeira semana. (P<0,05). 

DISCUSSÃO

Os músculos isquiotibiais desempenham papel relevante tanto na eficácia, como na eficiência dos movimentos humanos básicos, como caminhada e corrida. Na prática clínica têm-se observado que a limitação de flexibilidade deste grupo muscular é comum na população em geral. Da mesma forma, na área esportiva, isquiotibiais encurtados têm sido relacionados a tensões musculares, desenvolvimento de tendinopatia patelar e dor femoropatelar, dano muscular após o exercício excêntrico e redução no desempenho esportivo26,27. Neste sentido, foi observado que o alongamento passivo de vários grupos musculares, principalmente dos isquiotibiais, melhora o comprimento e a extensibilidade muscular, tanto de modo imediato, como em efeito em longo prazo do presente treinamento28.

O estudo averiguou que os três grupos em avaliação tiveram eficiente aumento na flexibilidade dos músculos isquiotibiais após os protocolos adotados. O G3 (diatermia + alongamento) apresentou diferença significante em relação ao G1 (alongamento), divergindo dos estudos de Brasileiro et al.16 e Silva et al.17, que também utilizaram a diatermia por ondas curtas associada ao alongamento para ganho de flexibilidade dos músculos isquiotibiais, porém sem alterações significativas na AM.

O resultado do presente estudo vem de acordo com a prática clínica que utiliza técnicas de alongamento associadas ao calor para obter um maior ganho da flexibilidade. O aquecimento aumenta o suprimento de sangue e a liberação do oxigênio da mioglobina e hemoglobina para os músculos. Estas mudanças aceleram o metabolismo das fibras musculares e diminuem a resistência intramuscular, aumentando assim a eficiência mecânica do movimento10,18.

O G2 (crioterapia + alongamento) também apresentou diferença significante em relação ao G1. É fato que a diminuição de dor e condução nervosa é ocasionada pelo resfriamento16,29-32, o que traz consequências diretas para as manobras de alongamento. A limitação álgica durante as manobras de alongamento precede a limitação tecidual, desta forma, a sensação subjetiva de desconforto na musculatura que está sendo alongada pode reduzir a eficiência da manobra, minimizando possíveis alterações viscoelásticas nos tecidos como a diminuição de flexibilidade das proteínas musculares quando resfriado33. Uma vez que o sujeito aumenta a sua tolerância às manobras com o resfriamento, maior alongamento seria permitido. Em relação a diminuição da condução nervosa, estudos anteriores que utilizaram o relaxamento muscular obtido com a aplicação da crioterapia, sugerem que a diminuição na tensão muscular ocorre devido a redução na frequência de disparo dos fusos musculares34,35.

Na clínica de fisioterapia, o uso da crioterapia para ganho de AM, ainda é questionada, pois esta técnica desencadeia respostas fisiológicas adversas sobre as propriedades viscoelásticas dos tecidos. Knight22, afirma que a presença de hipotermia aumenta a rigidez do tecido conjuntivo, diminuindo sua extensibilidade, o que sugere que a associação entre resfriamento e alongamento seja prejudicial quando o objetivo é promover aumento da extensibilidade deste tecido.

Fisiologicamente, para pacientes em fase aguda e/ou apresentando quadro álgico significante é recomendada a utilização de termoterapia fria ou crioterapia, devido seus efeitos analgésicos e de redução de respostas inflamatórias, além de diminuir o desconforto durante as sessões de alongamento36, comum nos pacientes com maior restrição de movimento (início do tratamento). Já em quadros crônicos e/ou quando o indivíduo apresenta-se em tratamento ativo, a termoterapia por meio de calor é a melhor indicada, por seus efeitos de potencialização da atividade metabólica e promoção de relaxamento muscular37. Desta forma, sugere-se o uso de crioterapia associada ao alongamento passivo quando pacientes apresentam indicação de ganho de AM e se encontram na fase aguda do processo inflamatório. O uso do OC associado ao alongamento passivo seria indicado para pacientes com indicação de ganho de AM e se encontram na fase crônica do processo inflamatório.

Pode-se observar, quando comparado intragrupos, que todos os grupos apresentaram acréscimo na AM, porém este aumento foi estatisticamente significante a partir da terceira semana. Isso pode ser atribuído ao fato da musculatura ter um tempo fisiológico de adaptação ao estresse causado pelo alongamento. Segundo Herbert38, Hall e Brod39 os efeitos do alongamento podem ser divididos em agudos e crônicos. Os agudos ou imediatos são resultado da flexibilidade do componente elástico da unidade musculotendínea. Desta forma, o OC associado ao alongamento passivo pode auxiliar nos efeitos imediatos, pois modifica a elasticidade das proteínas musculares40. Já os efeitos crônicos resultam em remodelamento adaptativo da estrutura muscular38,39.

CONCLUSÃO

Os resultados deste estudo sugerem que o uso da termoterapia quente, por ondas curtas, e fria, associadas ao alongamento passivo, é favorável para o ganho de flexibilidade muscular e, consequentemente, da AM em jovens saudáveis.

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Recebido: 11 de Junho de 2015; Aceito: 03 de Março de 2016

Correspondência: Vinicius Saura Cardoso BR 343, 4228, casa 16, São Judas Tadeu, Parnaíba, Piauí, Brasil. 64206-260. vscfisio@ufpi.edu.br

Todos os autores declararam não haver qualquer potencial conflito de interesses referente a este artigo.

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