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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692On-line version ISSN 1806-9940

Rev Bras Med Esporte vol.23 no.4 São Paulo July/Aug. 2017

https://doi.org/10.1590/1517-869220172304168906 

Artigo Original

FREQUÊNCIA DE USO DE PARQUES E PRÁTICA DE ATIVIDADES FÍSICAS EM ADULTOS DE CURITIBA, BRASIL

FREQUENCY OF PARK USE AND PHYSICAL ACTIVITY PRACTICES IN ADULTS FROM CURITIBA, BRAZIL

FRECUENCIA DE USO DE LOS PARQUES Y PRÁCTICA DE ACTIVIDAD FÍSICA EN ADULTOS DE CURITIBA, BRAZIL

Rogério César Fermino1  2 

Pedro Curi Hallal3 

Rodrigo Siqueira Reis2  4  5 

1Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Programa de Pós-Graduação em Educação Física, Grupo de Pesquisa em Ambiente, Atividade Física e Saúde (GPAAFS), Curitiba, PR, Brasil.

2Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Grupo de Pesquisa em Atividade Física e Qualidade de Vida (GPAQ), Curitiba, PR, Brasil.

3Universidade Federal de Pelotas, Programa de Pós-Graduação em Educação Física, Grupo de Estudos em Epidemiologia da Atividade Física (GEEAF), Pelotas, RS, Brasil.

4Washington University in St. Louis, Brown School, Prevention Research Center, Saint Louis-MO, United States of America.

5Universidade Federal do Paraná, Programa de Pós-Graduação em Educação Física, Curitiba-PR, Brasil.


RESUMO

Introdução: A visitação de parques está associada com maiores níveis de atividades físicas, no entanto as evidências são limitadas a países de renda elevada. Objetivo: Verificar a associação entre a frequência de uso de parques e a prática de diferentes tipos, volumes e intensidades de atividades físicas de lazer em adultos de Curitiba-PR. Métodos: Em 2009 foi realizado um estudo transversal, com inquérito domiciliar, em uma amostra representativa de 1.461 adultos que residiam no entorno de oito parques da cidade. A frequência de uso dos parques foi avaliada em uma escala ordinal de quatro níveis e os diferentes volumes de caminhada, atividade física moderada, vigorosa e total foram avaliados com o International Physical Activity Questionnaire. A associação foi testada com a regressão de Poisson. Resultados: Foi verificado tendência de associação positiva entre o uso de parques e a prática de caminhada, atividade física moderada e total para homens (p<0,05). Para as mulheres esta tendência ocorreu na caminhada e na atividade física total (p<0,05). O uso dos parques em uma frequência ≥4 vezes/sem pode aumentar em aproximadamente três vezes (RP: 2,96; IC95%: 1,92-3,66) a probabilidade dos indivíduos a atingirem as recomendações de atividade física total (≥150 min/sem). Conclusão: O uso dos parques está associado com a atividade física, com efeitos mais consistentes entre os homens. Estes resultados podem auxiliar os gestores a direcionarem ações específicas para promover o uso e a prática de atividade físicas nos locais.

Descritores: áreas verdes; parques recreativos; meio ambiente e saúde pública; atividade motora; atividades de lazer

ABSTRACT

Introduction: Parks visit has been associated with higher levels of physical activity, however the evidence is limited to high-income countries. Aim: To verify the association between the frequency of park use and different types, volumes and intensities of leisure time physical activity in adults from Curitiba, Brazil. Methods: In 2009 a cross sectional study, with a household survey, was conducted in representative sample of 1,461 adults living near to eight urban parks. The frequency of park use was assessed through a self-reported and ordinal scale describing four levels of park visits. Weekly minutes per week of walking, moderate, vigorous and total physical activity were assessed through the International Physical Activity Questionnaire. The associations were tested with Poisson regressions (p<0.05). Results: A positive association between park use and walking, moderate and total physical activity among men was observed (p<0.05). Among women such association was found only for walking and total physical activity (p<0.05). Park use in a frequency of ≥4 times/wk can increase in approximately three times (PR: 2.96; CI95%: 1.92-3.66) the likelihood of individuals to achieve the total physical activity recommendations (≥150 min/wk). Conclusion: Park use was positively associated with physical activity among adults, with greater effect among men. These results can help managers to guide specific actions to promote of park use and physical activity practices at the places.

Keywords: green areas; parks, recreational; environment and public health; motor activity; leisure activities

RESUMEN

Introducción: Visitar los parques está asociado con mayores niveles de actividad física, sin embargo, la evidencia es limitada a los países de alto ingreso. Objetivo: Investigar la asociación entre la frecuencia de uso de los parques y la práctica de diferentes tipos, volúmenes e intensidades de actividad física en el tiempo libre en adultos de Curitiba. Métodos: En 2009 se realizó un estudio transversal con una encuesta de hogares sobre una muestra representativa de 1.461 adultos que residian cerca de ocho parques urbanos. La frecuencia de uso de los parques se evaluó en una escala ordinal de cuatro niveles y los diferentes volúmenes de caminar, actividad física moderada, vigorosa y total fueron evaluados con el International Physical Activity Questionnaire. La asociación se puso a prueba con la regresión de Poisson. Resultados: Se observó una tendencia de asociación positiva entre el uso de parques y la práctica de caminar, actividad física moderada y total para los hombres (p<0,05). Para las mujeres esta tendencia se observó en caminar y en la actividad física total (p<0,05). El uso de los parques en una frecuencia ≥4 veces/semana puede aumentar aproximadamente tres veces (RP: 2,96; IC95%: 1,92-3,66) la probabilidad de los individuos alcancen las recomendaciones totales de actividad física (≥150 min/semana). Conclusión: El uso de los parques se asocia con la actividad física, con efectos más consistentes entre los hombres. Estos resultados pueden ayudar a los gestores a direccionar acciones específicas para promover el uso y la práctica de la actividad física en los parques.

Descriptores: áreas verdes; parques recreativos; medio ambiente y salud pública; actividad motora; actividades recreativas

INTRODUÇÃO

A inatividade física é um dos principais problemas de saúde pública e a quarta causa de morte, sendo responsável por cerca de um a cada 10 óbitos por doenças cardiovasculares, diabetes, câncer de mama e de cólon em todo o mundo1,2. Por este motivo, diversos programas de intervenção vêm sendo implementados em todo o mundo com o objetivo de aumentar os níveis de atividade física3 e reduzir os fatores de risco para as doenças crônicas não transmissíveis2. No Brasil, parte dos programas de intervenção comunitários são realizados em parques4.

Os parques são locais valorizados e utilizados pela comunidade para atividades físicas e de lazer5-7, o que é corroborado por uma revisão8 a qual indica que entre 19-88% dos participantes dos estudos reportam frequentar estes locais pelo menos uma vez na semana. Como consequência da atratividade e a visitação destes locais, tem sido observada associação positiva entre o uso de parques e a prática de diferentes tipos e intensidades de atividades físicas9-12. Por exemplo, Veicth et al.12verificaram que a visitação de parques pode aumentar significativamente a probabilidade de maiores níveis de atividade física no deslocamento (23%), caminhada (26%) e atividade física moderada-vigorosa no lazer (11%), além da atividade física total (40%).

No entanto, estes estudos foram, em sua maioria, realizados em países de renda elevada o que pode não representar a realidade sociocultural dos países de renda média, como os da América Latina4,13. No Brasil, as desigualdades sociais e econômicas, associadas à inequidade de acesso a parques propícios para a prática de atividades físicas14, poderia ocasionar em maior magnitude de associação entre o uso destes locais e a prática de atividades físicas, quando comparado aos estudos conduzidos em países de maior renda4,13,15. O baixo poder aquisitivo da população poderia limitar a possibilidade do custeio de mensalidade em locais privados para a prática de atividades físicas o que, em consequência, aumentaria o interesse da população pela procura dos parques para a realização destas atividades16,17. A compreensão da relação entre o uso de parques e os níveis de atividades físicas é importante para que os gestores tenham subsídios para direcionar ações que promovam o acesso e o uso deste locais pela comunidade, atenuando a desigualdades de acesso à prática de atividades físicas.

O objetivo deste estudo foi verificar a associação entre a frequência de uso de parques e a prática de diferentes tipos, volumes e intensidades de atividades físicas no tempo de lazer, por sexo, em adultos de Curitiba-PR.

MATERIAIS E MÉTODOS

Delineamento, características do estudo e aspectos éticos

Entre abril e julho de 2009 foi conduzido um inquérito domiciliar transversal, com aplicação de entrevistas face-a-face para avaliar as características de saúde, hábitos de lazer e a prática de atividades físicas de adultos que residiam próximos a parques de Curitiba. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFPel (005/2008), os participantes concordaram em participar voluntariamente e assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Seleção dos parques

Até o início do planejamento do estudo (janeiro de 2009), Curitiba contava com 21 parques, 29 centros de esporte e lazer, 454 praças, 52 áreas de preservação e 168 km de ciclovias. Mas, nem todos estes locais apresentavam estruturas e/ou tinham como finalidade a prática de atividades físicas.

Foram selecionados oito parques, de acordo com o seu potencial para a prática de atividades físicas, com base em um método misto de abordagem, e localizados em bairros com diferentes condições socioeconômicas e ambientais. Ainda, os locais foram intencionalmente selecionados pela indicação dos coordenadores das Secretarias Municipais responsáveis pelas ações de promoção da atividade física na cidade, os quais sugeriram os parques onde as ações de suas secretarias ocorriam com maior frequência.

Maiores detalhes sobre a seleção e as características dos parques podem ser consultados na literatura18-20.

Seleção das residências, participantes e coleta de dados

Foi estabelecida uma área de abrangência (buffer) de 500 metros no entorno dos oitos parques, utilizando o software ArcGis. A distância de 500 metros foi adotada com base em estudos anteriores e por considerar a distância percorrida em uma caminhada de cinco a 10 minutos da residência até os locais. Todos os segmentos de rua dentro de cada buffer foram auditados (n=1.899). Em 29% não havia residência e foram excluídos na análise (n=361). Para estabelecer representatividade de moradores, uma residência foi aleatoriamente selecionada em cada um dos 1.538 segmentos elegíveis.

Foram considerados elegíveis indivíduos adultos que residiam no bairro por ao menos um ano. As residências foram visitadas pessoalmente e os moradores aleatoriamente selecionados, considerando o número de indivíduos elegíveis no domicílio.

Oito entrevistadores, mulheres e com ensino médio completo, conduziram as entrevistas após receberem 30 horas de treinamento. As entrevistas foram realizadas em 95% dos segmentos elegíveis (n=1.461), nos 5% restantes não existiam residentes elegíveis.

Variável independente

O uso de um parque específico próximo à residência foi avaliado com a questão: “Nos últimos 12 meses você frequentou o parque? 12 (0: não; 1: sim). A frequência de uso foi identificada por nove opções de resposta: “algumas vezes no ano”, “algumas vezes por mês” e de “uma” a “sete vezes por semana”. Esta variável foi operacionalizada em uma escala ordinal de quatro níveis: “não usa” (cód.: 0), “uso poucas vezes ao ano/mês” (cód.: 1), ”uso 1-3 vez/sem” (cód.:2) e “uso ≥4 vez/sem” (cód.: 3).

Ainda, os indivíduos foram questionados sobre a principal atividade realizada nos parques, a lista apresentava 18 opções de atividades físicas, esportivas, sociais, de lazer e outras atividades. Esta lista foi elaborada com base em questionários utilizados em pesquisas similares conduzidas nos Estados Unidos, posteriormente adaptada ao contexto brasileiro. Ainda, esta nova lista foi testada em estudo piloto e finalmente adequada para a coleta de dados.

Variáveis dependentes

A prática de atividades físicas, em uma semana habitual, foi avaliada com o módulo de lazer da versão longa do International Physical Activity Questionnaire21. Os escores de caminhada, de atividades físicas moderadas e vigorosas (min/sem) foram computados pela razão entre a frequência semanal e o tempo médio despendido na realização de cada uma destas atividades. O escore de atividade física total foi computado com a equação: [min/sem caminhada + min/sem atividade moderada + (min/sem atividade vigorosa * 2)]22. A caminhada, as atividades físicas moderadas e a atividade total foram categorizados em “<10 min/sem” versus “≥10 min/sem” e “<150 min/sem versus “≥150 min/sem”. A atividade física vigorosa foi classificada em “<10 min/sem” versus “≥10 min/sem” e “<75 min/sem versus “≥75 min/sem”23.

Covariáveis

Com base na revisão de literatura, foram identificadas algumas variáveis potencialmente associadas com o uso de parques e/ou com a prática de atividade física de lazer em adultos5,8,13. Assim, as variáveis faixa etária, nível socioeconômico, estado nutricional e qualidade de vida poderiam confundir a associação existente entre a variável de exposição e a variáveis desfecho. Por este motivo, estas variáveis foram avaliadas, selecionadas e testadas como possíveis covariáveis nas análises. Detalhes sobre os instrumentos, a medida e a categorização destas variáveis estão na Tabela 1 e disponíveis na literatura18,20.

Tabela 1 Características descritivas dos participantes, por sexo. Curitiba, Brasil, 2009 (n=1.461). 

Variável Categoria Homens (n=530) Mulheres (n=931) p Todos (n=1.461)
n % n % n %
Faixa etária (anos) 18 - 39 238 44,9 366 39,5 0,024t 604 41,5
40 - 59 235 44,3 433 46,8 668 45,9
≥ 60 57 10,8 127 13,7 184 12,6
Nível socioeconômico Baixo 174 33,0 377 40,7 <0,001t 551 37,9
Intermediário 272 51,6 448 48,4 720 49,6
Elevado 81 15,4 101 10,9 182 12,5
Estado nutricional* Normal 255 48,1 495 53,4 0,052h 750 51,3
Excesso de peso 275 51,9 432 46,6 707 48,7
Qualidade de vida Negativa 105 19,8 280 30,1 <0,001h 385 26,4
Positiva 425 80,2 651 69,9 1076 73,6
Caminhada < 10 min/sem 316 59,6 585 62,9 0,215h 901 61,7
≥ 10 min/sem 214 40,4 345 37,1 559 38,3
< 150 min/sem 435 82,1 759 81,6 0,826h 1194 81,8
≥ 150 min/sem 95 17,9 171 18,4 266 18,2
Atividade física moderada < 10 min/sem 374 70,6 740 79,5 <0,001h 1114 76,2
≥ 10 min/sem 156 29,4 191 20,5 347 23,8
< 150 min/sem 457 86,2 848 91,1 0,004h 1305 89,3
≥ 150 min/sem 73 13,8 83 8,9 156 10,7
Atividade física vigorosa < 10 min/sem 403 76,0 863 92,7 <0,001h 1266 86,7
≥ 10 min/sem 127 24,0 68 7,3 195 13,3
< 75 min/sem 438 82,6 872 93,7 <0,001h 1310 89,7
≥ 75 min/sem 92 17,4 59 6,3 151 10,3
Atividade física total < 10 min/sem 198 37,4 475 51,1 <0,001h 673 46,1
≥ 10 min/sem 332 62,6 455 48,9 787 53,9
< 150 min/sem 311 58,6 641 68,9 <0,001h 952 65,2
≥ 150 min/sem 219 41,3 289 31,1 508 34,8
Frequência de uso do parque Não usa 186 35,1 385 41,4 0,101t 571 39,1
Uso poucas vezes por ano/mês 165 31,1 254 27,3 419 28,7
Uso 1-3 vezes/sem 119 22,5 189 20,2 308 21,0
Uso ≥ 4 vezes/sem 60 11,3 103 11,1 163 11,2
Finalidade de uso do parque Não usa 186 35,1 386 41,4 0,005t 572 39,1
Atividades de lazer** 63 11,7 126 13,4 189 12,9
Atividades físicas*** 242 45,3 363 38,8 605 41,1
Outras atividades 39 7,4 56 5,9 95 6,4
Principais atividades realizadas no parque Atividades de lazer** 62 18,2 125 23,1 0,177t 187 21,2
Atividades físicas*** 240 70,4 361 66,7 601 68,1
Outras atividades 39 11,4 55 10,2 94 10,7

h: valor do teste de c2 para heterogeneidade; t: valor do teste de c2 para tendência linear; *: índice de massa corporal; **: encontrar amigos, passear com a família, realizar celebrações e piqueniques, permanecer sentado no parque/leitura; ***: atividades físicas diversas, descritas na Figura 1.

Análise estatística

A regressão de Poisson foi utilizada para testar a associação entre as variáveis. Após a elaboração do modelo bruto, todas as covariáveis foram consideradas para a elaboração do modelo multivariável. Contudo, permaneceram no modelo final somente aquelas variáveis que apresentam valor de significância <0,20 na associação bivariada com a variável dependente ou com a independente. Os dados foram analisados no STATA 12.0 e o nível de significância mantido em 5%. A correção para o efeito do delineamento foi realizada com o comando “svy” do software para ajustar a variabilidade de estimativa da prática das atividades físicas entre os locais selecionados.

RESULTADOS

Foram entrevistados 1.461 indivíduos (63,7% de mulheres) e a taxa de recusa para a participação na pesquisa foi de 7,9% (n=121) (Tabela 1). A maior proporção dos indivíduos estava na faixa etária de 40-59,9 anos (45,9%), apresentava nível socioeconômico intermediário (49,6%), estado nutricional normal (51,3%) e percepção positiva de qualidade de vida (73,6%) (Tabela 1). Menor faixa etária (p=0,024), maior nível socioeconômico (p<0,001) e percepção positiva de qualidade de vida (p<0,001) foram positivamente associadas com o sexo masculino (Tabela 1).

Dentre os desfechos de atividades físicas, a atividade total em um volume ≥10 min/sem foi a mais comum entre os participantes (53,9%), enquanto a prática de atividades vigorosas em um volume ≥75 min/sem, foi a menos comum (10,3%) (Tabela 1). Maiores níveis de atividade física moderada (p<0,001), vigorosa (p<0,001) e total (p<0,001) foram positivamente associadas com o sexo masculino (Tabela 1).

Entre os participantes que relataram usar o parque próximo à residência, a maioria frequenta os locais poucas vezes por ano/mês (28,7%). Aproximadamente 41% dos entrevistados reportaram frequentar o parque com a finalidade específica de prática de atividades físicas (tabela 1). Cerca de 68% dos frequentadores dos parques realizam atividades físicas nos locais (tabela 1).

As principais atividades realizadas nos parques foram a caminhada, seguido de passeio com a família e outras atividades (Figura 1).

Figura 1 Principal atividade realizada nos parques. Curitiba-PR, Brasil, 2009 (n=882). 

Na análise bivariada (Tabela 2) foi verificada associação positiva e significante entre as diferentes categorias de frequência de uso dos parques com os desfechos de atividades físicas. Para os homens, a força de associação variou entre RP: 1,34 (IC95%: 1,13-1,59) e RP: 7,09 (IC95%: 4,33-11,62). Para as mulheres variou entre RP: 1,60 (IC95%: 1,10-2,33) e RP: 5,71 (IC95%: 3,01-8,84).

Tabela 2 Associação bivariada (RP e IC95%) entre a frequência de uso dos parques com a prática de diferentes tipos, volumes e intensidades de atividades físicas no tempo de lazer, por sexo, em adultos. Curitiba-PR, 2009 (n=1.461).  

Homens (n = 530; 36,3%)
Uso dos parques Caminhada Atividade física moderada Atividade física vigorosa Atividade física total
≥ 10 min/sem ≥ 150 min/sem ≥ 10 min/sem ≥ 150 min/sem ≥ 10 min/sem ≥ 75 min/sem ≥ 10 min/sem ≥ 150 min/sem
Não usa 1 1 1 1 1 1 1 1
Usa poucas vezes por ano/mês 1,49 (0,77-2,90) 1,77 (1,01-3,10) 1,72 (1,12-2,65) 2,66 (1,11-6,42) 2,07 (1,19-3,60) 1,96 (1,17-3,29) 1,34 (1,13-1,59) 1,86 (1,25-2,78)
Usa 1-3 vez/sem 2,62 (1,68-4,08) 3,01 (1,87-4,85) 2,34 (1,45-3,77) 3,55 (1,57-6,05) 1,46 (0,87-2,45) 1,22 (0,73-2,06) 1,71 (1,29-2,28) 2,32 (1,51-3,57)
Usa ≥ 4 vez/sem 3,03 (1,85-4,96) 7,09 (4,33-11,62) 1,73 (0,92-3,26) 3,10 (0,73-6,10) 1,45 (0,76-2,74) 1,48 (0,73-3,01) 1,93 (1,55-2,41) 2,96 (2,04-4,28)
<0,001a <0,001a <0,001a <0,001a 0,286a 0,373a <0,001a <0,001a
Mulheres (n = 931; 63,7%)
Não usa 1 1 1 1 1 1 1 1
Usa poucas vezes por ano/mês 1,33 (0,99-1,80) 1,01 (0,63-1,62) 0,80 (0,45-1,44) 0,76 (0,34-1,68) 1,75 (1,21-2,52) 1,60 (1,10-2,33) 1,13 (0,95-1,35) 1,07 (0,82-1,40)
Usa 1-3 vez/sem 2,84 (1,75-4,63) 1,82 (1,22-2,72) 1,51 (0,84-2,71) 1,57 (0,60-4,15) 1,74 (0,73-4,20) 1,30 (0,45-3,71) 1,97 (1,40-2,79) 1,77 (1,04-3,00)
Usa ≥ 4 vez/sem 3,57 (2,56-5,64) 5,71 (3,01-8,84) 1,46 (0,92-2,32) 1,87 (0,65-3,44) 1,50 (0,48-4,70) 1,58 (0,47-3,30) 2,23 (1,44-3,42) 3,13 (1,69-5,79)
0,001a 0,003a 0,102a 0,211a 0,219a 0,408a 0,004a 0,010a

a valor de significância para o teste de tendência.

Após o ajuste para as variáveis de confusão (Tabela 3) grande parte das associações permaneceram positivas, significantes e consistentes para os homens. Por exemplo, o uso dos parques em uma frequência ≥4 vezes/sem pode aumentar em aproximadamente três vezes (RP homens: 2,96; IC95%: 1,92-3,66) a probabilidade dos indivíduos a atingirem as recomendações de atividade física total (≥150 min/sem), quando comparado àqueles que não utilizam os locais. Para os homens, a força de associação variou entre RP: 1,29 (IC95%: 1,10-1,52) e RP: 6,59 (IC95%: 3,79-9,46). Para as mulheres variou entre RP: 1,64 (IC95%: 1,11-2,42) e RP: 5,43 (IC95%: 3,13-9,40).

Tabela 3 Associação multivariada (RP e IC95%) entre a frequência de uso dos parques com a prática de diferentes tipos, volumes e intensidades de atividades físicas no tempo de lazer, por sexo, em adultos. Curitiba-PR, 2009 (n=1.461). 

Homens (n = 530; 36,3%)
Uso dos parques Caminhada Atividade física moderada Atividade física vigorosa Atividade física total
≥ 10 min/sem ≥ 150 min/sem ≥ 10 min/sem ≥ 150 min/sem ≥ 10 min/sem ≥ 75 min/sem ≥ 10 min/sem ≥ 150 min/sem
Não usa 1b 1b 1c 1c 1c 1c 1b 1c
Usa poucas vezes por ano/mês 1,53 (0,83-2,85) 1,81 (1,02-3,21) 1,55 (0,96-2,49) 2,38 (1,11-5,12) 1,80 (1,14-2,84) 1,66 (1,07-2,55) 1,29 (1,10-1,52) 1,71 (1,21-2,44)
Usa 1-3 vez/sem 2,56 (1,64-3,98) 2,91 (1,83-4,64) 2,09 (1,23-3,55) 3,20 (1,45-7,07) 1,33 (0,86-2,07) 1,07 (0,66-1,74) 1,64 (1,22-2,19) 2,15 (1,49-3,11)
Usa ≥ 4 vez/sem 2,88 (1,72-4,78) 6,59 (3,79-9,46) 1,57 (0,78-3,17) 2,79 (0,67-4,67) 1,27 (0,68-2,36) 1,22 (0,57-2,62) 1,80 (1,35-2,40) 2,96 (1,92-3,66)
0,001a <0,001a 0,031a 0,065a 0,439a 0,791a 0,002a <0,001a
Mulheres (n = 931; 63,7%)
Não usa 1d 1c 1d 1d 1c 1d 1d 1d
Usa poucas vezes por ano/mês 1,29 (0,95-1,73) 1,01 (0,64-1,61) 0,72 (0,41-1,29) 0,70 (0,33-1,50) 1,64 (1,11-2,42) 1,52 (0,99-2,34) 1,08 (0,89-1,30) 1,01 (0,76-1,35)
Usa 1-3 vez/sem 2,66 (1,64-4,31) 1,84 (1,27-2,67) 1,24 (0,72-2,12) 1,24 (0,45-3,41) 1,47 (0,65-3,37) 1,12 (0,38-3,32) 1,78 (1,25-2,56) 1,58 (0,95-2,63)
Usa ≥ 4 vez/sem 3,42 (2,24-5,24) 5,43 (3,13-9,40) 1,29 (0,95-1,77) 1,69 (0,68-4,19) 1,44 (0,49-4,26) 1,43 (0,43-4,74) 2,09 (1,39-3,13) 2,95 (1,67-5,21)
0,001a 0,003a 0,200a 0,321a 0,312a 0,596a 0,006a 0,013a

a valor de significância para o teste de tendência; b ajustado para as variáveis que apresentaram valor de significância <0,20 na análise bivariada: faixa etária, nível socioeconômico, qualidade de vida; c ajustado para as variáveis que apresentaram valor de significância <0,20 na análise bivariada: faixa etária, nível socioeconômico, qualidade de vida e estado nutricional; d ajustado para as variáveis que apresentaram valor de significância <0,20 na análise bivariada: nível socioeconômico, qualidade de vida e estado nutricional.

DISCUSSÃO

Este é o primeiro estudo conduzido no Brasil que analisou a associação entre a frequência de uso de parques e a prática de atividades físicas. A metodologia utilizada permitiu representar geograficamente os indivíduos adultos residentes no entorno de parques localizados em bairros com diferentes atributos sociais e ambientais para a prática de atividades físicas. Os resultados mostraram associação positiva entre a frequência de uso dos locais com os diferentes volumes de caminhada, atividades físicas moderadas, vigorosas e total em homens e mulheres. Esses resultados suportam as evidências que o uso de parques está associado com a realização de atividades em diferentes intensidades5,7,10,11,24-26.

Apenas duas pesquisas exploraram a relação entre a frequência de uso de parques com a prática de atividade física em diferentes intensidades9,10. Em Bristol (Reino Unido), o maior uso de parques ou áreas verdes (anual, mensal, semanal) aumentou a probabilidade da prática de ≥150 min/sem de atividades físicas moderadas ou atividades esportivas9. Librett et. al.10verificaram em adultos norte americanos que o uso de pistas de caminhada no bairro ≥1 vez/sem aumentou em 2,3 vezes a probabilidade dos indivíduos realizarem ≥150 min/sem de atividades físicas moderadas-vigorosas, assim como o uso destes locais ≥1 vez/mês aumentou em 40% a probabilidade de prática destas atividades. No presente estudo, com exceção da prática de atividades moderadas e vigorosas para mulheres, foi verificada tendência de associação positiva entre a frequência de uso dos parques com a maior parte dos desfechos de atividades físicas (p<0,05).

O uso dos locais ≥4 vezes/sem aumentou em 6,59 e 5,43 vezes a probabilidade, respectivamente, de homens e mulheres praticarem ≥150 min/sem de caminhada. Resultados semelhantes foram encontrados em adultos brasileiros e australianos onde o uso de parques aumentou, respectivamente, em 30% e 1,8 vezes a probabilidade de prática de ≥150 min/sem caminhada22,25. A diferença entre a força de associação encontrada nos estudos pode, em parte, ser explicada pela finalidade de uso dos locais. No estudo com australianos, a variável foi definida pelo uso do local específico para a prática de atividades fisicas25. De maneira distinta, no estudo com brasileiros os autores definiram apenas o uso dos locais, independente da finalidade22. No presente estudo, acredita-se que a frequência de uso dos locais ≥4 vezes/sem tenha como finalidade a prática de atividades físicas como, por exemplo, caminhada. Entre os frequentadores dos locais, 52% realizam caminhada nos parques (homens: 44%; mulheres: 57% - Figura 1).

O uso dos locais ≥4 vezes/sem aumentou em aproximadamente três vezes a probabilidade de homens e mulheres a praticarem ≥150 min/sem de atividade física total. Christensen et al.24verificaram que o uso de espaços públicos (parques, quadra para esportes, pistas de caminhada) aumentou em aproximadamente 1,4 vezes a probabilidade dos indivíduos realizarem qualquer atividade física no tempo de lazer. No entanto, o uso foi suficiente para aumentar em apenas 20% a probabilidade dos indivíduos atingirem as recomendações de ≥150 min/sem24. Fermino et al.22verificaram que o uso de parques ≥1 vez/sem aumentou em 39% a probabilidade dos indivíduos praticarem ≥150 min/sem de atividade física total. A magnitude de associação encontrada no presente estudo (RP: 2,95) pode ser explicada pela maior frequência de uso dos locais (≥4 vezes/sem) quando comparado com as pesquisas supracitadas.

Foi identificada ausência de associação entre o uso dos locais com a prática de atividades moderadas e ≥75 min/sem de atividades vigorosas em mulheres. Em parte, estes resultados podem ser explicados pelo tipo das atividades físicas realizadas pelas mulheres nos parques. Por exemplo, a atividade mais comum foi a caminhada (57%, figura 1), mas a frequência de prática de atividades físicas mais vigorosas, como corrida ou esportes, entre as mulheres são baixas ou praticamente nulas. Ainda, possivelmente, a realização destas atividades estejam associadas com outros “preditores”, como satisfação, intenção, apoio social e autoeficácia13,15, principalmente nas mulheres, e não com o uso dos parques. A diferença da associação encontrada entre os sexos pode ser explicada pela maior oportunidade que os homens apresentam em realizar atividades no tempo de lazer. No Brasil, estima-se que os homens despendem cerca de três vezes menos tempo em atividade domésticas27, o que possibilitaria maior disponibilidade de tempo para a realização de atividades como jogar futebol, praticar corridas e andar de bicicleta (Figura 1). De fato, com exceção da caminhada, os homens foram mais ativos (p<0,05; Tabela 1).

As associações encontradas entre uso dos locais e a prática de diferentes tipos, volumes e intensidades de atividades físicas podem ser explicadas por benefícios físicos, psicológicos e sociais que os parques podem proporcionam para os indivíduos5. A exposição à natureza (pássaros, paisagens, sensação de liberdade, etc) e as áreas verdes disponíveis nos parques proporcionam uma maior sensação de bem estar, o que pode estimular a prática das atividades nos locais5,25,28. Evidências apontam que indivíduos que realizam atividades físicas em parques apresentam maiores escores de felicidade e menores escores de raiva, agressividade, ansiedade e depressão, quando comparado àqueles que realizam as atividades nas ruas da cidade29. Também, a maior frequência de uso dos locais possibilita que o indivíduo veja pessoas se exercitando, o que pode estimulá-lo intrinsecamente e aumentar a sua motivação e autoeficácia para a realização das atividades5,8.

Algumas limitações devem ser consideradas para a adequada compreensão e extrapolação dos resultados. A amostra não é representativa de Curitiba, mas representativa dos locais selecionados. A cidade possui diversos espaços públicos para a prática de atividades físicas, mas nem todos apresentam as características e estruturas dos locais avaliados no presente estudo (áreas abertas, pistas para caminhada/corrida, quadras para esportes, etc)19. A ausência de informações sobre a qualidade dos locais impossibilitou as análises de associação desta variável com o uso dos parques e a prática de atividades físicas. Uma vez que os parques foram intencionalmente selecionados pela indicação dos coordenadores das Secretarias Municipais responsáveis pelas ações de promoção da atividade física na cidade, estas ações, associadas com as características dos parques e a proximidade da residência, poderiam estimular o maior uso dos locais pela comunidade. Por fim, o delineamento transversal não permite identificar a relação causal entre as variáveis. A causalidade reversa poderia sugerir, apenas, que os indivíduos mais ativos utilizem os parques próximos as suas residências para a prática de atividades físicas.

CONCLUSÃO

A frequência de uso de parques está associada com diferentes tipos, volumes e intensidades de atividades físicas, com efeitos mais consistentes entre os homens.

Estes resultados podem guiar as intervenções para a promoção da atividade física a nível comunitário, onde os gestores deveriam investir em ações para aumentar o uso dos parques pela população. Uma estratégia possível consiste em disponibilizar profissionais capacitados para orientar a realização de atividades de diferentes intensidades, em horários e dias de maior movimento nos locais. A realização destas atividades pode aproveitar as estruturas disponíveis nos espaços públicos da cidade e serem compatíveis com o perfil, necessidade, preferência e interesse dos indivíduos. É possível que estas ações estimulem o uso dos locais em outros dias da semana. Futuros estudos poderiam avaliar os atributos específicos dos parques que os tornam mais atraentes para a população (qualidade, estética, acessibilidade, segurança, etc.) e testar a interação entre as variáveis psicossociais da atividade física (intenção, satisfação, apoio social e autoeficácia), uso dos locais e diferentes níveis de atividade física.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem aos coordenadores da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e da Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude (SMELJ) pela indicação dos parques; e aos integrantes do Grupo de Pesquisa em Atividade Física e Qualidade de Vida (GPAQ) pelo auxílio na coleta de dados. Agradecem também à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (Edital Universal MCT/CNPq 014/2008) pelo apoio financeiro.

Todos os autores declararam não haver qualquer potencial conflito de interesses referente a este artigo.

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Recebido: 09 de Junho de 2016; Aceito: 02 de Setembro de 2017

Correspondência: Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Sede Neoville. Rua Pedro Gusso, 2.601, Curitiba, PR, Brasil. 81310-900. rogeriofermino@utfpr.edu.br

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