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Revista Brasileira de Medicina do Esporte

Print version ISSN 1517-8692On-line version ISSN 1806-9940

Rev Bras Med Esporte vol.23 no.4 São Paulo July/Aug. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1517-869220172304156418 

Artigo de Revisão de Literatura

EXERCÍCIO FÍSICO COMO TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO PARA A MELHORA DA SAÚDE PÓS-MENOPAUSA

PHYSICAL EXERCISE AS NON-PHARMACOLOGICAL TREATMENT FOR THE IMPROVEMENT OF POSTMENOPAUSE HEALTH

EJERCICIO FÍSICO COMO TRATAMIENTO NO FARMACOLÓGICO PARA LA MEJORA DE LA SALUD POSMENOPAUSIA

Tiego Aparecido Diniz1 

Fabricio Eduardo Rossi2 

Camila Buonani3 

Jorge Mota4 

Ismael Forte Freitas-Junior3 

1Department of Cell and Developmental Biology - Institute of Biomedical Sciences, University of São Paulo, São Paulo, Brazil.

2Immunometabolism of Skeletal Muscle and Exercise Research Group, Department of Physical Education, Federal University of Piauí (UFPI), Teresina-PI, Brazil.

3Center of Studies and Laboratory of Evaluation and Prescription of Motor Activities (CELAPAM), Department of Physical Education, Sao Paulo State University (UNESP), 19060-900, Presidente Prudente, SP, Brazil.

4University of Porto, Faculty of Sports Science and Physical Education, Research Center in Physical Activity Health and Leisure, Porto, Portugal.

RESUMO

O período da pós-menopausa é caracterizado por 12 meses consecutivos de amenorreia. Além de afetar o sistema reprodutivo e a produção de hormônios sexuais, principalmente o estrógeno, essas mulheres apresentam aumento da gordura corporal total, principalmente na região central, o que está relacionado com o desenvolvimento de diversas doenças crônicas, como dislipidemia, aterosclerose e resistência à insulina. Dessa forma, diferentes programas de exercício físico, aeróbico, resistido ou combinado (aeróbico e resistido em uma mesma sessão) podem ser uma forma interessante de tratamento não farmacológico para a prevenção e melhora dos desfechos. Entretanto, as adaptações promovidas pelos diferentes programas de exercício sobre a composição corporal, perfil lipídico e glicêmico não estão claras na literatura e precisam ser elucidadas. Assim sendo, esta revisão tem como objetivo discutir as diferentes adaptações do treinamento aeróbico, resistido e combinado na composição corporal, perfil lipídico e glicêmico de mulheres na pós-menopausa.

Descritores: treinamento de resistência; exercício; pós-menopausa; composição corporal; lipoproteínas; metabolismo

ABSTRACT

The postmenopausal period is characterized by 12 consecutive months of amenorrhea. In addition to affecting the reproductive system and the production of sex hormones, mainly estrogen, these women present an increase in total body fat especially in the central region, which is related to the development of several chronic diseases such as dyslipidemia, atherosclerosis, and insulin resistance. Therefore, different programs of physical exercise, aerobic or resistance or combined (aerobic and resistance in the same session) may be an interesting form of non-pharmacological treatment for the prevention and improvement of outcomes. However, the adaptations promoted by the different exercise programs on the body composition, lipid and glycemic profiles are not clear in the literature and need to be elucidated. Hence, this review aims to discuss the different adaptations of aerobic, resistance and combined training in body composition, lipid, and glycemic profile of postmenopausal women.

Keywords: resistance training; exercise; postmenopause; body composition; lipoproteins; metabolism.

RESUMEN

El período de posmenopáusico se caracteriza por 12 meses consecutivos de amenorrea. Además de afectar el sistema reproductivo y la producción de hormonas sexuales, principalmente el estrógeno, estas mujeres tienen aumento de grasa corporal total, particularmente en la región central, lo que está relacionado con el desarrollo de diversas enfermedades crónicas, como dislipidemia, aterosclerosis y resistencia a la insulina. Por lo tanto, diferentes programas de ejercicio físico, aeróbico, de resistencia o combinado (aeróbico y de resistencia en una misma sesión) pueden ser una manera interesante de tratamiento no farmacológico para la prevención y mejora de los resultados. Sin embargo, las adaptaciones promovidas por los diferentes programas de ejercicios sobre la composición corporal, perfil de lípidos y glucémico no están claras en la literatura y necesitan ser elucidadas. De esta manera, esta revisión tiene como objetivo discutir las diferentes adaptaciones de entrenamiento aeróbico, de resistencia y combinado en la composición corporal, perfil lipídico y glucémico de mujeres en la posmenopausia.

Descriptores: entrenamiento de resistencia; ejercicio; posmenopausia; composición corporal; lipoproteínas; metabolismo

INTRODUÇÃO

O sexo feminino apresenta uma particularidade com o envelhecimento que é o período da menopausa. Esse período é definido pela Organização mundial da Saúde (OMS) como a cessação permanente do período menstrual ocorrida de forma natural ou induzida por cirurgia, quimioterapia ou radiação, ocasionando a diminuição da secreção de hormônios sexuais, especialmente o estrógeno1. A menopausa pode ser dividida em três categorias: pré, peri e pós, sendo que o mais comumente estudado é o período pós-menopausa, que é reconhecido quando a mulher permanece 12 meses em amenorreia e com valores de hormônio folículo estimulante (FSH) maiores que 30 µUI/ml1.

Além das alterações no sistema reprodutivo, esse período é acompanhado de mudanças importantes na composição corporal, como o aumento da gordura de tronco e visceral2,3, diminuição da massa corporal magra3 e da densidade mineral óssea4. As alterações na redistribuição de gordura corporal decorrem, especialmente, da redução de estrógenos, a qual atua de forma significativa na diminuição de genes lipolíticos5, bem como, aumento de genes lipogênicos6. A adipogênese na região central do corpo apresenta como desfecho, disfunções metabólicas, como a resistência à insulina, dislipidemias, fibrinólise e inflamação crônica de baixo grau7-9.

Diante das alterações observadas, algumas estratégias vêm sendo utilizadas na tentativa de minimizar os efeitos adversos ocasionados durante a pós-menopausa, como as farmacológicas e, de forma promissora, o treinamento físico. Neste último, diversos protocolos de treinamento têm sido realizados: aeróbico10-12, resistido13-16funcional17,18 e combinado19-22.

Apesar dos benefícios do exercício físico serem bastante investigados em mulheres na pós-menopausa, não está claro, todavia, qual dos modelos de exercício é mais efetivo em reduzir gordura corporal, aumentar a massa corporal magra e melhorar o perfil metabólico em mulheres nessa fase da vida. Dessa forma, o objetivo desta revisão é o de elucidar as principais adaptações decorrentes do treinamento resistido, aeróbico e a combinação de ambos para a melhora da composição corporal e perfil metabólico em mulheres na pós-menopausa.

MÉTODO

Foi realizada uma pesquisa nas bases de dados MEDLINE e SCIELO em setembro de 2015. Foi considerado um total de 29 referências científicas focando em treinamento físico e composição corporal e perfil metabólico de mulheres na pós-menopausa. Para tal, foram utilizadas as seguintes palavras chaves: pós-menopausa, menopausa, exercício e treinamento aeróbico, resistido combinado e concorrente, composição corporal, gordura total, central e visceral, massa corporal magra, massa muscular e massa livre de gordura, perfil lipídico, dislipidemia, perfil glicêmico e metabólico.

Treinamento aeróbico

O exercício de caráter aeróbico é aquele no qual a presença de oxigênio é necessária para utilização dos substratos que fornecerão energia para atividade celular. A predominância na utilização do metabolismo aeróbio ocorre em atividades de alto volume, baixa a moderada intensidade e, normalmente, de caráter contínuo23. As adaptações ocorridas provenientes desse treinamento são: i) a melhora o consumo máximo de oxigênio, bem como, a capacidade oxidativa, ii) o aumento das atividades das enzimas aeróbias, iii) o aumento dos estoques de glicogênio e triacilglicerol intramuscular, iv) o aumento da densidade e biogênese mitocondrial, v) e o aumento de capilares nos músculos24. Essas adaptações são provenientes, entre outros mecanismos, pela ativação da via da proteína quinase ativada por adenosina monofosfato (AMPK), ocasionada em situações de estresse e depleção de ATP25.

Ammar26 verificou o efeito de três meses de treinamento aeróbico realizado no período matutino e vespertino na pressão arterial e perfil lipídico em mulheres pós-menopausa com sobrepeso e hipertensas. O protocolo do estudo consistiu em administrar droga hipertensiva (angio­tensin-converting enzyme inhibitors) nos grupos estudados e submeter as participantes a caminhada em esteira três vezes por semana, durante 30 minutos (cinco minutos de aquecimento a 40% da frequência cardíaca máxima [FCM], seguidos de 20 minutos de caminhada a 60-75% da FCM e, por fim, cinco minutos de “volta à calma” a 40% da FCM). Os grupos que foram submetidos ao treinamento apresentaram melhora da pressão arterial e do perfil lipídico, com aumento do HDL-c e redução do LDL-c, CT e TG, com destaque para o grupo que treinou no período vespertino visto que apresentou melhoras expressivas quando comparado ao grupo matutino.

Church et al.27 analisaram o efeito de seis meses de treinamento aeróbico em variáveis antropométricas em mulheres pós-menopausa. O treinamento foi realizado em esteira e bicicleta a 50% do VO2máx, em no mínimo duas e no máximo quatro sessões semanais. Foi encontrada redução do peso corporal e da circunferência de cintura das participantes submetidas ao treinamento aeróbico. Riesco et al.28 analisaram o efeito de 16 semanas de caminhada em indicadores de saúde em mulheres pré e pós-menopausa sedentárias e com sobrepeso. O treinamento consistiu em caminhada a 60% da frequência cardíaca de reserva (FCR), três vezes por semana e durante 45 minutos. Os grupos estudados apresentaram redução do peso corporal, índice de massa corporal, circunferência de cintura, massa corporal gorda e aumento do VO2máx.

Yassine et al.12 avaliaram o efeito de 12 semanas de treinamento aeróbico sozinho ou associado a moderada restrição calórica em fatores de risco cardiovascular em uma amostra com média de 65 anos de idade, que incluía homens e mulheres na pós-menopausa, ambos sedentários e com obesidade. O protocolo de treinamento foi realizado em esteira e/ou bicicleta a 70% do VO2máx durante 50 a 60 minutos, cinco dias por semana e a ingestão calórica sofreu redução de 500 Kcal por dia. Ambos os grupos estudados apresentaram resultados similares, como o aumento do VO2máx e redução do peso corporal, circunferência de cintura, gordura visceral e gordura subcutânea, além de diminuição da resistência à insulina, colesterol total, triacilglicerol e LDL-c, indicando que para essa amostra a adição de uma restrição calórica não otimiza as alterações na composição corporal.

Em estudo realizado por Church et al.10 foi analisado o efeito de seis meses de treinamento em esteira ou bicicleta a 50% do VO2 pico, realizado em diferentes dispêndio de energia semanal (4, 8 ou 12 kcal/kg) em mulheres pós-menopausa a fim de investigar a dose-resposta do gasto energético. Os resultados mostraram que independente do gasto calórico o treinamento aeróbico promoveu redução da circunferência de cintura e da pressão arterial sistólica. Entretanto, alterações significativas não foram observadas no perfil lipídico e glicêmico, muito provavelmente pela baixa intensidade que o treinamento foi prescrito.

Garnier et al.29 analisaram o efeito de 16 semanas de caminhada na aptidão física, composição corporal e perfil lipídico em mulheres pós-menopausa. O programa de caminhada consistiu em três sessões semanais, não consecutivas, com duração de 45 minutos e a aproximadamente a 60% da FCR. As análises dos dados foram efetuadas de acordo com aderência ao treinamento (baixa [< 71%], média [71%-87%] e alta [> 87%]) e intensidade de exercício (<56% FCR; 56-63% FCR; >63%FCR). Após o treinamento foram observadas reduções de peso corporal, massa corporal gorda, circunferência de cintura, triacilglicerol, colesterol total e LDL-c, além de aumento do VO2máx e HDL-c. Vale salientar que os autores sugeriram que a maior aderência ao programa de treinamento parece ser um importante fator para melhora da aptidão física e gordura corporal.

Roussel et al.30 analisaram o efeito de 16 semanas de caminhada no perfil metabólico de mulheres pós-menopausa com sobrepeso e obesidade. O programa de treinamento consistiu em três sessões semanais de caminhada, por 45 minutos e a aproximadamente 60% da FCR. As participantes apresentaram melhora significante da composição corporal, com redução do peso corporal, massa corporal gorda, circunferência de cintura, além de melhora do perfil lipídico, com redução do CT, LDL-c, triacilglicerol e aumento do HDL-c. Adicionalmente, foi observada redução da pressão arterial sistólica e diastólica e aumento do VO2máx.

Apesar dos resultados positivos do treinamento aeróbico prescrito em um intervalo de intensidade (i.e. 60 a 75% da FCR) encontrados no perfil metabólico de mulheres na pós-menopausa, sabe-se que para garantir e otimizar os benefícios do treinamento aeróbico a intensidade deve ser prescrita de forma individual (i.e. limiar anaeróbio)31. Além disso, a frequência cardíaca pode ser influenciada por fatores exógenos como a temperatura, estresse e uso de medicamento que podem comprometer a prescrição do treinamento na intensidade adequada31,32. Embora há um grande número de testes disponíveis para prescrever o treinamento aeróbico, eles são, geralmente, realizado até exaustão e de forma invasiva (i.e. coleta de sangue ou consumo de oxigênio), sendo de difícil aplicação em mulheres na pós-menopausa.

Na tentativa de minimizar esses vieses citados anteriormente, nosso grupo tem utilizado estratégias para prescrição da intensidade de treinamento aeróbico que utilizam testes submáximos, levando em consideração a velocidade crítica do indivíduo18,33. Além disso, um programa de treinamento funcional que utilizou esse método para prescrição do exercício aeróbico já se mostrou eficaz em melhorar a composição corporal de mulheres na pós-menopausa18. De maneira isolada, Diniz et al.11 mostraram que apenas oito semanas treinamento aeróbico prescrito usando a velocidade crítica foi eficaz na diminuição da gordura corporal total, percentual e de tronco, bem como, na diminuição do LDL-c de mulheres na pós-menopausa. Além disso, todas as participantes melhoram a capacidade cardiorrespiratória após a intervenção.

Em um dos estudos mais conceituados na área de menopausa e treinamento aeróbico, Riesco et al.34 analisaram o efeito de 16 semanas de caminhada na composição corporal, perfil metabólico e inflamatório, tanto plasmático quanto tecidual (biopsia da gordura subcutânea do abdômen e da perna) em mulheres na pré e pós-menopausa que eram sedentárias e apresentavam excesso de peso. O programa de caminhada foi realizado de acordo com a recomendação do Colégio Americano de Medicina do Esporte, e consistiu em três sessões semanais de 45 minutos, a aproximadamente 60% da FCR. Após a intervenção, ambos os grupos apresentaram adaptações similares na redução do peso corporal, circunferência de cintura, massa corporal gorda e aumento do VO2máx. Entretanto, quando analisado o perfil inflamatório, a intensidade, frequência e volume no qual o treinamento foi prescrito não favoreceu a diminuição de marcadores inflamatórios sistêmicos e do tecido adiposo subcutâneo.

Em resumo, a maioria dos trabalhos encontrados na literatura prescreveram a intensidade do treinamento aeróbico em aproximadamente 60% da frequência cardíaca de reserva e VO2máx, apenas o estudo de Diniz et al.11 utilizou o limiar anaeróbico como forma de prescrição da intensidade do treinamento aeróbico. Entretanto, independente da intensidade e duração do programa, os estudos mostraram que o treinamento aeróbico é capaz de promover melhora da composição corporal, perfil metabólico e capacidade cardiorrespiratória em mulheres pós-menopausa. Portanto, esse tipo de treinamento continua sendo uma estratégia eficaz para redução de fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas.

Treinamento resistido

O treinamento resistido é um modelo de exercício que exige contração muscular, contra uma determinada resistência, e por provocar fadiga periférica são realizados na maioria das vezes de maneira intervalada35. Este tipo de treinamento têm sido extensivamente utilizado na literatura, principalmente quando os principais objetivos são os ganhos de força e massa muscular, sendo este uma estratégia bastante interessante para melhora da capacidade funcional, redução de quedas36, e melhora das atividades da vida diária e qualidade de vida durante o período da pós-menopausa14. A principal vantagem do treinamento resistido é a possibilidade de manipulação das diferentes variáveis de treinamento como: intensidade, volume, intervalos de recuperação, frequência e tipo de estímulo, as quais podem resultar em diferentes respostas na composição corporal e perfil metabólico de mulheres pós-menopausa.

Wooten et al.37 verificaram os efeitos de 12 semanas de treinamento resistido (3 séries de 8 RM, três vezes/semanais, 10 exercícios para os grandes agrupamentos musculares) na composição corporal e perfil lipídico de mulheres obesas na pós-menopausa e observaram redução estatisticamente significante no colesterol total, LDL-c e não HDL-c em relação ao grupos controle não exercitado após o período de treinamento, no entanto, não houve diferença significante no peso corporal, IMC e composição corporal. Libardi et al.38 compararam os efeitos de 16 semanas de treinamento resistido (9 exercícios, 3 séries de 8-10 repetições máximas e 60-90 segundos de intervalo entre as séries) no perfil lipídico de mulheres de meia idade na pós-menopausa e concluíram que o colesterol total (-21.08%) e LDL (-38.53%) reduziram significativamente, no entanto, não houve diferença na fração HDL-c, triacilglicerol, peso corporal e IMC, demostrando que em mulheres na pós-menopausa o treinamento resistido de maneira sistematizada pode contribuir para redução do fatores de risco cardiovascular.

Orsatti et al.39 compararam diferentes frequências do treinamento resistido (1, 2 e 3 sessões semanais) durante 16 semanas de treinamento na composição corporal e perfil metabólico, proteína C-reativa e glicose de mulheres sedentárias na pós-menopausa com sobrepeso, e mostraram que apesar de todas as frequências apresentarem aumento de força e massa muscular, as melhorias nos marcadores metabólicos só foram observados no grupo três sessões semanais, indicando que a frequência de treino deve ser levado em consideração quando o objetivo é diminuir a inflamação crônica de baixo grau.

Kemmler et al.40 investigaram os efeitos de séries simples e múltiplas de exercício resistido na força muscular e composição corporal durante 12 semanas utilizando um desenho experimental cruzado e observaram que séries múltiplas foram melhores para os ganhos de força em relação a séries simples, mas sem diferença na composição corporal entre os grupos.

Botero et al.41 verificaram os efeitos de longo tempo de treinamento resistido (12 meses e 3 séries de 6-14 RM) na composição corporal, força muscular e concentrações de leptina em mulheres na pós-menopausa e observaram um aumento da força muscular e massa magra. Diminuição de gordura corporal, percentual de gordura e peso corporal, além de melhorar leptina nessa população. Kemmler et al.42 verificaram os efeitos de quatro anos de um programa de treinamento resistido combinado com aeróbico de alta intensidade e com ênfase em impacto e observaram diminuição no colesterol total, HDL-c, triacilglicerol, gordura corporal, força isométrica máxima e densidade mineral óssea da região da coluna lombar, demostrando que programas de exercício resistido e com impacto podem ser uma importante estratégia para manutenção e melhora dos parâmetros de saúde a longo prazo.

Brentano et al.43 verificaram os efeitos do treinamento resistido tradicional (Tradicional: 45-80% 1 RM, 2-4 séries), e o treinamento resistido realizado em circuito (45-60% 1RM, 2-3 séries) e um grupo controle, o qual não realizou exercício, na densidade mineral óssea, força, ativação muscular e capacidade cardiorrespiratória em mulheres na pós-menopausa durante 24 semanas de treinamento e concluíram que ambos os modelos de treinamento foram efetivos em aumentar força, ativação muscular e VO2max, sem significância estatística entre eles.

Phillips et al.44 examinaram a influência do treinamento resistido na resposta inflamatória de mulheres obesas na pós-menopausa durante 12 semanas (3 séries de 8-12 RM, 10 exercícios e 3 vezes/semanais) e observaram redução de proteína C-reativa (-33%), leptina (-18%) e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α = -29%), no entanto, não houve diferença significante na composição corporal, indicando que a melhora da inflamação crônica de baixo possa ocorrer independentemente da diminuição de gordura corporal.

Oliveira et al.45 verificaram os efeitos de 12 semanas de treinamento resistido (3 séries de 8-12 RM, 3 vezes/semanais, 9 grandes agrupamentos musculares, 60 segundos de intervalo entre as séries) em mulheres na pós-menopausa com síndrome metabólica e observaram redução estatisticamente significante da circunferência de cintura, colesterol total e fração LDL, glicose e insulina, além de aumento da força muscular, no entanto, não observaram diferença estatística na pressão arterial de repouso, triacilglicerol e proteína C-reativa. Conceicao et al.46 verificaram os efeitos de 16 semanas de treinamento resistido (3 séries de 8-10 RM e 60-90 segundos de intervalo entre as séries) nos fatores de risco para síndrome metabólica em mulheres na pós menopausa e observaram redução estatisticamente significante do Z-score para síndrome metabólica, glicose de jejum (-13.97%), percentual de gordura corporal (-6.75%), e aumento da massa corporal magra (+2.46%), força muscular de membros inferiores (+41.29%) e membros superiores (+27.23%). Estes estudos demostram que programas de treinamento resistido podem ser um importante componente nos programas de saúde pública, contribuindo para melhoria da saúde e progressão do desenvolvimento de doenças.

Além dos efeitos clássicos do treinamento resistido no aumento da massa muscular, os estudos recentes vêm mostrando que essa modalidade também pode ser utilizado como estratégia para diminuir fatores de risco cardiovascular em mulheres na pós-menopausa. Entretanto, as interpretações e comparações entre os diferentes estudos da literatura devem ser realizados com cautela, uma vez que os diferentes protocolos empregados, bem como o pequeno número amostral muitas vezes utilizados, diferentes níveis de aptidão física dos sujeitos e tipo de análise ou técnica empregada, são pontos que dificultam as respostas frente a este estímulo.

Treinamento combinado

O treinamento combinado é um modelo de treinamento que combina exercícios aeróbicos e resistidos de forma intervalada, contínua ou sequencial. A forma mais comumente utilizada é a combinação do treinamento resistido e o aeróbico em uma mesma sessão de treinamento21,47.

Esse tipo de treinamento se popularizou e ganhou atenção de estudos, pelo fato de ser efetivo para aumentar o gasto energético, tanto durante como após o exercício físico48,49, e da hipótese de que se poderiam adquirir os benefícios de ambos os modelos de treinamento simultaneamente47.

Diversos estudos na literatura sugerem que em mulheres na pós-menopausa o treinamento combinado pode ser efetivo em ambos, aumento da massa muscular e redução da gordura corporal, que juntos promovem uma maior redução na gordura corporal relativa19,21, oportunizando assim, o tratamento e/ou prevenção primaria de diversas doenças crônicas.

Já é sabido que isoladamente o treinamento resistido e aeróbico são eficazes em promover melhoras na composição corporal e perfil lipídico em mulheres na pós-menopausa50, assim como, já foi demonstrado que o treinamento combinado é eficaz na melhora dos fatores de risco para síndrome metabólica em mulheres de meia idade51. Entretanto a literatura ainda é carente em relação à estudos que analisaram os efeitos da combinação do treinamento de força e aeróbico no perfil metabólico de mulheres na pós-menopausa.

Recentemente, Rossi et al.21 encontraram que após oito semanas de treinamento combinado, com a intensidade do treinamento aeróbico prescrita de acordo com o limiar anaeróbio e volume semanal de 90 min, e o treinamento resistido entre 65-75% de 1RM e duração semanal de 135 min, houve diminuição da gordura total, em quilogramas e percentual, e de tronco (kg), e aumento da massa corporal magra quando comparadas ao grupo controle. Similarmente, Lee et al.52 também investigaram a eficácia do treinamento combinado, assim como o treinamento aeróbico isolado, na composição corporal, força muscular e perfil metabólico em uma amostra de mulheres acima de 65 anos. Para o treinamento combinado, a intensidade do treinamento aeróbico foi estabelecida a partir da frequência cardíaca de reserva (40 a 70%), e foi realizado duas vezes semanais. Diferentemente do estudo de Rossi et al.21, o treinamento resistido foi realizado utilizando fitas elásticas, com intensidade moderada (escala subjetiva de esforço) e três vezes semanais. Para o grupo aeróbio isolado a intensidade utilizada foi a mesma do combinado, no entanto realizado cinco dias semanais. Ambos os treinamentos foram eficazes na diminuição das variáveis de gordura corporal e colesterol total, entretanto apenas o grupo combinado aumentou a massa corporal magra e apresentou melhores resultados no ganho de força quando comparado ao aeróbio isolado. Além disso, os autores investigaram a resposta dessas duas modalidades de treinamento na inflamação sistêmica. Ambos os treinamentos apresentaram reduções nas concentrações de CRP, IL-6 e TNF-α, todavia, no treinamento combinado a redução nas concentrações de CRP foram mais expressivas, indicando que esse tipo de treinamento pode potencializar a melhora no perfil metabólico dessa população. Esses resultados sugerem, em partes, que o treinamento combinado pode potencializar as alterações positivas no perfil metabólico de mulheres na pós-menopausa, todavia, o estudo supracitado não equalizou as cargas de treinamento, dificultando tal conclusão.

Comprovados os efeitos positivos de oito semanas de treinamento combinado no perfil metabólico, Rossi et al.53 objetivaram verificar os efeitos de 16 semanas de treinamento combinado na composição corporal de mulheres na pós-menopausa. Assim como no estudo de oito semanas, o grupo treinamento diminuiu a gordura total e de tronco, e aumentou a massa corporal magra. Igwebuike et al.54 também reportaram adaptações similares durante 12 semanas treinamento combinado em mulheres na pós-menopausa. O grupo combinado apresentou diminuição de gordura abdominal e aumento da aptidão física, além de observarem melhora na sensibilidade à insulina e diminuição das concentrações de TG. Figueroa et al.55 avaliaram a resposta do treinamento combinado também durante 12 semanas em mulheres na pós-menopausa. Entretanto, o treinamento resistido foi realizado em formato de circuito, e consistiu de 1 serie de 12 repetições para os principais grupamentos musculares. O treinamento aeróbico teve duração de 20 minutos e foi realizado na forma de caminhada à 60% da frequência máxima predita. Os autores encontraram que o treinamento combinado foi eficaz na diminuição de gordura corporal e na melhoria dos índices de força e perfil hemodinâmico. Dessa forma, a prescrição do treinamento resistido no formato de circuito pode ser uma estratégia interessante para atenuar a monotonia característica desse tipo de treinamento, que pode resultar em um aumento da aderência.

Investigando um período de intervenção mais longo, Sillanpaa et al.56 analisaram o efeito de 21 semanas de treinamento aeróbico, resistido e combinado na composição corporal, aptidão física e perfil metabólico em mulheres de meia idade (média de idade = 51 anos). O treinamento combinado mostrou-se mais eficaz tanto em reduzir a gordura total e segmentar, e aumentar a massa magra em relação ao treinamento aeróbico e o resistido. Além disso, o treinamento combinado foi mais efetivo em aumentar a performance muscular, indicando que não houve interferência nessa intensidade de treinamento proposta (aeróbico = 45 a 60 minutos na zona de treinamento pesada [entre limiar aeróbio e anaeróbio]; Resistido = 40 a 60% de 1RM, 15 a 20 repetições). Quando analisado o perfil metabólico, os autores encontraram que apenas o treinamento aeróbico foi eficaz em melhorar as concentrações de LDL-c e HDL-c. Todavia, o treinamento combinado e o resistido reduziram as concentrações de insulina.

Similarmente, Seo et al.57 investigaram as diferentes adaptações de 12 semanas de treinamento aeróbico e combinado no perfil metabólico de mulheres na pós- menopausa. Os autores dividiram a amostra em três grupos experimentais: 1) grupo controle, que realizou sessões de alongamento três vezes por semana; 2) grupo aeróbio, que realizou caminhada três vezes por semana à 60-80% da frequência cardíaca de reserva e; 3) grupo combinado, que realizou tanto o treinamento aeróbico (na mesma intensidade) e o treinamento resistido três vezes por semana à 50-70% de 1 repetição máxima. Os autores encontraram que os grupos aeróbio e combinado diminuíram o percentual de gordura corporal e aumentaram as concentrações plasmáticas do fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1). Entretanto, apenas o treinamento combinado foi eficaz no aumento do hormônio de crescimento (GH). Sabe-se que o IGF-1 e o GH desempenham importante papel na hipertrofia da musculatura esquelética58, e como já descrito no tópico do treinamento resistido, a massa muscular pode melhorar a capacidade funcional, qualidade de vida e reduzir o risco de quedas14,36, além de ser um importante preditor de longevidade em populações mais velhas59,60. Em relação aos fatores risco para síndrome metabólica, o treinamento combinado foi o mais eficaz em diminuir a circunferência de cintura e glicose de jejum, e apesar de não estatisticamente significativo, também diminuiu as concentrações de TG e aumentou as concentrações de HDL-c.

Embora diversos estudos tenham demostrado benefícios em relação a este modelo de treinamento, a grande maioria não tem realizado a equiparação das cargas de treinamento, dessa forma não está claro se os efeitos são decorrentes do maior volume de exercício realizado pelo grupo combinado ou se realmente são provenientes do estímulo aeróbio e resistido. Assim, em recente estudo Rossi et al.22 encontraram, após equalizar as cargas de treinamento pelo método de impulso de treinamento (TRIMP) levando em consideração a percepção subjetiva de esforço, que oito semanas de treinamento aeróbico isolado e aeróbico e resistido combinados são eficazes em melhorar a composição corporal, todavia, apenas o treinamento combinado potencializou a diminuição do percentual de gordura. Além disso, ambas as modalidades de treinamento apresentaram melhoria no perfil lipídico, umas vez que o treinamento combinado aumentou as concentrações de HDL-c, e o aeróbico diminuiu o índice aterogênico. Dessa forma, diferentemente da maioria dos estudos que compararam modalidades de treinamento sem equalização de carga e concluíram que o treinamento combinado é mais eficaz, Rossi et al.22 concluíram que, quando equiparadas as cargas, ambas modalidades apresentam resultados similares na composição corporal e perfil lipídico.

Esses estudos supracitados estipularam o tempo de intervenção em curta e média duração e encontraram resultados promissores. Intervenções que utilizaram o treinamento combinado por um período de tempo mais longo, também têm apresentado excelentes resultados na composição corporal para mulheres na pós-menopausa. Krishnan et al.61 demostraram que após seis meses de treinamento combinado três vezes na semana associado a três sessões de aeróbico semanal (caminhada leve, corrida e ciclismo) em mulheres na pós-menopausa, houveram diminuição da gordura total e abdominal, e aumento da capacidade cardiorrespiratória no grupo treinamento. Além disso, foi observado uma melhora na sensibilidade à insulina. Tal melhora foi negativamente relacionada com a variação hormonal e com a gordura total do momento inicial, assim como, pode-se observar uma relação positiva com a gordura ginecoide inicial. Monninkhof et al.62 objetivaram verificar se as mudanças na composição corporal ocorriam mesmo após 12 meses de um programa de treinamento combinado. O treinamento foi composto de duas vezes semanais com duração de 1 hora de maneira supervisionada e uma sessão individual com duração de 30 minutos. Após o período de intervenção, o grupo treinamento diferenciou-se significativamente do controle apenas no percentual de gordura.

Em síntese, esses estudos sugerem que o treinamento combinado pode ser uma estratégia eficaz e segura para a melhoria da composição corporal, perfil metabólico e glicêmico e diminuição dos fatores de risco para doenças cardiovasculares em mulheres na pós-menopausa. Além disso, de maneira geral, a combinação do treinamento resistido e aeróbico na mesma sessão vêm se mostrando mais eficaz do que apenas o aeróbico isolado na redução dos fatores de risco para doenças metabólicas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente revisão mostrou que o treinamento aeróbico, resistido e combinado são eficazes em reduzir gordura corporal total e na região central e melhorar o perfil metabólico de mulheres na pós-menopausa. No entanto, programas de treinamento que utilizam o exercício resistido podem obter maiores benefícios quanto ao aumento de força e massa muscular, sendo uma estratégia bastante importante durante essa fase da vida, pois podem minimizar o risco de quedas por fragilidade e melhorar a qualidade de vida. O treinamento aeróbico tem sido uma possibilidade eficaz na redução de gordura corporal total e central, todavia, a maioria dos estudos investigaram sua eficácia intensidades baixa à moderada. Dessa forma, futuros estudos devem investigar os efeitos do treinamento aeróbico realizado em intensidade mais elevadas, de maneira contínua e intervalada na composição corporal e perfil metabólico de mulheres na pós-menopausa, uma vez que esse tipo de treinamento vêm se mostrando eficaz em reduzir fatores de risco cardiovascular, mesmo quando realizado com baixos volumes semanais. Em relação à combinação do exercício resistido e aeróbico em uma mesma sessão de treinamento, os resultados apresentados mostraram benefícios importantes, tanto na composição corporal como no perfil metabólico, inclusive quando comparado ao aeróbio, entretanto, a ausência de equiparação das cargas de treinamento utilizadas, dificultam a verdadeira interpretação dos achados.

Todos os autores declararam não haver qualquer potencial conflito de interesses referente a este artigo.

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Received: November 09, 2015; Accepted: February 22, 2017

Correspondência: Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento, Instituto de Ciências Biomédicas, Universidade de São Paulo, SP, Brasil. Av. Professor Lineu Prestes, 1524, São Paulo, SP, Brasil. 05508-000. tiegodiniz@gmail.com

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