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Educação e Pesquisa

versão impressa ISSN 1517-9702versão On-line ISSN 1678-4634

Educ. Pesqui. v.32 n.2 São Paulo maio/ago. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S1517-97022006000200013 

EM FOCO: HISTÓRIAS DE VIDA E FORMAÇÃO

 

Histórias de vida e autobiografias na formação de professores e profissão docente (Brasil, 1985-2003)*

 

 

Belmira Oliveira Bueno; Helena Coharik Chamlian; Cynthia Pereira de Sousa; Denice Barbara Catani

Universidade de São Paulo

Correspondência

 

 


RESUMO

O texto apresenta uma revisão de trabalhos da área de Educação que fizeram uso das histórias de vida e dos estudos autobiográficos como metodologia de investigação científica no Brasil. Dois recortes foram efetuados, um temporal e outro temático, para focalizar o período compreendido entre 1985 e 2003 e privilegiar dois temas: formação de professores e profissão docente. O objetivo principal foi o de mapear a produção nacional, buscando identificar as temáticas que emergiram com maior força, apontando aspectos lacunares e indicando direções para futuros estudos na área. Várias fontes foram utilizadas: resumos de teses e dissertações (banco de teses da CAPES); textos completos de teses e dissertações defendidas nos programas de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo — PUC-SP — e da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo — FEUSP —; livros; e periódicos científicos. As análises levaram a concluir que o uso dessas abordagens cresceu significativamente no Brasil a partir dos anos de 1990, porém, de modo muito disperso, foram utilizadas muito mais como fonte de dados para o desenvolvimento de um largo espectro de pesquisas e muito timidamente como dispositivos de formação. Todavia, evidenciou-se que a intensificação de tais metodologias contribuiu para renovar as pesquisas sobre os professores, ao mesmo tempo em que fez aflorar o interesse por questões e temáticas novas, tais como as que se configuram, por exemplo, nos estudos sobre profissão, profissionalização e identidades docentes.

Palavras-chave: Autobiografias — Histórias de vida — Formação de professores — Profissão docente.


 

As histórias de vida e os estudos autobiográficos como metodologias de investigação científica na área de Educação ganharam visível impulso no Brasil nos últimos quinze anos. Em comparação com o período anterior, a década de 1990 traz grandes mudanças, apresentando um crescimento vertiginoso dos estudos que fazem uso dessas metodologias, genericamente denominadas de autobiográficas.

Sinais desse crescimento puderam logo ser percebidos. Em 1996, por exemplo, quando da organização do 1º Seminário Docência, Memória e Gênero na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo – FEUSP –, foram recebidas cerca de 40 propostas de trabalhos, entre pesquisas concluídas e em desenvolvimento, vindas de instituições de vários pontos do país1. Alguns anos depois, ao realizar um trabalho para a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação — ANPEd —, identificamos 40 trabalhos completos apresentados em suas reuniões, entre 1991 e 20012, e 35 nos congressos do Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino — ENDIPE —, de 1998 a 2000, entre comunicações, mesas-redondas, painéis e pôsteres. O número expressivo de instituições representadas nesses eventos (32 na ANPEd e 21 no ENDIPE) era indicativo de que um movimento de grande adesão aos estudos autobiográficos e com histórias de vida de professores estava ocorrendo em todo o país, cujas feições, no entanto, eram ainda pouco nítidas. Naquela ocasião, consideramos oportuno fazer referência a uma passagem de António Nóvoa (1995), a propósito do caminho que os estudos com as histórias de vida vinham tomando. Era o ano de 1995, e ele dizia:

Em 1988, quando publiquei em colaboração com Mathias Finger O método autobiográfico e a formação, as abordagens biográficas eram pouco conhecidas em Portugal e a sua utilização na formação de professores não tinha qualquer significado. Em 1992, quando da primeira edição de Vidas de professores, a situação já tinha mudado consideravelmente, o que me leva a alertar contra a existência de práticas pouco consistentes e de metodologias sem qualquer rigor. Hoje, em 1995, o aviso deve ser escrito com letras ainda mais cheias. (p. 9)

Essa advertência e mais as constatações de que tais estudos vinham ganhando terreno no Brasil ensejaram a realização do presente trabalho, com o objetivo de mapear e caracterizar a produção nacional com base em um levantamento mais exaustivo. Ao analisar o emprego das metodologias autobiográficas e histórias de vida nas investigações sobre formação de professores e profissão docente, o texto busca caracterizar as tendências que emergiram com maior vigor, identificando aspectos lacunares e buscando apontar direções que nos parecem férteis para futuros investimentos na área.

Considerando o crescimento da produção, a abrangência e a diversidade dos estudos encontrados, a revisão foi realizada com base em dois recortes, um temporal e outro temático, para focalizar um período de aproximadamente duas décadas (1985 a 2003) e privilegiar dois temas – formação de professores e profissão docente. Consideramos também as questões de gênero, em razão de sua presença marcante nas pesquisas em Educação no período em análise, além de ser este um dos focos de análise em nossas pesquisas com autobiografias/histórias de vida.

As buscas dos trabalhos foram efetuadas por meio dos seguintes descritores: histórias de vidas, autobiografias, memórias, lembranças, depoimentos orais, narrativas, entrecruzados com os dois eixos temáticos da revisão. Esse tipo de busca envolve o risco de não se identificar todos os trabalhos desenvolvidos nas perspectivas adotadas nesta revisão, devido a dois fatores principais: o envio irregular das informações pelos programas de pós-graduação à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior — CAPES —; e a não-coincidência entre as palavras-chave constantes dos trabalhos com os descritores por nós utilizados. Desse modo, a identificação de trabalhos com tais características só se faria possível mediante buscas diretas nas bibliotecas das universidades, o que tornaria inviável a realização do levantamento de natureza abrangente que se pretendeu realizar. Em virtude de se ter lidado com fontes diversas, acredita-se que as análises não ficaram comprometidas naquilo que apresentam como características gerais da produção nacional. O corpus de análise, dessa forma, ficou assim constituído: 165 resumos de teses e dissertações, 155 dos quais obtidos no banco de teses da CAPES e os outros 10 no da PUC-SP e em catálogos da FEUSP3; 39 textos completos de teses e dissertações defendidas nos programas de pós-graduação da PUC-SP e da FEUSP (instituições dentre as que apresentaram maior produção); 11 livros, selecionados mediante a utilização dos descritores acima mencionados quando da consulta a catálogos de algumas das principais editoras da área de Educação4; e 30 artigos publicados em 8 periódicos científicos, dentre os mais expressivos na área de Educação.

O exame realizado tornou evidente que essa produção se caracteriza por uma enorme dispersão, tanto temática quanto metodológica, decorrente, entre outros fatores, da multiplicidade de referenciais teóricos utilizados nas pesquisas. Os teóricos que dão sustentação aos trabalhos têm sido buscados em vários campos disciplinares, fazendo-se empréstimos conceituais e combinações as mais variadas, nem sempre isentas de ambigüidades quanto às denominações metodológicas utilizadas. Sem pretender esgotar, menciona-se aqui uma lista de denominações usadas pelos autores: memória(s), lembranças, relatos de vida (récit de vie), depoimentos, biografias, biografias educativas, memória educativa, histórias de vida, história oral de vida, história oral temática, narrativas, narrativas memorialísticas, método biográfico, método autobiográfico, método psicobiográfico, perspectiva autobiográfica. Vale ressaltar que muitos trabalhos usam mais de uma denominação, deixando implícita a idéia de que são tomadas como sinônimos. Outras vezes, busca-se complementar um sentido com outro, ou uma abordagem com outra, dificultando com isso o trabalho de categorização. Em vista das dificuldades que isso trouxe para se proceder à classificação dos trabalhos, optou-se por uma exposição que se orienta pela cronologia de aparecimento dos trabalhos, em cuja seqüência buscamos identificar e destacar as tendências e temáticas que mais caracterizaram cada década/período. Ao nos propormos a esse trabalho, não houve a pretensão de esgotar as muitas análises que esse conjunto de trabalhos comporta, ao contrário, a perspectiva foi a de oferecer um primeiro mapeamento, na tentativa de dar uma primeira ordenação a essa produção com vistas a suscitar novos exames.

 

Alguns antecedentes

Os dados coligidos para esta revisão levaram à constatação de que a década de 1980 não foi prolífica em pesquisas com autobiografias e histórias de vida. A produção dos programas de pós-graduação expressa em resumos (período de 1985-90) registra a presença de apenas quatro trabalhos que utilizaram tais metodologias e, ainda assim, não voltadas aos temas focalizados nesta revisão5. Um único livro foi localizado – Experimentos com histórias de vida (Itália-Brasil) – uma coletânea de textos organizada por Olga von Simson (1988) na perspectiva da sociohistória da educação6. A análise dos periódicos confirma esse cenário de rarefação de estudos. Nas revistas analisadas, chega a surpreender a tênue presença de artigos sobre história da profissão docente ou formação de professores por meio do método autobiográfico/histórias de vida e memórias de vida escolar, tanto nesse período como na década seguinte. Em um conjunto de 363 exemplares consultados, foram encontrados apenas 30 trabalhos – menos do que 10% de todo o material pesquisado – conforme pode ser visto no Quadro 1.

 

 

Entretanto, deve-se assinalar o fato de que os textos examinados aproximam-se desigualmente dos eixos escolhidos para análise – a maioria deles fazendo recurso a histórias de vida, memórias, lembranças, docência, profissão docente para produzir contribuições na área de História da Educação. Entre os trabalhos publicados na década de 1980, em cinco deles (dos seis periódicos que já existiam na época) predominam contribuições baseadas em relatos orais e escritos, com vistas a complementar e/ou articular-se a informações obtidas em outras fontes. Ressaltam-se investigações que buscam reconstruir trajetórias de formação e trajetórias profissionais de professores. Tal constatação anteciparia a marca de interesse que determinados grupos de pesquisadores viriam a mostrar no decorrer da década de 1990 e que podem ser conhecidos por registros de congressos e eventos, por exemplo, no que tange tanto ao grupo de Minas Gerais como o do Rio Grande do Sul7.

O lugar antecipado pelo texto "Os alunos e o ensino na República Velha através das memórias de velhos professores" (Demartini; Tenca; Tenca, 1985), publicado nos Cadernos de Pesquisa, fortalece-se, definitivamente, com a atuação de Zeila Demartini no território da pesquisa histórico-sociológica ligada aos estudos educacionais que, nesse caso, revelava o cotidiano de escolas rurais no estado de São Paulo por meio das memórias de antigos professores e alunos. Em 1989, essa autora publica texto sobre o coronelismo e a expansão do sistema educacional em São Paulo, com transcrições de trechos de relatos orais de professores (Demartini, 1989). Mais à frente, em 1993, publica, novamente nos Cadernos de Pesquisa, outro artigo que é mais um desdobramento de sua pesquisa dos anos de 1980, com as memórias de velhos professores (e professoras), cuja atuação no magistério primário se deu até o final da Primeira República (Demartini, 1993). Nesse texto, de modo especial, a questão do gênero é considerada, mas com auxílio de referenciais teóricos que tratam do trabalho feminino (Michael Apple, Cristina Bruschini etc.). Nesse sentido, para a história da profissão docente, com recurso dos relatos/depoimentos orais, fornece informações preciosas sobre a condição de trabalho das professoras (magistério como profissão) em comparação aos benefícios e privilégios de que gozavam os homens professores (magistério como carreira)8.

Nesse período, Educação em Revista (Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG) também traz contribuições relevantes para a história da profissão docente, porém diferenciadas entre si. Um dos textos adota uma perspectiva que se configura como uma história das disciplinas (nesse caso, acadêmica) ao examinar a Psicologia da Educação como matéria de cursos de formação de professores. Fragmentos de histórias de vida de 18 docentes são utilizados para analisar o trabalho com essa disciplina entre 1925 e 1984, na capital mineira (Goulart, 1986). Em 1989, um texto que aparece na seção de Comunicações chama a atenção para a trajetória de uma professora da zona rural – Mestra Iraci – que ao ser entrevistada por duas alunas do curso de Pedagogia resolveu escrever, ela própria, seu relato. Esse material utilizado na publicação era exigência de uma disciplina e parte de pesquisa de Lea Pinheiro Paixão, da UFMG, que nos inícios dos anos de 1990 publica artigo, nessa mesma revista, sobre professoras primárias mineiras que tinham iniciado suas carreiras entre 1924 e 1938 (Paixão, 1991). No caso desse texto, Paixão recorreu a entrevistas de 35 professoras, investigando seu pertencimento social, sua formação e sua condição profissional. Não há dúvida de que o estudo tem muito a dever, nesse tema, ao pioneirismo de Zeila Demartini.

Ainda nos anos de 1980, a revista Educação e Realidade (Universidade Federal do Ro Grande do Sul – UFRS) publica texto que remete diretamente à pesquisa sobre educação feminina nesse estado, por meio do estudo de práticas escolares e pedagógicas de uma instituição pública centenária na cidade de Porto Alegre (Louro, 1986). Entre outros recursos, sua autora utilizou-se de depoimentos/relatos orais de mulheres que, no passado, tinham sido personagens daquele universo escolar como alunas e professoras. A autora Guacira Lopes Louro, que viria a produzir outros tantos trabalhos sob a perspectiva das relações sociais de gênero, colocou bastante ênfase na questão da dominação masculina, bem como nas estratégias de resistência das mulheres, uma abordagem bastante nova em estudos sociohistórico educacionais.

Na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, foi localizado apenas um artigo, nessa perspectiva na década de 1980, bem distinto dos demais. Trata-se de um texto escrito em primeira pessoa, em que a autora (Soares, 1984) aproveita seu memorial de concurso de professora titular para apresentar sua trajetória acadêmica. Trata-se, portanto, de artigo baseado em trajetória de vida profissional, no qual não se considera a infância nem as primeiras experiências escolares, mas apenas a militância acadêmica e a ideologia que influenciou seu trabalho intelectual.

Em congressos, reuniões científicas, seminários, dissertações e teses, essas temáticas apareceram com maior freqüência. Se no grupo dos trabalhos publicados na década de 1980 é possível observar o quase generalizado esforço de defesa do recurso às fontes ligadas à memória e às histórias de vida, pela natureza das informações às quais tais fontes/procedimentos podem dar acesso, a questão do gênero – uma abordagem ainda incipiente nos estudos educacionais – não foi considerada nas análises, muito embora vários desses textos tenham tratado das relações entre trabalho e condição feminina.

Dessas constatações deriva uma outra: a de que os anos de 1990 foram o cenário do incremento da produção de trabalhos em torno dos grandes eixos aqui apresentados.

 

Anos de 1990: o contexto brasileiro e as influências européias

Uma compreensão sobre os percursos da pesquisa educacional, no que tange ao movimento que ocorre em direção às abordagens autobiográficas, não poderia prescindir de algumas considerações sobre o contexto brasileiro nos anos de 1990, bem como sobre as influências vindas de outros países e que aqui se repercutem a partir desse período.

Um primeiro ponto a ser registrado é que no Brasil as discussões em torno da formação do professor e de sua profissionalização intensificaram-se no período que antecedeu a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN 9394/96), a partir da qual os professores e os pedagogos passaram a se denominados de profissionais da Educação (art. 61 a 67). Essa ênfase, no entanto, não era isolada. Na verdade, fazia coro com um movimento mais geral, que emergia e se alastrava por toda parte, tanto nos países desenvolvidos como naqueles em desenvolvimento. A América Latina foi palco de muitas reformas nos anos de 1990, todas, sem exceção, dando destaque para o papel central dos professores na construção da nova escola que então se passou a vislumbrar. Embora no Brasil o movimento sobre os profissionais da educação tenha se iniciado na década de 1970, dá-se ênfase aqui aos debates dos anos de 1990, em razão de se supor que eles contribuíram para acentuar o interesse pelas abordagens autobiográficas e com história de vida de professores que, justamente nesse período, se multiplicam com enorme rapidez, como demonstrado nesta revisão.

Olinda Evangelista e Eneida Shiroma (2003) mostram que órgãos como o Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF – e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO – chamavam a atenção para a problemática da profissionalização docente desde o início dos anos de 1990, e que as propostas a esse respeito já estavam contidas em documentos da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe – CEPAL – e do Proyecto Principal de Educación en América Latina y el Caribe – PROMEDLAC – também desde o início daquela década. Elas observam que, em 1993, profissionalização foi conceito central da reforma educativa discutida naquele Projeto, ao lado das discussões sobre as redefinições do perfil e da formação do professor.

Ao realizarem uma análise sobre os trabalhos do GT Formação de Professores da ANPEd, referente ao período de 1995-2002, essas autoras constatam que o emprego do termo profissionalização cresceu significativamente, nesse período, reportando-se

[...] à pessoa do professor, à prática docente, à qualificação da categoria do magistério, à qualidades inerentes à função, à requalificação profissional, à formação inicial, à formação continuada, ao modelo profissional, à mudança radical do perfil docente. (p. 27-28)

Entre outras considerações, elas chamam a atenção para o fato de que os trabalhos analisados baseavam-se "em uma literatura internacional majoritariamente de origem européia e norte-americana" (p. 31), sem fazer uma interlocução com a própria América Latina.

O contexto descrito por Evangelista e Shiroma e os dados por elas apresentados explicam, em grande parte, a emergência dos estudos autobiográficos no Brasil, bem como várias das marcas de sua produção. Com efeito, o acesso a textos publicados em Portugal e distribuídos aqui, reunindo colaborações de autores portugueses, franceses, suíços, italianos, com teorias e investigações sobre o método autobiográfico como recurso metodológico e como fonte de pesquisa, foi um dos aspectos definidores do cenário que se desenha nos anos de 1990. A publicação em Portugal, em 1992, de Vida de professores e Profissão professor, duas coletâneas organizadas por Antonio Nóvoa (1995a; 1995b), teve enorme repercussão no Brasil. Essas coletâneas contaram com a participação de autores de diferentes países – Ivor Goodson e Peter Woods, da Inglaterra; Miriam Ben-Peretz, de Israel; José Gimeno Sacristán e José Manuel Esteve, da Espanha; Daniel Hameline, da Suíça; Michäel Huberman, do Canadá; dentre outros autores – que depois vieram a se tornar referências para muitos trabalhos no Brasil. Antes disso, em 1988, Nóvoa havia organizado com Mathias Finger uma outra obra, O método (auto)biográfico e a formação (1988), que já havia despertado grande interesse no contexto lusófono e acabou também chegando às mãos de muitos pesquisadores brasileiros9.

Data também desse período a criação do Grupo de Estudos Docência, Memória e Gênero da FEUSP (GEDOMGE-FEUSP), no ano de 1994, cujas concepções foram, em grande parte, tributárias dos trabalhos liderados por Gaston Pineau, Pierre Dominicé e Marie-Christine Josso, desenvolvidos na Universidade de Genebra10, e que àquela altura já se constituía em uma rede ampla de pesquisadores de vários países – França, Itália, Canadá, Portugal, entre outros. Seguindo as concepções desses pesquisadores, como coordenadoras do GEDOMGE, colocamos o método autobiográfico em prática numa dupla perspectiva: para operar como dispositivo de formação e, ao mesmo tempo, como instrumento de pesquisa11.

As concepções do grupo de Genebra, por sua vez, encontravam suas raízes em problemáticas que emergiram no âmbito das ciências humanas, sobretudo, nos finais do século XX (Josso, 1999). O que se verifica nos últimos 30 anos é que as transformações do modelo social desse período são acompanhadas de formas de socialização em que os processos de individualização e subjetivação encontram um lugar cada vez maior. A acentuação dessas formas de socialização está ligada às transformações sociais que contêm a passagem das sociedades nacionais, industrializadas e centralizadas, para formas de sociedade cujos organismos políticos, sociais e econômicos perdem sua centralidade, em que as instituições não têm mais a mesma capacidade de integração e nas quais os 'indivíduos' são compelidos a provar mais e mais iniciativa e autonomia e encontrar neles próprios os recursos e forças para sua conduta.

É nesse contexto que 'a questão do sujeito' retorna por via das ciências sociais após ter sido esvaziada nos anos de 1960 e 1970. Ao retornar, reaparece na cena sociológica como um sujeito despojado da dimensão essencialista e atemporal, que lhe conferia a filosofia clássica, mas fortemente inscrito em uma realidade sociohistórica, ela própria cambiante e instável. A disciplina sociológica pode desenvolver agora uma teoria do 'ator social', construindo o sentido de sua experiência e se fazendo o 'sujeito' de sua ação (Delory-Momberger, 2003). De acordo com Christine Delory-Momberger, os relatos de vida vão conhecer um interesse renovado na Europa por volta da metade dos anos de 1970. Orientada para os campos profissionais, a abordagem biográfica suscita trabalhos de sociologia crítica, a partir da compilação de relatos de vida que servem para estabelecer trajetórias e percursos profissionais. Nos anos de 1980, o objeto de pesquisa se desloca da coleta de informações, que permitem reconstituir as práticas de uma mesma categoria socioprofissional, para considerar a singularidade dos relatos obtidos e tratados em si mesmos (Catani; Mazé, 1982). Essa evolução é acompanhada de uma dupla reflexão: a que se refere ao estatuto da história de vida e seu valor, como documento científico, e a que se preocupa com o relato, como objeto de linguagem e sobre sua dimensão de autocriação como prática autopoiética (Le Grand; Pineau, 1993).

Como parte desse processo, as histórias de vida também aparecem no campo da formação que as utilizam como arte formadora da existência (Pineau, 1996). O relato não é mais somente considerado em uma perspectiva de pesquisa etnosociológica, mas como um campo de experiência e um instrumento de exploração formadora. Delory-Momberger acentua que é preciso distinguir os procedimentos de pesquisa, pois deles resultarão materiais de investigação bastante diferentes. Segundo ela,

A autobiografia e o relato oral de vida não funcionam no mesmo registro: a primeira é uma atividade solitária de introspecção, enquanto que a segunda, conduzida em interação, é uma palavra endereçada, atenta aos efeitos que ela produz sobre seu destinatário. (2003, p. 5)

Da mesma forma, Josso (1999) distingue as histórias de vida como 'projeto de conhecimento' e as histórias de vida 'a serviço de projetos'. No primeiro caso, o relato oral, ou escrito, tenta abranger a totalidade da vida em seus diferentes registros, bem como em sua duração, mas na maior parte das vezes dá-se o segundo caso, em que a história produzida pelo relato é limitada a uma entrada que visa fornecer o material útil a um projeto específico. Em outras palavras, se a intenção é produzir conhecimento sobre algum tema ou situação utilizando relatos (orais ou escritos), teremos como resultado trabalhos que, colocando-se em novo paradigma (do sujeito e do ator reabilitado), são bastante distintos daqueles em que o método autobiográfico opera como instrumento de formação e funciona como projeto de conhecimento global do sujeito.

Esses aspectos e essas diferenciações quanto às concepções e aos modos de pôr o método autobiográfico em ação, ao ganharem adesão crescente e se espraiarem por todo o Brasil, acabaram por adquirir feições próprias aqui. Foi surpreendente, no entanto, observar que, a despeito de vários desses autores europeus estarem na origem das motivações que levou tantos pesquisadores a desenvolverem trabalhos com autobiografias e histórias de vida, a perspectiva da pesquisa/formação defendida por eles teve pouca ressonância no Brasil, como será visto a seguir.

 

Anos de 1990: crescimento, diversidade, tendências

A análise do material reunido, referente ao período que se estende entre 1990 e 2003, foi reveladora não apenas de um visível crescimento das pesquisas nesse período, mas também de uma significativa diversificação das modalidades e dos usos das autobiografias e histórias de vida. Esses estudos espraiaram-se para além do domínio da sociohistória da educação, marca predominante na década anterior, para explorar novos temas e construir novos objetos. Essa diversidade e as tendências que se mostraram mais marcantes nessa produção serão examinadas a seguir. Antes, porém, considerou-se importante apresentar alguns indicadores quantitativos para oferecer uma visão geral sobre o crescimento dos estudos, com eles também indicando o papel que os programas de pós-graduação jogaram nesse processo.

Teses e dissertações: o papel dos programas de pós-graduação

Os dados obtidos no Banco de teses da CAPES mostram que o ano de 1995 foi um marco nesse movimento de crescente adesão aos estudos com histórias de vida. De uma produção que oscilou entre 2 e 4 trabalhos por ano, entre 1990 e 1994, há um salto em 1995, com a marca de 14 trabalhos: 10 mestrados e 4 doutorados. Esse número correspondeu a quase o dobro dos trabalhos produzidos nos cinco anos precedentes, tal como pode ser visto no Gráfico 1 (próxima página).

 

 

Daí para frente, com pequenas oscilações, as pesquisas de pós-graduação que fazem uso dessas abordagens aumentam continuamente, chegando a atingir a cifra de 30 trabalhos só no ano de 2003. No período compreendido entre 1990 e 2003, foram localizados 165 trabalhos, sendo 128 de mestrado e 37 de doutorado, defendidos em instituições de todas as regiões do país, com a participação de 21 universidades federais, além de outras – estaduais, PUCs e universidades privadas. É provável que esse número seria ainda maior se fossem feitas buscas diretas em todas as bibliotecas dessas universidades.

A USP foi a detentora da maior produção, com 24 trabalhos; seguida, em ordem decrescente, pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM –, no Rio Grande do Sul, com 16 trabalhos, e pela PUC-SP, com 15. Entre as universidades privadas, sobressaíram-se a Universidade da Cidade de São Paulo – UNICID – e a Universidade Metodista de Piracicaba (estado de São Paulo) – UNIMEP –, cada uma com 6 trabalhos12.

Na FEUSP, Elza Nadai foi, na década de 1990, uma das pioneiras em desenvolver estudos sobre os professores e suas memórias, trabalhando em uma perspectiva que, derivando da história oral, aproximava-se dos estudos com histórias de vida de professores, tal como viriam a se multiplicar nesse período. Em 1990, Ricardo Ribeiro defendeu, sob sua orientação, a dissertação Inspeção e escola primária em São Paulo: trabalho e memória (1990). E, no ano seguinte, ela própria, sua tese de livre-docência – A educação como apostolado: história e reminiscências (São Paulo 1930-1970), utilizando o que ela denominava de récit de vie (Nadai, 1991). Nessa pesquisa, em que a autora combina vários procedimentos e fontes, foi estudado um grupo de professores do antigo ensino secundário, por meio de um amplo leque de questões – representações, memória, discurso, formação, escola, sociedade, profissionalização. Apoiado em uma diversidade de autores – Paul Veyne, Le Goff, Bosi, Halbwachs, Thompson, M. Isaura P. Queiroz –, esse trabalho filia-se à história da profissão docente, tal como Denice Catani (2000) já o havia incluído.

Também pioneiro, porém em linha bem diversa, foi o trabalho realizado por M. Ignez Joffre Tanus, em sua tese defendida em 1992 na FEUSP, sob o título Mundividências – história de vida de migrantes professores. Publicada depois como livro (Tanus, 2002), o trabalho explora as visões de mundo, os processos de subjetivação e de identificação presentes na profissão, buscando compreender o imaginário e a realidade de grupos de migrantes-professores, a partir de duas questões básicas: a da identidade e a da construção da noção de realidade. A autora aproveita a situação de um trabalho empírico para colher depoimentos dos informantes acerca de suas histórias de vida, realizando o que ela denomina de uma 'escuta sensível' (Tanus, 2002).

Esses trabalhos são indicativos não apenas do movimento que estava se iniciando em direção às autobiografias e histórias de vida, na década de 1990, mas também de sua diversificação. Nessa década, vamos com efeito encontrar essa característica no recurso das histórias de vida e das memórias, cujos usos vão muito além do domínio da sociohistória da educação, como já observado. Assim é que se buscam compreender especificidades da atuação de grupos de profissionais docentes, de áreas e disciplinas diversas, pela alternativa das histórias de vida como procedimentos de pesquisa. Ampliam-se igualmente as referências às autobiografias e o gênero (literário) passa a ser valorizado pela sua contribuição ao entendimento de especificidades da vida escolar, do exercício da profissão docente, da construção de representações e relações com a escola e o conhecimento, entre outras13. E são justamente aspectos como esses que serão sublinhados pelos textos que, no período, introduzem, por meio de artigos publicados em periódicos e livros, a hipótese do recurso a memória/histórias de vida/autobiografias como procedimentos de formação. Inserindo-se em expressivo movimento internacional, observável pelas produções educacionais oriundas da França, Canadá, Portugal e Suíça, os textos que propugnam pelo caráter formador das histórias de vida apresentam-se também como fontes para a compreensão das peculiaridades da formação e especificidades das situações educativas formais e informais14. Se se pode identificar um traço comum aos textos publicados na década de 1990, talvez este seja o do esforço pela multiplicação do potencial explicativo/formador das memórias/histórias de vida/autobiografias. Nesse sentido, o recurso a elas é invocado para permitir a compreensão do processo de mudança e desenvolvimento dos professores, observando-se uma proliferação de interesses suscitados pela vaga das histórias de vida e sua extensão a universos educativos variados.

Com efeito, o conjunto dos trabalhos analisados evidenciou um grande espraiamento dos estudos autobiográficos, caracterizado por um leque amplo de temas e perspectivas de análise, mas com algumas convergências. Assim é que foram recorrentes os trabalhos que buscam, por exemplo, compreender especificidades da atuação de grupos de profissionais docentes de áreas e períodos diversos, tal como pôde ser observado tanto nos trabalhos de pós-graduação como em livros e artigos.

Ainda que também dispersos no conjunto, foi possível identificar nesse âmbito trabalhos que guardam maior proximidade entre si, como no caso dos estudos que derivam da história oral e se situam em uma intersecção com a perspectiva das histórias de vida de professores. Vários desses trabalhos foram defendidos na FEUSP, dentre os quais: o mestrado e o doutorado de Ricardo Ribeiro (1990 e 1996) – um sobre a atuação de antigos inspetores escolares nos anos de 1930-45 e o outro, de antigas professoras primárias nos anos de 1925-1945; a pesquisa de Eleny Mitrulis (1993) também sobre os inspetores, mas abrangendo o início da atuação dos supervisores de ensino; e sobre período mais recente, as dissertações de Daiane Vieira (2002) e Elza Pino dos Santos (2003) – a primeira versando sobre a atuação de antigos diretores, homens que fizeram carreira no magistério entre 1950-1980; e a segunda, o trabalho de professoras primárias que atuaram entre as décadas de 1960-1980. Fora do âmbito da pós-graduação, também houve estudos nessa linha, como pode ser visto no livro de Sanches (1999) – Orientação educacional e o adolescente. Nele, a autora trabalha com dez histórias de vida (orais) para compreender a atuação do orientador educacional, valendo-se também de um relato de sua própria experiência durante os anos de graduação.

Em outros estudos, a atuação de grupos de profissionais foi estudada a partir de outras categorizações como, por exemplo, de professores negros ou afrodescendentes (Rofino, 1996; Ribeiro, 2001), de professores que tiveram militância política (Dobbeck, 2000), de professores leigos (Rodrigues, 2001), entre outras.

Ao lado dessa temática, outras também se mostraram recorrentes, sobretudo nos trabalhos de pós-graduação. A análise dos resumos permitiu verificar, por exemplo, que os docentes do ensino fundamental e as áreas de Alfabetização e Matemática se constituíram nos focos de maior atenção, enquanto que no ensino superior foi a de História de Educação, com uma produção de 25 trabalhos. Embora um bom número desses trabalhos tenha se voltado ao estudo das antigas escolas normais, foi curioso observar que o tema das relações de gênero não ganhou a ênfase que haveria de se esperar. Isso ocorreu não apenas em relação a esse tema, mas também no conjunto dos trabalhos, de vez que apenas cinco indicaram ter utilizado a categoria gênero, dois destes em parceria com a categoria etnicidade para focalizar a questão do professor negro. Importante registrar que essa temática vem se acentuando nos últimos anos, como será referido mais adiante, neste texto.

O tema da identidade profissional surpreendeu pela alta recorrência, seguido de perto por outros dois: saberes docentes e educação continuada. Essa recorrência foi observada notadamente nos resumos. Entre os trabalhos completos selecionados, menciona-se o de Carmen Lúcia Pérez (2002), defendido na FEUSP, que usou narrativas orais e escritas. A questão da construção da identidade (tal como o tema é enunciado na maior parte das vezes) apareceu com maior freqüência nos trabalhos defendidos na PUC-SP, dentre os trabalhos selecionados para leitura completa; mas ao se considerar os resumos, esse foi um tema estudado em todas instituições. Profissionais de áreas as mais diversas foram estudados sob esse foco, notadamente os professores. Alguns títulos que aparecem nos resumos a partir de 1995 servem para ilustrar a tônica desse conjunto de trabalhos: Memória e identidade: a travessia de velhos professores através de suas narrativas; A professora alfabetizadora: caminhos e descaminhos na construção de uma identidade; A representação identitária no professor de história: um estudo com depoimentos orais; Identidade, culturas e memórias de ex-professores; Autoformação, histórias de vida e construção de identidades do/a educador/a; Identidades musicais de alunas de pedagogia: música, memória e mídia; Identidade do diretor da escola pública: compromisso com a transformação do cotidiano escolar.

Além dos professores, observou-se um interesse pelo estudo da identidade dos professores negros (Rofino, 1996) e afrodescendentes (Oliveira, 2001)15, assim como por aqueles que já se aposentaram e se encontram em fase de envelhecimento (Stano, 2001a)16. Esse tema esteve presente em uma série de estudos que contemplam a questão identitária a partir de outros ângulos. É o caso das pesquisas que analisam processos de escolha profissional (Enge, 2004) ou as que contemplam os percursos de formação. Alguns desses trabalhos se interessam por examinar o modo pelo qual os profissionais se tornaram professores (Hage, 1997); outros, como o deixaram de ser, como no caso do estudo de Flavinês Lapo (1999) que analisou as histórias de vida profissional de docentes que abandonaram o magistério e/ou a escola pública. Um outro conjunto de estudos, ainda nessa perspectiva, investiga a construção da identidade a partir dos significados atribuídos, pelos professores, à profissão e ao trabalho docente. Uma modalidade recente de estudos que se alinham ao tema da identidade, a grande maioria de mestrado, diz respeito àqueles em que os autores se propõem à análise de sua própria trajetória profissional. Buscam eles, em geral, compreender como vieram a se tornar os professores que são – de arte, de história, biologia, educação especial, alfabetizadores/as17, entre outros. Sobre a questão da identidade e desse tipo de estudos, serão feitas algumas considerações na seção final deste texto.

Os livros

A leitura dos livros reiterou alguns desses temas, mas fez ressaltar outros, sobretudo pelo fato de nem todos terem sido produzidos como teses ou dissertações. Vários resultaram de projetos desenvolvidos por grupos de pesquisa e, em muitos deles, os autores valem-se das narrativas como matéria prima para a análise, focalizando a profissão sob os mais diversos ângulos.

Selva Fonseca (1997) assina o livro Ser professor no Brasil, utilizando-se da história oral de vida mediante o registro da história individual dos sujeitos que fazem e ensinam história. Isso permitiu produzir documentos e interpretações nos quais os personagens explicitam e atribuem diferentes sentidos às suas experiências, mostrando como suas produções e suas ações profissionais estão intimamente ligadas ao modo pessoal de ser e viver. Por sua vez, o livro de Geni Vasconcelos (2000) – Como me fiz professora – é uma coletânea de artigos sobre histórias de vida de professores, alguns tratando de temáticas relativas à construção da identidade profissional; outros, a partir de narrativas dos próprios professores, sobre suas histórias de formação. Segundo a organizadora, o objetivo foi o de buscar, por meio desse trabalho, resgatar o respeito à categoria do magistério, dando voz18 aos professores; e o de também mostrar que a identidade do professor se tece com múltiplos fios. Próximo dessa linha de trabalho, situa-se um capítulo de autoria de Cynthia de Souza (1998) "Fragmentos de histórias de vida e de formação de professoras paulistas", no qual ela apresenta resultados de uma pesquisa baseada em entrevistas com uma centena de mulheres pertencentes a estratos médios urbanos, cujo objetivo foi o analisar a escolha do magistério como profissão, por meio do resgate de aspectos de sua memória familiar e profissional.

O livro Identidade do professor no envelhecimento (Stano, 2001b) também elege a questão da identidade, com o objetivo de investigar como o exercício profissional determina, colabora e marca a qualidade do envelhecimento dos professores. Nesse sentido, ouvindo as histórias de vida de docentes aposentados, procura captar o que restou, o que tem determinado sua forma de viver a velhice, como produto de singularidades históricas e culturais. Pelas narrativas, foi possível observar a correspondência assegurada pelo habitus entre o antes e o depois, já que, uma vez afastado da escola e de todo o grupo de profissionais correspondentes, mantém-se o conjunto de práticas e modos incorporados durante o exercício profissional. Os professores elaboraram o seu envelhecer mantendo o tempo de seu 'ser-professor' por meio de contatos com os alunos ex-alunos/novos alunos. Quando perguntados sobre qual a sua profissão, respondem: sou professor aposentado, evitando, segundo a autora, a 'dissociação do Eu' na aposentadoria e assegurando um envelhecer professoral.

Sob esse ângulo, o livro de Isabel M. Bello (2002), Formação, profissionalidade e prática docente19, pode complementar-se com o de Rita Stano ao investigar a profissão tomando por base os ciclos de vida profissional (Huberman, 1992). Nele, ela analisa, a partir do ponto de vista das professoras, comportamentos, destrezas, atitudes e valores necessários à formação profissional por meio das histórias de vida de três professoras por ela entrevistadas. Visa, com isso, à compreensão de aspectos da formação e da profissionalização docente. Do ponto de vista dos ciclos de vida, Bello se detém em fases que antecipam aquela contemplada por Stano (2001a e 2001b), quando os professores já não estão mais na profissão, mas ainda se sentem e se vêem como professores.

As questões da profissionalização e da formação foram contempladas, sob outros prismas, em outros livros publicados no período em análise, alguns focalizando a prática pedagógica dos professores com vistas à sua transformação, outros, o autoconhecimento e o conhecimento sobre o professor, a constituição de sua subjetividade e a formação.

Em uma perspectiva backtiniana, as questões da formação e da profissionalização foram tratadas em duas coletâneas que resultaram de uma pesquisa conjunta sobre leitura e escrita de professoras. Um deles é Histórias de professores – leitura, escrita e pesquisa em educação, de Sonia Kramer e Solange Jobim e Souza (1996), e o outro, Narrativas de professoras: pesquisando leitura e escrita numa perspectiva sócio-histórica, de M. Teresa de Freitas (1998). Kramer e Souza utilizam as histórias de vida como alternativa para os estudos sobre a prática pedagógica, enfatizando o papel do sujeito ativo e criativo e a produção, por meio das narrativas, de um conhecimento que se situe na encruzilhada de vários saberes. A entrevista é como uma construção de intertextos, e as falas, mais do que respostas, são uma ação dialógica por meio da qual o sujeito constrói e reconstrói sentidos. Freitas (1998), por sua vez, busca saber como os professores lêem, escrevem e como construíram essa relação ao longo de suas vidas. O grupo considerou que os efeitos do método autobiográfico se fizeram sentir, tanto para aquele que narra, organizando suas experiências vividas e lhes atribuindo significado, quanto para o pesquisador que, ao colher as entrevistas, com o pesquisado se identifica20.

Próximo dessa temática é o livro de Ana Chrystina Mignot e M. Teresa Santos Cunha (2003), Práticas de memória docente, cujos textos focalizam a escrita de professores e professoras, visando enriquecer as discussões sobre as práticas de memória docente construídas na e sobre a escola. A obra é organizada por conjuntos de textos que contemplam, no primeiro, a 'escrita ordinária' de professores, produzida sob os mais diferentes pretextos, que permite perceber a escola como um espaço de valorização da escrita e de busca de liberdade de expressão21. O segundo conjunto dedica-se a textos que trabalham com a escrita autobiográfica de docentes que "lançaram a mão da escrita para registrar, reivindicar propor, resistir, eternizar, enfim, a própria vida" (p. 13)22.

Por outro lado, o trabalho organizado por M. Helena Barreto Abrahão (2001) – História e histórias de vida. Destacados educadores fazem a história da educação rio-grandense –, além de trazer as histórias de vida de doze educadores, apresenta "elementos histórico-sociais do contexto de inserção dessas histórias em seu conjunto [...]" (p. 29). De acordo com António Nóvoa, que escreveu o prefácio, esse livro não se fecha apenas nos registros biográficos, na medida em que os autores procuraram confrontos que iluminassem suas interpretações, assumindo que a história de vida é sempre uma 'construção', na qual também participa o investigador. As três categorias que serviram de matriz analítica para a análise e interpretação dessas histórias de vida — formação, vida pessoal/profissional e construção de identidade — constituem, segundo ele, "os limites justos de uma interpretação sensata" (p. 9).

Na categoria de trabalhos que relatam, sobretudo, experiências de pesquisa/formação fazendo uso do método autobiográfico e que diferem, nesse sentido, dos trabalhos até aqui descritos, foram localizados apenas três: as duas coletâneas organizadas pelas coordenadoras do GEDOMGE-FEUSP: Docência, memória e gênero: estudos sobre formação (Catani et al., 1997) e A vida e o ofício dos professores: formação contínua, autobiografia e pesquisa em colaboração (Bueno et al., 1998); e o livro Como nos tornamos professoras?, de Roseli Cação Fontana (2000), cuja pesquisa aproxima-se dessa perspectiva de trabalho.

As duas primeiras publicações resultaram de um projeto de educação continuada desenvolvido pelo GEDOMGE, entre 1993 e 1997. Dele participaram professoras (e alguns poucos professores) da rede pública, por meio de um trabalho que, ao fazer uso da escrita autobiográfica, teve por objetivo levar os professores a compreenderem e a se apropriarem de sua própria história. Docência, memória e gênero, como indica o nome do grupo, constituíram-se no tríplice foco de trabalho, que se vale da leitura da obra memorialística de Elias Canetti, A língua absolvida, como pretexto para a produção autobiográfica das professoras. No capítulo "História, memória e autobiografia na pesquisa educacional e na formação", as autoras dão ênfase, de um lado, à vertente de investigação que o método autobiográfico suscitou na experiência de formação; de outro, o potencial trazido pelo trabalho da memória e da contramemória no campo da profissão docente. A outra coletânea, A vida e o ofício dos professores, traz novos resultados da pesquisa, tanto do ponto de vista teórico como das práticas de formação desenvolvidas pelo grupo. A segunda parte do livro inclui os textos dos onze professores, que chegaram até o final da experiência, como forma de explicitar mais autenticamente os resultados desse projeto de pesquisa/formação e de produção de (auto)conhecimento por parte do grupo.

O trabalho de Roseli Cação Fontana (2000), Como nos tornamos professoras?, é fruto da transcrição das discussões de um grupo de estudos e de pesquisa que durante dois anos se reuniu na qualidade de professoras-pesquisadoras, com o propósito de investigar a própria condição profissional. O grande investimento do estudo concentrou-se na análise das características do trabalho docente em seu fazer cotidiano. As histórias de vida aparecem de forma complementar para esclarecer um dos aspectos – a escolha da profissão – presentes na análise da constituição do ser profissional. O relato de seis professoras entre 20 e 45 anos de idade é oportunidade para trazer à tona alguns dos principais temas presentes na questão da escolha da profissão docente, tais como: dom, vocação, adesão/identificação, aprendizado, aprendizado com o outro.

Os periódicos

Se nos anos de 1990 assistimos a um período de expansão e incremento dos estudos sobre educação que recorrem às histórias de vida/autobiografias, tal como ficou patente na produção de pesquisas de pós-graduação e nos livros (considerando-se que a maior parte são coletâneas e como tal contou com a participação de vários autores), isso não significa que o número de artigos em periódicos científicos tenha acompanhado esse crescimento. A rarefação de estudos com autobiografias/histórias de vida veiculados pelas revistas, tal como já registrada a propósito da década anterior, permanece praticamente a mesma, embora em números absolutos tenha havido um crescimento.

Entre os anos de 1990-1993, seguindo a mesma tendência dos trabalhos de pós-graduação e livros, as produções veiculadas nos periódicos se espraiam em temas que contemplam questões referentes a diferentes parcelas de profissionais do magistério, mas a tônica principal dos investimentos parece ser a explicitação de especificidades do trabalho e da profissão docente. Coincidindo com a perspectiva evidenciada nos anos de 1990, do interesse pelos estudos sociohistóricos da profissão docente, a tendência ao recurso às memórias/histórias de vida parece afirmar-se nesse domínio pelo seu potencial de conhecimento/pesquisa.

Em quatro artigos publicados, aparecem trabalhos representativos dos estudos sociohistóricos da educação. Dois deles, já referidos anteriormente, foram publicados no início dos anos de 1990: o de Lea Paixão (1991), sobre antigas professoras primárias mineiras que trabalharam entre 1924 e 1938, em Educação em Revista; e o de Zeila Demartini e Fátima Antunes (1993), sobre o magistério primário como profissão para as mulheres e carreira para os homens, nos Cadernos de Pesquisa. Além desses, figuram outros dois artigos publicados por Educação e Realidade e Educação em Revista, ambos em 1994. O primeiro, de Rosa M. Silveira (1994), traz uma análise da obra de Helena Morley, Minha vida de menina, no qual ela examina a representação da figura do professor no final do século XIX e enfatiza aspectos tais como a ambivalência profissionalismo/proletarização, feminização do magistério, saberes docentes, entre outros, ainda que o interesse maior recaia sobre as condições sociohistóricas nas quais a obra literária é produzida. O outro artigo, de M. de Fátima Fortes (1994), examina características da escola rural mineira do início do século XX (1918-1939), a partir do depoimento de 12 professoras de origens sociais diferenciadas, que nasceram em diversos pontos do estado entre 1898 e 1920. Esses depoimentos foram selecionados entre os 35 utilizados na pesquisa "Trajetórias escolares e profissionais de professoras primárias mineiras que iniciaram carreira antes de 1940", coordenada por Lea Paixão.

Ao lado dessa tendência, aparece nos periódicos analisados uma outra vertente de estudos autobiográficos, representada notadamente pelos trabalhos do GEDOMGE. Esses textos explicitam as concepções do grupo na perspectiva da pesquisa/formação, tratadas sob diferentes focos em cada um dos três textos publicados. O primeiro deles, que leva o título homônimo do grupo, foi publicado na revista Psicologia USP, em um número temático sobre memória (Bueno et al., 1993). Nele, as autoras buscam analisar os fundamentos teóricos e as potencialidades práticas de formação de professores, baseados em interpretações autobiográficas e relatos de formação intelectual. Abordam também questões teóricas relativas à memória individual e coletiva, aos processos tradicionais de educação docente e aos estudos sobre gênero, em especial sobre a condição feminina e o trabalho do magistério, destacando a fecundidade da proposta de criação de uma contramemória profissional, mediante a produção de autobiografias e relatos no processo de formação continuada de professores. No segundo texto — "Memória e autobiografia: formação de mulheres e formação de professoras" (Sousa et al., 1996) — publicado na Revista Brasileira de Educação, as análises incidem sobre especificidades, constituição e recuperação da memória individual e da memória feminina, buscando examinar os vestígios e as configurações dessas especificidades em relatos de mulheres professoras a respeito de suas experiências de vida. A partir daí, enunciam-se algumas possibilidades novas acerca das relações pedagógicas e dos processos de formação escolar. Em "O amor dos começos: por uma história das relações com a escola" (Catani; Bueno; Sousa, 2000), publicado nos Cadernos de Pesquisa, as autoras buscam explicitar e discutir, também com base em relatos autobiográficos escritos, as peculiaridades das relações que os indivíduos (homens e mulheres, alunos e professores) mantêm com a escola e com as diferentes disciplinas, assim como os significados dessas relações em histórias de escolarização e na formação da identidade dos professores. O objetivo, como nos textos anteriores, é o de propor novas modalidades de formação que estimulem disposições favoráveis ao conhecimento.

Outra temática, baseada em estudos com histórias de vida que também se fez representar nos periódicos, tem como foco a leitura e escrita de professores. Dois desses artigos foram publicados por Sônia Kramer, pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro — PUC-RJ —, na linha de trabalho que desenvolve desde 1993, com base nas teorias de Walter Benjamin e Bakhtin, tal como já referido a propósito do livro Histórias de professores: leitura, escrita e pesquisa em educação (Kramer; Souza, 1996). O artigo veiculado em Cadernos de Pesquisa procura analisar experiências de leitura e escrita de professores, tecidas ao longo de suas histórias de vida e trabalho, abordando o processo de construção de conhecimento, para compreender como foi construída sua relação com a escrita e de que forma essa relação influencia a prática escolar (Kramer, 1999). No texto seguinte, que aparece em Educação em Revista, a autora apresenta uma síntese da produção de seu grupo de pesquisa, retomando a temática em torno da qual o grupo se articulou ao longo da década de 1990 (Kramer, 2000). Um pouco antes, em 1998, esse mesmo periódico publicou um artigo de Antonio Augusto Batista (1998), pesquisador da UFMG. O texto trata das relações de professores de Português com a leitura, baseada em estudos de sociologia da educação, da família e das práticas culturais. Nele, o autor analisa práticas de leitura docente, baseando-se em dados coletados por meio de vários instrumentos, entre os quais: as lembranças redigidas por docentes a respeito de seu processo de formação como leitores.

A questão da identidade, tão recorrente nos trabalhos de pós-graduação e nos livros, apareceu de modo reduzido nas revistas. Apenas três artigos foram localizados: um deles na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos; o outro em Educação em Revista; e o terceiro na Revista Brasileira de Educação. Lea Paixão (1995), em seu artigo "Cátedra e hegemonia da prática docente na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais", examina a identidade social dos biólogos a partir de depoimentos de professores, ex-professores e ex-alunos, mostrando os conflitos e as tensões que se articularam à emergência e institucionalização da biologia como disciplina acadêmica no currículo daquela escola de medicina. No segundo texto, Anna Maria Caldeira (2000) utiliza fragmentos da história de vida de uma professora de origem rural, que lecionava em uma escola pública de Barcelona, como recurso para compreender o processo de constituição de sua identidade. A história é recolhida no âmbito de um estudo etnográfico, no qual a pesquisadora focaliza a prática pedagógica da professora. Considerando os contextos em que essa identidade é forjada, ela mostra que seus traços constitutivos foram construídos e reconstruídos ao longo de sua profissionalização, desde o momento da escolha da profissão e da formação inicial até a inserção e prática profissionais. Com base nesse estudo, Caldeira afirma que a construção da identidade não pode ser vista como um processo atemporal, permanente e estável. O terceiro texto, publicado na Revista Brasileira de Educação, é de autoria de Isabel Lelis (2001). O tema é a identidade social do magistério, para cuja análise a autora se vale de histórias de vida de professoras do Rio de Janeiro que atuam em escolas públicas e privadas do ensino fundamental. Com base nas narrativas, Lelis analisou a trajetória social e instrucional das professoras, considerando vários aspectos, dentre os quais: suas famílias de origem e identidade social, a retórica da missão do sacerdócio e da vocação, as questões de gênero como uma categoria importante para compreender a entrada na profissão (que deve ser articulada a classe social, etnia e geração).

De caráter exclusivamente teórico-metodológico, versando sobre histórias de vida e autobiografias, são dois os artigos publicados por Educação e Pesquisa, um em 1999 e o outro em 2002. O primeiro é de autoria de Marie-Chistine Josso (1999), pesquisadora da Universidade de Genebra, que oferece um amplo panorama europeu e internacional de autores que desenvolveram pesquisas nesse campo, cuja exposição se faz a partir de seu próprio percurso em direção às histórias de vida. Nele, Josso busca distinguir as "histórias de vida como projeto de conhecimento das perspectivas biográficas temáticas a serviço de projetos específicos". O outro texto examina as relações entre o método autobiográfico e os estudos com histórias de vida de professores, com destaque para a questão da subjetividade (Bueno, 2002). O texto também apresenta uma visão geral sobre os vários usos que, na década de 1990, vinham se fazendo dos estudos com autobiografias e histórias de vida, baseada em coletâneas organizadas por Nóvoa (1992a; 1992b) e Goodson (1992).

O tema da profissão e profissionalização dos professores apareceu em apenas dois artigos. Derivados de uma pesquisa que investigou a evasão de professores da escola pública em São Paulo, no período de 1990-1995, ambos tomam por base as histórias de vida profissional de 16 professores, para examinar a questão do abandono da profissão e o desencanto dos professores com a escola pública, sob dois focos. O primeiro texto, publicado na revista Psicologia USP, examina os vínculos e as rupturas com o trabalho docente, a partir de considerações sobre o sentido do trabalho, do ponto de vista social, psicológico, pessoal (Lapo; Bueno, 2002). No outro, publicado nos Cadernos de Pesquisa, o foco recai sobre as trajetórias e circunstâncias que levaram o grupo de docentes em estudo a deixar a escola pública e/ou a própria profissão. Ao analisarem as etapas que caracterizam o processo de abandono, as análises chamam a atenção para o estresse e o burnout que acometem os professores em tais processos (Lapo; Bueno, 2003).

Um único texto examinou o desenvolvimento profissional do professor, um tema até então não identificado em outros estudos. Publicado na Revista Brasileira de Educação, o autor recorre à história de vida de uma professora de matemática, como metodologia de pesquisa, para identificar as percepções dos professores sobre as mudanças que ocorreram em seu pensamento e/ou prática ao longo dos anos, focalizando também suas percepções a respeito de experiências e/ou desafios que poderiam tê-los influenciado nessas mudanças (Polettini, 1998).

Finalmente, cabe mencionar três textos que tratam de temas esparsos e nos quais as histórias de vida ou narrativas biográficas foram utilizadas de modo tangencial. Um deles apareceu na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos; outro, nos Cadernos de Pesquisa; e o terceiro, em Educação e Realidade, tratando sua autoras respectivamente dos seguintes temas: Yolanda Lôbo (1996), da trajetória de vida e de formação de Cecília Meireles, com destaque para sua tese "O espírito vitorioso", apresentada ao concurso que prestou na Escola Normal do Distrito Federal; M. Isabel Cunha (1996), de experiências inovadoras de ensino de professores universitários, com base em depoimentos e com ênfase sobre seus sistemas de valores, representações e símbolos culturais, inclusive os de caráter afetivo; e Nádia Souza (2000), sobre representações de corpo-identidade, em uma perspectiva foucaultiana. Na pesquisa, essa autora se vale, entre outras estratégias, de fotos e narrativas de professores e professoras de biologia para levá-los a falar sobre as práticas vivenciadas em suas famílias e as implicações destas na produção dos seus corpos-identidades. É relevante observar os pontos de contato entre esse estudo e a dissertação de Gercina Santana Novaes (1995), O corpo da aprendizagem: um estudo sobre representações de corpo de professoras da pré-escola, na qual a autora investiga, no âmbito de um estudo etnográfico combinado com memórias, as representações de corpo de professoras da pré-escola, cujo propósito foi o de analisar os significados dessas representações para as ações pedagógicas desenvolvidas nas aulas, bem como buscar os movimentos de constituição e (re)produção dessas representações.

 

Considerações finais

O exame realizado nesta revisão, contemplando o uso das autobiografias e histórias de vida em investigações sobre formação de professores e profissão docente, permitiu chegar a algumas conclusões. A primeira, e certamente a mais importante, é que a intensificação de tais metodologias aqui no Brasil, sobretudo a partir dos anos de 1990, contribuiu para renovar a pesquisa educacional sob vários aspectos, notadamente no que diz respeito à pesquisa e à formação de professores, fazendo aflorar o interesse por questões e temáticas novas, tais como as que se configuram nos estudos sobre profissão, profissionalização e identidades docentes. Embora as principais características da produção analisada tenham sido apontadas ao longo do texto, algumas serão retomadas aqui com vistas a comentar alguns aspectos lacunares, a partir das quais gostaríamos de oferecer algumas indicações para futuros estudos da área.

O fato de termos trabalhado com várias fontes impediu que as análises descessem a muitos detalhes, mas por outro lado veio a favorecer uma série de aspectos. Primeiramente, o fato de permitir uma visão simultaneamente quantitativa e qualitativa dos trabalhos, possibilitando identificar o espraiamento dos estudos pelas regiões e universidades do país, o crescimento ao longo dos anos, as características e diversidade dos trabalhos, a partir das quais se constatou o traço principal: a enorme dispersão dessa produção. Foi também possível verificar que houve um desequilíbrio nas formas de divulgação e circulação das pesquisas. Considerando-se o número de trabalhos defendidos nas pós-graduações e os trabalhos apresentados em congressos23 no período, verifica-se que apenas uma parte dessa produção foi publicada em livros, a maioria coletâneas e, de forma mais rarefeita, como artigos em periódicos científicos. Ao se considerar que muitos dos livros, capítulos de livros e artigos resultaram de trabalhos de grupos de pesquisas e não de teses e dissertações, tem-se ainda mais claro que os trabalhos gerados pelos programas de pós-graduação ficaram circunscritos a um nível limitado de divulgação.

Disso talvez resulte uma outra característica dos trabalhos analisados: a quase absoluta ausência de diálogo das pesquisas com as produções da área, em muitos casos, sem se considerar os resultados dos trabalhos produzidos na própria instituição do pesquisador. Em vista disso, não causou tanta estranheza que boa parcela deles não faça referência a projetos sobre formação e profissionalização docente que, em plano nacional e internacional, vêm sendo desenvolvidos em países vizinhos. Colocar os professores no centro dos debates não foi uma idéia que surgiu aqui por acaso, pois está contida há mais de uma década nas reformas que propugnam pela redefinição de seu perfil e pela construção de 'um novo professor'. Alguns autores de países diversos chegam até mesmo a sugerir uma 'reinvenção da profissão docente'24. Tudo isso, certamente, faz com que as expectativas que pesam sobre esse profissional se tornem ainda maiores. Por isso, não se pode tomar as autobiografias sem maiores cuidados, como se fossem panacéias que por si só podem transformar os professores e as escolas.

O quer se quer dizer com isso é que não basta dialogar apenas com trabalhos que tenham utilizado as mesmas abordagens metodológicas. Faz-se também necessária uma interlocução com as produções de outros contextos, indo além dos teóricos da Europa e América do Norte. Pela similaridade das problemáticas educacionais e das reformas que se acham em curso nos países da América Latina/Caribe, é desejável que as questões propostas aqui estejam também a elas referenciadas. Mais ainda quando se trabalha com memórias e narrativas e se advoga que as autobiografias favorecem ao sujeito uma apropriação de sua própria história, que é não apenas individual, mas também coletiva. Poderíamos nos perguntar, que história coletiva é essa, hoje? Talvez seja esse um dos caminhos férteis para se discutir e problematizar a questão das identidades/auteridades.

Outra marca que se ressalta no exame dos trabalhos analisados é a imprecisão conceitual. A despeito de muitos pesquisadores esclarecerem o sentido dos termos empregados, as imprecisões terminológicas persistem no conjunto da produção, por duas razões interligadas: primeiro, devido à enorme diversidade de expressões empregadas, muitas das quais utilizadas como sinônimos, como se houvesse um consenso a esse respeito25; depois, pelo fato de haver uma tácita desconsideração pela própria história das histórias de vida, suas origens, seus avanços, seus recuos, bem como sobre as concepções e os usos que delas se fazem hoje em diferentes campos – na história, sociologia, antropologia, psicologia, literatura, além de outras26. Disso resulta que os pressupostos das perspectivas adotadas nos trabalhos nem sempre se fazem explícitos, ao contrário, aparecem muitas vezes ambíguos e até contraditórios. Contribui com isso a liberalidade com que são feitas as apropriações teóricas, nem sempre com os cuidados que o transporte de conceitos de uma área para a outra requer. Desse modo, se por um lado pode-se admitir que essa liberalidade é indicativa de uma revitalização da área da Educação, que não pode sobreviver nem crescer sem empréstimos conceituais, de outro lado, deve ser vista como um alerta contra abusos e descuidos que, contrariamente, acabam por fragilizar a área e tornar os resultados das pesquisas pouco confiáveis ou valiosos.

Nessa mesma direção, deve-se acrescentar uma questão complementar às formas de apropriação dos procedimentos autobiográficos, que diz respeito às narrativas em primeira pessoa – muito presentes em dissertações e livros –, em geral utilizadas para ilustrar, exemplificar, contar, oferecer depoimentos sobre a formação e a trajetória profissional de professores. Esses trabalhos, que possuem o mérito de fazer ecoar as vozes dos sujeitos, atores do campo educacional, terminam por se constituir em um rol de casos isolados, abertos a interpretações sem fim, à espera de que os leitores cheguem, por si mesmos, à já clássica afirmação de Ferrarotti, a de que

[...] o nosso sistema social encontra-se integralmente em cada um dos nossos atos, em cada um dos nossos sonhos, delírios, obras, comportamentos. E a história deste sistema está contida por inteiro na história da nossa vida individual. (1988, p. 26)

Talvez, o aprofundamento sobre esses aspectos, notadamente sobre as apropriações conceituais e uma definição mais precisa dos referenciais teóricos e procedimentos de pesquisa e de formação pertinentes ao campo das autobiografias e histórias de vida, possa auxiliar na indicação dos percursos a seguir, para proceder a apropriações sem que com isso se esteja a reinventar os autores a cada momento, transformando as potencialidades em limitações. Essa não é uma questão simples, mais ainda quando se pretende sustentar que as narrativas em primeira pessoa são modalidades férteis para a educação e a formação.

Uma outra constatação a que se chegou é que a despeito da enorme diversidade de usos que os trabalhos exibem, paradoxalmente, o que se observa é a prevalência de um modelo único, de vez que caracterizado quase que exclusivamente pelo modelo das histórias de vida 'a serviço de projetos', para usar a expressão de Christine Josso (1999). Na modalidade pesquisa/formação, além dos trabalhos de nossa autoria, realizados na vertente do 'processo autobiográfico em formação' (Dominicé, 1990; Josso, 1988; 1991), identificamos apenas mais um que se aproxima dessa categoria: o livro de Roseli Cação Fontana (2000), Como nos tornamos professoras? Assim, surpreendentemente, o modelo das biografias educativas desenvolvido pelo grupo de Genebra, cujas idéias inspiraram tantos trabalhos com histórias de vida no Brasil, não vicejou em nosso contexto. E, no entanto, a grande potencialidade dos estudos autobiográficos reside, justamente, no seu potencial explicativo/formador, além de se constituírem como fontes para a compreensão das peculiaridades da formação e das especificidades das situações educativas. No que tange à produção do pós-graduação, essa crítica deve ser relativizada na medida em que a exigüidade do tempo para realizar os cursos, aliada à inexperiência da maioria dos jovens pesquisadores, não permite muitas ousadias metodológicas.

A propósito da questão da identidade, pelo fato de ter sido a temática mais recorrente nos trabalhos, gostaríamos de também registrar algumas observações. A questão identitária é seguramente um dos temas mais candentes da contemporaneidade. Por isso, pode-se admitir que esse conjunto numeroso de trabalhos faz parte de uma tendência que vem se acentuando há mais de uma década em outros países, sobretudo nos contextos francófonos, nos quais a noção de identidade tem sido adotada por aqueles que desejam compreender, no campo da Educação e da Formação, como as mudanças individuais e coletivas se processam. Jean-Marie Barbier (1996) considera que a noção de identidade é um paradigma particularmente útil para se pensar e acompanhar as mutações e recomposições sociais que se operam nos dias de hoje. Todavia, como seus usos têm sido muito variados e, além do mais, freqüentemente acompanhados de imprecisões teóricas e epistemológicas, a noção de identidade segundo ele tem gerado grande confusão, chegando mesmo a colocar em dúvida sua fecundidade. Daí porque se faz necessário e importante examinar aspectos teóricos e conceituais envolvidos nessa categoria. Considerando esses aspectos e pensando em futuros trabalhos, algumas perguntas podem ser feitas: o que move tanto os professores a se perguntarem pela identidade docente, por sua própria identidade? Seriam tais indagações evidências de uma crise da profissão, para cujas respostas as histórias de vida parecem dar alento? Por que estariam os professores indagando tão reiteradamente sobre suas escolhas, seus lugares e pelos sentidos que encontram na profissão? Tratar-se-ia de uma busca da (re)invenção de si? Nesse caso, com quais instrumentos teóricos?

Na mesma direção, pensamos que cabe ainda chamar a atenção para uma modalidade de pesquisa que se tornou freqüente nos últimos anos: o estudo da própria história de vida pelo pesquisador. No caso dos trabalhos analisados nesta revisão, a maioria em nível de mestrado (com duas exceções já mencionadas), o que se notou é que essa modalidade parece ter sido utilizada muito mais pela facilidade de se produzir um trabalho em curto prazo do que uma opção teórica calcada em convicções teóricas e pressupostos claros. Tendo se envolvido em um processo de se autobiografrar, esses trabalhos trouxeram certamente ganhos para seus autores, mas do ponto de vista acadêmico poucos têm algo a dizer. Não se trata, portanto, de negar as possibilidades nem mesmo a riqueza que trabalhos desse tipo podem trazer, mas sim de insistir sobre necessidade de se lidar com instrumentos teóricos que apenas a maturidade intelectual pode oferecer. Nessa linha, podem ser mencionados alguns casos exemplares: Cheminer vers soi, a tese de Christine Josso depois publicada como livro (Josso, 1991), e os Ensaios de ego-história, uma coletânea de textos de vários historiadores – Agulhon, Chaunu, Duby, Girardet, Le Goff, Perrot e Rémond – que, estimulados por Pierre Nora, foram levados a narrar suas próprias histórias e seus próprios percursos, utilizando para tal os recursos teóricos com os quais estudaram e analisaram as histórias de outrem (Agulhon et al., 1989). São contrapontos talvez por demais contrastantes, mas necessários para dizer das exigências de um trabalho de tal natureza.

Essas foram algumas das ponderações que nos pareceram relevantes de serem pontuadas nestas considerações finais, muito mais dentro de um espírito de abertura a novas análises do que de encerramento ou de conclusões definitivas. A intenção foi a de agregar novos elementos a respeito dos modos de conceber e utilizar as metodologias em questão. Nesse sentido, não é demais reafirmar mais uma vez que, a despeito das lacunas observadas, o uso intenso que se fez das autobiografias e histórias de vida trouxe dados importantes para o debate e aprofundamento das questões referentes à pesquisa educacional, no que tange à formação de professores e profissão docente, focos de análise desta revisão. O mesmo não se podendo dizer sobre as questões de gênero que, contrariando a presença marcante que tem tido em outras áreas no mesmo período, não se mostrou um foco privilegiado nos estudos com autobiografias e histórias de vida. Eis, portanto, mais uma das indicações que queremos registrar, dentre as que merecem ser levadas adiante e exploradas em futuros estudos.

 

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Correspondência:
Belmira O. Bueno
Faculdade de Educação/USP
Av. da Universidade, 308
e-mail: bbueno@usp.br

Recebido em 09.05.06
Modificado em 22.05.06
Aprovado em 26.06.06

 

 

Belmira Oliveira Bueno é professora titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Foi professora visitante da University of North Carolina at Chapel Hill (EUA), desenvolve pesquisas na área de formação de professores e profissão docente. É pesquisadora do CNPq e atualmente atua como co-editora do International Handbook on Urban Education (Dordrecht: Springer), responsável pela seção da América Latina.
Helena Coharik Chamlian é professora livre-docente da FE-USP. Desenvolve pesquisas na área de formação de professores, especialmente no campo de formação contínua. Coordenou recentemente Projeto de cooperação Internacional (CAPES-COFECUB) em colaboração com Jean Biarnés da Universidade Paris 13. Realiza no momento pesquisa-formação usando procedimentos autobiográficos com futuros professores universitários. E-mail: hcchamli@usp.br.
Cynthia Pereira de Souza é formada em Pedagogia pela FE-USP. Nessa mesma instituição obteve seus graus de Mestra e Doutora em Educação e, desde 2000, é professora associada (Livre-docente), título obtido em concurso público. Seus temas de pesquisa estão ligados a uma história das relações sociais de gênero no campo da educação; às investigações sobre memória, relatos autobiográficos e formação continuada de professores e, mais recentemente, aos estudos sociohistórico-comparados sobre educação primária. E-mail: cypsousa@gmail.com.
Denise Catani é professora titular e coordenadora do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Educação da USP. Pesquisadora do CNPq e autora de trabalhos acerca de história da educação brasileira e formação de professores. Tem desenvolvido estudos acerca das questões de memória, autobiografia e formação e também acerca da história da educação comparada Brasil-Portugal. E-mail: dbcat@usp.br.
* Este trabalho contou, em diferentes fases dos levantamentos, com a colaboração de Daiane Vieira Piscinato, Elza Pino dos Santos, Flávia Medeiros Sarti, Flavinês Rebolo Lapo, Lia Mara dos Santos, Marcela Oliveira Soga, Renata Marcílio Cândido, Teresa Van Acker e Vera Lúcia dos Santos, a quem queremos registrar nossos agradecimentos.
1. Ver Atas do 1º. Seminário Docência, Memória e Gênero da FEUSP (Catani et al., 1997).
2. Esse trabalho foi apresentado na 25ª Reunião Anual, no GT Formação de Professores, como trabalho encomendado, sob o título "Os estudos com histórias de vida de professores, um campo emergente de pesquisas: questões metodológicas e perspectivas para as práticas de formação" (Bueno; Catani, 2002). O texto não foi publicado.
3. Essa complementação foi feita em virtude de uma não correspondência entre os resumos do Banco de Teses da CAPES e os trabalhos da PUC-SP e da FEUSP, quando buscados para a leitura completa.
4. Foram pesquisadas as seguintes editoras, por ordem alfabética: Arte & Ciência, Artmed, Ática, Autores Associados, Cortez, DP&A, Escrituras, Mercado de Letras, Papirus, Pioneira, Unesp, Unijui e Vozes. Alguns desses livros foram produzidos inicialmente como teses. As referências específicas a cada caso são feitas mais adiante.
5. Três desses estudos foram defendidos na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG – e um na Universidade Federal de Pernambuco – UFP. Os temas tratados versaram sobre fracasso escolar, relação professor-aluno, alfabetização e leitura.
6. Entre os capítulos desse livro, figuram dois textos dentre os que vieram a ser referência para muitas pesquisas, tanto nessa época como depois: o de M. Isaura Pereira de Queiroz (1988) – "Relatos orais: do indizível ao dizível" – e o de Zeila Demartini (1988) – "Histórias de vida na abordagem de problemas educacionais". Nos próximos parágrafos, serão feitas mais observações a respeito dessa orientação teórico-metodológica.
7. Uma análise preliminar sobre a produção veiculada nos periódicos foi apresentada no Simpósio Internacional Escrever a Vida. Novas abordagens de uma teoria da autobiografia. São Paulo, Universidade de São Paulo, FFLCH, setembro de 2005 (Sousa; Catani, 2005).
8. Uma análise preliminar sobre a produção veiculada nos periódicos foi apresentada no Simpósio Internacional Escrever a Vida. Novas abordagens de uma teoria da autobiografia.São Paulo, Universidade de São Paulo, FFLCH, setembro de 2005 (Sousa; Catani, 2005).
9. Evangelista e Shiroma (2003), ao comentarem os trabalhos da ANPEd, observam que entre os autores mais citados desponta António Nóvoa, com 23%.
10. A esse respeito, consultar: Dominicé, 1988; 1990; Josso, 1988; Pineau, 1988.
11. Informações sobre a história da criação do grupo podem ser encontradas em Catani et al. (1997) e Bueno (1998). Sobre a linha de trabalho do grupo, consultar os artigos: Bueno et al. (1993); Sousa et al. (1996); Catani; Bueno; Sousa, 2000; entre outros.
12. Uma análise sobre os dados obtidos junto ao Banco CAPES foi apresentada no Simpósio Internacional Escrever a Vida. Novas abordagens de uma teoria da autobiografia.São Paulo, Universidade de São Paulo, FFLCH, setembro de 2005. Nesse trabalho, constam outras tabelas que permitem visualizar melhor a distribuição dos trabalhos entre as instituições do país (Bueno, 2005).
13. A esse respeito, ver o texto de Denice Catani (1991), "Pedagogia e museificação", no qual ela explora as potencialidades da obra memorialística de Elias Canetti – A língua absolvida – para a compreensão da educação, da formação e da vida escolar. Ver também os trabalhos indicados na nota seguinte, nos quais se explicita o uso que foi feito dessa obra em cursos e projetos de formação docente.
14. Essas características são típicas dos trabalhos desenvolvidos pelas pesquisadoras do GEDOMGE-FEUSP. Entre outras pesquisas, suas teses de livre-docência também versaram sobre autobiografias e histórias de vida. Ver: Catani (1994), Bueno (1996), Sousa (2000) e Chamlian (2004).
15. Esse trabalho foi defendido no Instituto de Psicologia da USP. Na ANPEd, trabalhos versando sobre temática da identidade dos professores negros aumentou com a criação do GT Estudos Afro-Brasileiros e Educação. Entre 2002 e 2003, foram localizados quatro estudos com esse foco.
16. Esse trabalho de doutorado, orientado por Mere Abramowicz, foi publicado como livro logo a seguir, no mesmo ano (Stano, 2001b).
17. Estudos desse tipo, em nível de doutorado, foram identificados dois: o de Pereira (1997), defendido na PUC-SP, e o de Warschauer (2000), defendido na FEUSP.
18. A expressão foi utilizada por Ivor F. Goodson (1992), na coletânea Vidas de professores (Nóvoa, 1992).
19. Originalmente o trabalho foi apresentado como dissertação de mestrado na Universidade Paulista – UNIP.
20. A propósito dessa temática, cumpre registrar a tese de M. Catarina Curi (2001), Memórias de leitura de professoras primárias no estado de São Paulo: uma história leitura contada por professoras, defendida na PUC-SP.
21. De certo modo, essa tese contraria as conclusões de Kramer; Souza (1996), que afirmam, a partir das entrevistas, que a escola parece atuar mais na formação do não-leitor do que na do leitor.
22. O livro organizado por Celso Martinazzo (2000) – Histórias de vida de professores: formação, experiências e práticas – é outra coletânea com a história de lembranças, experiências e momentos marcantes da vida de um grupo de professores, porém, pouco analítico, quase meros relatos.
23. Dados do levantamento feito em 2002 (Bueno; Catani, 2002).
24. Mello; Rego (2004), ao se referirem a esse discurso, mencionam autores de vários países – Portugal, Brasil, Argentina, Espanha, França – dentre os que reiteram e endossam tais idéias.
25. Gostaríamos de remeter o leitor para o texto de Gaston Pineau, no qual ele faz um mapeamento de expressões utilizadas por diferentes autores, tomando como entrada a palavra vida (biografia, autobiografia etc.). Sua lista não contempla, portanto, muitas das expressões e denominações que encontramos nos trabalhos analisados nesta revisão.
26. Ver, por exemplo, a relação de obras e autores que constam no final de duas coletâneas: a de Olga von Simson (1988), Experimentos com histórias de vida, e a organizada por Nóvoa e Finger (1988), O método autobiográfico e a formação. É também oportuno mencionar dois trabalhos em que as autoras oferecem contribuições valiosas, sobre o trabalho conceitual aqui indicado, ao descreverem seus percursos teóricos no trabalho com histórias de vida. São eles: "História de vida e projeto: a história de vida como projeto e as 'histórias de vida' a serviço de projetos", de Christine Josso (1999); e "Autobiografias, pesquisa histórico-sociológica e educação", de Zeila Demartini (2005).

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