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Educação e Pesquisa

versão impressa ISSN 1517-9702versão On-line ISSN 1678-4634

Educ. Pesqui. vol.44  São Paulo  2018  Epub 27-Ago-2018

http://dx.doi.org/10.1590/s1678-4634201844182015 

ARTIGOS

Percepções, dificuldades e ações de professores frente às drogas na escola1

Pâmela Migliorini Claudino da Silva2 

Tanyse Galon3 

Sonia Regina Zerbetto2 

Adaene Alves Machado de Moura2 

Rosa Jacinto Volpato2 

Angelica Martins de Souza Gonçalves2 

2- Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos, SP, Brasil. Contatos: pamelamigliorini@yahoo.com.br; szerbetto@ufscar.br; adaene_moura@hotmail.com; rosamjacinto@hotmail.com; angelicamartins@ufscar.br

3- Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Uberaba, MG, Brasil. Contato: tanysegalon@gmail.com

Resumo

Objetivou-se avaliar a percepção dos professores de ensino médio sobre suas atitudes em relação à abordagem da temática do uso de álcool e outras drogas em seu trabalho. Trata se de um estudo qualitativo, através de perguntas semiestruturadas. Os participantes responderam a um questionário semiestruturado e os dados obtidos foram inseridos no software Atlas.ti, desenvolvendo-se uma análise de conteúdo do tipo temática. Produziram-se três categorias de análise: a compreensão dos professores a respeito de seu papel na discussão sobre substâncias psicoativas; dificuldades na abordagem sobre as substâncias psicoativas no âmbito do trabalho; ações e necessidades destinadas ao trabalho com a temática das substâncias psicoativas na escola. Alguns desses educadores, em sua percepção, não compreendem que discutir o tema álcool e drogas deva fazer parte de suas atribuições por não considerarem ser papel da escola. Os educadores percebem a necessidade de capacitação para trabalhar de forma interdisciplinar com a problemática, não apenas direcionada às suas próprias atuações, mas também em relação às redes de apoio e legislações sobre álcool e drogas. É necessário criar formas práticas de oferecimento de capacitações específicas sobre o uso de substâncias psicoativas aos gestores escolares e educadores, investir na implementação de espaços de discussão e reflexão dentro da escola entre docente e discentes e construir um trabalho em rede intersetorial, visando melhor enfrentamento da problemática em âmbito escolar.

Palavras-Chave: Escola; Formação de professores; Trabalho docente; Drogas

Introdução

A idade de 12 anos é tomada como referência para o início do uso de álcool no Brasil (CARLINI et al., 2010), o que é preocupante, pois quanto mais precoce, maior o risco de se desenvolver a dependência (WANDEKOKEN; VICENTE; SIQUEIRA, 2011). Em 2012, 74% dos adolescentes até os 15 anos passaram a beber regularmente e a prática do Binge foi verificada em 22% dos adolescentes entre 14 e 17 anos. (CARLINI et al, 2010; LARANJEIRA, 2014).

Altas prevalências do uso de outras drogas também são encontradas entre estudantes de ensino fundamental e médio. Entre 1986 e 2010, houve um grande aumento no número de alunos relatando o uso de maconha, apesar de no período entre 2005 e 2010, ter se observado uma redução deste consumo. No caso da cocaína, o mesmo levantamento oficial publicado em 2010 também evidencia aumento do uso nos últimos 23 anos. (CARLINI et al., 2010).

O fenômeno do uso de substâncias psicoativas na adolescência é considerado um elemento complexo e multifacetado, associado aos contextos escolares, familiares, sociodemográficos e comportamentais. (MALTA et al, 2014; FIGUEIREDO; FREITAS, 2013). Dessa maneira, é fundamental que profissionais que tenham grande contato com pessoas nessa faixa etária estejam capacitados para enfrentar a situação, visto que tal uso afeta diretamente seu trabalho, pois está associado a diversos problemas, e entre eles, o comprometimento do desempenho escolar e o desinteresse acadêmico. (LARANJEIRA, 2014; KELLY et al, 2015). Diante disso, a questão norteadora do estudo foi: qual a percepção do professor sobre suas atitudes frente ao uso de álcool e outras drogas em seu trabalho?

Embora existam diversas pesquisas que explorem o uso das substâncias psicoativas na escola nas perspectivas epidemiológicas (CARLINI et al, 2010; ELICKER et al, 2015), de implementação de programas (PEREIRA; PAES; SANCHEZ, 2016), de problemas relacionados (CARDOSO; MALBERGIER, 2014), práticas preventivas (MOREIRA; VÓVIO; MICHELI, 2015) e atitudes e percepções (gerais) dos professores sobre o tema (FERREIRA et al., 2010), a realização de outros estudos que atribuem um olhar mais apurado para a percepção dos mesmos, especificamente sobre o trabalho na escola e seu papel frente à problemática do uso de álcool e drogas, pode colaborar para aprofundar a discussão e facilitar elaboração de propostas educativas específicas que possam ser úteis e instrumentalizadoras para a prática desse segmento profissional perante o tema. Com isso, o objetivo deste estudo foi avaliar a percepção dos professores de ensino médio sobre suas atitudes em relação à abordagem da temática do uso de álcool e outras drogas em seu contexto de trabalho.

Metodologia

Foi realizada uma pesquisa qualitativa descritiva, cuja finalidade foi questionar indivíduos ou coletividades com relação ao modo como percebem aquilo que vivenciam, como interpretam suas experiências e como estruturam seu mundo social, tendo como termos balizadores a experiência, a vivência, o senso comum e a ação, levando o pesquisador à busca da compreensão, interpretação e dialetização do fenômeno estudado (MINAYO, 2012).

Os locais de coleta de dados foram escolas públicas estaduais situadas em cidades com diferentes características culturais e demográficas, visando recrutar para o estudo professores que trabalham em situações heterogêneas, dessa forma, cooperando para a convergência dos dados a respeito do fenômeno investigado e prezando por um dos elementos da triangulação de dados, que é a coleta baseada em diferentes fontes e ambientes (CARTER et al., 2014). Com isso, foram selecionadas escolas estaduais de um município de pequeno porte do interior do estado de São Paulo e outra, de médio porte, em Minas Gerais. A população do estudo foi composta por N=113 professores de ensino médio e todos foram convidados a participar do estudo. A seleção dos sujeitos deu-se por amostragem intencional. Para sua composição, foi utilizado o critério de verificação de características comuns da amostra que pudessem retratar a dimensão do contexto em estudo (ou seja, professores que se deparam com o uso substâncias psicoativas em seu contexto de trabalho) e a qualidade das informações obtidas para responder aos objetivos de investigação (FONTANELLA; RICAS; TURATTO, 2008). Houve perda amostral decorrente da não devolução dos instrumentos de pesquisa (n=81) e por enquadramento nos critérios de exclusão do estudo (n=13). Nesse contexto, a amostra ficou constituída por n=19 participantes. Foram incluídos professores efetivos e eventuais que concordaram em participar do estudo, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os critérios de exclusão foram: ser estagiário; não preencher integralmente ao questionário semiestruturado e estar em licença por qualquer motivo. Os dados foram coletados entre junho e julho de 2015.

Foi elaborado um questionário autoaplicável e semiestruturado que buscou compreender como os professores percebem o que fazem em sua rotina de trabalho para o enfrentamento da problemática do uso de substâncias psicoativas em âmbito escolar. Para isso, foram elaboradas perguntas sobre percepções dos professores a respeito da temática substâncias psicoativas, as ações desenvolvidas, as dificuldades e facilidades em seu trabalho perante tal problemática e as estratégias que consideravam importantes para abordar o assunto no espaço escolar. Os questionários foram impressos e distribuídos aos professores, os quais responderam por escrito, sendo posteriormente devolvidos às pesquisadoras. A opção por tal estratégia de coleta de dados se deu em virtude do planejamento do estudo, que apontou, inicialmente, um número expressivo de professores para a condução de entrevistas individuais e, posteriormente, a dificuldade de conciliar agendas para a construção de grupos.

A análise e tratamento dos dados foi focada na frequência de temas, utilizando-se a técnica de análise de conteúdo do tipo temática, segundo proposta de Laurence Bardin (BARDIN, 2011). Em um primeiro momento, realizou-se a pré-análise, com leitura flutuante do material para conhecimento do mesmo e para as impressões iniciais sobre o assunto. Em seguida, foi efetuada exploração do material por leitura transversal, estabelecendo-se as unidades de registro, conforme as percepções obtidas com relação às respostas dadas pelos professores e, posteriormente, a definição das categorias de análise. O processo analítico foi realizado separadamente por duas pesquisadoras, que buscaram comparar as análises individuais, produzindo um resultado final a partir do diálogo e do consenso. Para auxiliar nessas etapas, todas as respostas a cada questão foram digitadas e importadas para o software Atlas.ti 5.2 por pesquisador treinado, com o intuito de organizar e gerenciar a codificação das mensagens, os núcleos de sentido, e por fim, as categorias temáticas. Os professores (P) receberam um código alfanumérico sequencial (P1, P2,...P24) para assegurar o sigilo e o anonimato das respostas.

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Federal de São Carlos, por meio do parecer nº 716.596, sendo respeitados os aspectos éticos contidos na Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde do Brasil.

Resultados e discussão

Caracterização dos participantes

Participaram do estudo dezenove professores de ensino médio de escolas públicas estaduais de dois municípios, um no interior do estado de São Paulo e outro no interior do estado de Minas Gerais. A maioria foi do sexo feminino (84%), com idade média de 45 anos e tempo médio de atuação na escola de onze anos (Tabela 1).

Tabela 1 – Perfil dos professores. São Paulo (SP) e Minas Gerais (MG), Brasil (n=19), 2015 

Estado N Feminino Masculino Média idade Anos de trabalho Disciplinas ministradas
São Paulo 11 (57,8%) 9 (47,3%) 2 (10,5%) 44,6 12,8 Filosofia, Português, Artes, Física, Geografia, Sociologia, Biologia, Química, História e Inglês.
Minas Gerais 8 (42,1%) 7 (36,8%) 1 (5,2%) 45,2 8,6 Português, Espanhol, Matemática, Biologia e Inglês.

Fonte: Dados da pesquisa.

A partir da análise dos dados, foram construídas três categorias temáticas: (1) a compreensão dos professores a respeito de seu papel na discussão sobre substâncias psicoativas; (2) dificuldades na abordagem sobre as substâncias psicoativas no âmbito do trabalho; (3) ações desenvolvidas e a desenvolver sobre o tema substâncias psicoativas na escola. Todos os sujeitos participantes abordaram em suas respostas os temas supracitados.

A compreensão dos professores a respeito de seu papel na discussão sobre substâncias psicoativas

Nesta categoria de análise, observou-se que alguns professores não consideraram a discussão da temática sobre o uso de álcool e outras drogas como sua função, entendendo que sua atuação se restringe apenas à identificação dos alunos que as utilizam e às providências de notificação dos pares, em especial a família, entendida como principal responsável perante tais ocorrências. Esses dados corroboram os resultados da literatura, que apontam que a responsabilização da família pode ser compreendida como uma estratégia para lidar com questões complexas e críticas, tais como as substâncias psicoativas, delegando tal responsabilidade a outros, ou seja, transferindo para eximir-se (MOREIRA; VÓVIO; MICHELI, 2015):

Na minha opinião, a discussão sobre álcool e drogas seria uma função familiar. (P2G).

A escola deve apenas alertar os pais quanto às mudanças do filho que sugerem uso de drogas [...] (P8U).

Embora no plano estratégico e político o uso de substâncias psicoativas seja atualmente um problema que pressupõe fontes de resolutividade que perpassam pontos de uma rede social secundária que deve ser intersetorial (e abrange a educação) e multidisciplinar (SEGOVIA; GONÇALVES, 2011), o que se observa na prática é uma visão ainda estigmatizada por parte dos educadores, além de uma dificuldade de diálogo da escola com a família, e vice-versa (ARALDI et al., 2012). Tal percepção pode influenciar a construção de resistências entre professores, alunos e familiares em discutir o problema de forma ampliada e dialógica, tornando-o velado, embora faça parte da realidade cotidiana dos espaços escolares.

Os relatos mostraram que, no espaço escolar, nem sempre se produzem diálogos e discussões abertas sobre o tema, que é comumente abordado de forma pontual e individual, com caráter punitivo e apenas trazido à tona em casos de suspeita de uso de substâncias entre escolares. Com isso, o assunto não é tratado de forma permanente, coletiva e com um intuito educativo, preventivo ou de promoção da saúde.

A professora mediadora conversa em particular com cada aluno que suspeitamos estar envolvido por algum vício. (P7G).

A direção atua intensivamente, juntamente com o serviço de supervisão no sentido de prevenção, afastando dos portões da escola os “maus elementos” e aconselhando os alunos. (P5U).

Tais atitudes demonstram a crença, muito comum na sociedade e não apenas no âmbito escolar, de que todos os esforços e ações devem focar o problema em si, num modelo médico-biológico (MOREIRA; VÓVIO; MICHELI, 2015). Os reflexos disso são evidentes nas tentativas de repressão ao consumo de drogas, que acabam por patologizar, judicializar ou policializar a questão. Isto pode contribuir para a perpetuação de práticas estigmatizantes e excludentes, uma vez que limita as possibilidades de mudanças dos usuários ou supostos usuários, caracterizando-os como irrecuperáveis (NASCIMENTO; VITALLE; AVALLONE, 2012).

Por outro lado, contrapondo as resistências mencionadas, alguns professores expressaram o reconhecimento da escola como um espaço privilegiado para se discutir, de forma educativa e transformadora, a questão do uso de drogas entre adolescentes.

Como argumentos para a emergência dessa ação, os entrevistados destacaram que a escola é um lócus onde os jovens se aglutinam no convívio e na socialização por um tempo significativo de suas vidas. Percebe-se que para alguns professores entrevistados, o espaço escolar gera processos educativos não só em termos de produção e intercâmbio de informação e conhecimento, mas também de desenvolvimento de cidadania e de transformação social. Tais percepções tornam-se cruciais, possibilitando a esses educadores despertar para a importância do desenvolvimento de ações educativas e preventivas no que se refere ao uso de drogas.

Na escola há uma grande concentração de jovens e esses jovens vivenciam a realidade do mundo do álcool e de outras drogas. Trabalhando com o tema podemos minimizar um pouco a situação. (P10G).

O tema álcool e drogas é de extrema urgência, pois a escola é o local onde os alunos passam a maioria do tempo. (P6G).

Informação é tudo e a escola é um meio próprio e capaz para isso. (P9G).

Porque a escola tem o papel de trabalhar além dos conhecimentos, a formação humana do cidadão. (P7U).

Corroborando esses achados, diversos autores (MOREIRA; VÓVIO; MICHELI, 2015; FERREIRA et al, 2010; RONZANI; SILVEIRA, 2014) salientam que os educadores reconhecem a função da escola para a formação de pessoas conscientes de si e de seu papel na sociedade, capazes de fazer suas escolhas e tomar suas decisões. Portanto, o ambiente escolar torna-se ideal para o desenvolvimento de programas e/ou ações de prevenção ao uso de substâncias. Todavia, o que se verificou no presente estudo foi a prática de atividades fragmentadas e pontuais. É possível que tal paradoxo possa ser compreendido a partir da análise das questões a seguir.

Dificuldades na abordagem sobre as substâncias psicoativas no âmbito do trabalho escolar

Algumas falas dos educadores revelaram que eles se utilizam de recursos pessoais, e não técnicos, para tratar do uso de drogas em seu cotidiano laboral. Quando indagados sobre como eles identificam o uso de drogas entre alunos nos espaços da escola ou em seu entorno, os mesmos referiram que fazem supervisão constante de comportamentos que consideram sugestivos ou obtêm informações do uso por meio de funcionários, outros professores e alunos.

Reconhecemos o uso de drogas através da observação dos alunos e porque vários contam quais são aqueles que são usuários ou que vendem. (P11G).

Através das observações das funcionárias e vices que observam o pátio e as dependências da escola [...]. Mas o maior indicador são os sintomas e comportamento dos alunos em sala: às vezes sonolentos e/ou olhos avermelhados. (P3U).

Sentimentos de insegurança e desconforto também surgem quando os professores não se consideram capacitados a tratar do assunto, especialmente quando o consideram constrangedor ou muito distante de sua área de formação.

Acho que não temos ainda profissionais competentes de fato, com propostas arrojadas para trabalharmos este tema. (P3U).

Sou mestre em ensino, quero dizer, já estou bem capacitado no ensinar da minha disciplina, mas não sou capacitado para trabalhar com estes temas em aulas. (P5G).

Tema difícil de ser abordado por um professor de Física que mesmo tendo a liberdade de conversar muito com seus alunos, sente-se desconfortável quando o assunto é drogas. (P5G).

Nessa tônica, os resultados também evidenciam que a abordagem do tema na escola comumente se volta para professores de áreas específicas que envolvem temáticas de saúde, tais como, ciências e biologia. Outras disciplinas, em especial as de exatas, passam a não se envolver com tais ações, o que tende a centralizar em alguns educadores o movimento de discussão da questão das drogas no universo escolar, impedindo, dessa forma, o desenvolvimento de ações mais amplas e interdisciplinares.

Acredito que seja importante saber lidar com os problemas que, ao que tudo indica, tendem a aumentar. No entanto, compreendo que a maior necessidade é capacitar os professores de Biologia e Ciências para que façam um trabalho permanente na escola e com a comunidade. (P7U).

Não sei descrever o tipo de atividade que ocorre na escola para trabalhar com o uso de álcool e outras drogas. Sei que o professor de Biologia tem trabalhado com os alunos. (P5G).

Não pensei em nenhuma atividade envolvendo a matemática. (P6U).

Está fora do contexto das minhas aulas. (P11G).

Essas percepções podem estar atreladas, até mesmo, à forma como se dividem os conteúdos programáticos na rede pública. A literatura aponta que, no estado de São Paulo, por exemplo, a temática, além de pouco discutida, é abordada em livros de ciências e biologia, sugerindo, implicitamente, que a incumbência de trabalhar esse assunto, no âmbito escolar, é dos docentes que ministram tais disciplinas (NASCIMENTO; VITALLE; AVALLONE, 2012).

Tal realidade, além de indicar uma visão fragmentada do problema, poderá levar à isenção de responsabilidade e ao comodismo dos educadores de outras áreas, ocasionando a desmotivação dos envolvidos e, consequentemente, o fracasso das ações.

Os participantes do estudo também destacaram que os gestores escolares nem sempre investem na capacitação contínua ou no estímulo de professores com relação à questão das substâncias psicoativas entre seus alunos e alunas, sendo escassas as ações voltadas à formação de docentes por meio de cursos, orientações, entre outros investimentos.

Falta de apoio da direção. Não nos dá respaldo em algumas questões. (P6G).

Não são feitos cursos que nos preparem para lidar com estas situações. (P6U).

Infelizmente falta preparo dos profissionais para lidar com este tipo de público, pois faltam investimentos para tal objetivo. (P1G).

É possível verificar que as falas supracitadas convergem para o que já se conhece a respeito do funcionamento do sistema público de ensino: múltiplas demandas e cobranças; contratação por hora/aula e baixa remuneração; cumprimento do calendário escolar; ausência de tempo e de espaço para avaliação e reflexão sobre o trabalho desempenhado; e falta de comunicação e de articulação entre docentes, diretores e coordenadores pedagógicos (DALAGASPERINA; MONTEIRO, 2014; SANTOS; SOBRINHO, 2011).

Averiguou-se que, dos dezenove entrevistados, apenas cinco alegaram já ter feito cursos e/ou formações referentes à temática abordada. Nesse contexto, depreende-se a necessidade de não apenas preparar os educadores por meio da oferta de capacitações específicas sobre uso e abuso de álcool e outras drogas, mas também oferecer espaços de discussão e de reflexão para a equipe da escola (MOREIRA; VÓVIO; MICHELI, 2015).

Vale reiterar também que, atualmente, apesar de existirem oportunidades de formação e de cursos para educadores voltados para abordagem do tema de substancias psicoativas em escolas (ARALDI et al., 2012; ADADE; MONTEIRO, 2014), grande parte dos entrevistados (cerca de 74%) alegaram nunca ter participado de capacitações. Paradoxalmente, referiram já ter executado ou estar desenvolvendo alguma atividade referente à abordagem do uso de substâncias psicoativas em sala de aula (principalmente voltadas à promoção de saúde e prevenção do uso). No entanto, demonstram não acreditar que sua atuação seja efetiva, impactante ou transformadora, gerando uma postura pessimista frente ao tema.

É uma maneira de alertar, conscientizar e tentar fazer com que os alunos reflitam, mas sinceramente não creio que dê bons resultados. [...] Sinto que apenas a informação não está sendo suficiente, pois a cada dia aumenta o número de usuários de drogas. (P3G).

Dificuldades de inserir esse assunto na grade de atividades dos estudantes também foram relatadas, referindo que o cumprimento de um extenso conteúdo programático a ser dado em um curto período comumente os impede de realizar tal atividade, o que corrobora os achados prévios (NASCIMENTO; VITALLE; AVALLONE, 2012).

Acabo não trabalhando com o tema para não atrasar o conteúdo programático. Este, já muito prejudicado pelos feriados e dias que os alunos não aparecem na escola. (P5G).

Cita-se, ainda, que muitos professores lecionam em três turnos diferentes, muitas vezes em escolas distintas, dificultando a criação de vínculos com os espaços escolares e com os discentes. Sabe-se que a carga horária de trabalho excessiva dos professores implica em um rebaixamento do nível de qualidade de vida e prejudica o convívio social (KOETZ; REMPEL; PÉRICO, 2013).

Outra barreira identificada pelos professores na abordagem da temática do uso de substâncias psicoativas em seus contextos laborais é o temor em lidar com estudantes que já estão envolvidos com o consumo de substâncias. Tais circunstâncias envolvem possíveis riscos de exposição a situações de violência e a falta de informações sobre como enfrentar, direcionar ou buscar outros recursos para estes alunos.

A agressividade: o aluno torna-se irracional e violento [...] Você tem que saber o que fala, o que faz, não pode tocar nele, é difícil. Na teoria, a escola está a par de tudo, sobre leis, estatutos, o que pode e o que não pode, mas quando ocorre o problema ficamos inertes, não sabemos o que fazer se não conseguimos controlar o aluno. (P9G).

A prevenção deve ser realizada por nós educadores, mas é um problema desconfortável quando os jovens estão inseridos nos vícios, porque não aceitam conselhos para deixarem esta dependência [...]. A escola fica numa posição muito difícil [...] porque não sabemos como agir, o que falar, o que dizer aos pais, se comunica à polícia, entre outros. (P7U).

As falas dos professores remetem ao desconhecimento por parte do corpo escolar não apenas de legislações (SEGOVIA; GONÇALVES, 2011), mas também de ações que possam respaldá-los no enfrentamento cotidiano das situações que envolvem uso de drogas, incluindo episódios de agressividade.

Ações e necessidades destinadas ao trabalho com a temática das substâncias psicoativas na escola

Embora parte significativa dos sujeitos deste estudo não tenha participado de nenhuma capacitação a respeito, uma parcela importante afirma já ter desenvolvido ações voltadas ao uso e abuso de substância psicoativa em sala de aula, principalmente numa perspectiva preventiva, em atividades individuais e coletivas junto aos estudantes.

Desenvolvi com os alunos uma pesquisa e debate sobre os efeitos e consequências do álcool e outras drogas no organismo humano. (P10G).

Já organizei palestras, depoimentos, passeatas, banners, murais e etc. sobre o uso de álcool e drogas. (P4U).

Passamos vídeos, trabalhamos temas sobre valores éticos e pedimos aos alunos pesquisas sobre o uso de álcool e de drogas. (P7G).

Essas alegações suscitam alguns aspectos importantes para reflexão. Primeiramente, evidencia-se que, embora alguns professores afirmem desenvolver atividades que objetivem abordar de alguma forma o uso de drogas, estas acontecem, em sua maioria, de maneira individual e desarticulada de um projeto institucional.

A partir das percepções dos professores quanto ao tema, e considerando as suas potencialidades e dificuldades na abordagem do uso de substâncias psicoativas entre a comunidade discente, os participantes do estudo apontaram as possíveis ações a serem realizadas pelo professor na escola, visando superar os desafios e promover atuações concretas de transformação.

Foi ressaltada a importância do desenvolvimento de metodologias ativas na discussão do tema, dando voz aos alunos, além da necessidade de um olhar especial para estudantes de faixas etárias mais precoces, visando prioritariamente à prevenção e à promoção da saúde.

Jogos, atividades, músicas, mas de maneira com que despertasse a consciência dos jovens sobre as drogas, e não apenas fazer uma palestra ou outra atividade apenas para cumprir um objetivo. (P3G).

Através de aulas motivadas pelo tema. Envolver os alunos nos projetos, como rádio, jornal, é uma boa forma de prevenção, pois nestes projetos estes temas são priorizados. Uma proposta interessante também seria convidar pessoas que são ex-usuários para darem depoimentos. (P3U).

[...] Penso que a prevenção deva começar lá no ensino fundamental. (P7U).

Tendo em vista a construção de um campo fértil para a efetivação de um trabalho direcionado à questão do uso de substâncias psicoativas, os educadores também mencionaram a importância de inserir o assunto em discussão com o corpo docente e não se limitar ao contexto dos estudantes. Alinhado à falta de capacitação sobre o tema, os professores destacaram a relevância de gestores escolares e/ou outros colaboradores facilitarem a oferta de educação permanente com relação à temática na própria escola, por meio de ações que abordem aspectos gerais das drogas existentes (tipos, características e efeitos) e, em especial, como identificar o uso e como agir perante tais situações.

Penso que poderíamos assistir a palestras que trouxessem histórias verídicas sobre os efeitos das drogas e do álcool no organismo e na vida. (P8G).

Precisamos estar preparados para compreender as causas que levam as pessoas a usarem drogas; tipos de drogas e suas reações; como identificar que uma pessoa usa droga; quando suspeitarmos que um aluno usa droga, qual deverá ser nossa atitude. (P3U).

Além do tema usos e abusos de drogas, deveríamos receber orientações sobre o tratamento dos adolescentes vítimas e dos melhores locais existentes em nossa região (clínicas especializadas). (P2U).

Outra demanda apresentada pelos docentes é a necessidade de conhecer, em termos de legislação, as condutas da escola com relação aos alunos que fazem uso de substâncias psicoativas. Considerando que a visão dos professores frente à questão é sempre permeada por sentimentos de receio e insegurança, tal compreensão pode contribuir para a tomada de decisões e de ações mais seguras e adequadas por parte de todos os envolvidos com a escola.

Mais conhecimento sobre como lidar com o assunto de acordo com a lei. O que pode e o que não pode ser feito. (P3G).

Que leis existem para amparar o trabalho da escola na gestão desse problema? Como conduzir o problema quando ele é identificado? [...]. (P7U).

Por fim, os participantes da pesquisa também reiteraram a importância da construção de redes de apoio e parcerias na busca do diálogo sobre as drogas, que não deve se limitar apenas à sala de aula ou aos muros da escola. Eles salientaram o quão crucial é a atuação interdisciplinar envolvendo os professores, a família, os gestores locais, o poder público e toda a comunidade na busca de medidas integradas destinadas à abordagem do uso de drogas entre jovens e adolescentes em âmbito escolar.

O tema precisa ser trabalhado de forma interdisciplinar, envolvendo a equipe gestora, funcionários e toda a comunidade escolar. (P6G).

[...] Que envolvesse toda a comunidade, principalmente os pais dos alunos. (P9G).

A função, acredito que esteja sob responsabilidade da família, Secretaria da Saúde e orientação da escola. Essa parceria é muito importante para enfrentar o problema das drogas. (P4G).

Precisamos de projetos realizados em parceria com outras entidades públicas ou privadas para trabalhar a questão das drogas. (P1G).

Ainda que a legislação brasileira mencione a responsabilidade compartilhada na implementação de ações de relacionadas ao uso de drogas (RONZANI; SILVEIRA, 2014; BRASIL, 2005), iniciativas como capacitação de professores sobre o assunto são insuficientes e os programas vigentes precisam ser revistos. (FERREIRA et al., 2010).

Torna-se necessário moldar as ações escolares às demandas trazidas pela realidade apontada pelos docentes, requerendo o planejamento de estratégias de atuação em conjunto, entre saúde e educação, envolvendo as diversas políticas e instituições sociais (SILVA et al., 2014; FELIPE; LOPES, 2009), focar não apenas em aspectos técnicos que possam sanar a falta de informação, como por exemplo, a baixa percepção sobre o risco associado ao uso de drogas lícitas (FERREIRA et al., 2010), mas também dar ênfase aos aspectos motivacionais e de habilidades interpessoais.

Da mesma forma, discussões sobre os problemas culturais e ideológicos que envolvam o tema no ambiente escolar, dentre eles a não responsabilização frente ao problema exposto, delegando sua solução aos profissionais da saúde e aos especialistas, podem colaborar para uma quebra nos paradigmas pré-estabelecidos e para a construção de uma nova visão do professor sobre suas ações na produção dos resultados esperados.(NASCIMENTO; VITALLE; AVALLONE, 2012).

Considerações finais

O território escolar deve ser compreendido enquanto espaço gerador de processos educativos e articulador de políticas públicas sociais e de saúde, nesse caso, envolvendo a problemática do uso de substâncias psicoativas com parte do trabalho docente. O presente estudo mostrou, entretanto, que por questões legítimas, a maioria dos professores trabalham de forma desarticulada e pontual com a temática. Além disso, na percepção de alguns desses educadores, a discussão do tema álcool e drogas não é vista como parte de suas atribuições tampouco é considerada papel da escola. Diversos fatores que colaboram para sustentar a referida realidade também foram evidenciados: falta de preparo para tratar do uso de substâncias psicoativas na escola; cultura escolar de atribuir o trabalho na área em questão aos professores de ciências e biologia; pessimismo quanto ao trabalho realizado; acúmulo de funções frente a um extenso conteúdo programático a ser cumprido; múltiplas jornadas de trabalho e dificuldades para lidar com estudantes que já são usuários de drogas.

Apesar da realidade supracitada, ações como pesquisas, debates, palestras, depoimentos, construção de materiais educativos e vídeos são realizadas pelos participantes do estudo como parte de suas ações laborais, em consonância com achados de outras pesquisas que vem sendo produzidas nesse campo de estudo. Outras estratégias adotadas e que também visam estimular a reflexão e diálogo sobre a questão das substâncias psicoativas na escola, verificadas no presente estudo, são atividades lúdicas e aulas motivadas pelo tema. Ações dessa natureza ilustraram os esforços feitos pelos professores e demonstraram sua responsabilização perante o problema.

Os resultados apontam também que educadores percebem a necessidade de capacitação para trabalhar de forma interdisciplinar com a problemática em seu cotidiano, portanto, não apenas direcionada às suas próprias atuações, mas também em relação às redes de apoio e legislações sobre álcool e drogas.

Este estudo traz como limitação a não realização de entrevistas individuais, o que pode ter suprimido alguns achados, mas ilustra satisfatoriamente como alguns professores têm trabalhado com a temática do uso de álcool e drogas junto a seus estudantes. Acima de tudo, propõe que é necessário criar formas práticas de oferecimento de capacitações específicas sobre o uso de substâncias psicoativas aos gestores escolares e educadores, investir na implementação de espaços de discussão e reflexão dentro da escola entre docente e discentes e construir um trabalho em rede intersetorial, visando melhor enfrentamento da problemática em âmbito escolar.

Referências

ADADE, Mariana; MONTEIRO, Simone. Educação sobre drogas: uma proposta orientada pela redução de danos. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 40, n. 1, p. 215-230, 2014. [ Links ]

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1- Agradecemos ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico pelo financiamento da pesquisa.

Recebido: 28 de Junho de 2017; Revisado: 24 de Agosto de 2017; Aceito: 12 de Setembro de 2017

Pâmela Migliorini Claudino da Silva é assistente social do Ministério Público do Estado de São Paulo e mestre em ciências da saúde pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos, SP, Brasil.

Tanyse Galon é enfermeira e doutora em ciências. Professora adjunta da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Uberaba, MG, Brasil.

Sonia Regina Zerbetto é enfermeira e doutora em enfermagem psiquiátrica. Professora adjunta da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos, SP, Brasil.

Adaene Alves Machado de Moura é enfermeira e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos, SP, Brasil.

Rosa Jacinto Volpato é enfermeira e mestre em ciências da saúde pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos, SP, Brasil.

Angelica Martins de Souza Gonçalves é enfermeira e doutora em ciências. Professora adjunta da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Carlos, SP, Brasil.

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