SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.12 número1Contribución de la religión al desarrollo local: el caso de la organización "Dando as Mãos"Proyecto Rondon: extensión universitaria y agenda 21 en Amazonia índice de autoresíndice de materiabúsqueda de artículos
Home Pagelista alfabética de revistas  

Interações (Campo Grande)

versión impresa ISSN 1518-7012

Interações (Campo Grande) vol.12 no.1 Campo Grande enero/jun. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1518-70122011000100010 

ARTIGOS

 

Expansão urbana e turismo no litoral de Santa Catarina: o caso das microrregiões de Itajaí e Florianópolis*

 

Urban expansion and tourism in the coast of Santa Catarina: the case of the micro-regions of Itajaí and Florianópolis

 

L'expansion urbaine et le tourisme dans la côte de Santa Catarina: le cas des micro-régions d'Itajaí et Florianópolis

 

La expansión urbana y el turismo en el litoral de Santa Catarina: el caso de las micorrregiones de Itajaí y de Florianópolis

 

 

Raquel Maria Fontes do Amaral Pereira

Doutora em Geografia pela USP; professora do Programa de Pós-Graduação em Turismo e Hotelaria da UNIVALI e integrante do corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFSC; bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq

 

 


RESUMO

Os núcleos urbanos do litoral de Santa Catarina e, em particular, da denominada microrregião de Itajaí, onde se destacam as cidades de Itajaí e Balneário Camboriú e da microrregião de Florianópolis, na qual despontam, além da capital, São José, Biguaçu e Palhoça, vem apresentando, nas últimas décadas, um dinamismo econômico e demográfico, que somado ao expressivo fluxo de turistas, deram a estas duas áreas litorâneas uma posição de destaque no cenário estadual e regional. Fundamentado no paradigma de formação sócio-espacial, o artigo compara as microrregiões, buscando analisar os elementos responsáveis por esta nova dinâmica.

Palavras-chave: Formação Sócio-Espacial. Litoral Catarinense. Expansão Urbana e Turismo.


ABSTRACT

The unstable social tissues of rural Brazilian area shows that ownership of the land itself has failed to develop. Of the institutions that came into contact with before and after land ownership, religious organizations are most remembered. The article analyzed the role of religion in the social organization of the settlement by interviews with settlers. The trust has stood as the decisive action of restoring the fragile bonds in the studied community.

Key-words: Socio-Spatial Formation, Santa Catarina Coastline, Urban Expansion and Tourism.


RÉSUMÉ

Les noyaux urbains de la côte de Santa Catarina et, en particulier, la micro-région appelée de Itajaí, où se mettent en évidence les villes de Itajaí et Balneário Camboriú, et la micro-région de Florianópolis, dans laquelle émergent, au-delà de la capitale, les villes de São José, Biguaçu et Palhoça; montrent dans les dernières décennies un dynamisme économique et démographique, lequel, ajouté à l'afflux considérable de touristes, ont donné à ces deux zones côtières une place marquante dans le scénario de l'état et des régions. Basé sur le paradigme de la formation socio-spatiale, l'article compare les micro-régions, en analysant les facteurs responsables de cette nouvelle dynamique.

Mots-clés: Formation socio-spatiale. Côte de Santa Catarina. Expansion Urbaine et Tourisme.


RESUMEN

Los núcleos urbanos del litoral de Santa Catarina y, en particular, de la denominada microrregión de la desembocadura del río Itajaí, donde se destacan las ciudades de Itajaí y Balneário Camboriú y de la microrregión de Florianópolis; y en la cual surgen, además de la capital, São José, Biguaçu y Palhoça, presentan, en las últimas décadas, un dinamismo económico y demográfico, que sumado al expresivo flujo de turistas, dieron a estas dos áreas litoraleñas una posición de destaque en el escenario estadual y regional. Fundamentado en el paradigma de la formación socioespacial, el artículo compara las microrregiones de la desembocadura del río Itajaí y de Florianópolis, buscando analizar los elementos responsables por esta nueva dinámica.

Palabras clave: Formación Socioespacial. Litoral Catarinense. Expansión Urbana y Turismo.


 

 

Introdução

A faixa costeira de Santa Catarina, povoada originalmente por vicentistas e açorianos, é cortada pelos inúmeros vales atlânticos onde se instalaram, no século XIX, imigrantes europeus. Nela se localizam as microrregiões de Itajaí e de Florianópolis, frutos de uma formação histórica cujas determinações extrapolam os limites físicos dos espaços que as contém e que sobressaem no contexto catarinense, nas últimas décadas, por apresentarem um novo dinamismo econômico e demográfico, somado ao crescente fluxo de turistas.

O século XX imprimiu novas características à formação litorânea catarinense, aprofundando a crise das comunidades açorianas, herdeiras de um modelo econômico centrado na pequena produção mercantil1. A pequena propriedade familiar destas áreas litorâneas ocupadas por açorianos favoreceu a prática de uma policultura de subsistência que, associada à produção pesqueira, gerou excedentes para a ampliação das relações que fizeram crescer o movimento das principais praças comerciais (Florianópolis e Itajaí). O advento da fase depressiva do terceiro ciclo de Kondratieff (1920-1945), entretanto, deu origem a um novo pacto de poder no interior da formação social brasileira, expresso pela aliança entre a burguesia industrial - dissidência dos comerciantes - e os latifundiários feudais (RANGEL, 1985), fazendo os núcleos urbanos do litoral catarinense mergulhar numa letargia que começou a ser superada apenas a partir dos anos de 1960 por uma nova dinâmica sócio-econômica. Nas últimas décadas, sobretudo, este dinamismo se manifestou na crescente expansão urbana da área situada junto à foz do rio Itajaí-Açu, cujo pólo é Itajaí, importante cidade portuária a qual se junta o Balneário Camboriú, bem como do aglomerado urbano da porção central do litoral catarinense onde se destacam Florianópolis e as cidades do seu entorno.

 

As microrregiões de Itajaí e de Florianópolis

Dividido em 293 municípios, o território catarinense apresenta, segundo o IBGE, seis mesorregiões e vinte microrregiões, dentre as quais se destacam as microrregiões de Itajaí e de Florianópolis situadas, respectivamente, nas porções do litoral designadas por centro—norte e centro, como pode ser observado na figura 1.

A microrregião de Itajaí, localizada na porção centro-norte do litoral catarinense, é formada pela planície costeira e pelas elevações das Serras do Leste Catarinense, terminando, a oeste, na Serra Geral. Nesta área, destaca-se a bacia do rio Itajaí-Açu que nasce nas encostas da serra e deságua no oceano, integrando juntamente com outros rios de menor extensão, a denominada vertente Atlântica. Formada por municípios que apresentam altos índices de crescimento demográfico, essa microrregião possui dois portos - Itajaí e Navegantes - com elevada movimentação de mercadorias. Já a microrregião de Florianópolis localiza-se na parte central do litoral catarinense e se caracteriza pela presença de rochas cristalinas pré-cambrianas que interrompem a continuidade da planície costeira. É nela que se encontra a Ilha de Santa Catarina, onde se localiza a cidade de Florianópolis, capital do estado cujo porto desempenhou um importante papel para a economia regional até meados do século passado.

As características sócio-espaciais imprimiram também uma singularidade à rede urbana catarinense, na qual chama atenção a ausência de grandes cidades. A inexistência de unidade espacial acabou gerando várias sub-regiões urbanas independentes que precisam ser analisadas a partir do processo de implantação das atividades primárias e secundárias em Santa Catarina (MAMIGONIAN, 1966)2. Por outro lado, essa característica que tem suas origens profundamente relacionadas ao quadro natural, deu ao estado um desenvolvimento urbano mais equilibrado, contrário ao que ocorreu com os seus vizinhos, onde Porto Alegre e Curitiba, as duas metrópoles do Brasil meridional, unificam a vida sócio-econômica do Rio Grande do Sul e do Paraná, integrando as diferentes regiões que os compõem. Deve-se acrescentar ainda que as duas principais rodovias federais do estado, as atuais BR-116 e BR-101 percorrem o território catarinense no sentido Norte-Sul3, cortando-o, pois, longitudinalmente sem convergir para a capital, diferentemente do que ocorreu em outras unidades da federação brasileira, cujas capitais constituíram-se em importantes centros de produção e distribuição, herança dos períodos históricos anteriores. O traçado das rodovias tornou mais visível ainda a compartimentação do território estadual, limitando as relações econômicas das diferentes regiões entre si e com a própria capital, quadro este que se modificou nas últimas décadas, conforme atesta a publicação sobre Regiões de Influência das Cidades do IBGE (2008, p. 18) ao destacar que na atualidade Florianópolis "assume o controle de quase todo o Estado de Santa Catarina (excetuando-se a rede de Joinville, no norte, que continua diretamente ligada a Curitiba)".

A microrregião de Itajaí é integrada pelos municípios de Balneário Camboriú, Barra Velha, Bombinhas, Camboriú, Ilhota, Itajaí, Itapema, Navegantes, Penha, Balneário Piçarras, Porto Belo e São João do Itaperiú, os quais juntos abrigam uma população estimada de 526.375 habitantes (IBGE, 2009). Dentre eles, apenas os municípios de São João do Itaperiú, Ilhota e Camboriú não são balneários, embora o território deste último município esteja integrado ao de Balneário Camboriú, que apresenta a maior densidade demográfica (2.219,1 hab/km²) do estado de Santa Catarina (IBGE, 2009). A análise dos dados estatísticos acerca do crescimento da população dos 12 municípios que integram a microrregião de Itajaí (Tabela 1) permite constatar que apenas 2 deles (São João do Itaperiú e Ilhota) tiveram uma taxa de crescimento no período de 1991 a 2000 inferior a média do estado que é de 1,87%. Por outro lado, os municípios de Itapema (8,82%), Bombinhas (7,09%), Balneário Camboriú (6,96%), todos litorâneos, apresentaram um crescimento muito superior a média estadual, revelando a relação entre as atividades voltadas para o setor turístico e a grande expansão demográfica registrada.

Itajaí, com 172.081 habitantes, é o 7º município mais populoso do estado (IBGE, 2009) e cidade-pólo da microrregião da foz do Rio Itajaí-Açu, apresentando setores econômicos diversificados e importantes para a região, com destaque para a atividade portuária. O porto de Itajaí passou por várias transformações, desde a sua fase "natural", quando servia de escoadouro para a pequena produção mercantil agroindustrial colonial dos vales do Rio Itajaí-Açu e Itajaí - Mirim, a partir de meados do século XIX. No período situado entre 1930 e 1970, as atividades portuárias estavam representadas em sua quase totalidade pelo comércio e exportação de madeira procedente do planalto catarinense. A decadência do ciclo da madeira afetou a economia e o desenvolvimento urbano do município. Após uma fase de desenvolvimento da indústria pesqueira, o porto reorientou-se para a movimentação de cargas conteinerizadas, tornando-se, atualmente, um dos principais canais de exportação do Estado de Santa Catarina, destacando-se no cenário nacional como o primeiro terminal brasileiro em exportação de produtos congelados e frigorificados. Na margem esquerda do rio Itajaí-Açu, entrou em funcionamento recentemente o porto de Navegantes, no município de mesmo nome que abriga também o segundo aeroporto mais movimentado do estado, perdendo apenas para o Aeroporto Internacional Hercílio Luz de Florianópolis.

A microrregião de Florianópolis engloba os municípios de Antônio Carlos, Biguaçu, Florianópolis, Governador Celso Ramos, Palhoça, Paulo Lopes, Santo Amaro da Imperatriz, São José e São Pedro de Alcântara (Tabela 2), que juntos apresentam, conforme o IBGE (2009), uma população estimada de 848.224 habitantes. A análise dos dados estatísticos acerca do crescimento da população desses 9 (nove) municípios demonstra que 4 deles, Santo Amaro da Imperatriz (1,81%), Antônio Carlos (1,54%), São Pedro de Alcântara (1,28%) e Paulo Lopes (0,77%) tiveram uma taxa de crescimento, no período de 1991 a 2000, inferior a média do estado. Já os municípios de Palhoça e de Biguaçu foram os que apresentaram maior crescimento demográfico, cabendo salientar ainda que dos 10 (dez) municípios mais populosos de Santa Catarina, 3 (três) deles estão localizados nesta microrregião (Florianópolis, São José e Palhoça). A peculiaridade do sítio urbano de Florianópolis - cuja área central está situada na Ilha de Santa Catarina - e a sua expansão demográfica nas últimas décadas geraram uma mancha urbana praticamente contínua que se estende da capital aos municípios circunvizinhos localizados no continente próximo, acompanhando o eixo representado pela BR 101, inaugurada no início da década de 1970.

 

Expansão urbana e turismo nas microrregiões de Itajaí e Florianópolis

Analisando o processo de urbanização no Brasil, Milton Santos (1988, p. 85), destaca que a população brasileira em 1940 correspondia a 41.326 mil habitantes e que em 1980 era constituída por 119.099 mil, fato que demonstra o crescimento "de 77.773 mil habitantes num período de 40 anos, o que nos dá um crescimento de 188,19% se quisermos colocá-lo em termos relativos", enquanto a população urbana no mesmo período, "passa de 10.891 mil para 82.013 mil, o que perfaz um crescimento de 71.122 mil habitantes vivendo em aglomerações ou um aumento de 653,03%". Isto significa dizer que ao longo destas 4 décadas (1940 a 1980) "a população total do Brasil triplica, enquanto a população urbana multiplica-se por sete vezes e meia". Registra-se, pois, uma inversão entre a população urbana e rural, já que em 1940 a população que vivia nas áreas rurais do país correspondia a 28.356 mil habitantes, ou seja, 68,77% do total de brasileiros A população urbana brasileira ultrapassou a população rural em 1970, ano em que os moradores das áreas agrícolas somavam 41.054 mil de pessoas, correspondendo a aproximadamente 44,2% do total da população do país e em 1980, a população rural correspondia a 38.566 mil habitantes correspondendo a 32,40% da população brasileira. Esta acelerada diminuição da população rural resulta do processo de industrialização do Brasil que acarretou uma verdadeira revolução urbana, visto que o último censo realizado pelo IBGE (2000) comprovou que apenas 19% dos brasileiros vivem no campo, enquanto 81% do total da população vivem nas áreas urbanas. Seguindo a tendência nacional, em Santa Catarina, segundo dados do IBGE, 78,75% da população é urbana.

Esta verdadeira revolução urbana trouxe problemas de várias ordens para as cidades e seus habitantes. A maneira como se deu a organização do espaço e o crescimento da população no século XX, somada à tendência mundial de esvaziamento do campo (devido à mecanização da agricultura e uma nova divisão do trabalho) e de expansão do espaço urbano sem a infra-estrutura correspondente, influenciaram no aumento da pobreza, da degradação ambiental e da violência.

Assim, pois, a urbanização e a expansão demográfica de uma infinidade de localidades estão diretamente ligadas ao processo de industrialização e desenvolvimento regional, que pode estar relacionado a diferentes atividades econômicas e até culturais. Segundo Bastos (2007), dentre os elementos que podem ser elencados como responsáveis pela expansão urbana e demográfica das duas áreas aqui enfocadas, estão principalmente "[a soma dos] fatores de atração (geração de empregos pela indústria nos grandes centros urbanos) e de repulsão (impossibilidade do trabalhador rural tornar-se pequeno proprietário)". Tais fatores estão relacionados ao extraordinário desenvolvimento industrial brasileiro, sobretudo após a década de 1930 e à ampliação da infra-estrutura regional, que gerou fluxos migratórios, do interior do estado de Santa Catarina e de estados próximos para as cidades situadas na faixa litorânea catarinense, nas quais o crescimento industrial desde a década de 1940 é superior à média nacional. Bastos ressalta que no ano de 1940, a produção catarinense correspondia a 1,9% do montante industrial brasileiro, em 1970, a 2,6%, em 1980, a 3,9% e que em 2000, saltou para 4,4%. Estes dados expressam o extraordinário salto da produção industrial de Santa Catarina, considerando-se especialmente que a participação da população absoluta do estado, frente ao total da população do país, permaneceu de 1940 a 2000 em torno de 3%.

Por outro lado, há que se considerar que os descendentes de imigrantes europeus estabelecidos no interior do estado a partir da metade do século XIX, impossibilitados de continuar suas atividades agrícolas passaram a migrar para as áreas urbanas, especialmente a partir da década de 1950, em busca de melhores condições de vida. Dentre outros fatores, nas áreas coloniais marcadas pela pequena produção mercantil, a crise agrária decorre do parcelamento das propriedades entre herdeiros.

A análise atenta dos dados acima (tabela 3) permite constatar que a população urbana de Santa Catarina, que em 1940 representava 21,53% do total da população do estado, saltou de 253.717 habitantes naquele ano para 4.217.931 em 2000, passando a corresponder a mais de 78% da população catarinense. O crescimento absoluto de 3.964.214 habitantes vivendo nas aglomerações urbanas indica que a população residente nas cidades teve um aumento de 1562%, ou seja, enquanto a população geral do estado cresceu 4 vezes e meia, a população urbana de Santa Catarina multiplicou-se 16 vezes e meia.

 

 

Diante dos números apresentados constata-se, como já foi destacado, que a dinâmica populacional catarinense reflete a brasileira, pois o crescimento absoluto da população residente nas cidades foi acompanhado por uma redução relativa da população rural. No decênio de 1970 para 1980, por exemplo, enquanto a população urbana cresceu de 1.247.158 para 2.154.250 (72%), a população rural caiu de 1.654.502 para 1.474.042 (11%). É preciso considerar ainda que em Santa Catarina o processo de urbanização das últimas décadas vem induzindo a conurbação dos núcleos urbanos, particularmente os do litoral centro-norte, situação esta intensificada pelos crescentes fluxos turísticos que contribuem para a aceleração das transformações na organização socioespacial das cidades localizadas na fachada atlântica. Esse movimento demográfico é explicado por Santos (1988) quando afirma que a melhoria da rede viária reduz o tempo de viagem de um lugar a outro, favorecendo a acessibilidade.

Os municípios de Santa Catarina com taxa de crescimento populacional acima da média estadual localizam-se principalmente ao longo da rodovia BR 101, que corta o território catarinense no sentido norte-sul, acompanhando a linha costeira. Entre a capital, Florianópolis, e Joinville, o município mais populoso situado no litoral norte do estado, passando pela região da foz do rio Itajaí-Açu, estão localizados alguns dos núcleos urbanos catarinenses mais industrializados, como é o caso de Blumenau, Brusque e Jaraguá do Sul, assim como alguns dos que mais recebem turistas, como ocorre, por exemplo, com Balneário Camboriú e Itapema. A expansão dos núcleos urbanos situados na faixa litorânea catarinense tem como principal agente o crescimento econômico dessas localidades baseado na industrialização, na prestação de serviços e/ou nas atividades decorrentes do turismo.

No caso específico de Florianópolis, destaca-se, sobretudo a partir da década de 1960, uma acelerada expansão de vários setores ligados à prestação de serviços, com a criação de inúmeros órgãos e repartições estaduais e federais, como foi, por exemplo, o caso da Universidade Federal de Santa Catarina e da sede da ELETROSUL, transferida para a capital catarinense. Somado a esses fatores, há que se considerar a expansão, nas últimas décadas, das atividades ligadas ao turismo, que tem contribuído para a aceleração das transformações na organização sócio-espacial não apenas da capital como também de outras cidades localizadas no litoral catarinense.

Apenas dois dos dez maiores municípios do estado em população, Lages e Chapecó, não estão situados na zona litorânea. Conforme a tabela 4, dentre eles o que mais cresceu, no período de 1991 a 2000, foi Palhoça (4,66% ao ano), localizado na microrregião de Florianópolis, enquanto Lages, situada no planalto serrano, registrou o menor índice, crescendo, no mesmo período, apenas 1,10% ao ano. Os municípios com as mais elevadas taxas de crescimento demográfico anual no período citado, localizam-se nas áreas costeiras, como é o caso de Itapoá (9,28%), Itapema (8,82%), Araquari (7,37%), Bombinhas (7,09%) e Balneário Camboriú (6,96%). É preciso ressaltar, porém, que a elevada concentração da população na fachada atlântica é um fato já registrado no passado, visto que em 1856 Santa Catarina possuía 111.109 habitantes, dos quais 104.317 viviam no litoral (PEREIRA, 1943, p. 43). Diante destes dados, constata-se que o "fenômeno da litoralização" da população, apontado como uma realidade demográfica recente, constitui uma meia verdade, visto que esta concentração demográfica no litoral catarinense não é um dado recente.

Por outro lado, dados econômicos e demográficos atestam na atualidade o acelerado crescimento, na faixa costeira, de um eixo de urbanização situado ao longo da BR 101, especialmente entre a capital do estado e Joinville. Neste trecho concentram-se sete dos dez municípios catarinensesmais populosos do estado. Estão entre eles, como pode ser observado na tabela 4, além de Joinville e Florianópolis, respectivamente o primeiro e o segundo mais populosos, Blumenau, São José, Criciúma, Itajaí, Jaraguá do Sul e Palhoça, todos localizados em áreas de pequena produção mercantil4.

É sabido que o adensamento da população no litoral de grande parte dos estados brasileiros possui raízes históricas, em consequência do próprio processo de colonização. Entretanto, dentre os estados que compõem a Região Sul - aos quais se poderia também juntar o de São Paulo - apenas Santa Catarina apresenta esta característica, visto que tanto o Rio Grande do Sul como o Paraná têm as suas maiores cidades localizadas fora da zona litorânea. Some-se a isso o fato de que o quadro geográfico conferiu ao espaço litorâneo catarinense certas peculiaridades (PEREIRA, 2007) que, somadas ao processo de colonização, o tornaram singular frente aos outros estados que integram a Região Sul do Brasil: enquanto a faixa costeira do estado do Paraná é extremamente reduzida, a do Rio Grande do Sul, sem elevações além das dunas, apresenta uma grande extensão quase retilínea de mar aberto. Deve-se acrescentar ainda que até meados do século passado, Santa Catarina estava à mercê de uma rede rodoviária deficiente, o que contribuía para agravar ainda mais a sua fragmentação em duas macrorregiões geoeconômicas que mantinham pouquíssima ligação entre si (o litoral e o planalto).

Em 1950, Florianópolis, embora contasse com 58.264 habitantes, não se colocava como o município mais ativo economicamente, se comparado com outras cidades coloniais como Joinville e Blumenau, tanto que a BR 101 foi asfaltada primeiramente entre Joinville e Curitiba e entre Criciúma e Porto Alegre, sendo asfaltada no trecho de Florianópolis apenas no final da década de 1960 (RIZZO, 2005). "A cidade de Florianópolis só polarizava economicamente uma área que podia ser balizada por Tijucas ao norte, Paulo Lopes ao sul e Angelina a oeste" (MONTEIRO, 2005, p. 12). No final da década de 1960, ainda segundo Monteiro (2005), o turismo era incipiente e ocasional, visto que a cidade não tomara consciência de sua vocação turística. Apenas no final da década de 1980, passa-se a defender a vocação do município para o turismo e a indústria da alta tecnologia, entendidas como duas indústrias não poluentes e adequadas ao riquíssimo ambiente natural da Ilha de Santa Catarina (RIZZO, 2005).

Por conta da valorização das terras em Florianópolis, os municípios vizinhos à capital também passam por um incremento na ocupação territorial devido à oferta de terras mais baratas, fato que culminou na suplantação da taxa de crescimento demográfico dos municípios de São José, Palhoça e Biguaçu em relação à própria capital.

Na microrregião de Itajaí, o processo de ocupação da orla da então chamada praia de Camboriú teve início no final da década de 1920. Em 1926, surgiram as primeiras casas de veraneio, no centro da praia, pertencentes a moradores de Blumenau5. Em 1928, foi inaugurado o primeiro hotel e, seis anos depois, o segundo empreendimento hoteleiro. Os alemães do Vale de Itajaí trouxeram para a praia de Camboriú, o hábito de veranear, ou seja, de utilizar a praia como lazer, já que o banho de mar, até então, só era recomendado como forma de tratamento e, para os pescadores, o mar representava o espaço do trabalho. Esse hábito contribuiu com o aumento do número de estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, mas o município cresceu de forma mais acentuada a partir de 1950. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os alemães deixaram de freqüentar o local por medo de serem hostilizados, já que o exército brasileiro passou a utilizar os hotéis e moradias como postos de observação da costa brasileira. A partir de 1964, com a emancipação de Balneário Camboriú que originalmente fora um distrito do município de Camboriú, seu crescimento explodiu, sobretudo após a inauguração da BR 101, em 1971. A integração do município à rede urbana regional, aumentou o fluxo de pessoas e consolidou a sua vocação turística, o que pode ser constatado através da sua evolução demográfica que, entre 1970 e 2009,fez a sua população saltar de 10.810 para 102.081 habitantes. O expressivo crescimento registrado nas últimas décadas colocou o Balneário Camboriú como um dos principais centros urbanos do litoral de Santa Catarina e, consequentemente, da microrregião de Itajaí. Elemento decisivo para essa expansão foi, sem dúvida, a melhoria do sistema rodoviário, com destaque para a construção da BR-101, inaugurada no início da década de 1970, e duplicada na porção norte do estado, em 2000. Há que se considerar também na conurbação entre Itajaí e Balneário Camboriú o destacado papel desempenhado pela duplicação da rodovia Osvaldo Reis (SC, em 1994. Ao longo desta via, registra-se um acelerado adensamento da ocupação do espaço, em conseqüência da construção de residências e estabelecimentos comerciais responsáveis por um fluxo ininterrupto de veículos, demonstrando a interdependência entre as duas cidades, no que se refere ao trabalho e ao lazer.

O mesmo fenômeno de supervalorização das terras em Florianópolis também ocorreu em Balneário Camboriú contribuindo para a expansão da área urbana a oeste da BR 101 (onde se fixou a população de baixa renda, que constitui a mão-de-obra de sustentação das atividades turísticas), além da verticalização acentuada no centro da cidade. Segundo SKALEE (2008), "com fins turísticos, ou para atender a demanda habitacional, a estrutura urbana de Balneário Camboriú sofreu rápidas transformações nas últimas 4 décadas: alterações na malha viária, infra-estrutura, novas concentrações de moradia e hospedagem e centros de comércio, saúde e lazer que visam dar suporte ao crescente número de usuários". O investimento em imóveis6 também foi fundamental no crescimento urbano e no fortalecimento do setor de construção civil, fato que gerou milhares de empregos, atraindo um fluxo migratório para atuar neste setor. Provenientes de municípios do interior e até mesmo de outras regiões do país, estes migrantes chegam ao litoral catarinense em busca de alternativas de emprego e renda. Uma parcela significativa dessa mão-de-obra é absorvida pelo setor da construção civil e de serviços, porém devido à sazonalidade do turismo, a oferta de trabalho no setor de serviços assume um caráter temporário. Em razão do alto valor dos imóveis nas regiões centrais, os migrantes instalam-se na periferia das cidades, contribuindo para o processo de expansão da área urbana.

Além da migração rural-urbana, que o avanço do capitalismo no campo acentuou com a modernização da agropecuária, há também que se considerar a migração urbano—urbano, influenciada pela difusão por meio da mídia brasileira acerca da qualidade de vida nas microrregiões de Florianópolis e de Itajaí. Moradores principalmente de Blumenau, Joinville, Curitiba, Porto Alegre e até mesmo da Argentina e São Paulo procuram as cidades pertencentes à área metropolitana de Florianópolis e Itajaí para residir, construir residências de veraneio (segunda moradia) ou investir em imóveis. Balneário Camboriú tem se tornado também um centro receptor de pessoas aposentadas que ali fixam residência. Além deste fluxo urbano-urbano regional, é notável também a migração de famílias de outros estados, principalmente do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo, atraídas pela qualidade de vida das microrregiões de Itajaí e Florianópolis, somada a fatores de repulsão dos locais de origem, tais como violência, trânsito caótico, poluição do ar e outros aspectos que afetam visivelmente a qualidade de vida dos grandes centros. Pode-se citar também como fator de atração o IDH do estado de Santa Catarina que, segundo o PNUD (2000), é de 0,822, o que corresponde ao segundo maior dentre os estados do Brasil (o IDH nacional é de 0,766). Além disso, dos 12 municípios pertencentes à microrregião de Itajaí, 5 deles possuem IDH alto (acima de 0,800), sendo o município de Balneário Camboriú o detentor de um IDH de 0,867, o segundo maior do estado. Dos 9 municípios da microrregião de Florianópolis, 6 possuem IDH alto - dentre eles a própria cidade de Florianópolis que ocupa a primeira posição no ranking estadual de IDH, com o índice de 0,875.

Na comparação entre as duas microrregiões cabe ainda destacar que a acelerada expansão urbana dos municípios localizados junto à foz do rio Itajaí, pode ser atribuída nos últimos anos, genericamente, às atividades portuárias, às indústrias pesqueira e naval, ao desenvolvimento do comércio (atacadista e varejista), ao incremento do setor de serviços, à popularização do veraneio e à dinamização das práticas de lazer e turismo. Estas últimas promoveram formas diferenciadas de ocupação e crescimento populacional, transformando precocemente algumas localidades em centros de atração de veranistas e turistas, como foi o caso de Balneário Camboriú e Itapema, enquanto outras, como Bombinhas e Penha, foram afetadas mais recentemente. Do ponto de vista demográfico, essa microrregião de Itajaí é a que apresenta o maior dinamismo no Estado, apesar da taxa de crescimento populacional da própria cidade de Itajaí não ser das mais expressivas (2,41%).Se até mais da metade do século passado, a expressão de Florianópolis no contexto catarinense restringia-se basicamente às suas funções político-administrativas como capital do estado, percebe-se hoje uma complexificação responsável pela ampliação de sua importância regional baseada, sobretudo, no setor terciário. Segundo dados da SANTUR (2010), a partir do ano de 2007, Florianópolis se tornou o primeiro pólo receptor de turistas no estado de Santa Catarina. Neste ano de 2007, ela recebeu na alta temporada (janeiro e fevereiro) um total de 780.583 visitantes, dos quais 143.095 estrangeiros e na alta temporada de 2008, 776.374 entre os quais 146.996 turistas eram estrangeiros. Já em 2009, a capital catarinense recebeu 798.441 turistas, dos quais 652.055 nacionais e 146.386 estrangeiros. Balneário Camboriú, o segundo pólo turístico, recebeu em 2007 (alta temporada) 748.456 turistas e em 2008, 685.946 e em 2009 770.355 visitantes.

Por outro lado, é preciso lembrar que o período de estagnação vivido pela cidade de Florianópolis após a Revolução de 1930, foi superado pela modernização do sistema rodoviário e pela instalação de várias instituições prestadoras de serviços a partir da década de 1960, apesar de sua função portuária ter entrado em decadência. A cidade ganhou um novo dinamismo diretamente relacionado às novas funções que passou a exercer em virtude do desenvolvimento industrial do país e do estado. A capital catarinense recebeu maciços investimentos dos governos estadual e federal que modificaram radicalmente o seu perfil, aceleraram a urbanização, modernizaram e reforçaram o setor terciário, atribuindo novas funções administrativas de âmbito estadual e federal e dinamizando os serviços, rompendo o longo período de estagnação econômica e social em que mergulhara a partir de 1930.

 

Considerações finais

A comparação entre as duas microrregiões enfocadas permite concluir que a acelerada expansão urbana na Foz do rio Itajaí-Açu, pode ser atribuída, nos últimos anos, às atividades portuárias, às indústrias pesqueira e naval, ao desenvolvimento do comércio (atacadista e varejista), ao incremento do setor de serviços, à popularização do veraneio e à dinamização das práticas de lazer e turismo. Estas últimas promoveram formas diferenciadas de ocupação e crescimento populacional, transformando precocemente algumas localidades em centros de atração de veranistas e turistas, como foi o caso de Balneário Camboriú e Itapema. Do ponto de vista demográfico, essa microrregião é a que apresenta o maior dinamismo no estado, muito embora a cidade de Itajaí não seja a que apresenta a maior taxa de crescimento populacional. Balneário Camboriú transformou-se, em algumas décadas, num centro regional de lazer, cuja influência ultrapassa os limites do estado de Santa Catarina, indo mesmo além de Curitiba e Porto Alegre, atraindo também um expressivo fluxo de turistas estrangeiros. Não se trata de uma mera disputa entre as duas cidades mais importantes cidades dessa microrregião, visto que a supremacia no campo turístico é inquestionavelmente de Balneário Camboriú. Itajaí, entretanto, não pode permitir-se perder os próprios elementos de centralidade e vivência urbana, sob pena de, num breve espaço de tempo, se tornar um aglomerado de quarteirões sem forma, sem centro urbano, destituído de identidade própria, praticamente um bairro de Balneário Camboriú.

No caso da microrregião de Florianópolis, o crescimento demográfico, somado ao das atividades ligadas ao turismo, levou à expansão de uma mancha urbana praticamente contínua da parte insular da capital às terras circunvizinhas do continente, em virtude da espalhamento do espaço urbano de Florianópolis na direção dos municípios vizinhos. Se até mais da metade do século passado a sua expressão no contexto catarinense restringia-se basicamente às suas funções político-administrativas como capital do estado, percebe-se hoje um quadro diverso em que não apenas ampliou-se a sua importância regional como, dependendo da distância e do acesso, foi minimizada a influência das capitais dos estados vizinhos sobre Santa Catarina, além de ter se transformado num importante pólo receptor de turistas nacionais e estrangeiros.

A infra-estrutura viária teve importância fundamental para o desenvolvimento urbano e para o crescimento dos fluxos turísticos destas duas importantes microrregiões do litoral de Santa Catarina, tendo a BR-101 desempenhado um papel fundamental, ligando o estado à região Sudeste e aos demais estados da região Sul, ao mesmo tempo em que favoreceu também a chegada de turistas estrangeiros. A ampliação do sistema rodoviário muito mais flexível do que o transporte ferroviário, o qual além da inércia espacial exige investimentos muito mais elevados para a sua implantação, possibilitou o acesso quase irrestrito às diferentes localidades, provocando um forte impacto na redefinição dos espaços na faixa litorânea de Santa Catarina.

 

Referências

BASTOS, José Messias. Urbanização, comércio e pequena produção pesqueira na Ilha de Santa Catarina. In: LINS, Hoyêdo Nunes et al. (Orgs.). Ensaios sobre Santa Catarina. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2000.         [ Links ]

______. Considerações sobre a urbanização do litoral catarinense. In: SIMPÓSIO DE GEOGRAFIA URBANA, X., 2007, Florianópolis. Anais... Florianópolis: SIMPURB, 2007. p. 01-08.         [ Links ]

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA - IBGE. IBGE Cities - População Estimada 2009. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1>. Acesso em: 19 dez 2009.         [ Links ]

______. Rede de influência das cidades 2007. Rio de Janeiro: IBGE, 2008.         [ Links ]

______. Censo Demográfico do Estado de Santa Catarina 2000. Disponivel em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/default_censo_2000.shtm>. Acesso em: 19 dez 2009.         [ Links ].

MAMIGONIAN, Armen. Vida Regional em Santa Catarina. In: Revista Orientação. IG-USP, n. 2, 1966.         [ Links ]

______. Indústria. In: Atlas de Santa Catarina. Florianópolis: GAPLAN, 1986.         [ Links ]

MONTEIRO, Carlos Augusto de Figueiredo. Florianópolis: o direito e o avesso. In: PIMENTA, Margareth de Castro Afeche (Org.). Florianópolis do outro lado do espelho. Florianópolis: Editora da UFCS, 2005. p. 7-34.         [ Links ]

PEREIRA, Carlos da Costa. A região das Araucárias. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina. Florianópolis, 2º sem., 1943.         [ Links ]

PEREIRA, Raquel Maria Fontes do Amaral. A particularidade do quadro urbano do litoral catarinense no processo de urbanização do sul do Brasil. In: SIMPÓSIO DE GEOGRAFIA URBANA, X, 2007, Florianópolis. Anais... Florianópolis: SIMPURB, 2007. p. 01-17.         [ Links ]

RANGEL, Ignácio. Economia: milagre e anti-milagre. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 1985.         [ Links ]

RIZZO, Paulo Marcos Borges. A natimorta Tecnópolis do Campeche em Florianópolis. In: PIMENTA, Margareth de Castro Afeche (Org.). Florianópolis do outro lado do espelho. Florianópolis: Editora da UFCS, 2005. p. 61-84.         [ Links ]

SANTOS, Milton. Espaço e sociedade no Brasil: a urbanização recente. GEOSUL, Florianópolis, n. 5, p. 85-100, 1988.         [ Links ]

SANTUR. Disponível em: <http://www.santur.sc.gov.br/>. Acesso em: 11 jul. 2010.         [ Links ]

SKALEE, Milena; REIS, Almir Francisco. Crescimento urbano-turístico: traçado e permanências urbanas em Balneário Camboriú. Diez años de cambios en el Mundo, en la Geografía y en las Ciencias Sociales, 1999-2008. In: COLOQUIO INTERNACIONAL DE GEOCRÍTICA, X. Anais... Barcelona: Universidad de Barcelona, 2008. Disponível em: <http://www.ub.es/geocrit/-xcol/184.htm> Acesso em: 10 ago 2009.         [ Links ]

 

 

Recebido em 19/2/2010; revisado e aprovado em 11/6/2010; aceito em 13/9/2010

 

 

* Esse artigo resulta da ampliação e do aprofundamento dos resultados de um trabalho de Iniciação Científica realizado pelo acadêmico Douglas Eigi Sawaki, do Curso de Graduação em Turismo e Hotelaria da UNIVALI, na condição de bolsista do CNPq.
1 Conforme Bastos (2000), a permanência das relações pré-capitalistas nas áreas de colonização açoriana pode ser atribuída a uma série de fatores. Dentre eles merece destaque o papel concentrador e aristocratizante dos capitais comerciais de Desterro e do Rio de Janeiro que permitiram que apenas uma pequena parte do excedente ficasse nas mãos dos pequenos produtores, bem como à existência de um artesanato muito diversificado que impedia a especialização do artesão. Cabe lembrar ainda a fragmentação excessiva das pequenas propriedades por ocasião da sucessão da posse da terra, o esgotamento do solo arenoso pelo uso da coivara e o recrutamento dos açorianos para as tropas portuguesas, o que desfalcava a família de mão-de-obra produtiva.
2 Em Santa Catarina, além da separação entre o planalto e o litoral, marcada pelos contrafortes das serras do Mar e Geral, inibidores das relações entre estas macrorregiões, agravada pela precariedade das comunicações até muito recentemente, observa-se também uma ausência de unidade espacial. A compartimentação do espaço correspondente à fachada atlântica do território catarinense (litoral e encostas) decorre da presença de numerosos vales, ao longo dos quais surgiram várias sub-regiões urbanas. Também no planalto percebe-se uma subdivisão territorial com destaque para o planalto serrano, planalto norte, meio oeste e extremo oeste. O geógrafo A. Mamigonian, já nos anos de 1960, apontava a existência em Santa Catarina de oito regiões urbanas pequenas, independentes umas das outras, ligadas em primeira instância às duas metrópoles do Brasil meridional, Porto Alegre e Curitiba, quanto ao consumo de bens e serviços e às metrópoles maiores (São Paulo principalmente) quanto ao escoamento da produção (MAMIGONIAN, 1966).
3 O governo federal, na década de 40 do século passado, tomou iniciativas no sentido de buscar a integração do mercado nacional. Neste sentido, viabilizou a elaboração do Plano Rodoviário Nacional (1944), adotando critérios principalmente econômicos para a implantação das rodovias federais. A construção da BR-116 e da BR-101 que atravessam longitudinalmente o território catarinense agravou a falta de integração do Estado, dificultando relações econômicas entre as suas diferentes regiões e com a própria capital, situação esta contornada em parte pela construção da BR 470 ligando o planalto e o vale do Itajaí ao litoral, facilitando o deslocamento de pessoas e o escoamento de mercadorias para o porto de Itajaí e para o litoral centro-norte do estado onde se localizam alguns dos mais importantes balneários catarinenses.Só muito recentemente é que a conclusão da rodovia BR 282, ao cortar o estado no sentido leste-oeste, ligou finalmente a região Oeste ao Litoral catarinense.
4 Os vales fluviais florestados integrantes da bacia do rio Uruguai, tal como os vales atlânticos constituem também áreas de pequena produção mercantil em que se desenvolveu uma rede urbana da qual fazem parte, dentre outros, o município de Chapecó, o 6º em população no estado, e os municípios de Caçador, Concórdia e Içara, todos com mais de 50.000 habitantes, colocados entre os vinte maiores de Santa Catarina. Lages, o 8º município do estado em população, é o único representante da área latifundiária do planalto serrano que integra a lista dos mais povoados.
5 A origem e o crescimento do Balneário Camboriú, o mais famoso do litoral de Santa Catarina, não se explicam sem o reconhecimento da influência das colônias alemães do Vale do Itajaí cuja expansão, na primeira metade do século XX, até a desprezada faixa costeira do então município de Camboriú, do qual se emancipou em 1964, foi marcada pelo caráter empreendedor dos descendentes desses imigrantes.
6 É importante destacar que a especulação imobiliária nas áreas de grande potencial turístico do estado decorre, em parte, da forte crise que teve início nos anos de 1990 quando os investimentos produtivos passaram a obter taxas de lucro muito baixas, provocando, consequentemente, a aplicação de expressivos capitais no setor da construção civil e na aquisição de imóveis, como uma possibilidade de reserva de valor.