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Linguagem em (Dis)curso

On-line version ISSN 1982-4017

Ling. (dis)curso vol.18 no.3 Tubarão Sept./Dec. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1982-4017-1803doap-0000 

Interfaces locais e translocais do português contemporâneo

Apresentação

POR QUE O ESTUDO DAS INTERFACES DO PORTUGUÊS CONTEMPORÂNEO É RELEVANTE PARA O CAMPO APLICADO DOS ESTUDOS DA LÍNGUA(GEM)

1Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Estudos da Linguagem. Departamento de Linguística Aplicada. Campinas, SP, Brasil

1 INTRODUÇÃO

Numa publicação de 2015, o antropólogo norueguês Thomas H. Eriksen descreve e justifica da seguinte forma a movimentação observada desde a década de 1990 em seu campo disciplinar de investigação:

O mapa antigo revela um mundo de ilhas culturais. Em cada ilha, as pessoas têm um modo de vida particular, com suas próprias tradições e assim por diante, mas há relativamente pouco contato entre as ilhas. É extremamente difícil navegar no mundo de hoje usando esse mapa. Essa é a principal razão pela qual uma parte significativa da comunidade intelectual tem trabalhado, há algum tempo, na revisão desse mapa.1 (ERIKSEN, 2015, p. 26)

E para dimensionar o desafio desse trabalho de revisão, se vale de outra metáfora, também relacionada à navegação: “Reconstruir o barco no mar tornou-se uma tarefa necessária”2 (p. 27).

A figuração de um barco sendo reconstruído em mar aberto, isto é fora do estaleiro, ou de qualquer ancoradouro, já havia sido proposta anteriormente pelo filósofo Otto Neurath, do Círculo de Viena, para caracterizar de forma mais abrangente a condição humana de produção do conhecimento. Segundo ele,

Somos como marinheiros que, em mar aberto, precisam reconstruir seu barco, mas que nunca são capazes de recomeçar a partir do fundo. Onde uma viga é retirada, uma nova deve ser colocada imediatamente no lugar e, para isso, o restante do navio é usado como suporte. Desta forma, usando as velhas vigas e troncos, o navio pode ser totalmente renovado, mas apenas por reconstrução gradual.3 (NEURATH; COHEN, 1973, p. 199)

Mas o significado dessa figuração para o campo específico dos estudos antropológicos é mais bem explicado em outro texto de coautoria de Eriksen, em que são descritas as ações envolvidas nesse processo de rever antigos mapas e reconstruir o barco em mar aberto em função de necessidades contemporâneas de navegação: “reconstruindo e ao mesmo tempo desconstruindo [...], usando velhos conceitos de modo diferente e ao mesmo tempo experimentando novos”4 (RANDERIA; ERIKSEN; GARSTEN, 2015, p. 9).

O mesmo imperativo apontado para os estudos antropológicos pode ser observado no campo dos estudos da língua(gem) no mesmo período, particularmente os voltados para questões específicas do campo aplicado de diferentes disciplinas, como no caso dos trabalhos de Pennycook (1990); Duranti e Goodwin (1992); Blommaert e Verschueren (1998); Silverstein e Urban (1996); Woolard (1998); Heller (1994; 1997); Lucy (1993); dentre outros. No caso da disciplina Linguística Aplicada, que nos interessa mais de perto aqui, esse imperativo vinha sendo tematizado já na década de 1980, tornando-se, na década seguinte, uma espécie de leitmotiv das discussões sobre os rumos da pesquisa no campo aplicado de modo geral.

Aspectos relevantes dessas discussões estão resumidos e articulados por Monica Heller num artigo publicado no final da década de 1990. Na esteira, sobretudo, de trabalhos de Rampton (1995; 1997) e Coupland (1997), ela enfatiza, nesse artigo, a necessidade da Linguística Aplicada ter como foco central “o conceito de linguagem no mundo” (em contraposição ao conceito de linguagem como sistema autônomo, da tradição positivista e empiricista dos estudos linguísticos), colocando-se “na clássica posiçao Kuhniana de ter muitos dados que não podem ser explicados através dos paradigmas existentes” (HELLER, 1997, p. 81). Aponta, ainda no mesmo artigo, três consequências de uma mudança de foco e reposicionamento da disciplina:

Em primeiro lugar, desloca o modo como as perguntas são tradicionalmente feitas para formas mais fenomenológicas, hermenêuticas, e também mais interdisciplinares. Assume a centralidade das interconexões entre processos linguísticos, cognitivos e sociais. Em segundo lugar, abre um novo conjunto de questões críticas e reflexivas sobre o papel da linguagem na sociedade e, portanto, sobre o papel dos linguistas também. A terceira conseqüência [...] decorre da segunda: um questionamento da coerência das fronteiras disciplinares e do próprio sentido da denominação linguística aplicada”5 (1997, p. 81).

No contexto brasileiro, esse “questionamento da coerência das fronteiras disciplinares” e do próprio sentido do nome da disciplina já era recorrente desde a segunda metade da década de 1980, quando a Linguística Aplicada se consolidava institucionalmente como área de ensino e pesquisa, e se propunha, justamente, a rever mapas antigos herdados da Linguística sistêmica em função “das interconexões” que se mostravam relevantes, e não contempladas pelos aparatos da teoria linguística, entre “processos linguísticos, cognitivos e sociais”. É o que aponta a afirmação de Cavalcanti sobre a importância de se “desfazer[em] os equacionamentos”, até então habituais na área, via aplicação de teorias linguísticas e psico-cognitivas de ensino-aprendizagem:

A Linguística Aplicada é abrangente e multidisciplinar. Preocupa-se com questões de uso da linguagem. Ela tem um objeto de estudo, princípios e metodologia próprios, e já começou a desenvolver seus modelos teóricos. Dada sua abrangência e multidisciplinaridade, é importante desfazer os equacionamentos da Linguística Aplicada com a aplicação de teorias linguísticas e com o ensino de línguas. (CAVALCANTI, 1986, p. 9, ênfase minha)

Nas décadas seguintes, firmaram-se as dimensões crítica e reflexiva das investigações na área (PASCHOAL; CELANI, 1992; RAJAGOPALAN, 2003; SIGNORINI, 2015; entre outros), além de uma vocação inter e transdisciplinar (SIGNORINI; CAVALCANTI, 1998). Nos anos 2000, a extrapolação de fronteiras disciplinares e o questionamento sistemático de práticas e modelos herdados dos estudos linguísticos levou à proposta de uma Linguística Aplicada (in)disciplinar (MOITA LOPES, 2006), mais voltada para o debate sobre os limites epistêmicos da tradição moderna (ou modernista) da ciência linguística.

Assim, a demanda de se (re)construírem barcos e mapas de navegação em mar aberto, isto é, “desfazendo” equacionamentos já dados, tanto pela desconstrução e re-entextualização de “velhos conceitos”, quanto pela experimentação e criação de novos tem trazido para o campo aplicado dos estudos da língua(gem) desenvolvidos no Brasil o desafio de se buscarem novas soluções para velhos problemas de modos mais produtivos, no sentido também de menos excludentes ou discriminatórios, conforme apontado em discussões críticas de teorias e modelos calcados no monolinguismo monoglóssico (SOUZA, 2001; SIGNORINI, 2002; 2006; 2012; CAVALCANTI; SILVA, 2007; SCHLATTER; GARCEZ, 2012; entre outros) e na essencialização identitária (SIGNORINI, 1998; MOITA LOPES, 2002; PINTO, 2007; CAVALCANTI; MAHER, 2018; entre outros), por exemplo.

A dimensão política desse desafio tem sido compreendida, tanto em relação a dinâmicas contextuais específicas (está-se produzindo conhecimento em benefício (ou prejuízo) de quem?), quanto em relação às epistemologias da tradição disciplinar (que tipo de conhecimento está-se produzindo com e sobre a língua(gem)?) No primeiro caso, a etnografia tem se firmado como uma “escolha teórico-metodológica” relevante (a esse respeito, ver GARCEZ; SCHULZ, 2015), embora não exclusiva. No segundo caso, tem-se verificado um crescente compartilhamento de contribuições da pesquisa aplicada crítica de diferentes disciplinas, ainda em grande parte atreladas a tradições anglo-americanas e europeias. Desse modo, em várias frentes de investigação (a esse respeito ver v. 31, n. 4 da revista D.E.L.T.A., de agosto de 2015 sobre o tema “Epistemologias da pesquisa no campo aplicado dos estudos da língua(gem)”) tem-se trazido para o debate a questão da teorização como ferramenta para a mudança sociocultural e política (RORTY, 1999; BUTLER, 2004; RAJAGOPALAN, 2013), articulada à questão da descolonização do conhecimento (MIGNOLO, 1999; 2002; SANTOS; MENESES, 2010).

O presente dossiê busca contribuir para o avanço das indagações em curso, tendo como foco específico a questão das interconexões entre multilinguismo, mobilidade e português brasileiro contemporâneo. Na medida em que desloca a centralidade do modelo monolíngue, que orienta a tradição linguística de estudos do português brasileiro, reafirma a premissa de que

o trabalho com o falante de português padrão em comunidades de fala onde não haja conflitos ou problemas constitui uma fantasia, alimentada implícita ou explicitamente pela negação das línguas (indígenas, africanas, de imigrantes, de sinais) e das variedades do português do Brasil e pelo apagamento dessas comunidades bilíngues pela sociedade, pela elite, pelos escolarizados, pela mídia... (CAVALCANTI, 1999, p. 408)

O destaque para os diferentes tipos e graus de (i)mobilidade social e linguística localmente produzidos pelas dinâmicas e fluxos globais de circulação de pessoas e mercadorias, tanto materiais quanto simbólicas, dá continuidade e aprofunda questões levantadas anteriormente em trabalhos sobre mobilidade, multilinguismo e globalização (“Selected Papers on Language and Society: Mobility, Multilingualism and Globalization”, Revista da Anpoll, v. 1, n. 40, junho de 2016).

O principal objetivo do dossiê é, pois, o de iluminar as relações entre usos situados da língua, identificados em suas manifestações textuais-discursivas, e as condições contextuais que conformam e regulam esses usos (metapragmáticas, políticas e ideologias linguísticas, por exemplo). Como são filiados a mais de uma tradição teórico-metodológica do campo aplicado, os estudos aqui reunidos exploram e articulam mais de um tipo de pesquisa interpretativista e mais de uma linha de raciocínio teórico-metodológico, de forma a melhor apreender o caráter situado e estratégico da língua em uso nos contextos focalizados. Buscam também melhor apreender os componentes de natureza cultural e político-ideológica que estão em jogo nos microcontextos focalizados.

Trata-se, pois, de um dossiê que tanto aponta para estudos já consolidados sobre língua(gem) e identidade, interculturalidade, multilinguismo e mobilidade sociolinguística, quanto visa fomentar pesquisas futuras sobre os usos do português frente os fluxos produzidos pelas mobilidades contemporâneas.

2 CONTRIBUIÇÕES DOS TRABALHOS QUE COMPÕEM O DOSSIÊ

  • a) Interface do português com a língua de sinais em publicações de um professor surdo em rede social - Contrapondo-se à matriz monolíngue dos estudos sobre a surdez, que vêm na interface português/língua de sinais o lugar de “interferência” da primeira na segunda língua, ou de constituição de uma “interlíngua” ou estágio provisório de apropriação do português escrito padrão, o artigo de Aryane Nogueira discute o caráter translíngue, transmodal e transsemiótico das práticas comunicativas envolvendo surdos e não surdos na interação social em sentido amplo. A análise de um conjunto de publicações de um professor surdo em sua página pessoal na rede social Facebook ao longo do ano de 2017 e as interações via comentários às suas postagens forneceram a base empírica para a discussão.

  • b) Todos nós semos de frontera: Ideologias linguísticas e a construção de uma pedagogia translíngue - Voltado para a necessidade de se “desaprender” a “ideologia monoglota” que orienta as práticas escolares e a formação de professores de língua, promovendo homogeneização e exclusão sistemática de grande parte dos alunos na escola, o artigo de Adriana Carvalho Lopes e Daniel Nascimento Silva apresenta e discute os princípios de uma pedagogia translíngue enquanto “prática utópica de resistência” e, portanto, enquanto ato político de problematização do status quo. Uma experiência de ensino translíngue em português desenvolvida pela primeira autora numa universidade pública do Rio de Janeiro e o estudo da produção translíngue (“portunhol”) do poeta uruguaio Fabian Severo forneceram a base empírica da discussão.

  • c) Dinâmicas sociolinguísticas e culturais de inclusão/exclusão de alunos descendentes de imigrantes russos no sul do Brasil - Com base num estudo etnográfico desenvolvido numa escola pública rural do interior do Paraná, o artigo de Maria Inêz Probst Lucena e Bianca de Campos focaliza as dinâmicas sociolinguísticas e culturais locais, que tanto promovem a inclusão de descendentes de imigrantes russos chegados ao Brasil no final dos anos 1950, quanto reafirmam sua condição de grupo minoritário desprestigiado do ponto de vista sociocultural e político: língua e identidade russas não são vistas localmente como capital simbólico relevante. O exame dessas dinâmicas locais aponta para um movimento de abertura ao multilinguismo e à interculturalidade, conforme previsto em documentos oficiais, mas sem que a distribuição hierarquizada das línguas e das práticas culturais naquele contexto específico seja alterada de forma consistente.

  • d) Quem é “estudante falante de português” em famílias de origem brasileira em Toronto, Canadá? Questões de classe - Contrapondo-se a uma concepção genérica e desencarnada da noção de mercado linguístico, mais especificamente, de “mercado português/lusófono” da cidade de Toronto, e de “estudantes falantes de português” como parte integrante desse mercado, incluindo tanto falantes de origem portuguesa quanto brasileira, o artigo de Pedro de Moraes Garcez se propõe a identificar e descrever como se filiam, ou não, a essa categoria específica estudantes e famílias de migrantes brasileiros e canadenses de origem portuguesa. Associando a noção de classe social ao exercício de atividade profissional e aos modos de filiação às redes locais de falantes de português, aponta a multiplicidade das variáveis em jogo, com destaque para o tipo de qualificação profissional como determinante da distribuição das posições socioculturais e linguísticas dos diferentes perfis de estudantes brasileiros revelados em trabalho de campo realizado pelo autor em Toronto.

  • e) Corpo como contexto-de-ocorrência de metapragmáticas sobre o “português” em socializações de estudantes migrantes para o Brasil - Refutando uma concepção abstrata, genérica e, portanto, desencarnada das ações comunicativas nas práticas sociais, o artigo de Joana Plaza Pinto examina contrastivamente formas linguísticas que assumem função metapragmática em duas narrativas de estudantes migrantes, em que são identificados padrões de socialização e vínculos afetivos e corporais diferenciados e relacionados às diferentes condições de aprendizagem e, consequentemente, ao (in)sucesso das trajetórias individuais e aos modos de (des)valoração do português pelos dois participantes. Essas duas narrativas foram produzidas no contexto de uma pesquisa etnográfica “longitudinal e multissituada” em que estudantes migrantes do Programa Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) discorrem sobre suas trajetórias de vinda, recepção e permanência numa universidade pública do Centro-Oeste brasileiro.

  • f) Viagem textual pelo “Sul Global”: ideologias linguísticas queer e metapragmáticas translocais - Voltado para a descrição da “lógica” da mobilidade do mundo “como se” em processos multidirecionais contemporâneos de comunicabilidade e performatividade, os quais contrariam a lógica da representação de um real estabilizado e coerente que se reproduz segundo a lógica da cópia, o artigo de Luiz Paulo da Moita Lopes e Branca Falabella Fabrício focaliza o deslocamento do “português brasileiro” no sentido “sul-sul” num processo criativo de construção de significados em fluxo. A ressemiotização de um vídeo de funk carioca por um grupo de jovens filipinos é o exemplo que sustenta a discussão, com destaque para os processos de entextualização e indexicalidade na relação de corpos, espaços e múltiplos elementos semióticos cujo efeito de conjunto é emergente (performatividade) e não já dado (representação).

  • g) Micropolíticas de expansão do português: mães gerenciadoras e difusoras de línguas - Realçando a relevância, para o campo dos estudos sobre Políticas Linguísticas, do exame de ações micropolíticas de agentes não-oficiais engajados na inserção e promoção de uma dada língua, o artigo de Tatiana Martins Gabas propõe uma perspectiva bottom-up de identificação e análise desse tipo de ação em contextos de mobilidade. Para isso, descreve e analisa o papel de mães sul-coreanas de uma comunidade imigrada da região Metropolitana de Campinas enquanto gerenciadoras e difusoras de línguas na família e na comunidade, com ênfase em suas ações de promoção do português como capital simbólico de valor ecológico nesses dois contextos específicos. O exame de excertos de entrevistas semiestruturadas com duas dessas mães sustentam a discussão.

AGRADECIMENTOS

Agradeço as contribuições dos autores, bem como dos pareceristas ad hoc e dos editores da revista na elaboração deste dossiê.

Campinas, 6 de julho de 2018.

REFERÊNCIAS

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1“The old map revels a world of cultural islands. On each island people have the special way of living, with their own traditions and so forth, but there is relatively little contact between the islands. It is extremely difficult to navigate the world of today using such a map. That is a main reason that a significant part of the intellectual community has been at work revising that map for some time.” (ERIKSEN, 2015, p. 26)

2“Rebuilding the ship on sea has become a necessary task” (ERIKSEN, 2015, p. 27).

3"We are like sailors who on the open sea must reconstruct their ship but are never able to start afresh from the bottom. Where a beam is taken away a new one must at once be put there, and for this the rest of the ship is used as support. In this way, by using the old beams and driftwood the ship can be shaped entirely anew, but only by gradual reconstruction." (NEURATH; COHEN, 1973, p. 199).

4“reconstructing while deconstructing [...]; using old concepts differently as well as trying out new ones” (RANDERIA; ERIKSEN; GARSTEN, 2015, p. 9).

5“First, it shifts the way traditional questions are asked towards more phenomenological, hermeneutic, but also more interdisciplinary ways. It assumes the centrality of interconnections among linguistic, cognitive and social processes. Second, it opens up a whole new set of critical, reflexive questions about the role of language in society, and therefore about the role of linguists, too. The third consequence for applied linguistics flows from the second: a ques- tioning of the coherence of disciplinary boundaries, and of the very sense of the term applied linguistics.” (HELLER, 1997, p. 81).

*

ORCID: <https://orcid.org/0000-0002-4620-1735>. E-mail: signor@iel.unicamp.br

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