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Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil

versão On-line ISSN 1806-9304

Rev. Bras. Saude Mater. Infant. v.7  supl.1 Recife nov. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S1519-38292007000600005 

Informe Técnico Institucional Technical Institucional Reports

 

Ensino no IMIP: alguns aspectos

 

 

João Guilherme Bezerra AlvesI; Antônio Carlos dos Santos FigueiraII

IDiretoria de Ensino. Instituto Materno Infantil Prof. Fernando Figueira-IMIP. Rua dos Coelhos, 300. Recife, PE, Brasil. CEP: 59.070-550 E-mail: joaoguilherme@imip.org.br
IISuperintendende. Instituto Materno Infantil Prof. Fernando Figueira-IMIP. Recife, PE, Brasil

 

 

O Instituto Materno Infantil Prof. Fernando Figueira (IMIP) desde a sua criação em 1960 pelo Prof. Fernando Figueira, tem como missão institucional, o ensino, associado à pesquisa e assistência, dentro do melhor nível de qualidade e adequado à realidade local. Essa instituição nasceu do pensamento do educador, Prof. Fernando Figueira, de que para se ter um ensino médico de boa qualidade, se faz imperioso a prestação de uma boa assistência médica. E isso não era a realidade observada na década de 50, nos pavilhões, do hoje centenário Hospital Pedro II - o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco naquela época, e hoje, coincidentemente, em franco processo de restauro, sob os auspícios do próprio IMIP dentro da meta de estender sua área de atuação, antes atrelada apenas ao grupo materno-infantil, agora a toda família. Entretanto, a área destinada à assistência das crianças, naquela época no Hospital Pedro II, era modesta e limitada, inclusive com muitas crianças hospitalizadas junto a adultos.

Com o IMIP e o seu fundador, nasceu uma nova escola de pediatria no Nordeste, inovadora, pioneira e exemplar, dentro dos mais nobres princípios éticos. Desde o início do funcionamento do Hospital Geral de Pediatria do IMIP, que essa instituição mantém um compromisso inequívoco com o ensino. Recebe estudantes desde o ano de 1961, quando o Prof. Fernando Figueira assumiu a cátedra da disciplina de Pediatria da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e seus alunos passaram a freqüentar o IMIP do quarto ao sexto ano do curso de Medicina. Logo em seguida, o IMIP passou a acolher também os estudantes da Faculdade de Ciências Médicas, atual Universidade de Pernambuco (UPE), quando o Prof. Fernando Figueira se tornou professor dessa escola médica. Ainda na década de 60 o IMIP iniciou sua importante contribuição ao ensino em outras áreas da saúde, quando começou a receber alunos de Fisioterapia, Enfermagem, Terapia Ocupacional, Nutrição e Odontologia. Atualmente, passam anualmente pelo IMIP, mais de 1.000 alunos em graduação, oriundos de escolas de graduação locais e de outros estados; só na área de medicina, são quase 500 doutorandos por ano.

Um dos principais programas de ensino do IMIP é o da residência, a pós-graduação latum sensu baseada no princípio pedagógico do "aprender fazendo". Teve início em 1966, com apenas uma médica residente e já no ano seguinte a turma era composta por quatro residentes. Desde esse período, o IMIP, sempre demonstrando o seu compromisso inabalável com o ensino, fez investimentos de peso para consolidar esse programa, como convênios com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Fundação Josiah Marie, entidade americana, que financiou o programa de residência nos anos de 1967 a 1972. Em 1968, iniciou o programa da cirurgia infantil, um dos pioneiros no Brasil. Com a criação pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) da Comissão Nacional de Residência Médica, na década de 70, o programa em pediatria do IMIP, foi o primeiro a ser reconhecido no Nordeste. Esse reconhecimento aumentou muito a procura do programa por médicos de outros estados do Nordeste, o que fez com esse programa passa-se a sempre contar em suas turmas com médicos de outros estados da região. Esse programa contou ainda nesse período, com a participação de ilustres professores visitantes, nomes consagrados no ensino da pediatria, tanto a nível nacional como internacional, dentre os quais destacamos Artur Abali, César Pernetta, Renato Woski, que chegaram a residir, por vários meses, como verdadeiros "professores residentes" nas próprias dependências do hospital. Nas décadas seguintes, o programa continuou sendo ampliado, tanto na área médica com a criação de outras especialidades (cirurgia plástica, anestesia, tocoginecologia, oncologia, medicina fetal, radiologia e diagnóstico por imagem, medicina da família e comunidade, clínica médica, cirurgia geral, otorrinolaringologia, R3 em neonatologia, cardiologia, nefrologia pediátrica), como em outras áreas da área (enfermagem, nutrição). Tudo isso deu ao programa de residência do IMIP, a dimensão de um dos maiores do Brasil, contando atualmente com mais de 220 residentes e cerca de 520 preceptores.

A pós-graduação strictum sensu teve início em 1973, com a criação do curso de Mestrado em Pediatria, que surgiu como um processo de amadurecimento do ensino e aprendizagem dentro da instituição, em parceria com a UFPE. Em 1993, o IMIP criou o seu próprio mestrado, em saúde materno-infantil, na época, o primeiro programa de pós-graduação nessa área no Brasil. Até hoje, o IMIP já diplomou mais de cem mestres, sendo cerca de 20% deles, profissionais de saúde de outros estados do Nordeste e que exercem hoje, importantes funções de liderança na área da docência, pesquisa e gerenciamento em saúde. Ressalte-se ainda a contribuição que o IMIP vem oferecendo aos países africanos de língua portuguesa, formando mestres, recebendo médicos e enfermeiras para estágios, além de visitas de docentes do IMIP para assessorias nas áreas de ensino, assistência e gerenciamento. No ano passado, o IMIP completou a sua escola de pós-gra-duação sctrictum sensu ao dar início ao seu programa de doutorado em saúde materno-infantil, aprovado anteriormente pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Na área do ensino, também tem destaque as suas publicações didáticas e técnico-científicas. Tiveram início, com a padronização das condutas médicas no final da década de 60. Em seguida, essas pautas ori-ginaram o primeiro livro, o "Manual de Diagnóstico e Terapêutica". Atualmente, o IMIP edita mais de 30 publicações didáticas, técnicas e científicas. O livro texto de pediatria do IMIP, "Fernando Figueira - Pediatria", é atualmente, o livro mais procurado nessa área, nas escolas médicas do Nordeste. Só este ano, três novos livros ainda vão ser lançados: "Unidade de Terapia Intensiva em Pediatria", "Pediatria Ambulatorial" e "Prevenção de Doenças do Adulto na Infância e Adolescência", este último, escrito pelo corpo docente do IMIP e da Universidade de São Paulo (USP).

A política de formação profissional do IMIP, nas décadas de 60 a 80, foi fortemente voltada para a formação de pediatras. Um generalista dotado de elevados valores humanísticos, que deveria atender aos principais problemas de saúde da criança, conhecendo antes a sociedade à qual estava inserido. Em seguida, na década de 80, essa formação, sempre dentro dos mesmos princípios éticos, foi estendida aos profissionais que assistem à mulher. Desafio esse também vencido, em uma instituição que já assistiu a quase 100.000 partos e pós-graduou mais de 300 tocoginecologistas. Hoje, o desafio se volta para a toda a família, com a clínica e a cirurgia do adulto. As bases já estão alicerçadas, o IMIP conta com a maior unidade hospitalar do Nordeste do Brasil, com uma área construída de mais de 20.000m2 (totalizará 45.000 m2 quando da finalização do restauro do Hospital Pedro II) e mais de 600 leitos. Os programas de residência médica em clínica médica e cirurgia foram iniciados este ano. Mais de 50 docentes do IMIP estão atualmente cumprindo programas de mestrado ou doutorado, alguns deles fora do Brasil.

O IMIP também teve uma experiência pioneira com o Curso de Especialização em Pediatria, desenvolvido no período de 1986 a 1989. Este curso não se limitava somente a Medicina, tinha também um forte enfoque na área de Sociologia, Antropologia e de Ciências Políticas, dentro dos princípios do educador Fernando Figueira, do completo entendimento das razões das doenças e da humanização do ato médico.

O educador Fernando Figueira sempre sonhou com uma escola médica de graduação. Na escola em que ele falava, 30 anos atrás, muito se encontra nos novos projetos com que se pretende, hoje, a reformulação do ensino médico no Brasil. Era um ensino em que o estudante teria contato com o doente no primeiro dia de aula, conheceria sua família, como e onde vivia, para assim melhor compreender o seu paciente e a sua doença. Ao ver um paciente com determinada doença, por exemplo, diarréia infecciosa em uma criança, estudaria desde os meca-nismos bioquímicos que permitissem ao aluno a compreensão dos distúrbios metabólicos, passando pela epidemiologia, a clínica, a nutrição, a bacterio-logia, até as condições de vida dessa família, incluindo uma visita in loco. Esse ensino seria quase "Hipocrático", com uma turma de uma 40 estudantes. A seleção dos estudantes, não seria pelo vestibular, e sim pela observação dos comportamentos, das atitudes, das condutas, após um período probatório de seis meses. Aqueles que fossem identificados, pelos preceptores e por eles mesmos, como detentores de vocação para medicina, continuariam seu curso.

O IMIP foi uma das instituições no Brasil, que mais contribuiu para o ensino na área da saúde nas últimas décadas, tanto em termos quantitativos, foram milhares de profissionais que tiveram algum tipo de formação profissional nessa casa, como em termos qualitativos com suas inovações e pioneirismos pedagógicos, sempre centrados no estudante e priorizando o paciente, dentro de uma dimensão histórica e inserido no seu ambiente social, cultural, econômico e geográfico.

Palavras-chave: Ensino, Pesquisa, Serviços de Saúde Materno-Infantil

 

Bibliografia

1. Alves JG, Ferreira OS. Fernando Figueira - O educador. Recife: Liceu; 2005.

2. Arruda BKG. A educação profissional em saúde e a realidade social. Recife: IMIP, Brasilia, DF: Ministério da Saúde; 2001.

3. Arruda BKG. Escritos inspirados pelas circunstâncias. Recife: IMIP; 2007.

4. Batista NA, Batista SH, Abdalla I. Ensino em saúde: visitando conceitos e práticas. São Paulo: Arte & Ciência; 2005.

5. Belmar C. Fernando Figueira - O homem que arrastou rochedos. São Paulo: Escrituras; 2007.

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