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Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil

Print version ISSN 1519-3829On-line version ISSN 1806-9304

Rev. Bras. Saude Mater. Infant. vol.9 no.4 Recife Out./Dec. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1519-38292009000400003 

ARTIGOS ORIGINAIS ORIGINAL ARTICLES

 

O envolvimento paterno no processo da amamentação: propostas de incentivo

 

Involving fathers in breast feeding: stimulus proposals

 

 

Cleide Maria PontesI; Aline Chaves AlexandrinoII; Mônica Maria OsórioIII

IDepartamento de Enfermagem. Centro de Ciências da Saúde. Universidade Federal de Pernambuco. Av. Prof. Moraes Rego, s.n. Bloco A. Hospital das Clínicas. Cidade Universitária. Recife, PE, Brasil. CEP: 50670-901. E-mail: cmpontes@hotlink.com.br
IIDepartamento de Genética. Centro de Ciências Biológicas. Universidade Federal de Pernambuco. Recife, PE, Brasil
IIIDepartamento de Nutrição. Centro de Ciências da Saúde. Universidade Federal de Pernambuco. Recife, PE, Brasil

 

 


RESUMO

OBJETIVOS: desvendar os eixos norteadores e, a partir deles, construir uma proposta de incentivo à participação do homem no processo da amamentação, identificando estratégias nas diversas fases de sua vida, desde criança até tornar-se pai.
MÉTODOS: estudo descritivo, exploratório e qualitativo, cujos eixos norteadores e a construção da proposta ocorreram a partir da análise das falas oriundas das entrevistas semiestruturadas realizadas com 17 casais, residentes na favela do Bode, Recife, Pernambuco, Brasil. As falas foram interpretadas à luz da análise do conteúdo manifesto, ancoradas no referencial teórico – construção histórica, social e cultural da paternidade – para encontrar os eixos norteadores e subsídios à construção da proposta.
RESULTADOS: os eixos norteadores encontrados foram família, escola e instituição de saúde, os quais subsidiaram a construção de uma proposta por meio da implantação do ambulatório de amamentação (consulta para família, do pré-natal aos seis meses de vida da criança) e da socialização de meninos e meninas pró-amamentação. Tal proposta consta de atividades para o envolvimento do pai no amamentar.
CONCLUSÕES: os eixos norteadores apresentaram aspectos significativos que alijaram o homem do processo da amamentação. Por isso, a essência desta proposta construída foi servir de modelo de incentivo à participação do pai nessa prática, para se estruturar um programa de saúde a ser implementado nas escolas e instituições de saúde, como uma forma de transformar a cultura do amamentar, aumentando o período de duração da amamentação.

Palavras-chave: Amamentação, Pai, Sentimentos, Intervenção, Nutrição


ABSTRACT

OBJECTIVES: to reveal the guiding influences and through these to draw up a proposal to stimulate the participation of men in breast feeding, identifying strategies at the various phases in a man's life, from childhood to fatherhood.
METHODS: a descriptive, exploratory and qualitative study was carried out, whose guidelines and proposals were based on examination of statements gathered in the course of semi-structured interviews conducted with 17 couples, living on the Bode favela, in Recife, in the State of Pernambuco, Brazil. The statements were interpreted using manifest content analysis, based on the theoretical notion of the historical, social and cultural construction of fatherhood, and subsequently used to determine the guiding influences and draw up proposals.
RESULTS: the principal guiding influences were found to be the family, the school and the health unit, all of which help to draw up a proposal for the initiation of breast feeding at the outpatients clinic (during prenatal family consultations when the child is aged six months) and the socialization of male and female children in favor of breast feeding. This proposal includes activities that aim to involve the father in breast feeding.
CONCLUSIONS: some significant features of the guiding influences tend to exclude men from the breast feeding process. The essence of this proposal is therefore to serve as a model for stimulating the participation of fathers in breast feeding and for building up a health program to be introduced in schools and health units, as a way of changing the culture of breast feeding and extending its duration.

Key words: Breast feeding, Father, Feeling, Intervention, Nutrition


 

 

Introdução

A amamentação exclusiva poderá ser ofertada desde o nascimento até os seis meses de vida do bebê e, a partir daí, deve-se introduzir outros alimentos, prolongando o amamentar durante os primeiros dois anos ou mais de vida da criança. Essas recomendações estão centradas nas repercussões dessa prática à qualidade de vida dos seres humanos.1,2

Apesar dessas recomendações, no Brasil, a duração mediana do aleitamento materno total é de dez meses3 e em Pernambuco é de 112 dias.4 Esse cenário nos mostra que a interrupção precoce do aleitar é uma realidade, mesmo diante de ações pró-amamentação desde a década de 70 do século XX.5 Portanto, não há uma sintonia entre o que é apregoado e o vivenciar da prática,6 fato que nos leva a questionar o porquê desse acontecimento.

A amamentação é permeada de influências advindas dos fatores históricos, políticos, econômicos, sociais e culturais, presentes na trajetória da humanidade.6,7 Por isso, a nutriz precisa de apoio e encorajamento para vivenciar essa prática.8 Nessa perspectiva, vários estudos,9-12 incluindo os de revisão de literatura13,14 apontam o companheiro da nutriz, nessa rede de apoio, como parceiro na decisão e no sucesso da amamentação.

Por outro lado, desde os estágios primitivos da humanidade, a mulher cuidava dos filhos. Os homens foram impulsionados para um outro mundo, o público, fornecendo-lhes estereótipos e arquétipos que os alijam dos cuidados com a prole, devido aos fatos históricos, sociais e culturais que aconteceram durante o decurso da descoberta da paternidade, cabendo-lhes o papel de procriador e provedor financeiro.15,16

A paternidade é um processo em que o homem precisa se envolver, através de seus conhecimentos e habilidades, de forma afetuosa, nos cuidados com o filho.17 No entanto, mesmo nos dias atuais, o homem ainda vive sob a égide do poder sociocultural do patriarcado, mantendo barreiras que embaraçam a sua participação nas atividades do universo feminino,18 consequentemente no processo da lactação.

Diante desse contexto, e fundamentando-se no fato de que a paternidade é uma construção sociocultural19– o companheiro pode compartilhar o processo de gestar, parir e amamentar – o objetivo deste estudo é desvendar os eixos norteadores e, a partir deles, construir uma proposta de incentivo à participação do homem no processo da amamentação, identificando estratégias nas diversas fases de sua vida, desde criança até tornar-se pai.

 

Métodos

Esse estudo é descritivo, exploratório, conduzido pela abordagem qualitativa, pois “aprofunda-se no mundo dos significados das ações e relações humanas, um lado não perceptível e não captável em equações, médias e estatísticas”.20

Os participantes foram 17 casais, residentes da favela do Bode, assistida pelo Programa de Saúde da Família (PSF), integrante do VI Distrito de Saúde do Município de Recife, Pernambuco, Brasil. Essa quantidade foi definida pela reincidência das informações, mas levando em consideração aquelas que não foram repetitivas,21 obedecendo aos seguintes critérios de seleção: cada casal deveria, no mínimo, morar sob o mesmo teto há um ano; o companheiro deveria ser o pai biológico desta criança; o filho deveria ter nascido a termo normal, com peso ao nascer igual ou maior que 2500 g, e no momento da entrevista ter a idade entre seis e oito meses de vida, não importando se estava ou não mamando.

Antes de iniciar a pesquisa de campo foram realizadas várias reuniões com as enfermeiras e agentes comunitários de saúde (ACS) do PSF, para que todos tomassem conhecimento dos objetivos e dos procedimentos metodológicos do estudo. Os ACS identificavam os casais, de acordo com os critérios de seleção e marcavam com eles o dia da visita em que a pesquisadora comparecia na residência do casal,acompanhada pelo ACS, para iniciar a coleta de informações.

Para essa coleta escolhemos a entrevista semi-estruturada guiada por dois roteiros, um para o pai e o outro direcionado à mãe, contendo perguntas que caracterizavam os dados de identificação do casal e do último filho e as questões norteadoras. Essas questões buscavam as vivências dos homens desse estudo, em relação à amamentação, desde a infância até tornarem-se pai, incluindo o contexto familiar, escolar e da instituição de saúde.

As entrevistas tiveram a duração média de 40 minutos e foram gravadas em fita cassete, realizadas no dia agendado, individualmente e em momentos distintos, de modo que um não escutava o discorrer da conversa do outro e não havia tempo para que eles conversassem entre si.

Em seguida, foram realizadas a transcrição das fitas, leitura exaustiva e repetitiva, fazendo os recortes necessários das falas, no sentido de alcançar o objetivo proposto. Essas falas foram interpretadas à luz da análise do conteúdo manifesto, onde o “pesquisador revisa o conteúdo dos dados narrativos, procurando palavras ou temas particulares que tenham sido especificados antecipadamente”, ou seja, já existiam “idéias preconcebidas sobre a análise”.22 No caso desse estudo, a finalidade desse procedimento foi encontrar os eixos norteadores e subsídios à construção de uma proposta para envolver o homem no processo do amamentar. Para a análise dos significados emergidos das falas dos casais utilizamos o referencial teórico: construção histórica, social e cultural da paternidade.23

Respeitando o direito ao anonimato, os participantes receberam nomes fictícios, acrescidos de um número (1 a 17), para a identificação do casal. Todos assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, sendo o estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

 

Resultados e Discussão

Apresentando os atores do estudo

O tempo de convivência dos casais, morando numa mesma casa, variou entre 2 a 12 anos, predominando a união consensual. A faixa etária das mulheres ficou compreendida entre 15 a 37 anos e a dos homens, entre 19 a 46 anos, sendo que a maioria deles(15)exercia o papel de provedor financeiro. Quanto à escolaridade, o ensino fundamental incompleto predominou entre as mulheres e, para os homens, o ensino médio incompleto.

A maioria (11) dos filhos era do sexo masculino. A condição de amamentação de todos os filhos, no momento da entrevista, será trazida nas falas dos seus pais. Destaca-se o fato que somente dois dos filhos, ambos no 8º mês de vida, estavam mamando e receberam amamentação exclusiva até o 6º mês de vida, atendendo às recomendações da Organização Mundial da Saúde.6

Buscando os eixos norteadores da proposta

Na infância dos pais desse estudo, quando ocorreram conversas sobre amamentação na família, parece ter havido repercussões benéficas no período de duração da amamentação do filho de alguns pais, mas em outros, não existiram tais repercussões:

[...] ela [a mãe dele] falou que eu fui amamentado... (Davi 6; o filho, 6º mês de vida, estava mamando);

[...] minha avó disse pra mim que eu mamei muito pouco. (Diogo 10; o filho, 7º mês de vida, mamou até o 6º mês de vida);

[...] eu fui amamentado, isso eu sei porque minha avó sempre conversava com a gente. (Nilo 12; o filho, 6º mês de vida, mamou até o 3º mês de vida).

Porém, quando os pais relataram que não havia conversa sobre o aleitar, na época de criança, a amamentação do filho foi interrompida precocemente:

[...] em casa eu acho que não falava não. (Vítor 8; a filha, 7º mês de vida, mamou até o 3º mês de vida);

[...] conversas sobre amamentação não tô lembrado... (André 9; o filho, 8º mês de vida, mamou até o 1º mês de vida).

Quando os pais, durante a infância, tiveram aula sobre aleitamento materno ou não, a condição encontrada de amamentação do filho, em ambas as situações de ensino, foi a mesma, pois os filhos continuavam mamando:

[...] na minha época de colegial, sempre falou que era muito importante a amamentação. (Luiz 11; a filha, 6º mês de vida, estava mamando);

[...] na escola conversava não. (Simão 16; o filho, 8º mês de vida, estava mamando).

Observamos através destes recortes de falas que as conversas em família sobre amamentação eram pautadas apenas em informações, se os pais tinham sido amamentados ou não. Em nenhuma das falas foi percebido conteúdo mais abrangente, enfatizando a importância e as vantagens dessa prática para a família. Isto é afirmado por José 3 (o filho, 8º mês de vida, estava mamando), quando ele mencionou:

[...] minha mãe falou que eu mamei até um ano, um ano e meio. Só isso!

No cenário escolar o tema amamentação quase foi esquecido. Também, o conteúdo ministrado sobre o tema referido não foi lembrado pelos pais.Assim, questionamos: será que o amamentar foi contextualizado nas diversas vertentes que o assunto exige, associando-o aos diferentes momentos da vida?

A família é um espaço social onde aprendemos a falar, a interagir, vivenciamos as etapas do ciclo vital, incluindo as fases da saúde reprodutiva e consequentemente, a amamentação. Também, captamos os significados impostos pela sociedade.24 Assim, a família prescreve e reproduz os padrões de comportamento atribuídos aos meninos e as meninas.25 Nesse sentido, a escola, além de reproduzir, produz esses comportamentos que foram construídos socialmente, criando dois mundos dicotômicos, um para o homem e outro para a mulher, os quais são internalizados pelas crianças de ambos os sexos, no espaço escolar.26 Na construção desses mundos encontra-se a amamentação, prática que pertence exclusivamente à mulher.27,28 Essa visão é decorrente dos acontecimentos presentes durante o percurso da descoberta da paternidade, impulsionando o homem a rejeitar aqueles cuidados realizados por mulheres.15

Então, as informações obtidas mostraram que tanto a família como a escola não conseguiram olhar o processo da amamentação de outra forma. As conversas familiares e os ensinamentos ficaram no plano da superficialidade, sem trazer questões que pudessem desconstruir o que foi construído. Continuaram repassando que os homens não fazem parte do mundo em que está inserido o amamentar.

O conhecimento sobre leite materno e amamentação, de todos os pais desse estudo, foi centrado na saúde da criança:

[...] sei que a criança deve mamar... isso faz bem para a saúde dele [filho] né? (João 2; o filho, 8º mês de vida, estava mamando);

O leite materno, eu sei que é muito importante na vida da criança. (Tiago 13; o filho, 7º mês de vida, nunca mamou).

Apenas três pais tentaram dizer alguma coisa sobre as vantagens para a mulher:

[...] pra mãe eu não sei lhe informar... qual a vantagem... mas deve ter alguma vantagem com certeza. (Raul 4; a filha, 8º mês de vida, mamou até o 6º mês de vida);

[...] traz... vantagens... para a mãe... se ela se alimentar bem para ter bastante leite para a criança. (Igor 5; o filho, 8º mês de vida, mamou até o 3º mês de vida);

[...] traz vantagens... se a mulher nasceu para amamentar então deve ter alguma vantagem na fisiologia da mulher... (Tomé 17; a filha, 8º mês de vida, mamou exclusivo até o 6º mês de vida).

Mais uma vez foi trazido à tona o discurso científico da amamentação, iniciado no século XIX, divulgado com veemência pelos profissionais que trabalham na área de saúde, sobre a importância dessa prática, de mão única, direcionada à criança.6 Desta forma, é selado que no amamentar existem tão somente dois personagens: o filho e a mãe. Este último, por possuir os peitos, de onde é jorrado o leite. E o pai? Ele é o excluído.23,28 Esse sentimento foi ressaltado pelos casais desse estudo:

[...] eu senti meio escanteado... (Tomé 17; a filha, 8º mês de vida, estava mamando);

[...] sente um pouco de rejeição... eu acho que ele sente um pouco excluído. (Lívia 17; a filha, 8º mês de vida, mamou exclusivo até o 6º mês de vida).

Essa exclusão foi se processando durante as organizações familiares, ao longo da evolução da humanidade,15 sendo edificado o “machão”, modelando as condutas sociais do homem e da mulher, visualizadas como opostas.29

Alicerçadas por este paradigma, constatamos, pelas falas dos pais, que a amamentação continua sendo delineada pelos profissionais de saúde na dimensão biológica, fato internalizado e reproduzido pelos homens, que pode contribuir na interrupção precoce do aleitamento materno.

Também, parece não haver políticas públicas e de saúde, nas empresas de trabalho e nos serviços de saúde, que promovam no dia-a-dia, na prática, o incentivo e/ou ofereçam condições à participação do pai nas fases do ciclo grávido-puerperal.Tanto é, que a maioria dos pais desse estudo não teve a oportunidade de vivenciar a assistência pré-natal e ao nascimento do filho, em pleno século XXI:

[...] eu não assisti não o parto... eles [profissionais de saúde] não deram permissão quando eu fui levar ela [esposa] para descansar... (Tiago 13; o filho, 7º mês de vida, nunca mamou).

Quando algum deles participou da consulta prénatal, não existiram ações para envolvê-lo:

Fui umas duas vezes no pré-natal... ficava só ouvindo o que a médica tinha pra falar pra ela [esposa]... eu ficava lá do lado... não falava nada, ficava só olhando. (Raul 4; a filha, 8º mês de vida, mamou exclusivo até o 5º mês de vida).

Além disso, inseridos nesta pouca vivência dos pais, onde os profissionais de saúde perderam a oportunidade de desmistificar alguns postulados patriarcais e de orientá-los sobre o acolhimento à companheira nestas fases da saúde reprodutiva os pais ainda mostraram alguns comportamentos que podem dificultar o sucesso da amamentação:

[...] eu sempre aviso... eu tô sempre no pé dela [esposa]... eu insisto pra ela dar, pra ela botar o peito pra ele [filho] todinho... o importante é dar de mamar a criança. (José 3; o filho, 8º mês de vida, mamou exclusivo até o 3º mês de vida).

Ainda em relação ao comportamento do pai, com exceção de três casais, o papel de provedor financeiro foi apresentado, nas falas do homem ou da mulher, como uma das maneiras de ser participante do processo da amamentação:

[...] a minha participação eu achei muito importante... cuidava muito da alimentação dela, no tipo de comida... (Rui 7; o filho, 7º mês de vida, nunca mamou exclusivo);

[...] compra tudo que eu quero comer, doce, um monte de coisa, chocolate, tudo! Tudo que dá leite.(Rita 3; o filho, 8º mês de vida, estava mamando).

Percebemos que esses comportamentos autoritários, sem iniciativa para cuidar do outro e mantenedor das necessidades alimentares, emergidos das falas dos casais, foram instituídos nos primórdios da organização social, solidificando-se com o surgimento do sistema patriarcal e estabelecendo a autoridade absoluta e soberana do pai, segregando-o, assim, dos cuidados com os filhos.15

Portanto, é preciso que esta construção social determinada pelas características físicas e reprodutivas do homem e da mulher seja demolida.18 Neste enfoque, acreditamos que essa transformação deve ser iniciada nos contextos familiar, escolar e nas instituições de saúde, despertando nas pessoas, de ambos os sexos, em quaisquer dos momentos do ciclo vital, que o amamentar é multidimensional,podendo ser vivenciando por todos aqueles, independente de ser homem ou de ser mulher, que mantêm vínculo com a mãe e o filho, através do envolvimento, acolhimento, escuta, compreensão e processo de ajuda.

Nesta nova construção é preciso entender a linguagem dos sentimentos: o que perpassa nesse mundo? Quais são os significados? Quais as reações do que está sendo vivido? Quais os pensamentos que estão guiando o comportamento dos atores envolvidos no processo da amamentação? Como um percebe o outro e vice-versa na vivência do amamentar?

Nesse estudo observamos que a maioria dos casais expressou que o comportamento do pai foi envolvido por sentimentos especiais (alegria, felicidade, emoção, afeto, atenção, carinho, prazer...);porém outros sentimentos também foram percebidos:

[...] dar de mamar acho que mexeu muito com ela [esposa] né, porque assim que começou a criar leite ela ficava dolorida... foi ficando doloroso... pra mim também, em ver o sofrimento dela... (Raul 4; a filha, 8º mês de vida, mamou exclusivo até o 5º mês de vida);

[...] a amamentação deforma [mamas] viu. Negócio feio.(Lucas 15; o filho, 6º mês de vida, estava mamando).

Esses sentimentos de que o ato de amamentar “é fisicamente prejudicial para a mãe”,30 que proporciona o enfraquecimento no corpo da mulher e pode trazer prejuízo a sua beleza física, como por exemplo, a deformação das mamas, pode, mesmo nos dias atuais, contribuir para a interrupção precoce e/ou ocasionar dificuldades no decorrer dessa prática.

O sentimento de inveja foi experimentado para aliviar a dor da companheira ou para atender a necessidade do filho:

[...] percebi inveja. Quando eu tava com dor nos pontos eu fazia ‘aí meu Deus', ele dizia: ‘se eu pudesse eu dava de mamar, mas como eu não posso infelizmente tem que ser você'. (Rosa 12; o filho, 6º mês de vida, mamou exclusivo até o 1º mês de vida);

[...] passou na minha mente inveja... na hora em que ela estava muito cansada e não tinha condições de dar de mamar e ele [filho] queria mamar. Eu dizia, queria eu ter peito agora com leite pra dar pra ele. (Rui 7; o filho, 7º mês de vida, estava mamando).

A respeito disso, podemos inferir que a inveja pode eclodir para mascarar a incompetência do outro, sendo desvelada nesse estudo, pela presença do leite excretado somente pelo peito da companheira, o que demonstra a impotência do homem, determinada, até então, pela natureza. Este significado pode ser a porta ao desmame precoce, uma vez que a tradição cultural impõe que o homem é superior a mulher, sendo uma marca processada no decorrer das organizações sociais e na descoberta da paternidade.15 Esse estado “de ser superior” é então forte que em um dos estudos consultados18 encontramos a seguinte citação: “quando amamenta, a mãe é o ‘homem'ativo, que alimenta o bebê, enquanto a criança é a ‘mulher' passiva, que recebe o seio materno”.

Ainda nesse contexto, quando indagamos às mulheres “o que você fez para que o seu companheiro se envolvesse com o processo da amamentação?”, além da expressão facial de algo espantoso, mais da metade (9) respondeu:

[...] eu acho que eu nem fiz nada. (Lea 2; o filho, 8º mês de vida, mamou exclusivo até o 6º mês de vida);

[...] eu não fiz nada. (Inez 8; a filha, 7º mês de vida, mamou exclusivo até o 2º mês de vida), como também, Alice 10 (o filho, 7º mês de vida, mamou exclusivo até o 6º mês de vida) e Júlia 16 (o filho, 8º mês de vida, mamou exclusivo até o 3º mês de vida); ou falaram simplesmente “nada” (Luzia 14; a filha, 6º mês de vida, mamou exclusivo até o 2º mês de vida).

Contrapondo-se à inércia dessas mulheres, alguns homens se introduziram no amamentar por si próprios:

[...] ele como é muito curioso... ele quer saber, aí ele mesmo se introduziu. Ele mesmo quis saber das coisas... mas o fato de eu pedir para ele se interessar não, ele mesmo que se interessava. Ele mesmo que procurava saber das coisas. (Rosa 12; o filho, 6º mês de vida, mamou até o 3º mês de vida).

Entre as mulheres que mencionaram ter feito alguma coisa, uma destacou nas suas ações a responsabilidade do homem em prover os recursos necessários para a manutenção da família:

[...] mandava ele comprar as coisas. (Rita 3; o filho, 8º mês de vida, mamou exclusivo até o 3º mês de vida).

A partir disso, questionamos: o que levou as mulheres, de forma consciente ou inconsciente, a manterem-se no seu mundo sem implementar ações que incluíssem os companheiros no amamentar? Quais os significados que poderão advir dessa questão?

Talvez esses posicionamentos das mulheres, durante o processo da amamentação, estejam fundamentados nos preceitos da teoria do instinto materno, que exclui o pai da relação mãe-filho e reforça que a mãe é a única capaz de cuidar dos filhos.31 Nessa relação existe o poder do leite materno referendado pela literatura científica1,2 e naturalmente, se insere o poder dos peitos. Isto nos leva a pensar que a construção do amamentar também foi pautada dentro de uma relação de poder. Tal poder, exclusivo da mulher, até então, empodera esse ser, demonstrando a sua superioridade perante os homens. Então, por que compartilhar esse poder já que os homens têm tantos outros sacramentados quando lhes foi dado o espaço público?

Acreditamos, portanto, que essas atitudes femininas, de proteger o seu poder, estejam dificultando ao homem a participação nessa prática milenar, pois a literatura relata que a inserção do pai na maternagem depende da vontade da mãe.30,31 Tal afirmação nos leva a buscar uma resposta para a manutenção de terrenos socioculturais diferentes para o homem e para a mulher ainda hoje haja vista que cabe à mulher, quase exclusivamente, protagonizar a criação dos filhos. Pensamos então que o monopólio materno, uma defesa cultural, pode trazer dificuldades ao homem para participar do amamentar. Sem dúvida, é preciso começar a fazer algo, buscando outros caminhos para o homem também ser protagonista do amamentar. Corroborando esse pensamento, um dos pais mencionou:

[...] seria interessante que ele [o homem]... as coisas, os pensamentos mudassem, as pessoas procurassem ser companheiro, acima de tudo, independente de qualquer coisa. (Nilo 12; o filho, 6º mês de vida, mamou exclusivo até o 1º mês de vida).

Para iniciar esse novo caminho, todos os homens e mulheres desse estudo opinaram que o pai deveria participar do processo da amamentação, embora se destaque na fala de um dos pais a seguinte colocação:

[...] tem muita gente por aí que realmente é machista. Não, não faz isso não, porque é coisa, serviço de mulher... problema dela. (Nilo 12; o filho, 6º mês de vida, mamou até o 3º mês de vida).

Então, para modificar esse cenário, os casais fizeram sugestões para inserir o pai no amamentar, agrupadas pelos direcionamentos apontados abaixo:

  • Participação do pai desde o pré-natal

    [...] acompanhar a mulher no período da gravidez... pai tem uma reuniãozinha para aprender algumas coisas para quando a mulher tiver com dificuldade... (Igor 5; o filho, 8º mês de vida, mamou até o 3º mês de vida);

    [...] fazer o pré-natal também, né? (Dalva 15; o filho, 6º mês de vida, mamou exclusivo até o 1º mês de vida);

  • Ações do profissional voltadas para o envolvimento do pai

    O homem não tem leite, mas ele pode incentivar... se você [profissional] incentivar os pais chegam, né? Ensinar como faz... tem que falar como tem que fazer para incentivar esse negócio de leite, porque a pessoa não vai entrar assim sem saber o que está fazendo. (Tiago 13; o filho, 7º mês de vida, nunca mamou);

  • Ampliação do conhecimento sobre amamentação

    [...] devia ter mais, assim, palestras nas ruas... explicar mais no posto...(Maria 1; a filha, 7º mês de vida,nunca mamou exclusivo);

    [...] seria muito interessante se houvesse um local que tivesse palestras de preferência só com os homens para ele ficar consciente da importância desse companheirismo, dessa cumplicidade. (Nilo 12; o filho, 6º mês de vida, mamou exclusivo até o 1º mês de vida);

    [...] a princípio é orientar... aquele mesmo processo que você passou na infância com os seus pais... é um seguimento. Eu crio ela [filha] na educação que eu tive, como eu fui criado, então... eu acho assim que tivesse mais projeto, programa feito esse [a pesquisa] para orientar mais as pessoas... de periferia para as pessoas se conscientizarem em relação à amamentação. (Artur 14; a filha, 6º mês de vida, mamou até o 3º mês de vida);

  • Estratégias para envolver o pai

    Então eu acho que tem que ter um programa voltado para o homem participar tanto da amamentação quanto da gestação... Só esse trabalho de levar ele pra o curso, aquela coisa não. Ele tem que sentir, perceber que tudo é muito difícil para a mulher, e ela tem que ter o apoio total dele, emocional e físico também... (Carla 7; o filho, 7º mês de vida, estava mamando);

  • Ações da companheira para envolver o companheiro no amamentar

    [...] que elas [esposas] falassem, elas se comunicassem com os seus maridos, dissessem o motivo da amamentação, explicassem tudo o que é importante sobre amamentação. (Rosa 12; o filho, 6º mês de vida, mamou exclusivo até o 1º mês de vida).

  • Ações de acolhimento durante o amamentar

    [...] incentivasse ao máximo à mulher a amamentar... cuidasse da saúde da mulher, né?... ajudar tanto em casa como a própria companheira... segurar o bebê, esse tipo de coisa assim... (Joana 4; a filha, 8º mês de vida, mamou até o 6º mês de vida);

    [...] que fique mais em casa... pra dar mais força... Assim eu acho que ele perto da gente dá mais confiança, eu acho. (Aline 5; o filho, 8º mês de vida, mamou exclusivo até o 3º mês de vida);

    [...] tem que ter paciência, ajudar a mulher a dar melhor a amamentação, dar uma boa alimentação pra ela [esposa]... tem que ter o carinho dele [esposo] tem que ter o apoio de tudo. (Nara 6; o filho, 6º mês de vida, mamou exclusivo até o 5º mês de vida);

    [...] o homem deve ser mais companheiro da mulher pra participar. Ta junto na hora da precisão, quando precisar, por exemplo, quando eu tava dando de mamar a ele [filho], ‘me dá um pano aí' é ele tá junto quando precisar... (Sônia 9; o filho, 8º mês de vida, nunca mamou exclusivo);

    [...] é muito bom o pai saber como é que se passa para amamentar um filho... ajudar a criança a mamar, ajeitar... a criança... ele pegava ela [filha] tirava do meu peito colocava no braço e acalmava e trazia de novo e colocava no peito, era quando ela [filha] tava agitada... (Vânia 11; a filha, 6º mês de vida, mamou exclusivo até o 5º mês de vida);

    [...] acho que deve dar uma força a mulher. (Ana 13; o filho, 7º mês de vida, nunca mamou).

  • Licença paternidade

    [...] mudar o código trabalhista, né? Porque a esposa tem os quatro meses em casa e o marido não tem... (Pedro 1; a filha, 7º mês de vida, mamou até o 4º mês de vida).

Construindo a proposta

Partindo da inexistência de um trabalho efetivo com a figura masculina em relação à amamentação em Pernambuco, dos significados e sugestões originadas dos conteúdos manifesto das falas dos casais desse estudo, bem como tendo por âncora a construção histórica, social e cultural da paternidade,15,23 passaremos a construir uma proposta de intervenção para envolver o pai no processo da amamentação, centrada nos três eixos encontrados – família, escola e instituição de saúde – através da implantação do ambulatório de amamentação: consulta à família do pré-natal aos seis meses de vida da criança, e da socialização de meninos e meninas pró-amamentação.

A implantação do ambulatório de amamentação dar-se-á em um hospital escola, em Recife, com o objetivo de desenvolver mudanças de atitudes do companheiro, companheira e/ou familiares nas vivências/experiências durante o processo da amamentação, centradas nos princípios da humanização, encorajando o aleitamento materno, ampliando o atendimento aos atores envolvidos nesta fase de vida.

Neste contexto, serão realizadas atividades direcionadas à escuta dos inúmeros fatores que permeiam esta prática milenar, durante a consulta à família, no ambulatório e na residência do casal,desde o pré-natal até os seis meses de vida do bebê, com vistas a oferecer ferramentas que poderão sensibilizar o pai e os familiares no acolhimento da mulher durante o processo da amamentação. Para isso, propomos implementar as seguintes diretrizes:

Ações educativas

Construir metodologias ativas e participativas na construção de conhecimentos e valores positivos sobre amamentação; realizar orientações ao companheiro e/ou familiares sobre os fatores que contribuem para o sucesso da amamentação; dirimir dúvidas e responder os questionamentos surgidos nas consultas e visitas no domicílio; realizar discussão em grupo com homens para que eles possam verbalizar seus pensamentos e sentimentos, diante da condição de ser pai, construindo maneiras de se envolver com as fases da saúde reprodutiva, incluindo o amamentar; realizar discussão em grupo com mulheres, com a finalidade de buscar caminhos, a partir das vivências/experiências delas, para que possam envolver o companheiro no processo da amamentação; construir cartilha ao público masculino e feminino contendo ações para que o pai possa ser também protagonista do amamentar.

Consulta ao casal grávido, a nutriz, companheiro e/ou familiares

Realizar anamnese voltada para os aspectos de interesse à amamentação (antecedentes familiares, história de vida pregressa, vivências e experiências, sexualidade, medicamentos prescritos, planejamento da gravidez, conhecimentos adquiridos, predisposição ou não do casal para amamentar, rede de apoio no ciclo grávido-puerperal, dados referente ao parto, pós-parto e recém-nascido); examinar as mamas, observando as modificações ocorridas e explicar ao casal e/ou familiar a importância dessas modificações e a fisiologia da lactação; orientar os cuidados que deverão ser realizados durante o período gestacional; observar o comportamento do casal e/ou familiar diante do amamentar; avaliar o posicionamento e pega. As consultas subsequentes terão como ponto de partida as orientações pautadas nas necessidades identificadas, na prática do amamentar, enfatizando a importância do envolvimento do companheiro e dos familiares no aleitar.

Visita domiciliar à gestante, nutriz, companheiro e/ou familiares

Realizar visita no domicílio, verificando o envolvimento do companheiro, familiares e de outros membros da rede de apoio no processo da amamentação, promovendo orientações de acordo com as necessidades identificadas; examinar as mamas, se necessário; observar o posicionamento e a pega;observar a higiene ambiental; observar recém-nascido; fazer encaminhamentos, se necessário.

A Socialização de Meninos e Meninas Pró-amamentação será implementada em uma escola de ensino fundamental e médio, tendo como atores os professores, alunos/alunas e seus pais. O objetivo é contextualizar as vivências/experiências de cada um em torno do aleitar, para que possamos criar uma nova cultura da amamentação, anunciada pelo sentimento de pertencimento do amamentar, expresso tanto pelo homem como pela mulher, para que no futuro haja cenários diferentes deste:

[...] meus amigos que eu acompanho... eu vejo que eles não se preocupam [com a amamentação], existe um machismo, muito machista, da parte deles. Eles pensam assim, eu já fiz a minha parte agora ela [esposa] que faça a parte dela... (Artur 14; a filha, 6º mês de vida, mamou exclusivo até o 2º mês de vida).

Neste sentido propomos realizar as atividades a seguir:

Ações educativas

Realizar discussões em grupo, conduzidas por metodologias participativas, com professores e pais dos alunos sobre a participação do pai no processo da amamentação, visando inventariar os conhecimentos e significados desse tema, para que através dessas informações todos os atores possam encontrar caminhos guiados pela complementariedade e conjugalidade de ações entre o casal em prol do aleitar; construir cartilha destinada ao público infantil, contendo informações sobre amamentação e ações para incluir o pai nessa prática;

Oficinas lúdicas

Realizar com os alunos/alunas dessa escola atividades lúdicas para apreender os significados e sentimentos sobre amamentação e a inclusão do pai nessa prática. A partir desse cenário construído iremos buscar maneiras de o pai se envolver no aleitar;

Concurso de frases

Mobilizar alunos/alunas à criação de slogan que invoque o pai a ser partícipe da amamentação;

Feira Participe Pró-Amamentação

Apresentar à comunidade escolar os trabalhos desenvolvidos nas oficinas e os resultados do concurso de frases sobre as diferentes maneiras de incluir o pai no amamentar.

 

Considerações finais

Na busca dos eixos norteadores à construção da proposta de intervenção no acolhimento do homem no processo da amamentação, percebemos que as informações fornecidas pelos casais, no cenário escolar, familiar e nas instituições de saúde, estavam impregnadas de significados desvelados nas construções culturais no decorrer da evolução da humanidade, que despojam o homem de fazer parte do espaço feminino. Também, verificamos que existiram comportamentos de pais que nos mostraram o querer deles em participar do amamentar.

Nesse contexto, a essência da proposta de intervenção foi construída no sentido de favorecer condições ao homem de vivenciar o amamentar, a partir da estruturação de um programa de saúde a ser implementado nas escolas e instituições de saúde. Para isso, a família é o ponto de partida, seguido da escola e instituições de saúde, que assistem ao casal no ciclo grávido puerperal e no amamentar.

Como se trata de uma proposta, faz-se necessário que seja implementada e avaliada continuamente pelos atores envolvidos no processo da amamentação, realizando as adequações para que seu objetivo seja atingido. Acreditamos que essa proposta contribua para mudanças na cultura da amamentação e, dessa maneira, reduza o desmame precoce.

 

Agradecimentos

Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)pelo financiamento do Projeto “Proposta de modelo intervencionista no processo da amamentação contextualizando a participação do companheiro”.

 

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Recebido em 27 de setembro de 2008
Versão final apresentada em 18 de agosto de 2009
Aprovado em 18 de setembro de 2009

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