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Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil

versão impressa ISSN 1519-3829versão On-line ISSN 1806-9304

Rev. Bras. Saude Mater. Infant. vol.19 no.2 Recife abr./jun. 2019  Epub 22-Jul-2019

http://dx.doi.org/10.1590/1806-93042019000200006 

ARTIGOS ORIGINAIS

Relação entre o estado nutricional pré-gestacional e o tipo de processamento de alimentos consumidos por gestantes de alto risco

Débora Cardoso Fernandes1 
http://orcid.org/0000-0003-2704-7549

Ioná Carreno2 
http://orcid.org/0000-0002-9872-217X

André Anjos da Silva3 
http://orcid.org/0000-0003-3714-3171

Tais Battisti Guerra4 
http://orcid.org/0000-0002-8303-8834

Fernanda Scherer Adami5 
http://orcid.org/0000-0002-2785-4685

1,4Universidade do Vale do Taquari. Lajeado, RS, Brasil.

2,3Centro de Ciências Médicas. Universidade do Vale do Taquari. Lajeado, RS, Brasil.

5Centro de Ciências Biológicas e da Saúde. Universidade do Vale do Taquari. Avelino Talini, 171. Bairro Universitário. Lajeado, RS, Brasil. CEP: 95.914-014. E-mail: fernandascherer@univates.br

Resumo

Objetivos:

relacionar o estado nutricional pré-gestacional, a idade materna e o número de gestações com a distribuição de macronutrientes e micronutrientes conforme o tipo de processamento dos alimentos consumidos por gestantes de alto risco.

Métodos:

estudo retrospectivo transversal, realizado a partir de dados de prontuários de 200 gestantes atendidas em um ambulatório público do Rio Grande do Sul, no período de 2014 a 2016.

Resultados:

a média de consumo em percentuais de lipídios, ácidos graxos monoinsaturados, poli-insaturados e sódio foi maior entre os alimentos ultraprocessados. Observou-se correlação significativamente inversa entre a idade materna e o consumo de calorias totais (p=0,003), percentuais de carboidratos (p=0,005) e proteínas (p=0,037) provenientes de alimentos ultraprocessados. Verificou-se também associação significativa entre o estado nutricional pré-gestacional e o consumo de calorias totais (p=0,018) e percentual de carboidrato (p=0,048) provenientes de alimentos ultraprocessados.

Conclusões:

a média de consumo em percentuais de lipídios, ácidos graxos monoinsaturados, poli-insaturados e sódio foi maior entre os alimentos ultraprocessados, verificou-se que quanto maior a idade materna da gestante de alto risco, menor é o consumo de calorias totais, percentuais de carboidratos e proteínas, oriundos dos alimentos ultraprocessados e identificou-se também que o estado nutricional pré-gestacional possui associação significativa com o consumo de calorias totais e percentual de carboidrato provenientes de alimentos ultraprocessados.

Palavras-chave Gravidez de alto risco; Saúde materna; Comportamento alimentar

Introdução

A gestação é o período em que as necessidades nutricionais tornam-se aumentadas, devido às adequações fisiológicas no organismo materno e ao desenvolvimento fetal. Por isso, a disponibilidade adequada de nutrientes e a alimentação balanceada são fundamentais para esta fase da vida.1 Durante a gravidez, tanto a mãe quanto o feto podem enfrentar riscos de saúde, tornando a fase uma gestação de risco,2 na qual as consequências mais comuns são o parto prematuro, a gestação prolongada, a pré-eclâmpsia e a eclampsia, além de hemorragias, diabetes gestacional, insuficiência istmo-cervical e até o óbito do feto.3

Os hábitos alimentares das gestantes, quando inadequados, potencializam o fator de risco para a gestação4 e possuem forte impacto nos desfechos obstétricos e nas características clínicas do recém-nascido.5 Por esse motivo, é necessário que a futura mãe tenha conhecimento de seu estado nutricional pré-gestacional, de sua ingestão alimentar e, principalmente, da qualidade dos alimentos que consome.6

O Guia Alimentar da População Brasileira classificou os alimentos conforme o tipo de processamento, sendo os alimentos in natura aqueles obtidos da natureza e que não passam por nenhum tipo de processamento. Os minimamente processados são os alimentos in natura que passam por algum tipo de processamento para limpeza, retirada de partes não desejadas, moagem, secagem, pasteurização, entre outros. Os processados são os alimentos in natura ou minimamente processados quando adicionados de algum ingrediente (açúcar, sal ou alguma substância utilizada na culinária) para melhorar o sabor ou aumentar sua durabilidade. Já os ultraprocessados, são aqueles que passam por diversos tipos de processamento e que são adicionados em formulações industriais.7

O consumo diário de alimentos in natura e minimamente processados está relacionado à prevenção de doenças.8 O consumo dos alimentos processados e ultraprocessados, por sua vez, devido às modificações em sua composição nutricional, está relacionado ao desencadeamento de doenças crônicas. Isso explica a importância das gestantes priorizarem os alimentos naturais, diminuírem o consumo de processados e evitarem os industrializados.9

Os hábitos e as escolhas saudáveis, além de minimizar os riscos gestacionais, potencializam a qualidade de desenvolvimento do feto e do estado nutricional materno.10 Com isso, e diante da escassez de publicações que tratem sobre a relação do estado nutricional de gestantes com o tipo de processamento do alimento consumido, este trabalho teve como objetivo relacionar o estado nutricional pré-gestacional, a idade materna e o número de gestações com a distribuição de macronutrientes e micronutrientes conforme o tipo de processamento dos alimentos consumidos por gestantes de alto risco.

Métodos

Trata-se de um estudo retrospectivo, transversal e de natureza quantitativa, realizado a partir de dados de prontuários de 300 gestantes de alto risco. Foram incluídas no estudo as gestantes de alto risco, com faixa etária de 15 a 45 anos, encaminhadas e atendidas no período de 2014 a 2016 por apresentarem comorbidades como hipertensão arterial, diabetes mellitus, hipotireodismo, toxoplasmose e obesidade, em um ambulatório público localizado no interior do Rio Grande do Sul. Foram excluídos 100 prontuários que não apresentavam os dados completos sobre o recordatório alimentar de 24 horas de um dia e informações referentes ao estado nutricional pré-gestacional, à idade e ao número de gestações, totalizando 200 prontuários selecionados para esta análise. O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa sob protocolo número 1.591.097 e CAAE número 55981216.3.0000.5310.

O estado nutricional pré-gestacional foi mensurado por meio do índice de massa corporal (IMC) e sua classificação foi realizada a partir das referências da Organização Mundial da Saúde, datadas de 1998, que preconizam: desnutrição (<18,5 kg/m2), eutrofia (≥18,5 e ≤24,9 kg/m2), sobrepeso (≥25,0 e ≤29,9 kg/m2), obesidade grau I (≥30,0 e ≤34,9 kg/m2), obesidade grau II (≥35,0 e ≤39,9 kg/m2) e obesidade grau III (≥40,0 kg/m2).11

Os recordatórios alimentares de 24 horas das gestantes foram calculados no software DietWin ® versão 2008, indicando calorias totais, consumo de carboidratos, proteínas, lipídios, sódio, ácidos graxos monoinsaturados, poli-insaturados e saturados do total de alimentos consumidos. Posteriormente, as calorias e os percentuais de cada macronutriente e cada micronutriente acima citados foram calculados conforme a classificação de cada alimento, de acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira, que denomina os alimentos em: in natura, minimamente processado, processado e ultraprocessado.7

Para a análise estatística, foram utilizados o teste de Kruskal-Wallis e a análise de correlação de Pearson. Os resultados foram considerados significativos a um nível de significância máximo de 5%; o software utilizado para as análises foi o SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) versão 22.0.

Resultados

A idade média das gestantes foi de 29,64 ± 6,82, do número de filhos 1,92 ± 1,04 e o número de gestações 2,49 ± 1,5. Em relação aos percentuais de calorias totais provenientes dos diferentes tipos de processamento consumidas pelas gestantes de alto risco, 47,21% foram referentes aos alimentos in natura/minimamente processados, 38,07% aos alimentos ultraprocessados e 14,72% aos alimentos processados.

Conforme Tabela 1, observou-se maior média de calorias totais, de percentuais de carboidratos, proteínas e ácidos graxos saturados consumidos, como provenientes dos alimentos in natura/minimamente processados, seguida pelos ultraprocessados e pelos processados. Já a média dos percentuais de lipídios, ácidos graxos monoinsaturados e poli-insaturados foi maior entre os alimentos ultraprocessados, seguida pelos in natura/minimamente processados e pelos processados. Em relação ao percentual de sódio, percebeu-se maior média entre os alimentos ultraprocessados, seguida pelos processados e pelos in natura/minimamente processados.

Tabela 1 Caracterização do consumo de quilocaloria total, percentual de carboidrato, proteína, lipídio, ácido graxo monoinsaturado, ácido graxo poli-insaturado, ácido graxo saturado e sódio provenientes dos alimentos in natura / minimamente processados, processados e ultraprocessados, de gestantes de alto risco. 

Variável n Mínimo Máximo X̄ ± DP
Kcal total in natura / minimamente processado 200 35,01 2045,68 789,22 ± 378,27
Kcal total processado 200 0,00 2643,81 246,03 ± 291,98
Kcal total ultraprocessado 200 0,00 3153,70 636,60 ± 557,40
% HC total in natura / minimamente processado 200 3,45 100,00 50,47 ± 23,43
% HC total processado 200 0,00 77,34 16,32 ± 15,55
% HC total ultraprocessado 200 0,00 96,55 33,21 ± 25,26
% PTN total in natura / minimamente processado 200 0,00 100,00 63,74 ± 27,52
% PTN total processado 200 0,00 74,81 11,82 ± 15,14
% PTN total ultraprocessado 200 0,00 97,23 24,44 ± 24,47
% LIP total in natura / minimamente processado 200 0,00 100,00 38,21 ± 26,41
% LIP total processado 200 0,00 75,29 12,44 ± 15,34
% LIP total ultraprocessado 200 0,00 99,63 49,35 ± 28,26
% MUFA total in natura / minimamente processado 200 0,00 100,00 42,92 ± 31,91
% MUFA total processado 200 0,00 100,00 11,61 ± 18,10
% MUFA total ultraprocessado 200 0,00 100,00 45,46 ± 32,26
% PUFA total in natura / minimamente processado 200 0,00 100,00 30,54 ± 31,86
% PUFA total processado 200 0,00 100,00 15,55 ± 21,75
% PUFA total ultraprocessado 200 0,00 100,00 53,91 ± 35,87
% SFA total in natura / minimamente processado 200 0,00 100,00 45,10 ± 29,08
% SFA total processado 200 0,00 98,04 12,29 ± 17,33
% SFA total ultraprocessado 200 0,00 100,00 42,61 ± 28,90
% Sódio total in natura / minimamente processado 200 0,00 100,00 22,48 ± 25,68
% Sódio total processado 200 0,00 92,96 29,09 ± 27,33
% Sódio total ultraprocessado 200 0,00 99,89 48,43 ± 31,72

Kcal = quilocaloria; HC = carboidrato; PTN = proteína; LIP = lipídio; MUFA = ácido graxo monoinsaturado; PUFA = ácido graxo poli-insaturado; SFA = ácido graxo saturado; DP = Desvio-padrão.

Verificou-se também correlação direta (Tabela 2) entre a idade e o percentual de carboidratos proveniente dos alimentos in natura/minimamente processados (p=0,013). Também observou-se correlação significativamente inversa entre a idade e o consumo de calorias totais, percentuais de carboidratos e proteínas oriundos de alimentos ultraprocessados (p=0,003, p=0,005 e p=0,037), respectivamente.

Tabela 2 Associação do número de gestações, idade e estado nutricional pré-gestacional com o consumo de quilocaloria total, percentual de carboidrato, proteína, lipídio, ácido graxo monoinsaturado, ácido graxo poli-insaturado, ácido graxo saturado e sódio provenientes dos alimentos in natura/ minimamente processados, processados e ultraprocessados, de gestantes de alto risco. 

Variável Número de Gestações Idade (anos) IMC Pré-Gestacional (kg/m2)
r p r p r p
Kcal total in natura / minimamente processado -0,069 0,338 0,017 0,808 -0,110 0,124
Kcal total processado -0,119 0,096 -0,019 0,792 -0,057 0,424
Kcal total ultraprocessado -0,057 0,430 -0,211 0,003 0,039 0,586
% HC total in natura / minimamente processado 0,059 0,411 0,177 0,013 -0,047 0,510
% HC total processado -0,120 0,093 0,053 0,458 -0,011 0,876
% HC total ultraprocessado 0,018 0,798 - 0,198 0,005 0,051 0,480
% PTN total in natura / minimamente processado 0,021 0,770 0,084 0,242 -0,095 0,181
% PTN total processado -0,081 0,257 0,089 0,214 0,111 0,120
% PTN total ultraprocessado 0,027 0,711 -0,149 0,037 0,040 0,574
% LIP total in natura / minimamente processado 0,020 0,776 0,103 0,149 -0,111 0,118
% LIP total processado -0,025 0,726 0,068 0,344 0,091 0,203
% LIP total ultraprocessado -0,005 0,939 -0,133 0,063 0,055 0,442
% MUFA total in natura / minimamente processado -0,001 0,986 0,051 0,480 -0,120 0,093
% MUFA total processado -0,037 0,605 0,081 0,259 0,126 0,076
% MUFA total ultraprocessado 0,022 0,758 -0,095 0,183 0,048 0,499
% PUFA total in natura / minimamente processado 0,025 0,731 0,074 0,303 -0,121 0,089
% PUFA total processado -0,049 0,496 0,076 0,287 0,087 0,223
% PUFA total ultraprocessado 0,008 0,914 -0,111 0,119 0,055 0,444
% SFA total in natura / minimamente processado -0,010 0,885 0,004 0,952 -0,129 0,069
% SFA total processado -0,065 0,365 0,096 0,181 0,113 0,114
% SFA total ultraprocessado 0,049 0,491 -0,062 0,387 0,064 0,374
% Sódio total in natura / minimamente processado -0,015 0,832 0,048 0,503 -0,052 0,466
% Sódio total processado -0,118 0,099 0,061 0,393 -0,040 0,577
% Sódio total ultraprocessado 0,114 0,111 -0,092 0,199 0,076 0,284

IMC= índice de massa corporal; Kcal = quilocaloria; HC = carboidrato; PTN = proteína; LIP = lipídio; MUFA = ácido graxo monoinsaturado; PUFA = ácido graxo poli-insaturado; SFA = ácido graxo saturado; análise de correlação de Pearson; p≤0,05.

Observou-se ainda correlação entre o estado nutricional pré-gestacional e o percentual de proteína proveniente de alimentos in natura/minimamente processados (p=0,021). As gestantes com obesidade grau III apresentaram consumo em percentual de proteína proveniente de alimentos in natura/minimamente processados, significativamente inferior em relação às gestantes com sobrepeso ou obesidades grau I e II. Identificou-se também associação entre o estado nutricional pré-gestacional e o consumo de calorias totais (p=0,018) e percentual de carboidratos (p=0,048) provenientes de alimentos ultraprocessados. As gestantes de alto risco com obesidade grau III e eutrofia apresentaram consumo de calorias totais e percentual de carboidratos provenientes de alimentos ultraprocessados significativamente superior em relação às gestantes com sobrepeso e obesidade grau II. Constatou-se, ainda, que as gestantes de alto risco com sobrepeso e obesidade grau II consumiram percentual inferior de proteína oriunda de alimentos ultraprocessados (p=0,024) quando comparado às gestantes com eutrofia ou obesidades grau I e III (Tabela 3).

Tabela 3 Associação do estado nutricional pré-gestacional com o consumo de quilocaloria total, percentual de carboidrato e proteína provenientes dos alimentos in natura / minimamente processados, processados e ultraprocessados, de gestantes de alto risco. 

Variável IMC n X̄ ± DP p
Kcal total in natura / minimamente processado Desnutrição 6 756,66 ± 305,64 0,209
Eutrofia 36 819,71 ± 365,94
Sobrepeso 52 803,50 ± 353,06
Obesidade Grau I 42 793,70 ± 374,48
Obesidade Grau II 29 872,28 ± 418,86
Obesidade Grau III 33 669,17 ± 403,55
Kcal total processado Desnutrição 6 247,39 ± 154,67 0,971
Eutrofia 36 330,42 ± 486,02
Sobrepeso 52 223,68 ± 242,00
Obesidade Grau I 42 216,28 ± 199,74
Obesidade Grau II 29 240,95 ± 269,20
Obesidade Grau III 33 222,14 ± 210,77
Kcal total ultraprocessado Desnutrição 6 813,50AB ± 845,61 0,018
Eutrofia 36 715,75B ± 501,80
Sobrepeso 52 492,10A± 481,62
Obesidade Grau I 42 679,99AB ± 517,07
Obesidade Grau II 29 457,13A± 346,46
Obesidade Grau III 33 874,19B ± 760,56
% HC total in natura/ minimamente processado Desnutrição 6 46,87 ± 26,43 0,102
Eutrofia 36 47,64 ± 23,42
Sobrepeso 52 54,60 ± 23,94
Obesidade Grau I 42 48,37 ± 22,40
Obesidade Grau II 29 58,43 ± 23,89
Obesidade Grau III 33 42,74 ± 20,92
% HC total processado Desnutrição 6 17,10 ± 10,52 0,997
Eutrofia 36 17,15 ± 18,04
Sobrepeso 52 16,55 ± 16,20
Obesidade Grau I 42 15,09 ± 13,63
Obesidade Grau II 29 16,99 ± 17,55
Obesidade Grau III 33 15,05 ± 13,04
% HC total ultraprocessado Desnutrição 6 36,03ab ± 28,93 0,048
Eutrofia 36 35,21AB ± 24,46
Sobrepeso 52 28,85A± 27,56
Obesidade Grau I 42 36,53ab ± 23,86
Obesidade Grau II 29 24,58A± 18,40
Obesidade Grau III 33 42,21B ± 26,52
% PTN total in natura / minimamente processado Desnutrição 6 65,16AB ± 31,56 0,021
Eutrofia 36 57,56AB ± 30,49
Sobrepeso 52 70,33A± 24,98
Obesidade Grau I 42 65,33A± 25,76
Obesidade Grau II 29 71,80A± 23,37
Obesidade Grau III 33 51,38B ± 28,00
% PTN processado Desnutrição 6 9,02 ± 5,02 0,914
Eutrofia 36 13,25 ± 17,01
Sobrepeso 52 10,42 ± 11,61
Obesidade Grau I 42 9,12 ± 9,60
Obesidade Grau II 29 9,79 ± 12,71
Obesidade Grau III 33 16,60 ± 22,09
% PTN total ultraprocessado Desnutrição 6 25,83AB ± 29,59 0,024
Eutrofia 36 29,19A± 27,21
Sobrepeso 52 19,24B ± 24,56
Obesidade Grau I 42 25,55A± 22,58
Obesidade Grau II 29 18,41B ± 18,03
Obesidade Grau III 33 32,03A± 26,35

IMC= índice de massa corporal; Kcal = quilocaloria; HC = carboidrato; PTN = proteína; DP = desvio-padrão

***Valores seguidos de mesma letra não diferem entre si; teste não paramétrico Kruskal-Wallis; p≤0,05.

Identificou-se que as gestantes com obesidade grau III consumiram percentuais inferiores de ácido graxo monoinsaturado (p=0,040) e saturado (p=0,034) oriundos de alimentos in natura/minimamente processados quando comparados às gestantes com obesidade grau II (Tabela 4).

Tabela 4 Associação do estado nutricional pré-gestacional com o consumo em percentual de lipídio, ácido graxo monoinsaturado, ácido graxo poli-insaturado e ácido graxo saturado provenientes dos alimentos in natura/ minimamente processados, processados e ultraprocessados, de gestantes de alto risco. 

Variável IMC n X̄ ± DP p
% LIP total in natura / minimamente processado Desnutrição 6 44,40 ± 35,93 0,080
Eutrofia 36 35,87 ± 25,15
Sobrepeso 52 42,72 ± 26,16
Obesidade Grau I 42 39,37 ± 27,06
Obesidade Grau II 29 43,31 ± 24,45
Obesidade Grau III 33 27,20 ± 25,47
% LIP total processado Desnutrição 6 12,04 ± 14,18 0,729
Eutrofia 36 11,03 ± 15,48
Sobrepeso 52 13,78 ± 14,33
Obesidade Grau I 42 10,61 ± 12,51
Obesidade Grau II 29 9,28 ± 12,72
Obesidade Grau III 33 16,01 ± 20,57
% LIP total ultraprocessado Desnutrição 6 43,56 ± 35,33 0,405
Eutrofia 36 53,10 ± 27,89
Sobrepeso 52 43,50 ± 29,17
Obesidade Grau I 42 50,02 ± 28,77
Obesidade Grau II 29 47,41 ± 26,51
Obesidade Grau III 33 56,78 ± 27,32
% MUFA total in natura/ minimamente processado Desnutrição 6 60,91AB ± 41,42 0,040
Eutrofia 36 37,32AB ± 31,02
Sobrepeso 52 48,1 3AB ± 29,74
Obesidade Grau I 42 43,85AB ± 32,57
Obesidade Grau II 29 51,03A ± 31,81
Obesidade Grau III 33 30,26B ± 30,55
% MUFA total processado Desnutrição 6 12,49 ± 15,87 0,742
Eutrofia 36 10,52 ± 17,68
Sobrepeso 52 11,47 ± 14,73
Obesidade Grau I 42 9,19 ± 13,93
Obesidade Grau II 29 7,72 ± 11,68
Obesidade Grau III 33 18,02 ± 28,45
% MUFA total ultraprocessado Desnutrição 6 26,61 ± 31,90 0,207
Eutrofia 36 52,16 ± 30,83
Sobrepeso 52 40,41 ± 32,23
Obesidade Grau I 42 46,96 ± 31,81
Obesidade Grau II 29 41,25 ± 31,05
Obesidade Grau III 33 51,72 ± 35,48
% PUFA total in natura / minimamente processado Desnutrição 6 53,65 ± 41,51 0,218
Eutrofia 36 26,47 ± 32,14
Sobrepeso 52 33,62 ± 31,34
Obesidade Grau I 42 32,98 ± 33,06
Obesidade Grau II 29 33,89 ± 34,16
Obesidade Grau III 33 20,90 ± 25,55
% PUFA total processado Desnutrição 6 14,06 ± 12,05 0,838
Eutrofia 36 14,59 ± 18,62
Sobrepeso 52 17,92 ± 24,48
Obesidade Grau I 42 12,80 ± 18,86
Obesidade Grau II 29 11,17 ± 18,06
Obesidade Grau III 33 20,50 ± 27,90
% PUFA total ultraprocessado Desnutrição 6 32,29 ± 41,83 0,414
Eutrofia 36 58,93 ± 33,45
Sobrepeso 52 48,45 ± 36,12
Obesidade Grau I 42 54,22 ± 35,51
Obesidade Grau II 29 54,94 ± 36,14
Obesidade Grau III 33 58,59 ± 38,18
% SFA total in natura / minimamente processado
Desnutrição 6 54,87AB ± 39,23 0,034
Eutrofia 36 42,60AB ± 28,99
Sobrepeso 52 48,24AB ± 27,83
Obesidade Grau I 42 46,75AB ± 28,55
Obesidade Grau II 29 54,63A ± 26,15
Obesidade Grau III 33 31,25B ± 28,56
% SFA total processado Desnutrição 6 16,41 ± 17,97 0,777
Eutrofia 36 9,96 ± 13,42
Sobrepeso 52 12,47 ± 15,00
Obesidade Grau I 42 9,70 ± 13,38
Obesidade Grau II 29 9,48 ± 12,31
Obesidade Grau III 33 18,13 ± 27,21
% SFA total ultraprocessado Desnutrição 6 28,72 ± 38,44 0,213
Eutrofia 36 47,44 ± 28,41
Sobrepeso 52 39,29 ± 30,09
Obesidade Grau I 42 43,55 ± 26,40
Obesidade Grau II 29 35,88 ± 25,18
Obesidade Grau III 33 50,62 ± 31,47

IMC= índice de massa corporal; Kcal = quilocaloria; LIP = lipídios; MUFA = ácido graxo monoinsaturado; PUFA = ácido graxo poli-insaturado; SFA = ácido graxo saturado; DP = desvio-padrão

***Valores seguidos de mesma letra não diferem entre si; teste não paramétrico Kruskal-Wallis; p≤0,05.

Observou-se associação entre o estado nutricional pré-gestacional e o percentual de sódio proveniente de alimentos in natura/minimamente processados (p=0,050). As gestantes com obesidade grau III apresentaram consumo em percentual de sódio proveniente de alimentos in natura/minimamente processados significativamente inferior em relação às gestantes com sobrepeso ou obesidades grau I e II (Tabela 5).

Tabela 5 Associação do estado nutricional pré-gestacional com o consumo em percentual de sódio, proveniente dos alimentos in natura / minimamente processados, processados e ultraprocessados, de gestantes de alto risco. 

Variável IMC n X̄ ± DP p
% Sódio total in natura / minimamente processado Desnutrição 6 18,53AB ± 19,93 0,050
Eutrofia 36 17,99AB ± 20,18
Sobrepeso 52 25,17A ± 27,34
Obesidade Grau I 42 25,95A ± 26,53
Obesidade Grau II 29 28,85A ± 30,12
Obesidade Grau III 33 14,52B ± 23,14
% Sódio total processado Desnutrição 6 28,26 ± 22,54 0,787
Eutrofia 36 28,73 ± 26,31
Sobrepeso 52 33,88 ± 29,56
Obesidade Grau I 42 24,02 ± 23,43
Obesidade Grau II 29 26,83 ± 27,14
Obesidade Grau III 33 27,57 ± 28,85
% Sódio total ultraprocessado Desnutrição 6 53,22 ± 41,89 0,228
Eutrofia 36 53,28 ± 28,23
Sobrepeso 52 40,96 ± 33,89
Obesidade Grau I 42 50,03 ± 30,05
Obesidade Grau II 29 44,33 ± 31,73
Obesidade Grau III 33 57,91 ± 30,39

IMC= índice de massa corporal; Kcal = quilocaloria; DP = desvio-padrão

***Valores seguidos de mesma letra não diferem entre si; teste não paramétrico Kruskal-Wallis; p≤0,05.

Discussão

O consumo de alimentos ultraprocessados no atual estudo representaram 38,07% das calorias totais consumidas pelas gestantes de alto risco, resultado inferior ao encontrado em um estudo realizado na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul, com adultos jovens, o qual indicou um consumo de 51,20%,12 e superior a um estudo realizado em São Paulo, com indivíduos da Pesquisa de Orçamentos Familiares dos anos de 2008 e 2009, que observou um consumo de 21,5% de calorias totais.13 Isso demonstra o quanto os produtos ultraprocessados apresentam influência crescente na alimentação brasileira,14 sendo necessário o desenvolvimento de estratégias para incentivar o consumo de alimentos in natura/minimamente processados para toda população, inclusive para as gestantes.15

O presente estudo demonstrou que quanto maior a idade materna da gestante de alto risco, menor é o consumo de calorias totais, dos percentuais de carboidratos e de proteínas, oriundos dos alimentos ultraprocessados. Tal resultado vai ao encontro de outros estudos que evidenciaram que mulheres grávidas com maior idade tendem a consumir menos lanches não saudáveis e fast food,16,17 refeições que potencializam o excesso de peso e de obesidade,18 já que possuem grande quantidade de açúcar, gordura e sódio.19

Identificou-se, no presente estudo, que gestantes de alto risco com obesidade grau III apresentaram consumo inferior em percentual de proteína proveniente de alimentos in natura/minimamente processados se comparado às gestantes com sobrepeso ou obesidades grau I e II. O consumo de alimentos ultraprocessados apresentou a segunda maior média de calorias totais, de percentuais de carboidratos, proteínas e ácidos graxos saturados consumidos. A ingestão de alimentos ultraprocessados na gestação resulta consequências desfavoráveis tanto para a mãe quanto para o feto, incluindo ganho de peso excessivo da mulher durante a gravidez e aumento da gordura corporal do neonato. É importante ressaltar que a permanência desse excesso de peso pode contribuir para o desenvolvimento de comorbidades associadas, como diabetes tipo II, doença cardiovascular, problemas de saúde mental e câncer.20

O consumo alimentar materno durante a gestação é responsável por promover o neurodesenvolvimento das crianças, o que reforça a importância da mulher ter um estilo de vida saudável antes mesmo do início da gravidez.21 Deste modo, o acompanhamento no pré-natal é de fundamental importância para incentivar, orientar e motivar as gestantes, promovendo hábitos alimentares saudáveis22 e monitorando a saúde da mãe e do feto.21 Em um estudo sobre o índice de alimentação saudável de gestantes brasileiras, avaliou-se o consumo global da dieta de gestantes a partir de três grupos alimentares (vegetais, frutas e feijões e outros vegetais ricos em proteína), duas razões (carne branca/vermelha e poli-insaturada/saturado) e cinco nutrientes (fibra, gordura trans, cálcio, folato e ferro), e identificou-se que a maioria delas carece de melhorias alimentares, evidenciando a necessidade de trabalhar a educação alimentar nesta fase da vida.23

Verificou-se, no presente estudo, que as gestantes de alto risco com obesidade grau III e eutrofia apresentaram consumo superior de calorias totais e percentual de carboidratos provenientes de alimentos ultraprocessados, se comparado às gestantes com sobrepeso e obesidade grau II, ou seja, o consumo de ultraprocessados pode não estar somente relacionado ao estado nutricional das gestantes. A melhoria da mobilidade social, o estilo de vida e o nível de escolaridade elevado são alguns dos fatores que sugerem maior alcance aos alimentos industrializados, assim como estes mesmos fatores podem influenciar na inatividade física dos indivíduos.12

Constatou-se que as gestantes de alto risco com sobrepeso e obesidade grau II consumiram percentual significativamente inferior de proteína, oriunda de alimentos ultraprocessados, quando comparado às gestantes com eutrofia, obesidade grau I e III. De acordo com resultados encontrados no presente estudo, tal relação ocorre devido às gestantes de alto risco com sobrepeso e obesidade grau II consumirem maiores quantidades em percentual de proteína provenientes dos alimentos in natura/minimamente processados.

Verificou-se, também, que as gestantes com obesidade grau III consumiram percentuais significativamente inferiores de ácido graxo monoinsaturado e saturado provenientes de alimentos in natura/minimamente processados quando comparado às gestantes com obesidade grau II. Isso indica que as gestantes com obesidade grau III consumiram maiores quantidades em percentual de ácido graxo monoinsaturado e saturado provenientes dos alimentos ultraprocessados. Por este motivo, são necessárias intervenções e ações na atenção pré-natal, a fim de promover e incentivar o consumo de alimentos in natura, reforçar a importância dos hábitos saudáveis24 e, principalmente, instrui-las sobre o quanto seu estado nutricional possui influência sobre a saúde do bebê. Gestantes que possuem IMC de obesidade tendem a desenvolver maiores complicações no parto, intercorrências maternas, como a diabetes gestacional e síndrome hipertensiva, além de apresentarem mais chances de intercorrências perinatais, como macrossomia e apgar baixo ao primeiro minuto.25

O presente estudo demonstrou que as gestantes com obesidade grau III apresentaram consumo em percentual de sódio proveniente de alimentos in natura/minimamente processados significativamente inferior em relação às gestantes com sobrepeso, obesidade grau I e II, ou seja, as gestantes com obesidade grau III consumiam maiores quantidades em percentual de sódio oriundo de alimentos ultra-processados. Também foi possível identificar que a média geral dos percentuais de lipídios, ácidos graxos monoinsaturados, poli-insaturados e sódio foi maior entre os alimentos ultraprocessados, o que pode estar relacionado com a forte influência do marketing sobre o comportamento alimentar da população,14 ao fato destes alimentos serem bem aceitos pelo paladar, possuírem longa vida de prateleira e fornecerem praticidade, pois podem ser consumidos a qualquer hora e lugar.26 Por isso o acompanhamento nutricional é essencial para a definição de uma dieta que atenda às demandas nutricionais.2

Durante a gestação, tem-se maior predisposição para mudanças positivas nas escolhas alimentares maternas; isso se deve ao desejo de um resultado saudável na vida do bebê.27 Um estudo de coorte, no Rio de Janeiro, analisou o tipo de processamento de alimentos e as modificações no consumo alimentar, desde o período que antecede a gestação até o período gestacional; concluiu-se que o consumo de alimentos ultraprocessados diminuiu e a ingestão de alimentos in natura/minimamente processados aumentou desde o período de preconcepção até a gestação, destacando a importância do acompanhamento nutricional no período gestacional.28 Mesmo assim, a grande maioria das mulheres continua consumindo alimentos ricos em açúcar, gordura saturada e sódio durante a gestação,19 hábitos que podem estar relacionados com o avanço do sobrepeso e obesidade,5 além de aumentar a predisposição das doenças crônicas,29 como o diabetes mellitus, que apresenta índices elevados de morbimortalidade perinatal.3

Uma forma simples de reduzir as chances de desenvolver doenças crônicas e de melhorar a saúde materna e neonatal a curto e longo prazo, além de realizar o acompanhamento pré-natal, seria por meio da diminuição do consumo de alimentos ultraprocessados.19 Recomenda-se reduzir o consumo deste tipo de alimento porque eles apresentam maior teor de gordura saturada, gordura trans e açúcar livre, além de terem baixo teor de fibras e proteínas, quando comparado aos alimentos in natura/minimamente processados.9,30 Quando uma alimentação é baseada em alimentos in natura e minimamente processados é possível, até mesmo, prevenir-se de doenças.8

Um dos fatores deste estudo pode ter sido a utilização de um único recordatório alimentar de cada gestante de alto risco, além de sua obtenção ter sido por meio de dados secundários, podendo haver subestimação ou superestimação do consumo habitual. A partir deste estudo, espera-se contribuir para a qualificação do atendimento às gestantes e para a evolução do conhecimento científico, trazendo melhorias para a educação em saúde e fortalecendo as políticas públicas vigentes na área materno-infantil.

Verificou-se, neste estudo, que a média de consumo em percentuais de lipídios, ácidos graxos monoinsaturados, poli-insaturados e sódio foi maior entre os alimentos ultraprocessados. Verificou-se ainda que, quanto maior a idade materna da gestante de alto risco, menor é o consumo de calorias totais, percentuais de carboidratos e proteínas oriundos dos alimentos ultraprocessados. Identificou-se, por fim, que o estado nutricional pré-gestacional possui associação significativa com o consumo de calorias totais e percentual de carboidrato provenientes de alimentos ultraprocessados.

Portanto, confirmou-se que a ingestão dos alimentos ultraprocessados está presente entre as gestantes de alto risco, o que torna indispensável o desenvolvimento de ações de educação nutricional e o fortalecimento das políticas públicas vigentes na área materno-infantil, a fim de conscientizar as mulheres sobre o quanto seu consumo alimentar e seus hábitos podem refletir sobre a vida de seus filhos a curto e a longo prazo.

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Recebido: 10 de Julho de 2018; Revisado: 25 de Janeiro de 2019; Aceito: 01 de Fevereiro de 2019

Contribuição dos autores

Fernandes DC foi responsável pela concepção do estudo, seleção dos artigos a serem incluídos no manuscrito, organização, interpretação dos dados e pela redação do artigo. Carreno I e Silva AA contribuíram com a revisão final do manuscrito. Guerra TB auxiliou na digitação do banco de dados. Adami FS contribuiu na concepção do estudo, organização, interpretação dos dados, revisão da redação e foi responsável pela troca de correspondência. Todos os autores aprovaram a versão final do manuscrito.

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