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Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil

versão impressa ISSN 1519-3829versão On-line ISSN 1806-9304

Rev. Bras. Saude Mater. Infant. vol.19 no.2 Recife abr./jun. 2019  Epub 22-Jul-2019

http://dx.doi.org/10.1590/1806-93042019000200010 

ARTIGOS ORIGINAIS

Influência dos fatores socioeconômicos na percepção de sintomas cócleo-vestibulares e na adesão ao tratamento do hipotireoidismo congênito

Gabriela Carvalho Machado1 
http://orcid.org/0000-0002-8737-1853

Caio Leônidas Oliveira Andrade2 
http://orcid.org/0000-0001-5103-6781

Ingrid Sampaio Souza3 
http://orcid.org/0000-0002-2241-1594

Luan Paulo Franco Magalhães4 
http://orcid.org/0000-0001-8117-4245

Luciene da Cruz Fernandes5 
http://orcid.org/0000-0001-9744-1432

1-5Universidade Federal da Bahia. Instituto de Ciências da Saúde. Av. Reitor Miguel Calmon s/n. Salvador, BA, Brasil. CEP: 40110-060. E-mail: gcarvalho.fono@yahoo.com.br

Resumo

Objetivos:

verificar se existe associação entre fatores socioeconômicos e adesão ao tratamento no hipotireoidismo congênito e verificar se existe associação entre fatores socioeconômicos e sintomas vestibulococleares percebidos pelos pais / cuidadores de crianças diagnosticadas com hipotireoidismo congênito.

Métodos:

estudo transversal, exploratório e descritivo, com amostra de conveniência. A casuística foi composta por 108 crianças com diagnóstico clínico e laboratorial de hipotireoidismo congênito, de ambos os sexos com idade ≥ 5 anos. Foi aplicado um questionário estruturado para os pais/cuidadores, formado por questões fechadas e objetivas sobre a presença ou ausência de zumbido, hipoacusia e tontura/vertigem nas crianças com hipotireoidismo congênito.

Resultados:

não houve associação entre fatores socioeconômicos e adesão ao tratamento ou percepção dos sintomas cócleo-vestibulares.

Conclusões:

os fatores socioeconômicos não influenciaram na adesão ao tratamento nem na percepção de sintomas cócleo-vestibulares pelos cuidadores de crianças com hipotireoidismo congênito.

Palavras-chave Hipotireoidismo congênito; Classe social; Tontura; Perda auditiva; Zumbido

Introdução

O hipotireoidismo congênito (HC) ocorre quando há redução da produção de hormônios tireoidianos (HTs), os quais funcionam como reguladores do metabolismo,1 sendo essenciais para o desenvolvimento do sistema nervoso central.2 O HC apresenta incidência de 1:3000 a 4000 nascidos vivos no mundo3 e constitui a causa mais comum de retardo mental evitável.4 No Brasil, a incidência do HC é de aproximadamente 1:2500 nascidos vivos.5 No Estado da Bahia, onde o presente estudo foi realizado, essa incidência é de 1:4000 nascidos vivos.6

O tratamento deve ser feito o mais precocemente possível, idealmente antes de quatorze dias de vida utilizando a reposição hormonal com levotiroxina sódica (LT-4).7

A adesão ao tratamento é fundamental para o sucesso terapêutico, uma vez que o HC é uma doença crônica que requer o uso contínuo da LT-4, sem intervalos ou interrupções e quando não corretamente tratado pode causar prejuízos motores, cognitivos e sensoriais.8

A adesão ou aderência a um determinado tratamento ocorre quando um indivíduo faz uso de pelo menos 80% do medicamento ou segue os procedimentos prescritos, respeitando a duração, horários e doses indicadas.9

Assim, questões sociais, culturais, financeiras e educacionaisinfluenciam no uso de medicamentos. Dentre as culturais, temos como principal, a crença na eficácia da terapêutica.10 Aponta-se, ainda, a questão econômica como principal fator de não adesão a um tratamento, sendo que, quanto menor a quantidade de medicamentos prescrita e menor custo destes,melhor é a aderência.11

As dificuldades em torno da adesão ao tratamento do HC tem sido um grande desafio entre os médicos, uma vez que consiste na principal causa de desregulação dos níveis séricos do hormônio tireoestimulante (TSH).8

Acredita-se que a qualidade e adesão ao tratamento do HC, bem como seus benefícios a longo prazo, estejam associadas aos fatores socioeconômicas, sendo fatores como escolaridade, nível cultural e renda familiar os que mais influeciam no sucesso terapêutico.12 Porém, existem outros fatores que podem influenciar a adesão terapêutica, como a criação de vínculo entre paciente e terapeuta, linguagem utilizada, acolhimento e relação mútua de respeito,9 além de fatores relacionados à percepção e aceitação da doença, aos serviços de saúde, adversidades da vida,13 e efeitos colaterais do tratamento.9,14,15

Especula-se que esses fatores relacionados ao seguimento hormonal podem apresentar intrínseca relação com a capacidade com que os pais/ cuidadores dessas crianças podem ter para perceber sinais e sintomas de comorbidades, muitas vezes não correlacionadas ao HC, a exemplo das alterações auditivas e do sistema vestibular.

Os HTs são fundamentais ao desenvolvimento normal do sistema auditivo e vestibular,16,17 sendo sua deficiência, considerada um fator de risco para perda auditiva. É importante verificar a percepção dos sintomas vestibulococleares que podem indicar alterações desses sistemas pelos pais / cuidadores de crianças com HC, com a finalidade de auxiliar no diagnóstico precoce dessas alterações.

O presente estudo teve como objetivo verificar se existe associação entre fatores socioeconômicos e aderência ao tratamento no HC e como objetivo secundário, verificar se existe associação entre fatores socioeconômicos e sintomas vestibulococleares percebidos pelos pais/cuidadores de crianças com diagnóstico de CH, a fim de demonstrar a influência dessas variáveisno processo de detecção precoce de possíveis alterações ao sistema auditivo e vestibular nessa população.

Métodos

Estudo transversal, exploratório e descritivo, com amostra obtida por conveniência. A casuística foi composta por 108 crianças com diagnóstico clínico e laboratorial de HC, de ambos os sexos e idade ≥5 anos. Essas crianças estavam em acompanhamento em um Serviço de Referência em Triagem Neonatal (SRTN) no período de fevereiro a setembro de 2015.

Foram excluídos indivíduos com diagnóstico de alterações de orelha média e/ou externa; com fatores de risco para deficiência auditiva segundo os critérios descritos pelo Joint Committeeof Infant Hearing;18 portadores de déficits cognitivos ou quaisquer outros distúrbios metabólicos associados.

Para a coleta dos dados, realizou-se revisão dos prontuários médicos, a fim de se investigar a idade atual/tempo de tratamento do HC, número de consultas realizadas, bem como as características socioeconômicas dos indivíduos.

Foi realizada classificação econômica dos indivíduos com base no Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB), cuja metodologia foi elaborada para estimar o poder de compra das famílias urbanas do país. Para cada bem possuído é dada uma pontuação e a soma dela define cada classe em A, B1, B2, C1, C2 e D-E.19

Em relação aos sintomas cócleo-vestibulares, os país/cuidadores das crianças foram consultados a fim de investigar a presença desses fatores na amostra estudada. Essas informações foram obtidas através da aplicação de um questionário estruturado,20 formado por questões fechadas e objetivas sobre a presença ou ausência de zumbido, hipoacusia e tontura/vertigem nas crianças com HC.

Os dados foram tabulados no software Excel para Windows 8 e analisados através do software computacional Statistical Package for Social Sciences (SPSS), versão 20. Foi realizada análise descritiva através das medidas de média, desvio-padrão, valor mínimo e máximo e frequências absolutas e relativas. Aplicou-se o teste Qui-quadrado para verificar a existência de correlação entre as variáveis:fatores socioeconômicos (nível de escolaridade, profissão, renda e CCEB) e adesão ao tratamento com percepção dos sintomas cócleo-vestibulares, para um nível de significância de 5% (p≤0,05).

A presente pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos através do Parecer N° 534.704. Todos os sujeitos da pesquisa tiveram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) assinado por seus pais/ cuidadores e quando apropriado, assinaram o Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE).

Resultados

Participaram do estudo 108 crianças portadoras do HC, com maioria do sexo feminino (57,4%),média de idade de 7,9 anos e desvio padrão de 3,0 dias.

O perfil socioeconômico dos cuidadores das crianças com HC é descrito na Tabela 1, mostrando uma maior concentração de indivíduos com nível fundamental incompleto e trabalho informal. Em relação a renda e CCEB, mais da metade dos indivíduostinhamrenda entre > ¼ a ½ salário mínimo e >1 a 2 salários mínimos e classe econômica C, respectivamente.

Tabela 1 Perfil socioeconômico dos cuidadores. 

Características socioeconômicas N %
Escolaridade
Nunca frequentou a escola 04 3,7
Ensino Fundamental Incompleto 36 33,3
Ensino Fundamental completo 16 14,8
Ensino Médio Incompleto 10 9,3
Ensino Médio Completo 25 23,1
Nível Superior Completo 06 5,6
Nível Superior Incompleto 11 10,2
Profissão
Trabalho formal 51 47,2
Trabalho informal 53 49,1
Desempregado 04 3,7
Renda
> ½ a 1 salário mínimo 14 13,0
Até ¼ salário mínimo 07 6,5
>¼ a ½ salário mínimo 38 35,2
>1 a 2 salários mínimos 34 31,5
>2 a 3 salários mínimos 02 1,9
>3 salários mínimos 12 11,1
CCEB*
Classe A 02 1,8
Classe B1-B2 37 34,3
Classe C1-C2 59 54,6
Classe D-E 10 9,3

*CCEB: Critério de Classificação Econômica Brasil.

Quanto à percepção do sintomas cócleo-vestibulares referida pelos pais/cuidadores das crianças portadoras de hipotireoidismo congênito, evidenciou-se que a maior percepção foi da tontura (30,6%), seguido de hipoacusia (13,9%) e zumbido (12%). Mas, houve mais falta de percepção dos sintomas cócleo-vestibulares do que percepção, já que 68,5% dos pais/cuidadores de crianças com HC referiram não perceber tontura, 81,5% não perceberam perda auditiva e 85,2% relataram não perceber zumbido.

As crianças portadoras de HC tiveram uma média de 13,6 consultas relizadas (desvio-padrão de 7,8 consultas) e média de tempo de tratamento de 7,9 anos (desvio-padrão de3,0 anos).

Verificou-seque não houve associação entre as variáveis adesão ao tratamento e características socioeconômicas (Tabela 2). Constatou-se, também, ausência de associação entre a os sintomas cócleo-vestibulares (tontura, zumbido e hipoacuia) e os fatores socioeconômicas (Tabela 3).

Tabela 2 Correlação entre as variáveis adesão ao tratamento e escolaridade, profissão, renda e critério de classificação econômica Brasil. 

Adesão ao tratamento Características socioeconômicas
Escolaridade Profissão Renda CCEB*
p
Tempo de tratamento 0,051 0,995 0,951 0,969
Número de consultas 0,541 0,817 0,389 0,902

p<0,05.

*CCEB: Critério de Classificação Econômica Brasil.

Tabela 3 Correlação entre as variáveis tontura, zumbido, hipoacusia e escolaridade, profissão, renda e critério de classificação econômica Brasil. 

Sintomas cócleo-vestibulares Características socioeconômicas
Escolaridade Profissão Renda CCEB**
p*
Tontura 0,056 0,599 0,641 0,309
Zumbido 0,888 0,922 0,521 0,497
Hipoacusia 0,498 0,830 0,900 0,821

*p<0,05.

**CCEB: Critério de Classificação Econômica Brasil.

Discussão

Um dos focos desse trabalho foi verificar a existência de associação entre os fatores socioeconômicos e a adesão ao tratamento do HC, uma vez que essa última é fundamental para o sucesso terapêutico.9 Assim, demonstrou-se que a adesão ao tratamento se associou com o nível de escolaridade dos cuidadores. Fato que também foi evidenciado em outro estudo sobre adesão terapêutica no HC, que afirmou que, quanto mais baixo o nível de escolaridade, maiores as chances de abandono ao tratamento.21

Independentemente do nível de escolaridade do doente/cuidador, a questão da educação em saúde se faz importante e deve ser de responsabilidade da equipe de saúde. Esse processo educativo deve ocorrer gradativa e continuamente, com uso de linguagem simples e adequada ao nível sócio-cultural dos indivíduos, respeitando suas características individuais.22 Esses fatores podem ser considerados decisórios para uma boa adesão, somados a relação de confiança estabelecida entre o paciente e os profissionais envolvidos em seu tratamento, as demonstrações de respeito e realização de acolhimento.9

Uma melhor compreensão acerca da doença, a educação recebida e a crença na efetividade da terapêutica contribuem para uma melhor adesão ao tratamento.23 Assim, torna-se bastante importante que as informações acerca da patologia sejam passadas para os pacientes e seus cuidadores de forma esclarecedora no momento do diagnóstico,24 ainda mais em tratamentos a longo prazo como no caso do HC, que são considerados desafiadores quando relacionados à questão da adesão terapêutica.23

Dessa forma, o Serviço de Referência em Triagem Neonatal (SRTN) realiza um trabalho voltado para esclarecimento das informações acerca do HC. Nesse serviço, os pacientes têm consultas regulares, além de receberem o atendimento médico adequado. Além disso, são acompanhados, na mesma consulta, por outros profissionais que fazem parte do Programa de Triagem Neonatal, como nutricionista, psicólogo, enfermeiro, assistente social, dentre outros, os quais além de prestarem atendimentos especializados, estão imbuídos com atividades de promoção da saúde, oferecendo, a cada consulta, orientações e aconselhamentos acerca da importância do correto seguimento hormonal para o sucesso terapêutico.

Assim, sugere-se que nesse estudo os riscos de uma baixa adesão ao tratamento relacionados a questões de má qualidade das informações prestadas aos cuidadores de crianças com HC, participantes dessa pesquisa, tenham sido minimizados.

Entretanto, não se pode negligenciar a importância da percepção e aceitação da enfermidade, adversidades da vida e questões relacionadas aos serviços de apoio como fatores fundamentais à adesão,13 bem como a existência de efeitos colaterais de medicamentos.9,14,15

Por outro lado, alguns autores apontam que o principal fator de uma baixa adesão a um tratamento é o econômico-cultural,17 sendo que a questão econômica lidera a influência sobre a adesão terapêutica.11 Esses achados entram em contraste com o presente estudo, uma vez que não foi encontrada associação entre profissão, renda, classe econômica-social e adesão ao tratamento.

Além das questões de adesão ao tratamento de HC, o presente estudo constatou que os fatores socioeconômicos não se associaram com a percepção de sintomas cócleo-vestibulares. No entanto, a percepção dessas alterações pode estar associada com outros fatores relacionados ao tratamento, como adesão, seguimento hormonal, etiologia da doença e sua gravidade.20 Assim, nota-se que outras questões podem estar envolvidas na maior ou menor percepção dos sintomas cócleo-vestibulares que não as socioeconômicas.

Houve pouca percepção desses sintomas por parte dos cuidadores das crianças com HC. Dentre esses, a queixa mais relatada foi tontura. Os sintomas de tontura são comuns,25 sendo 85% dos casos relacionados aos distúrbios do sistema vestibular,26 porém, tolerados pelas crianças, cujas queixas tornam-se evidentes quando são questionamentos contundentes e direcionados. Geralmente as crianças que apresentam essas disfunções têm como características a inquietude, em decorrência da necessidade de encontrar posições de conforto e segurança.25

Assim, seria difícil que sintomas tão característicos e evidentes passassem despercebidos pelos pais/cuidadores, independente do seu nível de instrução, o que também justificaria o fato de não haver associação entre os fatores socioeconômicos e tal sintomatologia. Outro fator que também auxiliaria nessa percepção, seria o fato do HC ser uma doença crônica, que requer cuidados e acompanhamento por toda vida, bem como pelo fato dessas crianças serem acompanhadas por um Programa de Saúde que têm demonstrado resultados positivos desde a sua implantação, fazendo com que os pais/cuidadores se tornem vigilantes assíduos da saúde global dos seus filhos.

Porém, é válido ressaltar que as disfunções vestibulares na infância têm potencial para afetar a habilidade de comunicação e o estado psicossocial, bem como o rendimento escolar,27 o que torna imprescindível a realização de exames vestibulares em crianças com sintomas vestibulares.28

Os sintomas relacionados à baixa acuidade auditiva relatada pelos cuidadores, observou-se frequência relativa (13,9 %) muito próxima ao dos valores de prevalência de perda auditiva em indivíduos com HC, que gira em torno de 20%.28 Mas, sabe-se que,a presença desse sintoma auditivo não signifique necessariamente a existência de perda auditiva. A presença da percepção da hipoacusia pode estar relacionada ao transtorno do processamento auditivo, assim como às alterações auditivas subclínicas.20

Entretanto, na vigência de quaisquer sintomas relacionados à baixa acuidade auditiva faz-se necessário a realização de exames diagnósticos a fim de descartar alterações auditivas periféricas, bem como investigar disfunções no sistema auditivo central. A presença de perda auditiva na infância, mesmo que de grau leve, acarreta em atraso no desenvolvimento da linguagem e da fala, dificuldade de atenção, distúrbios comportamentais e problemas escolares.29,30

Diante do exposto, evidencia-se que diversos fatores podem estar associados à baixa adesão a um tratamento terapêutico e à percepção de queixas otoneurológicas. Dessa forma, questões não levantadas por esse estudo podem ser consideradas limitações, sendo necessário investigações mais detalhadas contemplando-as. Houve, ainda, limitação de achados na literatura que apontassem questões associadas à percepção de sintomas cócleo-vestibulares.

O presente estudo serve como instrumento para auxiliar os profissionais diretamente envolvidos no cuidado e promoção da saúde dos indivíduos com HC, apontando a necessidade de um olhar diferenciado para os aspectos relacionados à adesão terapêutica e aos sintomas cócleo-vestibulares que, conforme, achados faz-se presentes nesse público, podendo ocasionar diversos efeitos deletérios.

Desse modo, os achados sugerem que os fatores socioeconômicos não são decisivos para uma boa adesão ao tratamento. No entanto, quando os pacientes são devidamente orientados e acompanhados por um programa de saúde estruturado e comprometido com a sua função social, a exemplo do Programa de Triagem Neonatal, a adesão à terapêutica pode ser melhorada.

Ressalta-se, também, que a percepção dos sintomas cócleo-vestibulares não apresentaram associação com os fatores socioeconômicos dos pais/cuidadores, dada a peculiaridade intrínseca das disfunções que afetam esses sistemas, as quais apresentam sinais e sintomas bastante evidentes e característicos.

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Recebido: 23 de Julho de 2018; Revisado: 18 de Março de 2019; Aceito: 24 de Abril de 2019

Contribuições dos autores

Machado GC, Andrade CLO, Souza IS - coleta e análise de dados, escrita e revisão da versão final. Magalhães LPF- análise de dados, escrita e revisão da versão final. Fernandes LC- escrita e revisão da versão final. Todos os autores aprovaram a versão final do manuscrito.

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