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Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil

versão impressa ISSN 1519-3829versão On-line ISSN 1806-9304

Rev. Bras. Saude Mater. Infant. vol.19 no.3 Recife jul./set. 2019  Epub 16-Set-2019

https://doi.org/10.1590/1806-93042019000300012 

ARTIGOS ORIGINAIS

Baixo peso ao nascer e atraso na erupção de dentes decíduos em crianças

Cristiane Ribeiro da Silva Castro1 
http://orcid.org/0000-0002-2480-4025

Maria Beatriz Barreto de Sousa Cabral2 
http://orcid.org/0000-0001-5150-2033

Eduardo Luiz Andrade Mota3 
http://orcid.org/0000-0001-7819-0084

Maria Cristina Teixeira Cangussu4 
http://orcid.org/0000-0001-9295-9486

Maria Isabel Pereira Vianna5 
http://orcid.org/0000-0003-4478-6941

1Secretaria de Saúde do Estado da Bahia. Salvador, BA, Brasil.

2,4,5Faculdade de Odontologia da Bahia. Rua Araújo Pinho, 6º. Andar, 62 Canela. Salvador, BA, Brasil. CEP: 41110-150. Email: isabel@ufba.br

3Instituto de Saúde Coletiva. Universidade Federal da Bahia. Salvador, BA, Brasil.


Resumo

Objetivos:

analisar a associação entre o Baixo Peso ao Nascer (BPN) e a ocorrência de atraso na erupção da dentição decídua (AED) em crianças de 04 a 30 meses, residentes em Salvador-BA.

Métodos:

estudo transversal envolvendo 520 crianças que frequentavam creches públicas, privadas e filantrópicas de dois Distritos Sanitários de Salvador-Ba. Procedeu-se a análise descritiva e regressão logística não-condicional para estimação da oddsratios (ORs), empregando-se o Intervalo de Confiança a 95% como critério para aceitar as associações. A regressão de Poisson foi utilizada como estratégia analítica para obtenção da Razão de Prevalência.

Resultados:

a prevalência de atraso na erupção foi de 10,29%. Verificou-se uma associa-ção positiva entre BPN e ocorrência de AED entre as crianças com menos de 24 meses no modelo bruto (RP=2,07, IC95%= 0,96 4,44) e ajustado (RP ajustada=2,27, IC95%= 1,02 5,07).

Conclusões:

variáveis de desenvolvimento e nutricionais ao nascimento e durante a vida precoce podem ser importantes preditores do tempo de erupção, sendo necessárias outras investigações para uma adequada avaliação desta associação.

Palavras-chave Erupção dentária; Dente decíduo; Recém-nascido de baixo peso; Epidemiologia

Abstract

Objectives:

To analyze the association between low birth weight (LBW) and the occurrence of the delay on the eruption of deciduous teething (DEDT) in children from 04 to 30 months, living in Salvador, Bahia.

Methods:

A cross-sectional study involved 520 children at four to thirty months of age, from public, private and philanthropic daycares from two districts in Salvador. A descriptive analysis and unconditional logistic regression were done to estimate the odds ratios (ORs), using the Confidence Interval of 95% as a criterion for accepting associations. Poisson regression was used as an analytical strategy to obtain the prevalence ratio.

Results:

the prevalence of the delay on the eruption was 10.29%. There was a positive association between LBW and occurrence of DEDT among children with less than 24 months, both in the unadjusted model (PR=2.07, 95%CI= 0.96 4.44) as in the adjusted (adjusted PR=2, 27, 95%CI= 1.02 5.07).

Conclusions:

the variables of development and nutritional at birth and during the early life may be important predictors of the chronology of eruption. Further investigations should be carried out towards the adequate evaluation of the LBW role in the occurrence of the delay on the eruption.

Key words Tooth eruption; Deciduous tooth; low birth weight newborn; Epidemiology

Introdução

A erupção dental compreende toda a movimentação do dente no sentido oclusal, durante a formação, até atingir sua posição funcional em oclusão com o seu antagonista. Constitui parte dos movimentos fisio-lógicos do dente, relacionados com a manutenção de sua posição nos maxilares em crescimento e com a compensação pelo desgaste mastigatório e é útil para avaliação da idade fisiológica e cronológica das crianças.1-9 O conhecimento do tempo normal de erupção do dente, que varia da vida intra-uterina até os 30 meses, tem importância clínica para o diagnóstico de várias condições locais e sistêmicas que podem afetar este processo.1-2,4,6,9-17

A variação na cronologia de erupção dental é dependente de múltiplos fatores genéticos e ambientais, sendo que nenhum deles atua de forma indivi-dualizada, com inter-relação entre os mesmos durante o desenvolvimento da dentição decídua, entre eles raça, gênero, condições sistêmicas, condições ambientais, nível socioeconômico, aleitamento materno, estado nutricional infantil e desenvolvimento físico.1,18

Os fatores nutricionais exercem influência sobre a odontogênese e a erupção dos dentes.16,17,19 Durante o desenvolvimento dentário, a ausência de nutrientes, como por exemplo a deficiência do cálcio,8 pode afetar não somente a arquitetura celular da matriz orgânica, como a calcificação e a maturação do processo de amelogênese, mas também a morfologia e o padrão de erupção dos dentes.18,20 Outras condições como restrição do crescimento intrauterino, inadequação do tamanho de acordo com a idade gestacional, nutrição parenteral exclusiva por tempo prolongado também podem potencialmente atrasar a erupção da dentição decídua.8 Nas situa-ções em que a prematuridade e o Baixo Peso ao Nascer (BPN) coexistem o atraso poder ser ainda maior, especialmente os que estão no estágio crítico de desenvolvimento no momento do transtorno sistêmico e que ainda não estão calcificados no momento do nascimento.8,21,22

Há evidências de associação positiva entre crianças com BPN e erupção tardia dos dentes relacionada ao atraso geral no desenvolvimento.5,12,23 Entretanto, existem algumas controvérsias relativas à associação entre peso ao nascer e o tempo da erupção do primeiro dente.13 Em alguns estudos, quando a idade foi corrigida pela prematuridade, não se observou atraso na erupção.12,22,24

Dessa forma, faz-se importante realizar estudos sobre a cronologia de erupção dos primeiros dentes decíduos para se analisar alguns fatores que influênciam o atraso da erupção dental. Este estudo tem como objetivo analisar a associação entre o BPN e a ocorrência de atraso na erupção da dentição decídua em crianças de 04 a 30 meses, residentes em Salvador-BA.

Métodos

Desenvolveu-se um estudo transversal, e as informações utilizadas neste estudo foram obtidas de banco de dados pré-existente. A descrição detalhada da área e população de estudo, dos métodos de seleção de participantes, de procedimentos empregados na coleta de dados, da estratégia e dos critérios de exame, bem como o detalhamento dos aspectos éticos envolvidos, estão apresentados em outra publicação.25

Neste estudo buscou-se envolver na análise a totalidade das crianças participantes da pesquisa original que adotou perspectiva censitária (n=556). O grupo era composto por crianças de quatro a trinta meses de idade que frequentavam creches públicas, privadas e filantrópicas de dois distritos sanitários do município de Salvador (Barra-Rio Vermelho e Cabula- Beirú). Na oportunidade, considerou-se como critério de exclusão a constatação de ano-malias congênitas ou alterações sistêmicas que impedissem a realização do exame.

Foi considerada como variável dependente o atraso na erupção. A cronologia da erupção dental foi verificada pelo registro do mês de erupção do primeiro dente decíduo. Neste estudo, para a definição de atraso de erupção utilizou-se a definição de erupção dental atrasada proposta por Aktoren et al.26 De acordo com esses autores, as crianças apresentam erupção atrasada se o seu primeiro dente erupciona após 40 semanas de idade cronológica.

A variável independente principal foi o baixo peso ao nascer, sendo considerado caso a criança com peso ao nascer menor a 2500g, independente da idade gestacional.

Dentre as covariáveis socioeconômicas e demográficas, foram consideradas: idade da criança em meses; sexo; cor da pele; renda familiar; escola-ridade materna; idade materna, situação conjugal da mãe. No que se refere às variáveis relacionadas ao modo de vida e ao estilo de vida foram consideradas: padrão de aleitamento; tempo de aleitamento materno; uso de medicamentos nos primeiros meses de vida. Informações relativas à história pré-natal foram incluídas na análise: gravidez semintercorrências, hipertensão e infecção urinária durante a gestação; consumo de bebida alcoólica, fumo e drogas durante a gestação e realização de pré-natal. As variáveis relacionadas ao nascimento foram: idade gestacional; dificuldade de sucção; uso de sonda e necessidade de intubação.

Realizou-se inicialmente a análise descritiva das variáveis, obtendo-se as frequências simples para as variáveis categoriais e as medidas de tendência central e de dispersão para as contínuas. Foram observadas as prevalências do efeito de acordo com as covariáveis, analisando-se as diferenças entre categorias através do teste do Qui-quadrado de Pearson.

A seguir realizou-se a análise estratificada para uma avaliação de potenciais associações. Nesta etapa foram estimadas as associações brutas entre baixo peso ao nascer e o atraso na cronologia de erupção, assim como para as covariáveis selecionadas através das Razões de Prevalência e Intervalos de Confiança a 95% obtidos pelo Método Mantel-Haenszel. As potenciais covariáveis modificadoras de efeito foram identificadas através da verificação da diferença das razões de prevalência estimadas para cada uma de suas categorias, a nível estatisticamente significante (alfa=0,05). Na análise de covariáveis confundidoras, observou-se se estas estavam associadas simultaneamente à exposição entre os não casos e com os desfechos entre os não expostos, considerando uma diferença relativa entre as medidas ajustadas de cada covariável e a medida de associação bruta maior que 10% para a identificação de confundimento. Em conjunto com elementos do modelo teórico e da literatura, este procedimento estatístico contribuiu para a seleção das covariáveis utilizadas na modelagem.

Na análise multivariada, o método utilizado foi a regressão logística não condicional. Para a inferência estatística foi utilizado o Intervalo de Confiança a 95%. Foram criados termos-produtos para as potenciais variáveis modificadoras de efeito. Realizou-se a análise de interação através do procedimento backward de modelagem, a partir da definição do modelo saturado ou completo e do modelo reduzido para cada potencial modificador de efeito, observando-se a diferença dos desvios entre o modelo saturado e os reduzidos, e adotando um alfa=0,20 do Teste da Razão de Máxima Verossimilhança (TRMV) para verificação da significância estatística. Na análise de confundimento foi empregado o procedimento backward, comparando-se as medidas de associação e seus respectivos Intervalos de Confiança estimados para osmodelos saturado e reduzidos.

Os procedimentos de modelagem permitiram a construção do modelo final, para estimar a medida de associação (Odds Ratio) entre baixo peso e a variável dependente, controlada pelas variáveis de interação e ajustadas pelas variáveis de confundimento. A Regressão de Poisson foi utilizada como uma estratégia analítica para a obtenção das Razões de Prevalência. A bondade do ajuste do modelo foi verificada mediante o teste Qui-quadrado de Hosmer e Lemeshow.27 Os dados foram analisados no programa STATA 7.0.28

Resultados

Considerando a população original de 556 crianças, observou-se que havia informação relativa à erupção do primeiro dente para 554 participantes. O registro adequado do peso ao nascer, por sua vez, estava disponível para 520 crianças. Assim, a população do presente estudo foi composta por 520 crianças de quatro a trinta meses de vida e média de idade de 21,8 meses, DP=6,82. A prevalência de atraso na erupção foi de 10,29%, ou seja, para 89,71% das crianças a erupção do primeiro dente ocorreu antes das 40 semanas de idade cronológica. As características da população de estudo em relação às variáveis sócio demográficas, segundo a exposição são apresentadas na Tabela 1. Entre as crianças com BPN, 14,71% tiveram seu primeiro dente erupcionado após os 10 meses. Prevaleceram entre as mesmas crianças do sexo feminino, de etnia negro/pardo e renda familiar de até 1 salário mínimo. Para as variáveis sociodemográficas as diferenças de proporção de acordo com o peso ao nascer não se mostraram estatisticamente significantes.

Tabela 1 Características sócio demográficas da população de estudo de acordo com presença de baixo peso ao nascer, Salvador- BA, 2014 (n=520). 

Covariáveis Baixo Peso ao Nascer p 1
BPN ausente (n=452) BPN presente (n=68)
n % n %
Atraso na erupção 0,210
Ausente 408 90,17 58 85,29
Presente 44 9,73 10 14,71
Idade 0,357
>24 meses 186 41,15 32 47,06
≤24 meses 266 58,85 36 52,64
Sexo 0,116
Feminino 213 47,12 39 57,35
Masculino 239 52,88 29 42,65
Etnia 0,105
Branco 66 14,60 5 7,35
Negro/pardo 386 85,40 63 92,65
Escolaridade materna* 0,939
2º grau ou mais 246 54,91 37 54,41
Até 1º grau 202 45,09 31 45,59
Renda familiar 0,269
Superior a 1 SM 143 31,64 17 25
Até 1 SM 309 68,36 51 75
Idade materna* 0,684
21 a 39 330 73,83 47 69,12
≤20 108 24,16 19 27,94
≥40 9 2,01 2 2,94
Situação conjugal materna 0,826
Casada/Vive com companheiro 292 64,60 43 63,24
Solteira/separada/viúva 160 35,40 25 36,76

*Dados perdidos,

1Valor de p do Teste Qui-Quadrado de Mantel Haenszel, SM= Salário Mínimo, BPN= Baixo Peso ao Nascer.

Na Tabela 2 observam-se as características da saúde materna e hábitos durante a gestação de acordo com o peso ao nascer. Diferenças estatisticamente significantes foram observadas para a ocorrência de infecção urinária na gestação (p<0,001), tabagismo (p=0,016), o uso de drogas durante a gestação (p=0,009) e intercorrências na gravidez (0,017).

Tabela 2 Características da saúde materna e hábitos na gestação de acordo com presença de baixo peso ao nascer, Salvador-BA, 2014 (n=520). 

Covariáveis* Baixo Peso ao Nascer p 1
BPN ausente (n=452) BPN presente (n=68)
n % n %
Hipertensão durante a gestação 0,272
Ausente 413 92,19 60 88,24
Presente 35 7,81 8 11,76
Infecção urinária durante a gestação 0,001
Ausente 416 92,86 55 80,88
Presente 32 7,14 13 19,12
Tabagismo durante a gestação 0,016
Ausente 414 92,62 57 83,82
Presente 33 7,38 11 16,18
Consumo de bebida alcoólica durante a gestação 0,155
Não 426 95,30 62 91,18
Sim 21 4,70 6 8,82
Uso de drogas durante a gestação 0,009
Não 403 90,16 54 79,41
Sim 44 9,84 14 20,59
Gravidez sem intercorrência 0,017
Sim 338 75,45 42 61,76
Não 110 24,55 26 38,24
Realização do pré-natal 0,861
Sim 404 90,38 61 89,71
Não 43 9,62 7 10,29

1Valor de p do Teste Qui-Quadrado de Mantel Haenszel,

*Houve dados perdidos em todas as variáveis, BPN= Baixo Peso ao Nascer.

Em relação às covariáveis relativas ao nascimento e as comportamentais, verificou-se, conforme esperado, diferença estatisticamente significante na ocorrência de prematuridade de acordo com o BPN (p<0,001). Da mesma forma, outras variáveis intrinsecamente relacionadas ao nascimento prematuro apresentaram maior ocorrência entre as crianças de baixo peso, quando comparadas as demais - nascer com menos de 50cm de comprimento (p<0,001), e ter apresentado necessidade de internação (p=0,018), de intubação (p<0,001) e de medicação (p<0,001) (Tabela 3).

Tabela 3 Características do nascimento e comportamentais da população de estudo de acordo com a presença de baixo peso ao nascer, Salvador-BA, 2014 (n=520). 

Covariáveis Baixo Peso ao Nascer p 1
BPN ausente BPN presente
(n=452) (n=68)
n % n %
Prematuridade <0,001
Ausente 431 95,35 39 57,35
Presente 21 4,65 29 42,5
Altura ao nascer* <0,001
≥50 cm 154 45,56 3 5,88
≤50 cm 184 54,44 48 94,12
Necessidade de internação ao nascer 0,018
Não 389 86,06 51 75,00
Sim 63 13,94 17 25,00
Uso de sonda <0,001
Não 447 98,89 61 89,71
Sim 5 1,11 7 1,29
Necessidade de intubação 0,860
Não 444 98,23 67 98,53
Sim 8 1,77 1 1,47
Amamentação 0,304
Sim 393 86,95 56 82,35
Não 59 13,05 12 17,65
Duração da amamentação (meses) 0,835
Maior ou igual a 6 152 33,63 22 32,35
Menor que 6 300 66,37 46 67,65
Aleitamento artificial 0,822
Não 127 28,10 20 29,41
Sim 325 71,90 48 70,59
Uso de medicação <0,001
Não 418 92,48 53 77,94
Sim 34 7,52 15 22,06

*Dados perdidos,

1Valor de p do Teste Qui-Quadrado de Mantel Haenszel, BPN= Baixo Peso ao Nascer.

A análise bivariada revelou associação positiva, porém sem significância estatística entre BPN e atraso na erupção (RP=1,51; IC95%=0,79-2,86). Dentre as covariáveis selecionadas para esta análise, apenas a escolaridade materna apresentou uma associação positiva e estatisticamente significante com o desfecho em estudo, sendo maior a ocorrência de atraso na erupção entre crianças com mães de baixa escolaridade (RP=1,91; IC95%=1,14-3,18) (Tabela 4).

Tabela 4 Prevalências e Razões de Prevalência e Intervalos de Confiança a 95% da associação bruta entre as covariáveis analisadas e o atraso da erupção, Salvador-BA, 2014 (n=520). 

Variáveis N % RP1 IC95%2 P3
Baixo peso ao nascer 0,79-2,86 0,21
Não 44 9,73 1,00
Sim 10 14,71 1,51
Idade 0,61-1,67 0,96
24 meses ou mais 24 1,21 1,00
Menor que 24 meses 33 10,34 1,01
Cor da pele 0,65-3,82 0,29
Branca 5 6,86 1,00
Preta/parda 52 1,81 1,58
Sexo 0,83-2,24 0,22
Masculino 25 8,74 1,00
Feminino 32 11,94 1,37
Escolaridade materna* 1,14-3,18 0,01
2º grau ou mais 21 7,27 1,00
1º grau ou menos 36 13,85 1,90
Gravidez sem intercorrências* 0,45-1,48 0,51
Sim 44 10,92 1,00
Não 13 8,97 0,82
Idade gestacional 0,62-2,71 0,49
A termo 50 10,02 1,00
Prematuro 7 12,96 1,29
Amamentação exclusiva 0,65-2,36 0,51
Sim 47 9,94 1,00
Não 10 12,35 1,24
Duração da amamentação 0,68-2,01 0,57
6 meses ou mais 17 9,24 1,00
Menos de 6 meses 40 10,81 1,17

1Razão de Prevalência,

2Intervalo de Confiança a 95%,

3Valor de p do Teste Qui-Quadrado de Mantel Haenszel,

*Dados perdidos.

As covariáveis não se comportaram como modificadoras de efeito ou confundidoras, na análise estratificada. Na modelagem, mediante uso do método de regressão logística, o mesmo resultado foi observado. Contudo, baseado na literatura, o modelo final foi controlado pela covariável idade da criança, e medidas de associação bruta e ajustada pela amamentação exclusiva e gravidez sem intercorrências foram geradas. Desse modo, verificou-se uma associação positiva entre BPN e ocorrência de atraso na erupção entre as crianças com menos de 24 meses (RP ajustada=2,27, IC95%=1,02-5,07) (Tabela 5).

Tabela 5 Estimativas das RP brutas e ajustados e os respectivos Intervalos de Confiança a 95%, para a associação entre baixo peso ao nascer e atraso na erupção, de acordo com a idade, obtidas pela regressão logística, Salvador-BA, 2014 (n=520). 

Atraso na erupção Idade da criança
Maior que 24 meses (n=218) Até 24 meses (n=302)
RP1 IC95%2 RP1 IC95%2
Modelo 1 (atraso na erupção)
Presente 0,92 0,29-2,93 2,07 0,96-4,44
Modelo 2 (atraso, ajustado por gravidez com intercorrência e amamentação)
Presente 0,89 0,28-2,82 2,27 1,02-5,07

1Razão de Prevalência,

2Intervalo de Confiança a 95%.

Os diagnósticos realizados para os modelos logísticos ajustados nos estratos (idade=0 e idade=1), respectivamente, mediante o teste qui-quadrado de Hosmer e Lemeshow (p=0,842 e p=0,067), a área sob a curva ROC, 0,59 e 0,55, que mostraram aceitável discriminação entre os atrasos (1) e não atrasos (0) em relação ao BPN (exposição), além da concordânciado modelo, 89,8% e 89,3, alta especificidade, 100% e 100%, e os padrões de cova-riáveis influentes, indicaram que os modelos ajustam-se bem aos dados.

Discussão

Os resultados encontrados sugerem que existe, na população estudada, associação entre o BPN e a ocorrência de atraso de erupção em crianças menores de 24 meses de idade. Após o ajuste pelas variáveis independentes amamentação exclusiva no seio e gravidez sem intercorrências, houve um aumento da força dessa associação que passou a ser estatisticamente significante.

Considerando-se as medidas de ocorrência do atraso de erupção dental (AED) observadas neste estudo, pode-se dizer que a prevalência global (10,29%), e a prevalência verificada entre as crianças com BPN (14,71%) são menores quando comparadas aos resultados de outros estudos envolvendo a mesma faixa etária. Aktoren et al.26, por exemplo, verificaram que 21,95% das crianças prematuras estudadas tiveram seu primeiro dente erupcionado após os 10 meses de idade.

Este estudo reforça a hipótese de que fatores biológicos e nutricionais presentes na vida “precoce” influenciam os padrões de erupção dental em fases posteriores da vida. Especificamente, os efeitos do crescimento intrauterino e do estado nutricional podem ser verificados na dentição decídua. Observou-se que crianças com BPN tiveram maior ocorrência de AED. O que está de acordo com o estudo de Rezende et al.16, no qual as crianças que nasceram com baixo peso apresentaram erupção dental tardia comparada à das crianças que tiveram peso ao nascer maior que 2.500g. Segundo Andrade et al.23, a erupção dental é o sinal de desenvolvimento mais afetado por variáveis que vem sendo mais frequentemente descritas como atuantes na evolução integral da criança. Assim, entre as crianças nascidas com baixo peso, prematuras, desnutridas, que não estão mamando ou que não mamaram em nenhum período da vida, filhos de mães adolescentes e cuja escolaridade não ultrapassou a quarta série do primeiro grau apresentaram risco significante de atraso na dentição em comparação com as crianças que não apresentaram essas condições.

Ramos et al.12 também encontraram uma asso-ciação positiva estatisticamente significante entre peso ao nascer e o tempo de erupção do primeiro dente, quando a idade cronológica foi utilizada, como neste estudo.

De acordo com estes autores, crianças cujo peso ao nascer foi inferior a 1.500g tiveram seu primeiro dente erupcionado mais tarde, quando comparadas aquelas cujo peso ao nascer foi entre 1.500 e 2.499g e aquelas cujo peso ao nascer foi igual ou superior a 2.500g. Entretanto, quando a idade corrigida foi utilizada, não houve diferença estatisticamente significante nos três grupos de peso ao nascer.

No trabalho de Sjjadian et al.,13 a análise de regressão linear identificou uma correlação linear negativa entre peso ao nascer e erupção do primeiro dente decíduo. Esse resultado sugere que variáveis nutricionais e de desenvolvimento ao nascimento e através da early life podem ser importante preditores da cronologia de erupção do primeiro dente decíduo.

Al-Sayagh et al.21 observaram erupção atrasada dos dentes decíduos nas crianças com BPN em relação com as crianças do grupo controle em todos grupos de idade exceto no grupo com 4 a 6 meses de idade. Ao comparar a média de idade de erupção entre as crianças nascidas de peso normal e as crianças de baixo peso, Um et al.4 verificaram que a mesma ocorreu significantemente mais cedo nas crianças nascidas de peso normal, com exceção do primeiro molar superior e dos caninos superiores e inferiores.

Destaca-se no presente estudo a abordagem de variáveis potencialmente associadas à prematuridade e a intercorrências na gestação (uso do tabaco, infecção urinária e outras). Assim, reforça-se a hipótese de que crianças que apresentam quadro de desnutrição antes do nascimento, período no qual os dentes ainda estão sendo formados, sofrem um insulto nutricional que pode ocasionar prejuízo no desenvolvimento dos dentes decíduos.1 Como o BPN pode ser decorrente da restrição do crescimento intrauterino, que é uma condição relacionada com uma nutrição inadequada, poderia alterar a magnitude do atraso na erupção da dentição decídua.24,29

Diferentemente do presente estudo, Um et al.4 não encontraram correlação estatisticamente significante entre a cronologia de erupção dos dentes decíduos e o peso ao nascimento. Os resultados apontam para o fato de que o bebê, mesmo nascido prematuro ou de baixo peso, poderá vir a apresentar, em qualquer idade, tantos ou mais dentes erupcionados que bebês nascidos a termo e com peso normal desde que o seu crescimento tenha atingido um ritmo acelerado a ponto de sua altura para a idade ser representada em um percentil mais alto do que os que tiveram medidas antropométricas normais ao nascimento.

Os resultados de Alnemer et al.10 mostraram uma relação distinta entre peso ao nascer e números de dentes erupcionados. Segundo os autores, AED é comum em bebês prematuros com relação à dentição decídua, mas o desenvolvimento catch-up ocorre após a primeira infância e regulariza a cronologia de erupção.

Retardo do desenvolvimento dentário em crianças prematuras foi também pesquisado por Zaidi et al.24 que identificou esta como uma causa do AED. Observa-se que neste estudo a prematuridade foi uma variável de ajuste importante na modelagem. Isto porque alguns estudos demonstraram um atraso na erupção dental entre crianças prematuras, mas quando a idade corrigida foi considerada, nenhum atraso foi encontrado na cronologia de erupção.8,10,29 A idade corrigida é a idade pós-natal subtraída do número de dias, semanas ou meses que faltavam para completar as 40 semanas na época do nascimento da criança.29

Alnemer et al.10 puderam demonstrar que quanto menor o peso de nascimento maior o atraso na erupção dental. Entretanto, declararam que quando a idade corrigida foi considerada, não houve diferença entre os grupos, implicando que o atraso na erupção entre as crianças com menor peso ao nascer foi simplesmente atribuído ao seu nascimento prematuro. O BPN poderia assim levar a um retardo na erupção dental devido à prematuridade e não ao desenvolvimento dental atrasado.29

Neste estudo, a análise de confundimento e inte-ração não revelou a necessidade de ajustes ou controles pelas covariáveis pesquisadas. Entretanto, é reconhecido que as crianças com BPN normalmente tendem a recuperar a velocidade de crescimento entre 2 e 3 anos de idade, durante a fase de crescimento de recuperação ou catch-up. Esta fase é caracterizada por um aumento rápido do peso, comprimento e perímetro cefálico com uma velocidade de crescimento acelerada, ultrapassando a encontrada na população geral de crianças a termo e com peso normal ao nascer. O catch-up weight growth é o ganho compensatório de peso e acima dos padrões normais para determinada idade entre o nascimento e os 24 meses. Considerando o catch-up e que o atraso na erupção dental em crianças nascidas de baixo peso é mais evidente até 24 meses de idade,11,29 optou-se em fazer o controle pela covariável idade da criança, mesmo que a mesma não tenha se comportado como modificadora de efeito na análise. Associações positivas de maior magnitude foram encontradas entre as crianças com idade até 24 meses.

Como atrasos na erupção da dentição decídua são comuns em crianças que não foram amamentadas pelas mães1 e considerando que a existência de intercorrências durante a gestação é um importante preditor da saúde infantil, foram gerados modelos ajustados pela gestação sem intercorrências e pela amamentação exclusiva.

O peso ao nascimento resulta do crescimento pré-natal e a erupção dental sofre influência cumulativa do crescimento tanto pré quanto pós-natal, além dos fatores genéticos, maternos e gestacionais.4 A presença de intercorrências durante a gestação, como doenças maternas, uso de medicamentos, fumo, álcool e outras drogas pode influenciar no tempo de erupção dental, seja através da ocorrência de um parto prematuro, do nascimento com peso inadequado ou de ambos, o que foi analisado neste trabalho. Como o BPN pode relacionar-se a uma menor idade gestacional, ao menor peso e a problemas sistêmicos, as crianças que nascem sob essa condição tendem a apresentar atraso na erupção dos primeiros dentes decíduos.24,29

Alguns aspectos metodológicos precisam ser discutidos. Deve-se ressaltar que abordagens epidemiológicas de caráter confirmatório e que considerem os múltiplos fatores envolvidos na determinação do efeito investigado são raras no campo da epidemiologia das alterações na erupção, onde a maioria dos estudos emprega análises bivariadas ou descritivas. Há que se considerar, entretanto, o deli-neamento transversal do estudo e seus limites para o teste de hipóteses causais, visto que exposição e efeito são investigados em um mesmo momento. Contudo, neste estudo, a exposição (BPN) é necessariamente anterior à erupção dentária, ainda que possa ter havido um viés de memória com relação a essa variável.

Em que pese às limitações, este estudo sugere que variáveis de desenvolvimento e nutricionais ao nascimento e durante a vida precoce podem ser importantes preditores do tempo de erupção do primeiro dente decíduo em crianças na primeira infância.

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Recebido: 22 de Janeiro de 2018; Revisado: 21 de Setembro de 2018; Aceito: 25 de Julho de 2019

Contribuições dos autores

Castro CRS, Vianna MIP, Cabral MBBS e Mota ELA - elaboração do artigo, análise e interpretação dos dados, escrita do rascunho do manuscrito, revisão crítica do conteúdo e elaboração da versão final do manuscrito. Cangussu MCT - escrita do rascunho do manuscrito, revisão crítica do conteúdo e elaboração da versão final do manuscrito. Todos os autores aprovaram a versão final do manuscrito.

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