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Neotropical Entomology

Print version ISSN 1519-566XOn-line version ISSN 1678-8052

Neotrop. Entomol. vol.35 no.1 Londrina Jan./Feb. 2006

https://doi.org/10.1590/S1519-566X2006000100017 

CROP PROTECTION

 

Biologia, exigências térmicas e tabela de vida de fertilidade do ácaro-branco Polyphagotarsonemus latus (Banks) (Acari: Tarsonemidae) em videira (Vitis vinifera L.) cv. Itália

 

Biology, thermal requirements and fertility life table of the broad mite Polyphagotarsonemus latus (Banks) (Acari: Tarsonemidae) in grape (Vitis vinifera L.) cv. Italia

 

 

Rodrigo C. F. FerreiraI; José V. de OliveiraII; Francisca N. P. HajiIII; Manoel G. C. Gondim Jr.II

IEmbrapa SNT Esc. de Neg. de Petrolina, BR 122, km 50, C. postal 23, 53320-700, Petrolina, PE
IIDepto. Agronomia/Fitossanidade, Univ. Federal Rural de Pernambuco, Av. Dom Manoel de Medeiros s/n, Dois Irmãos, 52171-900, Recife, PE
IIIEmbrapa Semi-Árido, C. postal 23, 56300-000, Petrolina, PE

 

 


RESUMO

O ácaro Polyphagotarsonemus latus (Banks) constitui uma das principais pragas da videira no Submédio do Vale do São Francisco. Sendo assim, o objetivo deste trabalho foi estudar a biologia, determinar as exigências térmicas e a tabela de vida de fertilidade de P. latus em videira (Vitis vinifera L.) cv. Itália. Foram utilizadas câmaras climatizadas (BOD), ajustadas para as temperaturas de 18, 22, 25, 28 e 32ºC, umidade relativa de 65 ± 10% e fotofase de 12h. O período ovo-adulto foi de 3,4 e de 6,8 dias para machos e de 3,5 e de 7,4 dias para fêmeas, respectivamente a 32 e 18ºC. Nas temperaturas de 18, 25 e 32ºC cada fêmea depositou, respectivamente, 16,5; 44,3 e 13,3 ovos. Os estágios de ovo, larva e pupa e o período ovo-adulto apresentaram, respectivamente, limiar térmico inferior de 11,23; 9,45; 12,19 e 9,71ºC e constantes térmicas de 28,51; 14,59; 8,33 e 62,73 graus-dia. A duração média da geração (T) foi igual a 25,6; 10,8 e 8,2 dias, respectivamente, nas temperaturas de 18, 25 e 32ºC. A taxa líquida de reprodução (R0) foi maior na temperatura de 25ºC, correspondendo a um aumento de 30,12 vezes a cada geração. A taxa intrínseca de crescimento populacional (rm) foi de 0,10 (18ºC); 0,31 (25ºC) e 0,12 (32ºC) e a razão finita de aumento populacional (l) 1,10 (18ºC); 1,36 (25ºC) e 1,13 (32ºC). De acordo com as normais térmicas, P. latus pode desenvolver 95 e 99 gerações/ano, respectivamente, para os municípios de Petrolina, PE e Juazeiro, BA.

Palavras-chave: Tarsonemídeo, Vitaceae, constante térmica, graus-dia


ABSTRACT

The mite Polyphagotarsonemus latus (Banks) constitutes one of the main pest of grape crop at the Submédio São Francisco Valley. The objective of this work was to study the biology of the broad mite Polyphagotarsonemus latus (Banks), to determine its thermal requirements and its fertility life table in grape (Vitis vinifera L.) cv. Italy. Acclimatized chambers (BOD) were used, adjusted to the temperatures of 18, 22, 25, 28 and 32ºC, relative humidity of 65 ± 10% and alternated light of 12h. Egg-adult period was 3.4 and 6.8 days for males and 3.5 and 7.4 days for females, respectively at 32ºC and 18ºC. At the temperatures of 18, 25 and 32ºC, each female deposited, respectively, 16.5, 44.3 and 13.3 eggs. The stages of egg, larva and pupa and egg-adult period presented, respectively, thermal thresholds of 11.23, 9.45, 12.19, and 9.71ºC and thermal constant of 28.51, 14.59, 8.33, and 62.73 degrees-day. The mean duration of one generation (T) was 25.6, 10.8 and 8.2 days, respectively, at the temperatures of 18, 25 and 32ºC. The net reproductive rate (R0) at the temperature of 25ºC was the highest, corresponding to an increase of 30.12 times at each generation. The intrinsic rate of population increase (rm) was 0.10 (18ºC), 0.31 (25ºC) and 0.12 (32ºC) and the finite ratio of population increase (l) was 1.10 (18ºC), 1.36 (25ºC) and 1.13 (32ºC). According to the mean temperature values, P. latus can have 95 and 99 generations/year, respectively, for the municipal districts of Petrolina, PE and Juazeiro, BA.

Key words: Tarsonemid, Vitaceae, thermal constant, degree-day


 

 

O gênero Vitis é o mais importante da família Vitaceae, destacando-se a videira como a cultura de maior expressão econômica. Os cultivares que apresentam melhor qualidade pertencem à espécie Vitis vinifera (L.), também conhecidos como videiras européias. No Brasil muitos cultivares são plantados e destinados à vinificação e ao consumo in natura (Kuhn et al.1996, Botton et al. 2000).

No Submédio do Vale do São Francisco o ácaro-branco, Polyphagotarsonemus latus (Banks), constitui uma das principais pragas da videira. Infesta as folhas novas e brotações, provocando perdas significativas, principalmente pela paralisação do crescimento ou atrofia dos ramos (Haji et al. 2001). É uma praga de ocorrência freqüente em várias culturas nas regiões tropical e subtropical, sendo relatada em mais de 60 famílias de plantas (Schoonhoven et al. 1978, Gerson 1992, Peña & Bullock 1994, Coss-Romero & Peña 1998). Infesta, preferencialmente, as porções mais tenras das plantas, como o algodoeiro (Cividanes et al. 1987), berinjela (Queiroz & Oliveira 1992), juta (Hath 2000) e videira (Haji et al. 2001). Dissemina-se pelo vento, por estruturas vegetais infestadas e transportadas de uma área para outra, de forma natural pelo contato entre a folhagem das plantas (Hugon 1983), e ainda pela relação forética com o pulgão, Myzus persicae Schulzer e a mosca-branca dos gêneros Bemisia e Trialeurodes (Fan & Petitt 1998, Palevsky et al. 2001).

A biologia de P. latus foi estudada em algumas plantas hospedeiras, com a elaboração de tabelas de vida de fertilidade, como em lima ácida (Citrus sp.) (Hugon 1983), pimentão (Capsicum annuum L.) (Silva et al. 1998), algodoeiro (Gossypium hirsutum L.) (Vieira & Chiavegato 1998) e limão siciliano (Citrus limon Burmman) (Vieira & Chiavegato 1999). No entanto, são escassos os estudos sobre as exigências térmicas dessa praga em níveis nacional e internacional. Em citros, Jones & Brown (1983) verificaram que o liminar térmico inferior para P. latus encontrava-se entre 12ºC e 14ºC e o limiar térmico superior de desenvolvimento entre 33ºC e 35ºC, no entanto, não mencionaram o valor da constante térmica.

O objetivo deste trabalho foi estudar a biologia, determinar as exigências térmicas e elaborar a tabela de vida de fertilidade de P. latus em videira.

 

Material e Métodos

O presente trabalho foi realizado no Laboratório de Entomologia Agrícola e em casa-de-vegetação da Área de Fitossanidade do Departamento de Agronomia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), no período de janeiro a dezembro de 2004, em mudas de videira, cv. Itália, procedentes de Petrolina, PE.

Obtenção e criação de P. latus. Os ácaros foram obtidos de folhas de feijoeiro, Phaseolus vulgaris L., cv. Rajadinho, cultivadas em casa-de-vegetação em vasos contendo solo esterilizado e húmus na proporção 2:1. A criação foi mantida em laboratório à temperatura de 27 ± 0,7ºC, 73 ± 5% de umidade relativa e fotofase de 12h, utilizando como hospedeiras plantas de feijoeiro, que após a abertura da primeira folha trifoliolada, foram infestadas com fêmeas adultas de P. latus. Semanalmente, novas plantas foram infestadas por meio do contato direto com as plantas utilizadas anteriormente.

Biologia de P. latus. Este estudo foi iniciado com 1000 fêmeas adultas obtidas da criação estoque, as quais foram confinadas em arenas formadas por um recipiente de plástico de 4 cm de diâmetro e 2 cm de altura, tampado com filme plástico, contendo no interior um disco foliar de videira de 2 cm de diâmetro, com a face adaxial, em contato com o papel de filtro sobreposto em espuma de poliuretano umedecidos com água destilada. No experimento foi utilizada a terceira folha de ramos jovens a partir do ápice. Para cada tratamento foram utilizadas 10 arenas contendo 20 fêmeas adultas cada e mantidas em câmaras climatizadas (BOD) ajustadas para as temperaturas de 18, 22, 25, 28 e 32ºC, umidade relativa de 65 ± 10% e fotofase de 12h. Após 4h, as fêmeas foram retiradas e os ovos observados a cada 6h, até a eclosão das larvas. Em seguida, estas foram transferidas, individualmente, para arenas semelhantes às anteriormente descritas, e feitas observações com intervalo de 6h, visando avaliar a duração dos estágios de larva e pupa. As arenas foram umedecidas com água destilada, a cada observação realizada, para hidratação dos discos foliares, os quais, foram trocados a cada dois dias.

Após a emergência, os machos permaneceram individualizados e foram observados a cada 24h para a determinação da longevidade; as fêmeas foram acasaladas com machos obtidos da criação de laboratório e avaliadas neste mesmo intervalo, visando determinar os períodos de pré-oviposição, oviposição e pós-oviposição, longevidade e fecundidade. Os machos que morriam eram substituídos por outros provenientes da criação. O estudo com ácaros adultos foi conduzido em câmaras climatizadas reguladas para as temperaturas de 18, 25 e 32ºC, umidade relativa de 65 ± 10% e fotofase de 12 horas.

Para os estágios de ovo, larva e pupa e período de ovo-adulto, utilizou-se o delineamento experimental inteiramente casualizado com cinco tratamentos, correspondentes às temperaturas de 18, 22, 25, 28 e 32ºC e 94, 147, 103, 109 e 111 repetições, respectivamente. Na fase adulta utilizaram-se como tratamentos as temperaturas de 18, 25 e 32ºC e 69, 51 e 56 repetições, respectivamente. Os resultados foram submetidos à análise de variância e complementados pela análise de regressão. A comparação entre médias foi obtida pelo teste de Tukey (P = 0,05), utilizando-se o programa computacional SANEST 3.0 (Zonta et al. 1986).

Tabela de vida de fertilidade de P. latus. Foi construída de acordo com Silveira Neto et al. (1976) e determinados os seguintes parâmetros: taxa líquida de reprodução (R0), tempo médio da geração (T), taxa intrínseca de crescimento populacional (rm) e razão finita de aumento populacional (l).

Exigências térmicas de P. latus. O limiar térmico inferior (Tb) e a constante térmica (K) foram calculados pelo método da hipérbole, utilizando-se o programa computacional MOBAE (Modelos Bioestatísticos Aplicados à Entomologia) (Haddad et al.1995), tendo por base a duração do período de ovo-adulto nas temperaturas testadas. O valor de K foi obtido com base nas exigências térmicas, através da fórmula K = y (t – a), sendo K = constante térmica em graus dia; y = tempo requerido, em dias, para completar o desenvolvimento; t = temperatura ambiente em ºC; a = limiar térmico inferior em ºC (Silveira Neto et al. 1976). A temperatura de 32ºC, por não se ajustar ao modelo da hipérbole, foi excluída do cálculo.

Estimou-se o número de gerações (NG) anuais do ácaro-branco para os municípios de Petrolina, PE, e Juazeiro, BA, utilizando-se as normais térmicas dos últimos 30 anos das estações experimentais de Bebedouro em Petrolina - PE e de Mandacaru em Juazeiro - BA, disponibilizadas pela Embrapa Semi-Árido. O cálculo do NG foi efetuado por meio da equação: {NG = {T(Tm – Tb)/K}, onde: K = constante térmica, Tm = a temperatura média para cada localidade estudada, Tb = limiar térmico inferior e T = o tempo considerado, em dias.

 

Resultados e Discussão

Biologia de P. latus. O tempo de desenvolvimento das fases imaturas de P. latus, sem distinção do sexo, diminuiu com o aumento da temperatura até 28ºC; a 32ºC ocorreu um leve aumento na duração do estágio de ovo e do período de ovo-adulto (Tabela 1). Nas temperaturas de 18ºC e 28ºC, a duração média dos estágios de ovo, larva e pupa foi de 3,9 e 1,6; 1,7 e 0,8 e 1,3 e 0,5 dias, respectivamente, e os valores do período de ovo a adulto 7,3 e 3,3 dias. Em algodoeiro, Vieira & Chiavegato (1998) obtiveram durações de 2,1; 1,1 e 0,8 dia, respectivamente, para as fases de ovo, larva e pupa de P. latus na temperatura de 28,5ºC. Para as fases de larva e pupa, os resultados estão próximos aos obtidos por Vieira & Chiavegato (1998). Na análise de regressão, o modelo que melhor se ajustou foi o quadrático (Fig. 1).

A duração das fases de ovo, larva, pupa e período ovo-adulto para machos e fêmeas foram maiores na temperatura de 18ºC, reduzindo-se a 28ºC (Tabela 2). A duração do período de ovo-adulto foi de 7,4 e 3,5 dias para fêmeas e 6,8 e 3,1 dias para machos a 18ºC e 28ºC, respectivamente. No entanto, à temperatura de 32ºC houve pequenos acréscimos na duração dessas fases. Silva et al. (1998) verificaram redução no período de ovo a adulto para machos e fêmeas de P. latus em folhas de pimentão com o aumento da temperatura de 20ºC para 30ºC, respectivamente; 25ºC os resultados foram semelhantes aos obtidos neste trabalho. Em lima ácida a duração deste período foi de 8,5 dias na temperatura de 25ºC (Hugon 1983), 4,1 dias em algodoeiro (Vieira & Chiavegato 1998) a 28,5ºC e 3,6 dias para macho e 3,7 dias para fêmea a 27,1ºC em limão-siciliano (Vieira & Chiavegato 1999). A viabilidade das formas imatura foi de 96% a 18ºC; 91% a 22ºC; 90% a 25ºC; 80% a 28ºC e 77% a 32ºC.

O período de pré-oviposição foi menor a 25ºC e os de oviposição e pós-oviposição, a longevidade de macho e fêmea diminuíram com o aumento da temperatura entre 18ºC e 32ºC (Tabela 3). A fecundidade foi de 16,5; 44,3 e 13,3 ovos/fêmeas nas temperaturas de 18, 25 e 32ºC, respectivamente. O período de pré-oviposição e postura média diária de P. latus, a 25ºC, assemelham-se aos encontrados por Silva et al. (1998) em pimentão. Em limão siciliano, a 27,1ºC, os períodos de pré-oviposição, oviposição, fecundidade e longevidade de macho e fêmea foram 1,0, 10,5 dias, 58,9 ovos/fêmea, 12,0 e 13,4 dias, respectivamente (Vieira & Chiavegato 1999).

O ritmo de postura de P. latus variou de 1 a 23 dias, registrando-se pico de oviposição de 4,3 ovos no terceiro dia idade da fêmea na temperatura de 25ºC. A sobrevivência de 50% de fêmeas ocorreu aos 33, 17 e 9 dias, respectivamente, nas temperaturas de 18, 25 e 32ºC (Fig. 2). Em feijoeiro, nas temperaturas entre 22ºC e 28ºC, Schoonhoven et al. (1978) constataram pico de oviposição de 4,9 ovos/fêmea aos nove dias; em pimentão, a 25ºC, o máximo de oviposição foi 5,0 ovos no oitavo dia e 54% de sobrevivência de fêmeas aos 13 dias (Silva 1995); em algodoeiro, a 28,5ºC, Vieira & Chiavegato (1998) observaram 4,8 ovos no quinto dia e 50% de sobrevivência aos 11 dias e em limão-siciliano, Vieira & Chiavegato (1999) constataram 6,5 ovos/fêmea aos quatro dias e 50% de sobrevivência aos 15 dias na temperatura de 27,1ºC.

 

 

Tabela de vida de fertilidade. O tempo médio da geração de P. latus (T) diminuiu com o aumento da temperatura, com valores de 25,6; 10,8 e 8,2 dias, respectivamente, nas temperaturas de 18, 25 e 32ºC. (Tabela 4). A taxa líquida de reprodução (R0) de 30,12, a taxa intrínseca de crescimento populacional (rm) de 0,31 e a razão finita de aumento (l) de 1,37 foram mais adequadas ao desenvolvimento de P. latus na temperatura de 25ºC, embora a duração média da geração tenha sido menor a 32ºC. Os valores de rm e l a 25ºC do presente trabalho foram semelhantes aos, encontrados por Silva et al. (1998), em pimentão. Também houve semelhança com os resultados encontrados em algodoeiro (Vieira & Chiavegato 1998) e em limão-siciliano (Vieira & Chiavegato 1999), mas os trabalhos foram desenvolvidos nas temperaturas de 27,1 e 28,5ºC. Hugon (1983), construiu uma tabela de vida de fertilidade a 25ºC, apresentando valores de R0, T, rm e l de 17,58; 6,71; 0,427 e 1,53, respectivamente.

 

 

Exigências térmicas. O limite térmico inferior (Tb) foi de 11,23; 9,45; 12,19 e 9,71ºC, respectivamente, para as fases de ovo, larva, pupa e período de ovo-adulto de P. latus e a constante térmica (K) apresentou valores de 28,51; 14,59; 8,33 e 62,73 graus-dia (Figs. 3 e 4). A obtenção de K é de grande importância pelo fato de a temperatura ser considerada um dos fatores abióticos que mais influenciam a velocidade de desenvolvimento, comportamento, alimentação, fecundidade e a dispersão de insetos e ácaros, bem como fornece informações relevantes sobre o planejamento da criação desses organismos, visando desenvolver atividades de pesquisa.

 

 

Apesar de P. latus apresentar grande expressão econômica por infestar diversas culturas em níveis nacional e internacional, os estudos sobre as suas exigências térmicas ainda são escassos. Isto reforça a relevância do presente trabalho para a região do Submédio do Vale do São Francisco, em relação ao manejo desta praga na produção integrada de uva, por não ter sido encontrada na literatura consultada referência completa sobre a determinação das exigências térmicas em videira, bem como em outra cultura. Apenas em citros Jones & Brown (1983) mencionaram que o valor de Tb situou-se entre 12ºC e 14ºC e seu limiar térmico superior de desenvolvimento entre 33ºC e 35ºC, porém o valor de K não foi estimado.

Baseando-se nas normais térmicas dos últimos 30 anos, estimou-se que P. latus pode desenvolver por ano, pelo menos, 95 e 99 gerações em videira nos municípios de Petrolina, PE e Juazeiro, BA, por apresentarem médias de temperatura favoráveis ao seu desenvolvimento. O número de gerações/mês (Fig. 3) variou de 7,0 a 8,7 em Petrolina e de 7,3 a 9,0 em Juazeiro e no período de outubro a janeiro registrou-se o maior número de gerações, quando a temperatura média foi 27,7ºC e umidade relativa 59,5%. Os resultados obtidos no presente trabalho reforçam a necessidade do monitoramento de P. latus durante todo o ciclo fenológico da videira, pois de acordo com as exigências térmicas, essa praga necessita acumular apenas 62,73 grausdia para completar uma geração.

 

Agradecimentos

À CAPES e ao CNPq pela concessão de bolsas junto ao Programa de Pós-Graduação em Fitossanidade/Entomologia da UFRPE e Produtividade em Pesquisa, respectivamente, ao primeiro e segundo autores deste trabalho.

 

Referências

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Received 27/VII/05. Accepted 03/XI/05.

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