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Neotropical Entomology

versão impressa ISSN 1519-566X
versão On-line ISSN 1678-8052

Neotrop. Entomol. v.35 n.4 Londrina jul./ago. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S1519-566X2006000400021 

SCIENTIFIC NOTE

 

Ocorrência de Aleurocanthus woglumi Ashby (Hemiptera: Aleyrodidae) no Maranhão

 

Occurrence of Aleurocanthus woglumi Ashby (Hemiptera: Aleyrodidae) in the State of Maranhão, Brazil

 

 

Raimunda N.S. de LemosI; Gilson S. da SilvaI; José R.G. AraújoI; Evandro F. das ChagasI; Aldenise A. MoreiraI; Ana T.M. SoaresII

IDepto. Fitotecnia e Fitossanidade, CCA/UEMA, C. postal 6.006, 65.055-970, São Luís, MA
IICasa da Agricultura Familiar/ SEAGRO, 65.900-010, Imperatriz, MA

 

 


RESUMO

Aleurocanthus woglumi Ashby é registrada no Maranhão em citros e mangueira. As amostras foram coletadas em 2003 e 2004, em vários municípios, e foram depositadas na coleção de insetos do Laboratório de Entomologia do Núcleo de Biotecnologia Agronômica da Universidade Estadual do Maranhão.

Palavras-chave: Mosca-negra-dos-citros, citros, mangueira


ABSTRACT

Aleurocanthus woglumi Ashby in citrus and mango crops in the state of Maranhão, Brazil, is recorded. Samples of 2003 and 2004 from several counties were identified and deposited in the Insect Collection of the Laboratório de Entomologia of the Núcleo de Biotecnologia Agronômica, Universidade Estadual do Maranhão.

Key words: Citrus blackfly, citrus, mango


 

 

A mosca-negra-dos-citros, Aleurocanthus woglumi Ashby, é originária do Sudoeste da Ásia, e encontra-se disseminada em grande parte do mundo (África, Américas do Norte, Central e do Sul) (Oliveira et al. 2001). No Brasil, foi encontrada pela primeira vez, em julho/2001, no Pará (Oliveira et al. 2001). Por ser praga quarentenária, A. woglumi representa uma ameaça à fruticultura brasileira (Brasil 1999), em função dos impactos que as medidas de controle adotadas podem causar sobre os ecossistemas naturais.

A mosca negra alimenta-se de grande quantidade de seiva, deixando a planta debilitada, levando-a ao murchamento, e em muitos casos, à morte. A fumagina (Capnodium sp.) que se desenvolve sobre as excreções da mosca negra, pode revestir totalmente a folha, acarretando redução da fotossíntese, diminuição do nível de nitrogênio das folhas e impedindo a respiração da planta (Dowell 1983, Nguyen & Hamon 1993, Heu & Nagamine 2001). Em altas concentrações a fumagina interfere na formação dos frutos, prejudicando a produção e diminuindo o valor comercial. A frutificação fica prejudicada e pode ser reduzida em até 80% (Oliveira et al. 2001).

A mosca negra ataca mais de 300 espécies de plantas (Nguyen & Hamon 1993), tendo como hospedeiros principais citros, caju e abacate. Porém, em elevada densidade populacional os adultos se dispersam para outras plantas hospedeiras como rosas, maçã, café, manga, figo, goiaba, banana, uva, mamão, pêra , romã e marmelo (Oliveira et al. 2001).

Neste trabalho, A. woglumi é registrada no Maranhão, em 15 de setembro de 2003, em Boa Vista do Gurupi, Imperatriz e Bacabal, em pomar de citros com dez anos. Em 4 de março de 2004, novos registros foram feitos em Barra do Corda e São Luís, em citros e mangueira, verificando-se nesta ocasião a presença de mais de 100 pupários/folha.

A mosca negra ocorre durante todo o ano. Os ovos são depositados em espiral na face abaxial das folhas, em grupos de 35 a 50 (Fig. 1A, B). As fêmeas põem em média 100 ovos durante seu ciclo de vida (Heu & Nagamine 2001). A eclosão das ninfas ocorre em 4 a 12 dias, dependendo do clima (Oliveira et al. 2001). As ninfas recém-eclodidas são claras e à medida que crescem tornam-se escuras (Fig. 1B, C, D). O adulto é preto com tons cinza-azulados (Fig. 1D): a fêmea mede 1,24 mm e o macho 0,99 mm de comprimento (Nguyen & Hamon 1993). O ciclo biológico, em condições naturais, varia de 54 a 103 dias, com quatro gerações ao ano (Martinez 1983).

 



 

Dados preliminares sobre a ocorrência e biologia da mosca negra na cultura de citros no Maranhão, revelam o número máximo de 100 posturas em espiral/folha, depositadas em grupos de 10 a 61 ovos/postura e 304 pupários/folha.

 

Referências

BRASIL. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Lista de pragas quarentenárias A1, A2 e as não quarentenárias regulamentadas. Instrução Normativa n0 38/MAPA. Brasília. Diponivel: http://www. Instrução Normativa SDA Nº 38, de 14 de outubro de 1999. [Acessado em 02 de ag. 2006].        [ Links ]

Dowell, R.V. 1983. Nitrogen levels in citrus leaves infested with immature citrus blackfly. Entomol. Exp. Appl. 14: 201-203.        [ Links ]

Heu, R.A. & W.T. Nagamine. 2001. Citrus blackfly, Aleurocanthus woglumi Ashby (Homoptera: Aleyrodidae). Hawaii Department of Agriculture, Division of Plant Industry, New Pest Advisory. 99: 1-3.        [ Links ]

Martínez, N.B. 1983. Biologia de la mosca prieta de los citricos Aleurocanthus woglumi (Homoptera: Aleyrodidae) en el campo. Agron. Trop. 31: 211-218.        [ Links ]

Nguyen, R. & A.B. Hamon. 1993. Citrus blackfly, Aleurocanthus woglumi Ashby (Homoptera: Aleyrodidae). Florida Department of Entomology and Nematology, Division of Plant Industry, Entomol. Cir. 360: 1-4.        [ Links ]

Oliveira, M.R.V., C.C.A. Silva & D. Navia. 2001. Mosca negra dos citros Aleurocanthus woglumi: Alerta quarentenário. Brasília, Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 12p.        [ Links ]

 

 

Received 12/V/05.
Accepted 27/IX/05.

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