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Neotropical Entomology

versão impressa ISSN 1519-566Xversão On-line ISSN 1678-8052

Neotrop. Entomol. v.35 n.5 Londrina set./out. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S1519-566X2006000500020 

SCIENTIFIC NOTE

 

Ocorrência de Rachiplusia nu (Guenée) (Lepidoptera: Noctuidae) em fumo (Nicotiana tabacum L.) no Rio Grande do Sul

 

Occurrence of Rachiplusia nu (Guenée) (Lepidoptera: Noctuidae) on tobacco (Nicotiana tabacum L.) in Rio Grande do Sul, Brazil

 

 

Alexandre SpechtI, II; Jerson V.C. GuedesIII; Felipe SulzbachIII; Tatiane G. VogtI

IDepto. Ciências Exatas e da Natureza, UCS, Campus Universitário da Região dos Vinhedos, C. postal 32, 95700-000 Bento Gonçalves, RS
IIInstituto de Biotecnologia, UCS, Cidade Universitária, C. postal 1352, 95070-560, Caxias do Sul, RS
IIIDepto. Defesa Fitossanitária, Univ. Federal de Santa Maria, 97105-900, Santa Maria, RS

 

 


RESUMO

É registrada pela primeira vez a ocorrência de Rachiplusia nu (Guenée) em Nicotiana tabacum L. (Solanaceae). Os espécimes foram coletados em uma lavoura de fumo tipo Virgínia, em Venâncio Aires, RS. As lagartas ocorreram em grande número, causando expressivo desfolhamento das plantas e demandando controle químico para minimizar os danos. Essa ocorrência indica que R. nu pode se alimentar de fumo, do tipo Virgínia, que ocupa 80% da área cultivada com fumo no Rio Grande do Sul, apresentando, portanto, o risco de se tornar uma praga importante dessa cultura.

Palavras-chave: Insecta, Plusiinae, falsa-medideira, lagarta


ABSTRACT

The occurrence of Rachiplusia nu (Guenée) is registered for the first time in tobacco [Nicotiana tabacum L. (Solanaceae)]. The specimens were collected in a Virginia tobacco field, in Venâncio Aires, State of Rio Grande do Sul. Caterpillars occurred in large infestations, causing important damage to tobacco leaves, and demanding chemical control to minimize losses. This occurrence indicates that this species can feed on Virginia tobacco, which corresponds to 80% of the tobacco area of Rio Grande do Sul, and so presents high risk to become an important pest in tobacco fields.

Key words: Insecta, Plusiinae, caterpillar, semi-looper


 

 

O fumo [Nicotiana tabacum L. (Solanaceae)] é cultivado principalmente na Região Sul do Brasil. No Rio Grande do Sul, estado que apresenta a maior área plantada (180.000 ha), são cultivados os tipos Virgínia e Burley, responsáveis por 78,2% e 20,5% da área, respectivamente (Correa et al. 2003). A cultura apresenta grande importância econômica, devido ao elevado valor comercial e à capacidade de empregar grande número de pessoas, tanto no cultivo como na industrialização.

Silva et al. (1968) referem 93 espécies alimentando-se dessa cultura, das quais 23 são lepidópteros e, destes, 12 são Noctuidae. Das 42 espécies registradas no Ministério da Agricultura como pragas desta cultura, 11 são lepidópteros dos quais nove são noctuídeos (Lima & Racca Filho 1996). Entretanto, entre os representantes de Plusiinae, subfamília de Noctuidae cujas lagartas são conhecidas pela denominação de falsas-medideiras, apenas Trichoplusia ni (Hübner) é referida como hóspede de Nicotiana spp. por Silva et al. (1968) e de N. tabacum L., por Lima e Racca Filho (1996).

Durante a safra 2004/05, no município de Venâncio Aires, RS, ocorreu um ataque severo de falsas-medideiras em uma lavoura comercial de fumo. Na ocasião, lagartas de diferentes ínstares encontravam-se consumindo exclusivamente fumo do tipo Virgínia, aproximadamente 45 dias após o transplante das mudas.

Amostras contendo lagartas de diferentes tamanhos (Fig. 1a) e casulos com pupas (Fig. 1b) foram recolhidas e levadas ao Laboratório de Manejo Integrado de Pragas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), onde foram alimentadas com a própria planta hospedeira até a obtenção dos adultos (Fig. 1c), visando sua identificação específica. A partir dos adultos o material foi identificado pelo primeiro autor como Rachiplusia nu (Guenée).

 

 

Com a finalidade de servir como material testemunha, um lote contendo três casais representativos, preparados para preservação a seco em alfinetes entomológicos, foi incorporado à coleção entomológica do Museu de Ciências e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), sob o número 15.184.

Destaca-se que a ocorrência dessa espécie na cultura do fumo, apesar de ainda não ter sido referida, é previsível, uma vez que suas lagartas são hóspedes de pelo menos 18 plantas pertencentes a nove famílias vegetais entre as quais consta o fumo-bravo (Nicotiana glauca Graham) referida por Silva et al. (1968) como "paraguaia". Ainda, deve-se destacar que Rachiplusia ou (Guenée), restrita ao Hemisfério Norte, é hóspede de plantas herbáceas de pelo menos sete famílias (Lafontaine & Poole 1991), sendo referida como hóspede do fumo desde 1956 por Crumb. Esses aspectos somados dão à ocorrência de R. nu em fumo no Rio Grande do Sul, uma importância ainda maior, visto que a espécie pode tornar-se praga da cultura, que, por sua vez, não tolera danos devido ao elevado valor comercial de suas folhas.

 

Agradecimentos

À Fundação de Amparo a Pesquisa do Rio Grande do Sul (FAPERGS), pela concessão do auxílio ARD 02/1381.4. À Dra. Sônia Bastos Dequech e Dr. Dionísio Link, pela leitura e contribuição crítica.

 

Referências

Corrêa, S., C. Santos, R.R. Beling, B.B. Kist, I. Müller & M. Pante. 2003. Anuário brasileiro do fumo. Santa Cruz do Sul, Editora Gazeta, 144p.        [ Links ]

Crumb, S.E. 1956. The larvae of the Phalaenidae. USDA Tech. Bull. 1135: 1-356.        [ Links ]

Lafontaine, J.D. & R.W. Poole. 1991. Fascicle 25.1 - Noctuoidea, Noctuidae (Part) Plusiinae. In R.W. Hodges (ed.), The moths of America North of México. Lawrence, The Wedge Entomological Research Foudation, 182p.        [ Links ]

Lima, A.F. & F. Racca Filho. 1996. Manual de pragas e praguicidas: Receituário agronômico. Rio de Janeiro, Ed. da UFRRJ, 818p.        [ Links ]

Silva, A.G.d'A., C.R. Gonçalves, D.M. Galvão, A.J.L. Gonçalves, J. Gomes, M.N. Silva & L. Simoni. 1968. Quarto catálogo dos insetos que vivem nas plantas do Brasil, seus parasitos e predadores. Parte II, 1º tomo. Insetos, hospedeiros e inimigos naturais. Rio de Janeiro, Ministério da Agricultura, 622p.        [ Links ]

 

 

Received 03/VI/05.
Accepted 17/X/05.

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