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Neotropical Entomology

Print version ISSN 1519-566XOn-line version ISSN 1678-8052

Neotrop. Entomol. vol.35 no.6 Londrina Nov./Dec. 2006

https://doi.org/10.1590/S1519-566X2006000600002 

ECOLOGY, BEHAVIOR AND BIONOMICS

 

Diversidade de formigas epigéicas (Hymenoptera: Formicidae) em capões do Pantanal Sul Matogrossense: relações entre riqueza de espécies e complexidade estrutural da área

 

Ant diversity (Hymenoptera: Formicidae) from capões in Brazilian Pantanal: relationship between species richness and structural complexity

 

 

Michele M. CorrêaI; Wedson D. FernandesII; Inara R. LealIII

IDepto. Estudos Básicos e Instrumentais, Univ. Estadual do Sudoeste da Bahia, 45.700-000, Itapetinga, BA correamm@uesb.br
IIPrograma de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação, Univ. Federal de Mato Grosso do Sul, 79070-900 Campo Grande, MS; Fac. Ciências Biológicas e Ambientais, Univ. Federal da Grande Dourados 79804-970, Dourados, MS wedson@ufgd.edu.br
IIIDepto. Botânica, Univ. Federal de Pernambuco, 50.670-901, Recife, PE, irleal@ufpe.br

 

 


RESUMO

A riqueza de formigas de capões do Pantanal brasileiro foi amostrada e relacionada com a complexidade estrutural das áreas. As formigas foram coletadas com armadilhas de solo do tipo pitfall em 28 capões na Fazenda Rio Negro, Município de Aquidauana, MS. A complexidade estrutural dos capões foi avaliada através de estimativa da densidade da vegetação e da espessura da serapilheira próximo às armadilhas. Setenta e uma espécies foram encontradas, pertencentes a 26 gêneros e sete subfamílias, das quais Ectatomma edentatum Roger (Formicidae: Ectatomminae) e uma espécie de Pheidole foram as mais freqüentes. Somente foi encontrada relação positiva entre a riqueza da comunidade de formigas e a densidade da vegetação herbácea, corroborando a idéia de que a heterogeneidade do ambiente é um fator determinante para a coexistência e diminuição de competição entre espécies.

Palavras-chave: Insecta, armadilha pitfall, serapilheira


ABSTRACT

Species richness of epigeic ants was surveyed in forest islands named capões of Brazilian Pantanal and related with their structural complexity. The ants were collected using pitfall traps in 28 capões from Rio Negro Farm, in Aquidauana municipality, Mato-Grosso do Sul state, Brazil. The structural complexity of capões was evaluated by measuring vegetation density and litter quantity near the pit-fall traps. Seventy-one species, distributed in 26 genera and seven sub-families were found. Ectatomma edentatum Roger (Formicidae: Ectatomminae) and one species of Pheidole were the most frequent species. Species richness was positively correlated only with herbaceous vegetation density of capões, supporting the idea that the increase in environmental heterogeneity diminishes species competition, allowing species co-occurrence.

Key words: Insecta, litter, pitfall trap


 

 

O Pantanal Mato-Grossense, considerado uma das maiores planícies de inundação da América Latina, com cerca de 140.000 km² (Brasil 1982), é um mosaico de comunidades, com mudanças abruptas na paisagem (Prance & Schaller 1982), resultado da interação entre fatores edáficos, hidrológicos e biogeográficos (Lourival et al. 2000). Apresenta diversos tipos fisionômicos, dentre eles os capões, que são grandes montes de terra, cobertos por vegetação com formato circular ou elíptico e esparsamente distribuídos em campos sujeitos à inundação sazonal (Ponce & Cunha 1993). Suas bordas são constituídas de espécies vegetais típicas de mata ciliar e savanas inundáveis, enquanto a parte central, quase nunca inundável, possui espécies características de mata semi-decídua (Damasceno et al. 1996). O dossel varia de 10-15 m, sendo descontínuo na parte central e fechado em sua periferia (Damasceno et al. 1996). Como estão alojados em uma depressão sedimentar, representam verdadeiras ilhas durante as inundações anuais, o que permite sua colonização por espécies vegetais e animais (Oliveira-Filho 1992). Embora diversos projetos estejam em andamento na região pantaneira, até o momento existem poucas publicações sobre as comunidades de artrópodes no Pantanal (Marques et al. 2001, Raizer & Amaral 2001, Santos et al. 2003), e estudos com a fauna de formigas nesses ambientes são escassos (Campos et al. 1999).

Embora as cerca de 10 mil espécies descritas de formigas representem apenas 1,5% das espécies conhecidas de insetos, elas somam mais de 15% da biomassa animal de florestas tropicais (Fittkau & Klinge 1973, Agosti et al. 2000). Devido a essa alta diversidade e biomassa, as formigas desempenham papéis importantes na dinâmica de muitos ecossistemas como dispersão (Dalling & Wirth 1998, Leal & Oliveira 1998, Leal 2003a) e predação de sementes (Levey & Byrne 1993, Moutinho et al. 1993), ciclagem de nutrientes (Coutinho 1984, Farji-Brener & Silva 1995) e herbivoria (Wirth et al. 2003). Além disso, as formigas interagem diretamente com uma série de organismos. Algumas espécies criam homópteros, outras predam artrópodes, as Attini criam fungos e, em geral, as formigas são os primeiros animais invertebrados a visitar outros animais mortos no solo (ver revisão em Hölldobler & Wilson 1990).

A relação positiva entre a riqueza de formigas e a complexidade estrutural dos ambientes têm sido amplamente sugerida (Leal et al. 1993, Leal 2002, Marinho et al. 2002). Isso ocorre porque habitats mais heterogêneos disponibilizam maior variedade de sítios para nidificação, alimento, microclimas e interações interespecíficas (competição, predação, mutualismo) para as formigas se estabelecerem (Benson & Harada 1988, Hölldobler & Wilson 1990, Reyes-Lopes et al. 2003) do que habitats menos complexos. Entretanto, são poucos os trabalhos que avaliam adequadamente a complexidade da vegetação ao fazerem tal inferência (Leal 2003b, Reyes-Lopes et al. 2003, Ribas et al. 2003). Sendo assim, o objetivo deste trabalho foi amostrar e relacionar a riqueza de formigas com parâmetros de complexidade da vegetação dos capões do Pantanal, como a densidade da vegetação e a altura da camada do serapilheira destes ambientes.

 

Material e Métodos

Área. O estudo foi realizado na Fazenda Rio Negro (19º 34' S e 56º 14' W), de propriedade da Conservation International (CI) do Brasil, com área aproximada de 7.700 ha e localizada no Município de Aquidauana, MS. A fazenda apresenta vários tipos fisionômicos característicos do pantanal, como capões, cordilheiras, campos, baias, salinas e mata ciliar. No passado a fazenda era utilizada para pecuária e desde sua aquisição pela CI, em 1999, é usada apenas para pesquisas e ecoturismo sustentável. Em 2001, 7.000 ha de sua área foram transformados pelo governo do estado de Mato Grosso do Sul em Reserva Particular do Patrimônio Nacional (RPPN).

A Fazenda Rio Negro é situada na região da Nhecolândia, a segunda maior sub-região do Pantanal, com área aproximada de 26.921 km2 (Silva et al. 2000). Essa sub-região é alagada periodicamente pelo extravasamento das águas dos rios Negro, Taboco e Aquidauana (Brasil 1982). O clima da região é do tipo tropical quente (AW, segundo a classificação de Köppen), com duas estações definidas, a chuvosa, de novembro a março, e a seca, de junho a setembro, com pluviosidade anual variando entre 800 mm e 1400 mm (Silva et al. 2000). As temperaturas médias anuais oscilam entre 23°C e 25°C, chegando em torno de 40°C no verão e a altitude média é de cerca de 100 m acima do nível do mar (Brasil 1982). A região apresenta solos dos grupos Podzólicos eutróficos e distróficos, Podzólicos solódicos e Vertissolos (Brasil 1982).

Coleta das formigas. As formigas foram amostradas em 28 capões de tamanhos diferentes (áreas variando de 0,01 ha a 4,96 ha), nos meses de março a junho de 2001, durante o fim da estação chuvosa, mas ainda na época da cheia do Pantanal. Os capões estudados foram definidos com base em imagem de satélite da área de estudo e, em cada um deles, foram colocadas 20 armadilhas tipo pitfall, espaçadas por 10 m e enterradas até o nível do solo. Cada armadilha consistiu de um frasco plástico de 50 ml, contendo uma mistura de álcool 70% GL e detergente. As armadilhas foram instaladas em transectos que se iniciavam a 3 m da margem e terminavam 3 m antes do final do capão, para evitar a atração de formigas cujos ninhos estivessem localizados fora dos capões. O número de transectos em cada capão foi determinado pelo seu tamanho, ou seja, quanto menor o tamanho do capão, maior o número de transectos estabelecidos para comportar as 20 armadilhas. As armadilhas permaneceram no campo por 48h e, então, as formigas coletadas foram armazenadas em frascos com álcool 70% GL para posterior identificação.

No laboratório, as formigas foram montadas e identificadas até gênero com auxílio de chaves dicotômicas (Hölldobler & Wilson 1990; Bolton 1994, 2003). A identificação em nível específico foi feita para os poucos gêneros cujas chaves disponíveis na literatura são válidas, principalmente para as subfamílias Ectatomminae e Ponerinae. As formigas estão depositadas na coleção de Invertebrados Terrestres da UFPE.

Complexidade estrutural dos capões. Para avaliar a complexidade estrutural dos capões, foram selecionados dois parâmetros: (1) espessura da camada de serapilheira e (2) densidade da vegetação. A espessura do serapilheira foi medida no local em que as armadilhas foram colocadas, com o auxílio de uma régua. Da mesma forma, a densidade da vegetação foi medida no local em que as armadilhas foram colocadas, porém através da contagem do número de toques da vegetação em uma cruz de madeira (1 m x 1 m) disposta horizontalmente sobre as armadilhas. A cruz de madeira foi posicionada a 10 cm de altura, para medir a densidade da vegetação herbácea, e a 1 e 2 m de altura, para avaliar a densidade da vegetação arbustiva/arbórea, segundo metodologia adaptada de Dalmagro & Vieira (2005). O número médio de toques em cada estrato herbáceo e arbustivo/arbóreo foi utilizado como medida da densidade da vegetação em cada capão. Quanto mais densa era a vegetação maior seria o número de toques em cada estrato.

Análise estatística. A riqueza de formigas epigéicas encontrada foi relacionada com a espessura da serapilheira e a densidade da vegetação dos capões através de regressão linear simples (Zar 1999). Para isso, como os resíduos não eram normais, os dados foram transformados em logaritmo na base 10 (Zar 1999). A normalidade dos resíduos foi testada utilizando-se o teste de Kolmogorov-Smirnov (Zar 1999). Todos os cálculos foram feitos com o uso do software SYSTAT 6.0 (Wilkinson 1996).

 

Resultados

Fauna de formigas dos capões. Foram observadas 71 espécies pertencentes a 26 gêneros e sete subfamílias (Tabela 1). A maioria das espécies coletadas pertence à subfamília Myrmicinae (30), seguida por Formicinae (12), Ectatomminae (nove), Ponerinae (sete), Dolichoderinae (seis), Ecitoninae (quatro) e Pseudomyrmecinae (duas). Entre os gêneros, Pheidole foi o mais diversificado, com oito espécies, e um dos mais amplamente distribuídos, tendo sido registrado em quase todos os capões amostrados. Ectatomma e Camponotus vieram em seguida, com sete espécies cada, e Solenopsis com seis. Os gêneros com menor representatividade foram Cyphomyrmex e Hypoponera, representados por apenas uma espécie cada. As espécies mais freqüentes foram Ectatomma edentatum Roger (92,9%) e Pheidole sp. 8 (89,3%), seguidas por Pheidole sp. 1 (64,3%) e Ectatomma lugens Emery (64,3%), Gnamptogenys sp. 1 (60,7%), Pheidole sp. 6 (53,6%) e Trachymyrmex sp. 1 (53,6%) (Tabela 1).

 

 

Riqueza versus complexidade estrutural. A riqueza de formigas foi positivamente relacionada com a densidade da vegetação herbácea dos capões (P = 0,02, r2 = 0,18, f = 5,88, gl = 1(23?), Fig. 1), mas não com a densidade da vegetação arbustiva/arbórea (P = 0,86, r2 = 0,03, f = 0,02, gl = 1) ou espessura da serapilheira (P = 0,12, r2 = 0,05, F1,26 = 5,88).

 

 

Discussão

Este trabalho foi o primeiro a amostrar a fauna de formigas dos capões do Pantanal Matogrossense. A diversidade encontrada foi similar à de outros ecossistemas brasileiros mais abertos, como restinga (Bonnet & Lopes 1993), manguezal (Lopes & Santos 1996), cerrado (Marinho et al. 2002, Ribas et al. 2003), caatinga (Leal 2002, 2003b) e também agroecossistemas (Fernandes et al. 2000), porém menor que a de áreas florestadas, como floresta Atlântica (Leal & Lopes 1992, Leal et al. 1993, Bieber et al. 2006) e floresta Amazônica (Benson & Harada 1988, Vasconcelos 1999).

Myrmicinae foi a subfamília dominante, tanto em número de gêneros quanto em número de espécies, seguida de Formicinae, Ponerinae, Ectatomminae, Dolichoderinae, Ecitoninae e Pseudomyrmecinae. Estes resultados refletem a diversidade geral dos diferentes grupos de formigas (Hölldobler & Wilson 1990; Bolton 1994, 2003), mostrando que as amostras foram bastante representativas em relação à diversidade taxonômica dos diferentes grupos de formigas. A alta representatividade de Ectatomminae e Ponerinae é característica de ambientes florestados, como floresta Atlântica (Leal et al. 1993, Leal 2002, Bieber et al. 2006) e Amazônica (Benson & Harada 1988, Vasconcelos 1999), enquanto a de Formicinae é mais característica de ambientes mais abertos (Marinho et al. 2002; Leal 2002, 2003b). Sendo assim, apesar da diversidade de formigas dos capões do Pantanal ser menor que a de outras áreas de floresta estudadas, a composição das subfamílias e gêneros é similar.

Os gêneros mais representativos deste estudo foram Pheidole (oito espécies), Ectatomma (sete), Camponotus (sete) e Solenopsis (seis), não refletindo de forma similar a prevalência descrita por Wilson (1976). Segundo esse autor, Camponotus, Pheidole, Solenopsis e Crematogaster são os gêneros com maior diversidade de espécies e de adaptações, maior extensão de distribuição geográfica e maior abundância local, e, por isso, são considerados os gêneros mais prevalentes em escala global. Pheidole sempre é o gênero melhor representado em coletas de formigas de serapilheira de áreas florestadas (Leal 2002, Vasconcelos 1999, Bieber et al. 2006) enquanto que o gênero Camponotus é mais freqüente em ambientes mais abertos, como restinga (Gonçalves & Nunes 1984), cerrado (Marinho et al. 2002) e caatinga (Leal 2002, 2003b). Além disso, coletas na vegetação também aumentam bastante a representatividade de Camponotus (Wilson 1976). Dessa forma, a maior representatividade de Pheidole em relação a Camponotus obtida no presente estudo parece ser resultado das coletas exclusivas no solo, e, provavelmente, devido à sazonalidade do clima no Pantanal Matogrossense. Essa pode ser também a razão para a baixa freqüência de Crematogaster (21%), gênero mais diversificado em áreas de mata e em coletas na vegetação (Jeanne 1979, Lopes & Leal 1991).

Ectatomma foi um gênero bastante diversificado nesse estudo, sendo que a espécie E. edentatum ocorreu em 93% das armadilhas. O gênero Ectatomma é composto por espécies predadoras de outros artrópodes e freqüentemente tem sido relacionado com a espessura da serapilheira e a qualidade do habitat (Agosti et al. 2000), apesar de algumas de suas espécies serem abundantes em ambientes perturbados, como, por exemplo, agroecossistemas (Fernandes et al. 2001, Barbosa & Fernandes 2003). Como as espécies de Ectatomma são bastante agressivas (Hölldobler & Wilson 1990), provavelmente inibem o aumento populacional de espécies menos agressivas e que são menos adaptadas para competirem por alimento (Fernandes et al. 2000). Além disso, essas espécies forrageiam durante longos períodos e suas abundâncias podem ter sido superestimadas pelo tipo de metodologia utilizada.

O único parâmetro de complexidade dos capões avaliado que influenciou o aumento da riqueza da comunidade de formigas epigéicas foi a densidade da vegetação herbácea. Uma densa camada de vegetação aumenta a espessura da serapilheira e a quantidade de galhos caídos no solo, aumentando o número de habitats disponíveis para as formigas nidificarem e a abundância de artrópodes de solo, principais presas das formigas (Hölldobler & Wilson 1990, Leal 2003b). Assim, esperava-se uma relação significativa entre a riqueza de formigas e todos os parâmetros de complexidade ambiental avaliados, e não apenas com a densidade do estrato herbáceo como observado.

A falta de relação entre a riqueza de formigas e a densidade da vegetação arbustiva/arbórea dos capões pode ser explicada pelo fato de as armadilhas terem sido montadas somente no solo, amostrando predominantemente a fauna terrestre. Já foi registrado que a fauna de formigas arborícolas é diretamente influenciada pela densidade e arquitetura da vegetação (Hölldobler & Wilson 1990, Leal 2003b). Assim, outros métodos de coleta, como o uso de batedores, iscas de sardinha ou mel na vegetação e coletas manuais, são mais indicados para a amostragem dessa parcela da mirmecofauna e podem apresentar resultados mais adequados para a comparação com a complexidade da vegetação.

Por outro lado, a falta de relação entre riqueza de formigas e espessura do folhiço é um resultado surpreendente deste trabalho. Embora Dunn (2000) também não tenha verificado relação entre a riqueza de formigas e a espessura da serapilheira em uma floresta semidecídua em Ghana, muitos trabalhos já sugeriram ou verificaram essa relação (e.g. Carvalho & Vasconcelos 1999, Matos et al. 1994, Brühl et al. 1998, Leal 2003b) . A serapilheira, composta por folhas, galhos e troncos, é um importante sítio para nidificação e obtenção de alimento para as formigas (Benson & Harada 1988, Carvalho & Vasconcelos 1999), influenciando o número de espécies que uma dada área pode comportar.

Muitos estudos têm observado relação positiva entre diversidade das comunidades de formigas e a complexidade do ambiente, mesmo quando comparando áreas com diferentes estágios sucessionais (Leal & Lopes 1992, Leal et al. 1993), tipos de vegetação (Leal 2002), complexidade da vegetação (Hölldobler & Wilson 1990, Leal 2003b), densidade e riqueza vegetal (Leal 2003b), altitude (Jeanne 1979, Bieber et al. 2006) e latitude (Benson & Harada 1988). Dessa forma, a complexidade da vegetação herbácea dos capões parece ser um fator importante para diminuição da sobreposição de nichos entre as espécies e, conseqüentemente, redução da competição entre elas. No entanto, medidas mais precisas sobre a disponibilidade de sítios para nidificação e de recurso alimentar no solo dos capões ainda são necessárias para conclusões mais consistentes sobre a diversidade de formigas e a disponibilidade de nichos.

Os resultados deste estudo indicam que a fauna de formigas epigéicas dos capões do Pantanal da Nhecolândia é composta pelas mesmas subfamílias e gêneros de outros ecossistemas brasileiros, e a diversidade é menor que em alguns trechos de floresta, porém maior que a de outros ecossistemas mais abertos. Além disso, a diversidade da comunidade como um todo responde de maneira semelhante à influência de alguns parâmetros de complexidade do ambiente, como observado em outros ecossistemas. Entretanto, mais estudos, empreendidos com outras metodologias de coleta, são necessários para a determinação mais precisa dos padrões de distribuição e diversidade de espécies de formigas desse ambiente.

 

Agradecimentos

Este trabalho é parte da dissertação de mestrado da primeira autora no Programa de Mestrado em Ecologia e Conservação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Nós somos gratos à Aurora M. R. de Oliveira, Regiane S. Ferreira, Evellyn C. B. Ramos, Fabian G. Kuhn e Izídio Baiano pela colaboração na coleta de dados, a Rainer Wirth pelas sugestões no início do estudo e à Conservation International pelo apoio financeiro e logístico.

 

Referências

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Received 18/X/04.
Accepted 8/VI/06.

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