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Neotropical Entomology

versão impressa ISSN 1519-566Xversão On-line ISSN 1678-8052

Neotrop. Entomol. v.36 n.1 Londrina jan./fev. 2007

https://doi.org/10.1590/S1519-566X2007000100019 

SCIENTIFIC NOTE

 

Parasitismo em Trialeurodes variabilis (Quaintance) (Hemiptera: Aleyrodidae) por Encarsia hispida De Santis (Hymenoptera: Aphelinidae), em mamoeiro, no Brasil

 

Parasitism in Trialeurodes variabilis (Quaintance) (Hemiptera: Aleyrodidae) by Encarsia hispida De Santis (Hymenoptera: Aphelinidae), in papaya, in Brazil

 

 

André L. LourençãoI; Marilene FancelliII; Valmir A. CostaIII; Nicolle C. RibeiroIV

IInstituto Agronômico (IAC), C. postal 28, 13001-970 Campinas, SP, andre@iac.sp.gov.br
IIEmbrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, C. postal 007, 44380-000 Cruz das Almas, BA
IIIInstituto Biológico, C. postal 70, 13001-970 Campinas, SP
IVEscola de Agronomia - UFBA, C.postal 82, 44380-000 Cruz das Almas, BA

 

 


RESUMO

Em Cruz das Almas, BA, em outubro de 2004, foi verificada infestação de Trialeurodes variabilis (Quaintance) em mamoeiros 'Sunrise Solo', mantidos em telado. Nas folhas infestadas, detectaram-se níveis de parasitismo em ninfas da mosca-branca da ordem de 20%. Folhas com ninfas parasitadas foram mantidas em laboratório até emergência dos parasitóides, identificados como Encarsia hispida De Santis. Trata-se do primeiro registro de parasitismo de ninfas de T. variabilis por essa espécie de Encarsia no Brasil.

Palavras-chave: Insecta, mosca-branca, Carica papaya, ocorrência, controle biológico


ABSTRACT

Infestation of Trialeurodes variabilis (Quaintance) was observed in October 2004, in papaya plants of cultivar Sunrise Solo, under screenhouse conditions, in Cruz das Almas, State of Bahia, Brazil. In infested leaves, around 20% of parasitism on nymphs was verified. Leaves with parasitized nymphs were kept in laboratory until emergence of the parasitoid, identified as Encarsia hispida De Santis. This is the first time that this parasitoid was detected on T. variabilis nymphs in Brazil.

Key words: Insecta, whitefly, Carica papaya, occurrence, biological control


 

 

A mosca-branca Trialeurodes variabilis foi descrita por Quaintance em 1900, com base em exemplares coletados em mamoeiro, na Flórida, EUA (Mound & Halsey 1978). O inseto está distribuído nas Américas, sendo registrada sua presença nos EUA (Flórida, Saint Croix), Cuba, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Jamaica, Trinidad, Porto Rico, Colômbia, Venezuela e Brasil (Costa & Russell 1975, Mound & Halsey 1978, Caballero 1993). Em território brasileiro, foi constatada em São Paulo, Pernambuco, Espírito Santo e Bahia (Fancelli et al. 2004, Culik & Martins 2004). No Mato Grosso do Sul, foi observada uma espécie não identificada de Trialeurodes infestando mamoeiros em condições de telado (Vieira & Correa 2001); é possível que essa ocorrência se refira a T. variabilis, uma vez que é a principal e mais comum espécie de mosca-branca infestando plantas dessa cultura.

Como hospedeiras de T. variabilis, são relacionadas plantas das famílias Aceraceae [Acer mexicanum (de Candolle) Pax], Euphorbiaceae [Manihot glaziovii Müll. Arg. (= M. carthaginensis subsp. glaziovii (Müll. Arg.) Allem, M. esculenta Crantz], Polygonaceae [Coccoloba floribunda (Benth.) Lindau], Rubiaceae (Gardenia sp.), Rutaceae (Citrus paradisi Macfad, C. reticulata Blanco) e Caricaceae (Carica papaya L.) (Mound & Halsey 1978). À exceção do trabalho de Costa & Russell (1975), que registraram infestação de T. variabilis em mandioca, é no mamoeiro que se concentram os relatos de ocorrência dessa espécie de mosca-branca no Brasil (Culik et al. 2003, Culik & Martins 2004, Fancelli et al. 2004).

Há sete espécies conhecidas de parasitóides de T. variabilis; quatro delas, Encarsia hispida De Santis, E. formosa Gahan, E. luteola Howard e E. pergandiella Howard têm registros de ocorrência no Brasil, mas em outros aleirodídeos (Polaszek et al. 1992, Schauff et al. 1996, Oliveira et al. 2003). As demais já foram encontradas em países vizinhos: E. protransvena Viggiani e E. sophia (Girault & Dod) foram assinaladas na Argentina sobre Dialeurodes citri (Ashmead) e Bemisia tabaci (Genn.) (Hemiptera: Aleyrodidae), respectivamente (Viscarret et al. 2000), e Amitus macgowni Evans & Castillo (Hymenoptera: Platygasteridae) foi descrita a partir de T. variabilis coletado na Colômbia (Evans & Castillo 1998). Dessa forma, devido ao reduzido número de estudos enfocando inimigos naturais de moscas-brancas no Brasil, o presente trabalho tem como objetivo relatar a ocorrência de um parasitóide de T. variabilis em território brasileiro.

No município de Cruz das Almas (12°40'19''S; 39°06'22''W), BA, em outubro de 2004, foi verificada infestação de T. variabilis em mamoeiros 'Sunrise Solo', mantidos em telado. As plantas apresentavam idade de 158 dias após o transplante. Folhas infestadas foram levadas para laboratório e mantidas em placas de Petri (15 cm de diâmetro) até a emergência de adultos da mosca-branca ou de seus parasitóides. Após a sua morte no interior da placa, os parasitóides foram transferidos para frascos de vidro (5 ml) contendo etanol a 70%. A identificação foi feita com auxílio dos trabalhos de Polaszek et al. (1992, 2004). A porcentagem de parasitismo foi calculada através da relação entre o número de ninfas das quais emergiram parasitóides e o número total de ninfas nas folhas.

Os parasitóides foram identificados como Encarsia hispida De Santis. Trata-se do primeiro registro de parasitismo de ninfas de T. variabilis por E. hispida no país. Havia apenas fêmeas na amostra examinada, composta por 57 espécimes que foram depositados na Coleção de Insetos Entomófagos "Oscar Monte" (IB-CBE), do Instituto Biológico, em Campinas, SP. O nível de parasitismo de T. variabilis nas folhas de mamoeiro foi de 20%.

O parasitóide E. hispida é muito semelhante a E. meritoria Gahan, que também ocorre no Brasil (De Santis & Fidalgo 1994) e com a qual foi colocada em sinonímia por Viggiani (1989). De acordo com Polaszek et al. (1992), no entanto, ambas são espécies distintas e podem ser separadas por características dos segmentos do flagelo da antena. Essa afirmação é corroborada por Babcock et al. (2001) através de evidências moleculares. Polaszek et al. (2004) realizaram análises morfométricas e moleculares e praticamente resolveram o problema da separação dessas duas espécies e também de outras do complexo E. meritoria, as quais têm um histórico de confusão taxonômica e identificações errôneas.

Além de T. variabilis, E. hispida já foi encontrada parasitando 24 espécies de Aleyrodidae, pertencentes aos gêneros Aleurodicus, Aleuroglandulus, Aleurothrixus, Aleurotrachelus, Aleurotuba, Aleyrodes, Bemisia, Crenidorsum, Lecanoideus, Lipaleyrodes, Parabemisia, Siphoninus, Tetraleurodes e Trialeurodes em 18 países das Américas e Europa (Hernández-Suárez et al. 2003, Noyes 2005). No Brasil, ocorre também em B. tabaci biótipo B e Trialeurodes vaporariorum (Westwood) (Oliveira et al. 2003).

A espécie E. hispida apresenta potencial de emprego em controle biológico de moscas-brancas, uma vez que já foi alvo de um programa do tipo no Havaí; espécimes desse afelinídeo foram coletados no Brasil e levados a esse estado americano, onde foram multiplicados e liberados para controle de Bemisia argentifolii Bellows & Perring (= B. tabaci biótipo B) nas culturas de tomateiro e soja (Dawson 2005). Assim, são necessários estudos adicionais para verificar a possibilidade de seu uso em programas de controle biológico de moscas-brancas no Brasil.

 

Referências

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Received 14/X/05. Accepted 19/IX/06.

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