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Neotropical Entomology

versão impressa ISSN 1519-566X

Neotrop. entomol. v.37 n.4 Londrina jul./ago. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S1519-566X2008000400011 

SYSTEMATICS, MORPHOLOGY AND PHYSIOLOGY

 

Tabanidae (Diptera) do Estado de Maranhão, Brasil II. Descrição de Esenbeckia (Esenbeckia) rafaeli, sp. nov.1

 

Tabanidae (Diptera) of State of Maranhão, Brazil II. Description of Esenbeckia (Esenbeckia) rafaeli, sp. nov.

 

 

Francisco Limeira-de-Oliveira

Lab. Estudos em Invertebrados – LEI, Depto. Química e Biologia/Centro de Estudos Superiores de Caxias – CESC/Univ. Estadual do Maranhão – UEMA, Praça Duque de Caxias, s/n, Morro do Alecrim 65.604-380, Caxias, MA; franciscolimeira@cesc.uema.br

 

 


RESUMO

Esenbeckia (Esenbeckia) rafaeli sp. nov. é descrita e ilustrada de nove espécimes coletados em Carolina, MA. A espécie nova é comparada com as espécies Esenbeckia (Esenbeckia) laticlava Wilkerson & Fairchild, 1983; Esenbeckia (Esenbeckia) bitriangulata Lutz & Castro, 1935 e Esenbeckia (Esenbeckia) enderleini Kröber, 1931.

Palavras-chave: Insecta, Taxonomia, Pangoniini, mutuca, espécie nova


ABSTRACT

Esenbeckia (Esenbeckia) rafaeli, sp.nov. is described and figured from nine specimens collected in Carolina, state of Maranhão, Brazil. The new species is compared with the species Esenbeckia (Esenbeckia) laticlava Wilkerson & Fairchild, 1983; Esenbeckia (Esenbeckia) bitriangulata Lutz & Castro, 1935 e Esenbeckia (Esenbeckia) enderleini Kröber, 1931.

Keywords: Insecta, Taxonomy, Pangoniini, horse fly, new species


 

 

O subgênero Esenbeckia (Esenbeckia) Rondani foi revisado e caracterizado por Wilkerson & Fairchild (1983). Atualmente conta com 49 espécies descritas, sendo 19 registradas para o Brasil (Fairchild & Burger 1994, Chainey & Hall 1996).

A espécie descrita aqui quando analisada na chave de Wilkerson & Fairchild (1983), segue para a dicotomia 41 que contém Esenbeckia (Esenbeckia) laticlava Wilkerson & Fairchild, 1983, (em 41); 41' remete para a dicotomia 42, onde estão as espécies Esenbeckia (Esenbeckia) bitriangulata Lutz & Castro, 1935 (em 42) e Esenbeckia (Esenbeckia) enderleini Kröber, 1931 (em 42'), mas difere destas em muitas características, discutidas a seguir.

 

Material e Métodos

O material foi coletado em isca eqüina, com o auxílio de rede entomológica, às margens dos rios Itapecuru e Lajes, município de Carolina, MA. A terminologia e abreviações seguem MacAlpine (1981).

Os exemplares foram estudados e descritos sob microscópio estereoscópio com luz branca incidente.

As fotografias foram feitas com câmera digital sem utilização de flash. O material está depositado nas seguintes instituições: Coleção Zoológica do Maranhão (CZMA), Universidade Estadual do Maranhão, Caxias, Maranhão (UEMA); Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus, Amazonas (INPA); Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, Pará (MPEG).

Esenbeckia (Esenbeckia) rafaeli sp. nov. (Figs. 1-6)

Diagnose. Predominantemente amarelo-escura. Fronte relativamente larga. Calo frontal preto, indistinto. Pernas amarelas, exceto coxas marrom-escuras a pretas. Abdome amarelo-escuro com faixa longitudinal mediana larga marrom-escura a preta. Tergitos 2-6 com margem lateral marrom-escura a preta. Esternitos amarelos com faixa lateral longitudinal marrom-escura a preta em todos os segmentos.

Holótipo fêmea (Fig. 1). Comprimento do corpo 12,6 mm; asa 12,2 mm. Índice frontal 3,0 e índice de divergência 0,87. Fronte (Fig. 2) estreitada medianamente, marrom-escura a preta com pruína amarela e cerdas muito curtas, amarelo-claras. Calo frontal (Fig. 2) preto, indistinto, embora pareça com área que perdeu a pruína por abrasão. Tubérculo ocelar quase tão largo quanto longo, marrom-escuro a preto, com pruína amarelo-escura e cerdas amarelas posteriormente. Três ocelos distintos. Subcalo marrom a marrom-escuro com pruína amarela. Antena (Fig. 3) com escapo e pedicelo amarelos, escapo cerca de duas vezes o comprimento do pedicelo com cerdas predominantemente amarelas. Pedicelo com cerdas pretas, flagelo com oito flagelômeros, segmentos proximais amarelo-alaranjados e segmentos distais marrons a pretos, primeiro flagelômero mais largo que longo e último tão longo quanto os quatro anteriores juntos. Face com região dorsal marrom a marrom-escura e região ventral amarela a amarelo-escura com pruína amarela e cerdas amarelo-claras esparsas próximas à base da antena. Parafaciália estreita, marrom-clara a marrom com pruína e cerdas longas amarelas. Gena e pós-gena marrons com pruína amarela e cerdas brancas a amarelo-claras. Palpo (Fig. 4) aproximadamente do comprimento do pedicelo e flagelo juntos, aproximadamente da largura do segundo flagelômero, achatado lateralmente, amarelo com cerdas pretas esparsas medianamente na face externa. Probóscide sub-brilhante, marrom-clara a marrom, ligeiramente mais longa que a antena; labela parcialmente esclerotinizada. Olhos com cerdas muito curtas, esparsas, visíveis em aumento de 50x. Escudo torácico marrom-claro a marrom com pruína e cerdas amarelas. Lobo pós-pronotal e notopleura amarelos a amarelo-escuros com pruína e cerdas amarelas. Escutelo marrom-escuro a preto, exceto apicalmente mais claro com pruína e cerdas semelhantes às do escudo. Escleritos pleurais e coxas com pruína cinza e cerdas brancas, exceto proepisterno mais claro. Pernas amarelas, exceto tarsômeros distais marrons. Perna anterior e média com cerdas amarelas; perna posterior com cerdas pretas. Asa como na Fig. 5. Pterostigma amarelo-escuro. Apêndice longo na veia R4 e célula r5 fechada. Halter amarelo-claro. Abdome (Fig. 6) amarelo-escuro com cerdas predominantemente pretas, mais esparsas na porção amarelada. Tergitos 1-7 com faixa longitudinal mediana preta, larga, cerca de 2/3 da largura do escutelo, ligeiramente descontínua na margem posterior de cada segmento. Lateralmente com mancha escura na margem posterior do tergito 2, toda lateral dos tergitos 3-4 e margem anterior dos tergitos 5-6. Esternitos amarelos com cerdas brancas a amarelo-claras, exceto margem lateral com faixa longitudinal larga e descontínua marrom-escura a preta.

Macho desconhecido.

Variações. Comprimento do corpo (12,5-15,1 mm); da asa (12,5-14,6 mm). Índice frontal (2,65-3,60 mm); índice de divergência (0,70-0,89 mm). Segundo flagelômero raramente indistinto. Tíbias e tarsos anteriores raramente com cerdas marrom-claras a marrons.

Material examinado

Holótipo. Fêmea, Brasil, Maranhão, Carolina, rio Itapecuru (07023'54"S - 47015'00"W), isca eqüina, 10-13.xii.2001, J. A. Rafael; F. L. Oliveira & J. F. Vidal, cols. (depositado no INPA). Parátipos. Duas fêmeas, idem, rio Lajes (depositados no MPEG); uma fêmea, idem (depositado no INPA); cinco fêmeas, idem (depositados na CZMA/UEMA).

Discussão. E. rafaeli, sp. nov., quando analisada na chave de Wilkerson & Fairchild (1983), segue para a dicotomia 41 que contém E. laticlava (em 41); 41' remete para a dicotomia 42, onde estão as espécies E. bitriangulata (em 42) e E. enderleini (em 42'). As espécies com as quais E. rafaeli sp. nov. é comparada estão assim distribuídas: E. laticlava (Equador), E. bitriangulata (Peru) e E. enderleini (Paraguai e Argentina). Ambas podem ser facilmente diferenciadas pelos caracteres apresentados na Tabela 1.

Etimologia. O nome específico homenageia o Dr. José Albertino Rafael, entomólogo do INPA, pelo relevante trabalho prestado à taxonomia.

 

Agradecimentos

A Inocêncio de Sousa Gorayeb (MPEG) e Augusto Loureiro Henriques (INPA) pela identificação do material, a Márcio Cutrim M. de Castro pela edição das imagens e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela concessão da bolsa.

 

Referências

Chainey, J.E. & M.J.R. Hall. 1996. A new genus and three new species of Pangoniini (Diptera: Tabanidae) from Bolivia. Mem. Inst. Oswaldo Cruz 91: 307-312.         [ Links ]

Fairchild, G.B. & J.F. Burger. 1994. A catolog of the Tabanidae (Diptera) of the Americas South of the United States. Mem. Amer. Entomol. Inst. 55: 1-249.         [ Links ]

Kröber, O. 1931. Neue Arten aus den Genus Esenbeckia Rond. (Dip., Tabanidae). Zool. Anz. 94: 245-257.         [ Links ]

Lutz, A. & G.M.O. Castro. 1935. Sobre algumas novas espécies de motucas do gênero Esenbeckia Rondani. Mem. Inst. Oswaldo Cruz 30: 543-562.         [ Links ]

McAlpine, J.F. 1981. Morphology and terminology, p.9-63. In J.F. McAlpine, B.V. Peterson, G.E. Shewell, H.J. Teskey, J.R. Vockeroth & D.M. Wood. (eds.), Manual of Neartic Diptera 1. (Monograph nº 27). Research Branch, Agriculture, Canada, 674p.         [ Links ]

Wilkerson, R.C. & G.B. Fairchild. 1983. A review of the South American species of Esenbeckia, subgenus Esenbeckia (Diptera: Tabanidae). J. Nat. Hist. 17: 519-567.         [ Links ]

 

 

Received 26/III/07. Accepted 03/I/08.

 

 

1 Parte da tese de doutorado ao Curso de Pós-graduação em Entomologia, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e Universidade Federal do Amazonas