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Neotropical Entomology

Print version ISSN 1519-566X

Neotrop. entomol. vol.38 no.5 Londrina Sept./Oct. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1519-566X2009000500019 

PUBLIC HEALTH

 

Periodicidade de captura de Anopheles darlingi Root (Diptera: Culicidae) em Porto Velho, RO

 

Periodicity of capture of the Anopheles darlingi Root (Diptera: Culicidae) in Porto Velho, Rondônia, Brazil

 

 

Renata A GamaI; Roseli L C SantosII; Fátima dos SantosIII; Ivoneide M SilvaIV; Marcelo C ResendeV; Álvaro E EirasV

ILab. de Entomologia, Depto. de Microbiologia e Parasitologia, Centro de Biociências. Univ. Federal do Rio Grande do Norte - UFRN. Av. Salgado Filho 3000, Campus Universitário Lagoa Nova, Natal, RN. 59.072-970; antonaci@cb.ufrn.br
IICentro de Ciências Biológicas e da Saúde, Univ. Federal de Sergipe, Av Marechal Rondon s/n, 49100-100, São Cristóvão, SE; rlacorte@ufs.br
IIIFundação Nacional da Saúde. Rua Anita Garibaldi 4163, 78903-770, Porto Velho, RO; fatimadsantos@hotmail.com
IVLab. de Parasitologia Médica, Instituto de Ciências Biológicas, Univ. Federal do Pará, R. Augusto Corrêa 1, Campus Básico, 66075-110, Guamá, Belém, PA; isilva@ufpa.br
VLab. de Ecologia Química de Insetos Vetores, Instituto de Ciências Biológicas, Univ. Federal de Minas Gerais, Av Presidente Antônio Carlos 6627, 31270-901, Belo Horizonte, MG; resendemarcelo@ig.com.br; alvaro@icb.ufmg.br

 

 


RESUMO

Anopheles darlingi Root é o principal vetor de malária na Amazônia brasileira. Os objetivos deste trabalho foram avaliar a periodicidade de captura, a preferência por peri ou extradomicílio e a taxa de paridade de A. darlingi em quatro localidades em Porto Velho, RO, utilizando a atração humana. Todos os anofelinos capturados foram identificados e A. darlingi foi dissecada para caracterização da paridade. Do total de 985 anofelinos coletados, 972 eram A. darlingi. O número de fêmeas foi significativamente maior no extradomicílio em duas das localidades estudadas (São João e Candeias do Jamari) (P < 0,05). A taxa de paridade foi de 96% e não foi observado horário preferencial para captura de fêmeas de A. darlingi nas localidades estudadas.

Palavras-chave: Paridade, monitoramento, anofelino, isca humana


ABSTRACT

Anopheles darlingi Root is the principal malaria vector in Amazonia region. The objectives of this work were to study the periodicity of Anopheles darlingi Root, the host preference for peri or extra-domestic environments and the parous rate in four field sites in Porto Velho (RO) by human-landing. All of the Anopheles specimens collected were identified, but only A. darlingi was dissected for the parous study. The results showed that human-landing colleted a total of 985 anophelines, with A. darlingi (972) being the most abundant species. Female mosquitoes were more abundant at extra-domestic environments in two of the locations studied (São João e Candeias do Jamari) (P < 0.05). The parous rate was 96% and no periodicity was observed for captures of females of A. darlingi in the field sites.

Key words: Parous rate, monitoring, anopheline, human-landing


 

 

O mosquito Anopheles darlingi Root é o principal transmissor de plasmódios humanos no Brasil e em outros países, principalmente os que possuem áreas da floresta amazônica como a Bolívia, Venezuela, Colômbia e Peru (Magris et al 2007). A espécie é tida como antropofílica e com elevada endofilia, embora, atualmente, seja encontrada em maior quantidade em coletas no peridomicilio (Gil et al 2007). Possui dois padrões de horários de maior atividade hematofágica, um com picos ao anoitecer e ao amanhecer e outro onde a atividade crepuscular não é observada (Lourenço de Oliveira et al 1989, Charlwood 1996, Santos et al 2005). Contudo, em coletas de 12h (das 18:00h às 06:00h) é encontrado picando em todos os horários (Tadei et al 1983), sendo que diferentes horários preferenciais de atividade já foram registrados (Roberts et al 1987, Voorham 2002).

Possui como principais criadouros grandes coleções de água com pouca salinidade e sem turbidez (Galvão et al 1944), apesar de ser encontrado em criadouros com diferentes características (Tadei et al 1983). Em áreas da Região Norte, os criadouros são expostos à luminosidade, ao contrário do que ocorre mais ao sul do Brasil, onde as formas imaturas estão presentes em criadouros mais sombreados. Outra característica distinta relaciona-se com as dimensões do criadouro, sendo que na maioria das localidades o mosquito é encontrado em grandes coleções hídricas, como remansos e lagoas, podendo também ser encontrado em poças d'água, marcas de pneus e valas durante estações de chuva (Galvão et al 1944).

Essas discrepâncias da biologia e do comportamento de A. darlingi podem ser explicadas principalmente pela elevada plasticidade da espécie (Consoli & Lourenço de Oliveira 1994). Tadei et al (1983) relataram seu elevado grau de polimorfismo cromossômico, que serve como estratégia adaptativa, tornando a espécie mais apta a explorar diferentes habitats disponíveis, principalmente no período chuvoso.

Apesar das diferenças observadas entre populações de A. darlingi de localidades diversas, a espécie ainda não é tida como um complexo devido à insuficiência de variações morfológicas, bioquímicas e moleculares (Rosa-Freitas et al 1992).

O estudo de espécies de anofelinos de uma região onde a malária se apresenta de forma endêmica é importante para o direcionamento das medidas de controle, especialmente porque uma mesma espécie, no mesmo local, pode alterar seus hábitos ao longo do tempo, principalmente em decorrência de alterações ambientais (Tadei et al 1983).

De acordo com o Ministério da Saúde (2006), o controle da malária baseia-se no diagnóstico precoce, no tratamento dos casos e no controle vetorial, sendo que para o último método é necessário o conhecimento do comportamento do vetor na localidade alvo. O principal método utilizado para coleta de anofelinos é a isca humana, atualmente denominada atração humana, que consiste na exposição de alguma parte do corpo do coletor para que fêmeas de anofelinos pousem e sejam capturadas com o auxilio de um capturador de Castro.

O objetivo do presente trabalho foi avaliar, por meio de captura com atração humana, o comportamento de A. darlingi em Porto Velho (RO) em relação à proximidade das habitações humanas (utilização de extra e peridomicilio) e ao padrão noturno de atividade de hematofagia (periodicidade). Além disso, foi realizada a caracterização do estado fisiológico das fêmeas de A. darlingi capturadas.

 

Material e Métodos

Área experimental. As capturas foram realizadas no mês de dezembro de 2005 nas localidades rurais de Mato Grosso (08º 49' 09" S e 63º 56' 15"O), Nova Esperança (08º 42' 90" S e 63º 53' 13"O) e São João (08º 44' 40" S e 63º 56' 40"O), pertencentes ao município de Porto Velho, e na localidade de Paraíso das Acácias (08º 48' 35" S e 63º 41' 44"O), município de Candeias do Jamari que dista 20 km de Porto Velho (RO). Em cada localidade foram selecionados quatro pontos com distância aproximada de 1.000 m para as coletas. Todos os locais selecionados possuíam relato da presença de anofelinos, com predominância de A. darlingi (Santos F 2005, comunicação pessoal). Os pontos de captura apresentavam arborização abundante, típica da floresta tropical e a presença de criadouros permanentes representados por rios, igarapés e lagoas.

Frequência no extra e peridomicilio. Segundo o programa de monitoramento da malária em Rondônia, parece existir preferência de A. darlingi por ambientes peridomiciliares, enquanto que informações sobre a presença dessa espécie no extradomicílio são escassas (Santos F 2005, comunicação pessoal). Portanto, visando avaliar o padrão de utilização extra e peridomiciliar por A. darlingi de habitações humanas na área de estudo, foram realizadas coletas com a atração humana durante o mês de dezembro de 2005, sendo duas por ponto, uma no peridomicilio (varandas) e uma no extradomicílio (quintal, aproximadamente 15 m de distância das residências). A duração das capturas foi de 3h (18:00h às 21:00h), totalizando oito coletas por localidade (quatro pontos x dois ambientes). A atração humana foi realizada por oito pessoas, todas com experiência em captura de anofelinos, as quais assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido como preconizado pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Os participantes eram pardos, com faixa etária entre de 26 a 60 anos, sendo sete do sexo masculino e um do sexo feminino. O projeto possui aprovação do comitê de ética em pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais.

Periodicidade. Para se avaliar o padrão de atividade hematofágica dos anofelinos, as coletas no peri e extradomicílio (das 18:00h às 21:00h) foram agrupadas por hora. Além disso, para se avaliar o padrão durante todo o período de escotofase (noite), foi realizada uma coleta com duração de 12h (18:00h às 06:00h) na localidade Nova Esperança, onde a atração humana foi realizada por duplas em rodízio a cada 2h.

Estado fisiológico. Os mosquitos coletados foram acondicionados em recipientes identificados com os dados da localidade, data, horário de captura e número de exemplares. A identificação das espécies foi feita no Laboratório de Entomologia do LACEN-RO segundo Consoli & Lourenço de Oliveira (1994) e Forattini (2002). As fêmeas de A. darlingi capturadas foram dissecadas, segundo Detinova (1962), para diagnóstico da condição de paridade.

Análise estatística. O número de adultos coletados foi transformado em logaritmo (x + 1) na base 10. Para comparar o número de adultos coletados no peridomicilio e extradomicílio foi realizado o teste t de Student, enquanto a comparação entre os diferentes horários de coleta foi realizada por meio de ANOVA. O número de fêmeas oníparas e nulíparas foi comparado pelo teste de Mann-Whitney. Para as análises foi utilizado o programa estatístico BioEstat 5.0.

 

Resultados

Frequência no extra e peridomicilio. Foram coletados 985 exemplares de Anopheles com maior abundância de A. darlingi (98,7%) em relação às outras espécies de anofelinos (Tabela 1).

Não foi observada diferença entre a média geral do número de exemplares de A. darlingi coletados no peridomicilio e no extradomicílio (T = 1,72; P > 0,05) (Tabela 2). Ao se analisar as localidades separadamente, não foi observada diferença significativa na coleta com atração humana entre o peri e extradomicílio nas localidades Mato Grosso e Nova Esperança. No entanto, foi observada maior captura no extradomicílio (P < 0,05) nas localidades de São João e Candeias do Jamari.

 

 

Na captura de 12h o número de anofelinos coletados no peri (80) foi maior do que no extradomicílio (60), apesar de essa diferença não ter sido significativa (T = 0,076; P > 0,05). Considerando-se as coletas nos dois ambientes ao longo da escotofase, o número de anofelinos foi maior no peridomicílio entre 18:00h e 02:00h (com exceção de 21:00h e 23:00h) e após este horário o número de fêmeas capturadas sofreu redução gradativa, sendo maior no extradomicílio (Fig 1).

Periodicidade. O número total de fêmeas capturadas nas três primeiras horas da escotofase foi maior na localidade de Mato Grosso nos horários de 18:00h e 20:00h, enquanto em Nova Esperança a maior coleta foi realizada às 18:00h, decrescendo nas horas seguintes, e São João e Candeias do Jamari apresentaram padrão semelhante, com pico de coleta às 19:00h (Fig 2), sem diferença entre as localidades (ANOVA, F = 1,26; P > 0,05).

 

 

Durante a captura de 12h em Nova Esperança foram coletados anofelinos em todos os horários da escotofase, sendo A. darlingi o mais capturado. O padrão de coletas demonstrou pico de atividade às 22:00h, seguido por queda às 23:00h e um segundo pico à 1:00h, com queda progressiva até as 6:00h (Fig 1).

Estado fisiológico. Dos 972 espécimes de A. darlingi capturados, 945 foram dissecados, sendo 96% das fêmeas oníparas e 4% nulíparas. Nas quatro localidades a captura de fêmeas oníparas foi maior em relação à de nulíparas (Mann-Whitney, U = 1254, P < 0, 0001) (Fig 3). Na captura de 12h, esse padrão foi mantido, sendo que a maioria das fêmeas coletadas eram oníparas. Foram observadas fêmeas nulíparas apenas em dois horários de captura: às 22:00h, no peridomicilio, e às 2:00h, no extradomicílio (Fig 4). Tanto no peri, quanto no extradomicílio, foram observados dois picos de atividade das fêmeas oníparas durante a noite. No peridomicilio essas oscilações foram mais bruscas, com picos às 22:00h e 1:00h, e no extradomicílio a maior atividade ocorreu entre 21:00h e 2:00h.

 

 

Discussão

Entre os anofelinos presentes na Amazônia brasileira, A. darlingi continua sendo o mais antropofílico e de maior importância na transmissão de plasmódios humanos (Forattini 2002). Embora bastante estudada, devido principalmente a sua grande importância na saúde pública, essa espécie ainda possui incertezas e variações em relação à sua bionomia, sobretudo no que se refere ao seu hábito alimentar, repouso e periodicidade, que podem diferir entre localidades (Charlwood 1996).

O padrão de captura de A. darlingi em Porto Velho é semelhante ao observado em outros municípios de RO, sendo o peridomicilio aquele de maior densidade (Santos et al 1999, 2002, Gil et al 2007). Lourenço de Oliveira et al (1989), visando ao levantamento das espécies de anofelinos presentes em Ariquemes e Porto Velho, realizaram capturas durante os anos de 1985 a 1988 no intra, peri e extradomicílio desses dois municípios de RO. Foram coletadas 20 espécies de anofelinos, sendo 77,7% dos exemplares A. darlingi. O padrão de captura observado foi semelhante ao dos trabalhos supracitados, com maior captura no peridomicilio (7.759; 83%). Diferentemente dos resultados obtidos por esses estudos, no presente trabalho as localidades São João e Candeias do Jamari apresentaram maiores coletas de anofelinos no extradomicílio.

Embora seja mais frequente a captura no peridomicilio, também são registrados resultados onde não se observa preferência entre os ambientes de coleta, como os obtidos nas localidades de Mato Grosso e Nova Esperança (Roberts et al 1987).

Em diversos estudos entomológicos realizados em Rondônia foi maior a prevalência de A. darlingi em relação a de outras espécies de anofelinos registradas no Estado (Tadei et al 1988, Deane et al 1988, Lourenço de Oliveira et al 1989, Klein et al 1991, Camargo et al 1999). Portanto, o predomínio dessa espécie encontrado no presente estudo está de acordo com os relatos da literatura. A prevalência de A. darlingi na localidade de São João, em relação às outras localidades avaliadas, pode ser explicada pela ausência de ações de controle e por se tratar de uma área mais preservada.

O maior período de atividade de A. darlingi ocorre durante as três primeiras horas da escotofase, variando entre 18:00h e 21:00h ou das 17:00h às 20:00h, de acordo com o tipo de localidade (rural ou urbana), com a densidade de anofelinos em relação a outros culicídeos, estação do ano (chuvosa, seca ou de transição), distância entre as residências e a mata e a presença de outros hospedeiros (Tadei & Thatcher 2000). Embora seja usualmente coletado número maior de anofelinos nesses horários, quando se realiza coleta durante 12h (18:00h às 6:00h) observa-se a presença de anofelinos ao longo de todo o período, inclusive de A. darlingi (Moreno et al 2007, Cruz et al 2008, Giroad et al 2008). Roberts et al (1987) capturaram A. darlingi durante todo o período de escotofase, e a espécie apresentou dois picos de atividade, um ao anoitecer (às 17:54h no intradomicilio e às 19:54h no peridomicilio) e um ao amanhecer (5:54h nos dois ambientes). Essas diferenças nos horários de hematofagia também foram observadas em trabalhos realizados na região amazônica não-brasileira, como na Bolívia (Harris et al 2006), Venezuela (Moreno et al 2007) e Guiana Francesa (Girod et al 2008).

No presente trabalho, foram capturados A. darlingi em todos os horários da coleta de 12h, com a ocorrência de dois picos de atividade, um principal no período de 22:00h às 23:00h e um secundário no período de 1:00h às 2:00h. Esse padrão de atividade hematofágica foi observado por Rozendaal (1990) durante capturas de 13h de duração (das 18:30h às 7:30h), no Suriname, onde encontrou A. darlingi em todos os horários. Resultados semelhantes foram obtidos por Hudson (1984) e Elliott (1972) na Colômbia, corroborados pelo padrão de captura na localidade de Nova Esperança, RO. A variação na periodicidade de hematofagia de A. darlingi observada pode ter como fatores determinantes, as diferenças de temperatura, estação do ano, precipitação, variabilidade genética, medidas de controle adotadas na localidade e hábitos da população local (Charlwoold & Hays 1978, Rozendaal 1990).

Charlwoold & Hays (1978) ainda relataram que as variações observadas nos ciclos de picada entre diferentes localidades podem ser decorrentes de isolamento geográfico entre as populações de A. darlingi, e que essa diferença de comportamento de picada representam linhagens diferentes de mosquitos.

Roberts et al (1987) realizaram capturas a diferentes distâncias das residências (10, 20 e 40 m) e observaram que a maior coleta se deu próximo à residência (10 m). Entretanto durante o início da noite (das 17:50h às 18:05h) foi registrada maior presença de A. darlingi na área mais afastada (40 m), próximo à floresta, que foi diminuindo ao longo da escotofase. No presente estudo o padrão de coleta também se alterou ao longo da noite com a preponderância de coletas no peridomicilio (próximo a casa) até 1:00h, seguido de predomínio de coletas no extradomicílio após esse horário até o amanhecer. O padrão bimodal da curva de atividade de picada de A. darlingi observada na localidade Nova Esperança também foi observado por Tadei et al (1988) e Rosa- Freitas et al (1992). Outros padrões de atividade de picada uni e trimodal foram relatados na Amazônia brasileira, os quais não tem sido explicados pela variabilidade genética existente (Rosa-Freitas et al 1992). Portanto, pode-se considerar que os fatores determinantes dessas atividades ainda permanecem indefinidos.

Barros et al (2007), em capturas em Roraima durante os anos de 2003 e 2004, avaliaram a taxa de paridade dos anofelinos coletados e observaram maior captura de fêmeas oníparas, o que também foi observado nas localidades de Mato Grosso, Nova Esperança, São João e Candeias do Jamari. Durante a realização de coleta de 12h, o autor observou variação da taxa de paridade durante a noite, sendo encontradas fêmeas de todas as idades das 18:00h às 22:00h, fêmeas mais jovens das 22:00h às 2:00h e apenas fêmeas mais velhas das 2:00h às 6:00h, o que é corroborado em parte pelos resultados obtidos no presente trabalho, uma vez que na coleta de 12h exemplares nulíparos foram coletados às 22:00h e às 2:00h. As fortes chuvas ocorridas durante todo o mês de dezembro na localidade Nova Esperança, durante a realização das capturas, podem ter ocasionado a destruição de alguns criadouros, com mortalidade das formas imaturas, reduzindo, com isso, a produção de fêmeas nulíparas. Essa observação concorda com o observado por Rozendaal (1990) no Suriname.

Nas quatro localidades estudadas foi observada elevada prevalência da espécie A. darlingi, confirmando os dados obtidos através do LACEN- RO. A diversidade na bionomia dessa espécie no que se refere à periodicidade e utilização do peri e extradomicílio, já abordada em outros estudos, também foi observada no presente trabalho. Os resultados apresentados reafirmam a importância de realização de investigação entomológica para o conhecimento da biologia e comportamento dos anofelinos antes da implementação de medidas de controle vetorial e para o monitoramento de possíveis modificações e variações em sua bionomia.

 

Agradecimentos

Aos funcionários do Município de Porto Velho e do Lacen/RO: Aldha Lobato, Antônio Pinheiro, César Cortez, Deusteth dos Santos, Erenaldo dos Santos, Eunice Maria, Gilvan Lopes, Joecigleison da Silva, José Valter, Rosenilton e Sebastião dos Santos pelo auxilio em campo. Aos revisores anônimos pelas sugestões e contribuições. Ao CNPq e CAPES pelo auxilio financeiro. Trabalho resultado de tese de doutorado, Depto. de Parasitologia da UFMG.

 

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Received 25/II/08.
Accepted 7/II/09.

 

 

Edited by Neusa Hamada - INPA