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Neotropical Entomology

versão impressa ISSN 1519-566X

Neotrop. entomol. vol.40 no.3 Londrina maio/jun. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1519-566X2011000300016 

SCIENTIFIC NOTE

 

Moscas-das-frutas (Diptera: Tephritidae) e seus parasitoides (Hymenoptera: Braconidae) associados às plantas hospedeiras no sul da Bahia

 

Fruit flies (Diptera: Tephritidae) and their parasitoids (Hymenoptera: Braconidae) associated to host plants in the Southern Region of Bahia State

 

 

MAL BittencourtI; ACM da SilvaI; VES SilvaI; ZV BomfimI; JA GuimarãesII; MF de Souza FilhoIII; EL AraujoIV

IUniv Estadual de Santa Cruz (UESC), Ilhéus, BA, Brasil
IIEMBRAPA - CNPH, Brasília, DF, Brasil
IIIInstituto Biológico, Campinas, SP, Brasil
IVUniversidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Mossoró, RN, Brasil

Correspondence

 

 


ABSTRACT

The association among Anastrepha species, braconid parasitoids and host fruits in southern Bahia is recorded. Doryctobracon areolatus (Szépligeti) was associated with A. serpentina (Wied.) in Pouteria caimito, A. bahiensis Lima in Helicostylis tomentosa, A. sororcula Zucchi in Eugenia uniflora, and A. obliqua (Macquart) in Spondias purpurea. Anatrepha obliqua was unique in fruits of Averrhoa carambola, but associated with D. areolatus, Asobara anastrephae (Muesebeck) and Utetes anastrephae (Viereck). In Achras sapota, A. serpentina was associated with A. anastrephae and D. areolatus, while in Psidium guajava, A. fraterculus (Wied.) and A. sororcula were associated with D. areolatus and U. anastrephae.

Keywords: Anastrepha, biodiversity, fruit tree


 

 

Mais de 50% das espécies de Anastrepha conhecidas no mundo já foram registradas no território brasileiro, tendo como hospedeiros principais plantas das famílias Anacardiaceae, Myrtaceae, Passifloraceae e Sapotaceae (Zucchi 2007, 2008). Na Bahia, já foi relatada a ocorrência de 31 espécies de Anastrepha (Zucchi 2008). Contudo, a maioria desses tefritídeos, sejam os assinalados na Bahia ou em todo território brasileiro, não tem hospedeiro conhecido (Zucchi 2007).

Dentre os inimigos naturais das moscas-das-frutas, Braconidae (Opiinae) são os mais importantes na Região Neotropical, sendo as espécies de Doryctobracon, Utetes e Opius as principais responsáveis pelo parasitismo natural no Brasil (Canal Daza & Zucchi 2000). Na Bahia, existem relatos de cinco espécies de braconídeos associados às moscas-das-frutas (Zucchi 2008, Silva et al 2010), sendo o mais comum Doryctobracon areolatus (Szépligeti) (Cova & Bittencourt 2003, Silva et al 2010). No entanto, faltam informações sobre as moscas-das-frutas, seus hospedeiros e parasitoides em muitos dos municípios da Bahia onde a fruticultura vem aumentando em importância econômica e social, o que é fundamental para o manejo integrado dessas pragas. O principal objetivo deste trabalho foi o de relatar a associação entre espécies de moscas-das-frutas, seus hospedeiros e parasitoides, em dois municípios do Sul da Bahia.

No período de março de 2003 a janeiro de 2004 foram realizadas coletas aleatórias de frutos hospedeiros de moscas-das-frutas, nos municípios de Porto Seguro (16º 21'S e 30º 15'W) e Itabela (16º 39'S e 30º 29'W). Os frutos coletados foram: a) em Porto Seguro - abiu-amarelo, Pouteria caimito - Sapotaceae (3,5 kg); amora, Helicostylis tomentosa - Moraceae (0,05 kg); carambola, Averrhoa carambola - Oxalidaceae (6,95 kg); sapoti, Achras sapota - Sapotaceae (1,70 kg); e jambo-vermelho, Syzygium malaccense - Myrtaceae (1,54 kg); b) em Itabela - goiaba, Psidium guajava - Myrtaceae (12,80 kg); pitanga, Eugenia uniflora - Myrtaceae (0,59 (kg); e seriguela, Spondias purpurea - Anacardiaceae (0,60 kg). Os frutos foram acondicionados em bandejas plásticas para obtenção dos pupários, os quais foram contados e mantidos em condições controladas até a emergência de moscas ou parasitoides (25 ± 1ºC; 14h de fotofase). As moscas-das-frutas e os parasitoides foram identificados com base nos trabalhos de Zucchi (2000) e Canal Daza & Zucchi (2000). Foram registradas as associações entre mosca-das-frutas/fruto hospedeiro/parasitoide, consideradas apenas quando da amostra de frutos coletada emergiu somente uma espécie de tefritídeo, e foram relatados o índice de infestação II = número de pupários obtidos ÷ peso dos frutos (kg) e o índice de parasitismo IP = (número de parasitoides emergidos ÷ número de pupários) x 100.

Dos frutos coletados foram obtidas cinco espécies: Anastrepha fraterculus (Wiedemann), A. sororcula Zucchi, A. obliqua (Macquart), A. serpentina (Wiedemann) e A. bahiensis Lima; e três espécies de braconídeos, D. areolatus, Utetes anastrephae (Viereck) e Asobara anastrephae (Muesebeck).

Somente A. serpentina emergiu das sapotáceas abiu-amarelo e sapoti. Do abiu-amarelo houve emergência de D. areolatus. Em frutos de sapoti, constatou-se pela primeira vez a associação entre A. serpentina/sapoti/A. anastrephae. Dos frutos de amora emergiram A. bahiensis e D. areolatus. Trata-se do primeiro relato da associação entre A. bahiensis e D. areolatus em frutos de amora, no Sul da Bahia. Anastrepha obliqua foi a única espécie de moscas-das-frutas obtida de carambola, que é considerada um de seus hospedeiros preferidos (Araujo et al 2005). Além do referido tefritídeo, emergiram os parasitoides D. areolatus, U. anastrephae e A. anastrephae, dos quais apenas D. areolatus havia sido relatado em associação com A. obliqua e carambola no Sul da Bahia (Silva et al 2010). Do jambo-vermelho foram obtidas A. obliqua, A. fraterculus e o parasitoide D. areolatus. Com relação à goiaba, emergiram A. fraterculus e A. sororcula, corroborando os estudos de Souza-Filho et al (2007) na região em estudo. Doryctobracon areolatus foi o único parasitoide associado a ambas espécies. Dos frutos de pitanga emergiu A. sororcula e o parasitoide D. areolatus, sendo o primeiro relato dessa associação no Sul da Bahia. A associação A. obliqua/D. areolatus foi observada em seriguela.

O índice de infestação variou de 29 pupários/kg de fruto de goiaba a 1.560 pupários/kg de fruto de amora. Os índices de parasitismo natural observados oscilaram de 0,63% em pitanga a 8,97% em amora. Vários fatores podem influenciar os índices de infestação e de parasitismo natural nos frutos, como, por exemplo, as características do fruto hospedeiro, as espécies de moscas-das-frutas habitantes de uma região, local e época de coleta dos frutos, entre outros fatores.

Os resultados apresentados são importantes porque ampliam as informações sobre a associação das moscas-das-frutas e seus inimigos naturais nas referidas fruteiras, possibilitando otimizar o manejo integrado destas pragas em pomares de frutíferas do Sul da Bahia. Além disso, estes são os primeiros relatos de hospedeiros de moscas-das-frutas e seus inimigos naturais, nos municípios de Itabela, extremo Sul da Bahia.

 

Referências

Araujo EL, Medeiros MKM, Silva VE, Zucchi RA (2005) Moscas-das-frutas (Diptera: Tephritidae) no semi-árido do Rio Grande do Norte: plantas hospedeiras e índices de parasitismo. Neotrop Entomol 34: 889-894.         [ Links ]

Canal Daza NA, Zucchi RA (2000) Parasitóides - Braconidae, p.119-126. In Malavasi A, Zucchi RA (eds) Moscas-das-frutas de importância econômica no Brasil: conhecimento básico e aplicado. Ribeirão Preto, Holos Editora, 327p.         [ Links ]

Cova AKW, Bittencourt MAL (2003) Ocorrência de moscas-das-frutas (Tephritidae) e parasitóides em frutos da região do Semi-árido da Bahia. Magistra 15: 67-70.         [ Links ]

Silva JG, Dutra VS, Santos MS, Silva NMO, Vidal DB, Nink RA, Guimarães JA, Araujo EL (2010) Diversity of Anastrepha spp. (Diptera: Tephritidae) and associated braconid parasitoids from native and exotic host in southeastern Bahia, Brazil. Environ Entomol 39: 1457-1465.         [ Links ]

Souza Filho ZA, Araujo EL, Guimarães JA, Silva JG (2007) Endemic parasitoids associated with Anastrepha spp. (Diptera: Tephritidae) infesting guava (Psidium guajava L.) in southern Bahia, Brazil. Fla Entomol 90:783-785.         [ Links ]

Zucchi RA (2000) Taxonomia, p.13-24. In Malavasi A, Zucchi RA (eds) Moscas-das-frutas de importância econômica no Brasil: conhecimento básico e aplicado. Ribeirão Preto, Holos Editora, 327p.         [ Links ]

Zucchi RA (2007) Diversidad, distribución y hospederos del género Anastrepha em Brasil, p.77-100. In Hernández-Ortiz V (ed) Moscas de la fruta en Latinoamérica (Diptera: Tephritidae): diversidad, biología y manejo. México, D.F., S y G Editores, 167p.         [ Links ]

Zucchi RA (2008) Anastrepha species and their hosts plants. Fruit flies in Brazil. Disponível em: <http:www.lef.esalq.usp.br/anstrepha/edita_infos.htm>. Acesso em: 27 jan 2010.         [ Links ]

 

 

Correspondence:
Maria A L Bittencourt
Depto de Ciências Agrárias e Ambientais, Univ Estadual de Santa Cruz
Rod Ilhéus-Itabuna, km 16
45.662-000, Ilhéus, BA
malbitte@uesc.br

Recived 11 March 2009 and accepted 03 January 2011

 

 

Edited by Wesley A C Godoy - ESALQ/USP