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Civitas - Revista de Ciências Sociais

versão impressa ISSN 1519-6089versão On-line ISSN 1984-7289

Civitas, Rev. Ciênc. Soc. vol.14 no.3 Porto Alegre nov./dez. 2014  Epub 09-Mar-2020

https://doi.org/10.15448/1984-7289.2014.3.18682 

Dossiê: Religião e globalização

Globalização e religião

Globalization and religion

Joanildo Burity

Airton Jungblut


Quando o debate sobre a globalização parece arrefecer lá onde se pensou que ele se aplicava de modo exclusivo ou em caráter determinante, a economia, persiste uma forte proliferação de discursos sobre a globalização que apontam para novas dimensões ou para apropriações metonímicas do mesmo (cf. Santos, 2002; García Canclini, 2003; Scholte, 2005; Ritzer, 2011; Coleman e Sajid, 2013). Assim, não apenas se ampliou a adjetivação de globalização, como também o recurso ablativo de atribuir uma capacidade ou qualidade globalizante a alguma esfera da vida social (as “globalizações de x”). Globalização econômica, política, social, cultural. Globalização da cultura, dos riscos, da insegurança, da pobreza, da comunicação. E por aí se vai. Sinal de que embora contestado de todos os lados, ou banalizado ao ponto de tornar-se mero jargão, o termo parece apontar para práticas, tendências e projetos que ainda capturam a imaginação, os desejos e os interesses de muita gente.

Outra tendência perceptível é a de, passada uma fase difusionista em que “globalização” era vista como vindo de fora e de cima, mesmo quando não estava claro de onde vinha e quem a encarnava, recuperar-se a irredutibilidade do lugar e da agência na experiência da globalização (cf. Mato, 2004; Escobar, 2005; Robertson, 2005; Mendieta, 2007). Isto significa que, de um lado, forças e processos de caráter e abrangência local se globalizaram, isto é, disseminaram-se mundo afora como modelos, aprendidos ou impostos de diferentes maneiras. Entre estas forças e processos contam-se as várias formas de promoção de versões locais que expressam ou adaptam-se à percepção do que seria a realidade e as exigências da globalização (por exemplo, as cidades globais e a autoapresentação da singularidade histórica e cultural do lugar como atração turística); bem como as várias formas de resistência local ao impacto de outros vetores de globalização (por exemplo, a ampliação das práticas de mercado para cada vez mais esferas da vida social ou a articulação entre grandes interesses econômicos e políticas governamentais incidindo sobre localidades e grupos específicos).

De outro lado, a mencionada irredutibilidade do lugar e da agência significa que não se sofre mais resignadamente a globalização como um processo inelutável de apagamento de fronteiras, regulação a partir de imperativos intangíveis e promessas de gozo futuro. Muitos atores sociais perderam o medo de interrogar, questionar e até mesmo colocar-se a missão de construir “outra globalização”. Isso se aplica principalmente aos campos do ativismo social e das minorias. A volta do sentido de lugar e a redescoberta do potencial da agência se globalizaram! A globalização se localiza, se glocaliza, e sua historicidade e contingência se tornam mais visíveis, mais suscetíveis de contestação e transformação. De um processo “natural”, percebe-se crescentemente sua tessitura político-ideológica. Isto tem levado à emergência de termos como antiglobalização, alterglobalização e glocalização (cf. Gledhill, 2007; Azzi, 2007; Bringel e Muñoz, 2010; Eschler, 2011).

Assim, vamos descobrindo cada vez mais contextos aos quais aplicar o termo –desvelando/inventando dimensões que o especificam, “regionalizam”, ou apontando lugares desde os quais esta força se propaga ou nos quais se condensa– ao mesmo tempo em que cobramos mais pela chegada, permanência e movimentação dessa “coisa”, o que a torna mais passível de algum tipo de controle local. Restam, ainda, desafios para os quais o discurso hegemônico da globalização (em seus dialetos econômico, político e midiático) não consegue oferecer saídas duradouras, justas ou eficazes – as crises financeiras globais; a persistência e reprodução das desigualdades em todos os níveis; e a escalada da violência (em diferentes formas e com diferentes conteúdos: terrorismo, conflitos étnicos, novas modalidades de protesto social, intolerância sociocultural etc.).

Também persistem formas de olhar analítico (oriundas de agentes sociais e acadêmicos) informadas pelo que poderíamos chamar de nacionalismo metodológico, esse misto de etnocentrismo localista e afirmação de uma espécie de soberania simbólica que toma as fronteiras territoriais do estado-nação como um princípio suficiente (ou pelo menos prioritário) de constituição e explicação do real, ancorando-se na assunção acrítica da singularidade do nacional ou do estatal (cf. Amelina et al., 2012; Bailey e Winchester, 2012). Seríamos tão singulares que aqui não se aplicaria o que vemos estar acontecendo com os outros. Seríamos tão autossuficientes que projetamos nossa agenda e nossa autopercepção sobre o resto do mundo. Por pressupor que o micro condensa o macro, contentamo-nos em fixar o olhar para dentro do estado nacional ou de suas subescalas para perceber “o que está acontecendo” e como entendê-lo. Na melhor das hipóteses recaímos na perspectiva externalista do imaginário global (aquilo que vem de fora e nos confronta ou ameaça).

Essas atitudes e os fracassos do projeto hegemônico em cumprir suas promessas de globalizar pelo econômico e desde o Norte reclamam novas formas de olhar e a identificação de novos atores. Ao se tornar objeto de contestação e cenário de transformação, a globalização deixa de ser um bloco monolítico, revela o caráter político de sua constituição e expansão discursiva (isto é, como conjunto de sentidos e como prática articulados).

É neste contexto que gostaríamos de situar o momento, a pertinência e a contribuição possível de um foco sobre a religião em sua relação com o tema da globalização. Sabemos perfeitamente que não se trata de uma proposta original: muitas revistas já publicaram seus dossiês nas últimas décadas em vários países e neste exato momento outras, mesmo no Brasil, estão preparando seus números. Mas acreditamos que manter o debate em aberto só é possível por meio de intervenções repetidas. Por meio delas podemos escrutinizar as virtudes e os defeitos do conceito de globalização e tomar o pulso da força do imaginário global em nosso tempo (Steger, 2009; Fitzgerald, 2011). Também nos parece salutar que a repetida percussão de argumentos e enfoques sobre o global, ou melhor, o glocal, ajude a perfurar as muralhas do nacionalismo metodológico.

É patente, a esse respeito, que a expansão da agência e do lugar no cenário recente dos processos de globalização tornou “a religião” cada vez mais visível, como tema, como prática e como ação estratégica (cf. Oro e Steil, 1997; Wolfe, 2002; Vásquez e Marquardt, 2003; Thomas, 2005; de Vries, 2009). Essa visibilidade é construída de várias maneiras. Pela percepção de que há uma tal mobilização e inquieta articulação de (contra)discursos religiosos “em toda parte” –ainda que não estejam estabelecidas as conexões empíricas ou analíticas entre esses casos– que talvez se deveria falar de uma “globalização religiosa” (Reyes Herrera, 1997, p. 59; Baptista, 2006, p. 62). Pela associação da emergência global de processos de minoritização (isto é, de emergência sociopolítica de identidades subalternas, ou de reafirmação ressentida ou estigmatizante de identidades majoritárias construindo ou reforçando noções de minorias ameaçadoras) a determinadas expressões religiosas (Connolly, 2011, p. 59–61; Burity, 2011). Associando-se a crescente percepção da força civilizacional do Islã, as transformações do catolicismo e a emergência dos pentecostalismos como indicadores de uma “globalização da religião” (Csordas, 2009, p. 2–9; Beyer, 2012, p. 21). Interpretando-se o impacto da mobilização religiosa nas políticas nacionais e na governança global como indicativo de uma (indesejável?) “globalização pela religião” (Castells, 2008; James, 2011). Discutem-se as tendências pluralizantes e a difusão do consumo nos campos cultural e social como indicativas do “impacto da globalização sobre as religiões” (Levitt, 2013).

Assim, maior visibilidade da religião globalmente e maior preocupação em identificar vetores causais ou pelo menos explicativos de processos globais no interior do “campo religioso” vão demarcando alguns contornos deste vínculo entre globalização e religião. Objetos empíricos até aqui pouquíssimo explorados pelos cientistas sociais, como a relação entre religião e migrações internacionais, religião e diáspora, religião e movimentos de justiça global, religião e segurança global, religião e regulação do sistema financeiro internacional (Freston, 2007; Plüss, 2009; Steger e Wilson, 2012; Burity, 2013), além de inúmeros casos que, tomados localmente, seriam lugares de realização ou de expressão do global, vão dando corpo a uma paulatina atenção para aquele vínculo.

Mas que vínculo é este, mesmo? A brevíssima recensão acima já aponta para múltiplas escalas, perspectivas e dimensões normativas envolvidas nesses exercícios de identificação do global na religião e vice-versa. Via de regra, tem-se partido de definições quase estereotípicas de globalização que a constroem como mecanismo estrutural (compressão espaço-tempo; interconectividade; revolução nas comunicações e nos transportes; produção de desigualdades e desenraizamentos pela globalização econômica), para, então, colocar a questão sobre como isso impacta sobre a religião. Noutros casos, afirma-se a agência religiosa impactando o mecanismo estrutural, condicionando-o, originando-o, qualificando-o. Em outros casos, ainda, a conjunção atribui à religião a capacidade de tirar proveito de tendências consideradas constituintes da globalização, embora não sejam sinônimas a ela (internacionalização, transnacionalização, difusão global por meio das tecnologias da informação e da comunicação etc.).

Há neste procedimento uma questão analítica não enfrentada: por que tomar globalização e religião como categorias dadas, autoevidentes, empiricamente já delimitadas, para então aplicar a elas a articulação conjuntiva: religião e globalização? Por que pressupor, ou dar como não-problemática a existência em estado “duro” desses dois campos de práticas e de saberes? Por que raramente se colocam as questões ético-teóricas de escolha conceitual e metodológica envolvidas na “apreciação” ou no “questionamento” do global, do religioso e das percebidas conjunções entre eles? E assim, multiplicam-se as interpretações que pretendem dar conta das manifestações socioantropológicas do vínculo entre religião e globalização a partir de categorias analíticas nada neutras valorativamente (tais como direitos, cosmopolitismo, secularidade, autonomia e soberania) e raramente interrogadas.

Vão-se produzindo as evidências do vínculo, a partir do acúmulo de percepções, indicações e casos: “impactos” da globalização sobre as experiências locais das religiões, emergência de algumas expressões globais/globalizantes de religião com grande repercussão (Islã, direita religiosa norte-americana, pentecostalismo), intensificação e horizontalização das migrações transfronteiras com componentes religiosos (missões ou formação de comunidades diaspóricas).

Há nesse processo de construção “empírica” do vínculo –em si mesmo perfeitamente legítimo, insistamos– um elemento pouco reconhecido: a globalização da própria categoria “religião”. Há vários sinais de que as categorias científicas ocidentais são cobradas a explicitarem, admitirem seu lugar particular de enunciação por parte de atores intelectuais e sociopolíticos emergentes das muitas periferias, geográficas e simbólicas, do mundo contemporâneo. As minoritizações contemporâneas “misturam” o étnico, o cultural, o social, o ritual/espiritual (difusos ou institucionalizados), acentuando uma vez mais o lugar e a agência como irredutíveis ao imaginário global, investindo-o, mas simultaneamente flexionando-o, seletivamente apropriando-se dele e parcialmente resistindo a ele – de modo muito mais desconcertante do que as narrativas da modernização e da secularização permitiram enxergar ou interrogar. As formas de emergência de razões e saberes subalternos pedindo espaço e reconhecimento muito além de suas condições locais de articulação põem em xeque visões apressadas sobre a mera repetição de tendências, características empírico-descritivas e conceitos oriundos dos centros hegemônicos. Postula-se cada vez mais uma pluralidade, complexa e desafiadora (tanto epistêmica quanto politicamente) de formas de narrar o mundo, descrever experiências coletivas e articular demandas. Pede-se atenção e capacidade de escuta para as lógicas culturais de sociedades e comunidades inteiras, até há pouco forçadas a dizerem-se nos termos do discurso nacional, moderno e secular.

Todos esses movimentos apontam na direção do descentramento, da desconstrução dos regimes de saber ocidentalizantes e suas categorias. No entanto, falamos quase despreocupadamente de “religião” em escala global. Que haja culturas e milhões de pessoas para quem a fronteira entre cultura, religião (e política) são no mínimo oscilantes, quando não inexistentes, parece não afetar o uso da categoria – a qual se globalizaria, como se não se tratasse precisamente de uma operação de globalização epistêmica. Que haja tradições espirituais e rituais sem clero e sem corpo doutrinário formalizados e explicitados, ou mesmo sem livros sagrados, não impede tratarem-se lideranças como representantes oficiais (quando não investi-las pública, legalmente, dessas prerrogativas). Que diferentes práticas espirituais, rituais e culturais, bem como diferentes formas de comportamento social, adentrem esse cenário global reivindicando-se como religiões, parece não suscitar questionamentos sobre os regimes de saber-poder que demandam essas autoapresentações. Que as características definidoras deste objeto de há séculos se propaguem como formas socioantropológicas para outras partes do mundo –sendo as histórias do colonialismo, das missões e das migrações internacionais casos em tela– parece não exigir cuidadosos procedimentos de deslindamento conceitual e demarcação empírica desses fenômenos. Pois “religião” é categoria histórica, não o nome de um fenômeno imemorial.

Mas aí estamos: globalização e religião se apresentam a nós como categorias do real-empírico, desafiando nosso conhecimento e nossa capacidade de articulá-las, particularmente em termos de sua conjunção – religião e globalização…

Nas contribuições incluídas neste número, religião e globalização são investidas e mobilizadas de diversas maneiras. Se em todas elas a asserção da irredutibilidade do lugar e da agência é predominante, solidamente situando-as numa fase relativizadora da primazia do global como exterior e superior ao local, a construção do vínculo entre ambas é bem mais ambivalente. Não somente se encontrarão tensões entre diferentes artigos, como também deslizamentos e ambiguidades no manejo de cada categoria e especialmente de sua conjunção no interior mesmo de alguns deles. Nisto, entendemos que mais do que pautar os autores, a moldura analítica proposta acima serve como apontamentos para a interrogação das contribuições aqui incluídas, mas também como reflexão a posteriori de questões colocadas tanto em nível teórico como empírico nos diferentes trabalhos.

O dossiê sobre “Religião e Globalização” está organizado em dois blocos de artigos. Um primeiro desenvolve análises de caráter teórico, enquanto o segundo explora casos ou temáticas relevantes. Dois artigos compõem o primeiro bloco. O primeiro deles, de Andrew Dawson, Religion and the theoretical implications of ‘globalizing modernity’, aborda as interfaces entre religião e globalização tendo como aporte teórico as discussões a respeito do conceito de “modernidade globalizante”. O autor ainda ocupa-se de analisar os argumentos de outros analistas “que rejeitam a relevância de teorias supostamente exógenas da modernidade para a compreensão do contexto latino-americano”.

No segundo artigo desse primeiro bloco, Globalização e religião: efeitos do pluralismo global no campo religioso contemporâneo, de Airton Luiz Jungblut, são examinadas teoricamente as relações entre globalização e tradição. O autor discute, mais precisamente, efeitos destradicionalizantes da globalização, particularmente aqueles que promovem a pluralização religiosa e a autonomização identitária dos indivíduos em busca de bens religiosos no mundo contemporâneo.

Após esse primeiro bloco, apresentamos um conjunto de artigos que, tratando de questões teóricas relativas à temática “religião e globalização”, o fazem a partir de um olhar bastante focalizado sobre casos específicos, que dramatizam o encontro desses fenômenos socioculturais.

Nicolás Guigou, em seu texto Movimientos cabalistas en el mundo global: entre la tradición y la alta modernidad, aborda os movimentos contemporâneos de crenças ancorados na tradição da Kabbalah, atentando, principalmente, para as alterações identitárias que se processam ali, alimentadas que são, pelas dinâmicas sociais, “virtuais e reais”, vinculadas ao processo de globalização.

Jacques A. Wainberg, em A narrativa utópica contemporânea: o califado, o martírio e a violência política, se debruça sobre “a função social” de grandes narrativas religiosas, tais como aquelas desenvolvidas pelos grupos salafistas para divulgação de suas intenções “revolucionárias” em favor do pan-islamismo, globalizado através de vários meios de comunicação contemporâneos.

No texto a seguir, Iran and Shia transnational religious actors: limits of political influence, Jeffrey Haynes analisa a natureza e as características dos atores religiosos transnacionais contemporâneos a partir, principalmente, do exame de redes xiitas transnacionais. Nesse exercício, Haynes também identifica e analisa o conceito de “soft power religioso transnacional” aplicando-o às práticas de grupos xiitas visando a atingir seus objetivos e atender às suas preocupações nacionalistas e estatistas.

Rudolf von Sinner, por sua vez, em Estado e religiões - o exemplo da Alemanha, objetiva à descrição e análise das relações entre estado e religiões a partir do caso alemão como subsídio para a discussão da situação brasileira. O autor busca, através desse exercício analítico, compreender distintos modelos de laicidade estatal em suas relações com a crescente pluralização religiosa contemporânea.

Já no texto ‘Fluxos e fronteiras’: mapeando o pentecostalismo brasileiro em Portugal, Paulo Gracino de Souza Júnior ocupa-se de observar e analisar os percursos da expansão das igrejas pentecostais e neopentecostais brasileiras em Portugal, focalizando, sobretudo, as “contestações e/ou resistências vernaculares a esses fluxos”.

Também focalizando o campo evangélico/pentecostal, Marcos Carbonelli, em “Evangélicos, globalización y política en Argentina”, trata da ingerência de dinâmicas globais nas práticas verificáveis entre os grupos evangélicos que atuam na atual esfera política da Argentina. O autor busca identificar e comparar entre si os objetivos institucionais, as metodologias de trabalho e as estruturas organizativas das várias agências religiosas ali existentes.

Por fim, o texto El ‘evangelio’ y sus condiciones de posibilidad: apuntes sobre las afinidades económicas y culturales del neo-pentecostalismo en el marco de la globalización, de Joaquín Algranti, trata do surpreendente crescimento dos grupos evangélicos de características neopentecostais na América Latina, fenômeno que é interpretado pelo autor como uma das grandes forças vinculadas à globalização religiosa que se assiste no mundo contemporâneo.

Desejamos, então, que a leitura dos textos deste dossiê temático permita aos leitores acessar diferentes e úteis perspectivas de análise acerca do encontro entre esses dois processos instigantes da contemporaneidade, a globalização e a religião, quer problematizando-as quer explorando seus entrecruzamentos. Situar os artigos na moldura interpretativa proposta nesta apresentação é um “exercício” que sugerimos. Observar as múltiplas formas de articulação dos conceitos e dos feixes de práticas que são associados a seu raio de abrangência é outra forma de acercar-se às instigantes contribuições aqui apresentadas.

Boa leitura!

Referências

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