SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.5 issue1Morpho-anatomy of subterranean systems of herbaceous-undershrub and arboreous species, emphasizing the origin of shoot budsFloristic survey of the freshwater Naviculales (Bacillariophyceae) from the State of São Paulo author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Biota Neotropica

On-line version ISSN 1676-0603

Biota Neotrop. vol.5 no.1 Campinas  2005

http://dx.doi.org/10.1590/S1676-06032005000100022 

DISSERTAÇÕES E TESES

 

Morfologia e anatomia dos frutos e sementes de três espécies de Erythroxylum P. Browne (Erythroxylaceae)

 

 

Adriana Tiemi Nakamura

 

 

RESUMO

O cerrado (senso lato) é uma vegetação que cobre 20 a 25% do território brasileiro, cuja flora é bastante rica e diversificada, abrangendo cerca de 6.062 espécies de Fanerógamas, entre árvores, arbustos de grande porte e muitas espécies arbustivas e herbáceas. O conhecimento incompleto da flora como um todo e as informações esparsas e restritas a pequeno número de espécies dificultam qualquer tentativa de criação de um esquema racional para preservação dos cerrados e identificação de áreas particularmente críticas. Aspectos da morfologia e anatomia de grande parte dos representantes do cerrado são desconhecidos, sendo que os estudos morfo-anatômicos a respeito dos frutos e sementes das plantas de cerrado são ainda mais escassos. Com base no exposto e considerando que a família Erythroxylaceae é uma das mais representativas dos cerrados, realizou-se o presente trabalho, que teve por objetivo principal estudar a morfologia, anatomia e ontogênese dos frutos e sementes de Erythroxylum campestre, E. cuneifolium e E. suberosum, espécies nativas de cerrado do Estado de São Paulo. O fruto das espécies estudadas é drupóide, de coloração vermelha na maturidade e com cálice persistente. A semente é bitegumentada, albuminosa e com embrião axial com eixo hipocótilo-radicular curto e cotilédones carnosos. Anatomicamente, os frutos das espécies estudadas foram divididos em três estádios de desenvolvimento: I — caracterizado por inúmeras divisões celulares na parede ovariana e no óvulo de botões florais, flores em antese e pós-antese; II — grande crescimento do pericarpo e da semente dos frutos verdes, até o tamanho final dos mesmos; III — amadurecimento do pericarpo e da semente, contemplando-se a diferenciação do embrião. Durante o desenvolvimento do fruto, observou-se que o tecido que se lignifica e delimita o pirênio é derivado do mesocarpo interno associado ao endocarpo, este unisseriado. Os tegumentos seminais são papiráceos com exotégmen lignificado. Conclui-se que, para abranger os frutos aqui referidos a definição clássica dos frutos drupóides precisa ser revista, pois nem sempre é apenas o endocarpo que é lenhoso. Para contemplar as espécies de Erythroxylum estudadas, os frutos drupóides devem ser definidos como aqueles que apresentam a região interna do pericarpo lenhosa, podendo abranger tecidos mesocárpicos e/ou endocárpicos.

Palavras-chave: morfologia, anatomia, fruto, semente, Erythroxylaceae

 

 

Dissertação (mestrado) — Instituto de Biociências de Botucatu, Universidade Estadual Paulista, 2003.
Orientador: Drª. Denise Maria Trombert de Oliveira.