SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.5 issue1Placentation in rock cavies, Kerodon rupestris Wied, 1820Floristic composition of the woody lianas community in two forest formations of São Paulo State author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Biota Neotropica

On-line version ISSN 1676-0603

Biota Neotrop. vol.5 no.1 Campinas  2005

http://dx.doi.org/10.1590/S1676-06032005000100031 

DISSERTAÇÕES E TESES

 

Morfologia e anatomia de frutos e sementes de Styrax camporum Pohl. (Styracaceae), espécie de cerrado do Estado de São Paulo

 

 

Pricila Greyse dos Santos Julio

 

 

RESUMO

Styrax camporum Pohl. (Styracaceae), árvore típica dos cerrados brasileiros, é conhecida popularmente como benjoeiro, estoraque-do-campo, cuia-do-brejo, canela-poca, fruta-de-pomba, pindaíba e laranjeirinha. No Brasil, são encontradas cerca de 25 espécies de Styrax, sendo que três delas estão presentes nos cerrados. Trabalhos morfológicos e anatômicos sobre esta espécie são bastante escassos. Alguns abrangem os órgãos vegetativos e poucos trabalhos versam sobre órgãos reprodutivos, estes enfocando apenas os verticilos florais; com relação ao fruto e semente, nenhum trabalho foi encontrado. Tendo em vista a carência de dados da literatura, este trabalho tem como objetivo descrever aspectos morfológicos e anatômicos, em diferentes estádios de desenvolvimento, dos frutos e sementes de S. camporum, visando a caracterizar esses órgãos e verificar padrões estruturais indicativos de adaptação ao bioma cerrado. Foram analisados indivíduos provenientes de remanescentes de cerrado, localizados na região de Pratânia e Botucatu, Estado de São Paulo, que foram processados pelas técnicas convencionais. Os frutos em desenvolvimento foram classificados em quatro estádios: I — estádio inicial, caracterizado pelos ovários dos botões florais; II — ovário de flor pós-antese e frutos jovens; III — frutos adultos, ainda verdes; IV — frutos maduros. Verificou-se que o fruto de S. camporum é carnoso e monospérmico, mantendo o cálice persistente. O pericarpo é constituído por exocarpo unisseriado, apresentando tricomas estrelados lignificados e células com formato abaulado e tamanhos irregulares. O mesocarpo constitui-se de um tecido parenquimático multisseriado, alongado radialmente na maturidade; dispersos no mesocarpo ocorrem drusas e idioblastos fenólicos. Feixes vasculares estão presentes no terço interno do mesocarpo. Apesar do fruto desta espécie ser classificado como drupa, seu endocarpo é composto apenas por poucas camadas de fibras, não formando o pirênio com a dureza típica desses frutos. Também não se observa o concrescimento do endocarpo com o tegumento. A semente é típica da família Styracaceae, ou seja, é unitegumentada, apresentando testa multisseriada e bastante espessa, sendo a exotesta unisseriada. Na mesotesta externa, verificam-se várias camadas de braquiesclereídes. Internamente a essas células, ocorrem diversos feixes vasculares, seguidos por numerosas camadas de células parenquimáticas, que contêm evidente reserva de substâncias lipídicas. O embrião é axial, reto e espatulado, constituído por eixo embrionário típico e cotilédones foliáceos. Alguns caracteres observados no pericarpo refletem adaptações ao bioma cerrado, podendo-se destacar a presença dos numerosos tricomas e a ocorrência, no mesocarpo, de idioblastos fenólicos e cristalíferos.

Palavras-chave: morfologia, anatomia, ontogênese, fruto, semente, pericarpo, Styracaceae

 

 

Dissertação (mestrado) — Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências de Botucatu, 2003.
Orientador: Denise Maria Trombert de Oliveira