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Biota Neotropica

versão impressa ISSN 1806-129Xversão On-line ISSN 1676-0611

Biota Neotrop. v.5 n.2 Campinas  2005

http://dx.doi.org/10.1590/S1676-06032005000300031 

DISSERTAÇÕES E TESES

 

Biodiversidade e uso de hábitat da anurofauna em Santa Fé do Sul, região noroeste do estado de São Paulo

 

 

Tiago Gomes dos Santos

Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual Paulista. Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas

 

 

RESUMO

Informações sobre a anurofauna de regiões interioranas são escassas e poucos são os estudos envolvendo a fauna de anuros da região noroeste do estado de São Paulo, uma das mais degradadas do estado. O objetivo desse estudo foi iniciar uma base de dados sobre a anurofauna de oito corpos d’água localizados em uma área com formação vegetal aberta e clima marcadamente sazonal, com pronunciada estação seca. Para tanto, foram determinadas a riqueza e diversidade de espécies; a distribuição temporal e espacial de adultos e girinos; a similaridade nos sítios de vocalização e nos cantos de anúncio dos machos e a relação entre descritores da heterogeneidade ambiental e a riqueza de espécies. As atividades de campo foram desenvolvidas entre setembro de 2003 e agosto de 2004, mensalmente durante a estação seca e quinzenalmente durante a estação chuvosa. Durante o período estudado, foram registradas 20 espécies de anuros, duas das quais são novos registros para a região, distribuídas em nove gêneros de quatro famílias: Leptodactylidae (9), Hylidae (8), Microhylidae (2) e Bufonidae (1). Destas, Bufo schneideri, Physalaemus centralis e P. fuscomaculatus foram registradas apenas por coleta de girinos. As espécies registradas são conhecidas por sua ampla distribuição geográfica e por colonizarem áreas alteradas em outras localidades. Não houve correlação entre a riqueza de espécies e a complexidade estrutural dos corpos d’água. Entretanto, a maior riqueza de espécies foi registrada nos corpos d’água temporários de longa duração. O uso preponderante dos corpos d’água temporários de longa duração está relacionado, provavelmente, à menor abundância de predadores aquáticos nesses ambientes que nos corpos d’água permanentes e ao menor risco de dessecação em relação aos corpos d’água temporários de curta duração. As poças temporárias de hidroperíodo instável foram colonizadas inicialmente por leptodactilídeos, enquanto que as poças permanentes ou temporárias de hidroperíodo estável foram colonizadas por hilídeos e bufonídeos. A atividade de vocalização e de reprodução da maioria das espécies foi restrita ao período quente e chuvoso do ano, um padrão típico de comunidades de regiões tropicais sazonais. Cinco espécies (Bufo schneideri, Hyla albopunctata, H. nana, Leptodactylus podicipinus e Pseudopaludicola aff. saltica) vocalizaram durante a estação seca e chuvosa, mas apenas B. schneideri e H. albopunctata se reproduziram durante o período seco. A maioria das 12 espécies analisadas (75%; n = 9 espécies) foi generalista em pelo menos uma das variáveis do sítio de vocalização, o que é característico de espécies de hábitats imprevisíveis e/ou alterados pelo homem. A segregação nos sítios de vocalização, registrada na maioria dos corpos d’água, resultou da baixa riqueza de espécies nesses ambientes, pois nos corpos d’água com maior riqueza, ocorreu sobreposição. Nos corpos d’água restantes as comunidades parecem ter sido insaturadas. A maior sobreposição no sítio de vocalização entre as espécies que vocalizaram apoiadas sobre o solo ou flutuando na água, do que entre as espécies que vocalizaram empoleiradas na vegetação, decorre provavelmente, de diferenças nas oportunidades de partilha espacial no uso bi ou tridimensional do espaço. A análise da ordenação das características do canto de anúncio evidenciou maior segregação do canto entre as espécies cujos machos vocalizaram apoiados sobre o solo ou flutuando na água que entre aqueles que vocalizaram empoleirados. A severidade climática (extensa e pronunciada estação seca, imprevisibilidade e inconstância das chuvas no início da estação chuvosa), juntamente com o elevado grau de conversão do hábitat natural em áreas de cultivo são, provavelmente, os fatores responsáveis pelo predomínio de espécies generalistas quanto ao uso de hábitat e de microhábitats na área estudada. A fraca partilha espacial e temporal entre as espécies, em decorrência, respectivamente, da homogeneidade estrutural dos corpos d’água e da severidade da estação seca, não foi suficiente para explicar o isolamento reprodutivo entre as espécies. Nos corpos d’água com maior riqueza, houve elevada sobreposição no uso de sítio de vocalização e, nesse caso, a diferenciação dos cantos de anúncio parece ter sido suficiente para explicar a coexistência das espécies.

Palavras-chave: ecologia de comunidades; anuros; nicho (ecologia); heterogeneidade ambiental; sítio de vocalização; região noroeste (SP).

 

 

Orientador: Denise de Cerqueira Rossa Feres

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