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Biota Neotropica

versión On-line ISSN 1676-0603

Biota Neotrop. v.8 n.1 Campinas ene./mar. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S1676-06032008000100024 

SHORT COMMUNICATIONS

 

Primeiro registro de Nyssomyia yuilli yuilli (Young & Porter) e de Trichopygomyia longispina (Mangabeira) (Diptera: Psychodidae) no estado do Espírito Santo, Brasil

 

First Record of Nyssomyia yuilli yuilli (Young & Porter) and Trichopygomyia longispina (Mangabeira) (Diptera: Psychodidae) in the state of Espírito Santo, Brazil

 

 

Israel de Souza PintoI, II, 1; Jeferson Gonçalves PiresI; Claudiney Biral dos SantosI; Thieres Marassati das VirgensI; Gustavo Rocha LeiteI; Adelson Luis FerreiraI; Aloísio FalquetoI

ILaboratório de Parasitologia, Departamento de Patologia, Centro Biomédico, Universidade Federal do Espírito Santo – UFES, Av. Marechal Campos, 1468, CEP 29040-090, Vitória, ES, Brasil
IIPrograma de Pós-graduação em Biologia Animal, Universidade Federal do Espírito Santo – UFES, Av. Marechal Campos, 1468, CEP 29040-090, Vitória, ES, Brasil

 

 


RESUMO

Os flebotomíneos Nyssomyia yuilli yuilli (Young & Porter) (Diptera: Psychodidae) e Trichopygomyia longispina (Mangabeira) (Diptera: Psychodidae) são registrados pela primeira vez no estado do Espírito Santo, Brasil.

Palavras-chave: flebotomíneos, distribuição, ocorrência, Phlebotominae.


ABSTRACT

The phlebotomine sand flies Nyssomyia yuilli yuilli (Young & Porter) (Diptera: Psychodidae) and Trichopygomyia longispina (Mangabeira) (Diptera: Psychodidae) are recorded in the state of Espírito Santo, Brazil for the first time.

Keywords: sand flies, distribution, occurrence, Phlebotominae.


 

 

Introdução

Os flebotomíneos (Diptera: Psychodidae, Phlebotominae) são reconhecidos pela sua importância para a saúde pública uma vez que diversas espécies desses insetos transmitem Leishmania ao homem. As principais ferramentas para a confecção de estratégias direcionadas de controle e de combate a esses vetores são o conhecimento da sua distribuição geográfica e temporal (Ibáñez-Bernal et al. 2004).

O estado do Espírito Santo, atualmente, apresenta registros de 55 espécies de flebotomíneos pertencentes aos gêneros: Bichromomyia, Brumptomyia, Evandromyia, Expapillata, Lutzomyia, Micropygomyia, Migonemyia, Nyssomyia, Pintomyia, Pressatia, Psathyromyia, Psychodopygus e Sciopemyia. Para o gênero Nyssomyia são registradas, nesse estado, duas espécies: N. intermedia e N. whitmani. (Martins et al. 1978, Young & Duncan 1994, Ferreira et al. 2001, Galati 2003, Rangel & Lainson 2003, Pinto & Santos 2007).

Nyssomyia yuilli yuilli (Young & Porter) tem sua distribuição conhecida para o Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. No Brasil, até o momento, foi encontrada nos estados do Amapá, Amazonas, Bahia, Mato Grosso, Pará, Rondônia e São Paulo (Young & Duncan 1994). Essa espécie apresenta hábitos semidomésticos, sendo encontrada em troncos e copas de árvores, em plantações, em áreas marginais às florestas e abrigos de animais domésticos (Azevedo et al. 1996, Alexander et al. 2001, Rangel & Lainson 2003).

Embora não esteja relacionada à transmissão de leishmanioses no Brasil, fêmeas de N. yuilli yuilli já foram encontradas naturalmente infectadas por formas flageladas semelhantes a Leishmania sp., no entanto o parasito não foi identificado com certeza (Arias et al. 1985). Na Colômbia, diferentemente, essa espécie apresenta importância na transmissão de Leishmania (Alexander et al. 2001).

Trichopygomyia longispina apresenta registros de ocorrência no Brasil, Colômbia, Guiana Francesa e Venezuela. No Brasil, já foi notificada nos estados do Amazonas, Bahia, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rondônia, Roraima (Young & Duncan 1994). Essa espécie parece estar relacionada a ecótopos de florestas úmidas como a Mata Atlântica e Floresta Amazônica. Isso é corroborado pela ausência dessa espécie na região centro-oeste do Brasil. Além disso, apresenta uma distribuição descontínua ao longo da costa brasileira e sua ausência em determinados estados deve estar relacionada ao nível de degradação da vegetação, já que esse inseto apresenta hábitos silvestres (Aguiar & Medeiros 2003), o que é evidenciado pelos seus registros de captura em matas ou em domicílios localizados próximos a matas (Saraiva et al. 2006).

O presente trabalho tem por objetivo acrescentar N. yuilli yuilli e de T. longispina à fauna flebotomínica do estado do Espírito Santo.

 

Material e Métodos

Os flebotomíneos foram capturados na localidade de Roda D’água (20° 13,243’ S e 40° 28,090’ W), município de Cariacica, estado do Espírito Santo. Roda D’água é uma localidade de colonização antiga e endêmica para leishmaniose tegumentar americana, situada em um vale com altitudes variando de próximo ao nível do mar até 890 m, com resíduos de Mata Atlântica. Junto às residências, localizadas a menos de 100 metros das matas, cafezais e bananais representam o ambiente mais comum. O clima da região é tropical quente com índice de precipitação anual de 1500 mm (Feitoza 1986). Coletas adicionais foram realizadas, posteriormente, nas localidades de Pau Amarelo (20° 16,293’ S e 40° 32,485’ W), Itaenga (19° 50,701’ S e 40° 47,582’ W) e Jurama (18° 59,089’ S e 40° 14,529’ W) pertencentes, respectivamente, aos municípios de Cariacica, Santa Teresa e Vila Valério.

As coletas foram realizadas nas três primeiras horas noturnas utilizando-se armadilhas luminosas CDC (Center of Disease Control), barracas de Shannon modificadas e capturador de sucção de Castro. Os espécimes foram capturados em repouso no ambiente domiciliar por busca ativa em barraca de Shannon, em árvores, paredes de residências e anexos, pocilgas, canis, galinheiros e outros abrigos de animais domésticos. Os insetos capturados foram levados ao laboratório onde os flebotomíneos passaram por processo de triagem, sendo então montados em lâminas, segundo Barreto e Coutinho (1940) e identificados segundo critérios taxonômicos propostos por Galati (1995, 2003).

Os espécimes foram depositados na coleção do Centro de Referência Nacional e Internacional para Phlebotominae do Centro de Pesquisa René Rachou - FIOCRUZ, Belo Horizonte, Brasil.

 

Resultados e Discussão

Os exemplares Nyssomyia yuilli yuilli e de Trichopygomyia longispina foram capturados, inicialmente, na localidade de Roda D’água (20° 13,243’ S e 40° 28,090’ W), município de Cariacica, estado do Espírito Santo. Exemplares de N. yuilli yuilli foram, posteriormente, encontrados também nas localidades de Pau Amarelo (Cariacica), Itaenga (Santa Teresa) e Jurama (Vila Valério). Com o encontro de N. yuilli yuilli sobem para três o número de espécies pertencentes ao gênero Nyssomyia encontrados no Espírito Santo, sendo N. intermedia e N. whitmani, os outros dois representantes. Estes últimos são considerados os principais vetores de Leishmania (Viannia) braziliensis no Brasil e estudos de infecção natural N. yuilli yuilli são importantes para verificar uma possível participação desse inseto em um ciclo silvestre de Leishmania sp.

Trichopygomyia longispina tem sido encontrada freqüentemente em estudos da fauna flebotomínica em estados vizinhos (Andrade Filho et al. 1997, Saraiva et al. 2006) e o registro da espécie no estado do Espírito Santo foi tardio, possivelmente pelos hábitos silvestres e a baixa densidade do inseto. Esses registros de ocorrência aumentam a área de distribuição dessas espécies, além de ser o primeiro registro de ocorrência do gênero Trichopygomyia para o estado.

 

Referências Bibliográficas

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Recebido em 20/09/07
Versão Reformulada recebida em 29/11/07
Publicado em 01/01/08

 

 

1 Autor para correspondência: Israel de Souza Pinto, e-mail: pintoisrael@gmail.com