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Biota Neotropica

versión impresa ISSN 1806-129Xversión On-line ISSN 1676-0611

Biota Neotrop. vol.9 no.3 Campinas jul./set. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1676-06032009000300028 

INVENTORIES

 

Angiospermas em remanescentes de floresta montana no sul da Bahia, Brasil

 

Angiosperms of Montane Forest areas in southern Bahia, Brazil

 

 

André Márcio AmorimI,*; Jomar Gomes JardimII; Márdel Miranda Mendes LopesII; Pedro FiaschiIII; Rafael Augusto Xavier BorgesIV; Ricardo de Oliveira PerdizI; William Wayt ThomasV

IDepartamento de Ciências Biológicas, Universidade Estadual de Santa Cruz, CEP 45662-900, Ilhéus, BA, Brasil
IIHerbário André Maurício Vieira de Carvalho, CEPEC, CEPLAC, CP 07, CEP 45600-970, Itabuna, BA, Brasil
IIIDepartment of Biology, Virginia Commonwealth University, VA 23284-2012, U.S.A
IVInstituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
VThe New York Botanical Garden, Bronx, New York 10458-5126, U.S.A

 

 


RESUMO

Foi realizado um levantamento florístico de três remanescentes de floresta montana localizados na Mata Atlântica do sul da Bahia. Durante os anos de 2004 a 2008 foram feitas coletas periódicas de material botânico, principalmente ao longo de trilhas no interior dos fragmentos das áreas: Reserva Serra da Pedra Lascada - SPL, Reserva Serra das Lontras - SLO e Reserva Particular do Patrimônio Natural Serra Bonita - SBO. A riqueza florística em cada área foi comparada entre si e com outras áreas de Mata Atlântica na Bahia e no Sudeste do Brasil. Foi registrado um total de 1.129 espécies em 467 gêneros e 124 famílias. O hábito arbóreo representou 46,9% das espécies, seguido de herbáceas (20,1%), epífitas (19,5%) e trepadeiras (13,5%). As famílias Araceae, Asteraceae, Bromeliaceae, Fabaceae, Lauraceae, Melastomataceae, Myrtaceae, Orchidaceae, Piperaceae, Poaceae, Rubiaceae e Solanaceae apresentaram a maior riqueza florística nas três áreas em conjunto. O gênero Psychotria (Rubiaceae) apresentou o maior número de espécies em todas as áreas (21 spp.), destacando-se também Miconia (20 spp.), Solanum (20 spp.), Piper (19 spp.), Ocotea (16 spp.), Leandra (16 spp.), Peperomia (15 spp.) e Myrcia (14 spp.). Os resultados confirmam a elevada riqueza de angiospermas no sul da Bahia e evidenciam, pela primeira vez, a ocorrência de espécies características de regiões montanhosas da Mata Atlântica do Sudeste do Brasil nessa região.

Palavras-chave: Mata Atlântica, checklist, florística, Florestas Montanas, Bahia, Brasil.


ABSTRACT

A floristic study of three areas of montane Atlantic forest in southern Bahia, Brazil, was carried out. From 2004 to 2008 regular botanical collections were made, principally along trails in the interior of the forest fragments at: the Reserva Serra da Pedra Lascada (SPL), the Reserva Serra das Lontras (SLO) and the Reserva Particular do Patrimônio Natural Serra Bonita (SBO). The species richness of each area was compared to that of the other two, and together to other areas of Atlantic coastal forest in Bahia and southeastern Brazil. For all three areas, a total of 1129 species in 467 genera and 124 families were found. Trees represented 46.9% of the species, followed by herbs (20.1%), epiphytes (19.5%), and vines and lianas (13.5%). The families Araceae, Asteraceae, Bromeliaceae, Fabaceae, Lauraceae, Melastomataceae, Myrtaceae, Orchidaceae, Piperaceae, Poaceae, Rubiaceae, and Solanaceae showed the highest species richness for the three areas together. The genus Psychotria (Rubiaceae) had the highest number of species for all three areas (21 spp.), followed by Miconia (20 spp.), Solanum (20 spp.), Piper (19 spp.), Ocotea (16 spp.), Leandra (16 spp.), Peperomia (15 spp.), and Myrcia (14 spp.). The results confirm the high species diversity of angiosperms in southern Bahia and demonstrate for the first time the presence of species characteristic of montane regions of southeastern Brazil in this region.

Keywords: Atlantic forest, checklist, floristics, Montane Forests, Bahia, Brazil.


 

 

Introdução

A cobertura florestal da Mata Atlântica tem sofrido uma redução considerável de área e estimativas recentes sugerem que hoje restem apenas 7 a 8% de uma área original de ca. 1.400.000 km2 (Galindo-Leal & Câmara 2003, Tabarelli et al. 2005). A Mata Atlântica possui uma biota única, caracterizada por elevados níveis de diversidade e endemismo (Mori et al. 1981, Silva & Castelletti, 2003), sendo que no sul da Bahia são registrados os mais elevados níveis de diversidade e endemismo de plantas no bioma (Thomas et al. 1998, 2003, Amorim et al. 2008, Sousa & Wendt 2008). Devido a essas características, juntamente com a redução da cobertura original - no sul da Bahia os remanescentes de floresta nativa cobrem menos de 4% de sua área original (Thomas et al. 1998) - a Mata Atlântica é considerada uma das mais importantes áreas do mundo para a conservação da biodiversidade (Myers et al. 2000, Mittermeier et al. 2004).

Embora a vegetação da Mata Atlântica seja em sua maior parte caracterizada por florestas ombrófilas (Galindo-Leal et al. 2003), diversos autores reconhecem uma heterogeneidade tanto florística como fisionômica ao longo da área total (Oliveira-Filho & Fontes 2000, Scarano 2002, Oliveira-Filho et al. 2006). Os principais motivos dessa heterogeneidade são as variações climáticas associadas à amplitude latitudinal (ca. 27 graus), longitudinal (da costa ao interior) e altitudinal (do nível do mar até ca. 2.700 m alt.) ao longo de sua área de ocorrência (Oliveira-Filho & Fontes 2000).

Variações florísticas e fisionômicas ao longo de gradientes altitudinais são recorrentes em áreas de florestas tropicais onde muitas vezes é difícil delimitar objetivamente essas fitofisionomias (Grubb et al. 1963, Grubb & Whitmore 1966, Richards 1996, Ashton 2003). Visando padronizar a classificação de fisionomias florestais ao longo da Cadeia dos Andes, Webster (1995) propôs um limite altitudinal mínimo de ca. 1.000 m de altitude para as florestas nebulares (cloud forests), estabelecendo uma discussão sobre o reconhecimento de uma separação entre florestas ombrófilas de terras baixas (lowland tropical rain forests) e florestas ombrófilas montanas (tropical montane rain forests).

Devido a variações climáticas e topográficas encontradas ao longo da extensão latitudinal ocupada pela Mata Atlântica, a delimitação entre fisionomias submontanas, baixo-montanas e alto-montanas torna-se bastante variável (Veloso 1992, Oliveira-Filho & Fontes 2000). Mesmo assim, Veloso (1992) sugeriu um limite mínimo de 600 m para florestas montanas tropicais no Brasil, enquanto Oliveira-Filho & Fontes (2000) estipularam um mínimo de 700 m, e distinguiram entre florestas baixo-montanas (700-1.100 m) e alto-montanas (>1.100 m). Thomas & Barbosa (2008) sugerem que, para florestas montanas no nordeste do Brasil, o limite mínimo deve variar entre 600 a 800 m. Dado que até agora quase todos os estudos florísticos no sul da Bahia têm enfatizado a diversidade vegetal em áreas de terras baixas (e.g., Mori et al. 1981, 1983, Martini et al. 2007, Amorim et al. 2008, Thomas et al. 2008), a flora das montanhas da região permanece insuficientemente conhecida.

Visando preencher uma lacuna no conhecimento florístico da Mata Atlântica, contribuindo com registros botânicos que irão incrementar informações sobre diversidade, formas de vida e distribuição de espécies, este estudo apresenta uma lista das angiospermas de três fragmentos situados em regiões montanhosas no sul da Bahia.

 

Material e Métodos

As áreas de floresta estudadas estão situadas nos municípios de Barro Preto (Reserva Serra da Pedra Lascada - SPL), Arataca/São José da Vitória (Reserva Serra das Lontras - SLO) e Camacan (Reserva Particular do Patrimônio Natural Serra Bonita - SBO), todos no sul da Bahia. A situação geográfica das três áreas é indicada na Figura 1.

 

 

Reserva Serra da Pedra Lascada: A SPL é um remanescente florestal de aproximadamente 300 ha situado próximo à coordenada 14º 46' S e 39º 32' O, em altitudes que variam entre 600 e 950 m. A floresta reveste uma encosta íngreme e apresenta bordas abruptas com pastagens circunvizinhas alternadas a plantações de cacau em sistema cabruca. Na vertente leste da encosta há dois grandes afloramentos rochosos do tipo inselberg, atribuindo um aspecto de relevância geomorfológica e paisagística a esta área (Figura 2a). A floresta exibe áreas bem preservadas (Figura 2f), mas em pontos mais íngremes é visível o recente aumento no grau de perturbação da floresta, devido à extração seletiva de madeira e queimadas.

Reserva Serra das Lontras: A SLO situa-se numa região bastante acidentada, em altitudes variando entre 400 e 1.000 m.s.m., e área estimada de ca. 6.000 ha. O levantamento florístico concentrou-se em duas encostas conhecidas localmente como Peito de Moça e Lontras, ambas localizadas próximo à coordenada 15º 10'S e 39º 20'O. A floresta exibe áreas bem preservadas nos pontos mais altos (Figuras 2b, c, e), alternadas a um mosaico de estádios sucessionais determinados por um histórico de intervenções humanas, com indicação de corte raso, plantações de cacau, pastagens e cultivos de subsistência. Os contrafortes da SLO estão conectados a fragmentos da planície litorânea, que, em sua maioria, fazem parte da Reserva Biológica de Una (REBIO Una).

Reserva Particular do Patrimônio Natural Serra Bonita: A SBO situa-se na coordenada geográfica aproximada de 15º 23' S e 39º 33' O e possui uma área total de ca. 7.500 ha, com altitudes que variam de 300 a 1.080 m. O inventário florístico concentrou-se nas áreas mais altas, onde está localizada a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Serra Bonita, cuja área atual é de ca. 2.000 ha. O grau de conservação da vegetação é muito variado (Figuras 2d, g). Algumas porções apresentam florestas que aparentemente não sofreram corte raso, trechos em diferentes estádios de sucessão ecológica e grandes áreas de plantações de cacau. Parte da RPPN é cortada por uma estrada que dá acesso à parte mais alta da SBO, onde foi instalada uma torre de transmissão, o que determinou nesse local, a erradicação da vegetação original há mais de 30 anos.

Na região que abrange as três áreas estudadas, o clima pode ser caracterizado como quente e úmido, sem estação seca, do tipo Af (Köppen 1936), apresentando uma precipitação anual média entre 1.500 e 1.750 mm, sendo a precipitação média diária de 50 a 100 mm (podendo chegar a 150 mm). A temperatura média anual varia de 23º a 24 ºC, e a amplitude térmica varia de 10º a 14º C. A evapotranspiração potencial total anual é de 1.200 a 1.300 mm e a umidade relativa do ar é < 80% (Roeder 1975). Não há informações de precipitação e temperatura específicas para as áreas estudadas. No entanto, são evidentes as variações climáticas entre os topos das serras e as áreas mais baixas, onde estão situados os municípios.

Os trabalhos de campo do levantamento florístico ocorreram entre os anos de 2004 a 2008, com curtas expedições de coleta em intervalos que variaram entre 30 e 60 dias. Ao término de quatro anos, foi realizada pelo menos uma expedição a cada mês do ano em cada uma das áreas de estudo. Foram amostradas apenas as angiospermas em fase reprodutiva ao longo de trilhas e estradas de acesso. Nos casos que se conhecia a identidade da espécie, mesmo que em estágio vegetativo, e não houve a possibilidade de documentação fértil, optou-se por registrar a ocorrência do táxon (e.g., Euterpe edulis Mart.).

O material coletado foi depositado prioritariamente no herbário CEPEC e duplicatas enviadas a NY, RB e SPF. A identificação das amostras foi realizada por consulta a especialistas, auxílio de bibliografia especializada ou comparação com exsicatas previamente identificadas da coleção CEPEC. As amostras indeterminadas em diferentes níveis hierárquicos foram acrescidas de "sp." e discriminadas por uma numeração ordinal (e.g., Convolvulac. sp.1, Myrcia sp.1, Myrcia sp.2 ) seguindo o mesmo critério nas três áreas de estudo. As espécies foram posicionadas nas famílias reconhecidas segundo o APG (2003). De cada espécie ou morfo-espécie foi selecionada uma amostra como material testemunho de cada área (Tabela 1).

As formas de vida de todos os táxons foram quantificadas e a porcentagem de contribuição destas foi calculada. Posteriormente, os valores encontrados para as áreas estudadas foram comparados com os reportados para outros levantamentos florísticos em Mata Atlântica no sul da Bahia (Amorim et al. 2005, 2008), e no Sudeste do Brasil (Lima & Guedes-Bruni 1997, Marques 1997, Mamede et al. 2001).

 

Resultados e Discussão

A flora de angiospermas nas três áreas foi representada por 1.129 espécies em 467 gêneros e 124 famílias (Tabela 1). Desse total, 884 foram identificadas ao nível de espécie, 236 ao nível de gênero e de nove conhece-se apenas a família. Analisando separadamente as diferentes áreas estudadas, a SLO apresentou 709 espécies em 351 gêneros e 110 famílias e foi a área com maior riqueza, seguida da SBO com 628 espécies em 325 gêneros e 103 famílias, e da SPL, que apresentou 412 espécies em 248 gêneros e 87 famílias (Tabela 2). A lista aqui apresentada confirma a elevada diversidade de plantas tipicamente verificada em áreas de floresta no sul da Bahia (Thomas et al. 1998, 2008, Martini et al. 2007, Amorim et al. 2005, 2008). Das 884 espécies identificadas neste estudo, ca. 7,4% (66 no total) são endêmicas de áreas do sul da Bahia e norte do Espírito Santo (Thomas et al. 2003). A porcentagem de espécies endêmicas registrada nas áreas estudadas assemelhou-se muito ao valor obtido por Amorim et al. (2005) numa área de floresta estacional do sul da Bahia, embora tenha sido consideravelmente menor que valores obtidos em áreas de florestas ombrófilas de terras baixas, que variaram entre 18,9 e 28,1% do total da flora (Thomas et al. 1998, 2008, Amorim et al. 2008).

Até o momento, ca. 40 espécies foram apontadas como novas por diversos especialistas, sendo que algumas já se encontram publicadas (Amorim & Leme 2009, Jardim & Zappi 2008; Borges et al., no prelo). Dentre as novidades taxonômicas chama a atenção Clistax sp.1 (Acanthaceae), cujo hábito epifítico é pela primeira vez reportado em Acanthaceae neotropicais. Já a ocorrência de Bahiella infundibuliflora (Apocynaceae), Dendropanax amorimii (Araliaceae), Heteropterys bullata e Stigmaphyllon hispidum (Malpighiaceae), Mendoncia bahiensis (Acanthaceae) e Portea nana (Bromeliaceae) representaram o primeiro registro de espécies conhecidas apenas de suas coleções-tipo, provenientes de localidades distintas das do presente estudo. Conostegia icosandra (Melastomataceae) e Siparuna brasiliensis (Siparunaceae) estavam representadas na Bahia apenas por coletas feitas há mais de 40 anos.

O elevado número de espécies não descritas e de outras até então pouco conhecidas no sul da Bahia atesta para o ainda insuficiente conhecimento florístico de áreas tropicais, neste caso especificamente da Mata Atlântica (Prance 2001, Prance et al. 2000). Desta forma, informações geradas em levantamentos florísticos, tais como a descrição de novas espécies e a determinação da extensão de ocorrência de táxons em geral, constituem fontes de informação fundamentais para o estudo e conservação da biodiversidade (Mori 1989, Raven 2004, Funk 2006).

As famílias Araceae, Asteraceae, Bromeliaceae, Fabaceae, Lauraceae, Melastomataceae, Myrtaceae, Orchidaceae, Piperaceae, Poaceae, Rubiaceae e Solanaceae apresentaram o maior número de espécies nas três áreas estudadas (Figura 3). Essas 12 famílias abrangeram mais de 55% da flora de angiospermas amostrada, algumas das quais parecem ser mais diversificadas em áreas montanas do que em terras baixas. Como exemplo disso, Pereira et al. (2006) mostraram que 57% da flora arbórea do maciço do Itatiaia, amostrada entre 1.000 e 1.500 m de altitude, foi composta por espécies de Annonaceae, Asteraceae, Euphorbiaceae, Fabaceae, Lauraceae, Melastomataceae, Myrtaceae, Rubiaceae, Salicaceae e Sapotaceae, famílias que contribuíram com 52% (276 de 530 spp.) do compartimento arbóreo nas florestas montanas do sul da Bahia. Em outro estudo sobre a composição florística da Mata Atlântica, Oliveira-Filho & Fontes (2000) indicaram que a importância relativa de Asteraceae, Melastomataceae e Solanaceae, que constam entre as famílias mais ricas em áreas montanhosas do sul da Bahia, tende a aumentar positivamente com a altitude em áreas de Mata Atlântica, assim como Myrsinaceae, cuja riqueza nessas mesmas áreas (13 spp.) é muito mais expressiva que na REBIO Una e na RPPN Serra do Teimoso (2-3 spp. - Amorim et al. 2005, 2008). Segundo esses mesmos autores, a riqueza de Chrysobalanaceae, Moraceae, Rutaceae e Sapotaceae tende a diminuir com o aumento da altitude, o que pode ser corroborado pela ocorrência de apenas 32 espécies dessas quatro famílias nas áreas montanas contra as 62 amostradas na RPPN Serra do Teimoso (Amorim et al. 2005) e as 64 na REBIO Una (Amorim et al. 2008). A ausência de Burseraceae, Combretaceae e Connaraceae também merecem destaque, uma vez que são grupos predominantemente amazônicos, e geralmente encontrados em áreas baixas do sul da Bahia (Mori et al. 1983, Martini et al. 2007, Amorim et al. 2008). Esses dados corroboram sugestões de que haja uma substituição de famílias ao longo de gradientes altitudinais em florestas ombrófilas neotropicais (Gentry 1995, Webster 1995, Oliveira-Filho & Fontes 2000).

Dentre os gêneros com maior riqueza específica, Psychotria (21 spp.) apareceu em primeiro lugar em todas as áreas. Destacaram-se também Miconia (20 spp.), Solanum (20 spp.), Piper (19 spp.), Ocotea (16 spp.), Leandra (16 spp.), Peperomia (15 spp.) e Myrcia (14 spp.). Além destes, alguns gêneros tiveram riqueza bastante expressiva em relação à encontrada por Amorim et al. (2008) em estudo realizado numa área de terras baixas, tais como Mikania (16 vs. 8 spp.), Begonia (13 vs. 1 spp.), Epidendrum (15 vs. 1 spp.) e Maxillaria (13 vs. 4 spp.). O gênero Chusquea (Poaceae), elemento característico de áreas montanhosas neotropicais (Clark 1995) não foi reportado na REBIO Una (Amorim et a. 2008), mas apresentou seis espécies nas áreas montanas do sul da Bahia amostradas.

Dentre as espécies típicas de áreas montanas encontradas, algumas eram conhecidas, no estado da Bahia, apenas de coletas realizadas na Chapada Diamantina, tais como Schefflera angustissima e S. aff. varisiana (Araliaceae), Pentacalia desiderabilis - recentemente registrada para Mucugê (Teles & Stehmann 2008) - e Paralychnophora santosii (Asteraceae), Hedyosmum brasiliense (Chloranthaceae), Weinmannia paullinifolia (Cunoniaceae), Laplacea fruticosa (Theaceae, Figura 4k) e Drimys brasiliensis (Winteraceae). Outras eram conhecidas apenas de áreas do Sul e Sudeste do Brasil, a exemplo de Steyermarkina pyrifolia, Mikania callineura, M. candolleana e M. ulei (Asteraceae), Billbergia horrida, Nidularium bicolor (Figura 2j), Vriesea longicaulis, V. longiscapa, V. paratiensis e V. regnellii (Bromeliaceae), Copaifera trapaezifolia (Fabaceae), Macrocarpaea obtusifolia (Gentianaceae), Nematanthus lanceolatus (Gesneriaceae, Figura 4a), Virola bicuhyba (Myristicaceae), Myrsine hermogenesii (Myrsinaceae), Sauvagesia vellozii (Ochnaceae), Fuchsia regia (Onagraceae), Brachionidium restrepioides, Eltroplectris janeirensis e Phymatidium falcifolium (Orchidaceae), Meliosma sellowii (Sabiaceae), Schlegelia parviflora (Schlegeliaceae), Solanum hoehnei (Solanaceae) e Valeriana scandens (Valerianaceae). O presente estudo também apresentou a ocorrência no sul da Bahia de Begonia digitata (Begoniaceae), Neoregelia pauciflora (Bromeliaceae), Beilschmiedia linharensis (Lauraceae), Calathea crocata (Marantaceae), Schwartzia jucuensis (Marcgraviaceae) e Bertolonia wurdackiana (Melastomataceae), cujos registros anteriores estavam restritos às florestas e afloramentos rochosos do Espírito Santo.

Áreas florestais localizadas em altitudes elevadas da região Neotropical apresentam gêneros em comum, alguns dos quais foram encontrados nas florestas montanas do sul da Bahia, por exemplo, Achyrocline, Clethra, Clusia, Drimys, Hedyosmum, Ilex, Laplacea, Meliosma, Meriania, Miconia, Myrceugenia, Myrsine, Notopleura, Prunus, Roupala e Weinmannia (Webster 1995, Oliveira-Filho & Fontes 2000, Taylor 2001, Pereira et al. 2006, Safford 2007). Embora não tenha sido indicada em trabalhos anteriores, a ocorrência de Macrocarpaea (Gentianaceae), Napeanthus (Gesneriaceae), Fuchsia (Onagraceae) e Chusquea (Poaceae) também exemplificam o efeito da altitude na distribuição de táxons em florestas neotropicais, visto que estes são tipicamente encontrados em florestas ombrófilas da Região Sudeste, onde a Mata Atlântica ocupa áreas cujas altitudes são mais elevadas (Lima & Guedes-Bruni 1997). Vale ressaltar que dos gêneros mencionados acima como típicos de altitudes elevadas, apenas quatro foram encontrados na RPPN Serra do Teimoso (Miconia, Myrsine, Prunus e Roupala - Amorim et al. 2005) e na REBIO Una (Clusia, Ilex, Miconia e Roupala - Amorim et al. 2008).

Dentre as 64 espécies arbóreas indicadas por Oliveira-Filho & Fontes (2000) como características de florestas ombrófilas e semideciduais montanas, 14 (ca. 22%) foram aqui registradas: Casearia obliqua, Cecropia glaziovii, Clethra scabra, Drimys brasiliensis, Laplacea fruticosa, Hedyosmum brasiliense, Heisteria silvianii, Meliosma selowii, Miconia chartacea, Picramnia glazioviana, Psychotria suterella, Salacia elliptica, Schefflera angustissima e Weinmannia pauliniifolia.

Levantamentos florísticos em florestas de terras baixas do sul da Bahia têm revelado uma composição bastante distinta daquela verificada em áreas do Sudeste do Brasil (Oliveira-Filho & Fontes 2000). Contribui para isso o fato das florestas sul-baianas estarem situadas em áreas cujo clima é mais quente e úmido e o relevo menos acidentado, com planícies costeiras bem desenvolvidas na desembocadura dos grandes rios da região (Villwock et al. 2005) e montanhas intensamente erodidas que raramente atingem 1.000 m de altitude. Prováveis conexões florísticas entre o sul da Bahia e a Floresta Amazônica durante o Quaternário também são relevantes na diferenciação florística entre áreas de Mata Atlântica ao norte e ao sul do Rio Doce (Soderstrom & Calderón 1974, Prance 1979, Oliveira et al. 1999), já que há vários elementos em terras baixas do Nordeste que são típicos de áreas ao norte deste rio (e.g., Aptandra , Gustavia, Lacmellea, Macrolobium, Naucleopsis, Pagamea, Pariana, Parkia, Pseudolmedia, Roucheria, Trattinickia). Por outro lado, alguns gêneros essencialmente andinos e/ou mesoamericanos (e.g., Beilschmiedia, Fuchsia, Gaultheria, Hedyosmum, Rhamnus, Rustia, Weinmannia) ou subtropicais (e.g., Araucaria, Myrceugenia) são raramente ou nunca encontrados em áreas ao norte do Rio Doce, exceção sendo feita a alguns topos de morros.

Estudos em áreas de terras baixas na Bahia têm apresentado um número expressivo de espécies em comum com a Floresta Amazônica, variando entre 7 e 7,9% do total de espécies amostradas (Mori et al. 1981, Thomas et al. 1998, Amorim et al. 2008). Nas áreas montanas do sul da Bahia, foi verificada uma menor proporção de espécies tipicamente encontradas em florestas amazônicas (entre 0,8 a 1% das espécies amostradas). Podemos citar, por exemplo, Tanaecium jaroba (Bignoniaceae), Persea pseudofasciculata (Lauraceae), Roucheria columbiana Hallier f., Conostegia icosandra e Graffenrieda intermedia (Melastomataceae), Anomospermum reticulatum e Orthomene schomburgkii (Menispermaceae), Notopleura tapajozensis e Schradera polycephala (Rubiaceae). A distribuição disjunta entre táxons das florestas Atlântica e Amazônica já havia sido reportada em trabalhos de Andrade-Lima (1953, 1966), Bigarella et al. (1975), Mori et al. (1981), Gentry (1982), Prance (1979, 1982), Rizzini (1997), Martini et al. (2007) e Amorim et al. (2008).

Dentre as formas de vida documentadas nas três áreas, 524 espécies apresentam hábito arbóreo/arbustivo, 220 espécies hábito epifítico/hemi-epifítico, 208 espécies hábito herbáceo e 146 espécies hábito trepador, ou seja, praticamente metade das espécies reportadas apresentou hábito não-arbóreo (Figura 5, Tabela 2). Quando comparados com outros levantamentos florísticos em áreas de Mata Atlântica, os valores obtidos assemelharam-se bastante aos verificados em florestas montanas de Macaé de Cima (Lima & Guedes-Bruni 1997) e, em menor grau, aos da Serra da Juréia (Mamede et al. 2001), dada a considerável contribuição de espécies com hábito epifítico/hemi-epifítico. Notou-se também uma clara distinção dessas áreas com as áreas de terras baixas, tanto do Nordeste quanto do Sudeste (Tabela 2). Esses resultados corroboram estudos que têm apontado uma grande riqueza de espécies não-arbóreas de angiospermas em florestas tropicais (Gentry & Dodson 1987), mais especificamente as localizadas em áreas montanas (Gentry 1988, Webster 1995).

 

 

De forma geral, existe certa homogeneidade entre a proporção das formas de vida reportadas em cada área de floresta montana inventariada no sul da Bahia (Tabela 2), ainda que sutis diferenças sejam evidenciadas, por exemplo, em relação à maior riqueza de epífitas na SPL ou de trepadeiras na SBO. Entretanto, consideramos que a amostragem nas três áreas estudadas é ainda insuficiente, especialmente em relação ao componente arbóreo, uma vez que estudos florísticos em áreas próximas (Amorim et al. 2005, 2008, Martini et al. 2007, Thomas et al. 2008) têm alertado sobre a necessidade e importância de métodos quantitativos na obtenção de dados sobre a riqueza de comunidades arbóreas.

A comparação das floras registradas nas três áreas sugere uma maior semelhança entre a SBO e a SLO, enquanto a SPL apresenta-se distinta em relação às duas primeiras (Figura 6). A proximidade geográfica que, entre outros fatores, condiciona a presença de características geoclimáticas similares, pode ser apontada como a principal causa deste panorama (Nekola & White 1999). Além disso, o maior tamanho das áreas florestais amostradas na SBO e na SLO também deve ter influenciado na maior riqueza destas quando comparada à da encontrada na SPL (Whittaker et al. 2001). É evidente a heterogeneidade florística entre as três áreas (Figura 6), o que pode ser inicialmente atribuído a um esforço amostral ainda incompleto, mas também pode indicar uma alta diversidade e especificidade da flora existente em cada área amostrada.

 

 

Estudos quantitativos recentes têm chamado a atenção para os efeitos da heterogeneidade de fatores abióticos na composição florística e estrutura de comunidades arbóreas da Mata Atlântica (Oliveira-Filho & Fontes 2000, Pereira et al. 2006, Oliveira-Filho et al. 2006), no entanto ainda há poucos dados disponíveis acerca da composição florística de áreas no sul da Bahia. Dentre os inventários floristicos realizados nesta região, apenas Amorim et al. (2005, 2008) fornecem dados comparáveis aos aqui apresentados, uma vez que não se restringiram ao componente arbóreo. Quando esses dados são comparados aos levantados em áreas montanas, observa-se que aproximadamente 82% (723 de 883 spp.) dos táxons aqui identificados até espécie não haviam sido previamente amostrados na RPPN Serra do Teimoso (Amorim et al. 2005) e na REBIO Una (Amorim et al. 2008).

A heterogeneidade florística e a elevada riqueza verificada entre as três áreas estudadas (Figura 6), e destas comparadas com outras áreas da Bahia, evidenciam a enorme importância dos remanescentes florestais em áreas de altitude no sul da Bahia, já que essas áreas compõem apenas 2,62% da área total do estado. Como exemplo específico, os táxons identificados até espécie de Orchidaceae (78 spp.) perfazem 27% de todas as espécies da família registradas para a Bahia até o momento. Assim como sugerido por Mori (1989), os resultados apresentados fornecem argumentos adicionais para que esforços conservacionistas na Mata Atlântica levem em consideração que há diferenças floristicas marcantes entre as florestas de terras baixas e as de altitudes elevadas no sul da Bahia.

Duas das áreas estudadas (e.g., Serra das Lontras e Serra Bonita) foram apontadas por Martinelli (2007) como áreas do Brasil ainda desprovidas de inventários, mas extremamente importantes para subsidiar ações em políticas de conservação internacional. Apesar de parte dos remanescentes florestais da SBO e SLO encontrarem-se parcialmente protegidas sob a forma de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), essas reservas representam menos de 20% da formação montanhosa onde então inseridas. Já na SPL, até o momento não houve qualquer ação efetiva para o estabelecimento de uma unidade de proteção legal, mesmo com o forte apelo político e geomorfológico da área (i.e., é o remanescente de maior altitude e, por isso, considerado legalmente como Área de Proteção Permanente, e o mais próximo dos municípios de Ilhéus e Itabuna, que são os principais centros urbanos do sul da Bahia).

 

Agradecimentos

Ao apoio financeiro concedido pela Beneficia Foundation, National Science Foundation - NSF (Pesquisa 0516233), National Geographic Society - NGS (Pesquisa 7785-05), Conselho Nacional de Pesquisa - CNPq (Edital Universal 474648-4, Bolsa de Doutoramento 200682/2006-7 a P. Fiaschi e Bolsa PIBIC/UESC a R.O. Perdiz), Fundação de Amparo a Pesquisa no Estado da Bahia - FAPESB (Bolsa de Inovação Tecnológica 0091/2006 a M.M. Lopes), Coordenação de Aperfeiçoamento a Pesquisa e Ensino Superior - CAPES (Bolsa de Doutoramento a J.G. Jardim) e a VCU's Integrative Life Sciences Program (suporte a P. Fiaschi). Também agradecemos a Vitor e Clemira Becker, proprietários da RPPN Serra Bonita, pela hospitalidade e auxílio e ao Instituto de Estudos Sócio Ambientais do Sul da Bahia - IESB pelo apoio logístico na Reserva Serra das Lontras.

Agradecemos a Alexandre B. Rodrigues, André P. Fontana, Fernando B. Matos, José Lima da Paixão, Luís Carlos J. Gomes, Paulo Labiak, Renato Goldenberg, Sérgio C. Sant'Ana, Wallace São-Mateus e Wesley D. Rocha pelo auxílio no trabalho de campo e no herbário. Assumimos a responsabilidade pelos nomes de espécies apresentadas, mas somos gratos aos botânicos que identificaram parte do material: S.R. Profice (Acanthaceae), L. Senna (Amaranthaceae), A.Q. Lobão (Annonaceae), A. Rapini e R.F. Silva (Apocynaceae), M. Groppo (Aquifoliaceae), L. Temponi e M.L. Soares (Araceae), A. Henderson (Arecaceae), H. Robinson (Asteraceae), L. Kollmann (Begoniaceae), M. Stapf (Boraginaceae), T. Fontoura, E. Leme, R.C. Forzza, A. Costa, G.M. Souza, H. Luther e M.G. Wanderley (Bromeliaceae), M.F. Freitas (Cactaceae e Myrsinaceae), G. Prance (Chrysobalanaceae), L. Aona (Commelinaceae), M. Alves (Cyperaceae), I. Cordeiro e R. Riina (Euphorbiaceae e Phyllanthaceae), H.C. Lima, M.P. Morim e L.P. Queiroz (Fabaceae), A. Chautems (Gesneriaceae), L. Assis e P. Moraes (Lauraceae), S. Mori (Lecythidaceae), J. Kuijt (Loranthaceae), M. Duarte (Malvaceae), S. Vieira (Marantaceae), R. Goldenberg (Melastomataceae), J.R. Pirani (Meliaceae e Rutaceae), A.L. Peixoto (Monimiaceae e Siparunaceae), M. Sobral (Myrtaceae), A.P. Fontana, C. Azevedo, C. Van den Berg e C.N. Fraga (Orchidaceae), E.F. Guimarães, R. Callejas e M.A. Jaramillo (Piperaceae), R.P. Oliveira e F. Moreira (Poaceae), D. Zappi (Rubiaceae), A.A. Alves (Sapotaceae), J. Stehman (Solanaceae) e J. Lombardi (Vitaceae).

 

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Recebido em 11/11/08
Versão reformulada recebida em 10/08/09
Publicado em 25/08/09

 

 

* Autor para correspondência: André Márcio Amorim, e-mail: aamorimm@terra.com.br

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