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Biota Neotropica

On-line version ISSN 1676-0603

Biota Neotrop. vol.10 no.1 Campinas Jan./Mar. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1676-06032010000100005 

ARTIGOS

 

Caracterização florística e fitofisionômica da Serra do Condado, Minas Gerais, Brasil

 

Floristic and phytophysiognomies characterization of the Serra do Condado, Minas Gerais, Brazil

 

 

Daniel Salgado PifanoI,*; Arthur Sérgio Mouco ValenteI; Hisaias de Souza AlmeidaI; Pablo Hendrigo Alves de MeloI; Ricardo Montianeli de CastroII; Eduardo van den BergIII

IPrograma de Pós-graduação em Engenharia Florestal, Universidade Federal de Lavras – UFLA, CP 3037, CEP 37200-000 Lavras, MG, Brasil, e-mail: spgdcf@ufla.br
IIPrograma de Pós-graduação em Botânica,Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS, CEP 44031-460 Feira de Santana, BA, Brasil
IIIDepartamento de Biologia, Universidade Federal de Lavras – UFLA, CP 3037, CEP 37200-000 Lavras, MG, Brasil, e-mail: evandenb@ufla.br

 

 


RESUMO

O complexo serrano do Espinhaço Sul é ainda floristicamente desconhecido e a conservação destas serras está ameaçada em função de sua exclusiva riqueza mineral. A Serra do Condado, localizada no município de Serro, MG (18° 37' 30" S e 43° 22' 30" W) é um bom exemplo de como as atividades de mineração estão distantes da conservação destes ecossitemas e por tal razão o presente estudo teve como objetivo a caracterização florística e fitofisionômica desta serra. As campanhas de campo foram quinzenais e ocorreram entre os meses de maio/2006 a maio/2007. Foram coletados apenas os materiais botânicos em estágio fenológico reprodutivo. Os mesmos foram incorporados aos acervos dos herbários CESJ, RB e ESAL. O valor em área de cada fisionomia na constituição da paisagem foi feito através do software ArGis 9.0 e a similaridade florística entre as fisionomias foi realizada mediante cálculo do índice de Sørensen. Na área estudada foram encontradas Florestas Estacionais Semideciduais Montanas, Matas Ciliares, Brejos e Vegetação Arbustivo-Lenhosa sobre Canga. A floresta semidecídua montana corresponde a 80% da vegetação local, apresentando 426 espécies (391 exclusivas) distribuídas em 83 famílias. As famílias com maior número de espécies foram Fabaceae (40), Asteraceae (30) e Myrtaceae (30). A floresta ciliar é pouco representativa, cobrindo 5% da área florestada. Nessa formação foram encontradas 74 espécies (54 exclusivas) pertencentes a 28 famílias. As famílias mais representativas foram Fabaceae (sete), Piperaceae (quatro) e Annonaceae (três). Os brejos, devido a perturbações antrópicas, cobrem apenas 2% da área. Por fatores como a saturação hídrica constante essa fitofisionomia apresentou o maior número de espécies exclusivas, 18 das 19 encontradas, sendo Cyperaceae e Melastomataceae (cinco) as famílias mais ricas. A Vegetação arbustivo-lenhosa sobre canga cobre 13% da área. Nela foram encontradas 94 espécies (74 exclusivas), distribuídas em 29 famílias. Asteraceae (nove), Orchidaceae (sete) e Bromeliaceae (cinco) destacaram-se pela riqueza de espécies nessa fisionomia. A flora da Serra do Condado foi diferenciada entre seus hábitats (fitofisionomias), pois os valores obtidos para o índice de Sørensen foram inferiores a 10% em todas as comparações. Isso demonstra o quanto estudo florísticos são fundamentais para o conhecimento da vegetação de áreas extensas geograficamente e diversas biologicamente. A variedade de ambientes apresentados e a riqueza da flora associada às suas formações agregam valor de conservação e manutenção da flora dos complexos serranos do Espinhaço Sul de Minas Gerais.

Palavras-chave: similaridade florística, canga, cadeia do Espinhaço, diversidade, Domínio Atlântico.


ABSTRACT

Little is known about the flora of the Espinhaço Sul range. However, the environmental conservation of such complex has been threatened, mainly due to the potential mineral richness lying there. The aim of this study was to the floristic and physiognomy characterization of Serra do Condado, located in the Serro County, MG. Thus, fortnight field campaigns were carried out during the period of May/2006 to May/2007, in order to collect floristic material and to characterize the area. Furthermore, the value in area of each physiognomic in the constitution of the landscape was made through the software ArGis 9.0 and the floristic similarity among the observed physiognomic aspects, were tested by the Sørensen similarity index. Atlantic Semideciduos Montane Forests, Riparian Forests, Swamps and Woody Shrub Vegetation over "Canga" were found in the area. Semidecidual Forest corresponds to 80% of the local vegetation, presenting 426 species (391 exclusives) distributed in 83 families. The families that had the largest number of species were Fabaceae (40), Asteraceae (30) and Myrtaceae (30). Following came, Woody Shrub Vegetation over "Canga", covers 13% of the studied area, and in it were found 94 species (74 exclusives), distributed among 29 families. Asteraceae (9), Orchidaceae (7) e Bromeliaceae (5) were distinguished by their species abundance in this physiognomy. Riparian Forests are not so representative, constituting only 5% of the forested area. In this physiognomy, 74 species (54 exclusives) belonging to 28 families were found, of these, Fabaceae (7), Piperaceae (4) and Annonaceae (3) were the most representative ones. Due to anthropogenic disturbances, Swamps cover only 2% of the area. As it showed characteristics such as constant hydric saturation it had the highest proportion of exclusive found species, 18 out of 19, being Cyperaceae and Melastomataceae (5) the richest families. The flora found at Serra do Condado was differentiated in relation to their habitats (physiognomies), because the values obtained by the Sørensen index were less than 10% for all other comparisons. This shows how fundamental floristic studies are for knowing the vegetation of areas being both geographically extensive and biologically diverse. The great variety of environment presented and the flora richness associated to this formation aggregate conservation and maintenance value to the Espinhaço Sul range flora, Minas Gerais.

Keywords: floristic similarity, canga, Espinhaço range, diversity, Atlantic Domain.


 

 

Introdução

O estado de Minas Gerais abrange as principais fisionomias florestais do Domínio Atlântico, o qual corresponde a aproximadamente 35% do território estadual. No entanto, é a fisionomia da Floresta Estacional Semidecidual que predomina, constituindo mais de 85% da área florestal original deste Domínio em Minas Gerais (Scolforo & Carvalho 2006). A Cadeia do Espinhaço é parte fronteiriça deste mosaico e é considerada área prioritária para conservação da Flora de Minas Gerais, devido à concentração do maior número de endemismos do país e também do maior número de táxons fanerogâmicos considerados raros, tudo isso considerando toda a flora nacional (Drummond et al. 2005, Giulietti et al. 2008).

Mesmo sendo prioridade em termos de conservação, a cobertura florestal primitiva desta região de Minas Gerais foi reduzida a remanescentes esparsos, uma vez que o histórico de perturbação dessas áreas sempre esteve atrelado à forte atividade minerária (Brandão & Gavilanes 1990). De fato, a mineração vem modificando abruptamente os Complexos Rupestres de Altitude no Espinhaço, principalmente em sua vertente mais ao sul (Dean 1996, Werneck et al. 2000).

Estudos florísticos são importantes em países como o Brasil, pois revelam em seus resultados informações capazes de diminuir a discrepância de recursos públicos destinados ao crescimento econômico em detrimento do que é investido para frear a perda de biodiversidade consequente ao mesmo e, nesse intuito, muitos têm sido concentrados na Cadeia do Espinhaço, especialmente em solos quartzíticos (Andrade et al. 1986, Giulietti et al. 1987, Meguro et al. 1994, Stannard 1995, Conceição & Giulietti 2002). Já a vegetação sobre canga, conta com um número menor de levantamentos e os mesmos são recentes, com destaque apenas para os trabalhos realizados na região do Quadrilátero Ferrífero (Mourão & Stehmann 2007, Viana & Lombardi 2007, Vincent & Meguro 2008). Certamente, o maior esforço de trabalho ainda concentra-se nas florestas da bacia do rio Doce (Lombardi & Gonçalves 2000, Werneck et al. 2000, Melo & Salino 2002, Lopes et al. 2002) e Jequitinhonha (Néri et al. 2007).

Esses trabalhos e outros desenvolvidos na região sudeste têm demonstrado a existência de diferenças significativas na composição florística e na estrutura de remanescentes localizados em áreas relativamente próximas (Oliveira-Filho et al. 2005). No fim do séculoXX surgiu a preocupação em usar métodos numéricos para comparar a ocorrência de espécies, testar as associações e, então, definí-las, com base nas relações florísticas estabelecidas quantitativamente por índices de similaridade (Silva & Shepherd 1986, Oliveira-Filho1993, Oliveira-Filho & Ratter 1995, Araújo 1998, Scudeller 2002). Porém, estudos como esses ainda são pouco numerosos ou tratam apenas de uma formação vegetal (Oliveira-Filho et al. 1994a, 1994b, Salis et al. 1995, Torres et al. 1997, Oliveira-Filho & Fontes 2000, Scudelleret al.2001). Nesse sentido, as conexões florísticas das fitofisionomias que compõem o Domínio Atlântico também são pouco conhecidas, haja vista que os trabalhos realizados bem como os métodos de análise encerram-se apenas no componente arbóreo dessas florestas (Gentry 1990, Oliveira-Filho & Fontes 2000, Oliveira-Filho et al. 2005, Pereira et al. 2007, Murray-Smith et al. 2008). Estudos florísticos que consideram todas as formas de vida e com informações fitogeográficas mensuráveis, ou seja, com registros em herbários dos materiais testemunho, são fundamentais na compreensão das relações existentes entre as fisionomias que compõem o Domínio Atlântico e ainda são escassos pelo alto tempo demandado associado à inerente freqüência em campo exigida por tais levantamentos.

A escassez de informações, aliada à crescente intervenção antrópica sobre os ambientes naturais motivaram o desenvolvimento do presente estudo, que teve como objetivos caracterizar a composição da flora vascular das diferentes fitofisionomias presentes na Serra do Condado no município de Serro, Minas Gerais investigando a composição e similaridade entre as fisionomias de vegetação, além de fornecer a descrição e a caracterização das mesmas.

 

Material e Métodos

1. Área de estudo

O município do Serro (Figura 1) está situado na microrregião de Conceição do Mato Dentro onde destacam-se as intrusões de minério de ferro que afloram especialmente no alto das serras. A região está inserida no domínio geomorfológico da Serra do Espinhaço, com formas fluviais de dissecação (CETEC, 1983). A área de estudo (18° 31'19"S- 43° 22' 38" O e 18° 34' 47" S - 43° 23' 36" O) está localizada na borda oriental deste domínio, numa elevação topográfica localmente denominada Serra do Condado, com extensão territorial aproximada de 1000 ha, num relevo regional extremamente movimentado, cujas altitudes variam de 805 a 1.135 m.

 

 

O clima regional (classificação de Köppen) é do tipo Cwa: mesotérmico úmido subtropical, com verão quente e chuvas concentradas, e inverno frio e seco com mais de 120 dias de estiagem por ano. De acordo com os dados disponíveis no Sistema de Meteorologia e Recursos Hídricos de Minas Gerais (SIMGE), na área de estudo a precipitação anual média anual é de 1.515 mm e a temperatura média anual é de 18,3 °C.

A cobertura vegetal da área de estudo (Figura 1) é marcada por gradientes vegetacionais que incluem diversas fisionomias do Domínio Atlântico, Floresta Estacional Semidecidual Montana, Floresta Estacional Semidecidual Aluvial (tratadas aqui como Mata Ciliar), Vegetação Arbustivo-Lenhosa sobre Canga, Campo Rupestre e Brejos, segundo a classificação de Veloso et al. (1991), exceto para a Vegetação Arbustivo-Lenhosa sobre Canga que ainda não possui um concenso terminológico definido. Trata-se de uma Área de Proteção Ambiental – a APA Água das Vertentes - com trechos antropizados (principalmente destinados à pecuária bovina) e extensas áreas de floresta em diferentes estádios sucessionais.

2. Coleta e análise dos dados

A caracterização das fitofisionomias presentes na área de estudo seguiu critérios elaborados por Veloso et al. (1991) e foi realizada baseando-se em observações de campo e na composição de espécies. A quantificação em área de cada fitofisionomia foi realizada com o auxílio do software ArcGis 9.3, de mapas e imagens disponibilizadas pelo setor de geoprocessamento do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Lavras.

O levantamento florístico foi realizado através de coletas quinzenais entre os meses de maio de 2006 e maio de 2007, percorrendo-se todas as fitofisionomias da área de estudo, numa extensão amostrada de aproximadamente 500 ha na Serra do Condado, ou seja, praticamente a metade de toda a extensão territorial da mesma. É importante mencionar que a outra metade não foi contemplada por questões de acesso, fundiárias e de propriedade, já que em muitas fazendas não se obteve a autorização do proprietário para a execução do estudo. Foram coletados e herborizados, segundo técnicas padronizadas por Fidalgo & Bononi (1984), todos os espécimes de plantas vasculares encontradas em estado fenológico reprodutivo. As exsicatas foram incorporadas aos acervos dos herbários CESJ da Universidade Federal de Juiz de Fora, RB do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e ESAL da Universidade Federal de Lavras.

A determinação dos táxons fundamentou-se em literatura especializada (principalmente para as Pteridophyta), além de consultas a especialista e a herbários nacionais. Os táxons foram classificados em famílias segundo o sistema da APGII (2003) e através da obra de Souza & Lorenzi (2008). Para o grupo Pteridophyta, as famílias de monilófitas estão de acordo com Smith et al. (2006), as de Lycophyta seguem Tryon, R. M. & Tryon, A. F. (1982). É importante mencionar que, na separação dos hábitos, as arvoretas foram incluídas entre as arbóreas, sendo as plantas eretas e lenhosas distintas apenas como arbustos ou árvores. Para tal, seguiu-se a classificação das formas de vida de Raunkiaer (1934) adaptada aos conceitos de organografia atuais. A estimativa da similaridade entre as fitofisionomias seguiu as fórmulas descritas em Kent & Coker (1992), para o índice de Sørensen.

 

Resultados

O levantamento florístico da vegetação da Serra do Condado, em todos seus hábitats, registrou 575 espécies, distribuídas em 336 gêneros e 107 famílias de plantas vasculares (Tabela 1). As famílias com maior número de espécies foram: Fabaceae (51), Asteraceae (45), Myrtaceae (39) Melastomataceae (24), Rubiaceae (22) e Euphorbiaceae (18). Algumas famílias com elevada riqueza em áreas inseridas em Complexos Rupestres de Altitude, como Poaceae e Orchidaceae, foram subamostradas neste estudo que concentrou os maiores esforços de coleta nos hábitats florestais.

 





 

A Floresta Estacional Semidecidual Montana constituiu 80% da vegetação local em termos de área e está localizada entre as cotas altitudinais de 600 a 900 m, já que acima deste limite se encotram zonas ecotonais de Floresta Montana e Vegetação Arbustivo-Lenhosa sobre Canga. Os fragmentos de floresta montana apresentam-se sob a forma de manchas esparsas em diferentes estádios de sucessão e estão localizados em encostas íngremes e nos topos de morro. Em grande parte os fragmentos evidenciavam efeito de borda acentuado em função dos acessos abertos para a corrida minerária que se instalou no local. Nesses locais, destaca-se a presença de pequenas árvores exigentes de luz como Mabea fistulifera Mart., Mabea pohliana (Benth.) Müll.Arg., Miconia latecrenata (DC.) Naudin e Miconia sellowiana Naudin. A heterogeneidade microclimática definiu a ocorrência e distribuição, nos hábitats úmidos, das poucas macroepífitas encontradas como a Orchidaceae Polystachya sp. e a Bromeliaceae Vriesea sp. De forma geral, o sub-bosque encontrava-se bastante iluminado com a ocorrência de grupos que o caracterizam em formações semideciduais como Geonoma schottiana Mart., Psychotria carthagenensis Jacq., Psychotria cephalantha (Müll.Arg.) Standl., Psychotria nuda (Cham. & Schltdl.) Wawra, Psychotria suterella Müll. Arg., Psychotria vellosiana Benth. e Rudgea jasminoides (Cham.) Müll.Arg. Foram encontradas 426 espécies pertencentes a 83 famílias nessa formação (Tabela 2). As famílias com maior número de espécies foram: Fabaceae (40), Asteraceae (30), Myrtaceae (30), Rubiaceae (21) e Euphorbiaceae (15). A distribuição das espécies nos hábitos indicou predomínio das árvores em relação aos demais, sendo os mais representativos: Arbóreo (314), Herbáceo (30), Trepador (20), Arbustivo (18) e Epifítico (dois). É importante mencionar que em todos os fragmentos houve ocorrência de árvores consideradas de madeira nobre, como os respectivos casos da braúna (Melanoxylon brauna Schott – Fabaceae) e do jequitibá (Cariniana estrellensis (Raddi) Kuntze – Lecythidaceae).

 

 

As Matas Ciliares foram encontradas em faixas estreitas margeando os pequenos rios da região compondo crca de 5% da vegetação local em área. Essa formação inicia-se em depressões (nos fundos de vale constituindo talvegues) de encostas, onde a água das nascentes é canalizada em cursos d'água alimentando córregos. Nesses locais, há contato direto das formações ciliares com a Floresta Montana, e sua composição florística é diversificada e também marcada pela ocorrência de espécies exclusivas desses locais mais úmidos, como Cyathea atrovirens (Langsd. & Fisch.) Domin e Cyathea delgadii Sternb. Onde a Mata Ciliar está em contato com pastagens ou estradas, a composição florística é pobre, com abundância de Inga edulis Mart. e Matayba guianensis Aubl. O sub-bosque dessa formação apresentou-se pobre com a predominância de Celtis brasiliensis (Gardn.) Planch. em relação às demais árvores deste estrato. Foram encontradas 74 espécies pertencentes a 28 famílias (Tabela 2). As famílias com maior número de espécies foram: Fabaceae (sete), Piperaceae (quatro) e Annonaceae (três).

Os brejos ocuparam apenas 2% de toda a área e estão localizados em planícies no fundo dos vales, com solo pedregoso de difícil drenagem, sendo algumas das nascentes e cursos d'água responsáveis pela manutenção perene dos mesmos. A saturação hídrica constante é um evento seletivo da peculiar composição florística dessa formação. Das 19 espécies encontradas, 18 foram exclusivas e apenas uma (Asclepias curassavica L.) foi compartilhada com a Mata Ciliar (Tabela 2). As famílias com maior número de espécies foram: Cyperaceae (cinco), Melastomataceae (cinco), Onagraceae (três) e Ochnaceae (duas). Alguns gêneros como Cyperus (Cyperaceae) e Ludwigia (Onagraceae) merecem destaque pela riqueza obtida em todos os brejos estudados.

As formações sobre canga cobriram cerca de 13% da área de estudo e apresentaram substrato rochoso, rico em hematita, com a formação de solos rasos nas suas pequenas depressões. A vegetação é arbustivo-lenhosa de baixa estatura, não ultrapassando 5 m de altura, com cobertura uni-estratificada. Houve a presença proporcionalmente abundante de espécies herbáceas de campo rupestre (Velloziaceae, Eriocaulaceae, Orchidaceae, Bromeliaceae, Gentianaceae, Melastomataceae, etc.), além das poucas árvores também relacionadas com solos litólicos (Eremanthus spp., Gaylussacia brasiliensis (Spreng.) Mart. e Coccoloba cerifera Schwacke). Nos locais de menor altitude e com a formação de um solo de maior profundidade, observou-se a formação de manchas de solo orgânico que permitiram o estabelecimento de espécies de porte mais elevado e de ocorrência florestal (Pera glabrata (Schott) Poepp. ex Baill., Andira paniculata Benth., Calyptranthes clusiifolia O.Berg, Myrceugenia ovalifolia (O.Berg) Landrum, Myrcia guianensis (Aubl.) DC., etc.) constituindo uma fronteira física entre a Floresta Montana e a Vegetação Arbustiva-Lenhosa sobre Canga. Foram encontradas nessa formação 94 espécies distribuídas em 29 famílias (Tabela 2). As famílias com maior número de espécies foram: Asteraceae (nove), Orchidaceae (sete), Bromeliaceae (cinco), Apocynaceae (cinco) e Vochysiaceae (quatro).

A similaridade florísitica entre as fitofisionomias da Serra do Condado é baixa. Este fato é comprovado pela grande quantidade de espécies exclusivas de cada formação (Tabela 2) e pelas estimativas do índice de Sørensen, expressos na Tabela 3. A maior similaridade encontrada foi relacionanda à Floresta Estacional Semidecidual Montana e a Vegetação Arbustivo-Lenhosa sobre Canga (aproximadamente 0,0692%), porém este ainda é considerado muito baixo (inferior a 0,5).

 

 

Discussão

A Serra do Condado é um mosaico vegetacional com predominância da Formação Estacional Semidecidual Montana em relação à Canga, a Mata Ciliar e ao Brejo. O limite físico entre fitofisionomias foi gradual ou constante sendo difícil individualizar até mesmo algumas zonas ecotonais, embora considerando a paisagem como um todo, seja possível separar cada formação. E assim, é nítido que a altitude e o solo litólico têm estreita relação com as formações de Canga, sendo observadas sempre nos afloramentos acima dos 900m de altitude. Em cotas inferiores há uma expansão da Formação Semidecidual Montana no solo litólico, uma fitocenose de estrutura densa (varal), baixa dominância e alto perfilhamento dos indivíduos eretos e lenhosos. Esse cenário suporta espécies florestais tolerantes a esse substrato sendo essas gradativamente substituídas pelas candeias (Erementhus spp.) com o aumento da altitude (obs. pess.). Considerando levantamentos florísticos que contemplam todas as formas de vida em áreas do Domínio Atlântico representado pelas Florestas Estacionais e Ombrófilas a riqueza encontrada neste estudo (575 espécies) está próxima do registrado por Lombardi & Gonçalves (2000) no Parque Estadual do Rio Doce (535) e está abaixo do registrado para algumas áreas ombrófilas do Rio de Janeiro e de São Paulo como Parati (Marques 1997) com 873 espécies, Macaé de Cima (Lima & Guedes-Bruni 1997) com 946 espécies e Ilha do Cardoso (Melo et al. 1991) com 852. É importante ressaltar que em todos os trabalhos acima comparados, o esforço de coleta foi superior a três anos e isso, em partes, justifica tais diferenças. Outra questão pertinente a ser abordada é em relação ao número de materiais indeterminados do presente trabalho (116 ou 20% do total). Este valor aparentemente alto de indeterminações pode ser explicado pela necessidade de mais trabalhos taxonômicos capazes de fornecer um maior número de floras e revisões, já que para alguns grupos existe ainda carência de bibliografias especializadas.

Ainda considerando a flora da Serra do Condado como um todo é possível destacar a ocorrência de algumas espécies consideradas ruderais como Alomia fastigiata Benth., Elephantopus mollis Kunth, Emilia sonchifolia (L.) DC., Galinsoga parviflora Cav., Sigesbeckia orientalis L. e Waltheria indica L., dentre outras. Este fato mostra o quanto as áreas de pastagem avançam sobre as áreas florestais e de campos naturais, refletindo na supressão de hábitats observada em toda a Serra. Em adição, segundo Giulietti et al. (2008), a Cadeia do Espinhaço é uma das regiões que concentram grande número de endemismos e espécies consideradas raras sendo algumas destas últimas também registradas nesse estudo como Hyptis coriacea Benth., Hyptis rhypidiophylla Briq. e Barbacenia exscapa Mart. Outras são consideradas como indicadoras de Complexos Rupestres de Altitude como Agarista glaberrima (Sleumer) Judd, Gaylussacia brasiliensis (Spreng.) Mart., Barbacenia flava Mart. ex Schult. & Schult. f., Mandevilla scabra (Roem. & Schult.) K. Schum., Stipecoma peltigera (Staldem.) Mull.Arg., Eremanthus erythropappus (DC.) MacLeish, Eremanthus glomerulatus Less. e Eremanthus incanus (Less.) Less. (Benites et al. 2003). Cabe salientar que as espécies acima aludidas foram registradas preferencialmente na Vegetação Arbustivo-lenhosa sobre Canga justificando assim sua prioridade de conservação.

Em relação às áreas de Floresta Estacional Semidecidual observou-se um predomínio do hábito arbóreo em relação aos demais sendo este fato também relatado para outros levantamentos florísticos completos em Minas Gerais (todas as formas de vida) como no Morro do Imperador (Pifano et al. 2007), no Parque Estadual do Rio Doce e na Estação Ecológica de Caratinga (Lombardi & Gonçalves 2000). Isto pode ser explicado pela grande ocorrência de espécies arbóreas de sub-bosque e subdossel que apresentam estruturas reprodutivas por longos períodos do ano, facilitando sua visualização e consequentemente sua coleta. Como a maioria das formações do estado é secundária (Scolforo & Carvalho 2006) o sub-bosque é bastante iluminado nessas florestas e isso também ajuda na compreensão deste estágio fenológico apresentado por seus elementos.

A elevada riqueza de árvores encontradas na Floresta Estacional Semidecidual Montana (314) corrobora com os resultados de outros levantamentos florístico-estruturais em Florestas Montanas do Domínio Atlântico de Minas Gerais. Pereira et al. (2006), com o trabalho realizado no maciço do Itatiaia, registrou 450 espécies de árvores e Oliveira-Filho et al. (2004), na Chapada das Perdizes, Carrancas, MG, registrou 218, mostrando valores de riqueza intermediários em comparação com o deste estudo. Porém, na Estação Ecológica do Tripuí, Ouro Preto, MG (Werneck et al. 2000), a riqueza encontrada (68) foi muito menor, sendo este fato justificado pelo esforço amostral discrepante quando se compara os dois trabalhos, já que o estudo de Werneck et al. (2000) se constituiu de um levantamento estrutural da vegetação contemplando apenas 900 m2 de área amostrada sob a forma de parcelas. As Matas Ciliares em melhor estado de conservação são raras e fisionomicamente indistintas das Florestas Montanas circunvizinhas, sendo possível diferenciá-las apenas por composição florística. Algumas árvores de grande porte como Ficus gomelleira Kunth & Bouché e Calophyllum brasiliense Cambess. são indícios da idade avançada e da aparente ausência de pertubação desses trechos na formação (Rodrigues & Naves 2000). Esse estágio sucessional é importante para a conservação da área de estudo sendo justificado por tal conexão entre esses hábitats, o que dificulta o acesso de pessoas e do gado e consequentemente auxilia na manutenção da qualidade e quantidade da água de toda a microbacia (Alvarenga & Paula 2000). A manutenção desses trechos é fundamental também para a conservação de algumas espécies de Acanthaceae (Herpetacanthus rubiginosos Nees) e Marantaceae (Calathea sp.), que só foram encontradas em seu sub-bosque úmido. Já nos trechos onde os rios cortam os biótopos antropizados, a Mata Ciliar apresenta-se constantemente perturbada em função do uso inadequado do solo para atividades agropastoris (Pereira 2003).

Todos os brejos estudados encontram-se isolados e desconectados de quaisquer fragmentos de Floresta Montana ou Mata Ciliar. Este fato pôde ser comprovado através da baixa riqueza florística dessa formação (apenas 19 espécies) em comparação com a alta diversidade de macrófitas relacionadas às formações brejosas segundo os trabalhos de Hoehne (1948) e Pott, A. & Pott, V.J. (2000). Ainda assim, a exclusividade específica foi a mais alta entre todas as fitofisionomias estudadas (95%), agregando valor imediato de conservação para essa formação.

Segundo Rizzini (1979), nos afloramentos hematíticos (Canga) ocorre uma fisionomia denominada Campo Ferruginoso. Tal fisionomia foi considerada por Ribeiro & Walter (1998) como Cerrado Rupestre. Não há consenso entre pesquisadores a respeito de uma terminologia que delimite e individualize essa vegetação enquanto fitofisionomia. Na Serra do Condado, a Vegetação Arbustivo-Lenhosa sobre Canga, foi considerada como uma formação não florestal uniestradificada. Assim como nos campos rupestres propriamente ditos (quartzito), seu estrato herbáceo possui elevada riqueza florística principalmente de Velloziaceae, Eriocaulaceae, Orchidaceae, Bromeliaceae, Gentianaceae, Melastomataceae e Poaceae, sendo essas, muitas vezes, as melhores indicadoras dessas fitofisionomias bem como de seu grau de conservação (Giulietti et al. 2000, Stannard 1995). Assim sendo, justifica-se a subestimativa amostral das famílias Poaceae e Orchidaceae neste estudo por duas razões principais. A primeira é relativa ao método utilizado em levantamentos florísticos que contempla somente materiais reprodutivos como testemunhos. Assim, muitas orquídeas foram observadas, mas não puderam ser registradas nem como morfoespécies, pois se manifestavam vegetativamente apenas por seus pseudobulbos. No caso das gramíneas a razão da subestimativa é outra. Nas áreas mais altas da Serra, onde se localiza a Vegetação Arbustivo-Lenhosa sobre Canga, o acesso para as coletas e o trabalho de campo foi extremamente prejudicado por questões fundiárias e de propriedade, sendo raros os proprietários que permitiram o acesso dos autores a suas terras para a execução do trabalho. Não obstante, a falta de levantamentos florísticos em formações específicas como esta dificulta análises comparativas dessa flora com outras semelhantes. Neste contexto, destaca-se apenas o trabalho desenvolvido em Brumadinho (Viana & Lombardi 2007), no Quadrilátero Ferrífero, MG, onde registraram 358 espécies de plantas vasculares ocorrentes em canga couraçada e canga nodular. Das 94 espécies encontradas na canga couraçada da Serra do Condado, 31 também foram encontradas em Brumadinho, sendo que tal compartilhamento encontrou-se bem distribuído nas duas áreas de canga aqui comparadas.

As estimativas obtidas através do índice de Sørensen revelaram valores inferiores a 10% de similaridade corroborando com a significativa diversidade beta analisando-se as fitofisionomias estudadas. O maior compartilhamento de espécies entre a Floresta Montana e a Vegetação sobre Canga se deve, em parte, à presença de espécies florestais tolerantes aos solos litólicos ocorrentes principalmente nas regiões ecotonais dessas duas fitofisionomias. Isto foi percebido nesse trabalho pela ocorrência de um grupo de espécies arbóreas que se desenvolvem sobre a rocha mãe aflorada, caso da Asteraceae Eremanthus spp. (candeia) e da Ericaceae Gaylussacia brasiliensis (Spreng.) Mart. Este cenário é amplamente relatado para regiões onde a Floresta Semidecídua Montana se insere nos Complexos Rupestres de altitude (Benites et al. 2003). O mosaico vegetacional estudado reflete o quão diversa e desconhecida é a flora das regiões montanhosas de Minas Gerais e o quanto sua conservação está ameaçada. A corrida minerária que se instalou na região foi responsável por grande parte do efeito de borda e da fragmentação observados neste estudo, bem como à baixa quantidade de hábitats conectados, fazendo-os ora presentes, ora não, em toda a Serra do Condado.

Embora este estudo seja ainda uma aproximação de toda a flora existente na região (devido às limitações temporal e logística), os resultados mostraram uma riqueza florística elevada com espécies raras e indicadoras das muitas fisionomias que formam a paisagem da Cadeia do Espinhaço. Não obstante, os resultados encontrados em estudos florísticos criteriosos como este são a principal ferramenta no conhecimento da flora de uma região e consequentemente são também importantíssimos na descoberta de novas espécies e na conservação das poucas áreas ainda capazes de manter e repor a tão ameaçada diversidade vegetal do estado de Minas Gerais.

 

Agradecimentos

A J.A.Silveira e A.L. Souza, pelos auxílios prestados nos trabalhos de campo. Obrigado.

 

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Recebido em 12/05/09
Versão reformulada recebida em 22/01/10
Publicado em 27/01/10

 

 

* Autor para correspondência: Daniel Salgado Pifano, e-mail: danielfloristico@yahoo.com.br