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Biota Neotropica

Print version ISSN 1806-129XOn-line version ISSN 1676-0611

Biota Neotrop. vol.10 no.3 Campinas July/Sept. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1676-06032010000300034 

INVENTÁRIOS

 

Composição florística e fitofisionomia de remanescentes disjuntos de Cerrado nos Campos Gerais, PR, Brasil - limite austral do bioma

 

Floristic composition and phytophysiognomies of Cerrado disjunct remnants in Campos Gerais, PR, Brazil - Southern boundary of the biome

 

 

Lia Maris Orth RitterI, *; Milton Cezar RibeiroII; Rosemeri Segecin MoroIII

IDepartamento de Ciências Florestais, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo - USP, Av. Padua Dias, 11, Agronomia, CEP 13418-900, Piracicaba, SP, Brasil
IIDepartamento de Ecologia, Universidade de São Paulo - USP, Rua do Matão, Travessa 14, Cidade Universitária, CEP 05508-900, São Paulo, SP, Brasil
IIIDepartamento de Biologia Geral, Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG, Av. Carlos Cavalcanti, 4748, CEP 84030-000, Uvaranas, PR, Brasil

 

 


RESUMO

O cerrado possui seu limite austral de ocorrência nos Campos Gerais do Paraná onde, na forma de pequenos fragmentos disjuntos, tem grande afinidade com as formações savânicas de São Paulo e do Planalto Central do Brasil. Encontra-se, na sua maior parte, em propriedades particulares, sob forte pressão da agropecuária, tendo sido até então pouco estudado. Foram realizadas análises florísticas e fitofisionômicas de 30 remanescentes de cerrado em seis municípios, com determinação de um total de 1.782 táxons. Asteraceae foi a família com maior riqueza de espécies (256), seguida por Fabaceae (207), Poaceae (183), Myrtaceae (72) e Melastomataceae (54). Encontrou-se um gradiente latitudinal e geomorfológico na distribuição das fisionomias: cerrado stricto sensu (50%) e cerradão (13%) distribuem-se nos planaltos areníticos ao norte da região; enquanto cerrado rupestre (17%) e campo sujo com fácies de cerrado (20%) estão mais representados nas porções meridionais, nos relevos escarpados dos vales dos rios. Os remanescentes mostraram similaridade florística com áreas core do Bioma e podem ser consideradas áreas marginais da amplitude geográfica de muitos táxons, compartilhando espécies típicas, características da Província Sulina. Portanto, estas áreas campestres seriam melhor classificadas como savanas do que como estepes. A fitocenose mais austral em Ponta Grossa, com alta riqueza de espécies, encontra-se isolada biogeograficamente dos demais elementos do Bioma, constituindo um possível centro de endemismo.

Palavras-chave: cerrado, Campos Gerais, fitogeografia.


ABSTRACT

The cerrado (Brazilian savannah) has its Southern limits of occurrence in the Campos Gerais region in the State of Paraná, through small disjunction patches with great affinities with the Northern savannah formations of São Paulo and the Central Plateau of Brazil. They are mostly on private lands, under strong pressure from agribusiness and have been hitherto little studied. A floristic and phytophysiognomical analysis of 30 remnants in different municipalities was carried out, reaching a total of 1,782 determined taxa, being Asteraceae the richest family (256), followed by Fabaceae (207), Poaceae (183), Myrtaceae (72) and Melastomataceae (54). There is a geomorphological and latitudinal gradient on the distribution of physiognomies: cerrado stricto sensu (50%) and cerradão (13%) are distributed mainly in the sandstone plateaus in the north region, while cerrado rupestre (17%) and grassland with cerrado facies (20%) are most frequent in the river valleys cliffs in the South. These remnants present floristic similarity with the core area of the Biome, and could be considered marginal areas of the geographical range of several taxa, sharing typical species of the Southern Province. Thus the whole area would be more correctly named savannah instead of steppe. The austral phytocoenosis of Ponta Grossa, a possible endemism centre with great richness, is biogeographically isolated from the other cerrado patches.

Keywords: savannah, Campos Gerais, phytogeography.


 

 

Introdução

O Cerrado, no Brasil, é um complexo vegetacional composto por cinco tipos fisionômicos distintos que abrange desde fisionomias campestres até arborescentes mais densas, com aspecto florestal, e fitotipias ecotonais intermediárias (Coutinho 1978, Oliveira Filho & Ratter 2002). Para Walter (2006, p. 10), "Savana é uma paisagem estruturalmente intermediária entre floresta e campo"... "paisagem com um estrato graminoso contínuo (ou descontínuo), contendo árvores ou arbustos espalhados".

Sendo o segundo maior Bioma em extensão, após a Amazônia (Oliveira-Filho & Ratter 2002), já chegou a ocupar aproximadamente 1.900.000 km² do espaço geográfico brasileiro, mas nos últimos 30 anos as regiões de Cerrado tem sofrido rápidas transformações pela expansão da agri-silvicultura. De acordo com Myers et al. (2000), apenas 20% da área original permanece como vegetação primária - uma situação preocupante devido ao alto índice de endemismo, que alcança cerca de 44% de um total de 10.000 espécies. Por esta razão, o Cerrado foi incluído na lista dos hotspots mundiais de biodiversidade (Mittermeier et al. 1999) e, para Machado et al. (2004), o avanço antrópico poderá ser a causa de sua supressão até meados do ano de 2030.

Sua área nuclear de ocorrência são os planaltos do Brasil Central, chapadões interiores dos Estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Bahia, além de manchas expressivas nos Estados de Rondônia, Piauí e São Paulo, e em algumas áreas pontuais do Paraná (Instituto... 2004). Ratter et al. (2003) distribuem o Cerrado no Brasil em seis províncias florísticas: sulina, centro-oeste, central e sudeste, extremo-oeste, nordeste e disjunções amazônicas. Apesar da heterogeneidade natural, cinco províncias (excetua-se as disjunções amazônicas) compartilham as 25 espécies mais frequentes, as quais podem ser consideradas como espécies características que definem o Bioma.

Os remanescentes de cerrado nos Campos Gerais do Paraná também se acham sob forte pressão da expansão do agronegócio, sem terem sido ainda completamente documentados. Após a notificação de sua existência (Maack 1931, 1968, Hueck 1957, Klein 1979, Leite & Klein 1990), surgem estudos sobre sua composição florística e estrutura (Takeda et al. 1996, Straube 1998, Uhlmann  et al. 1997, 1998, Uhlmann 1995, 2003, von Linsingen et al. 2001, Hatschbach et al. 2005, Carmo 2006, von Linsingen et al. 2006, Cervi & von Linsingen 2008, von Linsingen & Cervi, 2008,) e ampliação de sua distribuição (Ritter et al. 2006, 2007a, b, Ritter & Moro 2007, Ritter 2008).

Segundo Takeda et al. (1996) e Durigan et al. (2003), os componentes da associação florística dos campos cerrados nesta área correspondem a uma versão empobrecida do revestimento vegetal dos campos cerrados do Estado de São Paulo e do Planalto Central do Brasil. Passos (2003) lembra que a medida que se expande de sua área central de domínio para áreas periféricas, o Cerrado vai se tornando mais esparso, até que se torne escasso e, por fim, ausente. Para Uhlmann et al. (1998), von Linsingen et al. (2006), Carmo (2006) e Hatschbach et al. (2005), no entanto, há grande diversidade de espécies e elevado grau de endemismo no Cerrado conservado nos Campos Gerais.

Este trabalho atualiza a florística e a classificação fitofisionômica de fragmentos de Cerrado nos Campos Gerais do Paraná, ampliando os dados da literatura por expedições a campo, especialmente em sua distribuição mais austral, para estabelecimento dos limites da província sulina do Bioma.

 

Material e Métodos

Os Campos Gerais, ao longo da Cuesta da Escarpa Devoniana, apresentam-se como uma faixa de território de 11.761,41 km2 com convexidade para noroeste (Melo et al. 2003). A região foi definida por Maack (1948) como uma unidade fitogeográfica compreendendo os campos limpos e campos cerrados naturais situados sobre o Segundo Planalto Paranaense.

Predominam as tipologias climáticas de Koeppen Cfa (subtropical com verões quentes e chuvas concentradas no verão) e Cfb (temperado, com verões frescos, sem estação seca definida). Os solos onde se observam mais comumente manchas de cerrado nos Campos Gerais são do tipo latossolos vermelho-amarelos e neossolos litólicos, mas também podem ocorrer em cambissolos e argissolos (Melo et al. 2003).

As fisionomias de cerrado consensualmente citadas (Henriques 2005) se baseiam num conjunto de formações vegetacionais dispostas de acordo com um crescente de biomassa: campo limpo, fisionomia estritamente graminóide, normalmente ocupando solos distróficos; campo sujo, onde ocorrem esparsos arbustos, com até 1% de cobertura, prevalecendo, contudo, espécies herbáceas; campo cerrado, composta por arbustos um pouco mais desenvolvidos, com cobertura de até 10%, mas onde as herbáceas ainda são abundantes; cerrado sensu stricto, que passa a apresentar tanto indivíduos arbóreos quanto arbustivos mais desenvolvidos, com uma cobertura de dossel de 30-40%; e o cerradão, fisionomia com aspecto florestal, com cobertura de dossel arbóreo de cerca de 30-60% (Eiten 1972, 1977, 1983, Ferri 1977, Coutinho 1978, 1982, 1990, Ribeiro & Walter 1998, Coutinho 2002). Henriques (2005) omite a fisionomia de campo sujo, enquanto Ribeiro & Walter (1998) e Oliveira Filho & Martins (1986) acrescentam também o cerrado rupestre. Este ocorre em solos rasos com presença de afloramentos de rocha, com cobertura de dossel variando de 5-20% e altura média de 2 a 4 m. O estabelecimento de plantas arbóreas adaptadas a esse ambiente de solos rasos ocorre apenas quando estas encontram fendas entre as rochas (Reatto et al. 1998). O termo campo limpo é evitado por muitos autores para evitar confusões nomenclaturais com as estepes (Coutinho 1978), porquanto alguns preferem o termo campo sujo com fácies de cerrado ao se referir ao cerrado estritamente graminóide, com raros arbustos (Ritter et al. 2007b), juntando aí os conceitos de campo limpo e campo sujo citado por Henriques (2005).

Foram analisados florística e fitofisionomicamente 30 pontos de ocorrência de Cerrado (Figura 1), entre 2006 e 2008, através dos métodos de Avaliação Ecológica Rápida (Sayre et al., 2000) e Caminhamento (Filgueiras et al., 1994), para amostragem qualitativa de forma expedita. Esses pontos estavam distribuídos nos Municípios de Sengés, Jaguariaíva, Piraí do Sul, Tibagi, Carambeí e Ponta Grossa, ao longo da APA da Escarpa Devoniana, sob as coordenadas UTM (x1: 550.331; x2: 677.996) e (y1: 7.206.826; y2: 7.345.909). Nos fragmentos que apresentavam mais de uma fisionomia, foi considerada apenas aquela que revestia a maior parte de cada área, sendo visualmente a mais conspícua.

Todo material coletado foi herborizado seguindo recomendações de Fidalgo e Bononi (1984) e encontra-se no acervo do herbário da Universidade Estadual de Ponta Grossa (HUPG). A listagem florística complementou dados de literatura dos Parques Estaduais de Vila Velha, do Cerrado e Guartelá (Cervi et al. 2007, Uhlmann et al. 1995, Uhlmann et al. 1998, Uhlmann 2003, von Lisingen et al. 2006, Takeda et al. 1996, Carmo 2006). Os nomes válidos e sinonímias foram pesquisados no site do Missouri Botanical Garden (Mobot 2010), seguindo o Angiosperm Phylogeny Group (APG).

Para avaliar a similaridade florística entre as áreas utilizou-se análise estatística multivariada de agrupamento através do programa Statistica for Windows (StatSoft 1998), além de Análise de Componentes Principais - PCA (Ter Braak 1987), através da linguagem R (Ihaka & Gentleman 1996).

 

Resultados e Discussão

Os remanescentes pesquisados nos Campos Gerais foram classificados como campo sujo, cerrado stricto sensu, cerrado rupestre e cerradão (Figura 2). Em direção a maiores latitudes, até o limite austral de ocorrência (Ponta Grossa), há uma sucessão gradual de fisionomias, decrescente em biomassa, até campo sujo com fácies de cerrado. A maioria dos fragmentos compõe-se por cerrado stricto sensu (15 áreas), seguidas por seis áreas de campo sujo, cinco áreas de cerrado rupestre e apenas quatro áreas de cerradão, estas localizadas mais ao norte, nos municípios de Sengés e Jaguariaíva.

 

 

O Bioma Cerrado possui uma grande riqueza florística, com mais de 6.389 táxons nativos pertencentes a 6.062 espécies de fanerógamas (Mendonça et al. 1998, 2006), sendo muitos de distribuição restrita (Ratter et al. 2003). Este estudo registrou 1.782 táxons (Anexo 1), com 659 espécies arbustivo/arbóreas, 92 lianas e 1031 herbáceas, dentre as quais pelo menos seis espécies consideradas raras e ameaçadas em algum grau (Hatschbach & Ziller 1995): na categoria "rara": Cayaponia espelina (Silva Manso) Cogn. (Curcubitaceae) e Byrsonima coccolobifolia Kunth (Malpighiaceae), na categoria "vulnerável": Caryocar brasiliense Camb. (Caryocaraceae) e Mimosa lanata Benth. (Fabaceae) e na categoria "em perigo de extinção", Diospyros hispida DC (Ebenaceae) e Pradosia brevipes Pierre (T.D.Penn) (Sapotaceae). Asteraceae é a família com maior riqueza de espécies (256), seguida por Fabaceae (207), Poaceae (183), Myrtaceae (72) e Melastomataceae (54).

Hatschbach et al. (2005) listam mais de 1.300 espécies para o Estado do Paraná, enquanto von Lisingen et al. (2006) apontam 458 espécies apenas para o Parque Estadual do Cerrado (Jaguariaíva, PR). Longhi-Wagner (2003) aponta para o Estado do Paraná o limite austral de 60 espécies de gramíneas predominantemente tropicais, muitas também de ocorrência nos Cerrados, evidenciando a importância do contingente florístico tropical na composição destas estepes. Igualmente para Fabaceae, Miotto & Waechter (2003) apontam os campos paranaenses como limite austral de espécies tropicais. Waechter et al. (2003), levando em consideração Poaceae e Fabaceae, reforçam a idéia da província campestre paranaense em oposição à pampeana, num claro gradiente latitudinal de influência decrescente das espécies tropicais na composição florística estépica.

O cruzamento de dados florísticos referente à riqueza de famílias para 10 áreas de cerrado dos Campos Gerais (Figura 3) apontou que áreas em Ponta Grossa e Carambeí apresentam maior similaridade entre si, enquanto Tibagi e Guartelá formam um segundo grupo, estando mais próximos de Vila Velha. O Parque Estadual do Cerrado constitui um terceiro grupo à parte dos demais, sendo o mais diverso no nível de riqueza de famílias. Isto provavelmente está refletindo a diferença de esforços amostrais nestas áreas, uma vez que as unidades de conservação possuem listas florísticas mais completas do que os remanescentes em propriedades particulares, além de fragmentos com maior área contínua.

 

 

Na análise de componentes principais para a matriz de presença/ausência de espécies (Figura 4), pode-se observar uma oposição entre os determinantes da composição florística dos Parques do Cerrado e do Guartelá em relação às áreas mais austrais (Piraí do Sul, Carambeí e Ponta Grossa). Analisando-se a similaridade floristica de espécies arbóreas típicas do Cerrado sulino (Bridgewater et al. 2004) e sua distribuição nas fitocenoses consideradas neste estudo (Tabela 1), numa perspectiva de gradiente latitudinal, percebe-se que dez táxons estão presentes em todas as fitocenoses; seis presentes apenas a partir do município de Tibagi (B e C); e três restritos à região de Jaguariaíva e Sengés (C).

 

 

 

 

Observa-se que as áreas de Cerrado em Ponta Grossa (fitocenose A), todas de fitofisionomia de campo sujo com fácies de cerrado ou cerrado rupestre, compartilham onze espécies (44%) com as formações savânicas sulinas: Annona coriacea Mart., Copaifera langsdorfii Desf., Caryocar brasiliense Camb., Plenckia populnea, Acosmium subelegans (Mohlenbr) Yakovlev, Casearia sylvestris Sw., Ocotea pulchella Mart., Lafoensia pacari A.St.-Hill., Byrsonima intermedia Juss., Roupala Montana Aubl. e Machaerium acutifolium Vogel.

Cervi et al. (2007), comparando a flora do Parque Estadual de Vila Velha com a do Bioma Cerrado (Mendonça et al. 1998), verificou que há cerca de 40% de espécies compartilhadas. Tratando-se somente de gramíneas, são cerca de 63% as espécies semelhantes entre essas áreas. Para este autor, o caráter savânico das áreas abertas destas regiões pertencem efetivamente ao domínio do Bioma Cerrado e, portanto, as formações campestres dos Campos Gerais deveriam ser mais corretamente denominadas como savana gramíneo lenhosa, contrariamente ao IBGE (Veloso et al. 1991), que as classifica como estepe gramíneo lenhosa. O mapa de Biomas do IBGE (Instituto... 2004) corrige até certo ponto esta distorção ao expandir o Bioma Cerrado até o Norte dos Campos Gerais, porém os dados desta análise corroboram a proposição de Cervi et al. (2007) na ampliação dos limites de ocorrência de savana.

Os fragmentos de Tibagi, Piraí do Sul e Carambeí (fitocenose B), com fitofisionomias variando de cerrado sensu stricto a cerrado rupestre, compartilham 16 espécies típicas com a Província Sulina (64%). Os remanescentes conservados nos municípios de Jaguariaíva e Sengés (fitocenose C), com fitofisionomias do tipo cerrado sensu stricto, cerradão e eventualmente campo cerrado, compartilham 20 espécies típicas com a Província Sulina (80%).

 

Conclusões

As disjunções de Cerrado nos Campos Gerais possuem similaridade florística com áreas core do Bioma e podem ser consideradas áreas marginais da amplitude geográfica de muitos táxons típicos deste tipo de vegetação, compartilhando espécies características da Província Sulina de Cerrado. Embora exista um gradiente latitudinal de decréscimo de biomassa e similaridade entre fitocenoses, devido a maior riqueza de espécies e biodiversidade, uma barreira fitogeográfica é observada entre as fitocenoses do Parque Estadual do Guartelá e seu entorno, e a do Parque Estadual de Vila Velha e entorno.

As disjunções da fitocenose de Vila Velha exibem apenas fitofisionomias campestres compatíveis com o campo sujo com fácies de cerrado e cerrado rupestre. Floristicamente, exibem atributos qualitativos suficientes para serem consideradas fitocenoses de Cerrado. As análises realizadas apontam a necessidade de revisão do conceito de estepe gramíneo-lenhosa para a porção austral dos Campos Gerais.

 

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Recebido em 21/04/2010
Versão reformulada recebida em 01/09/2010
Publicado em 20/09/2010

 

 

* Autor para correspondência: Lia Maris Orth Ritter, e-mail: lmritter@esalq.usp.br

 

 

Anexo 1

 


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