SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.11 número1Vertebrate fauna of Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins: biodiversity and conservation in the Brazilian Cerrado hotspotButterflies (Lepidoptera: Papilionoidea and Hesperioidea) in the Southwestern Brazilian Grasslands, Uruguaiana, Rio Grande do Sul State, Brazil índice de autoresíndice de materiabúsqueda de artículos
Home Pagelista alfabética de revistas  

Servicios Personalizados

Revista

Articulo

Indicadores

Links relacionados

Compartir


Biota Neotropica

versión impresa ISSN 1806-129Xversión On-line ISSN 1676-0611

Biota Neotrop. vol.11 no.1 Campinas enero/marzo 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1676-06032011000100031 

INVENTÁRIOS

 

Borboletas (Papilionoidea e Hesperioidea) de Guarapuava e arredores, Paraná, Brasil: um inventário com base em 63 anos de registros

 

Butterflies (Papilionoidea and Hesperioidea) from Guarapuava and vicinity, Paraná, Brazil: an inventory based on records of 63 years

 

 

Diego Rodrigo Dolibaina*; Olaf Hermann Hendrik Mielke; Mirna Martins Casagrande

Laboratório de Estudo de Lepidoptera Neotropical, Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Paraná - UFPR, CP 19020, CEP 81531-980, Curitiba, Paraná, Brasil

 

 


RESUMO

Apesar de estar entre os países com maior diversidade de borboletas, o Brasil possui pouca informação disponível que retrate essa biodiversidade. O Paraná é um dos estados brasileiros com a fauna de Lepidoptera menos conhecida. Apenas Curitiba e arredores possui uma lista de espécies robusta, enquanto as demais regiões paranaenses são desprovidas desse tipo de informação. Com o objetivo de aumentar o conhecimento sobre a fauna de borboletas do Paraná, o presente estudo fornece informações de 63 anos de coletas (1944 a 2002 e 2005 a 2010) em Guarapuava e arredores, região centro-sul paranaense, e indica as espécies características da fitofisionomia Campo Natural, hoje quase extinto nessa região. No total, 689 espécies foram coletadas, dessas 264 espécies estão representadas em apenas um dos períodos amostrais. Cerca de 6% da lista corresponde a espécies de Campo Natural e menos da metade foi encontrada recentemente. As famílias mais similares entre dados pretéritos e atuais foram Pieridae, Nymphalidae e Papilionidae, enquanto Riodinidae, Hesperiidae e Lycaenidae as mais dissimilares. Sugerimos a criação de unidades de conservação permanente que inclua a vegetação Campo Natural, visto que esta apresenta uma fauna peculiar e encontra-se ameaçada localmente, além de não ser protegida por unidades de conservação já estabelecidas na região.

Palavras-chave: Lepidoptera diurna, riqueza, variação temporal, campo natural, conservação.


ABSTRACT

Despite figuring among the countries with high diversity of butterflies, Brazil has little information available of its biodiversity. Paraná is one of brazilian states with the less known lepidopteran fauna. Only Curitiba and vicinity have a list of butterflies species published, while all other Paraná regions lack such information. Aiming to provide new informations about the butterflies fauna in Paraná state, this study compiles information of 63 years of collect (1944 to 2002 and from 2005 to 2010) in Guarapuava and vicinity, south-central Paraná, and emphasizes the typical grassland species, now nearly extinct in this region. Were recorded 689 species, 264 of these were recorded only in one of the sampling periods. About 6% are typical grassland species and fewer than half of those were recorded recently. Pieridae, Nymphalidae and Papilionidae latest records are more similar to earlier records than Riodinidae, Hesperiidae, and Lycaenidae. We suggest the creation of permanent conservation areas comprising grasslands, as they encompass a unique fauna and are threatened locally; furthermore, they are not protected by any conservation areas already established in the region.

Keywords: Diurnal Lepidoptera, richness, temporal variation, grassland, conservation.


 

 

Introdução

Inventários de borboletas auxiliam na tomada de decisões com vistas à preservação (Brown Jr. & Freitas 1999), além de subsidiar estudos de ecologia e fornecer fontes seguras de dados para estudos biogeográficos (Brown Jr. 1992). São ferramentas eficazes na produção da informação, subsidiando os programas de conservação (Carneiro et al. 2008b).

O Brasil é pouco representado por inventários de borboletas, e a maior parte de seu território está desprovido deste tipo de informação (Carneiro et al. 2008b).

Apesar de Carneiro et al. (2008b) indicarem as áreas da Caatinga e Amazônia ocidental como prioritárias para levantamentos de borboletas no Brasil, esses mesmos autores concluem que o estudo em qualquer localidade brasileira que objetive o conhecimento e inventário de espécies deve ser incentivado, visto a dimensão do país, sua grande biodiversidade, o acelerado ritmo de conversão dos ambientes naturais em áreas antropizadas e o baixo número de pesquisadores.

A Coleção Padre Jesus Santiago Moure da UFPR possui boa representação da fauna de borboletas do Paraná, entretanto, pouca informação foi publicada para o estado (Biezanko 1938a, b, Mielke, O.H.H. 1968, Mielke, C.G.C. 1995), e apenas Curitiba e arredores (Mielke, C.G.C. 1995) compreende uma amostragem robusta e focada em Papilionoidea e Hesperioidea.

A região de Guarapuava apresenta distintos componentes fitofisionômicos, apesar de amplamente fragmentada e isolada (Ribeiro et al. 2009) a Floresta Ombrófila Mista ou Floresta com Araucária está representada em todas as unidades de conservação da região, enquanto a fitofisionomia Estepe Gramíneo Lenhosa ou Campo Natural, que compreendia aproximadamente 171.000 ha da região (Maack 1968), não está presente nestas unidades de conservação, e o atual panorama aponta sua total conversão em áreas agropastoris.

Em 1944, quando os ambientes naturais de Guarapuava e região apresentavam bom estado de conservação, Hipólito Schneider, pesquisador autônomo de insetos, iniciou uma série de coletas, capturando principalmente Lepidoptera e Coleoptera por toda a região até o ano de 2002. Atualmente, parte de sua coleção está depositada na Universidade Estadual do Centro Oeste, no acervo do Museu de História Natural de Guarapuava, porém com caráter didático, enquanto outra parte encontra-se em sua residência.

Com o objetivo de aumentar o conhecimento disponível das borboletas no Estado do Paraná, o presente estudo fornece a lista de espécies de borboletas ocorrentes em Guarapuava e arredores, Paraná, Brasil, compilando dados pretéritos e atuais, além de indicar as espécies características de Campo Natural, um ambiente criticamente ameaçado nesta região.

 

Materiais e Métodos

A região de estudo é composta originalmente por três fitofisionomias, Floreta Ombrófila Mista, Campos Naturais e Floresta Estacional Semidecidual, sendo a última, encontrada apenas nas calhas dos Rios Ivaí e Iguaçu. As áreas florestais atualmente estão mais bem representadas, com 15,22% de sua área original (Sociedade... 1996). Já dos Campos Naturais, dominantes em tamanho, não se tem registros da pequena fração remanescente. No Paraná, esta vegetação distribuía-se pelos três planaltos, sendo que no terceiro, além da região de Guarapuava também ocorre no planalto de Palmas (Maack 1968) e em localidades adjacentes em Santa Catarina.

O clima na região é do tipo Cfb, sem estação seca (Maack 1968). A temperatura média anual é 17,1 °C, ocorrendo pelo menos 10 geadas por ano. A precipitação média anual é de 1.923 mm. Todos os dados meteorológicos correspondem ao período de 1976 a 2009 (Instituto... 2010). A altitude oscila entre 470 e 1.300 m.

Foram compilados dados de borboletas coletadas em Guarapuava e arredores, provenientes da coleção particular de Hipólito Schneider, do Museu de Ciências Naturais de Guarapuava - UNICENTRO e da Coleção Padre Jesus Santiago Moure - UFPR (DZUP), este último produto de coletas dos autores juniores. Esse banco de dados constitui as informações de espécies encontradas na região entre os anos de 1944 a 2002 (primeiro período amostral), totalizando 58 anos de registros. Como nesse período Guarapuava englobava inúmeros municípios hoje desmembrados (Pinhão, Inácio Martins, Candói, Cantagalo, Marquinho, Turvo, Reserva do Iguaçu, Campina do Simão, Goioxin), e os dados de etiqueta em sua maioria constam "Guarapuava", considerou-se que os exemplares poderiam ser provenientes de qualquer um dos atuais municípios acima citados. Algumas localidades especificadas em etiqueta são indicadas (Figura 1).

 

 

Entre abril de 2005 a março de 2010 (segundo período amostral), o primeiro autor iniciou suas coletas, que somadas compõem cinco anos de registros. Nesse caso, as mesmas foram decorrentes de coletas nos municípios de Turvo, Guarapuava e algumas poucas em Prudentópolis (Figura 1).

Borboletas foram coletadas entre 8:00 e 18:00 horas, ocasionalmente até o crepúsculo para coletar Brassolinae e Hesperiidae crepusculares (Mielke & Casagrande 1998), através dos métodos usuais utilizados para Lepidoptera, ou seja, rede entomológica e armadilhas contendo iscas de banana fermentada para as espécies frugívoras. Posteriormente, os exemplares foram montados e etiquetados conforme normas internacionais de preparação. A identificação foi feita com base em exemplares pré-identificados na Coleção Padre Jesus Santiago Moure, além de revisões de gêneros disponíveis em literatura. A classificação e nomenclatura seguem Lamas (2004). Os exemplares coletados encontram-se depositados na Coleção Padre Jesus Santiago Moure - UFPR (DZUP), no Museu de História Natural de Guarapuava - UNICENTRO e na coleção particular de Hipólito Schneider.

Assim, a lista total de espécies é composta por dados correspondentes de 63 anos, e engloba grande parte da região denominada centro-sul paranaense ou planalto de Guarapuava (Maack 1968). Espécies com ocorrência presumível não foram consideradas, como em Emery et al. (2006) e Mielke et al. (2008).

Com o intuito de verificar a similaridade da riqueza encontrada entre dados pretéritos e atuais, utilizou-se o índice de similaridade de Sörensen (Is), com resultados apresentados em porcentagem.

Ainda na lista, indicam-se as espécies da região que são características de Campo Natural. Segundo Maack (1968, p. 26), Campo Natural ou por ele também chamado campos limpos (estepes de gramíneas baixas), caracteriza-se por: "[...]"extensas áreas de gramíneas baixas desprovidas de arbustos, ocorrendo matas ou capões limitados nas depressões em torno das nascentes"[...]", como nas figuras 97-102 e 204-206 de seu trabalho. Iserhard et al. (2010) foram os únicos a fornecerem a lista de borboletas amostradas nesta vegetação no Rio Grande do Sul. Considerou-se borboletas dessas áreas, aquelas coletadas estritamente nessa vegetação, tanto em campo seco quanto úmido. Eventualmente, estas podem ocorrer em Campos de Altitude da Serra do Mar, na Mantiqueira (Ebert 1969), no bioma Pampa do Rio Grande do Sul (Biezanko 1960, 1963, Biezanko & Freitas 1938, Biezanko & Mielke 1973, Biezanko  et al. 1978, Link et al. 1977, Paz et al. 2008) e algumas poucas em Cerrado (Pinheiro & Emery 2006, Mielke et al. 2008).

 

Resultados

Em 63 anos de coletas de borboletas do Planalto de Guarapuava, foram listadas 689 espécies representadas por 255 Hesperiidae (uma com duas subespécies), 19 Papilionidae (duas com duas subespécies), 33 Pieridae, 96 Lycaenidae, 76 Riodinidae e 210 Nymphalidae (Tabelas 1 e 2). Dessas, 574 foram registradas no primeiro e 543 no segundo período amostral (Tabelas 1 e 2). Recentemente (entre novembro/2009 a fevereiro/2010), acrescentou-se 20 novos registros à lista, entre Hesperiidae, Lycaenidae, Riodinidae e Nymphalidae, sugerindo que a riqueza regional seja maior que a atual.

Mesmo os dados pretéritos serem constituídos de apenas 31 espécies a mais que os atuais, apenas 61,8% das espécies são comuns entre as amostras, ou seja, 264 espécies de borboletas foram exclusivas a dados pretéritos (147 sp.) ou atuais (117 sp.) (Tabela 2). Hesperiidae (128 sp.), Riodinidae (39 sp.) e Lycaenidae (37 sp.) responderam por 79,1% das espécies exclusivas, portanto, metade dos Hesperiidae e Riodinidae são compostos por espécies amostradas apenas em um dos períodos amostrais, assim como 43,7% dos Lycaenidae (Tabela 2). Ainda quanto às espécies exclusivas, 25 são características de Campo Natural, e 88,5% destas ocorreram apenas no primeiro período amostral. Diferente das 237 espécies de mata, distribuídas igualmente entre os dados pretéritos e atuais.

A similaridae foi alta para Pieridae, Nymphalidae e Papilionidae, enquanto Riodinidae, Hesperiidae e Lycaenidae foram menos similares (Tabela 2). Apesar de 87,2% das espécies de Nymphalidae serem similares entre as amostras, Limenitidinae, representada exclusivamente por espécies do gênero Adelpha, teve acentuada dissimilaridade, com apenas 42,1% das espécies correspondentes entre os períodos (Tabela 2).

As espécies de borboletas características de Campo Natural representam 6,1% (42 sp.) da fauna total (Tabelas 1 e 2). Novamente Hesperiidae (26 sp.) foi a detentora de maior riqueza, seguida de Riodinidae (6 sp.), Nymphalidae (6 sp.), Lycaenidae (2 sp.), Papilionidae (1 sp.) e Pieridae (1 sp.) (Tabela 2). No primeiro período amostral foram registradas 38 sp e no segundo 19 sp dessa fitofisionomia.

Algumas espécies que constam na lista da fauna ameaçada do Estado do Paraná (Mielke & Casagrande 2004) foram registradas nesse estudo. São elas, Euryades corethrus (Boisduval, 1836), Pampasatyrus glaucope glaucope (C. & R. Felder, 1867), Cyanophrys bertha (Jones, 1912) e Charonias theano (Boisduval, 1836), a última presente na recente versão da lista brasileira da fauna ameaçada de extinção (Casagrande & Mielke 2008). As duas primeiras espécies são endêmicas de Campo Natural e apenas E. corethrus e C. bertha foram registradas no segundo período. Para maiores detalhes sobre novos dados de distribuição e registros dessas e outras borboletas ameaçadas do Paraná, veja Dolibaina et al. (2010).

Três espécies foram representadas por duas subespécies cada, duas em Papilionidae e uma em Hesperiidae. Enquanto as subespécies Parides bunichus bunichus (Hübner, [1821])) e P. b. perrhebus (Boisduval, 1836) ocorrem em altitudes distintas (acima de 800 m e a 500 m, respectivamente) as subespécies Mimoides lysithous lysithous (Hübner, [1821]) e M. l. rurik (Eschscholtz, 1821) e Epargyreus socus socus Hübner, 1825 e E. s. pseudexadeus Westwood, 1852 foram registradas juntas.

 

Discussão

A região de Guarapuava possui elevada riqueza de borboletas, constituindo um dos sítios mais ricos no domínio da Floresta Ombrófila Mista (Biezanko 1938 a, b, Biezanko & Pitoñ 1941, Mielke, C.G.C. 1995, Teston & Corseuil 1999, 2000, 2002, Corseuil et al. 2004, Iserhard et al. 2010) e do Sul do Brasil (Paz et al. 2008, Giovenardi et al. 2008, Sackis & Morais 2008, Carneiro et al. 2008a, Bonfantti et al. 2009) já documentado (ver Carneiro et al. 2008b para demais bibliografias). Este número é expressivo visto que a região apresenta inverno rigoroso devido à sua altitude (grande parte acima de 800 m), e se localiza na porção subtropical do Brasil. A altitude média é de 900 m, porém há locais em que esta atinge 470 m, com a ocorrência da Floresta Estacional Semidecídual, contribuindo com uma fauna distinta. Segundo Brown Jr. & Freitas (1999, 2000), para a localidade de Joinville, Santa Catarina (uma área de Floresta Ombrófila Densa de baixa altitude), constam 796 sp., no entanto, a lista jamais foi publicada.

A lista também apresenta riqueza similar a localidades de Floresta Estacional (Ebert 1969 (Poços de Caldas), Brown Jr. 1992 (Serra do Japi), Mielke & Casagrande 1998 (Morro do Diabo), Brown Jr. & Freitas 2000 (Campinas), Bustos 2009 (Parque Nacional del Iguazú - Argentina)), todos em zona tropical, exceto Bustos (2009). Apesar disso, tais listas retratam uma fauna bastante peculiar, não coincidindo as espécies pertencentes às famílias mais diversificadas como é o caso de Hesperiidae, Lycaenidae e Riodinidae com as do presente estudo.

Com base nos dados obtidos e na recente adição de 20 novos registros, sugere-se que a região possua mais espécies que as apresentadas na atual lista. Os esforços de coleta devem ser direcionados em locais não amostrados da região, especialmente em áreas de transição entre a Floresta Ombrófila Mista e a Floresta Estacional Semidecidual.

Diferenças na composição das espécies encontradas entre os dois períodos amostrais podem ser explicados pelo distinto esforço amostral (pois o primeiro período possui 53 anos a mais que o segundo), a alteração do ambiente natural (Uehara-Prado et al. 2007), especialmente os Campos Naturais, as coletas terem sido realizadas em locais não coincidentes entre as amostras (Summerville et al. 2003) (Figura 1), pela aptidão e experiência dos pesquisadores (Carneiro et al. 2008a) e pela possível nova ocupação de espécies antes não encontradas na região (Brown Jr. 1992).

Baixas similaridades encontradas para Hesperiidae, Lycaenidae e Riodinidae são atreladas à grande riqueza dessas famílias, seu pequeno tamanho e vôo rápido, levando consequentemente a dificuldades de amostragem, diferindo de Nymphalidae, Pieridae e Papilionidae, compostas de espécies conspícuas e mais facilmente registráveis (Brown Jr. 1992, Brown Jr. & Freitas 1999).

No início das coletas, os Campos Naturais estiveram presentes por um longo período (Maack 1968), até meados de 1970, quando os remanescentes foram crescentemente substituídos por monoculturas. Os registros atuais para as espécies de Campo Natural se referem a três pequenas manchas menores que cinco hectares, duas das quais extintas. A lepidopterofauna desta fitofisionomia está criticamente sob ameaça, pois nenhuma unidade de conservação abriga tal vegetação. Há inclusive espécies da lista vermelha da fauna ameaçada do Paraná que são endêmicas dessa vegetação, e apenas E. corethrus foi reencontrada, porém, a pequena área onde a população dessa espécie habitava, foi substituída por pastagem para gado, extinguindo a única população atualmente conhecida no estado (Dolibaina et al 2010).

Assim como Mielke et al. (2008) proporam dados de Hesperiidae endêmicos do Cerrado, indicamos aqui as espécies de Hesperioidea e Papilionoidea características de Campo Natural, com o intuito de subsidiar medidas conservacionistas, principalmente no estabelecimento de novas unidades de conservação permanentes que protejam essa vegetação característica, e por consequência sua fauna.

No trabalho de Tyler et al. (1994) há dados indicando a ocorrência conjunta entre subespécies de M. lysythous no sul do Brasil, já para P. bunichus, enquanto P. b. bunichus voa acima de 800 m de altitude, P. b. perrhebus foi apenas encontrada nas altitudes mais baixas da região (vale do rio Ivaí). Quanto a E. socus, já eram conhecidas outras regiões como Joinville e São Bento do Sul em Santa Catarina e Foz do Iguaçu e Londrina no Paraná (DZUP), onde as subespécies socus e pseudexadeus voam juntas. Estudos taxonômicos são necessários para tais taxa.

 

Agradecimentos

Agradecemos a Anderson Luis Tosetto da RPPN Paraná pelo apoio logisítico em algumas coletas. Aos amigos Vitor Hugo Gonçalves e Edivando Alves pelo auxílio nos trabalhos de campo. Ao Sr. Márcio Canto de Miranda, proprietário da RPPN Ninho do Corvo, pela disponibilidade da área para estudo. A Fábio Dangui por disponibilizar a coleção particular de Hipólito Schneider e Cristiane Hiert a do Museu de História Natural de Guarapuava. Agradecemos também a Alfred Moser pela identificação dos Lycaenidae, a Eduardo Carneiro e a dois revisores anônimos por valiosas sugestões ao trabalho e Fernando Maia Silva Dias pelo Abstract. Ao CNPq pela concessão das bolsas de produtividade e mestrado aos autores.

 

Referências Bibliográficas

BIEZANKO, C.M. 1938a. Sobre alguns lepidópteros que ocorrem em arredores de Curitiba (Estado do Paraná). Apontamentos lepidopterológicos feitos em 1932. Livraria Globo, Pelotas.         [ Links ]

BIEZANKO, C.M. 1938b. Dois meses de caça lepidopterológica nos arredores do Porto União e União da Vitória, em outubro e novembro de 1932. Contribuição ao conhecimento da fauna dos insetos de Santa Catarina e Paraná. R. de Agron. 2(16-17):1-11.         [ Links ]

BIEZANKO, C.M. 1960. Satyridae, Morphidae et Brassolidae da zona sueste do Rio Grande do Sul. Arq. Ent. série A 4:1-12.         [ Links ]

BIEZANKO, C.M. 1963. Hesperiidae da zona sueste do Rio Grande do Sul. Arq. Ent. série A 6:1-24.         [ Links ]

BIEZANKO, C.M. & FREITAS, R. G. 1938. Catálogo dos insetos encontrados na cidade de Pelotas e arredores. Fasciculo 1. Lepidopteros. Bol. Esc. Agr. Eliseu Maciel. 25:1-32.         [ Links ]

BIEZANKO, C.M. & MIELKE, O.H.H. 1973. Contribuição ao estudo faunístico dos Hesperiidae americanos. IV. Espécies do Rio Grande do Sul, Brasil, com notas taxonômicas e descrições de espécies novas. (Lepidoptera). Acta Biol. Parana. 2(1-4):51-102.         [ Links ]

BIEZANKO, C.M., MIELKE, O.H.H. & WEDDERHOFF, A. 1978. Contribuição ao estudo faunístico dos Riodinidae do Rio Grande do Sul, Brasil (Lepidoptera). Acta Biol. Parana. 7(1-4):7-22.         [ Links ]

BIEZANKO, C.M. & PITOÑ, J. 1941. Breves apontamentos sobre alguns lepidopteros encontrados nos arredores de Itaiópolis. Bol. Esc. Agr. Eliseu Maciel. 28:1-24.         [ Links ]

BONFANTTI, D., DI-MARE, R.A. & GIOVENARDI, R. 2009. Butterflies (Lepidoptera: Papilionoidea and Hesperioidea) from two forest fragments in northern Rio Grande do Sul, Brazil. Check List. 5(4):819-829. http://www.checklist.org.br/getpdf?SL035-09 (último acesso em 25/03/2010).         [ Links ]

BROWN Jr., K.S. 1992. Borboletas da Serra do Japi: diversidade, habitats, recursos alimentares e variação temporal. In História natural da Serra do Japi: ecologia e preservação de uma área florestal no sudeste do Brasil (L.P.C. MORELLATO, ed.). Unicamp; FAPESP, Campinas, p.142-187.         [ Links ]

BROWN Jr., K.S. & FREITAS, A.V.L. 1999. Lepidoptera. In Biodiversidade do Estado de São Paulo: síntese do conhecimento ao final do século XX (JOLY, C.A. & BICUDO C.E.M., Org). Invertebrados Terrestres (C.R.F. BRANDÃO & E.M. CANCELLO, eds.). São Paulo: FAPESP. v. 5, p.226-243.         [ Links ]

BROWN Jr., K.S. & FREITAS, A.V.L. 2000. Atlantic forest butterflies: indicators for landscape conservation. Biotropica 32(4b):934-956.         [ Links ]

BUSTOS, E.O.N. 2009. Mariposas diurnas (Lepidoptera: Papilionoidea y Hesperioidea) del Parque Nacional Iguazú, Provincia de Misiones, Argentina. Trop. Lepid. Res. 19(2):71-81.         [ Links ]

CARNEIRO, E., MIELKE, O.H.H. & CASAGRANDE, M.M. 2008a. Borboletas do sul da ilha de Santa Catarina, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil (Lepidoptera: Hesperioidea e Papilionoidea). SHILAP Revta. Lepid. 36(142):261-271.         [ Links ]

CARNEIRO, E., MIELKE, O.H.H. & CASAGRANDE, M.M. 2008b. Inventário de borboletas no Brasil: estado da arte e modelo de áreas prioritárias para pesquisa com vistas à conservação. Nat. & Conserv. 6(2): 68-90: http://internet.boticario.com.br/Internet/staticFiles/Fundacao/pdf/ARTIGOS_NC12/ 11N&C_V6_N2_SANTOS_PORT.pdf.         [ Links ]

CASAGRANDE, M.M. & MIELKE, O.H.H. 2008. Lepidoptera: Charonias theano theano (Boisduval, 1836). In Livro Vermelho da fauna ameaçada de extinção. (A.B.M. Machado, G.M. Drummond, & A.P. Paglia, orgs.). Biodiversidade 19, Brasília, v. 1, cap. 46, p.438-439.         [ Links ]

CORSEUIL, E., QUADROS, F.C., TESTON, J.A. & MOSER, A. 2004. Borboletas (Lepidoptera, Papilionoidea e Hesperioidea) ocorrentes no Centro de Pesquisas e Conservação da Natureza Pró-Mata. 4. Lycaenidae. Comun. Mus. Cienc. Tecnol. PUCRS, Sér. zool. 9: 65-70.         [ Links ]

DOLIBAINA, D.R., CARNEIRO, E., DIAS, F.M., MIELKE, O.H.H. & CASAGRANDE, M.M. 2010. Registros inéditos de borboletas (Papilionoidea e Hesperioidea) ameaçadas de extinção para o Estado do Paraná, Brasil: novos subsídios para reavaliação dos critérios de ameaça. Biota Neotrop. 10 (3): http://www.biotaneotropica.org.br/v10n3/pt/abstract?article+bn01210032010 (último acesso em 26/10/2010).         [ Links ]

EBERT, H. 1969. On the frequency of butterflies in eastern Brazil, with a list of butterfly fauna of Poços de Caldas, Minas Gerais. J. Lepid. Soc. 23 supl.3: 1-48.         [ Links ]

EMERY, E.O., BROWN Jr., K.S. & PINHEIRO, C.E.G. 2006. As borboletas (Lepidoptera, Papilionoidea) do Distrito Federal, Brasil. Rev. Bras. Ent. 50(1):85-92.         [ Links ]

GIOVENARDI, R., DI-MARE, R.A., SPONCHIADO, J., ROANI, S.H., JACOMASSA, F.A.F., JUNG, A.B. & PORN, M.A. 2008. Diversidade de Lepidoptera (Papilionoidea e Hesperioidea) em dois fragmentos de floresta no município de Frederico Westphalen, Rio Grande do Sul, Brasil. Rev. Bras. Ent. 52(4):599-605.         [ Links ]

INSTITUTO AGRONÔMICO DO PARANÁ - IAPAR. 2010. Cartas climáticas - médias históricas. http://www.iapar.br/arquivos/Image/monitoramento/Medias_Historicas/Guarapuava.htm (último acesso em 25/03/2010).         [ Links ]

ISERHARD, C.A., QUADROS, M.T., ROMANOWSKI, H.P. & MENDONÇA Jr., M.S. 2010. Borboletas (Lepidoptera: Papilionoidea e Hesperioidea) ocorrentes em diferentes ambientes na Floresta Ombrófila Mista e nos Campos de Cima da Serra do Rio Grande do Sul, Brasil. Biota Neotrop. 10(1): http://www.biotaneotropica.org.br/v10n1/pt/abstract?article+bn02910012010 (último acesso em 26/10/2010).         [ Links ]

LAMAS, G.M. (ed.) 2004. Checklist: part 4A Hesperioidea - Papilionoidea p. XXXV + 439. In Atlas of Neotropical Lepidoptera (J.B HEPPNER, ed.). Association of Tropical Lepidoptera, Gainesville, v.5A.         [ Links ]

LINK, D., BIEZANKO, C.M., TARRAGO, M.F. & CARVALHO, S. 1977. Lepidoptera de Santa Maria e arredores. I Papilionidae e Pieridae. Rev. Cent. Cienc. Rurais, Univ. Fed. Santa Maria 7(4):381-389.         [ Links ]

MAACK, R. 1968. Geografia Física do Estado do Paraná. Universidade Federal do Paraná; Instituto de Biologia e Pesquisa Tecnológica, Curitiba, p.350.         [ Links ]

MIELKE, C.G.C. 1995. Papilionoidea e Hesperioidea (Lepidoptera) de Curitiba e seus arredores, Paraná, Brasil, com notas taxonômicas sobre Hesperiidae. Rev. Bras. Zool. 11(4):759-776.         [ Links ]

MIELKE, O.H.H. 1968. Contribuição ao estudo faunístico dos "Hesperiidae" brasileiros I. Resultados de uma excursão a Foz do Iguaçu, Paraná, Brasil, com notas taxonômicas (Lepidoptera). Atas Soc. Biol. Rio J. 12(2):73-78.         [ Links ]

MIELKE, O.H.H. & CASAGRANDE, M.M. 1998. Papilionoidea e Hesperioidea (Lepidoptera) do Parque Estadual do Morro do Diabo, Teodoro Sampaio, São Paulo. Brasil. Rev. Bras. Zool. 14(4):967-1001.         [ Links ]

MIELKE, O.H.H. & CASAGRANDE, M.M. 2004. Borboletas. In Livro vermelho da fauna ameaçada no Estado do Paraná (S.B. Mikich & R.S. Bernils, orgs.). Instituto Ambiental do Paraná, Curitiba, p. 713-739        [ Links ]

MIELKE, O.H.H., EMERY, E.O. & PINHEIRO, C.E.G. 2008. As borboletas Hesperiidae (Lepidoptera, Hesperioidea) do Distrito Federal, Brasil. Rev. Bras. Ent. 52(2):283-288.         [ Links ]

PAZ, A.L.G., ROMANOWSKI, H.P. & MORAIS, A.B.B. 2008. Nymphalidae, Papilionidae e Pieridae (Lepidoptera: Papilionoidea) da Serra do Sudeste do Rio Grande do Sul, Brasil. Biota Neotrop. 8(1): http://www.biotaneotropica.org.br/v8n1/pt/abstract?inventory+bn01608012008 (último acesso em 15/02/2009).         [ Links ]

PINHEIRO, C.E.G. & EMERY, E.O. 2006. As borboletas (Lepidoptera: Papilionoidea & Hesperioidea) da Área de Proteção Ambiental do Gama e Cabeça de Veado (Distrito Federal, Brasil). Biota Neotrop. 6(3): http://www.biotaneotropica.org.br/v6n3/pt/fullpaper?bn01506032006+pt (último acesso em 20/03/2010).         [ Links ]

RIBEIRO, M.C., METZGER, J.P., MARTENSEN, A.C., PONZONI, F.J. & HIROTA, M.M. 2009. The Brazilian Atlantic Forest: how much is left, and how is the remaining forest distributed?: implications for conservation. Biol. Conserv. 142:1144-1156.         [ Links ]

SACKIS, G.D. & MORAIS, A.B.B. 2008. Borboletas (Lepidoptera: Hesperioidea e Papilionoidea) do campus da Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, Rio Grande do Sul. Biota Neotrop. 8(1): http://www.biotaneotropica.org.br/v8n1/pt/abstract?inventory+bn01908012008 (último acesso em 25/03/2010).         [ Links ]

SOCIEDADE DE PROTEÇÃO DA VIDA SELVAGEM - SPVS. 1996. Nossas árvores - manual para a recuperação da reserva florestal legal. FNMA, Curitiba.         [ Links ]

SUMMERVILLE, K. BOULWARE, M.J., VEECH, J.A. & CRIST, T.O. 2003. Spatial variation in species diversity and composition of forest Lepidoptera in Eastern Deciduous Forests of North America. Cons. Biol. 17(4):1045-1057.         [ Links ]

TESTON, J.A. & CORSEUIL, E. 1999. Borboletas (Lepidoptera, Rhopalocera) ocorrentes no Centro de Pesquisa e Conservação da Natureza Pró-Mata. 1. Papilionidae. Biociências 4(2):217-228.         [ Links ]

TESTON, J.A. & CORSEUIL, E. 2000. Borboletas (Lepidoptera, Rhopalocera) ocorrentes no Centro de Pesquisa e Conservação da Natureza Pró-Mata. 2. Pieridae. Biociências 5:143-155.         [ Links ]

TESTON, J.A. & CORSEUIL, E. 2002. Borboletas (Lepidoptera, Rhopalocera) ocorrentes no Centro de Pesquisa e Conservação da Natureza Pró-Mata. 3. Nymphalidae. Comun. Mus. Cienc. Tecnol. PUCRS 7:143-155.         [ Links ]

TYLER, H., BROWN Jr., K.S. & WILSON, K. 1994. Swallowtail butterflies of the Americas: a study in biological dynamics, ecological diversity, biosystematics, and conservation. Scientific Publishers, Gainesville, 377p.         [ Links ]

UEHARA-PRADO, M., BROWN Jr., K.S. & FREITAS, A.V.L. 2007. Species richness, composition and abundance of fruit-feeding butterflies in the Brazilian Atlantic Forest: comparison between a fragmented and a continuous landscape. Global Ecol. Biogeogr. 16:43-45.         [ Links ]

 

 

Recebido em 27/05/2010
Versão reformulada recebida em 27/10/2010
Publicado em 01/01/2011

 

 

* Autor para correspondência: Diego Rodrigo Dolibaina, e-mail: dirodrido@hotmail.com

Creative Commons License Todo el contenido de esta revista, excepto dónde está identificado, está bajo una Licencia Creative Commons