SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.11 issue3Fruit-feeding butterflies guide of subtropical Atlantic Forest and Araucaria Moist Forest in State of Rio Grande do Sul, BrazilPresent knowledge on Cladocera (Crustacea, Branchiopoda) diversity of freshwaters in Minas Gerais State author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Article

Indicators

Related links

Share


Biota Neotropica

On-line version ISSN 1676-0603

Biota Neotrop. vol.11 no.3 Campinas July/Sept. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1676-06032011000300023 

INVENTÁRIOS

 

Avifauna da Reserva Biológica Municipal Poço D'Anta, Juiz de Fora, MG

 

The avifauna of the Poço D'Anta Municipal Biological Reserve, Juiz de Fora, MG

 

 

Marco Antônio ManhãesI,*; Alan Loures-RibeiroII

IInstituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF, Campus Universitário, Bairro São Pedro, CEP 36036-900, Juiz de Fora, MG, Brasil
IIDepartamento de Sistemática e Ecologia, Centro de Ciências Exatas e da Natureza, Universidade Federal da Paraíba – UFPB, Cidade Universitária, Bairro Castelo Branco, CEP 58059-900, João Pessoa, PB, Brasil

 

 


RESUMO

A Zona da Mata Mineira está localizada no sudeste do estado de Minas Gerais, nos domínios da Mata Atlântica, e é uma região altamente fragmentada, com muitas manchas pequenas e isoladas, cuja avifauna é pouco estudada. O objetivo deste trabalho foi inventariar a avifauna da Reserva Biológica Municipal Poço D'Anta (277 ha), uma área de floresta do município de Juiz de Fora, sudeste de Minas Gerais, através da caracterização de alguns aspectos ecológicos e o status de conservação. O levantamento foi realizado entre os períodos de março a setembro de 2007, e março de 2008 a maio de 2009, utilizando a lista de Mackinnon, capturas com redes-de-neblina e observações ocasionais. Foram identificadas 156 espécies, das quais 44 (28%) são endêmicas da Mata Atlântica e seis (3,8%) estão sob algum grau de ameaça. Dentre as espécies ameaçadas, cinco são dependentes de floresta (Dysithamnus stictothorax, Drymophila ochropyga, Sporophila frontalis, Sporophila falcirostris, Cyanoloxia moesta). Em geral a comunidade é caracterizada por aves com sensibilidade média ou baixa a perturbações ambientais. Contudo foram identificadas oito (5,1%) espécies com elevada sensibilidade (Pulsatrix koeniswaldiana, Conopophaga melanops, Sclerurus scansor, Xiphorhynchus fuscus, Lepidocolaptes squamatus, Campylorhamphus falcularius, Anabazenops fuscus e Habia rubica). Além disso, algumas espécies já consideradas extintas em vários outros fragmentos do sudeste do estado estiveram presentes na área. Houve predomínio de espécies insetívoras (39,4%; n = 61) e onívoras (31,6%; n = 49). Como área legalmente protegida e pela sua extensão, considerando as características regionais, a Reserva Biológica Municipal Poço D'Anta tem um papel importante em abrigar populações de aves que vem enfrentando persistentes efeitos antropogênicos na região. A avifauna local está sujeita a impactos tais como atropelamentos, invasões de espécies exóticas e a caça, embora já existam propostas de medidas mitigadoras no plano de manejo da área. Ressalta-se o caráter de urgência em relação à implantação destas medidas a fim de minimizar os impactos sofridos pela avifauna.

Palavras-chave: comunidade de aves, inventário, Mata Atlântica, sudeste do Brasil.


ABSTRACT

The Zona da Mata Mineira is located in the southeastern state of Minas Gerais, Brazil, in the Atlantic Forest domain, and it is a highly fragmented region, with many small and isolated patches, whose avifauna is poorly studied. The objective of this work was to survey the avifauna of the Poço D'Anta Municipal Biological Reserve (277 ha), a forest patch at Juiz de Fora county, southeastern Minas Gerais, determining its ecological traits and conservation status. The survey was conducted between March-September 2007 and March 2008-May 2009 using Mackinnon lists, mist-net captures and occasional observations. We identified 156 species, of which 44 (28%) are endemic to the Atlantic Forest and six (3.8%) are of conservation concern. Among the threatened species, five are forest dependent (Dysithamnus stictothorax, Drymophila ochropyga, Sporophila frontalis, Sporophila falcirostris, Cyanoloxia moesta). In general the community is characterized by birds with medium to low sensitivity to environmental perturbations. However, eight (5.1%) species with high sensitivity (Pulsatrix koeniswaldiana, Conopophaga melanops, Sclerurus scansor, Xiphorhynchus fuscus, Lepidocolaptes squamatus, Campylorhamphus falcularius, Anabazenops fuscus and Habia rubica) were identified. Moreover, some species once considered extinct in several other fragments in southeastern Minas Gerais were still present in the area. Insectivorous (39.4%, n = 61) and omnivorous (31.6%, n = 49) species were predominant. As a legally protected area and due to its extension, considering the regional characteristics, the Poço D'Anta Municipal Biological Reserve has an important role in harboring populations of birds that has facing persistence anthropogenic effects in the region. The local avifauna is subject to impacts such as running overs, invasions of exotic species and hunting, although there are proposals of mitigation measures in the management plan of the area. It is emphasized the character of urgency regarding the implementation of these measures in order to minimize the impacts suffered by birds.

Keywords: bird community, avian inventory, Atlantic Forest, southeastern Brazil.


 

 

Introdução

De acordo com o Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (2010), são conhecidas pelo menos 1800 espécies de aves para o Brasil. Grande parte desta riqueza pode ser explicada pela variedade de biomas do território brasileiro. Para a Mata Atlântica são listadas pelo menos 682 espécies de aves (Stotz et al. 1996), sendo 208 espécies endêmicas (Brooks et al. 1999). A última revisão da lista de espécies ameaçadas do Brasil indica que 98 dos 160 táxons de aves ocorrem principalmente na Mata Atlântica (Machado et al. 2008). Em Minas Gerais ocorrem cerca de 764 espécies de aves, sendo 121 ameaçadas e 70 deficientes em dados (Fundação Biodiversitas 2007), onde muitas estão associadas ao bioma. A Mata Atlântica é considerada um hotspot, definição dada às áreas com elevada riqueza e endemismo, ambos associados às altas taxas de destruição de sua cobertura vegetal original (Mittermeier et al. 2005). Atualmente, restam apenas 11,3% do bioma, sendo 80% dos fragmentos menores que 50 ha (Ribeiro et al. 2009).

Os efeitos desta destruição são muitas vezes irreversíveis, afetando a sobrevivência dos organismos (Fagan et al. 2001) e o funcionamento dos ecossistemas (Hooper et al. 2005). Embora as aves sejam organismos altamente móveis, o grupo não se encontra livre de tal devastação, já que muitas espécies são especialistas de habitat e incapazes de se dispersar por áreas abertas (Lees & Peres 2008). Assim, o efeito da perda de habitat eleva a probabilidade de extinção das espécies, ocasionando uma drástica redução da diversidade avifaunística. De acordo com Pimm (2000), o número de espécies extintas na América do Sul ainda é baixo porque não demandou tempo suficiente para que várias delas desapareçam.

Na Zona da Mata Mineira, região sob o domínio da Mata Atlântica, localizada no sudeste de Minas Gerais, são poucos os estudos da avifauna (Ribon et al. 2003, 2004, Manhães & Loures-Ribeiro 2005, Pacheco et al. 2008). O estudo de Ribon et al. (2003) na região de Viçosa (MG), avaliou o estado de conservação da avifauna em 43 fragmentos florestais, podendo ser considerado o de maior abrangência regional. Contudo, esses trabalhos representam apenas uma pequena fração dos esforços que deveriam ser conduzidos para sanar o restrito conhecimento da estrutura, composição e status de conservação da avifauna dessa região.

Na cidade de Juiz de Fora (MG), alguns remanescentes de Mata Atlântica em estágios secundários de regeneração são protegidos legalmente sob a forma de unidades de conservação, dentre os quais se destaca a Reserva Biológica Municipal Poço D'Anta. Há apenas duas publicações sobre a avifauna da área (Rapôso-Filho et al. 1979, Borges & Rapôso-Filho 1989) que, embora constituam as únicas iniciativas de estudos ornitológicos no local, são de abrangência restrita tanto em número de espécies, como em termos de acesso a consulta. Apesar disso, a região de Juiz de Fora é considerada como de extrema importância biológica para conservação das aves devido à elevada riqueza de espécies endêmicas, ameaçadas ou raras, de acordo com a Fundação Biodiversitas (2005).

Diante do restrito cenário de informações, tanto para o município de Juiz de Fora, quanto para o sudeste do estado de Minas Gerais o objetivo deste trabalho foi realizar o inventário da avifauna da Reserva Biológica Municipal Poço D'Anta, oferecendo ainda informações sobre a estrutura da avifauna.

 

Material e Métodos

1. Área de estudo

O município de Juiz de Fora está localizado na Zona da Mata Mineira, sudeste do estado de Minas Gerais, entre as coordenadas 21º 43' 28" S e 43º16' 47" O; 21º 45' 49" S e 43º 19' 11" O (Barros 2008), com altitudes entre 800 e 950 m. A Reserva Biológica Municipal Poço D'Anta (ReBioPD) é uma floresta estacional semidecidual urbana com 277 ha, criada pelo decreto municipal nº 2794/82 (Universidade Federal de Juiz de Fora, 2008). O clima do município é subtropical úmido com invernos secos e verões chuvosos e pluviosidade média anual de 1536 mm (Granzinolli & Motta-Júnior 2006). A ReBioPD possui dois lagos artificiais utilizados pela Companhia de Saneamento Municipal (CESAMA) para captação de água e são os dois principais corpos d'água da Reserva. Dentre a flora arbórea se destacam Virola bicuhyba (Myristicaceae), Ocotea diospyrifolia (Lauraceae) e Brosimum guianense (Monimiaceae), Anadenanthera colubrina (Fabaceae) e Apuleia leiocarpa (Fabaceae) e as famílias Lauraceae, Myrsinaceae, Fabaceae, Euphorbiaceae e Moraceae.

2. Registro das espécies

O inventário da avifauna foi realizado em 19 dias entre os períodos de março a setembro de 2007, referente à época do levantamento para o Plano de Manejo da Reserva (Universidade Federal de Juiz de Fora 2008), e março de 2008 a maio de 2009. Utilizamos como metodologia as listas de Mackinnon (Bibby 2004), que consistiu em registrar todas as aves vistas e/ou ouvidas ao longo de trilhas pré-existentes percorridas de forma aleatória. Para tal, foram estabelecidas listas com número fixo de espécies não repetidas. A partir da experiência prévia de campo obtida durante o Plano de Manejo desenvolvido para a ReBioPD em 2007, listas de 10 espécies foram adotadas como amostragem padrão porque este número permitiu acumular mais unidades amostrais (listas) na área. As amostragens ocorreram em horários variáveis entre 6:00 e 10:30 horas da manhã. Não obstante, foram realizadas algumas observações crepusculares e noturnas em visitas esporádicas, objetivando principalmente identificar espécies cujas atividades ocorrem durante este período.

A lista final contou com 306,5 horas de capturas com redes-de-neblina (tamanho 3 x 12 m, malha de 38 mm) realizadas em 9 dias ao longo do mesmo período das listas de Mackinnon, espécies registradas fora do período de amostragem, aves observadas em anos anteriores e comunicações pessoais (Eduardo P. Brettas). As aves capturadas foram anilhadas com anilhas metálicas numeradas cedidas pelo Centro Nacional de Pesquisa para Conservação das Aves Silvestres (CEMAVE/ICMBIO) e soltas próximas aos locais das respectivas capturas.

Dados da autoecologia das aves foram obtidos de Willis (1979), Ribon et al. (2003), Develey & Endrigo (2004) e Manhães et al. (2010) para as categorias tróficas. Silva (1995) foi utilizado para o estabelecimento do grau de dependência de ambientes florestais. O grau de sensibilidade das espécies seguiu Stotz et al. (1996) e as espécies endêmicas foram listadas de acordo com Brooks et al. (1999). Em alguns casos, as classificações basearam-se em observações e conhecimento prévio da espécie. A ordem sistemática e a nomenclatura utilizada na listagem das aves seguem o Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (2010). Para avaliar o resultado do esforço amostral, foram construídas curvas de acumulação de espécies e estimativa de riqueza aplicando-se, respectivamente, os métodos de Mao Tau e Chao 2 com 1000 aleatorizações e auxílio do software EstimateS 8.2 (Colwell 2009). O método de Mao Tau oferece curva de acumulação do número de espécies observadas (Colwell 2009), ao passo que o método de Chao 2 estima a riqueza com base na incidência das espécies em unidades amostrais (Magurran 2004), no caso as listas de MacKinnon.

 

Resultados e Discussão

Foram geradas 140 listas de Mackinnon, totalizando 123 espécies registradas. Somado aos outros tipos de registros foi obtido um total de 156 espécies distribuídas em 38 famílias e 17 ordens (Tabela 1, Apêndice I). Os Passeriformes foram a Ordem dominante, representando 52,6% das famílias (n = 20) e 65,0% das espécies (n = 102). As famílias mais representativas foram Tyrannidae, com 28 espécies (17,9% do total), Thraupidae, com 14 (9,0%), Picidae e Thamnophilidae, com 8 espécies cada (5,1%). Uma espécie, Pyrrhocoma ruficeps (Thraupidae) ainda necessita de mais esforços no sentido de confirmar sua ocorrência atual (Tabela 1), embora haja um espécime de P. ruficeps depositado no Departamento de Zoologia da Universidade Federal de Juiz de Fora coletado em 26 de agosto de 1978 pelo Prof. José Roque Raposo-Filho na ReBioPD (nº de coletor 167, nº de tombo 174). A curva de acúmulo de espécies indica tendência a assíntota (Figura 1). A diferença para a curva de estimativa de riqueza deve ter sido compensada, ao menos parcialmente, pelo acúmulo de espécies com base nos outros tipos de registros.

 

 

Sporophila frontalis e Sporophila falcirostris (Emberizidae) foram as únicas espécies incluídas na Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (Machado et al. 2008) e são consideradas pela IUCN (International... 2010) também como vulneráveis. Contudo, torna-se importante destacar que, Primolius maracana (Psittacidae), Dysithamnus stictothorax, Drymophila ochropyga (Thamnophilidae), e Cyanoloxia moesta (Cardinalidae) constam na lista da IUCN na categoria Quase Ameaçada (Tabela 1).

As populações de S. frontalis e S. falcirostris têm declinado principalmente devido aos processos de fragmentação da Mata Atlântica e o comércio ilegal de espécimes retirados da natureza (Machado et al 2008). Estas espécies dependem de locais disponíveis para a nidificação, principalmente de moitas de bambu em floração utilizadas como recurso alimentar, já que se tratam de espécies nômades (Sick 1997, International... 2010). Em relação às espécies Quase Ameaçadas, o principal complicador é a perda de habitat causada por ações antrópicas tais como urbanização, expansão de áreas agrícolas e pastagens, construção de estradas e mineração. Primolius maracana é outra espécie capturada para o comércio ilegal (International... 2010). Entre as espécies registradas, 44 (28,2%) são endêmicas de Mata Atlântica. No contexto regional, a ReBioPD destaca-se por sua importância, já que abriga espécies extintas ou ameaçadas em algumas localidades da Zona da Mata mineira (Ribon et al. 2003) (Tabela 2).

 

 

Poucas espécies cinegéticas ocorrem na área, citando-se Crypturellus obsoletus, Crypturellus tataupa (Tinamidae) e Penelope obscura (Cracidae). Embora a prática da caça na ReBioPD não seja mais tão intensa quanto no passado, aves como C. obsoletus e que se deslocam pelo chão como Aramides saracura (Rallidae) podem também sofrer impactos ocasionados por atropelamentos na via que margeia boa parte da área. Além disso, cães domésticos foram registrados regularmente no interior da mata (Universidade Federal de Juiz de Fora 2008) e podem predar essas e outras espécies de aves, já que cães ferais domésticos são importantes predadores da fauna nativa em áreas protegidas em todo o mundo (Galetti & Sazima 2006). Apenas sete espécies de hábitos noturnos/crepusculares foram identificadas: duas da família Caprimulgidae (bacuraus) e cinco da família Strigidae (corujas e caburés) (Tabela 1).

Entre as 14 espécies mais comuns, caracterizadas com 30 ou mais registros nas listas, 13 são dependentes de ambientes florestais como, por exemplo, Lathrotriccus euleri (Tyrannidae), Chiroxiphia caudata (Pipridae), Sittasomus griseicapillus (Dendrocolaptidae) e Basileuterus culicivorus (Parulidae) (Tabela 1). A espécie com maior número de registros (n = 63) foi Tolmomyias sulphurescens (Tyrannidae), passeriforme insetívoro que habita o interior de matas altas ocupando estratos vegetacionais que vão desde a copa até os mais baixos (Sick 1997). Esta ave é dependente de ambientes florestais e possui sensibilidade média a perturbações ambientais.

Entre as 14 espécies mais comuns, apenas uma, Anabazenops fuscus (Furnariidae), tem alta sensibilidade a perturbações ambientais. Contudo, para Myrmeciza loricata (Thamnophilidae) a sua classificação "média sensibilidade" (Stotz et al. 2006) deve ser vista com cautela. Dados de outras localidades indicam a ausência da espécie de fragmentos florestais do município (Manhães obs. pess.) e da região (Ribon et al. 2004) menores que o da ReBioPD e, portanto, sua sensibilidade pode estar subestimada. Ribon et al. (2003) também classificam M. loricata como criticamente ameaçada em um minucioso estudo sobre a avifauna da região de Viçosa, na Zona da Mata Mineira, onde a espécie foi observada em apenas um dos 43 fragmentos florestais estudados não maiores do que 384 ha. Em áreas montanhosas do Rio de Janeiro, Piratelli et al. (2008) registraram a espécie somente em um fragmento de 440 ha.

Uma área de mata de 370 ha, pertencente a uma propriedade particular conhecida como Fazenda Floresta encontra-se praticamente interligada à ReBioPD por um trecho em regeneração. Parece plausível que as aves associadas a ambientes florestais sejam relictos populacionais com capacidade de persistir na localidade por longo tempo, sendo este um aspecto importante na paisagem altamente fragmentada da região. Além disso, o complexo Poço D'Anta/Fazenda Floresta, se considerado como uma apenas uma área, é o maior trecho contínuo de floresta da região, caracterizando-se como área fonte de fluxos populacionais, cabendo futuras investigações sobre tais processos.

Foram obtidas 221 capturas de 220 indivíduos pertencentes a 38 espécies, com apenas uma recaptura. Haplospiza unicolor (Emberizidae) foi a espécie mais comum e correspondeu a 18% das capturas (n = 40), embora em apenas um único dia tenham sido capturados 30 indivíduos, com taxas de captura bem menores em outros dias. Entre aquelas dependentes de áreas de floresta merecem destaque Saltator similis (Thraupidae) e Manacus manacus (Pipridae) que só foram registradas por meio de duas capturas cada. Saltator similis é muito capturada para engaiolamento como ave canora e sua população, assim como a de M. manacus, parece ser baixa no local, já que foi registrada somente pelas capturas com redes.

É importante notar a presença de algumas aves com requisitos ecológicos mais específicos como, por exemplo, os arapaçus (Dendrocolaptidae), comumente observadas no local. Os arapaçus forrageiam em troncos de árvores e necessitam de cavidades naturais encontradas em árvores velhas para nidificar e dormir (Sick, 1997). Concomitantemente, pica-paus (família Picidae) também foram frequentemente observados e apresentam comportamentos e requerimentos ecológicos semelhantes aos dos arapaçus (Soares & Anjos 1999). Dependendo do tamanho do fragmento florestal e da posição da espécie em relação à sua área de distribuição geográfica (Anjos et al. 2009b), alguns arapaçus podem ser mais sensíveis aos processos de degradação ambiental (Polleto et al. 2004, Galina & Gimenes 2006). Possivelmente tal sensibilidade deriva do grau de especialização alimentar (insetívoros especializados de troncos) associado à necessidade de grandes territórios (Silva 1992). Assim sugere-se que a ReBioPD ainda seja capaz de ofertar recursos básicos à manutenção das populações destas aves. Entretanto, o registro de um número maior de espécies de pica-paus talvez seja reflexo do grau de dependência de ambientes florestais, que foi menor quando comparado com o dos arapaçus (Tabela 1). Se considerarmos que pelo menos X. fuscus tenha habilidade limitada de se movimentar entre fragmentos (Boscolo et al. 2008), tornam-se fundamentais iniciativas de pesquisa que visem estudar os efeitos do isolamento destas espécies, avaliando o grau de permeabilidade da matriz e a contribuição das populações presentes em áreas adjacentes.

De modo geral, a caracterização ecológica da avifauna local indica uma dominância de aves dependentes e semidependentes de ambientes florestais. É relativamente baixo o número observado de espécies totalmente independentes de cobertura florestal (Tabela 3). A ReBioPD está inserida em uma matriz urbana composta por pastagens e remanescentes de floresta circundantes. Assim, era de se esperar o baixo número de espécies exclusivas de áreas abertas em função do tipo de ambiente, embora estejam presentes espécies adaptadas a ambientes abertos como clareiras, capoeiras e pastagens. Também ocorreram na área espécies que se ajustam bem às duas condições, tais como Turdus rufiventris (Turdidae) e Troglodytes musculus (Troglodytidae).

 

 

Embora pouco mais da metade das espécies possua sensibilidade média ou alta aos efeitos de perturbações ambientais (Tabela 3), apenas oito possuem alto grau de sensibilidade (Pulsatrix koeniswaldiana [Strigidae], Conopophaga melanops [Conopophagidae], Sclerurus scansor [Scleruridae], X. fuscus, Lepidocolaptes squamatus, Campylorhamphus falcularius [Dendrocolaptidae], Anabazenops fuscus [Furnariidae] e Habia rubica [Cardinalidae]). Outras 78 apresentam sensibilidade média, sugerindo que o estágio sucessional intermediário da área tornou-a mais propensa à ocorrência de espécies com grau de tolerância médio à degradação ambiental. Assim, espécies que apresentam alta sensibilidade a distúrbios ambientais são boas indicadoras do estado de conservação de uma área (Anjos et al. 2009a). No nosso caso, apenas 5,2% de todas as espécies observadas pertencem a esta categoria. Por outro lado, cerca de 45% das espécies possuem baixa sensibilidade, isto é, são capazes de resistir às alterações ambientais, tais como a perda, o isolamento e a degradação da floresta (Tabela 3). Não obstante, ressalta-se o caráter de importância da área na manutenção de espécies exclusivamente florestais.

As espécies registradas na área foram enquadradas em sete categorias tróficas (Tabela 3). Na ReBioPD há um amplo predomínio de espécies insetívoras (39,4%; n = 61) e onívoras (31,6%; n = 49) (Tabela 3). Apesar do grande número de insetívoros pouco especializados, algumas espécies desta guilda com sensibilidade média podem ser mais sensíveis ao isolamento dos fragmentos. Segundo Aleixo & Vielliard (1995), espécies típicas de sub-bosque como Dysithamnus mentalis (Thamnophilidae) e Platyrinchus mystaceus (Tyrannidae) estão extintas na mata de Santa Genebra, um fragmento de mata urbano, devido à falta de conectividade ou proximidade com outros fragmentos. Estas espécies foram encontradas na ReBioPD e, apesar de serem dependentes de ambientes florestais e apresentarem sensibilidade média, são comuns em fragmentos onde é possível o intercâmbio com outras áreas de floresta (Ribon et al. 2003). É provável que este fato também possa explicar a ausência de espécies como Hemitriccus diops (Tyrannidae) em fragmentos da região de Viçosa (Ribon et al. 2003), presente em nossa área de estudo. Assim, o monitoramento periódico da área torna-se necessário para avaliar o grau de persistência destas espécies.

Fragmentos pequenos tendem a comportar menos espécies de frugívoros do que aqueles com áreas maiores (Bierregaard & Lovejoy 1989, Willis 1979). Porém, mesmo na Serra do Japi, que possui uma área muito extensa, Silva (1992) observou que há baixa representatividade ou mesmo a ausência de algumas famílias de aves frugívoras como Psittacidae, Ramphastidae, Cotingidae e Thraupidae. O autor sugeriu que aquela área possivelmente não possui diversidade de árvores, limitando os recursos adequados à manutenção de populações viáveis. Algumas destas famílias, especialmente Ramphastidae e Psittacidae, também estiveram mal representadas na ReBioPD. Grandes frugívoros pertencentes a estas famílias, como tucanos e psitacídeos, são algumas das espécies mais afetadas pela redução das áreas de florestas, levando ao declínio populações de espécies vegetais que possuem grandes sementes, preferencialmente dispersas por estas aves (Howe 1984). Embora estas aves possam também consumir frutos pequenos, a presença de árvores com grandes frutos pode favorecer a colonização por aves de maior porte pela redução da competição, já que aves pequenas têm mais dificuldade de consumir os frutos maiores (Moermond & Denslow 1985). Entre os Thraupidae, praticamente todos os representantes na ReBioPD são onívoros. Embora as explicações propostas por esses autores possam ser válidas para a área, há a necessidade de pesquisas que visem elucidar as relações entre a disponibilidade de frutos para os consumidores.

Por fim, destacamos o potencial da ReBioPD em abrigar populações de aves que vêm enfrentando dificuldades de persistência no sudeste de Minas Gerais (Ribon et al. 2003). A avifauna local está sujeita a vários impactos, tais como atropelamentos, invasões de espécies exóticas e a caça, embora já tenham sido delineadas medidas mitigadoras no plano de manejo da área. Ressalta-se o caráter de urgência em relação à implantação destas medidas a fim de minimizar os impactos sofridos pela avifauna. Desta forma, extinções em um futuro próximo terão menores chances de ocorrer.

 

Agradecimentos

Agradecemos à Prefeitura de Juiz de Fora, pela permissão de acesso à unidade de conservação, aos servidores vinculados à Reserva, em especial ao incansável Sebastiãozinho e ao CEMAVE/ICMBIO pela concessão de licença de captura e cessão das anillhas (Marco Antônio Manhães possui número de registro CEMAVE/ICMBIO nº 338920 e Alan Loures-Ribeiro possui registro nº 361679).

 

Referências Bibliográficas

ALEIXO, A. & VIELLIARD, J.M.E. 1995. Composição e dinâmica da avifauna da mata de Santa Genebra, Campinas, São Paulo, Brasil. Rev. Bras. Zool. 12(3):493-511.         [ Links ]

ANJOS, L, BOCHLO, G.M., CAMPOS, J.V., McCRATE, G.B. & PALOMINO, F. 2009a. Sobre o uso de níveis de sensibilidade de aves à fragmentação florestal na avaliação da Integridade Biótica: um estudo de caso no norte do Estado do Paraná, sul do Brasil. Rev. Bras. Ornitol. 17(1):28-36.         [ Links ]

ANJOS, L, HOLT, R.D. & ROBINSON, S. 2009b. Position in the distributional range and sensitivity to forest fragmentation in birds: a case history from the Atlantic forest, Brazil. Bird Conserv. Int. 20(1):1-8         [ Links ]

BARROS, R.S.M. 2008. Levantamento e estimativas populacionais de mamíferos de médio e grande porte num fragmento de Mata Atlântica em área urbana no sudeste do Brasil. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora.         [ Links ]

BIBBY, C.J. 2004. Bird diversity survey methods. In Bird Ecology and Conservation: A handbook of techniques (W.J. Sutherland, I. Newton & R.E. Grenn, orgs). Oxford University Press, Oxford, p.1-15.         [ Links ]

BIERREGAARD, R.O. & LOVEJOY, T.E. 1989. Effects of forest fragmentation on Amazonian forest understory bird communities. Acta Amaz. 19:215-241.         [ Links ]

BORGES, S.H. & RAPÔSO-FILHO, J.R. 1989. Ornitologia do Poço D'Anta - Levantamento II. Bol. Inst. Ciênc. Biol. Geociênc. 42:45-59.         [ Links ]

BOSCOLO, D., CANDIA-GALLARDO, C., AWADE, M. & METZGER, J.P. 2008. Importance of interhabitat gaps and stepping-stones for Lesser Woodcreepers (Xiphorhynchus fuscus) in the Atlantic Forest, Brazil. Biotropica 40(3):273-276. http://dx.doi.org/10.1111/j.1744-7429.2008.00409.x        [ Links ]

BROOKS, T., TOBIAS, J. & BALMFORD, A 1999. Deforestation and bird extinctions in the Atlantic forest. Anim. Conserv. 2(3):211-222.         [ Links ]

COLWELL, R.K. 2009. EstimateS:Statistical estimation of species richness and shared species from samples. Versão 8.2. http://viceroy.eeb.uconn.edu/EstimateS (último acesso em 07/09/2010).         [ Links ]

COMITÊ BRASILEIRO DE REGISTROS ORNITOLÓGICOS - CBRO. 2010. Listas das aves do Brasil. 9nd ed. CBRO. http://www.cbro.org.br (último acesso em 05/11/2010).         [ Links ]

DEVELEY, P. F. & ENDRIGO, E. 2004. Aves da Grande São Paulo: Guia de Campo. Aves e Fotos Editora, São Paulo.         [ Links ]

FAGAN, W.F., MEIR, E., PRENDERGAST, J., FOLARIN, A. & KARIEVA, P. 2001. Characterizing population vulnerability for 758 species. Ecol. Lett. 4(2):132-138. http://dx.doi.org/10.1046/j.1461-0248.2001.00206.x        [ Links ]

FUNDAÇÃO BIODIVERSITAS. 2005. Biodiversidade em Minas Gerais: um atlas para sua conservação. Fundação Biodiversitas, Belo Horizonte.         [ Links ]

FUNDAÇÃO BIODIVERSITAS. 2007. Revisão das listas das espécies da flora e da fauna ameaçadas de extinção do estado de Minas Gerais. Fundação Biodiversitas, Belo Horizonte, v. 3. Relatório Final.         [ Links ]

GALINA, A.B. & GIMENES, M.R. 2006. Riqueza, composição e distribuição espacial da comunidade de aves em um fragmento florestal urbano em Maringá, Norte do Estado do Paraná, Brasil. Acta sci., Biol. sci. 28(4):379-388.         [ Links ]

GALETTI, M. & SAZIMA, I. 2006. Impacto de cães ferais em um fragmento urbano de Floresta Atlântica no sudeste do Brasil. Nat. & Cons. 4(1):58-63.         [ Links ]

GRANZINOLLI, M.A. & MOTTA-JÚNIOR, J.C. 2006. Small mammal selection by the White-tailed Hawk in southeastern Brazil. Wilson J. Ornithol. 118(1):91-98. http://dx.doi.org/10.1676/1559-4491(2006)118[0091:SMSBTW]2.0.CO;2        [ Links ]

HOOPER D.U., CHAPIN III, F.S., EWEL, J.J., HECTOR, A., INCHAUSTI. P., LAVOREL, S., LAWTON, J.H., LODGE, D.M., LOREAU. M., NAEEM, S., SCHMID, B., SETÄLÄ, H., SYMSTAD, A.J, VANDERMEER, J. & WARDLE, D.A. 2005. Effects of biodiversity on ecosystem functioning: a consensus of current knowledge. Ecol. Monogr. 75(1):3-35. http://dx.doi.org/10.1890/04-0922        [ Links ]

HOWE, H.F. 1984. Implications of seed dispersal by animals for tropical reserve management. Biol. Conserv. 30(3):261-281. http://dx.doi.org/10.1016/0006-3207(84)90087-9        [ Links ]

INTERNATIONAL UNION FOR CONSERVATION OF NATURE AND NATURAL RESOURCES - IUCN. 2010. Red List of Threatened Species. http://www.iucnredlist.org/ (último acesso em 31/08/2010).         [ Links ]

LEES, A.C. & PERES, C.A. 2008. Avian life-history determinants of local extinction risk in a hyper-fragmented neotropical forest landscape. Anim. Conserv. 11(2):128-137. http://dx.doi.org/10.1111/j.1469-1795.2008.00162.x        [ Links ]

MACHADO, A.B.M, DRUMMOND, G.M. & PAGLIA A.P. 2008. Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção, vol. II. Ministério do Meio Ambiente, Brasília.         [ Links ]

MAGURRAN, A. E. 2004. Measuring biological diversity. Blackwell Publishing, Oxford.         [ Links ]

MANHÃES M.A. & LOURES-RIBEIRO, A. 2005. Spatial distribution and diversity of bird community in an urban area of southeast Brazil. Braz. Arch. Biol. Techn. 48(2):285-294.         [ Links ]

MANHÃES, M.A, LOURES-RIBEIRO, A. & DIAS, M.M. 2010. Diet of understorey birds in two Atlantic Forest areas of southeast Brazil. J. Nat. Hist. 44(5-8):469-489.         [ Links ]

MITTERMEIER, R.A., GIL, P.R., HOFFMANN, M., PILGRIM, J., BROOKS, T. MITTERMEIER, C.G., LAMOUREUX, J. & FONSECA, G.A.B. 2005. Hotspots revisited - Earth's biologically richest and most endangered terrestrial ecoregions. University of Chicago Press, Chicago.         [ Links ]

MOERMOND, T.C. & DENSLOW, J.S. 1985. Neotropical avian frugivores:patterns of behavior, morphology, and nutrition, with consequences for fruit selection. Ornithol. Monogr. 36:865-897         [ Links ]

PACHECO, J.F., PARRINI, R., LOPES, L.E. & VASCONCELOS, M.F. 2008. A avifauna do Parque Estadual do Ibitipoca e áreas adjacentes, Minas Gerais, Brasil, com revisão crítica dos registros prévios e comentários sobre biogeografia e conservação. Cotinga 30:16-32         [ Links ]

PIMM, S.L. 2000. Will the Americas lose bird species. If so, where and when? In A Ornitologia no Brasil: pesquisa atual e perspectivas (M.A.S. Alves, J.M.C. Silva, M.V. Sluys, H.G. Bergallo & C.F.D. Rocha, orgs.). EdUERJ, Rio de Janeiro, p.25-39.         [ Links ]

PIRATELLI, A.J., SOUZA, S.D., CORRÊA, J.S., ANDRADE, V.A., RIBEIRO, R.Y. AVELAR, L.H. & OLIVEIRA, E.F. 2008. Searching for bioindicators of forest fragmentation: passerine birds in the Atlantic forest of southeastern Brazil. Braz. J. Biol. 68(2):259-268.         [ Links ]

POLLETO, F., ANJOS, L., LOPES, E.V, VOLPATO, G.H, SERAFINI, P.P. & FAVARO, F.L. 2004. Caracterização do microhabitat e vulnerabilidade de cinco espécies de arapaçus (Aves: Dendrocolaptidae) em um fragmento florestal do norte do estado do Paraná, sul do Brasil. Ararajuba 12(2):89-96.         [ Links ]

RAPÔSO-FILHO, J.R., ARLÊO, N.L. & ARAÚJO, F.C. 1979. Ornitologia do Poço D'Anta, município de Juiz de Fora, Minas Gerais - I. Bol. Inst. Ciênc. Biol. Geoci. 25.         [ Links ]

RIBEIRO, M.C, METZGER, J.P, MARTENSEN, A.C, PONZONI, F.J. & HIROTA, M.M. 2009. The Brazilian Atlantic forest: How much is left, and how is the remaining forest disturbed? Implications for conservation. Biol. Conserv. 142(6):1141-1153. http://dx.doi.org/10.1016/j.biocon.2009.02.021        [ Links ]

RIBON, R., LAMAS, I.R. & GOMES, H.B. 2004. Avifauna da Zona da Mata de Minas Gerais: municípios de Goianá e Rio Novo, com alguns registros para Coronel Pacheco e Juiz de Fora. Rev. Arvore 28(2):291-305. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-67622004000200016        [ Links ]

RIBON, R., SIMON, G.E. & MATTOS, G.T. 2003. Bird extinctions in Atlantic forest fragments of the Viçosa region, southeastern Brasil. Conserv. Biol. 17(6):1827-1839. http://dx.doi.org/10.1111/j.1523-1739.2003.00377.x        [ Links ]

SICK, H. 1997. Ornitologia brasileira. Nova Fronteira, Rio de Janeiro.         [ Links ]

SILVA, J.M.C. 1995. Birds of the cerrado region. Steenstrupia 21(1):69-92.         [ Links ]

SILVA, W.R. 1992. As aves da Serra do Japi. In História Natural da Serra do Japi: ecologia e preservação de uma área florestal no Sudeste do Brasil (L.P.C. Morellato, org.). Editora da Unicamp, Campinas, p.238-263.         [ Links ]

SOARES, E.S. & ANJOS, L. 1999. Efeito da fragmentação florestal sobre aves escaladoras de tronco e galho na região de Londrina, norte do estado do Paraná, Brasil. Ornitol. Neot. 10:61-68.         [ Links ]

STOTZ, D.F., FITZPATRICK, J.W., PARKER, T.A. & MOSKOVITZ, D.K. 1996. Neotropical birds: ecology and conservation. University of Chicago Press, Chicago.         [ Links ]

UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA - UFJF. 2008. Plano de Manejo da Reserva Biológica Municipal Poço D'Anta. Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora.         [ Links ]

WILLIS, E. O. 1979. The composition of avian communities in remanescent woodlots in southern Brazil. Pap. avulsos zool. 33(1):1-25.         [ Links ]

 

 

Recebido em 08/12/2010
Versão reformulada recebida em 06/05/2011
Publicado em 27/07/2011

 

 

* Autor para correspondência: Marco Antônio Manhães, e-mail: marcomanhaes1@yahoo.com.br