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Biota Neotropica

On-line version ISSN 1676-0611

Biota Neotrop. vol.11 no.4 Campinas Oct./Dec. 2011

https://doi.org/10.1590/S1676-06032011000400018 

INVENTÁRIOS

 

Flora vascular do Parque Estadual Carlos Botelho, São Paulo, Brasil

 

Vascular flora of the Carlos Botelho State Park, São Paulo, Brazil

 

 

Renato Augusto Ferreira de LimaI,*; Vinícius Antonio de Oliveira DittrichII; Vinícius Castro de SouzaIII; Alexandre SalinoIV; Tiago Böer BreierV; Osny Tadeu de AguiarVI

IPrograma de Pós-graduação em Ecologia, Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo – USP, Rua do Matão, travessa 14, 321, CEP 05508-090, São Paulo, SP, Brasil
IIDepartamento de Botânica, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF, Rua José Lourenço Kelmer, s/n, Campus Universitário, CEP 36036-900, Juiz de Fora, MG, Brasil
III
Departamento de Ciências Biológicas, Escola Superior de Agricultura 'Luiz de Queiroz', Universidade de São Paulo – ESALQ-USP, Av. Pádua Dias, 11, CEP 13418-900, Piracicaba, SP, Brasil
IV
Departamento de Botânica, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Av. Antônio Carlos, 6627, CEP 31270-901, Belo Horizonte, MG, Brasil
V
Departamento de Silvicultura, Instituto de Florestas, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ, Rod. BR 465, Km 07, CEP 23890-000, Seropédica, RJ, Brasil
VI
Divisão de Dasonomia, Instituto Florestal - IF, Secretaria do Meio Ambiente, Rua do Horto, 931, CEP 02377-000, São Paulo, SP, Brasil

 

 


RESUMO

Localizado na Serra de Paranapiacaba, sul do Estado de São Paulo, o Parque Estadual Carlos Botelho (PECB) abriga mais de 37.000 ha de Floresta Atlântica em um dos remanescentes mais importantes e extensos deste Bioma no Brasil. No Parque, predomina a Floresta Ombrófila Densa Montana e Submontana. Com o objetivo de organizar as informações florísticas disponíveis e direcionar futuros levantamentos, este estudo apresenta a lista de espécies vasculares nativas das florestas do PECB. Além de coletas pessoais dos autores, foram compilados mais de 3.900 registros citados desde 1967. Provindos de diferentes fontes de informação, estes registros foram checados para verificar a presença de sinonímias botânicas e novas combinações. Foi listado um total de 1.143 espécies vasculares pertencentes a 140 famílias e 528 gêneros (outras 63 espécies não foram incluídas por serem exóticas ou de ocorrência/identificação duvidosa). Houve grande riqueza de Myrtaceae, Orchidaceae, Fabaceae, Asteraceae, Melastomataceae, Lauraceae, Rubiaceae e Bromeliaceae. Apesar da alta riqueza de espécies, a riqueza de ervas, epífitos e lianas está certamente subestimada no Parque, de modo que futuros levantamentos certamente incluirão várias espécies na lista apresentada aqui. Adicionalmente, foram encontradas mais de 60 espécies com algum grau de ameaça de extinção, principalmente entre as famílias Myrtaceae, Lauraceae e Gesneriaceae. Assim, os resultados encontrados colocam o PECB entre as unidades de conservação com maior riqueza de espécies no Estado de São Paulo, com grande importância nacional para a conservação de espécies de plantas.

Palavras-chave: Floresta Atlântica, espécies ameaçadas, florística, Neotrópico, riqueza de espécies.


ABSTRACT

Located in the Serra de Paranapiacaba, South of São Paulo State, the Carlos Botelho State Park (PECB) shelters more than 37,000 ha of Atlantic Forest in one of the most important and large remnants of this Biome in Brazil. In the Park the Montane and Submontane rain forests are the predominant types of forests. Aiming to organize the available floristic information and to orient future surveys, this study presents the list of native vascular species of the PECB forests. Besides authors´ personal collections, more than 3,900 records since 1967 were compiled. Coming from different sources of information, these records were checked for the presence of botanical synonyms and new combinations. A total of 1,143 species belonging to 528 genera and 140 families were listed (other 63 species were not included because they were non-native or of doubtful occurrence/determination). There was a great richness of Myrtaceae, Orchidaceae, Fabaceae, Asteraceae, Melastomataceae, Lauraceae, Rubiaceae and Bromeliaceae. Although high species richness was found, the richness of herbs, lianas and epiphytes are certainly underestimated and future surveys will add many species to the list presented here. In addition, more than 60 endangered species were found, mainly among the Myrtaceae, Lauraceae and Gesneriaceae families. Therefore, these results put the PECB among the most species-rich conservation units of São Paulo state with great relevance to national conservancy of plant diversity.

Keywords: Atlantic Forest, endangered species, floristics, Neotropics, species richness.


 

 

Introdução

Dentre os diferentes biomas do globo, a Floresta Atlântica (sensu Oliveira-Filho & Fontes 2000) é mundialmente conhecida por dois motivos contrastantes. Ela possui uma das maiores diversidades de espécies do planeta (e.g. Martini et al. 2007), que é acompanhada por um dos maiores índices de endemismo de espécies (Myers et al. 2000). Ao mesmo tempo, ela é um dos biomas mais devastados e ameaçados do mundo, reduzida a menos de 16% de sua extensão original (Ribeiro et al. 2009). Este fato é alarmante visto que este bioma já foi a segunda maior formação florestal tropical da América do Sul (Morellato & Haddad 2000) e se torna ainda mais preocupante, pois ainda há muito a ser descoberto sobre sua real diversidade de espécies (Shepherd 2000). Por estes motivos, a Floresta Atlântica foi eleita um dos cinco mais importantes hotspots da biodiversidade do planeta (Myers et al. 2000).

Originalmente, a Floresta Atlântica se estendia por toda a costa Leste e Sul do Brasil, adentrando para o interior no Sul e Sudeste do país e atingindo o sudeste do Paraguai e o nordeste da Argentina. Hoje, fragmentos florestais extensos e bem conservados são raros (Morellato & Haddad 2000, Ribeiro et al. 2009) e se concentram principalmente nas encostas íngremes da Serra do Mar dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Paraná, onde a dificuldade de mecanização impôs restrições à agricultura (Viana & Tabanez 1996). Nestas áreas, unidades de conservação de proteção integral possuem um papel estratégico na conservação da biodiversidade remanescente, que deve ser estudada com urgência. A produção de inventários de espécies representa o primeiro passo para fornecer informações sobre a composição, diversidade e distribuição das espécies. Mesmo assim, são relativamente raros os exemplos de listas detalhadas de espécies de plantas em unidades de conservação na Floresta Atlântica (e.g. Barros et al. 1991, Lima & Guedes-Bruni 1997, Mamede et al. 2001, Ziparro et al. 2005). A ocorrência de populações viáveis em unidades de conservação tem peso importante na conservação das espécies e é usada como um dos critérios para a definição do grau de ameaça de extinção (Mamede et al. 2007).

Como resultado da união de antigas Reservas Florestais do Estado, o Parque Estadual Carlos Botelho (PECB) foi criado em 1982 e hoje faz parte de um dos maiores remanescentes de Floresta Atlântica do Brasil (Ribeiro et al. 2009). Este remanescente é composto por outras importantes unidades de conservação, como os Parques Estaduais da Serra do Mar, Jurupará, Intervales e Turístico do Alto Ribeira, entre outras unidades de conservação. Nessa região do Estado de São Paulo predomina a Floresta Ombrófila Densa que é, muito provavelmente, a formação florestal que abriga a grande parte da biodiversidade da Floresta Atlântica. Por estes motivos, o PECB possui um papel estratégico na conservação da diversidade vegetal da Floresta Atlântica, do Brasil e do mundo.

Se comparado a outras unidades de conservação do estado (e talvez do Brasil), o PECB é uma unidade relativamente bem conhecida em relação a sua flora e vegetação, com vários projetos de pesquisa e levantamentos tendo sido desenvolvido recentemente no seu interior (e.g. Breier 2005). Por exemplo, o parque conta hoje com três grandes levantamentos (>5 ha) de árvores e arbustos (Aguiar 2003, Dias 2005, Rodrigues 2005). Assim, acreditamos haver conhecimento suficiente para produzir um checklist da flora do Parque. Portanto, este estudo apresenta uma lista de espécies do PECB com o intuito de prover informações sobre a riqueza e composição de espécies vasculares, e de fornecer diretrizes para futuras pesquisas e levantamentos florísticos no parque.

 

Material e Métodos

O PECB está localizado no sul do Estado de São Paulo, entre as coordenadas geográficas 24º 06' 55" e 24º 14' 41" S e 47º 47' 18" e 48º 07' 17" O (municípios de Sete Barras, São Miguel Arcanjo, Capão Bonito e Tapiraí). O Parque possui 37.644 ha e abrange um relevo montanhoso e escarpado, com altitudes entre 30 e 1.000 m. A temperatura e precipitação anuais médias para a região mais baixa do PECB são de 22 ºC e 1.600 mm, respectivamente, não havendo déficit hídrico anual significativo (Rodrigues 2005). Não há estimativas publicadas para os mesmos parâmetros climáticos na parte alta do parque. A vegetação predominante do PECB é a Floresta Ombrófila Densa Atlântica Montana e Submontana sensu IBGE (Instituto... 1992) (Figura 1). Existem também trechos menores recobertos por Floresta Ombrófila Densa Alto Montana (áreas acima de 900-1000 m de altitude) e por Campos de Altitude, sobre solos rasos e pedregosos dos cumes mais altos. A Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas (sensu Instituto... 1992) também ocorre em áreas abaixo dos 50 m. No PECB as formações florestais variam entre trechos bem conservados com dossel contínuo acima de 20 m, até formações secundárias com dossel menor e mais aberto. Formações com a presença marcante de bambus lenhosos, em especial Guadua tagoara, também ocorrem no interior do Parque. Infelizmente, evidências da extração ilegal de palmito-juçara (Euterpe edulis) são comuns em várias áreas do PECB. Informações detalhadas sobre a estrutura e dinâmica da vegetação podem ser encontradas em vários estudos realizados no parque (e.g., Negreiros et al. 1995, Dias et al. 2000, Lima & Moura 2006), principalmente em relação às árvores e arbustos nos trechos de Floresta Ombrófila Densa Montana e Submontana. Apenas os estudos de Breier (2005) e Udulutsch (2004), ambos num mesmo trecho de Floresta Ombrófila Densa Submontana, enfocaram os epífitos vasculares e as lianas lenhosas, respectivamente. Até o momento, nenhum levantamento direcionado foi realizado para a forma de vida herbácea terrestre.

Para a compilação da lista de espécies, foram consideradas apenas as espécies vasculares (pteridófitas, gimnospermas e angiospermas) ocorrentes em ambiente florestal. O termo florestal é empregado aqui para caracterizar as espécies que ocorrem sob ou sobre o dossel, em clareiras, ao longo de rios, em trechos de bambuzais, em borda de mata, em deslizes de terra ou mesmo às margens da rodovia que corta o Parque (SP-139). Várias fontes de informação foram usadas para a compilação da lista. Coletas realizadas pelos autores e ainda não incorporadas à lista de herbários consultados (ver lista abaixo) são citadas junto com o número de coleta de cada autor. Foram consultadas também as listas disponíveis nos estudos de Custódio-Filho et al. (1992), Moraes (1992), Negreiros et al. (1995), Dias et al. (2000), Nonato & Windisch (2004), Lima & Moura (2006), e Moraes (2007). Também foi consultado o levantamento realizado no parque em 1987 por Alwyn H. Gentry e colaboradores, publicado por Philips & Miller (2002). Da mesma maneira, foi analisado o trabalho feito por Heinsdijk & Campos (1967), mas com várias restrições devido à qualidade das identificações, feitas através de amostras de lenho. Finalmente, também foram incluídos alguns poucos registros de campo feitos pelos autores durante o período de compilação dos dados e por outros pesquisadores trabalhando no PECB. Esta fonte de informação correspondeu a uma pequena quantidade dos registros realizados e basicamente a espécies de fácil determinação em campo (e.g. Pteridium arachnoideum, Astrocaryum aculeatissimum, Lytocaryum hoehnei, Vriesea scalaris, Maprounea guianensis, Eriotheca pentaphylla, Gallesia integrifolia e Cecropia pachystachya).

Como fonte alternativa de informação, foi realizado um levantamento das espécies vasculares coletadas no PECB depositados em diferentes herbários nacionais e internacionais. Inicialmente, este levantamento foi realizado com o auxílio da rede speciesLink (Centro... 2008), no qual é possível consultar as coleções por município e localidade de coleta. A consulta foi realizada até Janeiro de 2010, e encontrou materiais depositados nos seguintes herbários (siglas sensu Holmgren et al. 1990): ESA, HRCB, SP, SPF, SPSF, UEC, IAC, RB, MO e NY. Como alguns herbários não tinham informatizado totalmente suas coleções no período da busca, como o SP, o HRCB e o SPF, vale lembrar que importantes herbários não foram completamente avaliados. Foram consultados, mesmo que de maneira restrita, os materiais depositados em herbários até então não cadastrados na rede speciesLink: BHCB e MBM. Foram considerados apenas os materiais coletados dentro dos limites do parque. Ou seja, materiais coletados no parque podem não ter sido incluídos na listagem final por falta de detalhamento da localidade de coleta. De maneira geral, a inclusão de novas espécies foi feita através de materiais cuja identificação houvesse sido confirmada por especialistas.

Alguns critérios básicos foram adotados para gerar a lista final das espécies do PECB. Não foram considerados os indivíduos identificados em nível de família. Espécies identificadas em nível de gênero foram adicionadas à listagem apenas em duas circunstâncias: quando um trabalho de referência possuísse número de espécies do gênero superior ao número acumulado de espécies citadas pelos demais trabalhos; ou quando o gênero não houvesse sido listado em nenhum outro trabalho de referência. Indivíduos com identificação de espécie a confirmar (confers) foram considerados como uma citação a mais para a espécie sugerida para confirmação. Exceções foram feitas quando a espécie a confirmar se tratava de um gênero ainda não listado nos demais trabalhos. Adotou-se o mesmo critério para as espécies listadas como affinis.

A listagem foi organizada segundo a circunscrição em famílias proposta pelo Angiosperm Phylogeny Group-APG, versão III (2009) para as Angiospermas, por Moran (1995) para as licófitas e por Smith et al. (2006) para as monilófitas. Não se considerou separadamente as famílias Cordiaceae, Heliotropiaceae (inclusas em Boraginaceae) ou Peraceae (inclusa em Euphorbiaceae) cujo posicionamento ainda é incerto (Angiosperm... 2009). Contudo, consideraram-se os novos posicionamentos sugeridos para Myrsinaceae e Quiinaceae, posicionadas dentro de Primulaceae e Ochnaceae, respectivamente (Angiosperm... 2009). A grafia correta das espécies e autores foi checada através dos volumes da Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo (Wanderley et al. 2002, 2003, 2005, Melhem et al. 2007), e das bases de dados Tropicos (2009) e International Plant Names Index (2008). Recorreu-se a revisões recentes para determinar a presença de sinonímias botânicas e mudanças nomenclaturais, em especial, nos volumes já publicados da Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo (citado acima) e no site do World Checklist of Selected Plant Families (Royal... 2008). Para as famílias botânicas ainda não revisadas nestes volumes, a detecção de sinonímias e as revisões de nomenclatura dependeram da disponibilidade de literatura especializada e da participação de alguns especialistas. Portanto, é possível que, para algumas famílias, sinônimos possam ter sido incluídos devido à inexistência de revisões atuais ou devido ao desconhecimento destes materiais por parte dos autores.

Além da lista final de espécies, foi gerada uma lista à parte com os registros excluídos e o respectivo motivo da exclusão (espécie subespontânea, introduzida, binômio desconhecido, identificação ou ocorrência duvidosa). Para os registros inclusos na lista final, não foram realizadas revisões de identificação das espécies listadas nos trabalhos consultados, uma tarefa praticamente impossível. Contudo, caso uma dada espécie tivesse uma distribuição geográfica confirmada apenas para áreas muito distantes ou para formações vegetais muito diferentes das ocorrentes no PECB, a espécie foi citada apenas na lista de espécies excluídas. Após a conclusão da lista final, buscou-se o grau de ameaça de extinção das espécies em nível mundial (International... 2002), nacional (Fundação Biodiversitas 2005) e estadual (Mamede et al. 2007). Em relação à distribuição espacial dos registros, informações sobre a ocorrência das espécies nas diferentes fitofisionomias do PECB foram escassas e variaram entre as diferentes fontes de informação consultada. A única e rudimentar informação de distribuição comum e disponível para quase todas as fontes de informação foi o município no qual a coleta ou trabalho foi realizado (São Miguel Arcanjo, Sete Barras, Capão Bonito ou Tapiraí). Assim, quaisquer análises sobre a distribuição das espécies no parque são limitadas.

 

Resultados e Discussão

Além dos registros e coletas realizadas pelos autores no PECB, foram obtidos 961 registros nos trabalhos publicados e 785 registros em herbário, provindos de mais de 2.500 vouchers (excluindo duplicatas entre herbários). A partir destes registros, foi listado um total de 1.143 espécies vasculares nativas (Apêndice 1), pertencentes a 528 gêneros e 140 famílias (Figura 2). Além das 14 espécies exóticas ou introduzidas citadas para o PECB, outras 63 espécies de ocorrência ou identificação duvidosas foram excluídas da lista final (Apêndice 2). Poucas espécies permaneceram com suas identificações incompletas (2,2%). Foram 14 espécies determinadas em nível de gênero, duas com identificação affinis e nove com identificação a confirmar. Uma espécie de Rubiaceae (Sphinctanthus sp.) encontrada no município de Sete Barras (Floresta Ombrófila Densa Submontana) é provavelmente nova para o Estado de São Paulo e, talvez, para a ciência. Além deste total, sabe-se também da ocorrência de outras 11 espécies lianescentes no PECB (R.G. Udulutsch, comunicação pessoal), o que eleva a riqueza do parque a um total de 1.154 espécies. Há ainda várias coletas estéreis referentes aos estudos de Aguiar (2003) e Dias (2005) que podem ser novas ocorrências para o Parque, mas que não foram incluídas aqui por permaneceram sem identificação confiável, principalmente entre Myrtaceae e Lauraceae.

Os resultados encontrados mostram que o PECB está entre as unidades de conservação com maior riqueza de espécies do estado de São Paulo. No Parque Estadual da Serra do Mar, uma unidade de conservação bem mais extensa e heterogênea, foram listadas aproximadamente 1.200 espécies vasculares (valor inclui espécies de áreas não florestais-São Paulo (2006)). Barros et al. (1991) listaram 986 espécies de angiospermas para o Parque Estadual da Ilha do Cardoso (inclui espécies não florestais de restinga). Na Serra da Juréia, Mamede et al. (2001) citaram 756 espécies vasculares, enquanto que Kirizawa et al. (2007) listaram 997 espécies de angiospermas para a Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba. Adicionalmente, o PECB apresentou um número total de espécies e de famílias que é comparável a outras unidades de conservação neotropicais (Tabela 1). Mesmo com a grande variação de tamanho e de número de fitofisionomias amostradas entre estas unidades de conservação (além de algumas listas estarem certamente desatualizadas), pode-se afirmar que o PECB possui grande importância na conservação da diversidade de plantas no país.

Apesar dos resultados representarem uma boa amostra da riqueza de espécies vasculares do PECB, o número total de espécies em seu interior certamente está subestimado. Além de várias formas de vida estarem subamostradas, grande parte das coletas e estudos realizados está concentrada em áreas pequenas se comparado a extensão total do Parque. Grande parte das coletas, por exemplo, foi feita próxima à sede da unidade e em trechos ao longo da SP-139. Além disso, várias espécies encontradas no PECB foram citadas para apenas um estudo (Apêndice 1), sugerindo que outras espécies serão registradas caso levantamentos direcionados e/ou intensivos sejam conduzidos no Parque. Assim, baseado nas proporções de riqueza por hábito apresentadas por Gentry & Dodson (1987) para florestas neotropicais e assumindo que a riqueza de árvores registrada é próxima ao real existente no parque, estimamos que a riqueza total do PECB seja de aproximadamente 1.500 espécies vasculares florestais. Claro que esse valor é meramente especulativo e impreciso, mas acreditamos que seja um valor bastante razoável frente ao atual grau de desconhecimento da flora do parque.

Entre as famílias mais ricas encontradas no PECB vale destacar Myrtaceae (85 spp.), Orchidaceae (81 spp.), Fabaceae (57 spp.), Asteraceae (54 spp.), Melastomataceae (54 spp.), Lauraceae (53 spp.), Rubiaceae (51 spp.) e Bromeliaceae (43 spp.). Juntas estas famílias somaram 478 espécies, ou seja, 42% da flora do PECB (Figura 3). Estas famílias estiveram, de maneira geral, entre as mais ricas em outras unidades de conservação na Floresta Atlântica do Sudeste do Brasil (Barros et al. 1991, Lima & Guedes-Bruni 1997, Mamede et al. 2001, Kirizawa et al. 2007). Apenas uma espécie de gimnosperma foi encontrada (Podocarpus sellowii-Podocarpaceae), visto que os indivíduos de Araucaria angustifolia (Araucariaceae) foram introduzidos (não há registros da espécie ocorrendo naturalmente nas florestas do parque). As pteridófítas apresentaram 123 espécies distribuídas em 55 gêneros e 21 famílias, um valor relativamente alto apesar do pequeno esforço de coleta direcionado para este grupo no PECB. Assim, é possível (e provável) que muitas espécies ainda sejam encontradas nos domínios do Parque. Os gêneros mais ricos no PECB foram Eugenia (34 spp.), Ocotea (26 spp.), Leandra, Myrcia, Vriesea (18 spp. cada), Piper, Solanum (16S spp.) e Miconia (14 spp.) que abrigaram 14% das espécies do parque. A alta riqueza destes gêneros foi similar ao encontrado por Lima & Guedes-Bruni (1997) e Amorim et al. (2009) nas florestas montanas do Rio de Janeiro e Bahia, respectivamente.

Quanto à distribuição espacial dos registros, foram listadas 704 espécies para o município de São Miguel Arcanjo, 867 para Sete Barras e 144 para Capão Bonito. Nenhum registro foi encontrado para o município de Tapiraí. Em geral, espécies de ocorrência em áreas mais elevadas, como Achyrocline alata (Asteraceae), Acianthera auriculata (Orchidaceae), Aiouea acarodomatifera (Lauraceae), Blechnum cordatum (Blechnaceae), Canistrum cyathiforme (Bromeliaceae), Chusquea spp. (Poaceae), Drimys brasiliensis (Winteraceae), Fuchsia regia (Onagraceae), Gordonia fruticosa (Theaceae), Hymenophyllum caudiculatum (Hymenophyllaceae), Ilex paraguariensis, I. taubertiana (Aquifoliaceae), Mollinedia argyrogyna (Monimiaceae), Nematanthus strigillosus (Gesneriaceae), Nidularium rutilans (Bromeliaceae), Quiina magallano-gomesii (Ochnaceae), Schefflera angustissima (Araliaceae), Ternstroemia brasiliensis (Pentaphyllacaceae) e Weinmannia spp. (Cunoniaceae), foram registradas para os municípios de São Miguel Arcanjo e Capão Bonito que concentram os trechos mais altos do Parque. Por outro lado, espécies típicas de florestas de terras baixas estiveram mais restritas ao município de Sete Barras, que apesar de atingir áreas elevadas do Parque, abriga a maior parte das Florestas Submontanas e os pequenos trechos de Florestas de Terras Baixas do PECB. Dentre os exemplos que ocorreram apenas neste município estão: Brosimum glazioui (Moraceae), Eriotheca pentaphylla (Malvaceae), Geonoma elegans (Arecaceae), Lindsaea arcuata (Lindsaeaceae), Pourouma guianensis (Urticaceae), Pradosia lactescens (Sapotaceae), Psychotria nuda (Rubiaceae), Rhipsalis grandiflora (Cactaceae), Sabicea villosa (Rubiaceae), Virola gardneri (Myristicaceae) e Vriesea rodigasiana (Bromeliaceae).

É importante destacar que, apesar da presente lista de espécies representar uma boa amostra da flora do PECB, algumas formas de vida e, consequentemente, algumas famílias foram pouco estudadas no Parque. Isto porque, dos 14 trabalhos encontrados para o Parque, apenas cinco não trataram exclusivamente de árvores (e.g. Philips & Miller 2002, Breier 2005, Lima & Moura 2006). Assim, acreditamos que futuros levantamentos acrescentarão poucas espécies arbóreas à lista apresentada aqui. Para ervas, epífitos e lianas, contudo, há uma carência de estudos e levantamentos direcionados que possam caracterizar de maneira apropriada a flora destas formas de vida no PECB. Famílias com grande número de espécies epifíticas e herbáceas, como Orchidaceae, Gesneriaceae, Bromeliaceae e Araceae, provavelmente são mais ricas do que o apresentado aqui. Estas famílias geralmente possuem alto grau de espécies endêmicas e/ou ameaçadas de extinção, reforçando ainda mais a necessidade de novos inventários para melhor caracterizar a flora do Parque.

Futuras coletas devem ser direcionadas para as áreas raras e pouco estudadas do PECB, como os campos de altitude, os trechos de Floresta Ombrófila Densa Alto-montana e de Terras Baixas, além das áreas de vegetação secundária. Áreas florestais nos municípios de Tapiraí e Capão Bonito também devem receber atenção especial, pois podem ter influência de elementos florísticos de formações florestais sazonais. Quanto às formas de vida, ervas devem ser estudadas por toda a unidade, enquanto levantamentos de lianas e epífitos devem ser direcionados para trechos de Floresta Ombrófila Densa Montana e Alto-Montana. Até onde sabemos, as pteridófitas foram amostradas apenas por Breier (2005), que levantou apenas epífitos vasculares e por levantamentos pontuais no interior da unidade. Assim, levantamentos de pteridófitas no PECB são igualmente necessários.

Do total de espécies registradas, 63 possuem algum grau de ameaça internacional, nacional ou estadual (Tabela 2). As famílias com maior número de espécies entre as ameaçadas foram Myrtaceae (16), Lauraceae (10) e Gesneriaceae (7). A grande maioria delas foi citada como vulnerável. Contudo, dentre estas espécies estão espécies provavelmente extintas no Estado de São Paulo (Mollinedia oligotricha-Monimiaceae, Ilex taubertiana-Aquifoliaceae, e Nematanthus strigillosus-Gesneriaceae), espécies em risco crítico (Plinia complanata-Myrtaceae, Vriesea hieroglyphica-Bromeliaceae, e Wilbrandia hibiscoides-Cucurbitaceae) e várias espécies ameaçadas. Dentre as ameaçadas, vale destacar aquelas ameaçadas no Estado de São Paulo: Borreria remota (Rubiaceae), Aiouea saligna, Beilschmiedia emarginata, Ocotea odorifera, Persea venosa, Rhodostemonodaphne macrocalyx (Lauraceae) e Handroanthus botelhensis (Bignoniaceae). A ameaça de boa parte das espécies está relacionada à redução da cobertura florestal e/ou à degradação dos fragmentos remanescentes (International... 2002, Mamede et al. 2007). Duas das três espécies citadas como praticamente extintas no Estado (Ilex taubertiana e Nematanthus strigillosus) são típicas de florestas acima de 1.000 m de altitude, um tipo de hábitat raro no Estado. Portanto, a ocorrência de tais espécies, aliada à alta riqueza de espécies encontrada, faz com que o PECB seja uma das áreas de floresta Atlântica com maior importância para a conservação da flora vascular brasileira e mundial.

 

Agradecimentos

Gostaríamos de agradecer à administração do PECB (Instituto Florestal de São Paulo) pelo apoio durante o período de coletas que culminou nesta lista de espécies. Também agradecemos os comentários e sugestões de Fiorella F. Mazine-Capelo, Geraldo A.D.C. Franco e Natália M. Ivanauskas, e as fotos gentilmente cedidas por Débora Cristina Rother.

 

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Recebido em 20/12/2010
Versão reformulada recebida em 21/10/2011
Publicado em 07/11/2011

 

 

*Autor para correspondência: Renato Augusto Ferreira de Lima, e-mail: raflima@usp.br

 

 

Appendix

 

Appendix 1

 

 

Appendix 2

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