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Biota Neotropica

On-line version ISSN 1676-0611

Biota Neotrop. vol.11  supl.1 Campinas Jan./Dec. 2011

https://doi.org/10.1590/S1676-06032011000500034 

INVENTÁRIOS

 

Checklist dos percevejos-do-mato (Hemiptera: Heteroptera: Pentatomoidea) do Estado de São Paulo, Brasil

 

Checklist of stink bugs (Hemiptera: Heteroptera: Pentatomoidea) from São Paulo State, Brazil

 

 

Jocélia GraziaI, *; Cristiano Feldens SchwertnerII

IPrograma de Pós-graduação em Biologia Animal, Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, Av. Bento Gonçalves, n. 9500, Bloco IV, Prédio 43435, CEP 91501-970, Porto Alegre, RS, Brasil
IIDepartamento de Ciências Biológicas, Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP, Campus Diadema, Rua Artur Riedel, n. 275, Eldorado, CEP 09972-270, Diadema, SP, Brasil, e-mail: schwertner@unifesp.br

 

 


RESUMO

O conhecimento de Pentatomoidea no Estado de São Paulo é aqui atualizado. São registradas 92 espécies em 89 gêneros pertencentes as famílias Acanthosomatidae, Canopidae, Cydnidae, Pentatomidae, Phloeidae, Scutelleridae, Tessaratomidae e Thyreocoridae. Comparando com os dados apresentados na primeira edição do Biota SP em 1999, foram adicionadas 41 espécies além de 13 correções nomenclaturais e taxonômicas efetuadas. O Estado de São Paulo apresenta uma riqueza total ao redor de 25% das espécies conhecidas para o Brasil e ao redor de 3% da fauna mundial de Pentatomoidea. Com o incremento dos estudos em famílias pouco conhecidas no país, estes números certamente serão ampliados. Pentatomidae resultou no táxon mais numeroso no estado, com 80% de espécies registradas.

Número de espécies: no mundo: +7.000, no Brasil: +820, estimadas no Estado de São Paulo: 450.

Palavras-chave: percevejos-do-mato, pentatomídeos, biota paulista, Programa BIOTA/FAPESP.


ABSTRACT

Pentatomoidea knowledge in São Paulo state is here updated. Two hundred and two species in 92 genera belonging to Acanthosomatidae, Canopidae, Cydnidae, Pentatomidae, Phloeidae, Scutelleridae, Tessaratomidae and Thyreocoridae are registered. Forty one species were added and 13 taxonomical and nomenclatorial corrections were made comparing with the data presented in the first edition of the Biota SP in 1999. Pentatomoidea species richness of São Paulo state is around 25% of the species known to Brazil and around 3% of the world fauna. The increase of the studies in scarcely known families in Brazil will certainly raise these numbers. Pentatomidae was the most numerous taxon in São Paulo state, with 80% of the registered species.

Number of species: in the world: +7,000, in Brazil: +820, estimated in São Paulo State: 450.

Keywords: stink bugs, pentatomids, biodiversity of the State of São Paulo, BIOTA/FAPESP Program.


 

 

Introdução

A superfamília Pentatomoidea inclui na sua maioria percevejos fitófagos. Os adultos podem ser reconhecidos pelo corpo geralmente ovalado, antenas com cinco segmentos e escutelo desenvolvido, sempre ultrapassando a metade do comprimento do abdome (Schuh & Slater 1995, Grazia et al. 1999b). É o táxon mais diverso da infraordem Pentatomomorpha, tendo surgido muito cedo na evolução do grupo (Henry 1997). Compreende cerca de 7.000 espécies no mundo incluídas em 15 famílias (Grazia et al. 2008), das quais Acanthosomatidae, Canopidae, Cydnidae, Dinidoridae, Megarididae, Pentatomidae, Phloeidae, Scutelleridae, Tessaratomidae e Thyreocoridae são encontradas na região Neotropical (Grazia et al. 1999b no prelo, a). As sinapomorfias que suportam a monofilia do grupo incluem: escutelo ultrapassando a metade do comprimento do abdome, tricobótrios abdominais pareados e localizados lateralmente à linha dos espiráculos, abertura da cápsula genital dos machos (= pigóforo) direcionada posteriormente, ovos em forma de barril, ovóides ou esféricos (Henry 1997, Grazia et al. 2008). O monofiletismo dos táxons incluídos em Pentatomoidea bem como suas relações filogenéticas foram discutidas por Grazia et al. (2008).

Chaves e diagnoses para identificação das famílias e subfamílias de Pentatomoidea que ocorrem na região Neotropical são encontradas em Grazia et al. (no prelo a). Outras referências gerais importantes para o grupo no Brasil são Costa Lima (1940), Silva et al. (1968; revisada por Grazia 1977) e Grazia et al. (1999b).

 

Metodologia

A lista das espécies de Pentatomoidea registradas para o Estado de São Paulo (Tabela 2) foi elaborada com base na literatura (vide bibliografia) e na identificação de material. Grande parte dessas identificações é inédita e foram obtidas de material recebido de museus, coleções entomológicas e/ou pesquisadores; exemplares "voucher" encontram-se depositados na coleção do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (DZRS). Em relação à classificação de Pentatomidae, novas propostas em nível de tribo têm sido utilizadas (e.g. Cassis & Gross 2002, Rider 2006), o que tem modificado consideravelmente a configuração dos grupos de gêneros, principalmente na subfamília Pentatominae. Neste novo contexto, os gêneros neotropicais anteriormente incluídos em Pentatomini (e.g. Grazia et al. 1999) estão organizados em oito tribos distintas, das quais sete ocorrem no estado de São Paulo. Essa proposta de classificação pode ser encontrada em Rider (2010b).

 

Resultados e Discussão

Para o Estado de São Paulo, são registradas para Pentatomoidea 201 espécies distribuídas em 90 gêneros, 9 tribos, 5 subfamílias e 8 famílias. Comparando com os dados apresentados em Grazia et al. (1999b), foram adicionadas 41 espécies e 13 correções taxonômicas e/ou nomenclaturais foram efetuadas. A diversidade dos pentatomóideos na região Neotropical, no Brasil e no Estado de São Paulo está representada na Tabela 1.

Acanthosomatidae

Tamanho médio (5 a 10 mm), as espécies neotropicais têm coloração predominantemente verde ou castanha. No mundo, abrange cerca de 200 espécies e mais de 50 gêneros (Kumar 1974, Faúndez 2009). Inclui três subfamílias: Acanthosomatinae, Blaudinae (com duas tribos) e Ditomotarsinae (duas tribos). A distribuição é predominantemente austral, incluindo sul da África e da Argentina, Chile e Austrália; apenas a subfamília Acanthosomatinae tem espécies com distribuição nas regiões Neártica e Paleártica. A fauna mundial foi monografada por Kumar (1974). Chaves para os gêneros do hemisfério ocidental são encontradas em Rolston & Kumar (1975). A única espécie até agora registrada em São Paulo foi Hellica nitida Haglund.

Canopidae

Percevejos de tamanho médio (5 a 8 mm), totalmente negros e brilhantes, dorso fortemente convexo e escutelo amplamente desenvolvido, recobrindo todo o abdome e a maior parte dos hemiélitros. Distribuição exclusivamente neotropical, com um gênero (Canopus Fabricius) e oito espécies. McHugh (1994) reportou ninfas e adultos de diferentes espécies ocorrendo sobre fungos, determinando que esporos dos mesmos fungos estavam presentes no sistema digestivo destes insetos, confirmando assim seus hábitos micetófagos. Para São Paulo foram registradas duas espécies C. burmeisteri McAtee & Malloch e C. orbicularis Horvath. Referências básicas, incluindo chave para identificação das espécies, são encontradas em McAtee & Malloch (1928).

Cydnidae

Chamados vulgarmente de percevejos-cavadores, têm tamanho variável (3 a 10 mm), predominantemente negros ou castanhos, geralmente brilhantes, cabeça alargada e achatada, pernas adaptadas para o hábito cavador. Tem distribuição mundial, estando bem representada nas regiões tropicais e temperadas, perfazendo mais de 750 espécies e 120 gêneros. Referência básica para a família na região Neotropical é a obra de Froeschner (1960), que inclui chaves para a identificação de famílias e espécies do novo mundo. Becker (1967) revisou as espécies neotropicais de Cephalocteinae, que inclui entre outras Scaptocoris castanea Perty e S. carvalhoi Becker, espécies que constituem sérias pragas em diferentes regiões do Brasil (Lis et al. 2000). A nomenclatura dessas espécies foi atualizada por Grazia et al. (2004); mais recentemente diversos trabalhos visando maior conhecimento sobre biologia e manejo dessas espécies têm sido feitos (i.e. Oliveira & Malaguido 2004, Marques et al. 2005, Xavier & Avila 2006, Čokl et al. 2006, Nardi et al. 2007, 2008). A taxonomia do grupo na região Neotropical está desatualizada. Quatorze espécies desta família foram registradas para São Paulo, distribuídas nas subfamílias Cephalocteinae e Cydninae.

Dinidoridae

Apesar de seu tamanho relativamente grande (10 a 30 mm) e sua coloração aposemática, estes percevejos raramente estão representados em coleções. Compreende 115 espécies em 13 gêneros, sendo predominantemente encontrados nas regiões Afrotropical e Oriental. A família foi revisada por Durai (1987), que reconheceu as subfamílias Dinidorinae (com duas tribos) e Megymeninae (duas tribos); Kocorek & Lis (2000) propuseram uma nova tribo para Megymeninae. Chaves para identificação dos táxons podem ser encontradas em Durai (1987) e Kocorek & Lis (2000). Rolston et al. (1996) sumarizaram a classificação corrente para a família; Schaefer et al. (2000) revisaram a biologia das espécies de importância econômica, nenhuma delas com ocorrência para o Brasil. O conhecimento da biologia das espécies neotropicais se restringe à dados de etiqueta, principalmente registros de plantas-hospedeiras. Dinidor mactabilis Perty foi registrada formando agrupamentos em Smilax japecanga Grisebach (Smilacaceae) no sul do Brasil (Schwertner & Grazia no prelo). A ausência de registro de espécies de Dinidoridae para o Estado de São Paulo (Tabela 1) certamente é resultado da falta de coleta.

Megarididae

Tamanho diminuto (cerca de 5 mm ou menos) e forma coleopteróide. É exclusivamente neotropical, com 16 espécies em um único gênero, Megaris Stål. A única chave para identificação das espécies é encontrada em McAtee & Malloch (1928). A biologia da família é praticamente desconhecida (Schwertner & Grazia no prelo), mas assume-se que suas espécies sejam exclusivamente fitófagas. Existem registros de Megaris puertoricensis Barber e M. semiamicta McAtee & Malloch em Eugenia spp. (Myrtaceae) (ver referências em Schuh & Slater 1995). A ausência de registro para o estado de São Paulo (Tabela 1) também resulta de falta de coleta, como mencionado para Dinidoridae.

Pentatomidae

Corresponde à quarta família mais numerosa e diversa entre os heterópteros, estando bem representada nas principais regiões faunísticas. Inclui mais de 4.500 espécies em 760 gêneros no mundo (Grazia et al. no prelo, a). Tamanho médio a grande (5 a 20 mm), várias espécies são relacionadas a plantas cultivadas, algumas delas são pragas de importantes culturas (Panizzi et al. 2000). Constitui um grupo monofilético, incluindo oito subfamílias (Grazia et al. 2008); dessas, estão representadas na região Neotropical as subfamílias Asopinae, Cyrtocorinae, Discocephalinae, Edessinae, Pentatominae e Stirotarsinae. Asopinae inclui o único grupo de Pentatomoidea com hábitos predadores, condição que evoluiu secundariamente. Cyrtocorinae, Discocephalinae, Edessinae e Stirotarsinae têm distribuição exclusiva no neotrópico. Todas as subfamílias, com exceção de Stirotarsinae, estão representadas no Estado de São Paulo. Para Discocephalinae, as duas tribos propostas por Rolston (1992) tem registros em São Paulo (Discocephalini - 18 spp. e Ochlerini - 7 spp.); das tribos propostas por Rider (2010b), para Pentatominae, sete estão representadas no estado de São Paulo, a saber Catacanthini (8 spp.), Carpocorini (45 spp.), Menidini (1 spp.), Nezarini (12 spp.), Pentatomini (32 spp.), Piezodorini (1 spp.) e Procleticini (1 spp.). Referências básicas para a família no hemisfério ocidental, com chaves para identificação de gêneros, são os trabalhos de Rolston et al. (1980) e Rolston & McDonald (1981, 1984); McDonald (1981, 1984); e ainda Packauskas & Schaefer (1998 - Cyrtocorinae) e Tomas (1992 Jurberg- Asopinae). Desde a década de 1960, Grazia e colaboradores vêm contribuindo com a descrição de novos táxons, revisões de gêneros e estudos de imaturos e biologia de pentatomídeos, incluindo espécies com registro para o Estado de São Paulo (i.e. Grazia 1967, 1968, 1978, 1997, Grazia et al. 1980, 1999a, Martins et al.1986, Vecchio & Grazia 1993, Grazia 1997, Schwertner et al. 2002, Fortes & Grazia 2005, Campos & Grazia 2006, Fernandes & Grazia 2006, Schwertner & Grazia 2007, Bernardes et al. 2009, Matesco et al. 2009; Rider (2010a) para lista de todas as publicações de J. Grazia). A biologia do grupo foi sumarizada recentemente por Grazia & Schwertner (2008).

Phloeidae

Família de percevejos com aspecto peculiar, em função da morfologia externa críptica. São achatados, com as margens da cabeça, tórax e segmentos abdominais expandidos em grandes lobos, que se confundem com o substrato das cascas das árvores onde vivem (Lent & Jurberg 1965, Grazia et al. no prelo a). Espécies de tamanho grande (20 a 25 mm), são também chamados bichos-casca (Salomão et al. dados não publicados). Compreende 4 espécies em 3 gêneros (Grazia et al. 2008), com distribuição disjunta no Hemisfério Sul: Serbana Distant, 1906 (1 espécie) ocorre somente em Bornéo (Leston 1953), enquanto as espécies dos gêneros Phloea Spinola, 1837 (2 espécies) e Phloeophana Leston, 1953 (1 espécie) ocorrem apenas na América do Sul e parecem ter sua distribuição restrita ao Brasil registradas desde o Pará até o Rio Grande do Sul, associadas às regiões da Floresta Amazônica e Mata Atlântica. Lent & Jurberg (1965) fizeram a revisão e caracterização do grupo, indicando como plantas hospedeiras araçá (Psidium sp, Myrtaceae), amendoeira (Terminalia catappa L., Rosaceae), figueiras (Ficus spp., Moraceae), guaraiúva (Sucurinega guaraiva Kuhlmann, Euphorbiaceae), imbaúba (Cecropia sp., Urticaceae), jaboticabeira (Eugenia cauliflora de Berg, Myrtaceae), paricá-grande (Parkia multijuga Benth., Mimosaceae), tamboril (Enterolobium maximum Ducke) e cambuí (Myrcia sp., Myrtaceae). Mais recentemente, Guilbert (2003) e Bernardes et al. (2005) estudaram aspectos da biologia e da morfologia dos imaturos de Phloea subquadrata Spinola. Salomão et al. (dados não publicados) sumarizam o conhecimento sobre os bichos-cascas na Serra do Japi, São Paulo.

Scutelleridae

Reúne heterópteros das mais variadas cores (vermelho, azul, amarelo, ente outras), frequentemente iridescentes. São conhecidos vulgarmente por percevejos-escudo, em face de seu amplo escutelo recobrindo todo o abdome. De tamanho médio a grande (5 a15 mm), têm distribuição mundial, com 80 gêneros e 450 espécies. São facilmente confundidos com besouros. É pouco estudada na região neotropical, mesmo estando relativamente bem representada nas coleções dos museus. Uma das espécies mais comuns é Pachycoris torridus (Scopoli), que tem ampla distribuição na região neotropical e apresenta grande variabilidade de coloração (Monte 1937, Sanchez-Souto et al. 2004). Entre os escutelerídeos é comum a ocorrência de espécies que apresentam policromatismo (i.e. Paleari 1992, Sanches-Soto et al. 2004). A biologia das espécies de importância econômica foi revisada por Javahery et al. (2000), incluíndo entre elas pelo menos três espécies do gênero Pachycoris Burmeister (Javahery et al. 2000, Soto & Nakano 2002). Para São Paulo foram registradas cinco espécies. A taxonomia e a biologia do grupo no Brasil e na região Neotropical está desatualizada. Barcellos et al. (no prelo) sumarizam as informações sobre a familia na Argentina fornecendo uma chave para os gêneros e a relação das plantas hospedeiras.

Tessaratomidae

Assemelham-se a grandes pentatomídeos (podem ultrapassar 40 mm), dos quais se distinguem pela cabeça muito pequena em relação ao tamanho do corpo, antenas geralmente com quatro artículos, rostro curto, raramente ultrapassando as coxas anteriores e pronoto estendendo-se sobre a base do escutelo. Rolston et al. (1993) sumarizaram a classificação corrente para a família. São conhecidos 45 gêneros e cerca de 230 espécies com distribuição predominante nos trópicos do Velho Mundo. Inclui três subfamílias: Tessaratominae, Natalicolinae e Oncomerinae. Na região Neotropical, apenas o gênero cosmopolita Piezosternum Amyot & Serville está representado, com três espécies. Schaefer et al. (2000) revisaram a biologia das espécies de importância econômica, nenhuma delas com ocorrência para o Brasil. O conhecimento sobre as espécies neotropicais se restringe a dados de etiqueta, principalmente registros de plantas-hospedeiras. Espécies de Piezosternum foram registradas em plantas das famílias Curcubitacea, Rubiaceae, Malvaceae, Myrtaceae e Solanaceae (Maes 1994, Schwertner & Grazia no prelo). Apenas Piezosternum thunbergi Stål foi registrada para São Paulo.

Thyreocoridae

De pequenos a médios (3 a 8 mm), estes percevejos têm coloração escura, escutelo bem desenvolvido, convexo, recobrindo todo abdome e a maior parte da asa anterior; geralmente o exocório é amarelado. Tratados por alguns autores como subfamília de Cydnidae, os percevejos-negros, como são conhecidos vulgarmente, reúnem 213 espécies em 12 gêneros no mundo, sendo nove no hemisfério ocidental (subfamília Corimelaeninae) e três gêneros monotípicos no hemisfério oriental (subfamília Thyreocorinae) (Schuh & Slater 1995, Lis 2006, Grazia et al., no prelo, b). Apesar de desatualizada, McAtee & Malloch (1933) ainda é a única referência contendo chaves para gêneros, subgêneros e espécies. O gênero Galgupha Amyot & Serville é o mais diverso, com 156 espécies em 15 subgêneros. São abundantes e bastante diversos, mas a biologia das espécies neotropicais é praticamente desconhecida (Grazia et al., no prelo, b). Treze espécies pertencentes a três gêneros foram registradas para São Paulo. A taxonomia do grupo na região Neotropical está desatualizada.

1. Comentários sobre a lista, riqueza do estado comparado com outras regiões

A riqueza total do grupo no Estado pode ser considerada alta, já que representa cerca de 25% das espécies conhecidas para o Brasil e cerca de 3% da fauna mundial. Se for levado em consideração famílias pouco coletadas e cuja taxonomia na região Neotropical necessita de urgente revisão (e.g. Cydnidae, Scutelleridae e Thyreocoridae), esse número certamente deve ser ampliado nos próximos anos. Aguiar et al. (2009) estimaram que para o Brasil ainda precisam ser descritos cerca de 20% da fauna de Hemiptera; para as famílias acima mencionadas esse percentual deve ser ainda maior, incluindo a fauna do estado de São Paulo.

A família mais numerosa no estado é Pentatomidae, que corresponde a 80% das espécies registradas. Esta é a família mais diversa de Pentatomoidea, sendo que em termos mundiais corresponde a 65% das espécies. Trabalhos recentes de levantamento de Pentatomoidea na região sul do Brasil (e.g. Schmidt & Barcellos 2007, Campos et al. 2009, Mendonça Jr. et al. 2009) têm confirmado proporções mais altas, uma vez que várias famílias (e.g. Acanthosomatidae, Tessaratomidae) são bem menos diversas na região Neotropical em relação a outras regiões biogeográficas (ver Tabela 1 e textos introdutórios das respectivas famílias).

Para fins comparativos com outras regiões do neotrópico, poucos países têm listas de espécies para todas as famílias de Pentatomoidea, incluíndo Chile (Prado 2008), Colômbia (Grazia dados não publicados), Equador (Froeschner 1981), Guiana Francesa (Becker & Grazia 1977), Haiti e República Dominicana (Perez-Gelabert 2005), Nicarágua (Maes 1994), Panamá (Froeschner 1999), Venezuela (Becker & Grazia 1971) e Nordeste do Uruguai (Grazia & Casini 1973). Para Honduras e México, as listas se restringem apenas à família Pentatomidae (Arismendi & Thomas 2003, Thomas 2000). Para Argentina, listas de espécies das famílias Acanthosomatidae, Dinidoridae, Megarididae, Pentatomidae, Tessaratomidae e Thyreocoridae foram sintetizadas recentemente (Grazia & Schwertner 2008, no prelo, Grazia et al. no prelo b, Schwertner & Grazia no prelo). Em Grazia (1984) o conhecimento da tribo Pentatomini na Venezuela foi ampliado. Todos esses trabalhos apontam Pentatomidae como a família mais numerosa, variando de 87 espécies no Equador até 318 espécies no México. O bioma Pampa, que inclui o sul do Brasil, todo o território do Uruguai e o centro-leste da Argentina, apresenta cerca de 150 espécies de pentatomídeos (Grazia, Schwertner & Simões, dados não publicados).

A fauna de percevejos-do-mato do Estado de São Paulo representa uma parcela importante da fauna neotropical, na qual estão presentes os principais táxons supragenéricos encontrados na região.

2. Principais avanços relacionados ao Programa BIOTA/FAPESP

Nestes dez anos que se passaram desde a publicação do trabalho de Grazia et al. (1999), vários novos táxons foram descritos incluindo material procedente de São Paulo, assim como novos registros (e.g. Fortes & Grazia 2000, 2005, Frey-da-Silva & Grazia 2001, Frey-da-Silva et al. 2002, Campos et al. 2004, Silva et al. 2006). Como resultado, houve um acréscimo considerável no número de espécies, além das correções a atualizações nomenclaturais. Trabalhos sobre a filogenia e classificação (e.g. Barcellos & Grazia 2003, Fortes & Grazia 2005, Grazia et al. 2008), síntese (e.g. Grazia & Schwertner 2008, Grazia et al. no prelo a, Schwertner & Grazia no prelo) e levantamentos sobre táxons da superfamília foram ou estão sendo publicados, avançando consideravelmente o conhecimento desse grupo no Brasil, permitindo inclusive uma melhor estimativa de sua diversidade.

Cabe ressaltar a oportunidade da publicação do trabalho de Grazia et al. (1999) como um dos capítulos da obra Biodiversidade do Estado de São Paulo no volume sobre Invertebrados Terrestres (Brandão & Cancello 1999). O capítulo sobre Pentatomoidea foi o primeiro trabalho de síntese feita sobre a biodiversidade do grupo no Brasil, em português, após mais de 50 anos, desde o trabalho de Costa Lima (1940). Dessa forma, se tornou referência básica para o grupo no nosso país, tendo papel importante na formação de recursos humanos que trabalham não só com percevejos mas com insetos em geral.

3. Principais grupos de pesquisa em taxonomia

Listamos a seguir os grupos de pesquisas que trabalham com taxonomia de Pentatomoidea no Brasil indicando as principais famílias em que atuam (Instituição e nome dos pesquisador(es) principal(ais):

• Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS.

Jocelia Grazia (Pentatomoidea, Dinidoridae, Pentatomidae, Phloeidae, Thyreocoridae).

Luiz Alexandre Campos (Pentatomoidea, Pentatomidae: Discocephalinae, Pentatominae).

• Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS.

Aline Barcellos (Scutelleridae, Pentatomidae) .

• Universidade Federal do Pará, Belém, PA.

José Antônio Fernandes (Pentatomidae: Discocephalinae, Edessinae, Pentatominae, Coreidae).

• Universidade Federal de São Paulo, Diadema, SP.

Cristiano Schwertner (Pentatomoidea, Pentatomidae, Cydnidae).

Nunca houve especialistas em taxonomia de nenhum grupo de Heteroptera trabalhando em Instituições do Estado de São Paulo até janeiro de 2009, quando ocorreu a contratação de C.F. Schwertner pela UNIFESP.

Outros grupos de pesquisa no Brasil ou no Estado de São Paulo trabalham em relação à agroecossistemas, principalmente com grupos de interesse econômico.

4. Principais acervos

A coleção mais significativa é sem dúvida a do Museu de Zoologia da USP (curador: Carlos Campaner). Outras coleções incluem acervos relativamente pequenos do Museu de Ciências da UNICAMP, Museu de Entomologia da UNESP\Ilha Solteira e aquelas centradas em plantas cultivadas, como as do Instituto Biológico (unidades de São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto), Horto Florestal-IF\São Paulo, Instituto Agronômico de Campinas, ESALQ-USP\Piracicaba e UNESP\Jaboticabal.

No Brasil destacam-se ainda as coleções do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Manaus, AM (Augusto Henriques), Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica-RS, Porto Alegre, RS (Aline Barcellos), Museu Nacional-UFRJ, Rio de Janeiro, RJ (Jorge Nessimian, Luiz Costa) e Museu Paraense Emilio Goeldi, Belém, PA (Orlando Tobias da Silveira)

No Exterior, destacam-se as coleções do American Museum of Natural History, Nova Iorque, EUA (Randall T. Schuh), Museum National d'Histoire Naturelle, Paris, França (Eric Guilbert), National Museum of Natural History, Washington DC, EUA (Thomas J. Henry), Naturhistoriska Riksmuseet, Estocolmo, Suécia (Gunvi Lindberg), Nationaal Natuurhistoric Museum, Leiden, Holanda (Yvone van Nierop) e The Natural History Museum, Londres, Inglaterra (Mick Webb).

5. Principais lacunas do conhecimento

A representatividade da fauna de pentatomóideos do Estado de São Paulo em coleções no Brasil e no Exterior está associada à falta de coletas. Para esse grupo de percevejos, mas de maneira geral também para toda a subordem Heteroptera, um inventário sistemático ainda não foi realizado no Estado. Além de coletas de grupos de interesse econômico (em agroecossistemas) e outras coletas esporádicas feitas ao longo dos últimos três séculos, coletas mais regulares foram realizadas apenas recentemente, porém dentro de outros projetos de inventariamento (i.e. fauna de Hymenoptera e Diptera). Essas coletas podem ser consideradas eventuais, sendo que grande parte deste material ainda sequer foi estudado por algum dos grupos de pesquisa que trabalham com taxonomia de Pentatomoidea no Brasil. Como apontado por Grazia et al. (1999), ainda há necessidade de coletas no sul do Estado (em áreas de floresta) e no oeste (cerradões), mas de uma forma geral, coletas sistematizadas em todo estado certamente ampliariam o número de espécies registradas.

Além disso, as lacunas e diretrizes apontadas por Aguiar et al. (2009) para o estudo da ordem Hemíptera e demais grupos de insetos no Brasil também devem ser ressaltados para Pentatomoidea. Entre outros aspectos, vários táxons de pentatomóideos ainda não têm estudos cladísticos, fundamentais para classificação e ampliação do conhecimento desses grupos.

6. Perspectivas de pesquisa com pentatomóideos para os próximos 10 anos

A representatividade da fauna torna o estudo dos pentatomoídeos do Estado de São Paulo fundamental para a compreensão da evolução deste táxon na região Neotropical. Estudos de inventariamento devem ser considerados prioritários para o grupo, principalmente em relação às áreas indicadas por Grazia et al. (1999) e reforçadas acima. Além disso, deveriam ocorrer esforços no sentido de avançar no conhecimento de famílias que não receberam a ênfase necessária nos estudos da fauna de insetos no Estado de São Paulo até hoje, sejam eles taxonômicos, econômicos ou sob o ponto de vista da conservação da biodiversidade (i.e. Cydnidae, Dinidoridae, Megarididae, Thyreocoridae e as subfamílias Asopinae, Discocephalinae e Edessinae).

É fundamental o apoio para estudos de sistemática (com ênfase na metodologia cladística) e o desenvolvimento de ferramentas de identificação e difusão dos conhecimentos sobre o grupo (e.g. chaves e manuais de identificação, banco de dados, etc.).

 

Referências Bibliográficas

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Recebido em 30/06/2010
Versão reformulada recebida em 11/10/2010
Publicado em 15/12/2010

 

 

* Autor para correspondência: Jocélia Grazia, e-mail: jocelia@ufrgs.br

 

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