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Biota Neotropica

On-line version ISSN 1676-0603

Biota Neotrop. vol.12 no.1 Campinas Jan./Mar. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1676-06032012000100013 

ARTIGOS

 

A vegetação do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR), São Paulo, Brasil

 

The vegetation of the Alto Ribeira Touristic State Park (PETAR), São Paulo, Brazil

 

 

Natália Macedo IvanauskasI; Roseli Lika MiashikeI; João Ruffin Leme de GodoyII; Flaviana Maluf de SouzaI,*; Marina Mitsue KanashiroIII; Isabel Fernandes de Aguiar MattosIII; Maria Teresa Zugliani ToniatoIV; Geraldo Antônio Daher Corrêa FrancoI

IInstituto Florestal, Seção de Ecologia Florestal, Rua do Horto, 931, CEP 02377-000, São Paulo, SP, Brasil, http://www.iflorestal.sp.gov.br
IIFaculdade de Engenharia São Paulo, Av. 9 de Julho, 5520, São Paulo, SP, Brasil
III
Instituto Florestal, Seção de Introdução, Rua do Horto, 931, CEP 02377-000, São Paulo, SP, Brasil, http://www.iflorestal.sp.gov.br
IVInstituto Florestal, Estação Experimental de Bauru, Av. Rodrigues Alves, 38-25, CEP 17030-000, Bauru, SP, http://www.iflorestal.sp.gov.br

 

 


RESUMO

O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) faz parte do contínuo ecológico de Paranapiacaba, um dos trechos mais bem conservados de Floresta Atlântica no estado de São Paulo. Entretanto, há pouquíssimos estudos sobre a composição florística e a estrutura da vegetação dessa área, que apresenta peculiaridades como a localização sobre regiões cársticas. O objetivo deste trabalho foi mapear a vegetação e caracterizar a flora das diferentes fitofisionomias existentes no PETAR, a fim de fornecer subsídios para a elaboração do seu plano de manejo. Para isso, fez-se o mapeamento geral e detalhado do Parque por meio de interpretação de fotografias aéreas, além de levantamentos de campo e de dados secundários para a caracterização da flora. No PETAR, predomina a Floresta Ombrófila Densa (65%), com a maior parte ocorrendo nas cotas altitudinais correspondentes à Montana (78,2%) e Submontana (19,4%), sendo encontradas também pequenas áreas de Floresta Ombrófila Densa Alto-montana (0,1%) e Aluvial (1,7%). Aproximadamente 13% são ocupados por Floresta Ombrófila Aberta com bambus, onde a vegetação arbórea de porte alto dá lugar a grandes manchas de bambu e pouca regeneração natural. Trechos de vegetação secundária, que sofreram corte raso e encontram-se em regeneração, somam cerca de 17%. No detalhamento, foram mapeados 12 tipos vegetacionais, subdivididos de acordo com o porte e a densidade da cobertura vegetal. Os trechos mais conservados, com vegetação de porte arbóreo alto e estrutura de dossel fechado, compreendem aproximadamente 37% da área vegetada do Parque. A união dos registros de campo com os dados secundários resultou em uma lista de 680 espécies de plantas nativas, sendo que o levantamento de campo acrescentou 162 novos registros para o Parque. Quarenta espécies encontram-se em alguma das categorias de ameaça das listas oficiais de espécies ameaçadas de extinção no estado de São Paulo, no Brasil e no mundo. Foram identificadas 44 espécies exóticas, das quais 14 foram consideradas invasoras.

Palavras-chave: flora, Floresta Ombrófila Densa, Mata Atlântica, Serra de Paranapiacaba, carste.


ABSTRACT

The Alto Ribeira Touristic State Park (PETAR) is part of the ecological continuum of the Paranapiacaba Range, one of the most preserved sites of the Atlantic Forest in São Paulo State. However, studies exploring its floristic structure and compostition are rare. The objective of this study was to map the vegetation and characterize the flora of the different vegetation types of PETAR to contribute to its management plan. Aerial photographs were used to produce a general and a detailed map of the park. Data collected through field surveys were combined with secondary data to characterize PETAR's flora. It was found that the Ombrophilous Dense Forest is the predominant vegetation type in PETAR (65%), which mostly occurs at elevations that correspond to the Montane (78.2%) and Lower Montane (19.4%) types. There are also areas of High Montane (0.1%) and Alluvial vegetation (1.7%). The Ombrophilous Open Forest with bamboos, where large patches of bamboos have replaced the tall closed forest, occurs in approximately 13%. Sites of secondary vegetation, which have been regenerating after past clearcuts comprise about 17%. The detailed map showed 12 different vegetation types, which were characterized according to vegetation height and density of cover. The most perserved sites, characterized by tall trees and a closed canopy structure, comprised about 37% of the park's vegetated area. Primary and secondary data were pooled and resulted in a list of 680 native plant species, with the field surveys adding 162 new records for the park. It was found that 40 species belong to some category of threat according to the official red lists of São Paulo State, Brazil, and of the world. Forty-four exotic species were identified, of which 14 were classified as invasive.

Keywords: flora, Ombrophilous Dense Forest, Atlantic Forest, Paranapiacaba Range, karst


 

 

Introdução

No Brasil, apenas 9,3 dos 11,73% de vegetação que ainda restam da Mata Atlântica têm a sua proteção garantida em unidades de conservação (UC) de proteção integral (Ribeiro et al. 2009). Um dos trechos mais bem conservados é o contínuo ecológico de Paranapiacaba, formado pelo Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR), Parque Estadual Carlos Botelho (PECB), Parque Estadual Intervales (PEI) e Estação Ecológica de Xitué (EEcX). Esse conjunto de unidades de conservação soma cerca de 120.000 ha (Souza et al. 2006), compondo uma das sete maiores áreas contínuas de Mata Atlântica identificadas no país (Ribeiro et al. 2009).

Apenas no sudeste do estado de São Paulo e nordeste do Paraná, na região do Vale do Ribeira e Alto Paranapanema, são encontradas áreas de Floresta Ombrófila Densa sobre regiões cársticas, com destaque para o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR), o Parque Estadual Intervales e o Parque Estadual Caverna do Diabo. Dentre estes, o PETAR é reconhecido internacionalmente pelo número, beleza e complexidade das suas cavernas: até o momento foram levantadas mais de 400 cavernas, compondo cerca de 80 km subterrâneos, em fase de desenvolvimento há aproximadamente 1,7 milhões de anos (Karmann 1994). O PETAR situa-se em uma área montanhosa, com dolinas, paredões rochosos, cones cársticos, rios subterrâneos e lápies em relevos cársticos e com montanhas onduladas sobre granitos intrusivos e filitos (Aidar 2000, Godoy 2001). As lentes de calcário apresentam geomorfologia diferenciada e originam solos mais férteis, com altos teores de cálcio e magnésio, mas pouco profundos e que dão origem a florestas diferenciadas do padrão encontrado sobre os solos mais ácidos, menos férteis e com teores de alumínio mais elevados, característicos das encostas da Serra do Mar (Aidar et al. 2001, Godoy 2001).

A presença de áreas contíguas com vegetação em bom estado de conservação no contínuo ecológico de Paranapiacaba se deve à dificuldade de ocupação humana em decorrência de condições físico-climáticas desfavoráveis na região, como relevo montanhoso, declividades acentuadas, solos pobres em nutrientes e clima superúmido (Aidar 2000). Ocupadas sobretudo pela Floresta Ombrófila Densa, essas áreas merecem atenção especial para a conservação da biodiversidade brasileira, pois este tipo de floresta contém mais da metade da riqueza (60%) e a maior parte dos endemismos (80%) encontrados na Mata Atlântica lato sensu (Stehmann et al. 2009). Além disso, a região do Vale do Ribeira e Alto Paranapanema permanece fora dos principais eixos de desenvolvimento econômico paulista, com predominância de população rural sobre a urbana e os piores índices de desenvolvimento humano do estado de São Paulo. Nessa região, estão abrigadas comunidades com evidências de tradicionalidade de grande valor sociocultural e histórico (ex.: quilombolas) e, ao mesmo tempo, em situação de extrema pobreza, com baixa dinâmica econômica resultante dos altos índices de vulnerabilidade social (Fogaça et al. 2010). Diante das limitações socioeconômicas e das restrições ambientais, o turismo representa importante papel para o Vale do Ribeira e Alto Paranapanema, desde que sejam compatibilizadas as ações de conservação e o desenvolvimento regional. Nesse contexto, a necessidade de planejamento se faz premente, de forma a ordenar o uso do território pelos diferentes públicos (Magro et al. 2010).

O uso da área e o manejo dos recursos naturais de qualquer unidade de conservação são regulamentados pelo seu plano de manejo, documento que fornece um diagnóstico multidisciplinar para orientar a gestão. A caracterização da vegetação é um dos elementos fundamentais do plano, uma vez que ela constitui a grande unidade da paisagem na qual se inserem todos os demais seres vivos que também devem ser protegidos. É com base no mapeamento da vegetação e em suas características que se realizam as propostas de zoneamento da UC, determinando as classes de uso e conservação em suas diferentes porções. Diante da importância desse conhecimento para promover a conservação da biodiversidade de forma eficiente e em harmonia com as demais atividades de uma UC, este trabalho teve como objetivo mapear a vegetação e caracterizar a flora das diferentes fitofisionomias existentes no PETAR, a fim de fornecer subsídios para a elaboração do seu plano de manejo.

 

Métodos

1. Área de estudo

O PETAR possui uma área de 35.884,28 ha e abrange parte dos municípios de Iporanga, Apiaí e Guapiara, na região sul do estado de São Paulo (24º 16' 40" - 24º 38' 30"S e 48º 27' 20" - 48º 44' 00" O; Figura 1). Localizado em uma região de confluência de vários sistemas de circulação atmosférica (atlântico, polar, tropical), o PETAR tem seu clima classificado, segundo o sistema de Köppen (1948), como Cfb-Subtropical úmido sem estação seca e com verão fresco, com a temperatura média do mês mais frio menor que 18º C e a temperatura média do mês mais quente superior a 22º C (SMA, não publicado). Dados de precipitação para a região de Iporanga indicam uma média anual variando de 1.500 a 2.000 mm, com a maior precipitação média mensal ocorrendo no mês de janeiro e a menor em agosto (Lepsch et al. 1990).

O PETAR encontra-se em uma área de relevo montanhoso com grande amplitude altitudinal, variando de 80 a 1.146 m. O relevo pode apresentar formas mais arredondadas sobre granitos intrusivos e filitos, ou mais dissecadas nas áreas sobre calcário, caracterizando um relevo residual cárstico (Godoy 2001). O calcário decompõe-se facilmente com a umidade dos climas tropicais, restando apenas as partes mais duras sob a forma de rocha, formando cones cársticos, declividades exageradamente acentuadas, pronunciados sulcos, e cristas e platôs na meia encosta. Depressões circulares, ou dolinas, com até 150 m de profundidade podem se formar devido a escavações causadas pelas correntes subterrâneas (Walter 1986; Baillie 1996). Devido à presença de grandes porções de rochas calcárias, porosas e de fácil dissolução ou desgaste pela água em conjunto com ácidos orgânicos e inorgânicos, o Parque apresenta um expressivo número de cavernas. Os solos predominantes são os Cambissolos háplicos, seguidos de Neossolos litólicos e Latossolos (Vermelho, Amarelo e Vermelho-Amarelo), ocorrendo em menores proporções os Argissolos amarelos e os Gleissolos (Rossi & Pires-Neto 2010).

2. Mapeamento da vegetação e caracterização da flora

Para o mapeamento da vegetação foram utilizadas fotografias aéreas verticais em colorido natural, na escala aproximada de 1:35.000, realizadas pela AEROCARTA-BASE-ENGEFOTO para a SMASP-PPMA-KFW em 2000/2001, e o mosaico aerofotogramétrico digital do mesmo vôo. Foram utilizadas também as fotografias do vôo aerofotogramétrico do Litoral Sul na mesma escala, realizadas pela Terrafoto S.A. para a CESP, e a imagem do satélite SPOT 4 de 2005, com resolução de 5 × 5 m, para atualização das informações obtidas pela fotointerpretação das fotografias de 2000/2001. A análise das fotografias foi realizada com base nos procedimentos adotados por Lueder (1959) e Spurr (1960), que identificam e classificam a vegetação utilizando os elementos da imagem fotográfica como cor, tonalidade, textura, entre outros. A observação de atributos como porte, densidade da vegetação e abundância de bambus complementaram essa análise e orientaram a definição das manchas de vegetação, possibilitando a realização de um mapeamento detalhado. As informações foram digitalizadas e transportadas para as bases cartográficas digitais de Mina do Espírito Santo (SG-22-X-B-II-4) - 1974, Ribeirão Itacolomi (SG-22-X-B-III-3) - 1974 e Iporanga (SG-22-X-B-V-2) - 1987, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), elaborando-se, assim, um mapa preliminar. Durante os trabalhos de campo, fez-se a verificação dos padrões estabelecidos pela fotointerpretação, apontando-se eventuais divergências para a realização de ajustes e elaboração do mapa final. O sistema de classificação da vegetação utilizado foi o de Veloso et al. (1991).

O levantamento das espécies de plantas vasculares foi feito unindo-se dados secundários e dados obtidos em campo. Para a obtenção de dados secundários, foram consultados estudos florísticos ou fitossociológicos desenvolvidos no Parque, incluindo-se artigos científicos, dissertações e teses. Também foram incluídos os registros informatizados das exsicatas depositadas em herbários e disponíveis nas bases de dados SpeciesLink (2010) e SinBiota (Sistema de Informação Ambiental do BIOTA 2010). Os dados foram obtidos diretamente no material impresso ou online, não tendo sido feita a verificação do material testemunho. Apenas as identificações com binômio completo foram consideradas. Para a inclusão das citações provenientes dos registros de herbários, foram utilizados também os seguintes critérios: a) exsicatas certamente registradas dentro dos limites do Parque (coletas com coordenadas geográficas); b) registros que continham, em algum dos campos (ex.: localidade e notas), informações de que a coleta havia sido realizada dentro do Parque; c) coletas nos municípios de Apiaí e Iporanga, admitindo-se que provavelmente a UC tenha sido a área preferencial para coletas botânicas nos municípios abrangidos pelo Parque e que a ausência ou imprecisão de coordenadas se deva ao fato de serem coletas antigas ou a falhas de equipamento.

O levantamento de campo foi feito percorrendo-se 22 trilhas em quatro viagens, com duração total de 26 dias. As trilhas estavam distribuídas por cinco núcleos do Parque (Tabela 1), de forma a abranger a maior variedade de fitofisionomias possível. Ao longo do caminho foram amostrados predominantemente os indivíduos arbustivos e arbóreos. O material botânico coletado foi identificado por meio de comparação com exsicatas existentes em herbários, com o uso de bibliografia específica ou por consulta a especialistas. Após a identificação, o material fértil foi incorporado ao herbário D. Bento Pickel, do Instituto Florestal (SPSF). A classificação em família das plantas Psilotopsida, Equisetopsida, Marattiopsida e Polypodiopsida seguiu a proposta de Smith et al. (2006). Em relação às plantas Spermatophyta, para as Magnoliophyta (Angiospermas) foi utilizado como base o trabalho de Souza & Lorenzi (2008) com atualização das famílias de acordo com a publicação do APGIII (Angiosperm Phylogeny Group III 2009) e, para as Pinophyta (Gimnospermas), as famílias seguiram os nomes classicamente encontrados na literatura. A lista final de espécies, resultante da união dos dados primários e secundários, seguiu a grafia e sinonimização do Catálogo de Plantas e Fungos do Brasil (Forzza et al. 2010), ou ainda dos volumes da Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo (Wanderley et al. 2001, 2002, 2003, 2005, 2007, 2009), do banco de dados do Missouri Botanical Garden (Tropicos 2010) e do catálogo mundial de espécies conhecidas (Bisby et al. 2010).

Com base na lista contendo os dados primários e secundários foram destacadas as espécies ameaçadas e exóticas registradas no interior do Parque. As listas oficiais das espécies vegetais ameaçadas de extinção utilizadas para consulta foram: a) Lista oficial de espécies ameaçadas de extinção no estado de São Paulo (Mamede et al. 2007); b) Lista oficial das espécies da flora brasileira ameaçada de extinção (Brasil 2008); c) Lista vermelha de espécies ameaçadas de extinção globalmente (International Union for Conservation of Nature 2008). Foram consideradas como espécies exóticas aquelas de ocorrência fora dos limites geográficos historicamente reconhecidos (Ziller 2001). Já como espécies-problema foram consideradas as espécies nativas e/ou exóticas que formassem populações fora de seu sistema normal ou fora de seu tamanho desejável (Moreira & Piovezan 2005). A primeira situação refere-se às populações que, mesmo em seu estado normal e estável, não são desejáveis num determinado local e exigem manejo contínuo, situação frequente entre as espécies exóticas que invadem áreas naturais. Já a segunda situação trata da necessidade de controle de uma população que apresenta uma explosão em densidade ou biomassa e, portanto, se encontra fora de sua estabilidade natural. Em sua maior parte, as espécies nativas causam problemas desse tipo e a ação de manejo necessária é temporária, pois visa apenas restabelecer o estado normal dessa população.

As espécies com potencial invasor foram identificadas com base na lista do Instituto Hórus (Instituto 2011). Para avaliar a situação da invasão foram utilizadas as seguintes classes (Zalba 2005): 1 - presente: encontrada em ambiente natural, porém ainda sem descendência ou dispersão aparente; 2 - estabelecida: quando está se reproduzindo localmente, com descendência; 3 - invasora: quando se expande a partir do ponto inicial e está em processo de dispersão.

 

Resultados

1. Fitofisionomias existentes no PETAR

No PETAR predomina a Floresta Ombrófila, da qual cerca de 65% (23.218,37 ha) estão representados pela Floresta Ombrófila Densa e 13,3% (4.774,57 ha) por áreas de Floresta Ombrófila Aberta com bambu. Aproximadamente 17% (6.112,24 ha) são ocupados por vegetação secundária e o restante da área, por outros tipos de cobertura, como campo antrópico, afloramentos de rocha, uso antrópico, entre outros (Figuras 2 e 3, Tabela 2).

De acordo com o sistema de classificação da vegetação de Veloso et al. (1991), a separação entre as formações se dá de acordo com uma combinação entre os limites altitudinais e a latitude do local. No PETAR, onde a latitude do extremo norte é de 24º S, a Floresta Ombrófila está representada pelas formações Alto-montana (em cotas altitudinais superiores a 1.000 m), Montana (entre 400 e 1.000 m) e Submontana (entre 30 e 400 m), além da formação Aluvial, que ocorre ao longo dos cursos d'água (Figura 2, Tabela 2).

Embora a presença de Floresta Ombrófila Densa Alto-montana (0,1%) tenha sido identificada pelo mapeamento considerando as cotas altitudinais definidas por Veloso et al. (1991), não foi possível realizar o levantamento em nenhum trecho dessa formação, devido às dificuldades de acesso. A Floresta Ombrófila Densa Montana é a formação florestal predominante no Parque (78,2%) e a Floresta Ombrófila Densa Submontana (19,4%) ocupa sobretudo as áreas de fundo de vales dos grandes rios, como o Betari, Iporanga e Pilões (Figura 2). As áreas de Floresta Ombrófila Densa Aluvial (1,7%) correspondem a áreas de inundação temporária situadas nas planícies fluviais.

Grande parte das áreas de Floresta Ombrófila Densa Submontana e Aluvial já sofreu corte raso e, portanto, foi classificada como vegetação secundária (Figura 3 - Vs) ou reenquadrada na categoria de Floresta Ombrófila Aberta com bambu (Asb). Foram mapeados como capoeirão (Veloso et al. 1991) os trechos de vegetação de porte arbóreo médio a alto, com estrutura de dossel fechado (Vs7) ou aberto (Vs8), em torno de 15 m de altura. Os trechos denominados de capoeira (Veloso et al. 1991) apresentaram vegetação de porte arbóreo mais baixo (cerca de 5 m), com dossel aberto (Vs9) ou fechado (Vs10).

Apesar do predomínio da Floresta Ombrófila, trechos de Floresta Estacional Semidecidual estão presentes em encraves sobre os afloramentos de calcário e lápies. Apesar de reconhecida em campo, esta fitofisionomia não foi mapeada devido à ausência de imagens em escala ou período favoráveis para detectar a deciduidade do dossel e de informações sobre a localização precisa dos afloramentos de calcário e lápies.

No detalhamento, foram identificados e mapeados 12 tipos de vegetação natural, subdivididos de acordo com o porte e a densidade da cobertura florestal (Figura 3; Tabela 2). Os trechos florestais mais conservados de Floresta Ombrófila Densa Montana, caracterizados como vegetação de porte arbóreo alto, com estrutura de dossel fechado (Figura 3 - D1), compreendem aproximadamente 37% da área vegetada do Parque. Trechos com esta mesma fisionomia, mas onde foi possível detectar alguma alteração de caráter antrópico, foram diferenciados pela presença de dossel aberto (D2). As florestas de porte médio, presentes próximas aos topos de morros, também foram separadas entre aquelas de dossel fechado (D3) ou aberto (D4). Foram identificadas ainda áreas com dossel fechado e árvores de porte baixo, ocorrendo parte nas cristas da serras (D5) ou nas demais regiões do Parque (D6), mas neste caso devido a escorregamentos naturais ou influência da ação humana.

2. Composição florística

Foram registradas 680 espécies de plantas nativas (Tabela 3), pertencentes a 357 gêneros e 120 famílias. As famílias mais ricas em espécies foram Myrtaceae (65 espécies), Fabaceae (46), Melastomataceae (39), Rubiaceae (35) e Asteraceae (31). Do total de espécies, 518 foram provenientes de dados secundários e 312 dos levantamentos de campo. O número de espécies comuns entre dados primários e secundários foi de 150, sendo que 162 espécies amostradas em campo (23,8%) foram novas citações para o Parque.

Entre as espécies listadas para o PETAR, 40 estão presentes em uma ou mais listas de espécies ameaçadas de extinção (Tabela 4), das quais cinco são consideradas presumivelmente extintas, 21 ameaçadas de extinção (presentes na lista nacional ou pertencentes às categorias criticamente em perigo, em perigo ou vulneráveis), 11 com baixo risco de extinção (dependentes de conservação, quase ameaçadas ou com risco mínimo) e três com dados insuficientes para a sua categorização. As cinco espécies presumivelmente extintas de acordo com a lista de espécies ameaçadas no Estado de São Paulo são as epífitas Nidularium jonesianum Leme (sem data, exsicata no JBRJ), Tillandsia linearis Vell. (coletada em 1997, exsicata ESA 37554), Peperomia emarginella (Sw.) C. DC. (coletada em 2003, JBRJ 429428) e Galianthe pseudopeciolata E.L.Cabral. (coletada em 1997, exsicatas ESA 37726, FUEL 21661 e IAC 36420), além do arbusto Bunchosia pallescens Skottsb (dado primário, SPSF 43223).

Foram registradas 44 espécies consideradas exóticas (Tabela 5), a maior parte (39 espécies) durante o levantamento de campo, sendo apenas sete espécies provenientes de dados secundários. Parte das espécies (22) foi observada ocorrendo como árvores isoladas ao longo de estradas e ao redor de moradias; já as espécies herbáceas e arbustivas tenderam a ocorrer de forma agrupada. Analisando-se a situação de invasão, 10 espécies foram consideradas "presentes", 15 "estabelecidas" e 14 "invasoras". Todas as espécies invasoras, a espécie nativa Dicranopteris flexuosa (Schrad.) Underw. e o bambu nativo Guadua tagoara (Nees) Kunth foram classificadas como espécies-problema.

 

Discussão

1. Fitofisionomias existentes no PETAR

A Floresta Ombrófila Densa, formação mais característica do Parque, é uma floresta perenifólia que ocorre em clima de elevadas temperaturas e alta precipitação, bem distribuída durante o ano (Veloso et al. 1991). Situa-se em toda a Província Costeira do Estado de São Paulo, com penetrações em direção ao Planalto Atlântico, onde se encontra com a Floresta Estacional. Assim, o Planalto Atlântico é uma área de ecótono entre duas formações distintas (a Floresta Estacional e a Floresta Ombrófila), o que dificulta o traçado de limites. Este avanço da Floresta Ombrófila para o interior em direção ao Planalto Atlântico parece ocorrer apenas em algumas condições fisiográficas específicas de elevadas altitudes, onde a entrada de espécies ombrófilas é facilitada pela ausência de estação seca e elevada umidade relativa do ar, mas onde há uma pressão de seleção para espécies tolerantes ao clima frio, resistentes a geadas e adaptadas à baixa luminosidade ocasionada pela neblina constante (Ivanauskas et al. 2000).

Um pequeno trecho do PETAR situa-se sobre o Planalto Atlântico, na região do Planalto da Guapiara. Esse Planalto contém um dos principais ecótonos vegetacionais do estado de São Paulo, pois ali se dá o contato entre a Floresta Estacional Semidecidual típica do interior, a Floresta Ombrófila Densa da região costeira e o limite norte da distribuição contínua do domínio da Floresta Ombrófila Mista proveniente da bacia do Paraná. Há relatos de antigos funcionários de que a Floresta Ombrófila Mista ocupava grande parte da região de Planalto no interior do Parque, mas a exploração madeireira de sua espécie típica (Araucaria angustifolia - araucária) foi tão intensa que atualmente remanescentes significativos desta formação são encontrados apenas na zona limítrofe do Parque. No interior do PETAR foram observadas poucas árvores de araucária, que foram plantadas por funcionários ou moradores, não mais em área de Planalto e sim sobre a Serrania Costeira, caracterizando-a, assim, como espécie exótica introduzida.

Sobre a Serrania Costeira, onde predomina a Floresta Ombrófila, observa-se um gradiente vegetacional: com a elevação da altitude, o aumento da declividade e a diminuição da profundidade do solo, as florestas tendem a apresentar porte cada vez menor e maior número de indivíduos. Somam-se a esse gradiente natural os distúrbios causados pelo histórico de uso em determinados trechos, por vezes evidenciados pela presença de dossel aberto.

A Floresta Ombrófila Densa Alto-montana é a floresta perenifólia presente no topo dos morros acima de 1.000 m de altitude, denominada também de matinha nebular (Klein 1978) ou mata de neblina (Hueck 1956), em virtude da presença de neblina em muitas horas por dia, em quase todos os dias do ano, mesmo na estação seca (Hueck 1956). Associados à neblina, outros fatores condicionantes são os solos rasos (litossolos), usualmente com afloramentos rochosos, e o clima frio (Garcia 2003). Um aspecto fisionômico característico nas matas nebulares é o baixo porte das espécies arbustivas e arbóreas. O nanismo dessas espécies é atribuído à oligotrofia e também aos efeitos do vento, como desgaste físico devido ao atrito e maior perda de água (Garcia 2003). Essas matas apresentam também em seu interior populações densas de bromélias e orquídeas terrícolas, pteridófitas, líquens, musgos e espécies de Chusquea (taquaras), que dão a essa formação uma fisionomia característica (Mantovani et al. 1990, Joly et al. 1991).

A ocorrência dessa vegetação mais baixa e sujeita à neblina em altitudes inferiores às estabelecidas pelo sistema de classificação de Veloso et al. (1991) já foi relatada em outros levantamentos na Serra do Mar (Araujo et al. 2005, Bertoncello et al. 2011) e de Paranapiacaba (Souza et al. 2006), mas essa condição não foi observada em nenhum trecho amostrado no Parque em decorrência da dificuldade de acesso. No interior do Parque Estadual Intervales, áreas similares foram descritas em extensão contínua sobre os topos das serras e em elevações montanhosas na porção nordeste, ou sobre morros isolados em altitudes mais elevadas (Mantovani et al. 2009).

A Floresta Ombrófila Densa Montana é a formação predominante no PETAR e nas unidades de conservação do entorno que integram o contínuo de Paranapiacaba (PECB, PEI e EEcX), com estrutura e extensão territorial aparentemente adequadas à perpetuação e manutenção da flora, se protegida dos impactos da ação humana. Essa região montanhosa também é considerada vital para a conservação da mastofauna da Floresta Atlântica, em especial para a população dos grandes felinos, pois o sul do estado de São Paulo e o norte do Paraná abrigam a última grande população de onças-pintadas (Panthera onca) da Mata Atlântica (Leite et al. 2002).

Em todo o contínuo, por causa da alta declividade e do relevo escarpado, o fundo de vale dos grandes rios foi historicamente o meio utilizado pelas populações humanas para a ocupação do território. Assim, trechos de Floresta Ombrófila Densa Submontana e Aluvial encontram-se geralmente mais degradados, em decorrência do corte raso da vegetação para a formação de roças ou extrativismo para lenha e carvão. Boa parte dessas áreas foi mapeada como vegetação secundária e alguns trechos foram ocupados por bambus, sendo então mapeados como Floresta Ombrófila Aberta.

A denominação Floresta Ombrófila Aberta foi utilizada pelo Projeto RADAMBRASIL para uma vegetação de transição entre a Floresta Amazônica e as áreas extra-amazônicas e com gradientes climáticos com mais de 60 dias secos por ano (Veloso et al. 1991). Embora o conceito tenha sido aplicado originalmente para áreas amazônicas, o termo Floresta Ombrófila Aberta consta do Decreto 750/93 e da Lei 11.428/2006, que tratam do domínio da Mata Atlântica. Veloso et al. (1991) também afirmaram que a faciação, ou seja, a fisionomia específica denominada "floresta com bambu", além de ocorrer na parte ocidental da Amazônia, estende-se também até a borda ocidental do Planalto Meridional no Estado do Paraná, onde o bambuzal domina áreas florestais onde houve exploração de madeiras nobres. Grandes áreas ocupadas por bambus foram registradas também para os Parques Estaduais da Serra do Mar (Araujo et al. 2005), Carlos Botelho (Souza et al. 2006), Intervales (Mantovani et al. 2009) e para a Estação Ecológica de Xitué (Souza et al. 2011).

Sabe-se que os bambus podem restringir a regeneração de espécies arbóreas e afetar a dinâmica das comunidades. Alguns dos mecanismos responsáveis por isso são o bloqueio à chegada de propágulos (Rother et al. 2009) e os danos físicos provocados às espécies arbóreas, causando a mortalidade de plântulas, além da redução na altura, na área basal e na densidade dos indivíduos (Griscom & Ashton 2003, 2006). No PETAR, assim como nas demais UCs onde os bambus foram observados em elevada abundância, parece de fato haver um efeito negativo sobre a comunidade. Em alguns locais, após a morte dos bambus, abriu-se uma grande clareira que começou a ser dominada por lianas heliófitas, formando uma densa cobertura vegetal que possivelmente irá dificultar o estabelecimento da regeneração natural (Souza et al. 2011).

Não se sabe exatamente quais são os fatores que determinam a proliferação dos bambus e tampouco como se dá a dinâmica de expansão e retração das manchas. Acredita-se que o processo de ocupação pode ser desencadeado tanto por distúrbios naturais (como, por exemplo, escorregamentos e abertura de grandes clareiras) quanto por intervenções antrópicas (ex.: corte seletivo), que criam condições abióticas favoráveis ao desenvolvimento dessas espécies, sobretudo o aumento de intensidade luminosa (Mantovani et al. 2009). Contudo, ainda são escassas as informações sobre a dinâmica dos bambus e seus possíveis impactos sobre as demais espécies da comunidade nas áreas de Floresta Ombrófila. Estudos de longo-prazo sobre a ocorrência e estrutura populacional das diferentes espécies de bambu são essenciais para compreender os efeitos da ocupação dos bambus sobre a regeneração natural, analisar a necessidade de intervenção e propor medidas de restauração.

Presente em áreas ao longo dos cursos d'água, sujeitas à inundação temporária ou permanente, a formação Floresta Ombrófila Densa Aluvial, também conhecida como floresta ribeirinha ou ciliar, é representada por comunidades vegetais que refletem os efeitos das cheias dos rios nas épocas chuvosas ou nas depressões alagáveis todos os anos (Veloso et al. 1991). No caso do PETAR, foram amostradas somente áreas de inundação temporária, mas não se pode descartar a possibilidade de haver trechos permanentemente alagados no Parque, que certamente apresentarão composição florística distinta das áreas visitadas.

Em diversos trechos do PETAR são encontrados afloramentos rochosos com lápies, ranhuras que se formam por processos de dissolução das rochas e que ocorrem nos relevos de morros e morrotes cársticos associados à presença de rochas carbonáticas (Winge 2001). Nestes trechos, as árvores se fixam diretamente sobre as rochas (rupícolas) ou nas fendas entre elas (saxícolas). Trata-se então de um ambiente único no Parque, pois a água disponível para as plantas é proveniente da água de percolação, nos dias em que ocorre precipitação, ou da umidade relativa do ar proveniente de neblina. Tais fatores contribuem para a seleção das espécies ocorrentes nesta formação, relacionada à sua adaptabilidade morfológica e fisiológica, de maneira a resistir à deficiência hídrica, mesmo que por curtos períodos. Assim, nota-se a predominância de espécies decíduas ou semidecíduas sobre essas formações, com destaque para a abundância de leguminosas (Fabaceae), representadas por indivíduos de grande porte de caviúna (Machaerium scleroxylon), espécie ameaçada de extinção no estado de São Paulo. Destaca-se também a presença de pau-d'alhos (Gallesia integrifolia) e figueiras (Ficus spp.), que pelo hábito hemiepifítico (no caso das últimas), conseguem também se estabelecer com sucesso nessas áreas. Assim, sobre os afloramentos rochosos do PETAR, é possível que sejam encontrados encraves de florestas estacionais semideciduais ocorrendo lado a lado com as florestas ombrófilas densas e abertas. Esses habitats únicos são relevantes por apresentar fisionomia e florística próprias, contribuindo para a biodiversidade regional. Pesquisas voltadas para o inventário da flora local, para a ecofisiologia e para a fenologia das espécies ali presentes são altamente recomendadas para a melhor caracterização destas comunidades, que merecem atenção especial pois contêm, além de peculiaridades na vegetação, um sistema cárstico com diversas cavidades naturais que representam um dos maiores atrativos turísticos do Parque.

Situações de relevo menos declivoso e a proximidade com os grandes rios possibilitaram maior ocupação humana nas cotas altitudinais mais baixas, resultando em impactos sobre a vegetação ali presente. No Parque, essas áreas de vegetação secundária foram identificadas em vários estágios sucessionais, inferidos sobretudo pelo porte da vegetação e pela cobertura. Tais regiões foram provavelmente objeto de corte raso com finalidade agrícola ou de retirada intensa de árvores para a produção de carvão, e, portanto, são áreas abandonadas e sujeitas à regeneração natural, cujo sucesso e velocidade de colonização dependem do tempo de abandono, do uso ao qual foram submetidas e da disponibilidade de propágulos e dispersores no entorno. O tipo de embasamento geológico também pode influenciar o curso da sucessão e determinar as características dessas comunidades. Comparando áreas de vegetação secundária com mesma idade de abandono, Godoy (2001) observou que nos trechos sobre calcário as florestas eram menos densas e com árvores de maior porte. Nestas áreas, houve uma substituição de espécies de Melastomataceae (especialmente Tibouchina pulchra) e outras famílias típicas de trechos secundários da Floresta Ombrófila Densa por espécies de Fabaceae (especialmente Piptadenia gonoacantha, Inga marginata, Schyzolobium parahyba e Hymenaea courbaril), em decorrência de alterações nas características do solo.

2. Composição florística

Considerando-se a Floresta Atlântica lato sensu, são conhecidas 15.782 espécies de plantas vasculares, distribuídas em 2.257 gêneros e 348 famílias (Stehmann et al. 2009), o que corresponde a cerca de 5% da flora mundial, estimada em 300.000 espécies de plantas (Judd et al. 2009). Mais da metade da riqueza (60%) e a maior parte dos endemismos (80%) da flora atlântica foram encontrados na Floresta Ombrófila Densa (Stehmann et al. 2009), o que evidencia a importância dessa formação florestal para a conservação da biodiversidade brasileira. Nesse cenário, é muito relevante o patrimônio natural composto pelos remanescentes localizados no estado de São Paulo, cuja maior parte se situa em área contínua de Floresta Ombrófila Densa sobre a Serra do Mar e a Serra de Paranapiacaba (Nalon et al. 2010).

No contínuo ecológico de Paranapiacaba, o PETAR é a unidade de conservação que apresenta o segundo maior registro no número de espécies. O Parque Estadual Carlos Botelho, com área pouco maior que o PETAR (37.797 ha), possui flora bem estudada e conta com o registro de 1.113 espécies (Souza et al. 2006). Já o Parque Estadual Intervales, embora com área mais extensa (41.704 ha), possui riqueza conhecida um pouco inferior, de 661 espécies de plantas (Mantovani et al. 2009). Para a Estação Ecológica de Xitué, que possui área bem menor que as demais (3.095 ha), são conhecidas 125 espécies (Souza et al. 2011).

Mesmo após o esforço recente de muitos taxonomistas para reunir o conhecimento existente sobre a flora atlântica brasileira (Stehmann et al. 2009), sabe-se que ainda há lacunas de conhecimento: entre 1990 e 2006 foram registradas 1.194 novas espécies em seus limites, o que representa 42% do total descrito para o Brasil no mesmo período (Sobral & Stehmann 2009). Nesse contexto, os valores de riqueza de espécies vasculares das unidades de conservação das florestas ombrófilas paulistas também parecem subestimados. Registros de novas ocorrências para o estado e a descrição de espécies novas têm sido frequentemente encontrados na literatura científica (vide volumes da Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo, por exemplo).

No PETAR, a riqueza de espécies vegetais apresentada também está subestimada, tanto por terem sido coletados preferencialmente indivíduos arbustivos e arbóreos quanto pela falta de estudos de comunidades do local. As buscas às diferentes fontes de dados bibliográficos revelaram apenas um estudo dentro dos limites do Parque, realizado por Godoy (2001) e publicado parcialmente em Aidar et al. (2001). O potencial para abrigar maior riqueza específica é alto, pois o PETAR contém dentro de seus limites lentes carbonáticas inseridas numa matriz geológica composta por filitos, granitos, metabazitos e quartzitos (Karmann 1994), resultando em elevada heterogeneidade de solos e tipos de terrenos. Solos desenvolvidos sobre rochas carbonáticas apresentam maior disponibilidade de nutrientes para as plantas (Godoy 2001), sobretudo aqueles pouco desenvolvidos, onde as raízes das árvores encontram-se muito próximas do material de origem, rico em cálcio e magnésio. Quando sujeitos à precipitação intensa, como é o caso do PETAR, os nutrientes tendem a ser lixiviados rapidamente e, em locais onde há solos mais profundos de mesmo material de origem, a fertilidade pode diminuir.

Além das lacunas de conhecimento decorrentes das diferentes intensidades de coleta entre locais, há um forte viés com relação às formas de vida. Há um esforço desproporcional de levantamentos de espécies arbóreas e arbustivas, quando comparadas às demais (Durigan et al. 2008). Entre as diferentes formas de vida menos amostradas encontram-se espécies herbáceas, trepadeiras, epífitas, aquáticas microscópicas e até mesmo pertencentes a outros reinos, como os organismos unicelulares e os fungos. No caso particular do PETAR, atenção especial deve ser dada a este último reino, devido à grande quantidade de espécies de fungos bioluminescentes que vem sendo descoberta na última década (Desjardin et al. 2005, 2007, 2010).

Constatou-se que o PETAR abriga elevado número de espécies consideradas ameaçadas de extinção, informação que contribui significativamente para a atualização da lista de espécies ameaçadas no estado de São Paulo. Isto porque entre os critérios para a inclusão de uma espécie na lista está a ocorrência ou não em unidades de conservação, com maior peso quando nenhuma ocorrência é registrada nesses locais, colocando a espécie em situação aparentemente "desprotegida" (Souza et al. 2007). No entanto, é possível que boa parte das espécies presentes nessas listagens oficiais resultem do baixo esforço de coleta para outras formas de vida que não árvores, como é o caso de muitas epífitas consideradas ameaçadas de extinção.

No PETAR foram registradas cinco espécies consideradas presumivelmente extintas na natureza no estado de São Paulo, devido à ausência de coletas destas espécies em áreas naturais nos últimos 50 anos (Souza et al. 2007). No entanto, dentre as cinco espécies consideradas provavelmente extintas, as epífitas Tillandsia linearis e Galianthe pseudopeciolata foram coletadas em 1997, Peperomia emarginella em 2003 e o arbusto Bunchosia pallescens coletada neste estudo. Portanto, a única que ainda pode ser considerada presumivelmente extinta na natureza é a epífita Nidularium jonesianum pois, embora a exsicata não mencione a data de coleta, o coletor foi Moysés Kuhlmann, o mesmo citado para uma coleta da mesma espécie realizada em 1939 no município de Ribeira (exsicata SP 41638) e considerada a última coleta realizada em São Paulo por Moreira et al. (2007). Pode-se dizer, portanto, que os levantamentos de campo e a compilação criteriosa de dados secundários das unidades de conservação são ferramentas importantes para contribuir para a revisão da lista de espécies ameaçadas.

A presença de espécies ameaçadas em uma área protegida é um indicador da relevância de uma unidade de conservação de proteção integral para a conservação da biodiversidade. Já a presença de espécies exóticas invasoras na mesma unidade representa um vetor de degradação e, portanto, uma ameaça para a conservação das populações in situ.

Dentre as espécies exóticas registradas no PETAR, muitas são frutíferas e de provável introdução por populações humanas ou propagadas em áreas de vegetação nativa por serem apreciadas pela fauna. É o caso da mangueira (Mangifera indica) e do abacateiro (Persea americana), encontrados em pontos isolados e representados por poucos indivíduos, aparentemente não causando impactos significativos sobre a vegetação nativa. Já a goiabeira (Psidium guajava) foi observada em alta densidade em uma área antropizada e a uva-japonesa (Hovenia dulcis) no interior da floresta, portanto com comportamento invasor.

Plantações de Pinus spp. e áreas abandonadas de pastagem implantadas por antigos moradores foram encontradas nos núcleos Areado, Capinzal e Bulha d'água. Embora não se tenha observado impacto aparente de Pinus ao longo das trilhas percorridas, espécies deste gênero têm reconhecido potencial invasor de áreas naturais e, por isso, recomenda-se a erradicação destes plantios e sua conversão em floresta nativa. O mesmo procedimento deve ser adotado para as áreas de pastagens ocupadas por gramíneas africanas, que tendem a se proliferar com o revolvimento do solo, feito regularmente para manutenção de estradas. Gramíneas e outras espécies ruderais também invadem caminhos abandonados, ambientes ciliares sem cobertura florestal e, em menor escala, o interior das áreas onde há incidência de luz solar direta. O lírio-do-brejo (Hedychium coronarium) também é uma espécie que merece atenção. Trata-se de uma espécie exótica invasora muito abundante em vários trechos ribeirinhos, onde já são consideradas espécie-problema devido à capacidade de reprodução vegetativa, facilidade de dispersão e alta densidade populacional em áreas degradadas pelo assoreamento dos cursos d'água.

Além das exóticas, observou-se a ocorrência da espécie Dicranopteris flexuosa em abundância, mais especificamente nos topos de morros sujeitos a escorregamentos e áreas abertas. Embora seja nativa, esta espécie pode ser considerada uma espécie-problema em razão de sua velocidade de crescimento e modo de ocupação dos ambientes abertos, onde se formam densos tapetes de indivíduos, que provavelmente dificultam ou impedem a germinação e o crescimento de diversas espécies nativas. Uma das explicações para essa inibição pode ser a presença de compostos alelopáticos, que seriam tóxicos para determinadas espécies (Silva et al. 2011). Atenção deve ser dada também ao bambu nativo predominante nos trechos mapeados como Floresta Ombrófila Aberta (Guadua tagoara), o mesmo que recobre extensas áreas no contínuo de unidades de conservação da Serra de Paranapiacaba (Souza et al. 2006, Mantovani et al. 2009, Souza et al. 2011). No Parque Estadual Intervales, Araujo et al. (2009) encontraram estreita relação entre a ocorrência dessa espécie e as áreas utilizadas nas décadas de 50, 60 e 70 para a exploração do palmito e de roças. Para os autores, estas atividades podem ter ampliado a área naturalmente colonizada pelo taquaruçu, o que reforça a sua indicação como espécie-problema. Apesar do taquaruçu ser importante por fornecer alimentação e abrigo para muitas espécies da fauna (Rother et al. 2009), as características de rápida colonização de G. tagoara e seu comportamento invasor podem limitar o crescimento de outras populações vegetais, sendo importante seu manejo.

Embora a avaliação de espécies exóticas e invasoras não fosse o foco principal do estudo, o registro de ocorrência destas espécies contribuiu para o reconhecimento de interferências nas áreas. Como o processo de invasão biológica é gradativo, muitas vezes não é percebido enquanto ainda está na melhor fase para controle (Ziller & Dechoum 2007). Dessa maneira, ainda que muitas exóticas registradas no PETAR não tenham sido caracterizadas como espécies-problema, recomenda-se a erradicação daquelas já estabelecidas ou invasoras de áreas naturais como medida preventiva. Os métodos de controle de plantas invasoras podem ser divididos em três grandes grupos: controle mecânico ou físico, controle químico e controle biológico. Em geral, são empregadas combinações desses métodos para ganhar eficiência, em vez de usar métodos isolados (Ziller & Dechoum 2007). O trabalho deve ser iniciado com a análise prévia de cada situação de invasão e a revisão dos métodos disponíveis para seu controle, com registro do projeto técnico de erradicação. De acordo com as recomendações de Ziller & Dechoum (2007), é importante considerar se as premissas assumidas como causas da invasão estão corretas e, caso não estejam, ter um plano alternativo para uma resposta rápida em caso de insucesso na primeira ação de controle. Após a execução da ação de controle, é necessário que seja estruturado um sistema de repetição dos tratamentos e de monitoramento para acompanhamento do sucesso da técnica, avaliando-se a necessidade de se repetir a ação e determinar sua frequência e periodicidade.

 

Agradecimentos

Aos taxonomistas João Aurélio Pastore, João Batista Baitello e Osny Tadeu Aguiar, pela identificação do material botânico. A Marcelo Del Bel pelo auxílio na obtenção de dados secundários, aos escaladores Dirceu de Souza e João Barbosa da Silva, e às estagiárias Ligia Braggion, Luiza Z. Pinheiro e Louraine M. S. Barril. Ao responsável pelo Parque, Fábio Leonardo Tomas, à Kátia Pisciotta e demais funcionários, pelo apoio logístico.

 

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Recebido em 08/11/2011
Versão reformulada Recebida em 12/03/2012
Publicado em 21/03/2012

 

 

* Autor para correspondência: Flaviana Maluf de Souza, e-mail: flavianams@yahoo.com.br